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Segundo Robert Muggah, diretor do instituto Igarapé o Brasil precisa de mais transparência no comércio de armas

Por Rodrigo Caetano

O Brasil é um dos cinco maiores exportadores de armas leves do mundo. Apesar da posição relevante no setor, esse é um mercado relativamente pequeno para o País. Estima-se que as exportações brasileiras somem, por ano, cerca de US$ 500 milhões em rifles, pistolas, munições e armamentos não letais. Não obstante, o lobby da indústria armamentista no Congresso é forte e tem conseguido algumas vitórias, como subsídios e afrouxamento das regulamentações. Para o canadense Robert Muggah, diretor de pesquisas do Instituto Igarapé, organização dedicada ao estudo da violência, esse é um caminho perigoso. “Há fortes evidências de que mais armas resultam em mais violência”, diz Muggah, um dos maiores especialistas no mercado bélico, do mundo. A força política dessa indústria vem de um intenso financiamento de candidatos, que chegou a US$ 500 mil nas eleições de 2014. Ao mesmo tempo, a possibilidade de receber investimentos de empresas estrangeiras de armas tem atraído as atenções de Estados, como Goiás. “Toda arma começa sua vida útil de forma legal. Em algum ponto da cadeia, elas são desviadas e vão parar no mercado ilegal”, afirma Muggah. Mais transparência e controle pode evitar que isso aconteça. Confira a entrevista:

DINHEIRO – Qual é o papel do Brasil no mercado global de armamentos?

ROBERT MUGGAH – Armas são um grande negócio e o Brasil tem mercados interessantes globalmente. Se você olhar para os dados de exportações, verá que, desde o ano 2000, o Brasil vendeu armamentos para mais de 100 países, incluindo os Estados Unidos, boa parte do Leste Europeu e mais de 30 países da África. É interessante notar que o País enxerga a indústria armamentista como estratégica e promove o seu crescimento. Tem havido esforços para a assinatura de acordos comerciais no setor e de parcerias para a produção em solo brasileiro, como no caso do caça Gripen, dos mísseis da Avibras, entre outros. E com subsídios do BNDES. Agora, o Brasil precisa de mais transparência no comércio de armas.

DINHEIRO – O que configura essa falta de transparência?

MUGGAH – É difícil ter clara noção do tamanho desse negócio no Brasil. Não há informações sobre o que é produzido ou exportado. As autoridades não exigem relatórios muito precisos, então, Taurus e CBC, as maiores fabricantes de armas e munições brasileiras, muitas vezes não informam quem são seus clientes.

DINHEIRO – Qual é o potencial desse mercado para o Brasil?

MUGGAH – Na última década, o Brasil tem ficado entre os cinco maiores exportadores de armas leves do mundo. Isso se deve muito à Taurus, que, embora sofrendo alguns reveses, continua aumentando sua produção, tendo como seu maior mercado os Estados Unidos. Em relação a outros produtos militares, o País tem se mantido entre os 30 maiores exportadores, sendo mais conhecido nos segmentos de aeronaves, veículos leves e lançadores de foguetes. Nesses segmentos, o Brasil não chega a ser um grande fornecedor, mas não é irrelevante. Vale notar que houve um grande esforço em montar essa capacidade durante a ditadura, mas também durante o governo do PT.

DINHEIRO – Em termos de política externa, o Brasil utiliza sua indústria armamentista para fazer acordos mais abrangentes?

MUGGAH – Essa foi uma expectativa das administrações anteriores, particularmente no governo Lula. A ideia era levar esse conhecimento brasileiro para outros países, notadamente do Cone Sul. Acredito que a esperança era de, com o setor de defesa, facilitar as negociações em outras áreas, como construção e mineração. Em especial na África, onde o Brasil tem instalações militares na Namíbia e em Cabo Verde, realiza uma série de exercícios e faz parcerias para pesquisa e desenvolvimento. Por exemplo, há um míssil sendo desenvolvido pela Avibras em parceria com a África do Sul. Há, também, acordos com a França para desenvolver submarinos, um deles nuclear, além do Gripen. Mas isso é em termos de armamentos pesados. No campo das armas leves, o Brasil é conhecido pela facilidade em se negociar, pois não exige os mesmo níveis de conformidade com os direitos humanos do que outras nações. Nesse âmbito, não há ambições de parcerias mais abrangentes, já que são produtos de baixo valor agregado. Agora, francamente, se o Brasil parar de exportar armas leves amanhã, será facilmente substituído por outro fornecedor. E trata-se de um mercado pequeno. O Brasil comercializa cerca de US$ 500 milhões por ano em armas leves, ainda que seja um dos cinco maiores exportadores.

DINHEIRO – Apesar de ser um negócio pequeno em termos de exportações, comparando com setores como indústria e agronegócio, o lobby do setor armamentista é forte. Por que?

MUGGAH – Parte disso se deve ao fato de que há um número relevante de políticos que falam em nome das empresas de armas. Na última eleição, cerca de 30 candidatos ao congresso receberam um total de US$ 530 mil em financiamento de fabricantes de armas, sendo que 21 foram eleitos. A CBC, sozinha, doou US$ 200 mil para 16 candidatos. O que eles buscam é um ambiente favorável, tanto para exportações, quanto para o mercado doméstico.

DINHEIRO – É a chamada bancada da bala…

MUGGAH – Sim. Essa bancada tem interesse em expandir o consumo local e aumentar os subsídios para a indústria. Eles têm tido algum sucesso, nos últimos tempos. A Taurus e algumas outras companhias receberam subsídios, na forma de créditos do BNDES, por exemplo. No campo da política externa, a bancada da bala tem sido bem sucedida em impedir que o Brasil participe de tratados internacionais. Em 2013, o País assinou o Tratado sobre Comércio de Armas (acordo que regula o comércio mundial de armas convencionais, ratificado por 50 países e em vigor desde 2014). Sua ratificação, no entanto, está parada no Congresso. Mais recentemente, surgiu no Brasil uma tendência de conectar a posse de armas com liberdades individuais. Isso é algo novo por aqui, onde a posse é considerada um privilégio, não um direito constitucional, como nos Estados Unidos. Agora, claramente há interesses econômicos por trás disso.

DINHEIRO – Empresas estrangeiras têm procurado entrar no mercado brasileiro. A austríaca Glock fez várias tentativas. Mais recentemente, a Caracal, dos Emirados Árabes, firmou um acordo com o Estado de Goiás para construir uma fábrica. O que elas veem no Brasil? Ao mesmo tempo, a bancada da bala é financiada por empresas como a CBC, que tem o governo brasileiro como acionista. Isso pode gerar conflitos?

MUGGAH – Acredito que sim. A bancada da bala tem, naturalmente, instintos de proteção nacionalistas. Uma das questões é que o Brasil está estimulando investimentos estrangeiros, num momento em que o País passa por uma crise econômica. Mas há outro fator, que considero interessante, que é certa frustração com produtos nacionais, especialmente da Taurus. Alguns Estados reclamaram que as armas da empresa eram inferiores e houve casos de disparos acidentais. Isso criou um movimento a favor da importação de produtos, ou da criação de um ambiente favorável a empresas estrangeiras se instalarem no País.

DINHEIRO – O sr. disse que o Brasil é visto como uma país onde é mais fácil negociar armas. Essas empresas estrangeiras podem estar interessadas em usar o País para atingir mercados que atualmente não conseguem?

MUGGAH – É possível. Há outros motivos para o interesse delas, como o fato de o País já ter uma capacidade instalada para fabricação. Mas a Caracal vê no Brasil uma possibilidade de exportar para outros países na América Latina. O problema está no baixo nível de transparência. Quando o Brasil vende armas para mercados estrangeiros, não há um sistema robusto que garanta que a entrega foi feita ao destinatário certo. Como consequência, armas brasileiras acabam aparecendo em zonas de conflito. Agora, é interessante como o Brasil, que sempre se mostrou protecionista, vem permitindo e incentivando a chegada de novos competidores.

DINHEIRO – No caso da Caracal, trata-se de uma iniciativa do governo de Goiás…

MUGGAH – De alguma forma, acredito que é uma resposta à baixa qualidade do produto nacional. Isso deve mexer com o mercado.

DINHEIRO – Sobre o mercado ilegal de armas: como rifles e pistolas vão parar nas mãos de bandidos?

MUGGAH – Existem alguns caminhos. O primeiro são as chamadas sobras de conflitos. É um número relativamente pequeno, mas relevante. Uma boa parte dos AK-47 em circulação no mercado negro foi utilizada em conflitos há 30 ou 40 anos. Outro caminho são as pessoas que compram armas legalmente, nos Estados Unidos ou outros lugares, e as vendem no mercado negro. A grande maioria das armas compradas pelo crime organizado no México e na América Central vem dos Estados Unidos. Elas são adquiridas, inicialmente, de forma legal. Existem 64 mil lojas de armas nos EUA, mais do que Starbucks. No México, só existe uma loja de armas. Então, obviamente, há uma demanda que está sendo atendida por empresas americanas. Nossa estimativa é de que mais de 200 mil armas cruzem a fronteira, por ano. Um terceiro caminho são os desvios de estoques militares e policiais. Esse é um grande problema na América Central e do Sul. Por último, existem os grandes traficantes de armas, que movimentam contêineres por todo o mundo.

DINHEIRO – E qual é a origem dessas armas?

MUGGAH – Toda arma começa sua vida útil de forma legal, produzida por algum fabricante legítimo. Em algum ponto da cadeia, elas são desviadas e vão parar no mercado ilegal. Não é incomum fabricantes perderem de vista lotes inteiros.

DINHEIRO – Mais transparência pode evitar que essas armas caiam nas mãos do crime?

MUGGAH – Certamente. Existem esforços para melhorar a marcação e o rastreamento de armas. Qualquer produto tem algum tipo de número de série. Na maioria das indústrias, esse código é padronizado. No mercado de armas, no entanto, há uma resistência em criar padrões. O motivo para isso é a possibilidade de litigação, no caso de o produto cair em mãos erradas. É extraordinário pensar nisso. Televisões, carros, escovas de dente, enfim, quase tudo pode ser rastreado. Armas não. Até foram criados sistemas de marcação embutidos, ou mesmo dispositivos de biometria, que bloqueiam outras pessoas, que não o dono, de usar a arma. Mas a resistência das fabricantes, incluindo as brasileiras, é enorme. É um aspecto muito frustrante.

DINHEIRO – Como a política irrestrita de venda de armas dos EUA afeta a América Latina?

MUGGAH – Historicamente, a América Latina, o Brasil inclusive, é um grande cliente dos americanos. Vemos armas compradas legalmente nos EUA indo parar no México e na América Central. Agora, sem querer amenizar o impacto que o mercado americano tem no mundo, acredito que subestimamos outras fontes de fornecimento, em especial os desvios de estoques militares e policiais. Há também a questão das empresas de segurança privada. Na América Latina, para cada policial, há dois seguranças particulares. Trata-se de um mercado enorme, que não é bem regulado. Ao mesmo tempo, vários países latino-americanos estão produzindo. É o caso do Brasil, da Colômbia e, também, da Venezuela, que fabrica AK-47. No fundo, apesar de não estar errado, é conveniente apontar o dedo para os EUA.

DINHEIRO – Agora, há a questão da liberdade individual e do direito de se defender. Podemos considerar que, se tivermos mais armas nas mãos das pessoas certas, estaremos mais seguros?

MUGGAH – Esse é a posição de grupos como a National Rifle Association (associação americana que defende a indústria armamentista). Todo mundo tem a necessidade e o direito de se proteger. A questão é: se armar é a maneira mais eficiente de se defender? As evidências não mostram isso. A maioria dos crimes violentos na América do Norte, e, de certa maneira, também no Brasil, envolve parceiros íntimos. Homens matando mulheres. Nos EUA, a maior parte das mortes por arma de fogo é resultado de crimes passionais ou suicídios. Estatisticamente, é mais provável morrer em uma briga ou por suicídio do que num assalto. Ao mesmo tempo, ter uma arma em casa aumenta em até dez vezes as chances de ser morto por um bandido. A presença da arma amplia a chance de um encontro violento, que geralmente resulta na morte do dono dela. Há fortes evidências de que mais armas resultam em mais violência. Não estou argumentando que devemos nos livrar totalmente das armas. No Brasil, hoje, isso seria impossível. Agora, precisamos balancear seu uso legítimo com o dano social que elas causam. Para isso, é preciso mais regulação.

Fonte: istoedinheiro

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Acredite se Quiser: AM General fabricante do Humvee processa produtora Activision

A AM General acha que a Activision ganhou dinheiro à custa da imagem dos seus produtos.

Segundo uma notícia publicada pela Reuters, a empresa que fabrica os famosos jipes Humvee, usados pelo exército dos Estados Unidos, processou a editora de videojogos Activision por esta ter usado modelos dos seus veículos em vários episódios do seu jogo FPS Call of Duty. Segundo a queixa, a Activision ganhou milhares de milhões de dólares por ter usado as marcas registadas Humvee e HMMWV nos seus jogos e outro merchandising.

O Humvee, ou High Mobility Multiporpose Wheeled Veichle, é um veículo todo o terreno que entrou ao serviço do exército dos Estados em teatros de guerra como o Iraque e o Afganistão. A sua primeira aparição nos jogos Call of Duty foi em 2003. De acordo com o Business Wire, a Activision já ganhou mais de 15 mil milhões de dólares com as mais de 250 milhões de cópias dos vários episódios do jogo que vendeu ao longo do tempo.

Segundo a AM General, os seus produtos tiveram um papel muito importante nos ganhos da Activision e que a editora enganou os jogadores, fazendo-os pensar que teria licenciado a utilização dos seus produtos nos jogos. Depois de mais de um ano de tentativas de comunicação falhadas, a fabricante de automóveis processou a editora e pedindo compensações punitivas e reparação por perdas e danos.

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As corvetas polivalentes do projeto Karakurt

A Rússia acaba de lançar à água uma nova corveta de mísseis do projeto Karakurt (viúva-negra-mediterrânica). Quais são as vantagens dessas pequenas “aranhas” furtivas que, de acordo com a OTAN, representam uma ameaça real para os grandes navios ocidentais?

As corvetas de mísseis furtivas do projeto 22800 Karakurt, uma das quais, com o nome de Taifun, foi lançada à água na sexta (24) em São-Petersburgo, possuem a velocidade de um destróier, o poder de fogo de um cruzador e a furtividade de um submarino, indica a mídia russa.

Os novos navios incialmente surgiram para proteger as zonas costeiras, mas os seus predecessores do projeto 21631 Buyan-M (as corvetas Uglich, Grad Sviyazhsk e Veliky Ustyug) mostraram que o seu potencial é ainda maior. Eles destruíram posições do Daesh na Síria com mísseis de cruzeiro Kalibr-NK a uma distância de 2,5 mil km.

O sucesso destes ataques forçou a OTAN a reconhecer que estas corvetas de mísseis são mesmo capazes de destruir navios de guerra grandes.

No entanto, os engenheiros militares russos encontraram várias possibilidades para melhorar as capacidades destes navios. As corvetas polivalentes do projeto Karakurt possuem uma autonomia de 15 dias, o que é 50% mais do que a dos navios do projeto Buyan-M e permite realizar missões de longa duração.

Além disso, os cascos do Taifun e Uragan, primeiro navio da classe Karakurt lançado à agua em julho de 2016, foram produzidos com o uso de tecnologias furtivas. Estas duas embarcações de 65 metros de comprimento e apenas 10 metros de boca são alvos difíceis de seguir mesmo para os melhores mísseis antinavio ocidentais.

As duas corvetas novas possuem uma proteção melhor contra ataques aéreos. Elas são dotadas de canhões antiaéreos AK-630M. A corveta Shtorm e outros navios do projeto, que estão agora em construção, vão ser armados com uma versão naval do sistema antiaéreo Pantsir-M capaz de atacar quatro alvos em simultâneo.

Os canhões duplos de seis tubos do Pantisr-M podem realizar mais de 10 mil disparos por minuto e seus mísseis 57E6E podem abater alvos aéreos e mísseis antinavio a uma distância de até 20 km.

Mas os sistemas de lançamento de mísseis antinavio P-800 Onyx e de mísseis universais Kalibr-NK, destinados a destruir alvos terrestres, são as armas principais das novas corvetas do projeto Karakurt. Os navios Buyan-M são dotados só de mísseis Kalibr.

Os Karakurt provam ser muito eficazes em formação naval. Três navios desta classe podem lançar 24 mísseis de precisão Kalibr, cada um com uma ogiva de 400 kg, enquanto um cruzador norte-americano da classe Ticonderoga lança 26 mísseis de cruzeiro Tomahawk com o mesmo alcance operacional. Além disso, um cruzador norte-americano desta classe custa um bilhão de dólares, um custo suficiente para construir 30 corvetas russas.

Os lançamentos de mísseis permitem localizar os navios, mas as corvetas Karakurt podem rapidamente alterar a sua posição se movendo a uma velocidade de 30 nós, o que permite evitar um ataque do inimigo.

The National Interest já notava em 2015 que “o ataque de uma corveta com 8 mísseis Kalibr-NK é mais maciço do que o da fragata da Marinha norte-americana Oliver Hazard Perry e o navio russo possui uma capacidade de ataque maior do que qualquer navio costeiro norte-americano”.

 

Espera-se que as corvetas Taifun e Uragan sejam entregues à Marinha da Rússia em 2018. Os 6 outros navios de guerra desta classe estão agora em construção.

Fonte: Sputnik

Edição: Plano brasil

 

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Porta-aviões chinês Liaoning

Porta-aviões chinês Liaoning em Hong Kong – Foto: France Presse

O navio, pertencente a classe Kuznetsov e denominado em época soviética de “Varyag”, foi construído em um estaleiro ucraniano no final dos anos 1980. Após o colapso da União Soviética, o porta-aviões permaneceu esquecido por anos no Mar Negro, até que em 1998 foi comprado por US$ 20 milhões em 1998 por um misterioso empresário de Macau, que queria transformá-lo em um cassino flutuante.

Liaoning em Hong Kong – Foto: France Presse

Ele foi trazido pelo Bósforo até a China, contornando o Cabo da Boa Esperança e circumnavegado a África inteira. Mas logo que chegou na China o governo de Pequim tomou conta do navio e o transformou de novo em uma embarcação bélica. A remodelação do navio ocorreu na cidade portuária de Dalian, no nordeste da China.

O primeiro porta-aviões da Marinha da China em atividade. O navio tem 300 metros de comprimento e pesa mais de 60 mil toneladas, sendo equipado com 24 caças Shengyang J-15.

O Liaoning é o primeiro porta-aviões da Marinha da China em atividade.

 

 

 

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O submarino voador de Boris Uchakov

Na década de 1930, enquanto estudava na Academia de Engenharia Naval Dzerzhinsky de São Petersburgo, Boris Uchakov teve uma ideia que parecia saída de uma obra de Jules Verne. Ele apresentou aos acadêmicos da instituição soviética os planos de uma espécie de submarino com asas, ou seja, um hidroavião submersível.

O projeto de Ushakov chamou a atenção do exército soviético, que aprovou o seu desenvolvimento. De acordo com a revista “New Scientist”, Boris Uchakov trabalhou na criação do dispositivo híbrido entre 1934 e 1938.

Em 1937, o projeto foi aprovado pelo professor e chefe do departamento de táticas militares do Instituto de Pesquisas Científicas e Construção Naval da Marinha, Leonid Goncharov. “É desejável continuar o desenvolvimento do projeto para descobrir as possibilidades do veículo”, escreveu o cientista.

Pouco a pouco, o submarino voador adquiriu sua aparência externa e estrutura interna.

Caraterísticas técnicas

O veículo parecia mais um avião do que um submarino. Era totalmente metálico e pesava cerca de 15 toneladas, podendo transportar três pessoas e, teoricamente, desenvolver uma velocidade de voo de até 200 km/h. O alcance do veículo devia ser de até 800 km. A velocidade abaixo da água era de 3 a 4 nós e a profundidade máxima foi estimada em 45 metros.

A superfície das asas e a fuselagem deveriam ser feitas de aço. Os flutuadores de alumínio foram projetados para ser preenchidos com água quando o veículo ficasse submerso. Além disso, o veículo devia receber suportes especiais para 18 torpedos.

Ataques

Enquanto estivesse debaixo d’água, o submarino voador deveria detectar os navios inimigos e, quando eles estivessem a uma distância determinada, o veículo deveria voltar à superfície para disparar os torpedos. Após o ataque, poderia submergir novamente para esperar a próxima vítima.

Além disso, o veículo poderia entrar no território das bases navais inimigas, quase sempre bloqueadas por minas marítimas. De acordo com os autores do projeto, os três submarinos voadores poderiam estabelecer um perímetro seguro de 15 quilômetros em qualquer área.

O que aconteceu com o projeto?

Em 10 de janeiro de 1938, o projeto foi analisado pela segunda vez por especialistas do Instituto de Pesquisas Científicas e Construção Naval da Marinha. Todos entenderam que o projeto exigia um investimento gigantesco, enquanto o resultado final era duvidoso. Devido à velocidade muito baixa, o veículo não podia se tornar uma arma estratégica. Assim, o projeto foi congelado e os submarinos voadores nunca foram construídos.

Fonte: Russia Beyond

Edição: Plano brasil

 

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Putin: Em resposta a pressão inaceitável dos EUA à imprensa russa

Putin sanciona lei russa que transforma veículos de imprensa do exterior em “agentes estrangeiros”

Foto: Jaap Arriens, NurPhoto via ZUMA Press / TASS

Por Jack Stubbs

O presidente russo Vladimir Putin sancionou neste sábado a lei que permite que as autoridades considerem veículos de imprensa estrangeiros como “agentes estrangeiros”, em resposta ao que Moscou diz ser uma pressão inaceitável dos EUA na imprensa russa.

A nova lei foi aprovada com pressa por ambas as casas do parlamento russo nas últimas duas semanas. Ela agora permitirá que Moscou force a mídia estrangeira a marcar as notícias que fornecem aos russos como o trabalho de “agentes estrangeiros” e revelar suas fontes de financiamento.

Uma cópia da lei foi publicada pelo banco de dados legislativo do governo russo no sábado, dizendo que ela entra em vigor no dia de sua publicação.

O movimento da Rússia contra a imprensa norte-americana é parte da tempestade de alegações de que a Rússia interferiu na eleição presidencial dos Estados Unidos ano passado em favor de Donald Trump.

As autoridades de inteligência norte-americana acusaram o Kremlin de usar as organizações de imprensa russa que financia para influenciar os eleitores norte-americanos e Washington, desde então, exigiu que a emissora estatal russa RT registrasse uma afiliada da companhia sediada nos EUA como “agente estrangeiro”.

O Kremlin tem repetidamente negado interferência na eleição e disse que as restrições a emissoras russas nos Estados Unidos são um ataque à liberdade de expressão.

O Ministério da Justiça russo publicou na semana passada uma lista de nove veículos de imprensa apoiados pelos EUA que disse que poderiam ser afetados pelas mudanças.

O órgão disse que havia escrito ao Voice of America (VOA), patrocinado pelo governo norte-americano, e a Rádio Free Europe/Radio Liberty(RFE/RL), junto com sete outros veículos russos ou que utilizam a língua local operados pela RFE/RL.

Fonte: Reuters

Edição: Plano Brasil

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Corte no orçamento do Inpe ameaça novo Satélite Sino-Brasileiro o CBERS 4A

Orçamento real do instituto encolheu quase 70% nos últimos sete anos; dispositivo feito em parceria com a China corre risco de ficar pronto e não chegar ao espaço.

Engenheiros chineses estão no Inpe para iniciar montagem do CBERS 4A Foto: Werther Santana/Estadão

Herton Escobar

Na grande sala de integração de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um misto de engenheiros brasileiros e chineses se aglomera ao redor do corpo metálico e ainda nu do novo Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, o CBERS 4A. Vestindo jaleco, touca e sapatos especiais, eles examinam e testam cada um dos equipamentos que planejam enviar ao espaço.

Previsto para ser lançado em dezembro de 2018, mas já adiado para meados de 2019, o CBERS 4A é uma das vítimas mais ilustres da crise de recursos humanos e financeiros que ameaça paralisar projetos e serviços essenciais do Inpe. Entre eles, o monitoramento da Amazônia e as “previsões numéricas” do tempo, que são a base de toda a meteorologia nacional.

“A situação é terrível”, diz o diretor do instituto, Ricardo Galvão. O orçamento real do Inpe encolheu quase 70% nos últimos sete anos, de R$ 326 milhões, em 2010, para R$ 108 milhões, em 2017, segundo dados obtidos pelo Estado e corrigidos pela inflação. Já o quadro de funcionários encolheu quase 25% em dez anos.

Para 2018, a tendência é piorar. A proposta do governo é cortar 39% do orçamento de todos os institutos e autarquias ligadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, incluindo o Inpe e a Agência Espacial Brasileira.

“Esse corte certamente implicará a descontinuidade de alguns programas de grande relevância no instituto”, alerta Galvão. “Tenho sérias dúvidas se vamos conseguir renovar essa colaboração com a China.”

O CBERS 4A (pronunciado “cibers”, na sigla em inglês) é o sexto satélite produzido em parceria pelos dois países. Dotados de câmeras que escaneiam continuamente a superfície terrestre, eles produzem imagens essenciais para o planejamento e monitoramento de safras, gestão de recursos hídricos, planejamento urbano, controle do desmatamento e outras aplicações. As imagens são distribuídas gratuitamente online para milhares de usuários, principalmente do setor agrícola.

Cegueira espacial

Já existe a intenção de renovar a parceria para a construção de mais dois satélites, mas o CBERS 4, que é o único ainda operacional em órbita, dificilmente viverá o suficiente para isso – sua expectativa de vida útil se encerra agora, em dezembro. A partir daí, ele pode parar de funcionar a qualquer momento, deixando o Brasil “cego” no espaço.

“O CBERS 4A foi concebido para preencher essa lacuna entre o fim da vida do CBERS 4 e a concepção da próxima geração de satélites”, diz o coordenador do Segmento Espacial do programa, Antonio Carlos Pereira Junior. O projeto do 4A é quase idêntico ao dos CBERS 3 e 4, aproveitando peças sobressalentes para encurtar ao máximo o tempo necessário para colocá-lo em órbita. Ainda assim, os entraves burocráticos, jurídicos e financeiros são muitos, diz Pereira Junior.

Para voar em dezembro de 2018, diz ele, o contrato de lançamento deveria ter sido assinado em junho – com 18 meses de antecedência, pelo menos, por causa de todos os preparativos necessários. A dúvida agora é se haverá recursos suficientes nas contas do ano que vem para lançá-lo em 2019. “Corremos o risco de ter o satélite pronto e não conseguir lançá-lo.”

O orçamento aprovado para o programa CBERS neste ano foi de R$ 70 milhões. Em meio a cortes e contingenciamentos, porém, o Inpe recebeu menos da metade disso: R$ 31,5 milhões. O custo do lançamento é de US$ 15 milhões para cada país (cerca de R$ 50 milhões, pela cotação do dólar).

Impactos

Outro projeto ameaçado pelo aperto fiscal é o do Amazonia 1, primeiro satélite de observação da Terra 100% brasileiro, que está em construção no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Inpe.

A meta é ter o satélite pronto em janeiro de 2019, mas contratos e licitações que precisam ser feitos com antecedência estão caindo em atraso. Dos R$ 58 milhões previstos no orçamento deste ano, o projeto recebeu só R$ 15 milhões.

Tanto o CBERS quanto o Amazonia são considerados essenciais para que o Brasil não dependa exclusivamente de satélites estrangeiros para monitorar seu território. O Inpe gasta US$ 250 mil por ano comprando imagens dos satélites Landsat (americano) e Resourcesat (indiano), indispensáveis para o monitoramento do desmatamento na Amazônia – complementadas pelo CBERS 4.

Mas até para isso o Inpe está sem recursos, afirma Galvão. “Não paguei o contrato do Landsat este ano, e não sei como vou pagar no ano que vem.”

Fonte: Estadão

 

 

 

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Rússia testa novo míssil interceptador

Atualmente, o sistema A-135 da Força Aeroespacial da Rússia protege Moscou de ataques de mísseis e também desempenha um papel importante no sistema de alerta precoce e controle espacial do país. Agora, um novo sistema há muito tempo em desenvolvimento está sendo submetido a testes.

O Ministério da Defesa russo publicou imagens que mostram o sistema de defesa de mísseis modernizado testado. Durante o teste realizado no Cazaquistão, o míssil interceptor atingiu com êxito um alvo simulado.

 

Hoje, a capital russa está protegida contra ataques aéreos pelo sistema de defesa antimíssil A-135. O desenvolvimento começou em 1971 e o primeiro lançamento ocorreu em 1979.

Fonte: Sputnik

Edição: Plano Brasil