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EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte II – SOBRE A PROTEÇÃO DOS GUARDIÕES

EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte II – SOBRE A PROTEÇÃO DOS GUARDIÕES

 

 


 

 

Autor:

E.M.Pinto

 


Leia também: EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte I – A primavera das sombras

O SENSO COMUM

Assad tem que cair!!! este era o plano, mas pelo que se viu, isso seria bem mais difícil do que imaginavam. Alguns autores avaliam que ele esteve perto disso, porém, outros acreditam que esta possibilidade era remota desde o início.

O fato é que ele se levantou após uma aparente queda e a cada dia parece mais fortalecido internamente e internacionalmente. Prova disso, é que nesta semana de Fevereiro de 2019, a Síria retornou a mesa de negociação na Liga Árabe como nação membro, numa clara declaração de que o regime Sírio além de presente, mostra sua superação frente aos que patrocinaram a sua queda.

Para alguns autores, a retomada dos territórios pelas forças de Assad foi lenta e inconclusiva, para outros, reside aqui uma falha de avaliação estratégica, pois pauta-se na assertiva de que a Síria foi desmantelada e desconsidera que a cada dia, o poder de influência do regime comandado por ele, ganha força e confronta os seus inimigos internacionais.

Há ainda quem julgue o papel dos Estados Unidos como fator decisório no conflito, especialmente por destruir o seu maior inimigo, o Estado Islâmico, ainda que a participação ambígua no conflito por parte dos EUA ateste que isso seja improvável.

Pode-se creditar o mérito da ação americana no Iraque, especialmente nos conflitos deflagrados no norte em Mossul, o palco dos mais pesados combates contra o Estado Islâmico, mas na síria? não, definitivamente não, até porque os Estados Unidos por diversas vezes frearam o avanço das Forças de Assad em inúmeros episódios.

Outros ainda creditam a reviravolta no conflito exclusivamente à campanha aérea massiva da aviação de combate russa, que após cinco meses praticamente aniquilou as forças resistentes dentro do território Sírio.

Os pouco mais de 70 aviões de combate russos atuaram no apoio à “virada de mesa” do SAA, isso é um fato, porém, não é o determinante. Pode-se dizer que esta teria sido uma das grandes  ações responsáveis pela recuperação vertiginosa das forças de Assad, porém a ação do Irã dentro país desde o início do conflito é talvez a mais proeminente dentro todas.

Trabalhando nas sombras e atuando na frente de combate, o apoio iraniano ao regime de Assad chegou a ser ridicularizado e foi pouco mencionado, porém, como veremos a seguir, este talvez tenha sido a garantia de sustentação de Assad nos momentos mais difíceis do conflito.

A manutenção ainda que a duras penas do regime nos quatro primeiros anos abriu a possibilidade para um posicionamento Russo mais contundente, ao mesmo tempo em que o conflito passou a se transformar a olhos vistos, dando a impressão que a Rússia teria tido a principal função na retomada do regime de Assad.

Neste capítulo da série de artigos sobre, “como o SAA” recuperou a sua capacidade combativa, eu apresentarei uma visão pessoal sobre a influência do Irã no combate Sírio e abro a frente para as colocações que vieram após a entrada russa no conflito, o qual será apresentado no próximo artigo da série.

PRELÚDIO

Operacionais estrangeiros foram implantados na Síria e já atuavam no território antes mesmo do conflito se iniciar. Porém, quando a guerra civil começou, o Exército Árabe Sírio (SAA) se deparou com baixas aceleradas no efetivo vindos de deserções e perdas em combate, ambas acentuadas com o constante incremento do esforço para derrubar o regime de Assad.

Quando eclode a guerra civil, uma horda de mercenários e voluntários, recrutados, armados e patrocinados com recursos diretos e indiretos provenientes da Arábia Saudita, França, Qatar, Alemanha, Estados Unidos e Turquia, penetrou no território Sírio através das fronteiras da Turquia, Jordânia e Israel.

Assad convocou a massa de reservistas estimada em 270 mil homens para lutar contra o levante porém, por medo de perderem suas vidas ou mesmo por terem sido cooptados a colaborar com o esforço de derrubar o regime, cerca de 130 mil reservistas não compareceram às convocações.

Muitos deles já se encontravam em áreas que haviam caído nas mãos dos rebeldes ou do que posteriormente ficou conhecido como o Estado Islâmico (ISIS).

Nos três primeiros anos de conflito o SAA sofreu pesadas baixas e perdeu mais equipamento e pessoal do que durante todas as guerras contra Israel, 75% do território estava nas mãos dos rebeldes e muito desse território foi tomado sem muita resistência, basicamente por deserções em massa dos Soldados.

Durante os cinco primeiros anos de guerra cerca de 30 a 50 mil desertores ou largaram as armas fugindo do país ou se somaram as fileiras rebeldes contra o regime de Bashar Al Assad.

A grande maioria do exército Sírio era composta por unidades que atuavam isolados e sem coordenação com as unidades profissionais e o resto era um mal armado, carente de treinamento físico adequado e que fracamente havia recebido o treinamento de tiro. Muitas dessas unidades eram comandadas por oficiais subalternos, uma vez que na debandada do governo, os mais experientes optaram por se opor a Assad.

Como resultado, sobraram oficiais com pouca experiência em combate e recém formados em escolas militares sem um nível de conhecimento e aplicações em situações de combate.

Estes movidos apenas pelo entusiasmo patriótico e pelo o espírito de sobrevivência caíram fácil frente aos rebeldes por vezes comandados por lideres e mercenários experientes, sendo exibidos como troféus naqueles espetáculos grotescos de decapitações e execuções sumárias em praça pública.

Dentre as forças leiais a Assad, haviam militares bem treinados e experientes em combate especialmente ex combatentes que lutaram no Líbano e que garantiram a resistência do seu exército.

Porém estas forças ficaram isoladas com o colapso inicial do seu exército e a sua reorganização levou bastante tempo para ocorrer, dando a impressão de que Assad havia caído num fracasso sem retorno.

É nesse cenário que a mídia mundial prevê a queda eminente de Assad pois este não possuia um robusto apoio de nenhuma nação. O final melancólico e merecido do regime de Assad seria apenas uma questão de tempo, mas será que tudo isso é verdade?

O ATAQUE DOS LOBOS

A partir das fronteiras abertas da Jordânia, Turquia e Iraque, os grupos de guerrilheiros patrocinados pelas potências estrangeiras incursionaram no território Sírio e implantaram uma campanha de ataques às instalações do SAA, das polícias e das representações do estado, semeando o caos e fragilizando a estrutura governamental.

A primeira fase dessa campanha teve como alvo, fragilizar o Exército e debilitar a imagem do regime. Para tal, deu-se o levante que foi favorecido pela mídia e pelo apoio das redes de televisão que não se cansavam em reproduzir as execuções bárbaras e sumárias cometidas em sua maioria aos civis de minorias étnicas e religiosas.

Concomitantemente aos ataques surpresas às instalações militares, iniciou-se uma campanha de chacinas horrendas de minorias religiosas e étnicas de modo a propagar o terror e demonstrar a inaptidão do estado em proteger seus cidadãos. Para os analistas internacionais, isto enfraqueceu o poder do governo central de Damasco.

As ações dos grupos “Rebeldes” tiveram êxito e obrigaram o Exército Sírio a se dispersar pelo território para combater pequenos grupos, num país ocupado por milícias e outros mais grupos armados que apenas expandiram seus poderes frente a incapacidade do SAA de gerir a situação.

Os “Rebeldes” obtiveram êxito e a reação do SAA foi avaliada pela mídia como lenta e desastrosa, especialmente no que se refere à defesa dos civis, o principal alvo dos grupos armados.

Com um efetivo inadequado e pessimamente armado, o SAA cujas melhores unidades eram a 104ª divisão da Guarda Republicana bem como a 4ª divisão mecanizada, ambas preparadas para reações em conflitos convencionais.

Estas forças atuaram de forma contundente, porém, seu esforço foi incipiente frente a grande derrocada de outras unidades que padeceram aos pés do inimigo.
Por Exemplo apenas na tomada da Base aérea de Raqqa, o ISIS executou sumariamente 250 soldados sírios que haviam se rendido, as execuções nunca foram contestadas por observatórios dos direitos humanos ou mesmo pelos tribunais da ONU em Genebra, e até hoje mesmo as chacinas de civis foram relativizadas pela imprensa internacional. O esforço para derrubar Assad passou a ser mais importante.

Como num efeito cascata, a propaganda “Rebelde” colecionava e divulgava o fracasso das forças Sírias frente a uma campanha que demolia todas as capacidades do SAA.

Os rebeldes melhor aparelhados, apoiados por oficiais desertores do serviço Sírio que tinham um profundo conhecimento das debilidades de que dispunha o SAA, causaram perdas significativas, ademais, estes grupos foram apoiados por membros da inteligência de outras nações.

Segundo o então porta voz governo sírio Omran Al Zoebido,

“O planejamento dos ataques foi coordenado por integrantes das forças especiais turcas e da Arábia Saudita durante os três primeiros anos da Guerra”.

Nos três primeiros anos da Guerra o SAA demonstrou uma aparente inépcia e estava incapacitado de lutar aquele conflito tendo nenhuma capacidade efetiva, além disso, adotava práticas erradas sem apoio da Força Aérea que como será visto em outra oportunidade, já entrou com o “pé amarrado no conflito”.

As forças atuavam sem cobertura aérea e a tomada das principais rodovias e acessos pelos rebeldes, tornou impossível o apoio de unidades de artilharia devido a total falta de mobilidade.

Por seu lado, os Rebeldes haviam obtido máquinas e sistemas capazes de cavar túneis em altas velocidades que haviam obtido antes do início do conflito, dominavam estradas e passagens estratégicas, passando agora a dominar passagens de rios, aeródromos e centrais energéticas.

O SAA não dispunha de dispositivos capazes de detectar a existência de túneis e isto permitiu aos “Rebeldes” realizar operações que tinham ao seu favor o efeito surpresa, por sua vez, as tropas sírias, claramente incapazes de reagir ante a infiltração massiva de insurgentes perdia anualmente numerosas bases militares, fosse pela tomada surpresa, fosse pela deserção de seus comandantes em apoio ao esforço de derrubar o regime.

Por conseguinte, o exército Sírio sequer poderia garantir as medidas básicas de combate e prever as melhores dispositivos para reagir aos ataques implementados pelos Rebeldes. Alguns bastiões da resistência registraram avanços coordenados e bem arquitetados bloqueando o avanço das hordas rebeldes e do Estado Islâmico.

Estamos no segundo ano do conflito e é nesse momento que o Irã manifesta oficialmente o seu apoio e a ajuda, muito bem vinda e oportuna para o regime de Assad.

O EXÉRCITO DOS GUARDIÕES

Nas fases iniciais da guerra civil na Síria, o papel do Irã foi demasiadamente ignorado pela inteligência americana e Israelense, pois supostamente o Irã estava fornecendo à Síria apoio técnico e equipamento obsoleto e baseado nas capacidades do Irã desenvolvidas após os protestos eleitorais de 2009-2010 resultados da revolução verde que se abatera no país.

O Irã era desacreditado e ridicularizado quanto a sua capacidade de sustentar o apoio as forças Sírias naquele conflito, tanto do ponto de vista técnico, quanto econômico. Acreditava-se que uma escalada do conflito levaria a ruína econômica, diplomática e militar do Irã e de seu aliado Bashar Al Assad, “matando dois coelhos com uma cajadada só”.

Em abril de 2011, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Hussain Obama e a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, fizeram a primeira acusação pública de que o Irã apoiara secretamente Assad em seus esforços para reprimir os protestos e que as forças iranianas já atuavam nas operações de repressão aos manifestantes.

O The Guardian relatou em maio de 2011 que o governo iraniano estava ajudando o governo sírio com equipamentos de controle de distúrbios e técnicas de monitoramento de inteligência. Segundo o jornalista norte-americano Geneive Abdo, em setembro de 2011, o governo iraniano forneceu ao governo sírio tecnologia para monitorar e-mails, telefones celulares e mídias sociais.

O Irã desenvolveu essas capacidades na esteira dos protestos de 2009 e gastou milhões de dólares estabelecendo um “exército cibernético” para rastrear os dissidentes de forma online. Apesar de descredibilizada, esta capacidade de guerra cibernética do Irã é extremamente avançada e sua tecnologia de monitoramento talvez esteja entre as mais sofisticadas do mundo, provavelmente logo atrás da China.

Em maio de 2012, em uma entrevista à Iranian Students News Agency, a qual foi posteriormente removida de seu site, o vice-comandante da Força Quds do Irã afirmou que havia fornecido tropas especializadas para o combate e apoio as operações militares sírias.

Foi alegado pela mídia ocidental que o Irã também treinou combatentes do Hezbollah, um grupo militante Xiita baseado no Líbano. Nessa mesma altura o governo do Iraque, foi criticado pelos EUA por permitir que o Irã enviasse suprimentos militares para Assad os quais circulavam livremente sobre o espaço aéreo iraquiano.

O The Economist lançou uma matéria especial que relatava o apoio econômico do Irã em fevereiro de 2012, convertido em US $ 9 bilhões em ajuda à Assad para que este resistisse às sanções ocidentais. Além da ajuda financeira, o governo iraniano enviou combustível para o país e dois navios de guerra para um porto sírio em uma demonstração de poder e apoio.

Curiosamente as ações na Síria são pouco mencionadas pela mídia, especialmente porque os analistas duvidavam de sua eficácia, porém, o que se viu com o desenrolar do conflito foi uma crescente e atuante influência das tropas Iranianas especialmente no apoio ao SAA.

Abre-se aqui um parêntese para reafirmar o valor das tropas Iranianas que desde a revolução promovida por Khomeini, tem se especializado no conflito assimétrico.

Isto ficou latente nas guerras entre Irã e Iraque quando as forças de Saddan Russain melhor aparelhadas e dispondo de unidades de cavalaria extremamente sofisticadas foram derrotadas em solo iraniano por forças mais leves e especializadas.

Estes ensinamentos foram transferidos as milícias libanesas que  com o Hezbollah, trazem para síria uma capacidade de combate em conflito assimétrico fundamental para o SAA se sustentar.

Em março de 2012, oficiais de inteligência dos EUA alegaram um aumento significativo nas armas fornecidas pelo Irã e outras ajudas para o governo sírio.

Autoridades de segurança iranianas passaram a viajar com frequência à Damasco prestando assistência. Isto  foi confirmado em uma seção pública no senado americano de que membros do principal serviço de inteligência do Irã, o Ministério da Inteligência e Segurança, estavam ajudando os sírios à sufocar as ondas rebeldes.

De acordo com um painel da ONU em maio de 2012, o Irã forneceu armas ao governo sírio durante o ano anterior, apesar da proibição da exportação de armas pela República Islâmica.

Em 2012, autoridades turcas capturaram containers e caminhões transportando fuzis de assalto, metralhadoras, explosivos, detonadores, morteiros de 60 mm e 120 mm, além de outros itens em sua fronteira. Acreditava-se que estes fossem destinados ao governo sírio.

O relatório confidencial vazou poucas horas depois que um artigo do The Washington Post, revelar como os combatentes da oposição síria começaram a receber mais, e melhores, armas em um esforço pago pelos países árabes do Golfo Pérsico e coordenados em parte pelos EUA. Foram investigados três grandes carregamentos ilegais de armas iranianas no ano anterior e afirmou que o Irã continuou a desafiar a comunidade internacional através de remessas ilegais de armas.

Dois desses casos envolveram a Síria, assim como a maioria dos casos inspecionados pelo Painel durante seu mandato anterior, ressaltando que a Síria continuava a ser o destino principal das transferências ilícitas de armas iranianas.

Ainda em 2012, a ONU afirmou que as armas estavam se movimentando nos dois sentidos entre o Líbano e a Síria, onde armas trazidas do Líbano estavam sendo fornecidas para a oposição à Assad.

O suposto aumento do fluxo de armas iranianas foi provavelmente uma resposta a um iminente influxo de armas e munições para os rebeldes provida pelos estados do Golfo.

Em 24 de julho de 2012, o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, Massoud Jazayeri, afirmou publicamente que os iranianos não permitiriam que os planos inimigos mudassem o sistema político da Síria e que estes não teriam sucesso.

Em agosto de 2012, Leon Panetta, 23º Secretário de Defesa dos Estados Unidos, acusou o Irã de criar uma milícia pró-governo para combater na Síria e o comandante do Estado Maior, General Martin Dempsey a comparou ao Exército Mahdi do líder Xiita Muqtada Al-Sadr. Panetta disse que havia evidências de que a Guarda Revolucionária Iraniana estava tentando treinar uma milícia dentro da Síria para poder lutar em nome do regime.

Neste mesmo ano os rebeldes do Exército Livre da Síria (FSA) capturaram então 48 iranianos em Damasco, posteriormente as fontes oficiais dos EUA atestaram que os soldados capturados faziam parte da Guarda Revolucionária Iraniana.

Em 2013 ocorreu uma troca de prisioneiros entre os rebeldes sírios e as autoridades do governo sírio e segundo relatos, os 48 ​​iranianos foram libertados pelos rebeldes em troca de quase 2130 prisioneiros detidos pelo governo sírio. Os rebeldes confirmaram que os cativos estavam ligados à Guarda Revolucionária Iraniana.

Ainda em setembro de 2012, funcionários da inteligência dos EUA afirmaram que o Irã havia enviado 150 operacionais da Guarda Revolucionária Iraniana para a defesa pessoal de Assad, além de centenas de toneladas de equipamento militar, entre elas, armas, mísseis anti carro, antiaéreo e granadas.

OLHOS NO CÉU

O corredor aéreo entre a Síria e o Irã tornou-se uma rota de acesso fácil para os equipamentos e pessoal para treinamento das forças Sírias. Ainda nesta altura, o painel do Senado americano já alertava que a presença Iraniana havia melhorado substancialmente as capacidades do exército Sírio e das milícias pró Assad, apesar da campanha televisiva insistir no colapso  do SAA.

Em outubro de 2012, de acordo com os rebeldes, veículos aéreos não tripulados iranianos foram usados ​​para guiar os aviões, militares e artilharia síria em missões de  bombardeio as posições rebeldes. A CNN informou que drones que os rebeldes chamam de “Wizwayzi” eram facilmente visíveis do solo e vistos em vídeos feitos por combatentes rebeldes. 

Esta foi sem dúvida a primeira grande mudança no conflito e veio quando o Irã cedeu às forças de Assad as aeronaves não tripuladas de reconhecimento SHAHED 129, os quais permitiram ao exército Sírio planejar melhores ataques e obter respostas mais rápidas das movimentações das tropas inimigas.

O exército Sírio passou a implantar manobras de maior envergadura bem como, reações muito mais rápidas as mobilizações das tropas invasoras no terreno. Ao mesmo tempo o apoio diplomático russo converteu-se na cedência de armas as quais permitiram levantar as defesas ainda que pontualmente.

Apesar de tímida nesta fase do conflito, a ajuda russa veio na forma de troca de informações importantes, obtidas pelos satélites e sistemas de inteligência eletrônica. A Rússia que agia nos bastidores, no campo diplomático, passou a atuar com a inteligência Síria e Iraniana anulando e obtendo informações dos apoiantes e das estratégias de ataques organizadas de fora do território Sírio, operando em silêncio contra os opositores do regime fora de seu país.

As imagens de satélite das movimentações das tropas dos comboios de abastecimento e, dos postos de comando, de onde partiram as decisões que culminariam nas operações dos grupos insurgentes foram, de vital importância para o governo Sírio, o qual, pode respirar mais aliviado, uma vez que se antecipava aos acontecimentos, anulando os efeitos das repetidas investidas dos insurgentes que agora já não obtinham o mesmo efeito esmagador sobre as forças do SAA.

Esta relativa pausa para respirar, deu ao SAA a oportunidade de se reorganizar e com apoio iraniano passou treinar melhor as forças do fronte que por sua vez, passaram a receber equipamentos mais adequados.

Essa foi a fase na qual o avanço do ISIS e dos grupos rebeldes começou a ser freado. Nela o apoio russo foi fundamental tal como o apoio iraniano e o exército Sírio recuperou rapidamente uma de suas capacidades, a de poder planejar e executar suas operações.

Com grande parte do seu potencial efetivo confinado e isolado em regiões dominadas pelos seus adversários, o SAA passou a recorrer a estratégia implantada por um proeminente General da Guarda Revolucionária iraniana, o general Qassem Soleimani,  que executa a criação de subunidades formadas por voluntários, em sua maioria de idade avançada e oriunda de cidades atacadas pelos Rebeldes.

Estes grupos de resistência populares haviam heroicamente resistido aos avanços do ISIS e lutavam em defesa de seus lares.A inteligência Síria passou dar mais atenção aos grupos locais fortalecendo a sua capacidade de defesa.

Com a melhoria da situação e a estabilização do avanço das forças invasoras que passaram a não conseguir mais lograr territórios, o exército Sírio iniciou um amplo treinamento das milícias locais de defesa, concentrando-se no treinamento de Guerrilha Urbana por vezes empregada em combates reais, suportada por noções de Engenharia e pirotecnia, estas milícias recebiam o treinamento no fronte.

Tudo isto ainda nos primeiros anos do conflito onde o apoio dos iraniano no treinamento das milícias para defender suas posições foi fundamental o que permitiu que o SAA destacasse as suas forças militares mais preparadas para atuarem nos conflitos mais densos, passando a desloca-las para as frentes de combate, deixando a retaguarda guarnecida por uma milícia bem treinada, capaz de resistir as investidas rebeldes.

O resultado foi a modificação rápida do panorama predominante até então, que se caracterizava por perdas de território após retomadas sucessivas, uma vez que o contingente era engajado na frente e a retaguarda ficava desprotegida.

A ponte aérea entre damasco e Teerã permitiu que voluntários pudessem receber treinamento dos milicianos da Basij, uma milícia paramilitar voluntária fundada por ordem do Ayatollah Khomeini em novembro de 1979.

Os Basij são  subordinados à Guarda Revolucionária  Iraniana e o Líder Supremo Ayatollah Khamenei e servem como uma força auxiliar, engajada em atividades como segurança interna além de aplicar leis,  serviço social e policiamento moral e suprimindo reuniões dissidentes.

Assim, o treinamento cedido aos integrantes das forças regulares e milícias passou a ser dado aos Soldados do Exército Sírio, que por sua vez foi filtrado e reorganizado, passando a utilizar em suas frentes de batalha apenas combatentes experientes e profissionais, delegando aos inexperientes o treinamento básico de guerrilha e função de guarnecer os postos e posições reconquistadas com apoio das milícias estabelecidas.

As milícias populares que enfrentaram as invasões das hordas do Estado Islâmico e de outros grupos terroristas em defesa de sua sobrevivências eram agora treinadas por operacionais das forças especiais e suas táticas de defesa se aprimoraram e tornaram-se mais letais.

Agora, ao invés de apenas se defender, o SAA passou a lançar ataques contra os levantes insurgentes. Passando a programar campanhas militares além das fronteiras internas que haviam surgido após o desencadear do conflito.

Então, um evento significativo marcou um ponto de virada no conflito. As coisas começaram lentamente a mudar em 2014 quando a capacidade logística das forças rebeldes passou a enfrentar dificuldades em controlar os vastos territórios tomados ao SAA, invertendo a frente de combate em favor de Assad.

Os avanços dos rebeldes passaram a ser menos frequentes, por outro lado, as forças de elite Sírias começaram a lograr importantes vitórias por todo o país. Com o apoio técnico do Irã, em maio de 2014, duas aeronaves não tripuladas Shahed 129 foram desmontadas e transportadas por um cargueiro Ilyushin Il-76 para o Aeroporto Internacional de Damasco, juntamente com suas estações de controle terrestre e equipes de apoio. 

A primeira missão dos drones era apoiar a Força Quds e seus aliados da milícia que já atuavam em campo. As forças Quds são uma unidade especial do Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica do Irã, cuja missão primária é de organizar, treinar, equipar e financiar movimentos revolucionários islâmicos estrangeiros, sendo responsável pela construção e manutenção de contatos com organizações militantes islâmicas clandestinas por todo o mundo islâmico.

A Quds responde diretamente ao Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei e seu  comandante atual, o Brigadeiro-General Qassem Suleimani o qual será frequentemente reportado nesta série de reportagens.

Sabe-se que os drones irianianos cedidos a Força Aérea Síria exerceram em primeira função as missões de inteligência e coordenação das tropas, porém uma mudança de filosofia, inserida pela Quds teve seu papel fundamental na mudança da gestão do conflito.

Na verdade, os Shahead não foram os únicos Drones destacados para a Força Aérea Síria,  uma infinidade de outros já operavam no território Sírio em apoio as forças iranianas desde o início do conflito. Isto pode ser constatado pelo fato dos rebeldes exibiram aeronaves capturadas que descrevem como drones construídos pelo Irã.

Em muitas ocasiões, as aeronaves eram acompanhadas por manuais de treinamento com a imagem do líder revolucionário do Irã, o falecido Aiatolá Ruhollah Khomeini.

TROPAS EM TERRA

Em junho de 2013 o conflito encontrava-se num ponto de inflexão e apesar do apoio iraniano, o SAA dava sinais de estagnação uma vez que lutava uma guerra em diversas frentes e seu efetivo estava comprometido. Foi quando o governo iraniano resolveu enviar 4000 soldados para ajudar as forças do governo sírio.

Este evento foi descrito como o “primeiro contingente” num artigo assinado pelo repórter Robert Fisk, do The Independent, acrescentando que a medida ressaltava o alinhamento Sunita x Xiita no Oriente Médio, e talvez tenha sido de fato a primeira remessa de soldados estrangeiros de forças regulares a atuar em apoio à Assad.

Soldados da Guarda Revolucionária Iraniana, junto com outras forças Xiitas do Hezbollah e membros da milícia Basij do Irã participaram da captura de Qusair um estratégico ponto de confluência de rotas que caíra nas mãos rebeldes anos antes. A batalha de 9 de junho de 2013 demonstrou que a capacidade de luta do SAA e de seus aliados estava a beira de uma viragem importante.

Em 2014, o Irã aumentou ainda mais presença de tropas na Síria e também teria proposto a abertura de uma nova frente contra Israel nas Colinas de Golan, ocorrida um dia depois de o presidente egípcio romper relações diplomáticas com a Síria e exigir que o apoio iraniano ao governo pró-Síria do Hezbollah terminasse.

As autoridades sírias chamaram a diplomacia de Morsi de “irresponsável” atribuindo aos EUA e Israel o planejamento de divisões na região.

De acordo com autoridades americanas questionadas pelo jornalista Dexter Filkins, oficiais da força de Quds, coordenaram ataques, treinaram milícias e montaram um elaborado sistema para monitorar comunicações rebeldes na Síria já nos finais de 2012 e 2013 e agora em 2014 operavam impunemente dentro do teatro Sírio.

Com a ajuda do Hezbollah, e sob a liderança do general da Força Quds, Qassem Soleimani, o governo de Assad recuperou o território estratégico dos rebeldes em 2013, em particular uma importante rota de abastecimento foi anexada durante a ofensiva de Al-Qusayr em abril e maio daquele ano.

Ainda sim, a mídia internacional relativizava o papel iraniano na viragem de poder obtida pelas forças de Assad. Para se ter uma ideia do papel iraniano no conflito, basta verificar as baixas de altos oficiais  em território Sírio, que demonstram que a presença iraniana naquele conflito não era ignorável como se havia previamente pensado.

Em 2013, o general de brigada iraniano Mohammad Jamali-Paqaleh, da Guarda Revolucionária, foi morto supostamente enquanto se voluntariava para defender um santuário Xiita. Em fevereiro do mesmo ano, o general Hassan Shateri, também da Guarda Revolucionária, foi morto enquanto viajava de Beirute para Damasco.

Com a ofensiva feroz do estado Islâmico ameaçando e retomando regiões controladas tanto pelo SAA quanto pelos Rebeldes, o Irã aumentou o apoio ao presidente sírio, fornecendo centenas de especialistas militares para coletar informações e treinar tropas.

Este apoio adicional de Teerã, juntamente com as entregas de munições e equipamentos de Moscou ocorreu no início de 2014 e foi em parte uma decisão fortemente promovida por Qasem Soleimani.

Soleimani um exímio estrategista militar soube explorar a eclosão de lutas internas entre combatentes rebeldes, Al-Qaeda e o Estado Islâmico que tanto no Iraque quanto na Síria davam claros sinais de desentendimentos e buscavam cada um as suas próprias conquistas, rompendo até então com o claro interesse em comum de derrotar o regime de Assad.

Soleimani encontrou nas milícias locais sírias que resistiam ferozmente aos levantes do ISIS, a chance esperada para treinar e capacitar os populares à apoiarem o regime de Assad. A Guarda Revolucionária do Irã delegara então aos principais comandantes da força Quds a missão de aconselhar e treinar os militares de Assad e seus comandantes.

Além disso, os milhares de combatentes voluntários paramilitares Basij iranianos, passaram a se infiltrar nas regiões onde a frente de combate era mais feroz. Sua missão era preparar os populares para a a resistência tal como fora promovido no Iraque pelas milícias Xiitas e Cristãs.

A oposição síria informou que nos últimos meses de 2013 as forças lideradas pelo Irã já operavam nas áreas costeiras, onde não havia conflito de média  intensidade, isto incluía as regiões e circunscritas a Tartus e Latakia.

A Agência de Notícias ANNA chegou a informar que os operacionais iranianos possuíam documentos de identidade locais, vestiam uniformes militares sírios e trabalhavam com a unidade de inteligência da elite da Força Aérea da Síria.

Nesse ponto o leitor pode estar se perguntando, porque operar nestas regiões se o conflito circundava Damasco?

Esta é a pergunta que qualquer um poderia fazer, no entanto, uma vez que estas regiões encontravam-se mais seguras, os oficiais do SAA e iranianos puderam preparar melhor as suas forças, enviando-as as frentes de combate quando necessário, as experiências eram acumuladas e os militares passaram a propagar os ensinamentos para os integrantes das milícias populares cuja função era a de guarnecer os territórios reconquistados.

Voltando aos drones, em 10 de abril de 2014, os rebeldes na Síria registraram a presença de drones Shahed 129 voando sobre o leste de Ghouta, em Damasco. A guerra na Síria provou ser um bom ambiente para testar o Shahed 129 e mais três foram posteriormente transferidos para a Força Aérea Síria.

Um Shahed 129 foi flagrado transportando o que parecia ser uma arma guiada, sendo avistado nos céus ao sul de Aleppo em novembro de 2014.

Citando duas fontes libanesas, a Reuters informou em 1 de outubro de 2015 que centenas de soldados iranianos chegaram a síria em finais de setembro daquele ano e logo se juntariam às forças do governo Sírio e seus aliados libaneses do Hezbollah em uma grande ofensiva apoiada por ataques aéreos russos, algo que explanarei melhor na sequência.

O Wall Street Journal noticiou em 2 de outubro de 2015 que a Guarda Revolucionária do Iraniana colecionava no país naquele Outubro de 2015 um efetivo de cerca de 7000 tropas entre voluntários e paramilitares e que planejava expandir sua presença no país por meio de combatentes e milicianos locais.

Na mesma matéria o WSJ afirmou que outros vinte mil combatentes estrangeiros Xiitas estavam no terreno. Estes por sua vez seriam oriundos de países do Cáucaso e de voluntários vindos de outras quatro nações, número este que até hoje não foi confirmado por nenhum dos pares envolvidos no conflito.

É de se ressaltar que como em todo o conflito, as baixas sempre foram muito supervalorizadas pela mídia, O Midle East Monitor chegou a anunciar que cerca de 2100 iranianos teriam morrido em combate até março de 2018 sendo que  desses, ao menos 121 eram soldados e operacionais da guarda revolucionária.

O fato é que o papel do Irã no conflito foi cruscial para a retomada do poder do SAA e é inegável que as principais vitórias foram alcançadas com o apoio substancial da força Quds, nas batalhas de Al-Ghab, nas ofensivas de Aleppo, Dara’aya e Al-Qusayr ainda em 2015.

Estas ofensivas estabeleceram o controle do governo e do Hezbollah sobre a região de Qalamoun. A abertura das fronteiras com o Líbano de onde foram retomadas as passagens de material e pessoal para a Síria dentre outros, garantiu o fluxo de tropas e material de apoio à Assad liberando a fronteira que passou a  ser vigiada e que agora era menos vulnerável ao contrabando de armas para os insurgentes.

Em junho de 2015, alguns relatórios sugeriram que os militares iranianos estavam efetivamente no comando das tropas do governo sírio no campo de batalha nas regiões mais quentes do conflito como em Allepo e Idlib, uma posição estratégica para Assad, esta informação nunca chegou a ser confirmada, nem tão pouco refutada pelo regime.

CHAMEM A CAVALARIA

O Ano de 2015, começou não muito diferente do que se tinha vistoa té então, senão pela ferocidade do Estado Islâmico que naquela altura se tornara a mais perigosa ameaça ao regime. Foi quando um evento criou preocupação para o regime de Assad.

Num ataque orquestrado e perfeitamente executado pelos rebeldes apoiados pela inteligência da coalizão, a província de Idlib caiu frente a ofensiva rebelde no primeiro semestre de 2015, a situação foi considerada crítica para a sobrevivência de Assad.

Nesse momento, uma ronda de negociações de alto nível entre Moscou e Teerã passou a ganhar destaque na mídia internacional. E quando todos apostavam numa retração russa devido ao problemático conflito na Crimeia e baixo Dom, Teerã saiu vitoriosa novamente com um acordo político e em 24 de julho, o general Qasem Soleimani visitou Moscou para elaborar os detalhes do plano de ação militar coordenado na Síria.

A Rússia entra oficialmente no conflito e desafia a capacidade dos aliados contrários a Assad. No emblemático discurso na plenária das Nações Unidas, Vladimir Putin se posiciona em favor da manutenção do regime e estabelece uma aliança com o Irã para solução deste conflito.

https://www.youtube.com/watch?v=lJHdV2YvIQQ

Mais uma vez a capacidade Iraniana havia sido subestimada e em meados de setembro de 2015, chegam à Tartus e Latakia os destacamentos da Guarda revolucionária Iraniana que agora passam a operar com equipamentos mais modernos de interferência eletrônica e novas armas testadas no fronte do conflito dentre eles, drones portáteis equipamentos de rádio e armas anticarro.

Com grande parte das unidades do Exército Árabe Sírio e das Forças de Defesa Nacional posicionadas em frentes mais voláteis, os fuzileiros navais russos e a Guarda Revolucionária Iraniana liberaram suas posições instalando postos militares nas cidades de Slunfeh e Masyaf à leste de Latakia, Tartus e Ras Al-Bassit na cidade costeira.

Este primeiro contingente foi seguido de um segundo ainda maior que que chegou à Síria no início de outubro de 2015.

Em 1 de outubro de 2015, citando duas fontes libanesas, a Reuters informou que centenas de soldados iranianos haviam chegado à Síria para se unirem às forças do governo de Assad e seus aliados libaneses do Hezbollah em uma grande ofensiva terrestre apoiada pela aviação de combate russa.

As Forças Aeroespaciais Russas (VKS) começaram a operar naquele país a partir de 30 de setembro de 2015 e foram sempre relacionados como vitais para a sobrevivência de Bashar Al-Assad. A sua participação será melhor descrita na matéria subsequente a esta que tratará do papel russo no conflito.

Em 8 de outubro de 2015, o general de brigada Hossein Hamadani, primeiro homem abaixo do general Qasem Soleimani na Síria foi morto num ataque. Em 12 de outubro, mais dois comandantes da Guarda Revolucionária Iraniana, Hamid Mokhtarband e Farshad Hassounizadeh tiveram o mesmo fim.

No final de outubro de 2015, o Irã concordou em participar das negociações de paz na Síria em Viena. As negociações pela primeira vez levaram o Irã à mesa de negociações com a Arábia Saudita, que estaria envolvida em uma guerra por procuração na Síria.

As conversações, entretanto, foram prontamente seguidas por uma troca de duras críticas entre os altos funcionários do Irã e da Arábia Saudita, que lançaram dúvidas sobre a futura participação do Irã naqueles países.

Em 2017 na ofensiva pela tomada de Deir ez-Zor os Shahed 129 já haviam realizado centenas de surtidas contra o Estado Islâmico e as forças rebeldes. As autoridades militares iranianas afirmaram que os seus drones haviam aumentado de sobremaneira a capacidade de vigilância nas áreas fronteiriças, de maneira inteligente, precisa e barata.

Os Shahed 129 foram amplamente dispersos pelo território de onde passaram a ser operados a partir de pistas curtas. Em 2017, dois deles estavam baseados em Damasco na Síria e imagens de satélite apontavam modelos na base aérea de Hama e na base aérea T4.

Em 7 de junho de 2017, o Hezbollah divulgou um vídeo mostrando um UAV americano MQ-1 ou MQ-9 voando perto de Al-Tanf. Especialistas atestaram que a filmagem foi “consistente” e que realmente foi efetuada por um drone de reconhecimento Shahed-129.

Em 8 de junho de 2017, um dos cinco Shahed 129 enviados para a Síria tentou realizar um ataque aéreo contra a coalizão perto de Al-Tanf, atacando-os com um míssil guiado. Embora o ataque aéreo claramente visasse às forças da coalizão na área, ele não danificou nenhum equipamento ou pessoal americano uma vez que a munição alegadamente teria falhado

O Drone foi então abatido por um caça F-15E Strike Eagle. Dias depois, em 20 de junho de 2017, outro F-15E Strike Eagle abateu outro drone novamente perto de Al-Tanf. Este havia se aproximado do perímetro de maneira semelhante ao incidente anterior e foi abatido antes de chegar ao alcance em que poderia lançar suas armas.

Do que se tem confirmado, apenas dois Shahed 129 foram derrubados na Síria. Consta que mais dois deles foram destruídos durante os ataques aéreos israelenses na base aérea T-4 e estima-se que ao final de 2018 não havia mais Shahed-129 na Síria.

Apesar de controverso, alguns analistas militares dão como muito certa a afirmativa de que a curta participação dos Drones Iranianos foi crucial para as vitórias de Assad e pela mudança dos rumos do conflito, coincidindo com o fim do período do qual o Exército Sírio sacrificava o seu território limitando-se exclusivamente a proteger a sua população e as minorias internas perseguidas especialmente pelos grupos Jihadistas, passando a combater o inimigo de fato, chegando a atacar e desmobilizar estes grupos.

MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS

Antes do conflito, o SAA possuía como armamento individual de proteção basicamente de capacetes soviéticos SSH-68 e QGF-02 chineses, fuzis Ak-47 ou a versão chinesa Type 56, além disso, apenas alguns membros da Guarda republicana dispunham de coletes à prova de bala, basicamente nenhum sistema intensificação de luz ou visão noturna.

As forças especiais Sírias que foram formadas e treinadas pelo exército egípcio nos anos 1960, mantinham uma doutrina pautada nos comandos britânicos concebida, para os militares das unidades de Infantaria leve que contavam com qualificação de paraquedistas. No início da Guerra o SAA possuía apenas seis batalhões independentes de forças especiais e um outro Batalhão de paraquedistas, alocado 104ª brigada da Guarda republicana.

Em março de 2014 o SAA criou um grupo de comandos denominados “Leões protetores” subordinados a 4ª divisão que operava ao norte da Síria no início da Guerra, os equipamentos pessoais das forças especiais era ineficiente e os comandos não tinham no seu currículo a experiência de combate urbano e Guerrilha assimétricas.

As forças especiais eram equipadas com armas como RPG-7 e mísseis anti-carro porém seus equipamentos individuais não eram tão bons quanto aqueles que foram empregues no conflito Sírio em 1982. Naquela época eles eram muito bem equipados com armas como os RPG-7 e mísseis anti-carro 9K111 Fagot e Milan.

As armas só melhoraram de padrão com a chegada à Síria dos formadores iranianos da força Al Quds e a filosofia de emprego foi expandida com a experiência trazida pelos combatentes do Hezbollah que possuem uma grande experiência em Guerra Urbana, vale lembrar que as forças especiais iranianas foram criadas e treinadas pelos americanos e ingleses durante o governo de Heza Pahlevi e absorveram muitas das estratégias de combate que acabaram sendo o fundamento para o surgimento das forças especiais da Guarda revolucionária iraniana.

As forças libanesas na síria eram equipadas com armas muito modernas como um míssil 9M113 Konkurs,  9K115 Metis e 9M133 Kornet. As forças do Hezbollah possuem vasta experiência em combate contra as forças israelenses dotadas de veículos de combate muito superiores aos empregues no conflito e adicionalmente possuem experiência em combate assimétrico em regiões urbanas.

As forças especiais sírias passaram a conduzir operações com emprego tanto de forças leves, quanto com forças blindadas pesadas, explorando as melhores capacidades de ambas mediante a exigência do conflito.

Estes ensinamentos foram decisivos para fundamentar a doutrina de defesa local tanto para as forças regulares quanto para os milicianos até a chegada dos primeiros integrantes das unidades Spetnaz russas ainda mais especializadas e preparadas.

Com a chegada dos russos, passou-se a reavaliar todas as táticas de emprego de grupos de comandos e todos os requisitos de combate, começando pelo armamento e itens de proteção individual.

A estratégia de defesa das cidades além da estratégia de combate contra os grupos insurgentes sofreu mais uma reformulação adaptando-se ao combate noturno, incursão de forças, ataques surpersas e sabotagem.

Apesar do Irã investir uma grande quantidade de dinheiro nos equipamentos das forças especiais tanto SAA  quanto os Iranianos não podiam se comparar aos modernos sistemas estreados em combate pelas forças russas.

A Rússia passou a fornecer as tropas Sírias material mais moderno, armas mais letais e sistemas ainda mais eficientes que os iranianos.

As imagens mais recentes mostram uma transformação nas forças sírias que passaram a adotar o uso extensivo de equipamento Russo com capacetes em Kevlar 6B7 e sistemas ajustáveis de visão noturna, coletes à prova de bala com camuflagem multicam, sistemas orgânicos integrados aos aparelhos de visão noturna, coturnos de alta qualidade e novos fuzis automáticos AK-74M e Ak-103 e 104 equipados com telêmetro laser, lança-granadas termobáricas do modelo GS-17, lançadores de 40mm. O equipamento de visão noturna passou a fazer parte do equipamento individual.

FORÇAS ESPECIAIS

Dentre as transformações geradas pela experiência iraniana no conflito, destaca-se  a criação em 2013 das chamadas Qawat Al-Nimr, ou Forças Tigre.

Estas são atualmente lideradas pelo general Suheil Hussan e são considerados a força de elite do Exército Sírio. A transformação e reorganização das Forças Tigre vem na esteira dos ensinamentos e treinamentos providas pelas forças Quds iranianas, porém, parte de sua doutrina de emprego e equipamentos é proveniente da assistência russa.

As Forças Tigre estão atualmente a 10 km de distância das linhas curdas e tratam-se de uma formação de elite (unidade de forças especiais) do Exército Árabe Sírio que funciona principalmente como uma unidade ofensiva na Guerra Civil Síria.

Seu efetivo relativamente reduzido torna difícil o seu emprego  em várias frentes de uma só vez. Apesar de oficialmente ser chamado de divisão, estima-se que o tamanho real das Forças Tigre esteja mais próximo de um batalhão. Sua estrutura era bastante compacta e possuia cerca de 1000 homens e uma de suas características marcantes era sem dúvida o fato de  agirem  independentemente do resto das forças armadas sírias.

As forças Tigre  lutaram em grandes batalhas como em Aleppo e Palmyra e nas ofensivas na região de Latakia, entre outros. Em janeiro de 2017 as forças do Tigre lançaram uma ofensiva contra o ISIS a leste da cidade de Aleppo capturando mais de 600km quadrados  de territórios do ISIS, além disso, impediram que as forças apoiadas pela Turquia avançassem mais para o território sírio.

https://www.youtube.com/watch?v=kOvBTPvsXAU

Após operações bem sucedidas em Latakia e Hama, o coronel Suheil Al-Hassan foi encarregado de um projeto especial pelo Comando Central das Forças Armadas Sírias no outono de 2013, passando a treinar e liderar uma unidade das Forças Especiais Hassan escolheu a dedo muitos dos soldados que mais tarde formariam as Forças do Tigre.

Em 25 de dezembro de 2015, Suheil Al-Hassan foi promovido a major general depois de se recusar a ser general de brigada. Ele desempenhou um papel fundamental no comando das tropas sírias durante a campanha de 2016 em Aleppo. As forças Tigre foram encarregadas duas vezes de cortar as principais linhas de suprimentos para a Aleppo, até então controlada pelos rebeldes.

As Forças do Tigre obtém a primazia do uso do carro de combate russo T-90, sendo outras a 4ª Divisão Blindada e a Brigada Falões do deserto. A tática mais famosa e eficaz das Forças Tigre é sondar o inimigo a partir de múltiplos eixos para encontrar um ponto fraco, enviando então uma grande força mecanizada para essa área para capturar as pequenas vilas de uma só vez.  De acordo com Gregory Waters, eles se reportam ao Major General Jamil Hassan comandante do Diretório de Inteligência da Força Aérea.

Em  outubro de 2018, estimava-se que seu efetivo já havia aumentado significativamente, situando-se entre  6500 e 8000 membros.
As Forças Tiger possuem vários grupos de operações especiais como as Forças Cheetah  ou Qawat al-Fahoud a qual atuou na retomada da Base Aérea Militar de Ku Keires, Já a Falcões do deserto, dominou Aleppo Oriental, aniquilando a resistência do  ISIS.

As Forças Panteras foi envolvida na ofensiva de Palmyra em março de 2016, onde foram transferidos para outra frente depois que a batalha terminou.

Atualmente as Forças Tigres são destacadas em grupos na ordem de regimentos como:

  • Tarmeh
  • Taha, uma unidade de assalto formada em 2014 a qual possuia em 2018 cerca de 2500 membros.
  • Yarrob
  •  Shaheen  (possivelmente ex-forças da Pantera)
  • Shabaat
  •  Al Hawarith
  • Zaydar
  •  Al Shabbour
  •  Al-Komeet
  • Al-Luyouth
  • Hayder

As Forças do Tigre consistiam em até 24 subgrupos de tamanhos variados. Os grupos e subunidades das Forças do Tigre foram fundados por indivíduos proeminentes que frequentemente também serviam como comandantes de um grupo particular (o grupo geralmente carregava o nome do indivíduo que fundou e / ou comandou o grupo.

CONCLUSÃO

A participação desde o princípio do conflito como foi apresentado neste artigo evoca o questionamento se não teria sido o esforço iraniano o responsável pela garantia da permanecia do regime de Assad.

Para este autor, a guerra que teve várias fases, altos e baixos teria sido decidida em seus primeiros anos caso não houvesse a interferência iraniana.  A formação cedidas pelas forças Basij e a presença em campo nas principais batalhas pelas forças Quds são evidências de que o Irã foi o aliado mais proeminente do regime desde o princípio e talvez seja o maior responsável pela vitória do  SAA sobre seus adversários.

Para o Autor, a criação das milícias populares foi um ponto de virada estratégica que mais contribuiu para a estabilidade do conflito. Populares passaram a  defender seus territórios permitindo que o SAA pudesse ser enviado para a frente de combate, sanando o cronico problema da mobilidade territorial das forças que não poderiam estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

As milícias garantiram a segurança de rotas importantes e permitiram que as forças regulares pudessem receber o treinamento adequado partindo para o frente de batalha melhor preparados. A resistência feroz implementada pelos integrantes do Hezbollah também não pode ser esquecida, as forças libanesas causaram muito dano aos insurgentes e mais do que isso, garantiram a integridade de regiões estratégicas do país.

A fase de virada do conflito se deveu a atuação sagaz do general Qasem Soleimani que na visão do autor, foi o responsável pela estabilização do conflito em primeira fase e pelo contra ataque das forças do SSA.

A presença iraniana na síria sempre foi muito supervalorizada, acredita-se que nunca passou de um contingente permanente de pouco mais de 1500 integrantes, mas que com a sua rotatividade talvez tenham chegado aos números que são apresentados nas casas dos milhares. De fato o Hezbollah foi quem forneceu o maior contingente estrangeiro, talvez entre dois a três mil integrantes deste grupo estejam em solo Sírio, o que gera preocupação a Israel.

A reestruturação provida no SAA se deveu em parte aos ensinamentos no campo, especialmente cedidos pelos Iranianos em um primeiro momento e depois pelos russo num segundo momento. Porém , para o autor, a entrada da Rússia, não se deveu a possibilidade de derrocada eminente nos anos de 2015, mas sim pela segurança e estabilidade garantida pelo Irã a partir do terceiro ano da guerra.

A estabilidade garantida pelas forças iranianas em apoio e transformação do SAA e das milícias permitiram que Rússia enviasse ao território Sírio apenas hardware para apoio as operações aéreas, sem a necessidade do envio de efetivos das forças terrestres, o que demonstra que o envolvimento de forças em solo era suficiente para não necessitar do envolvimento russo.

Porém, foi sobre a proteção dos Guardiões da revolução, o regime Sírio conseguiu se sustentar lançar-se para a segunda fase do conflito.

As forças russas passaram mais a coordenar os ataques aéreos do que propriamente envolverem-se no solo, salvo algumas exceções, isto será melhor apresentado no próximo artigo desta série será reportado o papel da Rússia no conflito e seus desdobramentos.


Sobre  o Autor:

E.M. Pinto é Físico, Mestre em Física Aplicada e Doutor em Engenharia e Ciências dos Materiais, Professor Universitário editor do site Plano Brasil e de Revistas científicas  internacionais.


EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte I – A primavera das sombras

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IAF ataca terroristas em território Paquistanês

Tradução e adaptação-E.M.Pinto- Sugestão Rustam- Moscou

Segundo a imprensa indiana, a Força Aérea Indiana atacou postos de treinamento de terroristas em território paquistanês na manhã de 26 de fevereiro de 2019.

O ataque foi coordenado em três campos de militantes dos grupos terroristas islâmicos Jaish-e-Muhammad (JeM, Exército de Muhammad), Hezbul Mujahiddin (Hizbul Mujahideen) e “Lashkar-Taiba” (Lashkar-e-Tayyaba, LeT, “Exército do Senhor”).

Dois desses campos foram localizados nas áreas de Chakoti e Muzaffarabad, na parte paquistanesa de Caxemira e o terceiro (o principal campo do grupo JeM) está localizado nas áreas de Balakot e Mansehra, na província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhwa (isto é, fora o território disputado de Jammu e Caxemira).

O ataque foi realizado por 12 caças Dassault Mirage 2000H da Força Aérea da Índia, que usaram bombas israelenses de 2000  libras e sistemas Rafael Popeye 2 (Crystal Maze) guiadas por sistemas de observação e navegação Rafael Litening.

Os ataques por um grupo significativo de aviação da Força Aérea Indiana, incluiu duas aeronaves A-50EI e um NETRA (baseada na Embraer E145), duas aeronaves Il-78MKI e de quatro a oito caças Su-30MKI como escoltas. Duas aeronaves Mirage 2000H foram equipadas com sistemas de interferência ativa e para reconhecimento e designação de alvos, foram utilizados os drones israelenses UAI IAI Heron.

A mídia indiana afirma que o Mirage 2000H decolou da base aérea de Gwalior, no centro da Índia, para garantir a rapidez, o reabastecimento aéreo de aviões Il-78MKI a caminho do alvo e pousou em Ambala após o ataque. Os caças Su-30MKI foram lançados a partir das bases aéreas de Bareilly e Halvar e os aviões AWACs, a partir de Agra (A-50EI e IL-78MKI) e Bhatimda (NETRA). O ataque foi lançado às 03:45, hora local, e durou 21 minutos.

O lado indiano anunciou o sucesso total da operação. “Os campos terroristas em Balakot, Chakoti e Muzaffarabad foram completamente destruídos como resultado dos ataques aéreos da Força Aérea. Os postos de controle do Exército de Muhammad também foram destruídos”, informou a agência de notícias oficial ANI.

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EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte I - A primavera das sombras


 

 

Autor:

E.M.Pinto

 


Exército Árabe Sírio Parte I – A primavera das sombras

PREFÁCIO

De derrotas humilhantes às mais fulminantes vitórias, num dos teatros de conflito mais complexos que se tem conhecimento. Esta é a trajetória do Exército Árabe da Síria (SAA) que conseguiu “virar a mesa” no momento onde tudo parecia perdido.

O palco? O mais sangrento conflito da atualidade o qual desperta variadas interpretações e questionamentos.

O conflito ceifou cerca de meio milhão de vidas e deixou outras cerca de 1,5 milhões  de feridos em sua maioria crianças e idosos. A guerra promoveu ainda uma crise humanitária com a fuga de cerca de 5,0 milhões de pessoas para o exterior e outras 6,5 milhões tiveram que se mobilizar internamente de uma região para a outra. Atualmente cerca de 70% da população não têm acesso à água potável e a pobreza atinge 80% dos sírios que não têm condições de acesso a alimentos básicos.

O conflito considerado uma “pequena guerra mundial” envolveu efetivos entre soldados regulares, mercenários e voluntários de cerca de 80 nacionalidades num território um pouco menor que o estado do Paraná.

Para alguns o regime de Bashar Al- Assad não sobreviveria sem o apoio da Rússia, Irã e dos seus aliados Libaneses, para outros, a ajuda foi bem vinda, mas a Síria de Assad seria capaz de se sustentar mesmo com a perda de importantes territórios e do moral de exército.

 Não importa qual das opiniões prevaleçam frente à realidade, não há dúvidas de que, atualmente o Exército Sírio está bem mais adaptado e preparado para enfrentar um conflito assimétrico que à sete anos atrás.

Após esta reviravolta no conflito, chega-se a uma importante dúvida, como o exército Sírio foi convertido de uma “presa fácil” como alegavam alguns analistas nos anos iniciais do conflito, à uma eficiente máquina de combate como se viu nas retomadas de 2017 e 2018?

É sobre isso que discorro nesta nova série de matérias da coluna EDItorial que apresenta neste primeiro artigo uma recapitulação dos eventos determinantes para o desenvolver deste conflito.


A PRIMAVERA DAS SOMBRAS

O conflito que se converteu na guerra da Síria teve início em meados de 2011, resultado da movimentação internacional em prol da derrubada de líderes de governos do oriente médio e África.

Uma tempestade se abateu ao norte da África, pegando de solavanco as nações árabes do Oriente Médio, sobre o nome de “Primavera Árabe” a qual, refletiu na Síria provocando inúmeros protestos  contra o governo de Bashar Al-Assad.

O conflito que inicialmente teve suas centelhas em movimentos populares logo, logo eclodiu na mais sangrenta guerra deste século, afetando diretamente os quase 24 milhões de habitantes daquela nação.

Motivados por denúncias que surgiram na onda de divulgações de informações do WikiLeaks, um grupo de cidadãos se indignou com a corrupção envolvendo altos representantes do governo e em março de 2011 deu-se início aos protestos ao sul de Derra em favor da “democracia”.

Após a prisão de jovens e adolescentes por agentes da polícia e do serviço secreto sírio, a população revoltou-se e iniciaram uma onda de protestos nas escolas e praças públicas.

Policiais, viaturas e prédios públicos passaram a serem alvos de violência praticadas por grupos que se misturaram aos protestos. Como resposta, o governo ordenou o uso da força desmedida, abrindo fogo contra manifestantes causando inúmeras mortes, o que ressonou na revolta da população contra a repressão exigindo a renúncia do presidente Bashar Al-Assad.

Com várias nações do Oriente Médio e Norte da África mergulhadas em descontentamentos semelhantes, os demais países passaram a combater uma onda crescente de rebeldes que armados contra os seus governos incendiaram conflitos locais e desta forma, a Síria se viu isolada sem apoio político para impor a sustentação do seu governo.

A Líbia, assistia a queda de Muammar Al-Gaddafi  o dirigente máximo, Egito, Tunísia haviam experimentado transições menos violentas e ´de fora deste eixo, o Irã sufocara o levante popular na onda verde que se insurgiu. Na síria porém, Assad parecia firme e determinado a sufocar a revolta interna e a desafiar os ditames internacionais numa demonstração clara de que o seu exército estaria ao seu lado.

Ao mesmo tempo, surgia no coração da Síria, diversos grupos de oposição armada, inúmeros nomes e siglas de origens distintas mas que, maquiavelicamente compartilhavam dos mesmos objetivos políticos, derrubar Assad a qualquer custo. Uma onda de deserções em massa e entrega sem resistência de material militar para os opositores se abate à Síria dando um indicativo de que os dias de Assad estariam próximo do fim.

Estes movimentos se declararam em marcha para lutar contra as forças de segurança. Brigadas inteiras foram formadas por ditos “rebeldes” que passam a controlar cidades, pequenos vilarejos e que imediatamente foram reconhecidos, recebendo apoio técnico, militar e suprimentos dos Estados Unidos, França, Canadá, dentre outras nações europeias e do oriente médio como Arábia saudita, Turquia e até mesmo de Israel.

CONTRA TUDO E CONTRA TODOS

Na cronologia dos eventos pode-se destacar Julho de 2011, quando dezenas de milhares de manifestantes voltaram às ruas e foram reprimidos pelas forças de segurança de Bashar Al-Assad.

Uma catástrofe humanitária se instaura e centenas de milhares refugiados deixam a Síria saindo preferencialmente pela Turquia em razão dos ferozes combates e bloqueios impostos por ambos os lados do conflito.

Alimentos, combustíveis e o acesso à água são rapidamente interrompidos e por diversas vezes, as forças humanitárias são impedidas de entrar na zona de conflito.

Lideradas pelo presidente Bashar Al-Assad, as Forças Armadas Sírias tentam manter o regime e enfrentam três principais inimigos distintos, o auto intitulado  Exército  Livre da Síria, formado por vários grupos que se rebelaram contra Al-Assad após o começo do conflito em 2011 e que passaram a receber o  apoio da Turquia, Arábia Saudita e Qatar.

Ao norte, o Partido da União Democrática formado pelos curdos, reivindicava a autonomia do povo curdo na Síria juntamente e que recebiam apoio das milícias curdas do Iraque e Turquia.

No auge do conflito surge uma força ameaçadora que se demonstra mais perigosa, o auto intitulado Estado Islâmico declara a implantação de um califado na região.

Em meados de 2012 os combates chegam aos arredores de Allepo, a maior cidade do país, antes do conflito. A maioria sunita passa a se manifestar contra o regime, demonstrando a força crescente dos grupos jihadistas o que alimenta ainda mais o poder dos grupos rebeldes que se aproveitam das fragilidades geradas no conflito.

Por volta de Junho de 2013 as organizações de ajuda humanitária, endossadas pelas Nações Unidas declaram que o conflito já teria ceifado 90 mil vidas e em agosto de 2013, num dos mais controversos eventos do conflito, um ataque químico mata centenas de moradores nos subúrbios de Damasco. Até hoje o regime Sírio acusa os rebeldes patrocinados pelas nações estrangeiras por esta atrocidade, porém este não foi o único evento do tipo.

Aproveitando-se da quase inépcia do regime que parece implodir, em Junho de 2014 o Estado Islâmico toma o controle de parte da Síria e do norte do Iraque proclamando assim o califado e surge ai uma ameaça muito mais contundente ao regime.

Neste momento os Estados Unidos ameaçam intervir no conflito, porém o que se vê são apoios pontuais, que para a comunidade internacional fica evidente se limitarem aos opositores de Assad sem nenhum efeito prático contra aquela que se considera a maior ameaça  a segurança internacional, o Estado Islâmico.

O SHOW DAS PODEROSAS

Em consequência do alegado ataque químico por forças de Assad, uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos lançam um ataque aéreo contra as forças Sírias.

Assad passa a combater além do levante interno, a ameaça das nações mais poderosas do planeta. Seu exército que aparentemente não consegue conter os avanços das forças rebeldes e do Estado Islâmico, perde a cada dia mais posições para os seus inimigos, a moral do SAA chega ao seu mais baixo nível e muitos dão como perdida a tentativa de manutenção do governo.

É Agosto de 2015 e a guerra toma um rumo sombrio e bárbaro, especialmente instituído pelos combatentes do Estado Islâmico, que promovem assassinatos em massa, a maioria por decapitação. Mas também, efetuam ataques com armas químicas contra as forças de Assad e civis na cidade de Marea.

Na esfera internacional, fala-se numa Síria pós Assad e a sua queda é considerada eminente. Num emblemático pronunciamento a comunidade internacional, Vladimir  Putin faz um discurso na assembleia das Nações Unidas em 28 de setembro de 2015, declarando seu total apoio à manutenção do regime de Assad, contrariando e enfrentando aqueles que se posicionavam de forma contrária.

Pedindo apoio para formação de uma ampla aliança para uma efetiva luta contra o terrorismo internacional o mandatário russo balança o cenário internacional  e prontamente no dia 30 de setembro cumpre a sua promessa com o envio à síria de uma componente aérea de caças, aeronaves de ataque, inteligência e salvamento. 

TROIKA SÍRIA

Com a chegada do apoio militar russo a Síria, as forças aeroespaciais passam a atacar posições de comando, logísticos e depósitos de armas, posicionando-se de forma contundente em favor do regime de Assad.

Surgem assim as alianças políticas, como a Coalizão Nacional da Síria Revolucionária e das Forças de Oposição.

Com apoio aéreo e inteligência russa e iraniana, apoio em solo pelas forças iranianas e libanesas, o ano seguinte começa com derrotas humilhantes para as forças rebeldes, em Março de 2016, as forças de Al-Assad reconquistam a cidade de Palmira das mãos do Estado Islâmico. Inesperadamente o conflito começa a ganhar um novo rumo, onde se vê um protagonismo maior por parte da Rússia e Turquia que passam a mediar reuniões entre as partes beligerantes a fim de alcançar a paz.

A frente de batalha Síria avança para retomar as suas cidades principais perdidas anos antes para os rebeldes e ou Estado Islâmico e em Setembro de 2016, sob o comando e presença das forças russas, o exército sírio bombardeia maciçamente Allepo, aniquilando a sua resistência e reconquistando a cidade. A batalha pela cidade que durou quatro anos tornou-se numa vitória estratégica para Assad e declarou à comunidade internacional que o seu regime não cairia nas mãos de seus adversários.

As vitórias em campo começaram a repercutir nas frentes adversárias de Assad que começaram a se evadir do conflito, desertar e negociar acordos de paz que quase nunca eram respeitados por ambos os lados.

Em Janeiro de 2017 começam as negociações do que ficou conhecido como o “Processo de Astana” quando vários atores da guerra tentaram mediar um cessar-fogo. O Acordo de Astana foi ratificado apenas pela Russa, Irã e Turquia, não sendo ratificado pelo governo sírio ou pela oposição que passou a comandar suas operações a partir do exílio.

Um novo ataque químico novamente atribuído ao Exército Sírio à população civil da cidade de Khan Shaykhun marca um novo e perigoso episódio deixando uma centena de mortos. Como resposta, pela primeira vez, os Estados Unidos atacam diretamente a base síria d’Al-Chaayrate onde dezenas de mísseis táticos tentam liquidar a base.

Em Setembro daquele mesmo ano, as Forças Democráticas Sírias e o Estado Islâmico travam uma luta pela posse de Deir ez-Zor, região rica em petróleo.

CORRAM PARA AS MONTANHAS

E em fevereiro de 2018, o exército de Bashar al-Assad, lança uma ofensiva violenta à região de Ghouta, reduto da  oposição mais ferrenha ao regime. Seguida de bombardeips e fogo maciço da artilharia a frente blindada abriu passagem para que as forças de Assad retomassem a cidade. A comunidade internacional alega um massacre civil de mais de 300 habitantes que se encontravam na linha de fogo de ambos os lados.

Em fevereiro de 2018, a ONU decretou uma pausa humanitária a fim de fazer entrar um comboio na zona de conflito de Ghouta Oriental, a pausa inicialmente respeitada pelas forças de Assad foi forçada pela pressão do presidente russo Vladimir Putin para que se pudesse entregar remédios, roupas e alimentos para os civis. Cerca de 400.000 pessoas estavam encurraladas entre os dois exércitos combatentes. O cessar-fogo, porém, não foi respeitado por nenhum dos lados e mais mortes ocorreram.

Na sequência em Abril de 2018 mais exatamente na sua primeira semana, um ataque com armas químicas foi efetuado na localidade de Jan Sheijun. Ainda que não se soubesse com certeza os seus autores, França, Estados Unidos e Reino Unido apostaram novamente no regime de Assad e desta maneira, mais uma vez atacaram as forças Sírias na região de Duma.

Atualmente o conflito tem se esfriado e a vitória de Assad e reconquista dos territórios tem promovido o retorno dos refugiados, com impasses ainda a decidir principalmente nas regiões sobre controle dos Curdos e das forças da Coalizão lideradas pelos Estados Unidos.

UMA NOVA GUERRA ESTÁ SURGINDO?

A retirada das tropas dos Unidos do nordeste da Síria expõe os grupos curdos diante de uma possível nova ofensiva Turca e os obriga a cooperar com o governo sírio. A Turquia anunciou, em 12 de dezembro, que iniciaria uma nova operação militar contra os combatentes curdos das Unidades de Proteção Popular conhecidas como o YPG, ligado ao partido Curdo da Turquia.

As Forças Democráticas Sírias, a aliança curdo-árabe formada essencialmente pelas milícias das YPG, já advertiram que uma operação da Turquia enfraqueceria as operações contra o estado Islâmico e também poderia afetar a situação de extremistas ocidentais detidos no norte da Síria.

Dirigentes curdos agora restabelecem contatos em Damasco com o governo sírio para discutir o futuro do norte do país, do qual o regime de Bashar al-Assad perdeu o controle em 2012.

A aliança curda afirma em Janeiro de 2019 que o grupo jihadista Estado Islâmico está encurralado em uma área de seis quilômetros quadrados na província síria de Deir ez-Zor, onde utiliza milhares de civis como escudos humanos. Uma aliança militar liderada pelas milícias curdas o exército democrático da Síria lançou em setembro de 2018 uma ofensiva contra os últimos territórios controlados pelo Estado Islâmico no sudeste da Síria, com o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

O estado Islâmico que ocupou amplos territórios na Síria e no Iraque em 2014 desmorona sobre seus pés e é perseguido dentro e fora da Síria.

Por seu lado, Damasco e Teerã assinaram em 28 de janeiro de 2019 amplos acordos e protocolos, incluindo um pacto de cooperação econômica “estratégica” e “de longo prazo”, para reforçar a cooperação entre ambos os países, aliados na guerra que assola o primeiro país desde 2011.

CONCLUSÃO

O conflito na Síria surgiu de uma forma inesperada e, tanto o governo como forças armadas foram pegos de surpresa, estavam completamente despreparados para aquela situação.

A dinâmica do conflito e a velocidade com que os eventos ocorriam tornavam difícil a possibilidade de se reverter o quadro,  especialmente porque as forças armadas Sírias estavam preparadas para uma guerra convencional e se depararam da noite para o dia com uma força oponente com características distintas, com táticas de combate totalmente novas e criativas, num conflito que se propagou pulverizado em muitos territórios, exigindo do exército Sírio uma mobilidade e rapidez da qual ele não era capacitado a atender.

A sua resposta foi lenta e inicialmente muito difícil, pois exigia uni presença no seu território. Além disso as condições da Guerra exigiram mudanças radicais nas estratégias de combate, os oponentes dispunham de drones, fuzis de assalto, mísseis anticarro modernos e uma variada gama de estratégias de combate apoiadas por potências internacionais. Nos primeiros anos do conflito os estrategistas sírios pouco puderam fazer para garantir a superioridade no conflito. Era frequente que as tropas sírias fossem pegas de surpresa e sem o apoio da Força Aérea, os avanços das frentes de combate eram praticamente nulos.

Assad demorou pelo menos três anos até conseguir organizar as forças, porém num dado momento o avanço dos oponentes cessou e o SAA passou a progredir   e passou a controlar as situações, logrando êxitos no campo de batalha.

Porém é de se ponderar que mesmo nos momentos em que se demonstrou fraqueza e eminente derrota, o Exército Sírio manteve-se forte e heroicamente resistiu a guerra implementada por soldados e armas de quase 80 nações na frente de batalha, enfrentando um inimigo  cujas formas de combate não eram compatíveis com aquilo que a Síria tinha se preparado para enfrentar.

Por essa razão as baixas foram pesadas nos primeiros anos, até que pouco a pouco a situação foi sendo controlada pelo regime,  até chegar em  2018 onde se registrou o menor número de mortos do conflito, com o exército sírio recuperando a maior parte do território e retomando naquela data cerca de 80% do território que antes estava nas mãos do Estado Islâmico.

O apoio do Irã, Líbano e Rússia contribuíram muito para esta vitória, mas ao contrário do que se pensa, não foram os únicos fatores responsáveis pela “virada de mesa” de Assad.

Nos próximos artigos serão abordados os demais fatores e o papel central do SAA na reconquista do território Sírio. Será apresentado o atual status das  Forças Armadas sírias e as ameaças que se enquadram no norte e nordeste do país, da possibilidade do ressurgimento do Estado islâmico e das intervenções internacionais, desejo das potências contrárias a manutenção do governo Assad.


Sobre  o Autor:

E.M. Pinto é Físico, Mestre em Física Aplicada e Doutor em Engenharia e Ciências dos Materiais, Professor Universitário editor do site Plano Brasil e de Revistas científicas  internacionais.

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O ataque letal do Drone Houthi durante uma parada militar das forças apoiadas pela coalizão no sul do Iêmen

Houthi Drone Attack Kills At Least 6 At Military Parade Of Coalition-backed Forces In Southern Yemen

E.M.Pinto- informações South Front
Agradecimentos à Tito Lívio
.

Um ataque de drone Kamikaze Houthi a uma parada militar das forças leais à coalizão Saudita e dos Emirados Árabes Unidos matou pelo menos seis pessoas. O ataque atingiu uma base militar no distrito de Al-Anad.

De acordo com o site Sky News Arabia, citando fontes locais, o ataque matou várias autoridades do governo apoiado pela coalizão dentre eles, o comandante do Estado-Maior General, o general Abdullah Al-Nakhai, o governador de Lahj Ahmad Abdullah al-Turki, General Thabet Jawas e o porta-voz do quarto distrito militar, Mohammed Al-Naqib. Seis soldados também foram mortos. 

A Sky News Arabia também publicou um vídeo imediatamente após o ataque . A seguir o vídeo da AlJazeera.

Al-Quaiti disse em entrevista por telefone à Sky News Arabia que o avião explodiu a cerca de 300 metros do local do desfile militar, e que o tempo entre ouvir o som e a explosão não ultrapassou 7 segundos.

Ele notou que a aeronave viajava a baixa altitude, aparentemente parecia ser possível detectar e evitar por  sistemas antiaéreos espalhados pelas montanhas ao redor da base militar.

Ainda não está claro se algum oficial da Arábia Saudita ou dos Emirados Árabes Unidos esteve presente na parada militar. A coalizão liderada pelos sauditas-UAE iniciou a intervenção no Iêmen em 2015 e desde então luta contra os Houthi.

Apesar dos progressos relatados nas negociações de paz mediadas pela ONU em dezembro de 2018, parece que o conflito está longe de ser resolvido. Durante as negociações, Houthis e o governo apoiado pelos sauditas concordaram com um cessar-fogo na estratégica cidade portuária de Al-Hudaydah e em retirar forças.

Os houthis disseram em novembro que estavam suspendendo os ataques de mísseis e drones na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e em seus aliados Iemenitas, mas as tensões aumentaram recentemente.

Porém, forças do governo apoiados pela coalizão assumiram o controle de locais estratégicos na área de Al-Shuraijah e Qubaita, ao norte da província de Lahj.  As forças do governo continuaram seu avanço em direção a Jabal al-Qaher, que tem vista para a linha Al-Rahda-Aden, depois de reconquistar o controle de Jabal Khallala, no sudeste de Al-Rahedah, na província de Taiz, e vários locais circunvizinhos no distrito de Qubaytah. norte de Lahj.

É possível que o ataque dos drones à parada militar seja uma resposta aos recentes avanços da coalizão liderada pela Arábia Saudita que lançou uma ofensiva maciça nos últimos dias em torno da província de Lahj.

Sobre o Drone e seu modo de operação

O veículo aéreo não-tripulado Kamikaze atende pelo nome de  Qaesf-2000 e foi apresentado pelos seus operadores durante uma coletiva de imprensa em 14 de janeiro.

O Houtis apresentaram um vídeo que mostra o drone explodindo sobre um alvo durante um teste. Em outros vídeos, os Houtis apresentam o drone  atacando  forças apoiadas pelos sauditas nas províncias de Asir e Jizan, no sul, Ambos os ataques ocorreram nos últimos dias.

https://www.youtube.com/watch?v=fAqxBeetJCU

O Qasef-2000 possui uma ogiva de fragmentação do tipo (HE-frag) que explode 10 a 20 metros acima do alvo. O raio de explosão da ogiva é de mais de 150 metros. A arma é bastante eficiente, num ataque realizado pelos Houtis   no distrito de Al-Anad, no sul do Iêmen o Qasef -2000 eliminou vários comandantes das forças Iemitas incluindo o Chefe da Inteligência Militar do Iêmen, o major-General Mohammad Saleh Tamah.

Os especialistas acreditam que o Qasef-2000 é uma cópia ligeiramente atualizada do UAV Qasef-1, que por sua vez é uma se trata de uma cópia direta do drone iraniano n Ababil-2. O alcance operacional do drone é estimado em torno de 100km.

Concepção artística e imagem  do drone iraniano Ababil2

O drone tem sido massivamente produzido pelos Houtis  que prometeram apresentar nos próximos dias, uma nova gama de armas do gênero e mísseis avançados o que certamente elevará as tensões com a coalizão liderada pela Arábia Saudita fragilizando ainda mais o já combalido acordo de paz.

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Violência: problema estratégico não se cura com tática

Soldados das Forças Armadas patrulham a praia de Copacabana como parte de um plano de combate ao crime organizado e a onda de violência nas ruas do Rio de Janeiro – 30/07/2017 (Sergio Moraes/Reuters)

Segundo o Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil registrou 59.080 homicídios em 2015 e 62.517 em 2016. Já em 2017, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve 63.880 casos. Grande parte dos homicídios dolosos está relacionada diretamente ao narcotráfico e é fruto de disputas entre facções criminosas, cobranças de dívidas, batalhas internas das facções, confronto em operações policiais, balas perdidas, entre outras causas.

Tais índices demonstram que o Plano Nacional de Segurança Pública, lançado em 2017, com a meta de reduzir o número de homicídios no País, veio ao mundo com objetivo ambicioso. Natal (RN), uma das cidades-piloto do Plano, terminou 2017 com o emprego de tropas em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Na atualidade, a cidade possui um dos índices mais elevados de homicídios. O constante emprego das Forças Armadas em GLO comprova que o modelo jurídico, a política externa, a política educacional e o planejamento da segurança pública em âmbito nacional não estão surtindo o efeito necessário para combater a violência no Brasil.

De acordo com os órgãos de imprensa, na Cidade do Rio de Janeiro, em 2012, o “peso” de 25 gramas de erva prensadas (medida padrão da venda de maconha) custava, em média, R$ 150,00 (em alguns lugares, o preço cobrado poderia ser de R$ 100,00, R$ 130,00 e, até, de R$ 200,00, dependendo da qualidade). Em agosto de 2017, circulavam na Web imagens de embalagem da droga contendo a foto da atriz Juliana Paes. “Bibi de R$ 100,00”.

Pela lei da oferta e procura, verifica-se que o preço da droga não subiu com o passar dos anos, porque a oferta aumentou significativamente. Fato interessante é que, em 2017, houve recorde de apreensões de drogas na faixa de fronteira. A aparente contradição do aumento da oferta para o consumidor, mesmo com o recorde de apreensões, pode ser justificada pelo aumento das áreas de produção de drogas nos países vizinhos, possibilitando um tráfico maior pelo território nacional. Segundo o relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), somente a Colômbia aumentou o cultivo de cocaína em 52% em 2016.

A trajetória histórica da violência indica a tendência da continuidade da crise, situação que se agrava e que pode fugir ao controle estatal. Enquanto os integrantes do crime organizado possuem total liberdade de ação, não temendo a morte, as forças legais lutam pelo direito de sobreviver.

A segurança pública do Brasil demonstra que há necessidade de se tomar medidas mais eficazes nos diversos campos do poder, para que se alcance solução definitiva ou mais satisfatória do que apenas o emprego das Forças Armadas em inspeções de presídios, operações na faixa de fronteira, de GLO nas cidades com greves da polícia; e em combate à violência, como no caso do constante emprego no Rio de Janeiro.

Sabe-se que as fronteiras são vulneráveis aos ilícitos transnacionais e que os países vizinhos, indiretamente, contribuem para o aumento da violência no Brasil, seja produzindo drogas, seja fornecendo armas ao crime organizado. Inúmeras operações militares e interagências são realizadas a fim de combater os ilícitos, tendo como resultados as apreensões e a diminuição da atuação do crime organizado durante o período das ações policiais, militares e fiscalizadoras.

Todavia, é perceptível a crescente insegurança no País. As estratégias de combate à violência precisam ser revistas. O emprego das tropas militares, que deveria ocorrer somente em casos excepcionais, virou rotina, demonstrando que os campos político, econômico, psicossocial, científico e tecnológico não estão sendo usados adequadamente. Algumas das ações inerentes a esses campos não são instantâneas, como o investimento em práticas educativas para que a atual e as futuras gerações conheçam os males das drogas.

No entanto, os índices da violência têm levado a sociedade a buscar ações imediatas, pois as de longo prazo só resolvem problemas também em longo prazo. Uma das possíveis soluções é pressionar os países lindeiros e cobrar-lhes atuações mais efetivas no combate ao narcotráfico e no controle de armas. Nesse caso específico, a ação nas áreas produtoras pode gerar resultados mais imediatos.

Em que pese o respeito do Brasil pela soberania dos países vizinhos, nada impede o estabelecimento de acordos de cooperação que permitam a ajuda brasileira em outros territórios. Isso não é novidade. Muitas operações de combate ao crime organizado já ocorrem nesse modelo, sendo necessário intensificá-las.

Em 31 de agosto de 2014, o Estadão publicou a seguinte matéria: “Paraguai caça PCC e CV em roças de maconha”:

                    (…) Um dos relatórios contendo resultados de oito das operações Nova Aliança mostra que, de 2012 a março deste ano, foram destruídos cerca de 29 milhões de pés de maconha em 2.878 hectares. O custo da força-tarefa foi de US$ 452,9 mil, sendo US$ 261,9 mil pagos pela Polícia Federal. O dano provocado ao narcotráfico seria de US$ 264,8 milhões no período.

A operação ocorreu dentro do território paraguaio, com a participação de poucos policiais federais brasileiros; teve custos financeiros inferiores ao emprego efetivo da tropa em operações e produziu muito mais resultados.

A partir da destruição da droga na origem, toda a cadeia subsequente é destruída. Isso significa que há menos evasão de divisas, menos recursos para a compra de armas, menos carros roubados para pagar drogas, menos traficantes nas estradas, menos pessoas nas prisões, menos roubos para sustentar o vício e menos mortes. Enfim, todo o Brasil se beneficia. Combater o crime apenas em uma cidade como o Rio de Janeiro, que é dominada pelo Comando Vermelho, está contribuindo para fortalecer outras facções, como o Primeiro Comando da Capital, de São Paulo, que, na atualidade, está presente em todo o território nacional e em processo de ampliação no exterior.

Conclui-se que o centro de gravidade do problema está na produção da droga, e não no sistema financeiro ou no consumidor, como alguns acreditam. No caso do sistema financeiro, na década de 1990, na Itália, houve intenso trabalho de combate à máfia; contudo, verifica-se que o Brasil, ao tentar copiar o modelo italiano, não apresentou o resultado desejado.

O crime organizado encontra-se bem estruturado nacionalmente e tem braços além da fronteira, o que vai dificultar ainda mais as ações do governo brasileiro nas políticas nacional e internacional. O Brasil também deve estar preparado para enfrentar a expansão da produção e do uso das drogas sintéticas, que, nos dias atuais, são produzidas em banheiros e cozinhas. Essa será uma luta muito mais difícil.

No dizer de Sun Tzu, “A estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota”. Assim, sem centro de gravidade definido, sem liberdade de ação e sem estratégia adequada, não adiantará ter vitórias no nível tático, pois dificilmente a paz social será alcançada.

 

Sobre o autor

O Cel Fontes é o chefe da Seção de Operações da Divisão de Planejamento e Gestão do Centro de Comunicação Social do Exército. Oficial de Artilharia oriundo da Academia Militar das Agulhas Negras, possui capacitação em Planejamento Estratégico Organizacional, especialidade em Bases Geo-Históricas para Formulação Estratégica, mestrado em Operações Militares e mestrado em Ciências Militares. Ainda, possui os cursos de Comando e Estado-Maior, Básico Paraquedista e Básico de Inteligência, todos no Brasil. No exterior, especializou-se em Inteligência Estratégica no Instituto de Inteligência das Forças Armadas Argentinas e em Segurança Militar Nacional e Comando na Universidade de Defesa Nacional da China. Foi analista de inteligência do Ministério da Defesa, comandou os Grupos de Operações de Inteligência da 3ª Brigada de Infantaria Motorizada em Cristalina/GO e da 16ª Brigada de Infantaria de Selva em Tefé/AM, o Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva do 3º Grupo de Artilharia de Campanha – Regimento Mallet, em Santa Maria/RS, o curso de Artilharia da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais no Rio de Janeiro/RJ e o 7º Grupo de Artilharia de Campanha – Regimento Olinda, em Olinda/PE.

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Preparação para a batalha decisiva: Carros de combate e pontes chegam às cercanias de Idlib

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

As tropas sírias, estão se preparando para uma ofeniiva em larga escala em Idlib e estão transferindo equipamentos de engenharia, em particular o equipamento blindado MTU-20, para a área . Um vídeo amador divulgado no canal WarDoc mostra a transferência de equipamentos pesados como IFV, pontes móveis e blindados sendo deslocados.

A última vez que os veículos ponte foram maciçamente utilizados foi na  operação em fevereiro deste ano, quando os grupos considerados terroristas pelo governo de Assad invadiram posições em East Guta, onde formações ilegais construíram toda uma rede de canais e valas cheias de água.

Foto: Alexei Moiseev
Foto: Na Síria, um misterioso “Carro  ponte”

O MTU-20 é um veículo ponte baseado no carro de combate médio T-55. O comprimento da ponte no estado desdobrado é de 20 m e a massa dos veículos de combate lançados  pode chegar a 50 toneladas. A massa da ponte é de 37 toneladas. A capacidade do motor é de 580 cv. A velocidade máxima ao longo da estrada é de 50 km / h e sua autonomia é de 500 km. e a sua Tripulação de 2 pintegrantes.

“Os militantes provavelmente serão infiltrados à leste de El-Gab e utilizarão artilharia de foguetes pesados. Nesse trajeto, o maior desafio é não se ecpor ao fogo dos mísseis guiados anti carro e portanto, a questão é rapidamente superar os obstáculos reduzindo as perdas entre as forças do governo. desta forma ol MTU-20 será muito útil” – acredita Yuri Ljamin especialista no conflito Sírio.

 

De acordo Ljamin, potencialmente lançados nas batalhas para a província de Idlib as pontes serão mais úteis no vale do rio Orontes , que é conhecida em mapas como o limite natural de El-Gab. Ele está localizado na junção das províncias de Hama, Idlib e Latakia e é permeado por uma rede de canais de irrigação. Isto pode criar dificuldades para a passagem do maquinário do exército sírio na ofensiva em direção a Jisr al-Shugur e além.

Fonte: RGRU

 

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Exército da Jordânia ataca militantes do Estado Islâmico que fogem das forças sírias

Reportagem de Suleiman Al-Khalidi; Edição por Richard Balmforth

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

AMAN (Reuters) – O Exército da Jordânia disse na quinta-feira que abateu vários militantes do Estado Islâmico que se aproximaram de suas fronteiras quando fugiram da ofensiva síria que os expulsou de seu enclave no sudoeste do país devastado pela guerra.

As unidades do Exército usaram “todos os tipos de armas” para bombardear um grupo de militantes que se aproximaram do vale de Yarmouk em confrontos que duraram quase vinte e quatro dias de terça a quarta à tarde, disse uma fonte do Exército.

“Nós aplicamos regras de engajamento aos membros do Daesh (Estado Islâmico) que foram forçados a recuar para dentro da Síria e alguns de seus membros foram mortos”, disse uma fonte do Exército à agência estatal de notícias Petra.

Depois de semanas de intenso bombardeio apoiado pelos russos, o exército sírio ocupou o exuberante território agrícola onde flui o rio Yarmouk, que já foi controlado por um grupo afiliado ao Estado Islâmico, conhecido como o Exército Khaled Bin Walid.

A Jordânia, ao lado de outros partidários ocidentais e árabes, forneceu armas e apoio logístico a ex-rebeldes do Exército Sírio Livre (FSA) para derrotar os militantes até que os próprios rebeldes foram derrotados pelo exército sírio no mês passado e perderam terreno. Uma fonte do exército jordaniano disse que os militantes que fugiram da fronteira foram perseguidos pelo exército sírio que conduzia operações na área para expulsá-los de seus últimos esconderijos.

Os militantes tentaram se proteger entre centenas de civis acampados perto da fronteira com a Jordânia para escapar do bombardeio de suas aldeias durante a ofensiva contra os militantes, disse uma fonte da inteligência. Os combates pesados ​​desalojaram a maioria dos 40 mil habitantes e causaram muitas vítimas civis, disse a fonte.

Após a captura da área, dezenas de militantes estimam que entre mil e 1.500 combatentes controlavam a área que se acredita estar escondida em um terreno acidentado que separa as fronteiras dos dois países próximos à bacia de Yarmouk.

 

Fonte: Reuters

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Rússia vai implantar polícia militar nas colinas de Golan

Nayera Abdullah in Cairo

Tradução e Adaptação- E.M.Pinto

MOSCOU (Reuters) – A Rússia colocará sua polícia militar na fronteira entre a Síria e Israel, disse o Ministério da Defesa nesta quinta-feira, após semanas de crescente volatilidade na área.

Chefe da Diretoria Operacional Principal do Estado Maior General das Forças Armadas Russas, tenente-general Sergei Rudskoi durante uma entrevista coletiva, com um mapa mostrando o território de Israel, Jordânia, Líbano e Síria visto ao fundo, em Moscou, Rússia. , 2018. Alexander Zemlianichenko / Pool via REUTERS
O presidente sírio, Bashar al-Assad, está varrendo os rebeldes no sudoeste da Síria e tem preocupado Israel, que acredita que poderia permitir que seus partidários iranianos entrincheirassem suas tropas perto da fronteira. Sublinhando as tensões, Israel matou sete militantes em um ataque aéreo noturno na parte das colinas de Golan, na Síria, informou a rádio israelense na quinta-feira.
Sergei Rudskoi, um alto funcionário do Ministério da Defesa da Rússia, disse que a polícia militar russa começou na quinta-feira a patrulhar as colinas de Golan e planejou a instalação de oito postos de observação na área. Ele disse que a presença russa foi em apoio às forças de paz das Nações Unidas nas colinas de Golan, que, segundo ele, suspenderam suas atividades na área em 2012 porque sua segurança estava ameaçada.

“Hoje, as forças de manutenção da paz da ONU, acompanhadas pela polícia militar russa, realizaram suas primeiras patrulhas em seis anos na zona de separação”, disse Rudskoi em uma entrevista coletiva para jornalistas em Moscou.

“Com o objetivo de prevenir possíveis provocações contra postos da ONU ao longo da linha ‘Bravo’, está prevista a implantação de oito postos de observação da polícia militar das forças armadas russas”, disse Rudskoi.

Ele disse que a presença russa é temporária e que os postos de observação seriam entregues às forças do governo sírio assim que a situação se estabilizasse. O destacamento da polícia militar russa destaca o grau em que o Kremlin tornou-se um ator influente nos conflitos do Oriente Médio desde sua intervenção militar na Síria, que virou a maré da guerra a favor de Assad.

Israel tem pressionado o Kremlin a usar sua influência com Assad e  Teerã para tentar reduzir a presença militar iraniana na Síria. Israel vê o Irã e os aliados do Irã no exército xiita do Hezbollah como uma ameaça direta à sua segurança nacional.

Essa mensagem foi transmitida pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao presidente russo, Vladimir Putin, quando se reuniram em Moscou no mês passado, disse uma importante autoridade israelense.

Forças iranianas retiraram suas armas pesadas na Síria a uma distância de 85 km das colinas de Golan ocupadas por Israel, disse um representante russo na quarta-feira, mas Israel considerou a retirada inadequada.

 

Fonte: Reuters

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O que se sabe até agora sobre o 'atentado' contra Maduro na Venezuela

Maduro e a esposa Cilia FloresDireito de imagemREUTERS
Image captionPresidente Maduro (centro) e sua esposa Cilia Flores (esquerda) participavam de um evento militar, quando ouviram um barulho alto

O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, afirmava, em discurso, que havia chegado a hora da “recuperação econômica” do país. De repente, ele interrompe a fala e olha para cima, com expressão preocupada.

Logo atrás, a esposa dele, Cilia Flores, se assusta e faz um gesto instintivo de quem se depara com algum perigo. Assim como Maduro, ela olha para o céu. Essas imagens foram flagradas por câmeras que transmitiam ao vivo o discurso do presidente por ocasião do aniversário de 81 anos da Guarda Nacional Bolivariana – um dos quatro corpos das Forças Armadas do país.

As imagens mostram o momento em que soldados enfileirados começam a correr. Horas depois, Maduro fez um pronunciamento dizendo que sofreu uma tentativa de assassinato envolvendo drones e explosivos.

Mas restam muitas dúvidas sobre o episódio. Quem teria sido o autor do ataque? Quantas pessoas se feriram? Realmente foram usados drones?

Qual a versão do governo?

Vídeo mostra reação de Maduro e do público no momento do incidente
[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=AggiJYpZ7Aw[/embedyt]

O episódio aconteceu às 17h41, na capital venezuelana. Segundo o ministro das Comunicações, Jorge Rodriquez, “dois artefatos voadores, tipo drone” foram usados no “ataque”.

Horas depois, em pronunciamento, Maduro disse: “Um objeto voador explodiu perto de mim. Uma grande explosão. Segundos depois, houve uma segunda explosão.”

Fotos que circulam nas redes sociais mostram seguranças protegendo Maduro com escudos à prova de bala, após o suposto atentado.

Isso explicaria os gritos “tapa, tapa, tapa arriba Castillo”, como que ordenando que cobrissem o presidente, para protegê-lo, e “Arriba, mi comandante” (para cima, meu comandante) que se podem escutar na transmissão televisiva.

Quem é o autor do “ataque”:

Maduro informou que os “autores materiais do atentado foram capturados”. “A investigação está muito avançada. Sem dúvida, lidamos com a situação em tempo recordo e se trata de um atentado para me matar”, afirmou.

O general Tarek William Saab anunciou que os presos seriam apresentados publicamente na segunda.

Maduro acusou a Colômbia e pessoas de dentro dos Estados Unidos de instigarem o que chamou de “atentado da direita”.

Ele acrescentou “não ter dúvida” de que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, está “por trás desse ataque”.

Mas Maduro não apresentou evidências para comprovar a acusação. O governo colombiano negou envolvimento, dizendo que as alegações do venezuelano “não têm base”.

Já o ministro das Comunicações da Venezuela acusou “a oposição de direita” do país de orquestrar o ataque.

“Após perder no voto, eles falharam de novo”, disse Rodriguez, em referência à eleição presidencial de maio que reelegeu Maduro para mais um mandato de seis anos.

Hasler Inglesias, um líder do partido de oposição Voluntad Popular, disse à BBC: “Nós não sabíamos o que estava acontecendo. E é difícil acreditar que a oposição faria um atentado sendo que nunca fez algo assim em 20 anos.”

Enquanto isso o pouco conhecido grupo “Movimento Nacional Soldados de Camiseta” disse na sua conta no Twitter que foi o autor do atentado.

Soldados armadosDireito de imagemAFP/GETTY IMAGES
Image captionUm grupo pouco conhecido reivindicou a autoria do “atentado”, enquanto Maduro acusou a Colômbia de envolvimento

O grupo afirmou que havia planejado jogar dois drones com explosivos em Maduro, mas os equipamentos teriam sido alvejados pelos militares que faziam a segurança do presidente.

“Demonstramos que são vulneráveis. Não conseguimos (alcançar o objetivo) hoje, mas é questão de tempo”, diz o Soldados de Camiseta num tuite. A conta de Twitter @SoldadoDfranela, foi criada em março de 2014 e conta com 95 mil seguidores.

Mas não foram apresentadas quaisquer evidências e o grupo não respondeu aos pedidos de entrevista da imprensa.

Além de todas essas incertezas, bombeiros que estavam no local contestaram a versão do governo, segundo a Associated Press.

Sem citar nomes, a agência de notícia diz que três bombeiros afirmaram que o incidente, na verdade, foi uma explosão de gás dentro de um apartamento. Mas eles não deram detalhes.

Quem são os Soldados de Camisetas

O Movimento Nacional Soldados de Camiseta diz que foi criado há quatro anos para “agrupar todos os grupos de resistência a nível nacional para dar efetividade à luta contra a ditadura”.

O grupo parece reivindicar vínculos com Óscar Perez, um ex-policial que em junho de 2017 atacou a sede do Ministério do Interior de helicóptero. Vários meses depois, ele morreu alvejado numa operação das forças especiais de segurança da Venezuela.

Soldados perto de um prédio com marcas de incêndioDireito de imagemAFP/GETTY IMAGES
Image captionBombeiros disseram que o incidente foi, na verdade, uma explosão de gás num prédio próximo ao local onde Maduro discursava

Por que há dúvidas sobre a versão oficial

Essa não é a primeira vez que Maduro denuncia ter sofrido um atentado. Mas até hoje ele nunca apresentou provas para respaldar as acusações. Apesar de haver imagens do momento em que o episódio ocorreu, muitos expressaram dúvidas sobre se realmente foi um atentado.

O ceticismo se explica em parte porque, na transmissão oficial do evento, não é possível ver qualquer drone e testemunhas que estavam presentes ao evento disseram à imprensa que não viram esses “artefatos voadores”.

A oposição venezuelana também se mostrou cética da versão oficial. “Ainda é preciso ver se realmente foi um atentado, um acidente fortuito ou alguma das outras versões que circulam pela internet”, disse a Frente Ampla Venezuela Livre, em comunicado.

“O responsável seria esperar as investigações, mas é difícil acreditar no que dizem os burocratas do regime”, afirma a entidade, que reúne as principais forças de oposição ao governo de Maduro.

E as dúvidas se reforçam com as reportagens publicadas até agora pela imprensa. O jornal espanhol “El País”, por exemplo, cita que um “militar presente ao ato, que se encontrava a poucos metros de Maduro” disse não ter visto drones, embora tenha escutado “uma explosão como de morteiro”.

Qual o impacto desse “ataque”

É parte da retórica constante de Maduro acusar a Colômbia ou os Estados Unidos de conspirarem contra o seu governo. Como não há liberdade de imprensa na Venezuela, é difícil identificar a verdade.

A repórter da BBC Katy Watson diz que o temor maior é que o governo use o episódio para justificar a perseguição de adversários políticos.

Além de por em dúvida a versão oficial sobre o atentado, a Frente Ampla Venezuela Livre afirmou que as primeiras reações do governo “não parecem ter o objetivo de esclarecer os fatos, mas sim aproveitar a situação para atacar de maneira irresponsável a oposição de forma genérica”.

O grupo que congrega diferentes forças de oposição afirmou, em comunicado, que Maduro tenta com isso “desviar a atenção do verdadeiro problema que preocupa o país, que é a tragédia humanitária e a catástrofe econômica e social sofridas pela maioria dos venezuelanos”.

Também advertiu que Maduro poderia aproveitar o ocorrido para “criminalizar quem se opõe legítima e democraticamente” ao governo.

“Alertamos que esse evento confuso pode ser usado como desculpa para suprimir o direito constitucional que tem o povo de continuar a protestar pela defesa de seus direitos”, afirmou.

Já houve atentado assim antes?

Em junho de 2017, um helicóptero lançou granadas no prédio do Ministério do Interior da Venezuela.

O piloto Oscar Pérez reivindicou a autoria daquele ataque e convocou os venezuelanos a fazer frente ao governo de Maduro.

Na época, o presidente venezuelano classificou o episódio de “ataque terrorista”. Pérez, como dito mais acima nesta reportagem, morreu alguns meses depois do ataque.

 

Fonte: BBC Brasil

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Crimes de Guerra e Ação Fiscalizatória em Conflitos Armados

A respeito da repressão às violações das normas incriminadoras ou do cometimento dos intitulados crimes de guerra, cabe, inicialmente, uma remissão sobre as regras que regem a conduta dos participantes de um conflito armado.

O comportamento nesse cenário é regulado pelo Direito Internacional dos Conflitos Armados (DICA), também denominado Direito Internacional Humanitário (DIH)Trata-se de área do Direito Internacional dedicada à regulação do limite das hostilidades, com uso de determinados meios e métodos, e ao resguardo de certos bens e do zelo humanitário com pessoas protegidas, como feridos, enfermos, prisioneiros de guerra, internados civis, populações civis, e suas subcategorias.

O DICA estabelece mecanismos para garantir o respeito a essas normas, reconhece a responsabilidade individual e considera responsáveis pelas violações às regras os próprios indivíduos que as cometeram, ou que tenham dado ordens a terceiros para as cometerem, exigindo que esses infratores sejam punidos. Entre as infrações estabelecidas pelo DICA, as mais graves são consideradas crimes de guerrae seus autores são processados e julgados como criminosos.

No universo dos delitos de maior gravidade, incluem-se: homicídio intencional, tortura, tratamentos desumanos e atos que causem, intencionalmente, grandes sofrimentos desnecessários, conforme a previsão contida nas Convenções de Genebra de 1949, nos seus Protocolos Adicionais de 1977, e no Artigo 8º do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. O Brasil internalizou esses atos internacionais ao seu ordenamento jurídico pátrio, os quais estão em plena vigência.

Quanto à ação fiscalizatória do dever de cumprir e fazer cumprir as disposições normativas, o Estado é o principal garantidor do Direito Internacional dos Conflitos Armados e assume obrigações para afastar e mitigar violações que possam ser cometidas por seus agentes; ele também é o responsável pela ação ou omissão diante de particulares ou grupos que realizem, sem autorização, funções “próprias de Estado” e incorram em infrações decorrentes desse exercício.

Portanto, a fiscalização primária é do Estado, que tem a obrigação de reprimir todas as violações ao regramento humanitário e de dar publicidade aos atos infracionais também cometidos pela parte oponente. Aduzindo a esse dever fiscalizatório, há a previsão no Artigo 90 do Protocolo Adicional I às Convenções de Genebra de 1949 (PA I), da constituição de uma Comissão Internacional para o Apuramento dos Fatos.

A Comissão é um órgão permanente, cuja função principal consiste em investigar todos os fatos que se alega constituírem infrações graves às disposições do DICA. É um mecanismo importante, que cuida da aplicação e do cumprimento do regramento humanitário em tempos de conflito armado.

Outra fonte de informações sobre supostas violações às leis do Conflito Armado é o jornalismo, considerando-o subárea das Ciências Sociais impregnada de responsabilidade social. Em determinado instante, uma matéria jornalística se transforma em documento relevante na busca do sancionamento das violações.

Quanto ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), como instituição neutra, imparcial e independente, faz-se imperioso ressaltar sua condição de principal promotor e divulgador do DICA no âmbito mundial. Uma vez que a qualidade de fiscal é incompatível com os requerimentos de neutralidade, pode ser que não se contemple nenhuma atribuição dessa espécie ao CICV, pois seu papel é de guardião e não de fiscal, e menos ainda de juiz.

São exemplos de violações graves ao DICA: matar ou ferir militares que tenham deposto suas armas e que não participam mais das hostilidades; e recrutar crianças para participar das hostilidades. A primeira condenação proferida pelo Tribunal Penal Internacional foi anunciada na Câmara de Julgamento pelos crimes de guerra de recrutamento e alistamento de crianças menores de 15 anos e pelo uso delas em conflitos no Congo, nos anos de 2002 e 2003.

Fica claro e evidenciado que crimes de guerra podem ocorrer não somente em conflitos armados internacionais (CAI), como também em conflitos armados não internacionais (CANI). A esse respeito, há um paradoxo devido à configuração da lei penal militar brasileira. É possível o cometimento de crime de guerra por agentes envolvidos em um conflito armado não internacional de fato, contudo, a denúncia deverá ser por violação da norma incriminadora inerente aos crimes militares em tempo de paz, diante das condições conceituais exigidas pelo Código de Penal Militar – “Crimes militares em tempo de guerra” (Art. 10), “Tempo de guerra” (Art. 15) e “Crime praticado em presença do inimigo” (Art. 25).

Por oportuno, merece destaque a adequada preparação das Forças Armadas como fato gerador do efeito dissuasório desejado para inibir as práticas contrárias à lei. O Estado brasileiro obriga-se a atuar de maneira concordante com diversas obrigações internacionais assumidas, observando as convergências entre as Convenções de Genebra e as disposições da Convenção Americana de Direitos Humanos, como o direito à vida das pessoas fora de combate e o direito de não ser submetido a torturas e tratamentos desumanos, discriminatórios, cruéis ou degradantes.

Inevitavelmente, o regramento humanitário e os direitos humanos incidem, cada vez mais, no amplo espectro das operações militares, o que demanda das Forças Armadas atuação mais cuidadosa, precisa, eficiente e eficaz na utilização da força legal para enfrentar a violência, sob avaliação dos parâmetros de efetividade e de controle dos organismos de supervisão e da opinião pública.

Nesse contexto, a atual “Diretriz para Integração do Direito Internacional dos Conflitos Armados às Atividades do Exército Brasileiro” (2016) visa estabelecer as orientações básicas, de caráter geral, para subsidiar o planejamento e as ações de integração do DICA, em todos os níveis de ensino, preparo e emprego do Exército Brasileiro, por meio de operadores qualificados, fortificando a cultura de respeito aos direitos fundamentais da pessoa e aos bens protegidos, durante o cumprimento da missão constitucional da Força Terrestre.

O Exército Brasileiro vem atuando por meio do aproveitamento de lições aprendidas de países que atravessam conflitos armados e da designação de militares para capacitação em Direito Internacional dos Conflitos Armados (DICA) e em Direito Internacional dos Direitos Humanos (DIDH) nas nações amigas. Além disso, tem cooperado com envio de instrutores para o International Institute of Humanitarian Law, na Itália, e de especialistas nas consultas temáticas promovidas pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Medidas sancionatórias devem ser aplicadas, com eficácia, nos casos de desrespeito ao DICA, para impedir que um comportamento reprovável seja tolerado ou mesmo aceito. As sanções penais e disciplinares assumem a função preventiva dissuasória, a fim de contribuir com a conscientização do dever de observar as normas e a demonstração de que a cadeia de comando defende, com firmeza, os valores éticos, profissionais, militares e fundamentais do DICA.

A regulamentação do uso seletivo da força exige operar sempre nos limites da lei, permitindo a conquista de parâmetros de confiança da opinião pública. O apoio da população às ações empreendidas pelo Exército Brasileiro, sob os contornos legais e a ética profissional militar, faz parte do êxito operacional para se alcançar o estado final desejado.

Sobre o Autor

Coronel de Artilharia BITTENCOURT é Adjunto da Assessoria de Apoio para Assuntos Jurídicos (A2), do Gabinete do Comandante do Exército. Serviu na 5ª Subchefia do Estado-Maior do Exército, que trata do Direito Internacional dos Conflitos Armados (DICA). Possui o Grau de Mestre em Operações Militares e o Curso de Gestão e Assessoramento de Estado-Maior, pela Escola de Comando e Estado – Maior do Exército (ECEME). É bacharel em Direito, especialista em Direito Militar, Direito em Administração Pública e Gestão em Administração Pública. No exterior, concluiu o Curso de DICA, na Suíça, e os Cursos Básico e Avançado de Direito Internacional Humanitário, em Sanremo, Itália, onde tem sido instrutor ad hoc do International Institute of Humanitarian Law, desde 2013. Representou o Brasil nos Encontros de Especialistas Governamentais para Fortalecimento do Direito Internacional Humanitário, em San Jose e Genebra, promovido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha nos anos de 2012 e 2014, respectivamente. Participou da capacitação sobre Dilemas Éticos em Operações de Paz, promovido pelo Ministério da Defesa e o Exército Canadense, 2015. Possui artigos científicos publicados sobre o DICA, entre eles o trabalho premiado no Concurso de Artigos Científicos para apresentação no VI Seminário do Livro Branco de Defesa Nacional, em 2011, e o intitulado Direito Internacional dos Conflitos Armados:Preparação Ética da Força Terrestre, no periódico Doutrina Militar Terrestre em Revista, do C Dout Ex, Edição 005, de junho de 2014. Em 2015, concluiu o Curso de Tutoria em Educação à Distância, na Escola Superior de Guerra, Instituto de Altos Estudos do Ministério da Defesa, do qual é colaborador do Curso de DICA, desde 2012. Assumiu a relatoria da Diretriz para Integração do Direito Internacional dos Conflitos Armados às Atividades do Exército Brasileiro, aprovada em 2016. Nesse mesmo ano, foi concludente do
37º Curso para Diretores e Planejadores dos Programas de Formação em Direito Internacional Humanitário, realizado no International Institute of Humanitarian Law, na Itália.vindo a ser designado, em 2017, Vice-Diretor dessa atividade de capacitação de experts nas leis aplicáveis aos conflitos armados.

 

Fonte: EBLOG

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Soldado Kozel Filho – 50 anos

Jun 2018

Este é um encontro de soldados. Um encontro para reverenciar uma vida interrompida, em circunstância brutal, na fase mais rica da sua juventude.

A morte do Soldado Mário Kozel Filho, em 1968, foi consequência do ambiente da guerra fria que se refletia no mundo e penetrava no Brasil. Um período de entusiasmos artificializados,  de intolerâncias incitadas  e  de paixões extremadas que faziam os brasileiros míopes para a realidade civilizada.   Foi um tempo que nos dividiu,  que fragmentou a sociedade  e nos tornou conflitivos.

A fratura da sociedade é uma experiência para ser lembrada.  Nos deixou ensinamentos que não podem ser esquecidos ou negligenciados. 

Aquele incidente com o Soldado Kozel, vitima inocente do terrorismo, nos obriga a exercitar o maior ativo humano – a capacidade de aprender.

Agora é um momento que nos aconselha, aos brasileiros e às instituições, a prudência nos ânimos, que pede sabedoria para iluminar o futuro e, principalmente, exige a união dos esforços para construí-lo.

O momento em que vivemos aconselha a interrupção dos fracionamentos induzidos pelas politicas identitárias trazidas no bojo das ideologias contemporâneas, é necessário que as instituições cumpram os papéis que lhes são destinados e impõe a submissão das querelas pessoais e institucionais subordinando-as aos interesses da nação de forma a colocar o Brasil acima de tudo.

Este é o legado do soldado Kozel.

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Colômbia, as FARC e as dissidências

* Mapa: Em destaque azul, as frentes e colunas confirmadas em reincidência e localizadas por departamento. Em vermelho, aqueles sobre os quais existem indicações e relatórios. Imagem Adaptada pelo Plano Brasil do original (Infodefensa).

 


Autor: Erich Saumeth Cadavid

© Plano Brasil- 2018

Tradução e adaptação- E.M.Pinto- Plano Brazil

 

 


Em setembro de 2017, o comissário de paz Colombiano Rodrigo Rivera anunciou que um total confirmado de 11,345 homens entre soldados e militantes das FARC-EP,  tinham se desmobilizado segundo atestavam as listas com nomes e identidades que o mesmo grupo insurgente forneceu ao governo . (1)

Apenas sete meses depois, relatórios de diferentes organizações colombianas e internacionais especializadas no estudo da violência neste país, bem como nos meios de comunicação, houve uma revisão no número de membros do agora chamado grupo armado (GAO) FARC-EP, o qual havia alcançado um número recorde que oscila entre os 1.721 a 1.871 homens reengajados nas armas. (2)

De fato, em relação ao número total de membros das chamadas dissidências das FARC-EP, as diferentes instituições governamentais com competência nesta matéria ainda não conseguiram estimar e concordar com o valor exato.

Foi assim que o Ministério da Defesa estimou em 750 membros, enquanto as Forças Armadas acreditam que existam 500, assim como a Procuradoria Geral da República, embora o Ouvidor e a Agência para a Reincorporação e a normalização calcula 800 para os dissidentes, um número aproximado de 700 que a Fundação de Paz e Reconciliação calcula e que o Grupo de Crise considera próximo a 1.000 (3).

Finalmente, foi uma compilação do jornal El Espectador, que com números detalhados estima os dissidentes em aproximadamente 1800. (4)

 

Estes homens seriam agrupados em 18 grandes estruturas em todo o país, mas o Infodefensa.com foi capaz de determinar que há um total de 46 estruturas, divididas entre frentes, colunas móveis e gangues, que estão presentes em 19 dos 32 departamentos desta nação, ou há relatos ou indicações de atividades dissidentes que estão em processo de serem confirmadas pelas autoridades.

Neste sentido, investigando as informações fornecidas por fontes e relatórios das Forças Armadas, bem como de instituições, organizações e imprensa, a continuação da presença armada ou a reincidência em 21 frentes e cinco móveis e Foram estabelecidas indicações – no processo de confirmação – de outras 18 frentes e duas gangues também reincidentes e em atividades em certos territórios.

Estas estruturas estão presentes principalmente no sul-oeste do país (perto da fronteira com o Equador) e centro-leste e precisamente em regiões onde também são as maiores áreas de cultivo de folha de coca desta nação.

Os dez reinos da coca

De fato, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), metade desses cultivos estaria localizado em dez municípios do país, nove deles nos departamentos de Cauca, Nariño e Putumayo, no sul do país. O ocidente colombiano e na área não só de maior concentração e tráfico de cocaína na Colômbia (5), cujo número de hectares para 2017 foram avaliados pelos Estados Unidos em aproximadamente 188.000 (6), o que no mercado daquele país representa 92% da cocaína consumida (7), apesar das 797,8 toneladas apreendidas entre 2016 e 2017 e de 60 mil hectares nos últimos dois anos, este último em grande parte graças ao empenho das Forças Armadas (8) .

Estes hectares são então o maior número nos últimos 21 anos, em grande parte motivados pela suspensão da pulverização aérea que desde outubro de 2015 ordenou o Conselho Nacional de Narcóticos, medida que o Tribunal Constitucional através de sentença de abril 2.017 proibiu a aplicação pelo governo colombiano, circunstâncias que sem dúvida aceleraram o desenvolvimento dos acordos de paz que avançaram até agora com as FARC-EP, que o solicitaram na negociação e que se tornou um dos as decisões mais irresponsáveis ​​na luta contra o narcotráfico da administração colombiana atual e de saída (9). Isto porque, apesar de seus benefícios indiscutíveis do ponto de vista ecológico e sanitário para as comunidades em particular, também está fora de questão que o  aumento acelerado do cultivo e, portanto, o tráfico ilegal gerou conseqüências que afetaram a segurança, convivência e ordem pública (além dos danos à saúde e ecológicos, já que a exploração madeireira, ao contrário da fumigação, tem efeitos permanentes) de toda a nação.

O boom e crescimento acelerado da área cultivada de folha de coca, (estimada em mais de 100% em relação a 2015 e particularmente nas áreas onde historicamente foram localizados), além da implementação de um processo mal planejado e  de incentivos para a substituição manual (Plano Nacional de Substituição Voluntária de Culturas Ilícitas – Pnis), tem sido o combustível econômico que permitiu aos dissidentes Farc-Ep se beneficiarem dos recursos para reconstruir e crescer seus quadros armados, com a consequente deterioração da situação de ordem pública nesses territórios e com um aumento notável no micro tráfego nas capitais e cidades intermediárias, que tem desencadeado a insegurança que afeta os níveis de segurança e coexistência cidadã no País.

A ordem no caos nas populações onde o Pnis vem se materializando, as situações de ordem pública também vêm se deteriorando desde o ano passado, conforme registrado pelo governo. O aumento na taxa de homicídios em 36 dos municípios onde o Plano de Substituição foi inserido e um aumento da mesma taxa em 5 5% das populações com presença de culturas e onde houve intervenção do Estado na questão da substituição, enquanto nos restantes 44% dos municípios cocalero e onde não houve ações do Estado, tem havido uma diminuição do número de homicídios. (10)

Claramente, então, e apesar das declarações do vice-presidente colombiano, Oscar Naranjo, no sentido da eficácia do NIP ligando 123.000 famílias ao programa e ter alcançado uma erradicação voluntária de 38.000 hectares (11), a realidade é que a atual administração não conseguiu implementar uma política coerente e voluntaria para a erradicação, ou forçando uma primeira vez para a suspensão de pulverização, que promoveu um aumento no tamanho médio das culturas, seguindo por incentivos em dinheiro para erradicar voluntariamente, o que teve o efeito de semear mais para obter o benefício econômico e terceiro porque as respostas do estado não são coordenadas e não integram segurança ou desenvolvimento rural sustentável, mesmo apesar dos consideráveis ​​orçamentos (em papel) ) que serão destinados durante os próximos 15 anos para tais efeitos. (12)

Na época, o crescimento da produção teve como resultado um maior volume nos estoques de medicamentos disponíveis, o que não é exportado em sua totalidade devido a apreensões pelas Forças Armadas da Colômbia, bem como por aqueles que realizam o governo dos EUA através de suas agências, que abriu a possibilidade de expandir o mercado doméstico, colocando quantidades consideráveis ​​de drogas nas cidades, estimando que a cada cinco toneladas, uma é deixada para consumo interno (13), a um preço razoávelmente baixo (e, portanto, acessível para os setores mais depreciados da sociedade), aumentando assim o consumo exponencialmente, o que, de acordo com o Departamento Administrativo Nacional de Estatística (Dane), resultou em um número próximo de um milhão e meio de consumidores (14)

Em um negócio que movimenta somas perto de dois bilhões de dólares anualmente (15), gerando uma série de dinâmicas derivadas dele e que afetam primeiro medir os núcleos familiares, a coexistência cívica e finalmente a segurança, este último problema considerado como um dos principais a ser resolvido pelos diferentes aspirantes à presidência colombiana. Juntamente com os regulamentos legais que buscam descriminalizar a dose mínima e uma política criminal e prisão muito pobre, promoveram um aumento do microtráfico, o que nos coloca como o quarto país no consumo a nível regional (16)

O Cenário atual é derivado diretamente do aumento das áreas de coca cultivada e não erradicada e de uma completa ausência de soluções possíveis levantadas pela administração nacional, o que só tem sido limitado para lembrar os benefícios dos acordos de paz, o que, obviamente, neste tópico são nulos.

Esta tese é reforçada com o fato de que esse problema não foi abordado com uma resposta do tipo intersetorial pela institucionalidade, tentando não apenas compreender a expansão do fenômeno, mas também compreender a dinâmica nesses territórios e não apenas aumentar a força nos cinco departamentos onde estão localizadas 80% das plantações (todas coincidentes), tentando aliviar a situação e quase limitar-se exclusivamente à apreensão da droga procesada.

Paradoxalmente, em áreas com a maior safra sob controle agora em grande parte a dissidência e os níveis de violência das Farc tendem a ser baixas, nessas áreas e vias de tráfego exercem frentes, mas tendem a aumentar nas cidades pelo microtráfico e disputas que pela comercialização e controle do território geram essa atividade entre as gangues criminosas. (17)

Sob o controle de terroristas, as áreas com maior presença de cultivos de coca são precisamente aquelas em que não apenas as FARC estavam historicamente presentes, mas também onde suas dissidências estão operando novamente. Na verdade, desde o início do processo de desmobilização e de concentração em 19 veredales áreas de transição de Normalização (zvtn) e os nove pontos transitórios para a Normalização (PTN) (18), agora chamados Espaços de Formação Territorial e Reintegração (ETCR), 15 aldeias nestas áreas tiveram plantações de coca, bem como 15 também rotas de tráfego para coca processada e em cinco aldeias do PTN com culturas e rotas de tráfico de drogas, tendo sido as FARC que precisamente apontam a localização para zvtn e ptn. (19)

Este link ao lado da histórica (mas na história recente das FARC-EP),foi consagrado no Acordo de 4: Ilícito acordo de paz drogas pelo qual o governo colombiano concordaram em “lançamento políticas e programas deste ponto “enquanto as FARC-EP concordou acabar com o conflito, acabar com qualquer relacionamento, ( 20),

Um compromisso que foi quebrado por um dos seus membros, Jesus Santrich, pertencente ao Nacional (e ex-funcionários Central), depois que ele foi acusado de tráfico de drogas e procurado para extradição pelo governo dos Estados Unidos. O impressionante sobre esta detenção, o que demonstra o poder da corrupção gerada pelo tráfico de drogas e realização permeiam o círculo de maior poder reinserido importante desta organização é que a distância de seus membros dessa atividade praticar e uma percentagem preocupante não foi dada, sendo esta mais evidente para muitos setores políticos e sociais da nação, que alertou o governo durante as conversações de paz da possibilidade de reincidência na mesma, (não punidos acordos sob ponto de extração artigo que foi finalmente restaurado pelo congresso), mas não para a administração da Colômbia, em um esforço para legitimar os acordos de paz, propositadamente ou ignorar os avisos e indicações  claras ao resto do país. (21)

No final eles tiveram que obter o syndication EEUUL a Jesus Santrich o que realmente mostra é que, embora o procurador-geral colombiano  argumente que ele estava investigando, tinha em prática para ser um governo estrangeiro (Estados Unidos) aquele que investigou suas atividades, o acusou e pediu a extradição para o seu julgamento, a ponto de continuar a considerar este grupo como uma organização dedicada ao tráfico de drogas. Esta, infelizmente, provou não apenas que os acordos foram violados, como também, que a justiça externa que deve a responsabilidade do trabalho colombiano e à inação de outra forma vergonhosa pelo governo nacional, que ainda não foi capaz de explicar como em no país pós-conflito com um guerrilheiro desmobilizado, um ex-chefe pode contrabandear dez toneladas de cocaína (plantado, colhido, processado, transportado e vendido), precisamente nos territórios que hoje controlam a dissidência dessa organização. Não se entende como este concerto criminoso foi escondido.

A saída de Ivan Marqués de Bogotá para ETCR de Miravalle em Caqueta acrescenta, com o aparente propósito de acalmar os medos do reinserido, mas com precisão e, em seguida, para dialogar com um dos mais importantes, o Sr. conhecido como conhecido como El Paisa e ex-comandante da coluna móvel Teófilo Forero, alcançado o efeito oposto, ao decidir este deixar o ETCR e declarar única volta para ela, Santrich foi lançado, levando a se perguntar se esta organização está disposta não só a reconhecer a ação da justiça contra os seus membros, mas também se esta será uma resposta que vai estender .

Além disso, reflete a fraqueza de um processo que foi construído em grande parte motivado para buscar uma solução alternativa e consensual para o problema do tráfico de drogas, em seu principal produtor – as FARC -, que evidentemente não conseguiu, nem quis se destacar desse fenômeno.

Na verdade e neste sentido podemos antecipar que este ano, o governo colombiano vai apresentar uma proposta alternativa para substituir os cultivos de folha de coca, a fim de  legitimar o uso de armas, afirmando ser os porta-vozes de um setor da sociedade colombiana (colonos e camponeses do sul-oeste do país) e, por outro, tomar distância aparente da FARC original, e apresentado como um grupo externo e oposição para o processo de paz, a reincidência das FARC, Nos territórios onde eles fizeram a sua presença antes de sua desmobilização, e o aumento exponencial em plantações de folha de coca em si, é detalhado na identificação das frentes e colunas das quais é incertom onde crimes são novamente cometidos e aqueles que já começaram a ser relatados ou dos quais há notícias ou evidências sobre sua aparência renovada.

Estes são então e discriminados por departamentos (norte a sul): –

La Guajira: Relatórios e evidências: Parte dianteira 19 e enfrenta 59-Bolívar: relatos e evidências: Frente 37-Córdova: Relatórios e evidências: Front 58 Antioch: Confirmado : 18 frontal e dianteira 36Reportes e indicações: dianteiro 5 e 57 (Uraba) -Northern Santander: Relatórios e indicações: Frontal 33 (Catatumbo) Arauca: Confirmado: Frontal 25Reportes e sinais: 10 Frente-choco: Relatórios e indicações: frente 34-Valle: Confirmado: 30Reportes frente e sinais: frente 60 e Coluna móvel Miller Perdomo (MP) -Tolima: Relatórios e indicações: frontais 21 e frente Tulio Varon (TV) -Huila: Relatórios e indicações: frente 3 e frente 17-Cauca: Confirmado: frente 6 da frente 30, Coluna Miller Perdomo móvel Jacobo Arenas móvel Coluna e (JA) -Nariño: Confirmado: frente Oliver Sinisterra (sul unida Guerrillas), da frente 29, Mariscal Sucre móvel Coluna (MS) e Daniel Aldana Mobile Column (DA) Relatórios e pistas: Frente 64, La Banda de la Vaca (BV) e pessoas comuns (GC) .- alvo: Confirmado: Frontal 1 frontal 7, da frente 27, da frente 40, 44 e Dianteira 62Reportes e sinais: Frontal da frente 42 e 43-Vichada: Confirmado: da frente 16, 44 frontal, frente Acacio Medina (AM) -Guaviare: Confirmado: Frontal 1-Guainía: Confirmado: Frontal 16 Frente Acacio Medina (AM) -Vaupés: Confirmado: Frontal 1 Frontal Vaupe (FV) .- Caquetá: Confirmado: frente1, frontal 7 Frontal 14, 15 frontal, frente 49, Front Duvar Valencia (DV), Coluna móvel Teófilo Forero (TF) relatórios e indicações: frontal de 3 Putumayo: confirmado: Front 48Reportes e indicações: Front total de 32in 21 Frentes em seguida, confirmar e 5 colunas móvel reincidentes e relatórios e indicações de 18 frentes e 2 bandas em potencial reincidência, para um total 46 estruturas das FARC-EP, em situações de reincidência ou possível recorrência apenas um ano e 5 meses de acordos de paz assinados na Colômbia Bibliografia:

(1) -kienyke.com: Fechado as listas das Farc.

(2) e (4) -colombia2020.eles pectador.com: Pie força aproximada disidencia de Farc na Colômbia

(3) -ideaspaz.org dissidências

(5) -unodc.org:. Colômbia, censo 2017.

(6) -crisisgroup.org: grupos Armadas colombiano

(8) -Infodefensa.com: US envia fundos para a Colômbia

(9) -corteconstitucional.gov.co: Acórdão T080 2017

(10) -verdadabierta.com: substituição voluntária de cultivos ilícitos

(11) – Semana vivo .. : general Naranjo e Ariel Avila, lupa à implementação

(12) -semana.com Entrevista Daniel M. Rico

(13) -eltiempo.com .. microtrafficking na Colômbia

(14) e (16) -dinero.com.: . como eu mover o negócio da microtrafficking na Colômbia

(15) -periscopiopolitico.com.co .. microtrafficking e tráfico de drogas na Colômbia

(17) -Week ao vivo que tanto poder tem apelido Guacho

(18) -bbc.com.uk: Farc concentrada nas áreas veredales

(19). -colombiacheck.com maioria das áreas encontram-se perto de culturas veredales coca

(20) -colombia2020.elespectador.com .. item 4, drogas ilícitas

(21 )-o tempo. com: A traição de trichi aos acordos de paz.

 

 

Fonte: Infodefensa

 


Sobre  o Autor:
Erich Saumeth é Analista e pesquisador colombiano sobre questões de Defesa, Segurança Nacional, Geopolítica e Políticas Governamentais. Mestrado em Estudos Políticos com ênfase em Políticas de Defesa e Segurança, Especialista em Estudos Político-Econômicos, Diploma em Estudos Geopolíticos, Diploma em Desenvolvimento Humano, Advogado. Especialidades: Defesa – Segurança – Coexistência – Governo. Corresponsal para Colombia de Tecnología Militar e Infodefensa.com