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2ª BATERIA DE ARTILHARIA ANTIAÉREA INAUGURA SALA E SIMULADOR DO MÍSSIL DE BAIXA ALTURA TELECOMANDADO RBS 70

Sant’Ana do Livramento (RS) – Um dos eventos mais esperados pelos militares da 2ª Bateria de Artilharia Antiaérea (2ª Bia AAAe) e pela Comunidade da “Fronteira da Paz” tornou-se realidade no dia 31 de maio, com a Inauguração da Sala e Simulador do Míssil de Baixa Altura Telecomandado RBS 70.

O evento contou com as presenças do General de Brigada Amadeu Martins Marto, Comandante da Artilharia Divisionária da 3ª Divisão de Exército; e do General de Brigada Carlos Augusto Ramires Teixeira, Comandante da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada; além de autoridades civis e militares do Brasil e do Uruguai.

No primeiro momento, o Comandante da 2ª Bia AAAe, Major Andrei Daniel Ferraz Silva, ministrou uma palestra aos convidados sobre as potencialidades do novo material de emprego militar, o salto operacional da unidade e o Programa Estratégico do Exército Defesa Antiaérea.

Em seguida, o Major Ferraz, junto ao General Marto e ao General Ramires, realizaram o descerramento da Placa de Inauguração da Sala e Simulador do Míssil RBS 70, e foi realizada uma demonstração do novo equipamento da organização militar.

Encerrando o evento, os convidados prestigiaram a solenidade militar sobre o recebimento oficial do referido material. Em suas palavras, os oficiais-generais ressaltaram a importância do emprego da tecnologia e da capacitação dos recursos humanos da Unidade, bem como suas novas capacidades para cumprir suas missões de defesa antiaérea.

 

 

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Brasil e OTAN: uma análise da possível parceria

 

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi criada em 1949, agrupando 12 países em torno de um projeto de “segurança coletiva” em face do inimigo comum.  A Europa estava dividida ideologicamente: a leste, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) ameaçava expandir militarmente seu território e, a oeste, os Estados Unidos da América (EUA) tentavam impedir.

            Desde sua criação, a organização sediada em Bruxelas incorporou novos atores e, atualmente, é composta por 29 países.  A despeito da incontestável liderança americana, as decisões são tomadas em unanimidade, não havendo o poder de veto como ocorre, por exemplo, no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

            Com o fim da URSS, a organização teve sua finalidade questionada sob o pretexto de que a ameaça militar direta teria se extinguido. No entanto, a instabilidade de caráter étnico dos Balcãs e o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 reforçaram a ideia de que a OTAN iria ainda desempenhar um papel importante.  O pensamento de extinção cedeu lugar ao processo de transformação pelo qual a organização ampliou sua área geográfica de atuação para além de seus próprios limites.

            Nesse contexto de transformação, a ideia de se estabelecer parcerias estratégicas para a paz foi colocada em prática. Baseada em um senso mais complexo de defesa coletiva, a OTAN passou a privilegiar relações bilaterais com países não europeus capazes de contribuir de alguma forma para a consecução de seus objetivos. São exemplos claros de tais parcerias as relações entre a OTAN e o Iraque, o Afeganistão, a Austrália e, na América do Sul, mais recentemente, a Colômbia.   

            Em novembro de 2018, em uma entrevista à BBC, o ex-embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, defendeu que o Brasil estabelecesse também uma parceria para a paz com a OTAN, pois “isso traria ao Brasil uma oportunidade para se envolver e trabalhar diretamente não apenas em questões militares e das forças armadas, mas em tudo que for ligado à segurança nacional e segurança global”. 

Para o Brasil, maior país da América do Sul, a aproximação direta com a OTAN sempre gerou questionamentos sobre o que essa parceira representaria para o país. Essa é uma reflexão importante, especialmente no momento atual, em que a política externa brasileira está se aproximando dos EUA.

            No campo geopolítico, não há dúvidas de que se o Brasil deseja realmente alcançar uma posição de maior protagonismo internacional, uma possível parceria com a OTAN contribuiria para este objetivo. Ressalta-se que isso não representa um rompimento com a tradição brasileira de não intervenção e de solução pacífica de controvérsias.

            Por outro lado, o estabelecimento dessa parceria reafirmaria o posicionamento contrário do Brasil ao expansionismo e ao terrorismo, repudiados historicamente pela diplomacia brasileira. Ou seja, a ação de se aproximar não seria novidade nenhuma para aqueles que acompanham os passos do Brasil.

            Militarmente, as oportunidades são mais claras e fáceis de visualizar. O sistema doutrinário da aliança é fruto das lições aprendidas em suas missões e constitui-se em um conhecimento de ponta para nações pacíficas como o Brasil. A ideia-força seria  “aprender com os erros e acertos dos outros”. A OTAN cumpre missões, atualmente, no Afeganistão e em Kosovo, patrulha o mar Mediterrâneo, apoia a União Africana na Somália e policia o espaço aéreo nas regiões fronteiriças com a Rússia. Todas essas atividades podem subsidiar a nossa própria doutrina.

            A Diretriz para Atividades do Exército Brasileiro na Área Internacional (DAEBAI) assinala a região formada pela América do Norte e Europa como sendo o “Arco do Conhecimento” para aquisição de inovações doutrinárias e tecnológicas. Para cumprir esse objetivo, militares brasileiros são enviados para frequentarem cursos de aperfeiçoamento e altos estudos que os tornam conhecedores da doutrina militar das Nações Amigas (NA). Paralelamente, uma rede de oficiais de ligação foi estabelecida com o intuito de se ter acesso aos centros de doutrina desses países. Estamos, de uma maneira indireta, recebendo os ensinamentos da OTAN.

            Não obstante, há que se ressaltar que uma parceria com a aliança permitiria o acesso direto ao sistema de ensino da Organização. A Colômbia, por exemplo, envia militares para a Escola da OTAN na Alemanha (Oberammergau) e para o Colégio de Defesa da OTAN na Itália (Roma) desde 2013. Ademais, O Exército Brasileiro poderia ter acesso facilitado a outras formações como, por exemplo, na Escola de Defesa Cibernética em Portugal, considerada referência no setor.

            Nessa mesma direção, acrescenta-se a possibilidade de promoção dos Produtos de Defesa do Brasil em mercados tradicionalmente fechados. Quanto mais aprofundarmos a participação em exercícios utilizando material nacional, maiores são as chances de adoção desses equipamentos na Europa e nos demais parceiros da OTAN. Os programas ASTROS e GUARANI encaixam-se perfeitamente nesse ponto.

            Finalmente, cabe ressaltar que estabelecer uma pareceria para a paz com a OTAN não representa, em absoluto, alinhar-se automaticamente com qualquer ator internacional. Ao contrário, assinala um passo pragmático para o fortalecimento das capacidades militares dissuasórias do País. Sem dúvidas, será um passo possível e importante.

Fonte: EBlog

 

Sobre o Autor

O Tenente-Coronel Mauricio Aparecido França é oficial de infantaria do Exército Brasileiro. Após concluir o curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, no Rio de Janeiro, frequentou a École de Guerre, em Paris em 2017-2018. Nesse ano escolar, cursou o programa de mestrado da École Pratique Hautes Etudes (EPHE) desenvolvendo pesquisa sobre a evolução do pensamento geopolítico brasileiro”.

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EXÉRCITO BRASILEIRO APOIA A ETIÓPIA NA CONDUÇÃO DE TREINAMENTO PARA OPERAÇÕES DE PAZ NA ÁFRICA

Etiópia (Àfrica) – O Centro de Treinamento de Apoio à Paz da República Democrática Federal da Etiópia (FDRE PSTC, sigla em inglês) foi criado em 2015 e, desde então, tornou-se um centro de excelência na preparação de militares, policiais militares e civis em prol das Operações de Paz no continente africano.

Nesse contexto, o Exército Brasileiro coopera com a Etiópia desde 2017, por meio de intercâmbio de conhecimentos e experiências relativos às Operações da Paz das Nações Unidas. Para tanto, o FDRE PSTC e o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) são reconhecidos, sob esse Convênio, como organizações especializadas na instrução, treinamento e pesquisa relacionadas às Missões de Paz.

No dia 4 de fevereiro do corrente ano, o Comandante do FDRE PSTC, General de Brigada Habtamu Tilahun, apresentou os cumprimentos de boas vindas ao instrutor brasileiro designado para o ano de 2019, o TC Fabio Rodrigo de Assis. Na ocasião, o Comandante do Centro agradeceu o apoio do Exército Brasileiro e ressaltou a necessidade de avançar no acordo firmado entre ambos os países.

Dentre as principais atribuições do Instrutor brasileiro no FDRE PSTC, cabe destacar: – conduzir cursos e desenvolver currículos nas lides da preparação para as Operações de Paz, seguindo a doutrina da ONU e da União Africana; – contribuir para a consolidação de lições aprendidas; – participar de pesquisas, seminários, atividades acadêmicas relacionadas com as Operações de Paz, a pedido do Centro; – colaborar para a implementação de novas oportunidades de cooperação na área de missões de paz, em ligação com o Adido Militar do Brasil na Etiópia.

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa

Plano Brasil/EB/CAvEx/Helicóptero turco T129 ATAK no Brasil/Análise: “Demonstração do helicóptero de ataque turco T129 ATAK, derivado do italiano Leonardo A129 Mangusta, causou excelente impressão ao CAvEx”

 

 

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Helicóptero de ataque turco T129 ATAK – História do Roadshow no Brasil

 

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Hoje no Mundo Militar: O que o Brasil pode aprender com a Turquia e o seu T129 ATAK

 

 

Helicóptero turco de ataque é apresentado na Aviação do Exército em Taubaté

Por: Redação PortalR3, 27/março/2019

Foto 01: Helicóptero T129 ATAK possui alta capacidade bélica. (Foto: ComSoc CAvEx)

O CAvEx (Comando de Aviação do Exército), com sede em Taubaté (SP), recebeu no dia 26 de março, representantes da empresa Turkish Aerospace Industries (TAI), para demonstrações de um helicóptero T129 ATAK.

A aeronave está no Brasil para a 12ª edição da LAAD Defence & Security – Feira Internacional de Defesa e Segurança – e, na ocasião, realizará um evento conhecido como Road Show Brazil 2019, na qual inclui demonstrações para autoridades civis e militares. O evento inclui apresentações em Brasília e Rio de Janeiro e a empresa, solicitou ao Exército Brasileiro, uma apresentação da referida aeronave em Taubaté, no Comando de Aviação do Exército.

O T129 ATAK utiliza diversos tipos de sistemas e armamentos de última geração como canhão de 20 mm, foguetes guiados e mísseis, além de um moderno sistema de câmeras coloridas e de infra-vermelho.

O Programa Estratégico Aviação do Exército (PEE Av Ex), programa que regula e detalha os projetos de longo prazo da Aviação do Exército, prevê a melhoria das atuais capacidades e a aquisição de novas capacidades para a Aviação do Exército Brasileiro.

Foto 02: Militares do CAvEx acompanharam a apresentação da equipe turca. (Foto: ComSoc CAvEx)

A obtenção da capacidade de ataque está no escopo de Projetos do Programa Aviação. A AvEx já realizou alguns testes em helicópteros de ataque nos Estados Unidos, Itália e Rússia.

Em novembro de 2018 uma equipe da Aviação do Exército esteve na Turquia para realização de testes no modelo que agora está sendo apresentado no Brasil. Não existe ainda definição de qual helicóptero será o escolhido e nem prazo para a efetivação da compra. Outros modelos de aeronave de ataque ainda podem ser testados.

AERONAVES NO EXÉRCITO BRASILEIRO

Atualmente o Exército Brasileiro possui uma frota de aproximadamente 100 helicópteros de cinco modelos diferentes: Fennec, Pantera, Cougar, Jaguar e Black Hawk.

Eles são empregados em atividades de reconhecimento, transporte de tropas e missões diversas pelo país, porém, nenhum destes modelos é especifico para o ataque.

O objetivo com os novos modelos de aeronaves especificamente criadas para o ataque, é reforçar principalmente as fronteiras do país e apoiar as Forças de Superfície nas suas missões.

 Fonte: Redação PortalR3 

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A hélice tríplice e a inovação aberta



 

A era do conhecimento consagra a busca e a necessidade da materialização de avanços técnicos e científicos como os agentes que definirão o relacionamento entre as nações e o bem-estar de suas sociedades.

Nesse contexto, o Exército Brasileiro (EB) tem buscado se modernizar e transformar para estar à altura das mais elevadas aspirações do País, reduzindo as diferenças tecnológicas que infligem desvantagens consideráveis à manutenção dos interesses nacionais.

Considerando que, atualmente, o Brasil conta com uma ampla e complexa base tecnológica e industrial e que em diversas regiões do País podem ser identificados centros universitários de excelência e renomados institutos de ciência e tecnologia, a realidade sugere que a tradicional missão de contribuir com o desenvolvimento brasileiro deva ser adequada à atual conjuntura.

A transformação da Força requer a adoção de uma efetiva política de abertura, buscando e apoiando, em cada região do Brasil, polos científico-tecnológicos consolidados, estimulando o estabelecimento de um sistema sinérgico, baseado em sólidas parcerias. Dessa forma o EB, por intermédio do Departamento de Ciência e Tecnologia, implementou em outubro de 2016, por meio da Portaria n° 1701, do Comandante do Exército, o Sistema Defesa, Indústria e Academia de Inovação (SisDIA), de abrangência nacional, cujo principal objetivo é promover a inovação, assumindo como pilares a Hélice Tríplice e a Inovação Aberta.

Importa comentar a abordagem da Hélice Tríplice, desenvolvida por Henry Etzkowitz Loet Leydesdorff, que é baseada na perspectiva das relações entre Universidades, Empresas e Governo, visando à produção de novos conhecimentos, à inovação tecnológica e ao desenvolvimento econômico. A inovação é compreendida como resultante de um processo complexo e dinâmico de experiências nas relações entre ciência, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento nas universidades, nas empresas e nos governos, em uma espiral de “transições sem fim”.

Para alcançar os objetivos de Defesa Nacional no tocante à inovação e tecnologia, o sistema atua de forma local, regional e nacional. O nível local é operativo e executa os projetos de interesse do Exército ou contribui com os Arranjos Produtivos Locais (APLs) realizando a interface entre as esferas governamentais e o nível intermediário do sistema. O nível regional estimula as potencialidades regionais das hélices industrial e acadêmica, participa das discussões com federações das indústrias, universidades e órgãos de fomento, identifica potenciais recebedores de tecnologia e realiza prospecção estratégica e tecnológica. Já o nível nacional tem cunho iminentemente estratégico, com ações definidas com ministérios, agências reguladoras e confederações.

Como instrumento que viabiliza o SisDIA, o Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), órgão de direção setorial do EB, possui, dentre as diversas atribuições, a missão de promover o fomento à indústria nacional, visando ao desenvolvimento e à produção de sistemas, produtos, tecnologias e serviços de defesa. O DCT tem praticado uma política de “portas abertas” no sentido de buscar e apoiar soluções genuinamente nacionais nos diversos centros de excelência regionais existentes, como as iniciativas já colocadas em prática nos polos tecnológicos de Santa Maria, Florianópolis, São José dos Campos, Sete Lagoas, Campinas, São Paulo, Florianópolis e Foz do Iguaçu: servir de interface entre os integrantes do sistema, aportar engenheiros militares nos programas e projetos, utilizar espaços físicos compartilhados (como laboratórios) e disponibilizar recursos financeiros de forma direta ou por intermédio de acordos de compensação.

O sistema também tem inovado ao promover, de forma institucional, materiais de emprego militar genuinamente nacionais empregados e adotados pela Força Terrestre entre exércitos de nações amigas. O funcionamento do sistema como agência de apoio às exportações também é faceta importante para o fomento à indústria nacional.

O foco na transformação pela inovação (ao proporcionar o aumento do valor agregado dos produtos da indústria pela simplificação da legislação que permita a desburocratização do fomento à BID) e, particularmente, a ênfase na forte e duradoura integração entre todos os entes do SisDIA são o cerne do sucesso desse conceito. O sistema está alinhado com as políticas públicas do Governo Federal a respeito do tema. Exemplo disso é o novo marco legal da Ciência, Tecnologia e Inovação consubstanciado no Decreto Federal nº 9.283, de 7 de fevereiro de 2018, que regulamentou a Lei nº 13.243, de 11 de janeiro de 2016. A legislação foi recebida pela comunidade acadêmica e empresarial como “um passo importante” para aproximar instituições científicas e tecnológicas (ICTs) e o setor produtivo, aumentar as chances de o conhecimento chegar às empresas e alavancar o desenvolvimento econômico e social. As novas regras abordam com propriedade a encomenda tecnológica, especializa ainda mais a Lei 8.666/93 nesta área, amplia mecanismos de subvenção, dentre outros benefícios para a comunidade científica.

A história demonstra a natural vocação do Departamento de Ciência e Tecnologia para o empreendedorismo e o desenvolvimento de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I), em busca de soluções tecnológicas que atendam as necessidades conjunturais da Força Terrestre. O momento presente aponta ativamente a obtenção de capacidades, considerado o equilíbrio entre a aquisição, para atender às demandas operacionais “mais urgentes”, e a pesquisa e o desenvolvimento, para a absorção do conhecimento tecnológico e o fortalecimento da capacidade produtiva nacional. O foco no resultado, o alinhamento à Concepção Estratégica do Exército e a adequação dos processos internos às novas Instruções Gerais do Ciclo de Vida de Materiais de Emprego Militar (EB1-IG-01.018) funcionam como norteadores.

A atuação de forma integrada com a Indústria e a Academia, por meio do SisDIA, na buscade tecnologias de ponta para a Defesa com emprego dual,reforçam o papel catalisador que o departamento tem desempenhado no processo de transformação da Força e, consequentemente, o protagonismo do Exército Brasileiro em proveito do bem-estar da sociedade e do progresso do País.


Sobre o Autor

Tenente-Coronel do Exército. Aspirante a Oficial de Artilharia e Bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (1996). Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003). Mestre pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (2004). Pós-graduado em Marketing pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (2008) e Gestão Pública pela Universidade do Sul de Minas (2018). Atualmente, serve no Gabinete do Comandante do Exército.


Fonte: EBLOG

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“SIGAM-ME OS QUE FOREM BRASILEIROS”

Não é de hoje que, por razões diversas, tentativas revisionistas acercam-se do vulto histórico
do Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro. Todas caem em descrédito, pois
carecem de qualquer fundamento.

“SIGAM-ME OS QUE FOREM BRASILEIROS”


(Batalha de Itororó, 6 de dezembro de 1868)
O Marechal Caxias, que nunca perdeu uma batalha, notabilizou-se, entre
outras virtudes, pelo tratamento digno e respeitoso que dispensava aos vencidos.
Nos vários episódios em que foi chamado a pacificar províncias insurgentes,
soube compreender as diferenças políticas e culturais que geravam antagonismos
entre os brasileiros. Assim, sempre agiu para promover a unidade e a integridade
nacional.
No comando de tropas brasileiras, ao lado de brancos, negros, índios e
mestiços, Caxias foi o conciliador que estabeleceu a paz em um ambiente
conturbado de revoltas, entre as quais a Farroupilha, que já se alongava por quase
uma década, provocando morte e desunião de irmãos brasileiros, na então
Província do Rio Grande do Sul, de 1835 a 1845.
Os integrantes do Exército Brasileiro orgulham-se de seu patrono Caxias, o
símbolo máximo da própria unidade nacional brasileira. Gilberto Freyre define:
“Caxiismo não é conjunto de virtudes apenas militares, mas de virtudes cívicas,
comuns a militares e civis. Os “caxias” devem ser tanto paisanos como militares.
O caxiismo deveria ser aprendido tanto nas escolas civis quanto nas militares. É
o Brasil inteiro que precisa dele”.
Todos os dias, o exemplo patriótico de Caxias é repetido por milhões de
brasileiras e brasileiros, civis ou militares, de todas as raças, o que contribui para
a nossa pluralidade cultural e para o fortalecimento de nossa democracia.
Sigam o Velho Marechal aqueles que forem brasileiros!
Brasília, DF, 11 de março de 2019
CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO

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EXÉRCITO BRASILEIRO APOIA A ETIÓPIA NA CONDUÇÃO DE TREINAMENTO PARA OPERAÇÕES DE PAZ NA ÁFRICA

Etiópia (Àfrica) – O Centro de Treinamento de Apoio à Paz da República Democrática Federal da Etiópia (FDRE PSTC, sigla em inglês) foi criado em 2015 e, desde então, tornou-se um centro de excelência na preparação de militares, policiais militares e civis em prol das Operações de Paz no continente africano.

Nesse contexto, o Exército Brasileiro coopera com a Etiópia desde 2017, por meio de intercâmbio de conhecimentos e experiências relativos às Operações da Paz das Nações Unidas. Para tanto, o FDRE PSTC e o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) são reconhecidos, sob esse Convênio, como organizações especializadas na instrução, treinamento e pesquisa relacionadas às Missões de Paz.

No dia 4 de fevereiro do corrente ano, o Comandante do FDRE PSTC, General de Brigada Habtamu Tilahun, apresentou os cumprimentos de boas vindas ao instrutor brasileiro designado para o ano de 2019, o TC Fabio Rodrigo de Assis. Na ocasião, o Comandante do Centro agradeceu o apoio do Exército Brasileiro e ressaltou a necessidade de avançar no acordo firmado entre ambos os países.

Dentre as principais atribuições do Instrutor brasileiro no FDRE PSTC, cabe destacar: – conduzir cursos e desenvolver currículos nas lides da preparação para as Operações de Paz, seguindo a doutrina da ONU e da União Africana; – contribuir para a consolidação de lições aprendidas; – participar de pesquisas, seminários, atividades acadêmicas relacionadas com as Operações de Paz, a pedido do Centro; – colaborar para a implementação de novas oportunidades de cooperação na área de missões de paz, em ligação com o Adido Militar do Brasil na Etiópia.

Fonte: ADIEx – Etiópia

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Campanha de testes para homologação da nova aeronave militar desenvolvida pela EMBRAER, o KC-390

Rio de Janeiro (RJ) – O mês de janeiro marcou o início dos trabalhos da Operação Guarani 2019, como é chamada a campanha de testes para homologação da nova aeronave militar que está sendo desenvolvida pela EMBRAER, o KC-390.

  O Exército Brasileiro, por intermédiio da Brigada de Infantaria Paraquedista, participa ativamente dos testes da nova aeronave desde o início do projeto.

No dia 14 de janeiro, militares do Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimento pelo Ar (B DOMPSA) deslocaram-se para a guarnição de Campo Grande (MS), em que ficarão até o dia 25 de janeiro, realizando a montagem de cargas médias e pesadas para lançamento aéreo.

Essas cargas serão lançadas em voo do KC-390 a partir do dia 10 de fevereiro, dando, assim, o início dos testes de lançamento de cargas em voo da nova aeronave brasileira.

Fonte: EB verde Oliva

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Exército Brasileiro apoia, junto às demais Forças, as equipes de busca e salvamento na Região de Brumadinho

As Forças Armadas prosseguem atuando no transporte aéreo das diversas equipes de busca e salvamento dos órgãos do Governo de Minas Gerais. Também vêm sendo prestados assessoramentos em termos de comunicações satelitais e rastreamento, além da montagem e manutenção de instalações móveis para facilitar o trabalho de identificação dos corpos.

Além disso, desde a noite desse domingo, 27 de janeiro, o Comando Militar do Leste, por intermédio da 4ª Região Militar, sediada em Belo Horizonte (MG), vem prestando apoio logístico aos militares israelenses que chegaram à região para trabalhos de busca e salvamento. Esse apoio inclui:

– emprego de cinco helicópteros da Aviação do Exército, de modelos variados, para utilização pelas equipes de buscas;

– alojamento e alimentação para cerca de 130 pessoas;

– alojamento, alimentação e apoio veterinário para cães farejadores;

– transporte e acondicionamento de todo o equipamento (aproximadamente 16 toneladas), por meio da montagem de um depósito de campanha em Brumadinho;

– instalação de cozinha de campanha para a confecção de alimentação na área de Brumadinho;

– alojamento e alimentação aos intérpretes designados.

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De Clausewitz aos líderes atuais: o Brasil agradece

 

Em 1º de junho de 1780, na cidade alemã de Magdeburg, veio ao mundo o mais célebre teórico da guerra do mundo contemporâneo Von Clausewitz. Entre os acontecimentos mais importantes da época, um teve influência fulcral em sua vida e seu modo de pensar: o império de Napoleão Bonaparte. Não à toa, o estrategista prussiano carregou para si traços e características marcantes do imperador francês.

De origem humilde, filho de Tenente do Exército da Prússia, Clausewitz teve sua primeira experiência militar, em 1793, ainda adolescente. Em 1801, o jovem prussiano ingressou na Academia Militar de Berlim e obteve, ao final do curso em 1804, a primeira colocação geral. Entre as inúmeras funções exercidas, uma se destacou das demais: o cargo de Diretor da Academia Militar de Berlim, exercido entre 1818 e 1830. Nesse período, Clausewitz debruçou-se em reflexões sobre a essência do fenômeno da guerra, cujos resultados se materializaram na sua obra mais importante: Da Guerra. Vitimado pela cólera, faleceu em Breslau, em 16 de novembro de 1831, sem que houvesse concluído a redação de sua grande produção teórica. Quis o destino que sua esposa, Marie Von Bruhl Clausewitz, publicasse Da Guerra após sua morte, no ano de 1832.

Após a publicação, suas ideias ganharam força e impulso entre as mais variadas autoridades da Prússia. Pessoas como o general alemão Helmuth Von Moltkee e o Chanceler Otto Von Bismarck, principais articuladores da unificação alemã, incorporaram aspectos de sua teoria e os aplicaram na unificação alemã. No entanto, o pensamento de Clausewitz não se deteve ao momento histórico de sua produção. Seu alcance atravessou os anos e as fronteiras da Prússia. Da Guerra serviu de manual de políticas para algumas das potências mundiais no início do século XX, como a Alemanha e França. Na Guerra Fria, os postulados clausewitzianos influenciaram pensadores como Raymond Aron e André Beaufre. Não obstante, suas ideias cruzaram o Atlântico e alcançaram terras brasileiras, sendo consideradas por muitos, uma leitura obrigatória para todos os chefes militares.

Conforme descrito anteriormente, Clausewitz tinha apenas treze anos quando participou pela primeira vez de uma guerra. Nessa oportunidade, pôde testemunhar o caráter violento da batalha e presenciar cenas fortes que marcaram profundamente a personalidade e o pensamento do jovem militar prussiano, de tal forma que o fez estudar sobre a importância das forças morais num combate, as quais ficaram registradas em seu livro. Nesse tempo, os estrategistas não analisavam os efeitos psicológicos na guerra, pois eram considerações difíceis de serem estudadas, resumindo-se a tão somente compreender esse fenômeno sob uma lente mais voltada para as ciências exatas, algo mais tangível de ser estudado. Essa nova forma de pensar, dando importância e relevo para aspectos intangíveis em pleno século XIX, fez com que Clausewitz estabelecesse um rompimento conceitual com vários pensadores de sua época, pois não concordava com a ausência de elementos importantes que deveriam ser analisados na guerra: as forças morais e o aspecto psicológico.

Desde então, vários países reconheceram a relevância de valores como coragem, iniciativa e determinação numa guerra e se propuseram desenvolver tais atributos em suas Forças Armadas. Acompanhando essa tendência, o Exército Brasileiro, em 1967, acrescentou no currículo da Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN, de forma metodológica, os valores morais propostos por Clausewitz em seu livro Da Guerra. Desde sua origem até os dias atuais, o ensino militar vem se ajustando diante dos desafios contemporâneos, aprimorando e melhorando os processos voltados para o desenvolvimento de valores morais, considerados extremamente valiosos para a Instituição.

Levando-se em conta estas considerações, nota-se claramente a liderança exercida pelo General Villas Bôas. Sob o mantra da estabilidade, da legalidade e da legitimidade, o Comandante do Exército vem conduzindo habilmente os desígnios da Instituição, durante este conturbado período que o Brasil vem atravessando, direcionando a Força para o correto caminho a ser seguido e blindando-a de toda turbulência política.

Sua postura e atitude, nos momentos sensíveis, motivaram manifestações de respeito e admiração que extrapolaram os limites da Força, alcançando diversos setores da sociedade e sendo registradas em mídias sociais, jornais, revistas e programas de televisão. Superando o agravamento de seu estado de saúde, o General Villas Bôas vem revelando elevado sentimento do dever e imensurável devoção à Pátria.

Por fim, os ensinamentos de Clausewitz e as ações do General Villas Bôas devem servir de exemplos e estímulos à sociedade para que surjam líderes capazes de proporcionar o desenvolvimento social e econômico necessário, conduzindo o Brasil ao merecido local de destaque político-estratégico no cenário internacional.

Sobre o autor

Ano de Formação na AMAN: 1998 (Infantaria)

Curso Básico Paraquedista: 2002

Curso de Mestre de Salto: 2003

Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais: 2006

Curso de Comando e Estado-Maior do Exército: 2014 – 2015

Doutorando em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela ECEME (2014 – 2018)

Instrutor do Instituto Meira Mattos/ECEME: 2016 – 2017 – 2018

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Tecnologia e inteligência militar: prioridade e realidade

A tecnologia militar da atualidade muito nos deslumbra. Na era da chamada inteligência artificial, com drones de conduta quase autônoma, somos apresentados, a todo o momento, a mecanismos cada vez mais rápidos e eficientes, fruto de um processo de modernização contínua, que nos direciona a crer que a guerra será cada vez mais curta e limpa. Vemos uma oferta abundante de recursos tecnológicos, cada vez mais aperfeiçoados e diversificados, à disposição dos Exércitos que puderem dispor de orçamentos suficientes por parte de seus governos.

Porém, retratar essa realidade dinâmica e não menos volátil, a era da informação, que nos liga por um chip, pode oferecer uma visão supervalorizada sobre o real papel que a tecnologia cumpre na chamada Guerra Moderna. Por outro lado, desde que o homem, pelo uso da inteligência, sobrepujou aos demais animais na arena africana, descortina-se uma evolução gradativa da aplicação dessa capacidade na guerra desde tempos imemoriais. Trazendo esse atributo da intelectualidade para a resolução de questões ligadas a conflitos, dá-se a gênese da inteligência militar enquanto arma de guerra. Evidências arqueológicas, cada vez mais frequentes, apontam para o peso considerável do uso dessa arma nas vitórias dos hebreus em sua épica marcha rumo à Terra Prometida, quando da fuga do Egito. Cartago, Roma, Veneza, entre outros fariam corpo a essa tendência.

 Pois bem, tecnologia ou inteligência militar? Força e ferramentas para lutar ou o conhecimento do inimigo? Analisando de forma bem genérica esses dois eixos evolutivos de componentes distintos e essenciais da guerra, tecnologia e inteligência, e trazendo esse debate mais para nosso tempo, podemos estabelecer uma provocação: existe dissonância entre capacidade tecnológica e emprego de inteligência militar, particularmente nos conflitos armados dos últimos 150 anos? E caso possamos dizer que sim, qual deve ser o peso desse descompasso no resultado das últimas guerras, especialmente na expectativa que se constrói quando uma força militar com vantajosa tecnologia é empregada em campanha?

Quem se debruçar a analisar superficialmente os conflitos bélicos desde que essa onda modernizadora (mais especificamente desde o fim do século XIX) começou a se refletir nos Teatros de Operações, pode se surpreender com um panorama ainda pouco animador no que se refere à relação entre força mais tecnológica e vitória no combate. Nesse decurso temporal moderno, ao invés de conflitos rápidos e limpos, com ataques coordenados e exposição cada vez menor de homens reais ao fogo inimigo, temos uma grande incidência de atoleiros táticos inesperados com grandes morticínios. O cheiro de “sangue e pólvora”, uma das experiências sensitivas mais dramáticas da história humana, continua presente em todos os conflitos armados deflagrados pelo mundo.

A empreitada norte-americana no Iraque, intensificada em 2003 e prolongada por oito anos, é uma das mais recentes faces dessa realidade. Há de se anotar aqui, também, a invasão russa no Afeganistão (prologada por mais de oito anos) e a não menos fatídica ação bélica encabeçada pelos EUA no Vietnã (estendida duramente por mais de 10 anos). É evidente que tais conflitos não espelharam a clássica simetria da guerra regular, uma vez que tanto estadunidenses quanto russos (ficando aqui nos dois paladinos mestres) lutaram contra combatentes irregulares, quer sejam islâmico radical quer sejam mujahidins afegãos ou guerrilheiros comunistas norte-vietnamitas. Ainda assim, não é notável que a disparidade entre o poder tecnológico de um contra o “amadorismo” do outro lado não tenha sido decisivo para abreviar as campanhas?

 Mesmo que consideremos fatores mais complexos que possam explicar, por exemplo, as causas da demora extenuante na consecução dos mínimos objetivos norte-americanos no Iraque, como a incapacidade de estabelecer alianças fiéis com uma população tão alheia aos valores ocidentais, ainda assim a lógica não apontaria dificuldades muito menores a serem enfrentadas? Abre-se uma possibilidade para se especular o peso de erros analíticos crassos a justificar tais resultados práticos inesperados.

A história das guerras no período pós-Segunda Revolução Industrial sinalizou de forma quase inconteste que a prevalência da tecnologia seria a tônica da guerra moderna. Em todos os conflitos que opuseram partes tecnologicamente desproporcionais, os resultados foram expressivos. Foi o que John Keegan chamou de “modo de guerrear ocidental”. Desde as operações navais franco-britânicas nas chamadas Guerras do Ópio (1839 e 1856), com uma potência mundial sobrepujando uma China ainda aprisionada em sua cultura, passando pelas operações navais e terrestres dos norte-americanos contra as possessões coloniais espanholas (Guerra Hispano-americana) no Caribe e Filipinas, na avassaladora derrota imposta por Israel às forças árabes lideradas pelo Egito e pela Síria (Guerra do Yom Kippur, em 1973) ou mesmo a breve e desastrosa aventura argentina no Atlântico Sul, resolvida pela Armada Britânica em poucas jornadas (Guerra das Malvinas, 1982).

É inegável que tais exemplos, a despeito da complexidade inerente a cada conflito (causas politicas, situação operacional de cada lado beligerante, motivação estratégica, etc), reforçaram o peso da tecnologia como componente indispensável a ser usado na prática da guerra em si. Até mesmo se avançássemos o sinal e nos aventurássemos a citar a hecatombe bélica da Segunda Guerra Mundial, grosso modo, também poderíamos concluir ter sido decidida por fatores tecnológicos relevantes. Ali também, e sobremaneira, poderíamos colher exemplos estruturalmente táticos que reforçam esta questão de modo mais amplo: o valor do uso eficiente da inteligência militar (ficando aqui apenas nos momentos capitais, quer seja no planejamento e execução da invasão da Europa pela Normandia, quer seja na genial decodificação do código alemão do “enigma”) e o preço que se pagou quando se negligenciou a ela (citando a aposta alemã na abertura de duas frentes, ocidental e oriental, num crasso erro analítico conjectural, e a opção americana em desconsiderar os alertas de iminente ataque japonês no pacífico, numa demonstração excepcional de negligência preventiva).

Os conflitos exemplificados anteriormente nos levam a duas constatações: de um lado a primazia da tecnologia, de outro a dúvida sobre o quanto de aparato de inteligência militar foi empregado e qual o peso disso no seu desenrolar. Não iremos avançar ao campo da geopolítica, mas podemos questionar se o uso da inteligência militar tanto na fase preparatória quanto durante a consecução dos conflitos não foi, por diversas vezes, fatalmente negligenciado.

Em 2017, os gastos militares globais atingiram seu maior número desde o fim da Guerra Fria, em 1989. Mensurar o quanto desse montante efetivamente foi empregado em ações de inteligência militar não é nosso propósito, mas cabe deixar essa dúvida como estímulo ao leitor. Os Exércitos da atualidade certamente têm (e assim será por longo tempo) como modelo inspirador as tendências de emprego de tecnologia militar do exército norte-americano, logicamente que adaptando seus respectivos orçamentos a suas necessidades táticas e situação geopolítica. Essa hegemonia referencial norte-americana se explica facilmente pelo seu histórico de protagonismo, quer seja nas duas guerras mundiais do século XX, quer seja pela vitória após quase meio século de guerra fria com a Rússia.

 Mas, mesmo numa nação em que os gastos militares acabam sendo vitais para sua própria sobrevivência enquanto potência hegemônica, como no caso dos Estados Unidos, existe proporcionalidade tática entre investimento em tecnologia e uso de inteligência militar? Seria possível estabelecer um lugar mensurável na parcela de investimento dos Exércitos modernos (esses mesmos que miram no modelo estadunidense) em inteligência militar frente ao custo tecnológico? Ficou disposta aqui a constatação de que a qualidade do material militar de que um exército dispõe não lhe garante a capacidade de melhor usá-lo, nem a certeza do melhor momento e das formas mais adequadas de emprego (isso sem falar da melhor das possibilidades, que é aquela em que se consegue antecipar ações que evitem até mesmo a necessidade de seu uso, poupando vidas e recursos essenciais).

Da História Militar brevemente visitada aqui, podemos colher insights que nos estimulem a valorizar o aperfeiçoamento tecnológico desde que lastreado por um proporcional e crescente esforço de criação de uma mentalidade de inteligência militar, permeada por medidas de segurança orgânica e disciplina institucional militar no que se refere ao uso constante da contrainteligência.

De forma geral, inteligência militar ainda se constitui num assunto mais privado, relegado aos bastidores governamentais e, muitas vezes, a planos menos prioritários. Tomado muitas vezes das referências saídas das páginas da história de países não muito bem servidos de instituições bem consolidadas, e estigmatizados como clandestino e oculto, o trabalho de inteligência sofre constantemente de certa desconfiança, tanto da parte dos contribuintes quanto dos governos para os quais lhe é servido. Certo é que, amado ou odiado, o serviço de inteligência que também é uma peça militar fundamental, deve ser entendido como necessário, assim como a diplomacia e as demais formas de relações internacionais. E, a despeito da necessidade de atualização tecnológica de suas Forças Armadas, também deve ser encarado como parte fundamental de seu constante e permanente esforço de garantia da soberania nacional e sua integridade territorial.

 

Fonte: Eblog

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Forças Armadas – integração com a Nação brasileira

Ten Cel  Maurício Aparecido França

As Forças Armadas são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República. Suas missões são definidas pela Constituição Federal de 1988 – Constituição Cidadã –, cujas principais vertentes são: “defesa da pátria”, missão tradicional de toda Força Armada; “garantia da lei e da ordem” (GLO), observada nos momentos de grave comprometimento da ordem pública; e “garantia dos poderes constitucionais”, ponto polêmico na atualidade.

A Lei Magna em vigor, sétima da história do Brasil, foi promulgada em 1988, pelo Congresso Constituinte, composto por 487 deputados e 72 senadores que,     em clima de comoção e otimismo, concluíram o texto que asseguraria as garantias individuais. Assim, há que se ressaltar que a relação entre as Forças Armadas e os poderes constitucionais é legítima e legal.

As duas primeiras tarefas – defesa da pátria e garantia da lei e da ordem – são de fácil compreensão. A maioria dos cidadãos não encontra dificuldades em entender, de modo objetivo, as situações que podem levar ao emprego das Forças Armadas nesses casos. No entanto, muito se pergunta o que seria a garantia dos poderes constitucionais, especialmente nos momentos de crise política.

O Manual de Fundamentos “O Exército Brasileiro” esclarece a visão da Força sobre o assunto: “Significa a preservação da existência e, principalmente, do livre exercício dos Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário), de forma independente e harmônica, no quadro de um Estado Democrático de Direito.” (EME, 2014, p. 3-4).

Quanto à “preservação da existência dos poderes”, imagina-se que seja simples identificar uma quebra da normalidade. Já em relação ao “livre exercício de forma independente e harmônica”, a identificação parece ser mais complicada. É justamente nesse ponto que reside a inquietude de alguns segmentos da sociedade, que desconhecem essa visão da Força Terrestre.

Sejam os que pedem a intervenção militar, sejam os que querem os militares fechados na caserna, todos se mostram equivocados. No primeiro caso, o Exército não tem obrigação de resolver casos de corrupção, problema de responsabilidade de toda a sociedade. No segundo, os integrantes das Forças devem, sim, ser cidadãos politizados e conhecedores das questões nacionais.

A essa perspectiva difusa, o Comandante do Exército Brasileiro, General Villas Bôas, acrescentou um terceiro aspecto entre a legalidade e a legitimidade: a estabilidade. Em várias oportunidades, ele ressaltou que todas as ações da Força são baseadas nessa tríade. Tal visão estabilizadora pode ser encontrada, também, no mesmo Manual de Fundamentos que enuncia a missão do Exército para o público interno: “contribuir para a garantia da soberania nacional, dos poderes constitucionais, da lei e da ordem, salvaguardando os interesses nacionais, e cooperando com o desenvolvimento nacional e o bem-estar social”. (Idem, p. 3-3).

Ao afirmar que a missão do Exército é “contribuir”, fica evidente a existência de um conjunto de aspectos e atores com os quais a Força deseja atuar, para construir a Nação que o povo brasileiro merece. Essa edificação passa, necessariamente, pelas eleições de 2018, que certamente compõem o caminho para a solução da crise política que assola o Brasil. A população é responsável por eleger aqueles que conduzem os destinos políticos do País. A sociedade não precisa ser tutelada, mas necessita saber votar. Não há solução em armas para a questão.

O desafio para o eleitor, militar ou civil, é escolher seus representantes em meio a um emaranhado de siglas dos mais de trinta partidos, muitos dos quais desprovidos de orientação política consistente. Sem mencionar as alianças entre eles, que mais parecem um mercado negro, no qual se troca apoio por participação no governo.

 Não se pode antecipar o futuro ao visualizar a participação das Forças Armadas na continuidade dos três poderes e em sua garantia. Qual seria o cenário capaz de desencadear ações desse gênero? Qual seria o estopim?

Amparadas na Constituição Federal, as Forças acompanham, atentamente, a conjuntura, buscando colaborar com a paz social e a estabilidade do Brasil:

O EB participou, participa e continuará participando ativamente de todos os episódios decisivos de nossa historia, tendo a integração, o bem-estar, a dignidade e a grandeza da Pátria sempre a nortear sua presença na vida nacional. Instituição aberta a todos os segmentos étnicos e religiosos e a todas as classes sociais, reflete em seu seio as aspirações nacionais e a elas é sensível, o que se traduz numa perfeita integração com a nação brasileira. (Idem, p. 3-9).

Os militares estão sempre atentos às suas atribuições constitucionais e, quer seja controverso, quer não, as Forças Armadas surgem como espécie de “guardiãs dos poderes constitucionais”.  Nessa direção e sem buscar protagonismo no cenário nacional, vale lembrar as palavras do General Villas Bôas, em seu Twitter: “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.