Defesa & Geopolítica

Corte no orçamento do Inpe ameaça novo Satélite Sino-Brasileiro o CBERS 4A

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Orçamento real do instituto encolheu quase 70% nos últimos sete anos; dispositivo feito em parceria com a China corre risco de ficar pronto e não chegar ao espaço.

Engenheiros chineses estão no Inpe para iniciar montagem do CBERS 4A Foto: Werther Santana/Estadão

Herton Escobar

Na grande sala de integração de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um misto de engenheiros brasileiros e chineses se aglomera ao redor do corpo metálico e ainda nu do novo Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, o CBERS 4A. Vestindo jaleco, touca e sapatos especiais, eles examinam e testam cada um dos equipamentos que planejam enviar ao espaço.

Previsto para ser lançado em dezembro de 2018, mas já adiado para meados de 2019, o CBERS 4A é uma das vítimas mais ilustres da crise de recursos humanos e financeiros que ameaça paralisar projetos e serviços essenciais do Inpe. Entre eles, o monitoramento da Amazônia e as “previsões numéricas” do tempo, que são a base de toda a meteorologia nacional.

“A situação é terrível”, diz o diretor do instituto, Ricardo Galvão. O orçamento real do Inpe encolheu quase 70% nos últimos sete anos, de R$ 326 milhões, em 2010, para R$ 108 milhões, em 2017, segundo dados obtidos pelo Estado e corrigidos pela inflação. Já o quadro de funcionários encolheu quase 25% em dez anos.

Para 2018, a tendência é piorar. A proposta do governo é cortar 39% do orçamento de todos os institutos e autarquias ligadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, incluindo o Inpe e a Agência Espacial Brasileira.

“Esse corte certamente implicará a descontinuidade de alguns programas de grande relevância no instituto”, alerta Galvão. “Tenho sérias dúvidas se vamos conseguir renovar essa colaboração com a China.”

O CBERS 4A (pronunciado “cibers”, na sigla em inglês) é o sexto satélite produzido em parceria pelos dois países. Dotados de câmeras que escaneiam continuamente a superfície terrestre, eles produzem imagens essenciais para o planejamento e monitoramento de safras, gestão de recursos hídricos, planejamento urbano, controle do desmatamento e outras aplicações. As imagens são distribuídas gratuitamente online para milhares de usuários, principalmente do setor agrícola.

Cegueira espacial

Já existe a intenção de renovar a parceria para a construção de mais dois satélites, mas o CBERS 4, que é o único ainda operacional em órbita, dificilmente viverá o suficiente para isso – sua expectativa de vida útil se encerra agora, em dezembro. A partir daí, ele pode parar de funcionar a qualquer momento, deixando o Brasil “cego” no espaço.

“O CBERS 4A foi concebido para preencher essa lacuna entre o fim da vida do CBERS 4 e a concepção da próxima geração de satélites”, diz o coordenador do Segmento Espacial do programa, Antonio Carlos Pereira Junior. O projeto do 4A é quase idêntico ao dos CBERS 3 e 4, aproveitando peças sobressalentes para encurtar ao máximo o tempo necessário para colocá-lo em órbita. Ainda assim, os entraves burocráticos, jurídicos e financeiros são muitos, diz Pereira Junior.

Para voar em dezembro de 2018, diz ele, o contrato de lançamento deveria ter sido assinado em junho – com 18 meses de antecedência, pelo menos, por causa de todos os preparativos necessários. A dúvida agora é se haverá recursos suficientes nas contas do ano que vem para lançá-lo em 2019. “Corremos o risco de ter o satélite pronto e não conseguir lançá-lo.”

O orçamento aprovado para o programa CBERS neste ano foi de R$ 70 milhões. Em meio a cortes e contingenciamentos, porém, o Inpe recebeu menos da metade disso: R$ 31,5 milhões. O custo do lançamento é de US$ 15 milhões para cada país (cerca de R$ 50 milhões, pela cotação do dólar).

Impactos

Outro projeto ameaçado pelo aperto fiscal é o do Amazonia 1, primeiro satélite de observação da Terra 100% brasileiro, que está em construção no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Inpe.

A meta é ter o satélite pronto em janeiro de 2019, mas contratos e licitações que precisam ser feitos com antecedência estão caindo em atraso. Dos R$ 58 milhões previstos no orçamento deste ano, o projeto recebeu só R$ 15 milhões.

Tanto o CBERS quanto o Amazonia são considerados essenciais para que o Brasil não dependa exclusivamente de satélites estrangeiros para monitorar seu território. O Inpe gasta US$ 250 mil por ano comprando imagens dos satélites Landsat (americano) e Resourcesat (indiano), indispensáveis para o monitoramento do desmatamento na Amazônia – complementadas pelo CBERS 4.

Mas até para isso o Inpe está sem recursos, afirma Galvão. “Não paguei o contrato do Landsat este ano, e não sei como vou pagar no ano que vem.”

Fonte: Estadão

 

 

 

10 Comments

  1. Pingback: Corte no orçamento do Inpe ameaça novo Satélite Sino-Brasileiro o CBERS 4A | DFNS.net em Português

  2. Deveriam cortar o orçamento do congresso.

  3. jose luiz esposito says:

    VERGONHA NA CARA esta sempre CONTINGENCIADA nesta REPUBLIQUETA DE CASTAS CORPORATIVISTAS , vejam se existe isso para Políticos e sobretudo para este JUDICIÁRIO a maior de Todas as CASTAS brasileiras , que se cortando 2/3 de suas Verbas , continuará a ser o JUDICIÁRIO mais Caro do Mundo, e isto se estende a todo Estado brasileiro ,além de mais de 1/3 de nossos Municípios , criados por políticos Bandidos , apoiados por esta Constituição desgraçada e ainda vivem atrás de mais Dinheiro !

  4. ca59 says:

    Ora se estão cortando o orçamento para essa área, então a tal parceria com a Itália é somente notícia para camuflar a verdade.

  5. ……………….o artigo acima me lembra o caso “Condor” na Argentina….o Condor era um foguete que os argentinos pesquisavam entre os anos 80 e 90 já com considerável avanço mas que os EU não viam com “bons olhos”….. porquanto “ordenaram ” ao Menem,o fatídico presidente neo-liberal de então, o fechamento do projeto, ao que o lacaio imediatamente obedeceu…..o caso da falta de verba do Inpe é basicamente o mesmo em versão brasileira e quem tem culpa no cartório é o Mister Meireles, outro lambaio entreguista dos EU que criou os tais “contingenciamentos” pra prejudicar a pesquisa brasileira………..lastimável…………….

    • jose luiz esposito says:

      Tens toda a Razão , Dilson !

  6. Foxtrot says:

    Itália pode ajudar Brasil a construir satélites!
    Mais uma prova do entreguismo nacional e submissão aos interesses internacionais.
    Até o que tínhanos capacidades de fazer localmente, já não temos mais e temos que nos sub julgar a países estrangeiros !
    Absurdo.
    Ai aparece alguns com sua ESQUERDO FOBIA, alegando que o governo da esquerda nacional foi o mais danoso para essa repúbliqueta de Bananas !

    • jose luiz esposito says:

      O Governo da Esquerda , também perdeu toda a oportunidade de nos colocar a frente no Campo Espacial ,Defesa , Tecnológico, etc, preferindo Bolsinhas , Demagogias , etc , embora nunca votando no PT apoiei seu Governo até entender que havia mais Propaganda e grande parte do Orçamento era desviado para ações demagógicas , como também com a política de criar divisões ao povo brasileiro ; com a Mulher Sapiens percebi a Destruição que iria fazer ao Brasil !!

  7. jose luiz esposito says:

    Todo o noticiário do Governo sobre acordos com outros países , deve ser colocado em Dúvida , estão fazendo um Acordo por baixo dos Panos para alugar a Base de Alcantara ao Tiozinho do Norte , mas sempre dizem que há outros interessados e citam a Rússia , mas é apenas para que as Pressões em contrário se arrefeçam, quem acompanha o entreguismo do Estado brasileiro e as nossas FFAA , tem sempre o Pé atrás , eles têm sempre desculpas prontas !

  8. Capa Preta says:

    Cortar cartão corporativo do executivo,cortar emenda parlamentar e “auxilio paletó” cortar as mamatas do judiciário nada?!

    Mas o povão não liga daqui a pouco tem outro feriadão, que se lasque tudo 😛

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