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Análise de dentes desbanca de vez mito sobre Hitler

Análise de arcada dentária achada pelos russos em Berlim acaba de vez com a teoria conspiratória de que ditador nazista sobreviveu, uma lenda que diz muito sobre a propaganda soviética e a crueldade do pós-guerra.

    

Hitler em 1936: estado dos dentes do ditador nazista assustava

Hitler em 1936: estado dos dentes do ditador nazista assustava

Adolf Hitler tinha dentes ruins: o que pode soar como mais uma informação randômica para despertar fascinação sensacionalista em torno do ditador nazista é, na verdade, uma evidência de que ele realmente se suicidou em 30 de abril de 1945.

Recentemente, uma equipe de patologistas franceses teve autorização para examinar parte de uma arcada dentária encontrada em Berlim no início de maio de 1945. Foi a primeira vez em sete décadas que especialistas tiveram acesso ao achado – e o resultado, publicado no European Journal of Internal Medicine, não deixa dúvidas:

“Os dentes são autênticos – não há nenhuma dúvida”, disse o patologista-chefe Philippe Charlier à agência de notícias AFP. “Nosso estudo prova que Hitler morreu em 1945.”

A equipe também teve permissão para analisar fragmentos do crânio de Hitler para confirmar como ele cometeu suicídio. Os dentes se encaixam na descrição dada pelo dentista do ditador nazista e não revelam traços de carne, o que é consistente com o fato de que ele era vegetariano.

O estudo pode – mas provavelmente não vai – colocar um ponto final nas teorias conspiratórias de que Hitler conseguiu escapar da destruição dos dias finais da Segunda Guerra Mundial.

“Podemos parar com as teorias conspiratórias sobre Hitler”, disse Charlier. “Ele não fugiu para a Argentina num submarino, não está escondido numa base na Antártida ou num lado oculto da Lua.”

Pelo contrário: Hitler terminou como todo historiador respeitável afirma – num suicídio coletivo em seu bunker em meio às ruínas da capital nazista, enquanto os soviéticos se aproximavam.

Cerco e suicídio

Em 30 de abril de 1945, tropas soviéticas haviam avançado até 500 metros do centro de comando de Hitler no coração de Berlim. Cercado e quase sem condições de comunicar com o que havia sobrado de seu Exército, Hitler se deu conta de que sonhado Reich estava acabado.

No início da tarde, Hitler se retirou a seus aposentos com sua companheira de longa data, esposa havia apenas dois dias, Eva Braun. Os dois ingeriram cápsulas de cianeto e atiraram em si mesmos. Seus corpos – junto aos de dois cães de Hitler – foram descobertos às 15h15.

Sabedor do que os italianos haviam feito com o corpo de Benito Mussolini, Hitler havia deixado instruções claras de como se deveria proceder com os cadáveres dele e de Eva Braun. Eles foram levados para fora do bunker e queimados. Em 5 de maio, as forças soviéticas descobriram um corpo carbonizado e o identificaram como sendo de Hitler.

“Os dentes de Hitler eram tão ruins – tão unicamente ruins – que foram suficientes para identificar o corpo”, escreveu o patologista forense Mark Benecke, contratado pelo canal National Geographic para investigar os restos do ditador nazista.

Os soviéticos compararam a arcada dentária, que tinha próteses e pontes incomuns e destacadas, com as descrições fornecidas pela assistente de dentista Kathe Heusermann. Mais tarde, o dentista pessoal de Hitler, Hugo Blaschke, confirmaria a informação aos Aliados.

“Os dentes estavam em estado tão ruim que o dentista estava com ele no bunker”, disse Liubov Summ, neta da intérprete russa de Heusermann, Elena Rzhevskaya, ao jornal Times of Israel. “Há fotos que são bem desagradáveis de ver.”

“Os meninos do Brasil”

A intérprete Elena Rzhevskaya ficou temporariamente com os dentes porque, segundo conta, havia um temor de que soldados do Exército Vermelho se embebedariam e os perderiam. Ela levou o material para Moscou. Mas, apesar de os soviéticos já terem certeza então de que Hitler estava morto, Stálin ordenou que a notícia fosse abafada, enquanto ele espalhava rumores de que aliados haviam ajudado o ditador a escapar.

“Foi uma farsa desonesta, uma tentativa de disfarçar o fato de que seu corpo havia sido encontrado”, escreveu Rzhevskaya em suas memórias, O fim de Hitler. “Hitler não era mais um emblema de guerra, ele havia se tornado um emblema do topo de paz que viria.”

Os russos chamaram a campanha de desinformação de Operação Mito.

“A estratégia de Stálin, evidentemente, era associar o Ocidente com o nazismo ao inventar que americanos ou britânicos o estavam escondendo”, escreve o historiador Anthony Beevor no livro Berlim 1945 – a queda.

Quando combinado ao fato de que nazistas proeminentes como Adolf Eichmann e Josef Mengele haviam, de fato, fugido para a América do Sul, a história inventada por Stálin pode estar na raiz da lenda de que Hitler sobreviveu à guerra. Ideias como essa foram popularizadas pelo filme de 1976 Os meninos do Brasil, no qual Mengele fazia clones de Hitler, num ensaio para uma volta do nazismo.

A triste história de uma intérprete

A ficção era absurda, mas a realidade, trágica. Rzhevskaya, que mais tarde viraria escritora, teria que esperar até que Stálin morresse para poder contar sua história. E Heusermann enfrentaria um destino muito pior.

Como parte da campanha de Stálin para suprimir a verdade, ela foi levada para a União Soviética e sentenciada a dez anos num gulag, seis deles em confinamento solitário, por ter ajudado Hitler com a prótese dentária.

“Eles disseram a ela que, ao ajudar a arrumar os dentes de Hitler, ela contribuiu para a continuação da guerra e que ela deveria ter batido na cabeça dele com uma garrafa”, Summ disse ao Times of Israel.

Uma ironia pois, de acordo com Rzhevskaya, Heusermann não era uma militante nazista e havia escondido um dentista judeu, antigo funcionário de seu consultório, em sua casa durante a guerra. Heusermann morreu em Düsseldorf em 1995. Teve um papel insignificante na história, da qual foi uma das incontáveis vítimas inocentes.

 

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Conflitos Geopolítica História

País foi chamado a ocupar a Áustria

EUA queriam que Brasil assumisse controle sobre a terra natal de Hitler depois do fim da 2.ª Guerra Mundial

Wilson Tosta, O Estadao de S.Paulo

06 Junho 2009 |

Um dos mais prestigiados pesquisadores das relações militares entre americanos e brasileiros, o historiador Frank McCann, da Universidade de New Hampshire, revela que o Brasil recusou gestões dos EUA para participar da ocupação aliada da Áustria após a 2ª Guerra (1939-1945).

A sugestão, rejeitada por motivos ainda hoje não esclarecidos, poderia, se aceita, ter modificado substancialmente o papel brasileiro nas relações internacionais no pós-guerra e facilitado o caminho para o País obter a almejada cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, acredita o professor. Ele vai comentar suas pesquisas sobre o assunto no I Seminário de Estudos sobre a Força Expedicionária Brasileira (FEB), dia 15, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ). “O general (Mark) Clark (comandante aliado na Itália) foi mandado para a Áustria como chefe de ocupação e, conhecendo os brasileiros, pensou que seria interessante tê-los”, revela o historiador, autor de Soldados da Pátria – História do Exército Brasileiro 1889-1937 (Companhia das Letras).

“Mas, sem documentos, não posso dizer por que o Brasil não entrou nisso. Não sei até que nível o governo brasileiro foi consultado.” O historiador ainda procura pelos relatórios anuais de atividades do Exército de 1945 e 1946, nos quais espera achar pistas do motivo da recusa. Os volumes são os únicos que não estavam nem na Biblioteca do Exército, nem em seu Arquivo, nem em seu comando, em Brasília. McCann conta que, no imediato pós-guerra, os americanos desmobilizaram rapidamente suas tropas na Europa. Para a ocupação, seria necessário recrutar mais gente, por meio de convocação de cidadãos dos EUA. Os militares que combateram não foram os mesmos que depois ocuparam o território europeu. Nesse panorama, o comando aliado lembrou que, dos 25 mil pracinhas enviados pelo Brasil à Itália, 10 mil, por falta de tempo para receber o treinamento, não entraram em combate – tinham passado o tempo no ciclo de instrução preparatória. No fim do confronto, foram consideradas tropas “descansadas”, logo, prontas para participar da ocupação.

“Durante a guerra, uma divisão não era grande coisa, mas, como os EUA se desmobilizaram muito rapidamente, uma divisão brasileira na Europa após a guerra teria sido, sim, grande coisa, de fato”, diz ele. A Áustria teve importância central no conflito. Remanescente do Sacro Império Romano Germânico e do Império Austro-Húngaro sob a Dinastia Habsburgo, além de terra natal do ditador nazista Adolf Hitler, o país foi anexado pelos alemães em 1938, como parte da tentativa de construir a “Grande Alemanha” sob o 3.° Reich. Após a 2ª Guerra, foi dividida entre EUA, Grã-Bretanha e URSS, que permitiram que os austríacos formassem um governo provisório. Os aliados estabeleceram que o país seria separado da Alemanha e não poderia aderir a tratados militares, o que a levou à neutralidade na Guerra Fria. Em 1955, sua ocupação foi suspensa.

O pesquisador relata ainda que o diplomata Vasco Leitão da Cunha ouviu, em Roma, que o general britânico Harold Alexander teria dito: “O brasileiro é um belo soldado. Lamento saber que eles querem voltar para casa e não ir para a Áustria.” Leitão da Cunha, relata, telegrafou para o Itamaraty dizendo que “o Brasil tinha de ficar”, ouvindo como resposta: “Isso é cavação deles para ganhar ouro.” O Brasil temeria pagar despesas da ocupação. McCann diz ainda que o comandante do 4º Corpo do 5º Exército dos EUA, do qual a FEB era parte, general Willis Crittenberger, consultou o então coronel Castello Branco (que, em 1964, seria o primeiro presidente do regime militar) sobre a possibilidade de o Brasil participar da ocupação da Itália, em 10 de maio de 1945 – pouco depois do Dia da Vitória, quando a Alemanha se rendeu.

“Castello disse algo sobre o Brasil não participar do conselho aliado para governar a Itália, então não deveria ter tropas envolvidas”, diz. “Acho que, se o Brasil tivesse participado da ocupação, teria ganho o assento no novo Conselho de Segurança e no pós-guerra teria tido um status muito, muito maior.” ENCONTRO O I Seminário de Estudos sobre a FEB será promovido pelos Programas de Pós-Graduação em História Social das universidades federais do Rio de Janeiro e de Londrina e terá dez sessões temáticas. Além de McCann, participarão do encontro os pesquisadores Celso Castro, da Fundação Getúlio Vargas, José Murilo de Carvalho, da UFRJ, e Vagner Camilo, da Universidade Federal Fluminense, entre outros. O evento será no IFCS/UFRJ,no Largo de São Francisco, 1, no Centro do Rio.

Fonte: Estadão

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Braço Forte Brasil Defesa

Em Recife, uma das páginas mais significativas da história militar do Brasil escrita pela FEB é recordada.

Em Recife, uma das páginas mais significativas da história militar do Brasil escrita pela FEB é recordada.

Por Assessoria de Comunicação

Publicação: Qua, 21 Fev 2018 11:00:00 -0300

Crédito: SC Aldo Dantas

Recife (PE) – No Comando Militar do Nordeste (CMNE) ocorreu, no dia 16 de fevereiro, no âmbito da Guarnição do Grande Recife, a celebração da passagem dos 73 anos da Tomada de Monte Castelo. O evento aconteceu no Quartel-General, localizado no Curado, e contou com a presença de ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que lutaram durante a Segunda Guerra Mundial, os chamados Pracinhas.

Ao término da solenidade, houve um desfile de tropas para homenagear os feitos dos soldados que lutaram nesse grande conflito mundial e reverenciar aqueles que tombaram em campo de batalha, em defesa da democracia.

Na sequência do evento, os militares e convidados visitaram uma exposição de materiais militares históricos pertencentes aos Pracinhas e de medalhas e utensílios particulares da época.

Em 21 de fevereiro de 1945, a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária da FEB escreveu uma das mais significativas páginas de toda a história militar do Brasil, ao conquistar o Monte Castelo, uma das maiores fortificações da Linha de Defesa do Exército Alemão durante esse conflito de abrangência global.

Monte Castelo foi um desafio para a tropa brasileira. Durante três meses sua conquista pareceu impossível, com os insucessos dos ataques de 29 de novembro e 12 de dezembro de 1944. Assim mesmo, isso não abateu a moral do combatente da FEB e serviu para forjar seus integrantes para as vitórias dos meses seguintes. Ao término da conquista, nesse período, 175 pracinhas pereceram nos combates.

Brasileiros que foram à Segunda Guerra Mundial revivem os 73 anos de história no Museu do Expedicionário.

Publicação: Qua, 21 Fev 2018 15:46:00 -0300

Curitiba (PR) – O Museu do Expedicionário, Unidade da 5ª Região Militar (5ª RM), foi palco, no dia 21 de fevereiro, quarta-feira, de uma solenidade que objetivou relembrar os feitos da Tomada de Monte Castello – o fato histórico mais importante da atuação brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. A solenidade contou com a participação de Pracinhas que atuaram em solo italiano durante esse enorme conflito de magnitude global.

Relembrar a atuação do Brasil e a conquista da Força Expedicionária Brasileira (FEB), decisiva para o encerramento desse enorme conflito, é motivo de orgulho e comemoração. Cerca de 20 Pracinhas que estiveram na Guerra residem no estado do Paraná, sendo uma dezena deles em Curitiba.

A FEB estava constituída de uma Divisão de Infantaria Expedicionária, composta por Comando e Estado-Maior, três Regimentos de Infantaria, um Esquadrão de Reconhecimento, um Batalhão de Engenharia, uma Artilharia Divisionária, um Batalhão de Saúde e Tropas Divisionárias, com cerca de 25 mil homens. Todo esse contingente passou a integrar o IV Corpo de Exército norte-americano, subordinado ao V Exército Aliado, que tinha como missão manter o máximo das forças inimigas empenhadas ao sul da Itália.

Em 21 de fevereiro de 1945, a 1a Divisão de Infantaria Expedicionária lançou-se ao ataque a Monte Castello e, às 17:30, a Bandeira Brasileira tremulava altiva em Castello. A FEB sofreu, naquele dia, 112 baixas.

Com o lema “A cobra está fumando”, em alusão ao ditado popular que era “mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra”, a campanha durou, no total, sete meses e 19 dias.

 

O Museu do Expedicionário

O Museu é considerado um dos maiores acervos sobre a participação do Brasil na Guerra, com cerca de 25 mil itens, dentre armas, munição, equipamentos, uniformes, bandeiras, documentos, fotos e publicações da época. Na Praça do Expedicionário, onde está localizado, estão expostos um blindado, um avião Thunderbolt e outros equipamentos de guerra utilizados no conflito mundial. É um dos espaços culturais mais importantes do estado do Paraná, representando o 2º lugar em número de visitantes, com cerca de 2.500 por mês.

 

Você sabia?

Segundo o livro “1942: O Brasil e sua Guerra Quase Desconhecida”, de João Barone, o termo “Pracinha” surgiu da expressão “sentar praça”, que significa se alistar nas Forças Armadas. O apelido era atribuído aos soldados rasos, detentores da patente mais baixa da hierarquia militar.

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Braço Forte Conflitos Geopolítica História

TOMADA DE MONTE CASTELO – ORDEM DO DIA

A mensagem que ecoou no campo de batalha, ao findar da tarde do dia 21 de fevereiro de 1945, marcou uma das mais gloriosas realizações da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na 2ª Grande Guerra. Após 12 horas de um árduo e intenso combate contra um implacável e bem fortificado inimigo, agravado por um terreno íngreme e frio intenso, a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE) conquistava o seu maior objetivo: Monte Castelo.

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NE- MONTE CASTELO

.: Canção do Expedicionário.

 

Fonte: Agência Verde Oliva