Categories
Geopolítica História

Tensão em Honduras:Presidente de Honduras é detido e exilado pelo Exército

O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi detido neste domingo pelo Exército do país antes da realização de um polêmico referendo.

Ele foi levado por dezenas de soldados a uma base aérea próxima à residência presidencial e enviado para a Costa Rica.

Zelaya havia prometido realizar uma consulta popular para decidir se a Constituição podia ser alterada, o que poderia permitir a reeleição presidencial.

O plano do presidente foi considerado ilegal pelo Congresso e pela Justiça do país e enfrentava a oposição também do Exército, o que gerou uma crise no país.

Em entrevista à TV venezuelana já em território costarriquenho, Zelaya disse que não quer se exilar e que foi forçado a deixar seu país no que considerou um “sequestro”.

“Estou em San José, na Costa Rica”, disse ele. “Fui vítima de um sequestro por um grupo de soldados hondurenhos.”

“Esse foi um plano de uma elite muito voraz, uma elite que quer somente manter este país isolado, num nível de extrema pobreza. Ela não quer saber da população, não é sensível a ela”, afirmou.

Centenas de manifestantes se juntaram nas ruas da capital de Honduras, Tegucigalpa, para protestar contra a detenção de Zelaya. Soldados dispararam bombas de gás lacrimogêneo para tentar dispersar a multidão.

Reação

Em uma reunião de emergência em Washington, a Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o que chamou de “golpe de Estado” em Honduras.

A OEA se havia dito preocupada com as consequências que um enfrentamento entre os diferentes poderes poderia ter sobre “o processo político institucional democrático e o exercício legítimo do poder”.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu a Honduras que “respeite as normas democráticas e o Estado de direito”. A prisão de Zelaya também foi condenada pela União Européia.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aliado político de Zelaya, acusou o “império ianque” pela derrubada do presidente hondurenho.

Em uma nota divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro disse “condenar de forma veemente a ação militar” que tirou Zelaya do poder e o levou para fora do país.

A nota diz que “ações militares desse tipo configuram atentado à democracia e não condizem com o desenvolvimento político da região” e pede que Zelaya seja reposto “incondicionalmente” em seu posto.

Instabilidade

No sábado, Zelaya havia ignorado uma decisão da Suprema Corte para devolver o cargo ao chefe do Exército, general Romeo Vasquez, que foi demitido após se negar a ajudar na preparação do referendo.

“Nós não vamos obedecer a Suprema Corte”, disse o presidente a uma multidão de simpatizantes em frente à sede do governo. “A corte, que apenas faz justiça aos poderosos, ricos e banqueiros, só causa problemas para a democracia.”

Zelaya foi eleito em 2006 e, sob a atual Constituição hondurenha, não poderia disputar a reeleição.

O presidente disse que não tinha a intenção de concorrer novamente ao cargo, mas que queria apenas que presidentes futuros tivessem essa chance.

Ele queria realizar uma consulta popular para decidir se uma Assembleia Constituinte deveria ser convocada para fazer mudanças constitucionais junto com as eleições, marcadas para novembro.

Na terça-feira, o Congresso aprovou uma lei que proíbe a realização de referendos ou plebiscitos 180 dias antes ou depois de eleições gerais, o que impossibilitava os planos do presidente.

Em seguida, o chefe do Exército disse que não ajudaria na organização do referendo para não desrespeitar a lei.

Líderes militares se recusaram a entregar urnas para a votação, uma decisão que levou à demissão do general Vasquez e à renúncia do ministro da Defesa, Edmundo Orellana.

Os chefes da Marinha e da Aeronáutica também renunciaram em protesto.

Na quinta-feira, o presidente e seus simpatizantes entraram em uma base militar e retiraram as urnas que estavam guardadas lá.

O Exército, por sua vez, colocou centenas de soldados nas ruas da capital, dizendo que queria prevenir que os aliados do presidente causem confusão.

Fonte: BBC Brasil

Categories
História

26 de Junho: DIA DA AVIAÇÃO DE BUSCA E RESGATE

 

DIA DA AVIAÇÃO DE BUSCA E RESGATETen Brig Ar JOÃO MANOEL SANDIM DE REZENDE
Comandante-Geral de Operações Aéreas

26 JUN 2009

ORDEM DO DIA

Para que outros possam viver! Um lema sublime que encerra muito altruísmo e muito idealismo, atributos encontrados em pessoas especiais que são capazes de dar suas vidas para que outras não percam as suas próprias. E por que fazem isso?

De fato, muitas páginas de heroísmo estão escritas na história do Serviço de Busca e Resgate da Força Aérea Brasileira, algumas conhecidas pela opinião pública e outras nem tanto, guardadas no anonimato de cada Unidade Aérea ou Aeroterrestre que protagonizou esse ou aquele feito, trazendo conforto a um sobrevivente de catástrofe, acidente aéreo, ou infortúnio de saúde.

Ainda que passem décadas e que as manchetes dos jornais deixem de destacar, aqueles que vivenciaram a adversidade e o medo guardam, no recôndito mais profundo de seus corações, a gratidão aos que labutam no SAR.

E foi com esse pensamento altruísta, imaginando como estender a mão a tantos brasileiros isolados nas fronteiras do nosso país gigante que o então Tenente Sena, Especialista em Controle de Tráfego Aéreo, no ano de 1947, logrou assessorar as autoridades da época para que se preparasse um Catalina, aeronave anfíbia que integrava a Amazônia, para atuar exclusivamente em missão de “Busca e Salvamento”. E o CA-10 de matrícula FAB 6510 foi então pintado de branco e laranja, iniciando assim uma trajetória que, aos poucos foi crescendo em meios e importância, afinal uma vida não tem preço e tudo deve ser feito para salvá-la.

Vieram, então, os SA-16 Albatroz, poderosas aeronaves anfíbias que pertenciam ao Segundo do Décimo Grupo de Aviação, Unidade Aérea dedicada exclusivamente à Tarefa de Busca e Resgate na FAB, e que possuía ainda os primeiros helicópteros da Força, os H-19, carinhosamente apelidados de “A Vaca” mercê de sua peculiar silhueta. Assim as aeronaves de asas rotativas impunham-se como fundamentais para o cumprimento da missão.

E, de fato, nos idos de 26 de junho de 1967, exatamente há 42 anos, houve um acidente com o C-47 2068 que transportava um Pelotão de Infantaria da Aeronáutica para Cachimbo, à época um rincão perdido no interior do Estado do Pará, onde uma revolta de índios comprometia a integridade do efetivo do Destacamento de Aeronáutica e da pista de pouso existente naquela localidade.

No entanto, uma falha fatal do sistema de navegação, associada à cumplicidade da noite, levaram o FAB 2068 inadvertidamente para o oeste, tendo-se precipitado na selva imensa e traiçoeira, nas cercanias de Tefé, sendo encontrado pela persistência de um Homem SAR que, inconformado com o insucesso da Busca, partiu para a deambulação. A busca daí decorrente foi a maior até então realizada pelo Sistema SAR Brasileiro, pois mais de 1.000 horas foram voadas por um número superior a trinta aeronaves.

Ademais, o SH-1D que chegava ao Brasil no momento do encontro dos destroços, foi empregado de maneira pioneira para resgatar os sobreviventes e proporcionar-lhes a alegria do reencontro com seus entes queridos, firmou-se como meio essencial para esse tipo de missão.

Hoje a Tarefa de Busca e Resgate vem modernizando-se e especializando-se. As missões humanitárias proporcionam a alegria do reencontro a tantas vítimas de catástrofes naturais no Brasil e no exterior, auxiliando irmãos compatriotas e de nações amigas que se encontrem em dificuldades.

Vimos isto acontecer no Estado de Santa Catarina, em passado recente, quando uma tragédia comoveu o país e o mundo. E nós, homens do SAR, estávamos lá para proporcionar amparo e conforto a tantos desabrigados pela natureza.
Vimos isto no vizinho e irmão país da Bolívia, onde um imenso número de habitantes foi vitimado pela inundação ocorrida. E os homens SAR do Brasil lá estavam para ajudar.

Vimos isto, recentemente, nos Estados do Maranhão e do Piauí e nós lá estávamos para amparar a tantos irmãos transportando-os para abrigos, locais seguros, saciando a fome que os assolavam, reunindo famílias, curando feridas, levando esperança!

Estamos envolvidos em resgatar vítimas e destroços do vôo AIR FRANCE 447, precipitado nas águas do imenso Oceano Atlântico, lá no limite da área de responsabilidade brasileira de prestar o Serviço SAR, há 500 milhas Náuticas, equivalentes a 930 quilômetros da costa brasileira, com meios modernos como o SC-105 AMAZONAS, recém chegado e incorporado à FAB e já provado e aprovado em operação.

Helicópteros de aquisição recente como o H-60 Black Hawk, e o cansado H-34 Super Puma vem sendo empregados com sucesso.

Aeronaves nacionais com equipamentos modernos como o R-99 foram requisitadas pelo Centro de Coordenação de Busca, e sua participação foi decisiva para determinar o local a concentrar esforços de busca.

Aeronaves de longo alcance como os velhos C-130 fizeram parte desta operação desde a primeira hora.

As buscas seguem enquanto estamos aqui rememorando fatos e feitos que glorificam e bem demonstram a importância do serviço de Busca e Salvamento da FAB, em qualquer período e em qualquer tempo, durante os 365 dias do ano, ano após ano, sempre.

Respondemos ao mundo que somos capazes de cumprir nossos acordos na imensa área de vinte e dois milhões de quilômetros quadrados, qual seja, resgatar vítimas de acidentes aéreos ou marítimos.

Sonhamos, porque não dizer, com um helicóptero de alcance estratégico que possa alcançar os limites da área de responsabilidade SAR do Brasil. Desejamos que este sonho se realize em breve, à luz do Plano de Reestruturação da FAB.

Assim, parabenizamos hoje, plenos de júbilo, a todos aqueles que de maneira abnegada fazem esta nobre aviação e que, com dedicação e trabalho conjunto, mantém em patamar elevado o desempenho da importante e complexa missão que lhes é confiada, ao tempo em que pergunto: o que leva um homem da FAB a pertencer ao Serviço de Busca e Resgate?

Senhores Falcões, Potis, Pumas, Panteras, Harpias, Gaviões, Pastores e Pelicanos. Orungans, Phoenix, Netunos e Cardeais. Gordos, Cascavéis e Corais… Pilotos, mecânicos, operadores de equipamentos, “resgateiros”, radiotelegrafistas, observadores… Neste dia de festa para a Força Aérea, esperamos que em cada um dos senhores fique a certeza que salvar vidas é um desafio, onde o fazer não é um mero exercício intelectual, tampouco uma atividade individualista, mas sim a expressão de uma equipe que trabalha em prol de vidas que podem ser salvas.

Aqui, senhores, encontramos a resposta do que leva alguém a ser da Busca e Resgate: é o semblante de alívio de quem é encontrado e, imerso em lágrimas, nos faz reviver a frase dita por um dos sobreviventes do FAB 2068: “EU SABIA QUE VOCÊS VIRIAM!”.

Este sentimento, sim, é a maior recompensa para todos aqueles que labutam PARA QUE OUTROS POSSAM VIVER!!!

 

Fonte: Força Aérea Brasileira

Categories
Geopolítica História

Israel quer diálogo com Brasil sobre Irã, diz embaixador

 

A preocupação do governo de Israel com o regime iraniano deve ser um dos temas do encontro entre o chanceler Celso Amorim e seu colega israelense, Avigdor Lieberman, que tem visita prevista ao Brasil para o dia 22 de julho. Segundo o embaixador de Israel no Brasil, Giora Becher, seu governo quer “ampliar o diálogo” com o Brasil. “Infelizmente a questão iraniana é de extrema importância para nós”, disse Becher.

Em entrevista à BBC Brasil, o embaixador disse não concordar com a proposta do governo brasileiro de que a aproximação com o Irã é melhor do que o isolamento ao país. “Apenas a pressão política e econômica é capaz de mudar o curso dos acontecimentos no Irã”, diz Becher.

Segundo ele, Brasil e Israel “têm ótimas relações, mas isso não significa que precisem concordar em tudo”.

 

Clique aqui para ler os trechos da entrevista do embaixador Giora Becher.

Fonte: Último Segundo

Categories
Geopolítica História

De país ‘do futuro’, Brasil se tornou ‘país do presente’, diz editor da ‘Economist’

http://www.forte.jor.br/wp-content/uploads/2009/06/o-continente-esquecido.jpg

Michael Reid lançou no país livro sobre a AL. Para jornalista, país ganhou reconhecimento em comércio e diplomacia

Autor do recém-lançado “O continente esquecido – a batalha pela alma latino-americana” (Editora Campus/Elsevier, R$ 92), o jornalista

Michael Reid, editor para as Américas da revista britânica “The Economist”, percebe uma clara mudança da imagem do país no cenário mundial.

“O Brasil deixou finalmente de ser o país do futuro para ser o país do presente, fazendo frente às expectativas”, afirmou, em entrevista ao G1, por telefone, desde Londres.

Reid, que cobre assuntos relacionados à América Latina há mais de duas décadas e morou em São Paulo por três anos, nos anos 90, afirma que o governo Lula tem se mostrando “mais assertivo internacionalmente”.

Para ele, o Brasil tem sido reconhecido em áreas como comércio e diplomacia, ganhando contenciosos na Organização Mundial do Comércio (OMC) e exigindo mais espaço em organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e em agências da Organização das Nações Unidas (ONU).

O editor da “The Economist” diz também que, embora a sigla BRIC (grupo de países emergentes que reúne Brasil, China, Índia e Rússia) tenha elementos de uma ferramenta de marketing, o país se tornou um mercado cada vez mais importante para diversas nações. Além disso, ao longo dos próximos 20 anos, diz ele, o Brasil terá papel importante dentro da economia mundial.

Efeito Chávez

Apesar de o Brasil ter se tornado mais importante economicamente nos últimos anos, o especialista em América Latina diz que, na hora de fazer “barulho” no cenário internacional, o personagem principal da região é o venezuelano Hugo Chávez, e não o brasileiro Lula.

Um dos argumentos do livro, aliás, é justamente esse: Chávez não representa as mudanças mais importantes que ocorreram recentemente na América Latina.

“Há uma mudança (mais) importante, que é a a gradual emergência e consolidação de democracias estáveis e economias de mercado”, diz Michael Reid, citando os exemplos de Brasil, Chile, México e Colômbia.

A associação entre Chávez e a América Latina é tanta que, inicialmente, o editor do livro do jornalista na América do Norte queria que o líder venezuelano tomasse a capa de “O continente esquecido”.

Depois de alguma negociação, o jornalista conseguiu um compromisso: na edição em inglês, o livro traz uma fotografia dos edifícios de São Paulo em contraponto com a imagem de Hugo Chávez discursando em uma favela.

Na edição brasileira, a referência a Chávez desapareceu: a capa é dividida entre edifícios modernos de uma grande metrópole e as favelas ainda muito comuns nos países latino-americanos.

Brasil e Venezuela

No que diz respeito à Venezuela, o jornalista diz que o Brasil terá que, no curto prazo, tomar uma decisão sobre a natureza de sua relação com o país. “Chávez tem um projeto de longo prazo e existe um risco real de que o país deixe de ser uma democracia”, ressaltou Reid.

Ele lembra que, ao contrário de seus aliados mais próximos – como o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa – Chávez tem formação militar, o que pode ser considerado como uma ameaça extra aos direitos dos cidadãos. “Acho que a administração Lula tem se iludido sobre Chávez.”

O editor da “The Economist” também ressaltou também que as economias de mercado latino-americanas se adiantaram à crise mundial, implantando maior regulação em suas instituições financeiras.

A medida, antes criticada, virou regra nos países desenvolvidos depois que muitos bancos fizeram empréstimos sem lastro financeiro para uma eventual onda de inadimplência. “A regulação nos sistema financeiro é atualmente o novo consenso.”

Argentina

Entre outros “estudos de caso” da América Latina, Michael Reid cita a Argentina e o México. A economia argentina sofre, segundo ele, de uma histórica descontinuidade. Além disso, o país, de tempos em tempos, flerta “perigosamente” com o populismo. Isso faz com que o desenvolvimento da Argentina venha em ondas: expansões seguidas de períodos difíceis.

Neste momento de crise, o país enfrenta mais uma encruzilhada, pois, segundo ele, não fez o dever de casa para se proteger de um período de vacas magras.

“Depois do colapso da economia, (…) a Argentina enfrenta um novo período difícil”, ressaltou o jornalista, lembrando que o país não mexeu nas políticas fiscal e tributária e negligenciou a educação durante o curto período de expansão dos últimos anos.

México

No caso do México, Reid diz que a forte dependência dos Estados Unidos e a manutenção de monopólios pouco eficientes – como a Pemex, descrita por ele como “bem menos eficiente que a Petrobras” – impedem que o país aproveite melhor as reformas já feitas em seu mercado.

“Esses monopólios levam à falta de competição e inovação”, diz o jornalista. O país que deve ter uma forte recessão neste ano, com retração de 3,7%, segundo o FMI. Para o ano que vem, a economia mexicana deve voltar a crescer, com expansão prevista de 1%.

Entretanto, ele diz que o México está bem equipado para uma eventual retomada da atividade econômica, beneficiando-se naturalmente de uma recuperação mais rápida dos Estados Unidos.

“(O país) tem um formato econômico forte, regras claras para a economia e suas instituições vão muito bem, embora mais reformas estruturais sejam necessárias.”

Matéria sujerida pelo leitor H.M.Pinto

Fonte: Poder Terrestre

Categories
Geopolítica História

Os países latino-americanos encorajaram o Reino Unido a retomar as negociações bilaterais com a Argentina sobre o futuro das ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos), durante reunião do Comitê de Descolonização, concluída nesta sexta-feira na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.

Localizadas a 400 milhas marítimas (740 km) do território argentino, as ilhas foram ocupadas pelos britânicos em 1833 e, por sua posse, Argentina e Reino Unido travaram uma guerra em 1982, na qual os argentinos foram derrotados.

“A chamada ao reatamento das negociações para solucionar pacificamente a questão das ilhas Malvinas é partilhado por várias organizações e foros regionais” da América Latina e do Caribe, destacou hoje a embaixadora do Brasil, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

O Comitê de Descolonização aprovou uma resolução apresentada pelo Chile, com o respaldo da Bolívia, Cuba, Equador, Venezuela, Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia e Peru, pedindo o reatamento das negociações sobre a soberania desse território.

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Taiana, participou na quinta-feira das reuniões do Comitê, diante do qual expressou o caráter “permanente e irrenunciável” de seu país na reivindicação da recuperação da soberania sobre as ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.

Taiana se reuniu também com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e com o presidente da Assembleia Geral, Miguel D’Decoto.

O chanceler argentino reiterou a Ban o pedido das autoridades de Buenos Aires para que o principal responsável da ONU “realize uma gestão de bons trabalhos”, que permita “que o Reino Unido cumpra as resoluções da ONU”, explicou Argüello.

Buenos Aires considera que Londres descumpriu sucessivamente as resoluções que a Assembleia e o Conselho, principal órgão de decisões do organismo internacional, emitiu sobre o assunto, para que as negociações fossem retomadas com o objetivo de resolver um problema que já dura várias décadas.

“É estranho que um país peça que outro país importante, membro permanente do Conselho de Segurança, cumpra as resoluções da organização. Mas a realidade é que a Grã-Bretanha descumpre as resoluções da ONU desde 1965″, acrescentou o embaixador argentino.

No total, 255 soldados britânicos e 655 argentinos morreram na Guerra das Malvinas, que durou 74 dias. A iniciativa da Argentina de atacar as ilhas foi vista como uma manobra ditadura militar do país de se fortalecer, mas a derrota enfraqueceu o regime e colaborou para acelerar o processo de redemocratização.

Fonte: Poder Naval

Categories
História

Homem mais velho do mundo é um veterano da Primeira Guerra Mundial

Henry Allingham estava no1º esquadrão da RAF, a força aérea britânica.
Ele credita sua longevidade a ‘cigarros, uísque e mulheres fogosas’.

Henry Allingham, veterano da Primeira Guerra Mundial e considerado o homem mais velho do Reino Unido, completa 112 anos nesta sexta-feira (6).

Allingham, que viveu em três séculos, sob seis monarcas e 21 premiês, resume sua fórmula de longevidade em três itens: “cigarros, uísque e mulheres fogosas”.

O veterano nasceu em Londres em 1896, quando ainda reinava a rainha Vitória. Ele participou das batalhas de  Yopres e Jutlândia e fez parte do primeiro esquadrão da RAF, a força aérea britânica, da qual é o único membro ainda vivo.

A comemoração de seu aniversário vai ter vôos comemorativos no “Royal Air Force College” de Cranwell, em Lincolnshire.

Fonte: G1

Categories
Geopolítica História

BRIC: Surgimento de uma nova Ordem Mundial?

Artigo do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para os jornais Valor Econômico (Brasil), Kommersant (Rússia), The Hindu (Índia), The Hindustan (Índia), The Global Times (China) e El País (Espanha)


A cidade de Ecaterimburgo, na Rússia, recebe hoje os líderes de Brasil, Rússia, Índia e China – os chamados BRICs –, que realizam seu primeiro encontro.
Essa reunião celebra mais que apenas a primeira cúpula dos BRICs. Ela marca uma profunda mudança na maneira pela qual nossos países se engajam em um mundo que experimenta profundas mudanças. Em Ecaterimburgo, selaremos um compromisso que objetiva trazer novas respostas a velhos problemas e oferecer uma liderança corajosa para enfrentarmos a inércia e a indecisão.
Afinal, o mundo enfrenta hoje desafios de grande complexidade, mas que exigem respostas urgentes. Estamos diante de ameaças que nos afetam a todos – para as quais alguns muito contribuíram, enquanto outros se vêem na posição de vítimas inocentes de suas conseqüências.
Mas vivemos entre paradigmas superados e instituições multilaterais desacreditadas. A atual crise econômica apenas aumenta um sentimento crescente de perplexidade e impotência diante da mudança do clima e do risco de escassez mundial de alimentos e energia. Claramente, a sociedade moderna precisa repensar um sistema que, de forma acintosa, fomenta o desperdício dos recursos naturais e finitos da Terra, ao mesmo tempo que condena bilhões de pessoas à pobreza e ao desespero.
Essa é a razão pela qual, na Assembléia Geral das Nações Unidas, em 2008, eu afirmei que “é a hora da política”. Chegou a hora de fazermos escolhas difíceis e de enfrentarmos responsabilidades coletivas.

Estarão os países ricos dispostos a aceitar supervisão supra-nacional e o controle do sistema financeiro internacional, de maneira a evitar o risco de outra crise econômica?
Estarão dispostos a ceder seu controle sobre as tomadas de decisão no Banco Mundial e no FMI?
Concordarão em cobrir os custos da adaptação tecnológica para que as pessoas nos países em desenvolvimento possam se beneficiar dos progressos científicos sem ameaçar o meio ambiente global?
Eliminarão os subsídios protecionistas que tornam inviável a agricultura moderna em muitos países em desenvolvimento, ao deixar agricultores pobres à mercê de especuladores e doadores generosos?
Essas são as questões que os BRICs querem ver respondidas.
É por isso que cobramos, durante a recente reunião do G20, em Londres, que os países desenvolvidos comprometam-se com a reforma do sistema de votação e de cotas das instituições do sistema de Bretton Woods. Apenas assim, a voz dos países em desenvolvimento será ouvida. Obtivemos também um compromisso de que será estabelecido um fundo que proverá apoio financeiro eficiente e rápido – livre de dogmas neoliberais – a países afetados por uma repentina queda em suas exportações ou pelo encolhimento do crédito.
Esse é apenas o primeiro passo de uma revisão nos fundamentos das políticas que gostaríamos de ver avançar na próxima reunião do G20. Faremos todos os esforços para levar a Rodada de Desenvolvimento de Doha a uma conclusão rápida e equilibrada.
É igualmente urgente renovar as Nações Unidas, se queremos que as instituições multilaterais recuperem relevância. Postergar reformas, especialmente a do Conselho de Segurança, apenas servirá para erodir ainda mais a autoridade das instituições internacionais.Em 2004, patrocinei o Plano de Ação contra a Fome da ONU. Fiquei contente ao saber que a segurança alimentar estará na agenda de Ecaterimburgo.

Essas iniciativas demonstram que os BRICs são mais que um grupo de países grandes, unidos apenas pelo tamanho de suas economias, vastidão de seus recursos naturais e vontade de projetar seus valores e interesses.
Nós nos destacamos nos últimos anos porque nossas quatro economias têm mostrado crescimento robusto. O comércio entre nós cresceu 500% desde 2003. Isso ajuda a explicar porque hoje geramos 65% do crescimento global, o que faz dos BRICs a principal esperança para uma rápida recuperação da recessão global.
Isso gera redobradas expectativas sobre os nossos quatro países para que exerçam liderança responsável com o objetivo de reconstruir a governança global e o crescimento sustentado para todos. Trata-se de um desafio que, tenho certeza, todos aceitaremos. Digo isso porque, ao longo de minha carreira política, e em função de minha experiência como sindicalista, aprendi uma lição básica: para ser efetivo, não é suficiente estar certo ou ter a justiça a seu lado. Ninguém falará pelos fracos e vulneráveis a não ser que eles próprios se unam. Para ter sua voz realmente ouvida, mas de uma posição de imperturbável convicção respaldada por nosso peso político. Essa é uma tarefa e um compromisso que espero sejam assumidos pelos BRICs em Ecaterimburgo
.

Categories
História

Destaque: 11 de Junho aniversário da Batalha Naval do Riachuelo

Comissionado pelo Ministro da Marinha Afonso Celso, Victor Meirelles segue em 1868 para o teatro de guerra no Paraguai, montando seu ateliê a bordo do capitânia da esquadra, Brasil, onde trabalhou durante dois meses em croquis e esboços. Novamente no Rio executa, no Convento de Santo Antônio, Combate de Riachuelo e Passagem de Humaitá.

RIACHUELO:- Passo do rio Paraguai, que deu o seu nome ao grandioso combate naval de 11 de junho de 1865, um domingo, entre a esquadra brasileira, comandada pelo almirante Barroso (depois barão do Amazonas) e a esquadra paraguaia, que foi destroçada e em parte destruída. O combate durou aproximadamente 8 horas, e foi sustentado de um e outro lado com rara bravura.

Nesta edição inaugural do Almanaque Virtual, orgulhosamente estamos revivendo uma das epopéias heróicas dos nossos soldados, cultuando também, com grande respeito, na mesma intensidade, a bravura dos combatentes paraguaios; revivê-la com um texto contemporâneo, com certeza não seria tarefa tão difícil, porém, não tão contundente como esta que estamos resgatando para os nossos queridos visitantes.

Foi no distante junho de 1918, mais de cinqüenta anos da monumental batalha, que o almanaque “Eu sei tudo”, numa sugestiva seção intitulada “PAGINAS ESQUECIDAS”, brindou os seus inúmeros leitores com uma matéria muito bonita e comovente, sob o titulo “COMBATE DO RIACHUELO”, do Dr. Pires de Almeida.

Hoje, após mais de 80 anos da publicação e 130 anos da batalha, o Almanaque Virtual procura preservar esse maravilhoso feito desses bravos soldados, reeditando novamente essa matéria, na esperança de não ter sido em vão os esforços dos editores do almanaque “Eu sei tudo”, não tornando essa página da nossa história, em uma das “PAGINAS ESQUECIDAS”.

Em fins de abril, de 1865, duas divisões da esquadra brasileira subiram o rio Paraná, indo fundear em Bela Vista. Os paraguaios, tendo invadido o território correntino (Corrientes) com poderosa força, ao mando do general Robles, agora reforçados por mais 3.000 homens, apoderam-se da cidade, depois de haverem tomado de assalto dois vapores argentinos, e juntam-se ás tropas ali existentes, convertendo a indefesa cidade em poderosa praça de guerra, com um efetivo de 27.000 homens e 60 bocas de fogo.

Simultaneamente, outro exercito paraguaio ameaça invadir as fronteiras brasileiras pela lado de Itapua, ao mando do tenente coronel Estigarribia.

Sem que encontrassem embaraços á sua passagem, os paraguaios, com forças sempre numericamente superiores, dividem-se e subdividem-se, descendo a melhor parte até Riachuelo, em cujas barrancas se fortificam.; não obstante porém esse aparato todo, inesperadamente contra-marcham, obrigando Paunero, que ia ao seu encontro, a reembarcar suas tropas, vindo abarracar-se em Rincon del Soto.

Aquele simulacro de retirada não passara despercebido ao valente cabo de guerra argentino, que, sem ter receio do imprevisto, de plano com com o chefe Barroso, que o auxilia na temerária expedição, embarca novamente suas forças e, surgindo na capital correntina a 25 de Maio (quinta feira), ataca-a e retoma-a, estando a cidade defendida por 2.000 homens, ao mando de Martinez.

Os aliados tiveram fora de combate, entre mortos e feridos, 200 argentinos e 21 brasileiros; o inimigo 452 mortos fora 66 feridos e 86 prisioneiros; e , além de armamento e munições em considerável quantidade, tomamos-lhe mais três bocas de fogo, duas caixas de guerra e uma bandeira

Obtida esta vitória, Paunero, certo de que Robles, vendo assim surpreendida sua  linha de retirada, o atacaria com 25.000 homens sob seu comando, embarca as forças argentinas e brasileiras e desce, indo acampar no Rincon.

E com aquele predisposto, Lopez embarca precipitadamente no Taquari, a 8 de junho de 1865, uma quinta feira, com direção a Humaitá, e assiste em pessoa aos preparativos para a planejada expedição, marcando o dia 11, domingo, irrevogavelmente para o ataque e abordagem á esquadra, que ele supunha desprevenida e desguarnecida.

Aparentemente calmo, Lopez traia-se a cada instante, desenvolvendo frenética atividade para esconder os revezes que acabava de sofrer, e agora, sugestionado pelo feroz Diaz, resolve o ousado plano de um formidável combate naval, de que lhe adviriam vantagens imaginarias sobre os exércitos aliados.

Para atenuar, perante os seus soldados, o desastre de Corrientes, responsabiliza pela derrota o chefe Martinez, que faz passar pelas armas, não obstante ter-se valentemente  batido.

Apenas chegado ao forte de Humaitá, Solano Lopez, em veemente alocução, concita os oficiais e soldados do Sexto batalhão de infantaria naval, o mais valente dos seus batalhões, a se baterem sem tréguas; e á distribuição de sabres e machadinhas recomendou-lhes que lhe levassem prisioneiros vivos, ao que eles responderam que pouco lhes preocupavam prisioneiros, prometendo afirmativamente, que voltariam vitoriosos, rebocando os nossos vasos de guerra.

A despeito de tão eloqüente entusiasmo, Solano Lopez, como se não confiasse bastante no plano traçado pelo general Diaz, reforçou-o, mandando o coronel de artilharia Bruguez assestar uma bateria de 32 canhões, na margem direita da embocadura do Riachuelo; este, por iniciativa própria, estendeu no local denominado Barrancas, protegido por um montículo, poderoso contingente de infantaria, destinado não só a socorrer a abordagem sob o comando do coronel Aquino, mas ainda a auxiliar a artilharia com a sua fuzilaria.

Três mil homens ali estavam na tocaia. A margem direita da embocadura, de ponto em ponto, outros contingentes se abarracaram para fim idêntico.

A nossa força naval atingia, no local, a 2.287 combatentes, inclusive oficiais de mar e terra, sendo 1.113 de marinha e 1.174 do exercito, que se achavam a bordo para qualquer operação de desembarque, e 50 bocas de fogo; cumprindo assinalar que oficiais e praças de terra, segundo as comunicações do vários comandantes, muito concorreram para o resultados obtidos.

Formando ligeira curva, alerta se achavam os navios paraguaios: Tacuary, Igurey, Marquez de Olinda, Salto, Paraguary, Iporá, Jujuy e Iberá, na ordem em que os mencionamos.

Essa esquadra partira de Humaitá á meia-noite, dando-se logo ao sair um desarranjo na maquina do Iberá, que alterou um tanto o plano de ataque.

Abaixo de Corrientes, cerca de duas léguas, ostentava-se a nossa esquadra, composta dos vapores de guerra: Belmonte, Mearim, Beberibe, Ipiranga, Amazonas, Jequitinhonha, Parnaíba, Iguatemi e Araguari, ancorados á margem direita do Paraná, entre as pontas do mesmo nome e de Santa Catarina.

Importando executar á risca as ordens do ditador, a abordagem foi tentada logo ao dobrar a ilha Palomera. Aproaram os navios contra a corrente do Paraná, como para executá-la; o renhido canhoneio dos rodízios de popa dos vapores brasileiros, porém, fê-los recuar. Depois deste rechaço, a esquadra paraguaia, avançando, colocou-se em frente ás bocas do Riachuelo.

As 9 horas, distinguem-se nuvens de fumo anunciando a aproximação de navios inimigos. Do tope de vante de um dos nossos vasos de guerra ouvem-se vozes de Navio á proa! Em seguida de Esquadra inimiga á vista.

Imediatamente a Mearim, a cujo bordo se achava Barroso, iça o respectivo sinal.

Rufam tambores e trilam os apitos no convés de todos os vapores de nossa divisão. Barroso desfralda sinais, que ordenam: Preparar para combate! E manda despertar os fogos abafados; Largam-se as amarras sobre as bóias; acham-se em bateria as peças e rodízios; os encarregados da munição descem pressurosos aos paióis e voltam trazendo balas e metralhas, que empilham aos lados das baterias. Atiradores guarnecem as gáveas.

A esquadra inimiga apontou, indo na frente Paraguary, seguido de Igurey e depois Iporá, Salto, Pirabebé, Jujuy, Márquez de Olinda e Tacuary.

Neste embarcara, em Humaitá, o velho marinheiro Messa, com a senha de abordar violentamente e, segundo as circunstancias, um ou mais navios, sem medir sacrifícios.

A nossa esquadra põe-se em movimento, iniciando a marcha a canhoneira Belmonte, cuja guarnição se mostra ansiosa. Seguem após Amazonas, para cujo bordo de transferira Barroso, e, na mesma linha, avançam, Beberibe, Mearim, Araguari e os demais.

Já no tope do navio capitania vê-se o sinal de O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever e, em seguida, este outro Bater o inimigo que estiver mais próximo

A nossa esquadra ia, de fato, ao encontro do inimigo. Jequitinhonha, ao passar em frente á embocadura do Riachuelo, encalha, dando se então fortíssimo tiroteio entre as forças do navio e as de Bruguez, ao alto do barranco.

Três navios paraguaios tentam abordá-la; a canhoneira, porém, cuja tripulação a custo consegue safá-la, prossegue, obrigada a uma luta desigual, em que a nossa maruja se vê constantemente a beira das baterias inimigas. Quadro indescritível oferece, então, esse vaso de guerra, com a sua proa, as amurada, as vergas e os mastros, os escaleres, tudo, enfim, reduzido a estilhaços, que concorrem para por fora de combate os nossos soldados e oficiais mais ousados.

Morre Lima Barroso e, junto dele, tem a mesma sorte o pratico André Motta; 17 inferiores tombam quase de assentada. Recebem ferimentos o chefe Gomensoro, Freitas, Lacerda e Castro Silva, firmes nos seus postos.

Desce agora o Parnaíba: outra abordagem pelos navios Salto, Paraguary e Tacuary. Tão certeiros são os disparos da Jequitinhonha sobre Paraguary, que este retrocede logo.

Os outros navios atacantes encostaram-se, porém, a bombordo e a estibordo da Jequitinhonha; Garcindo, no passadiço, concita a tripulação á resistência; Firmino Chaves, em brados de entusiasmo, Pedro Afonso Ferreira e Maia, á frente dos seus navais, relutam com denodo.

O Marques de Olinda, vem em socorro dos seus e despeja no convés da Parnaíba centenas de bravios guaranis, armados de sabres, machadinhas e revolveres. Eram os famigerados do Sexto de infantaria, que já se haviam triste e indignamente celebrado nas carniçarias de Mato Grosso.

Dá-se, então, combate, peito a peito, pulso a pulso, que remata em horrível carnificina. Greenhalgh consegue derrubar, a tiro, um oficial paraguaio, que o intima a arriar o pavilhão; mas, logo após, cai morto ás arguçantes cutiladas de sabre a duas mãos; Pedro Affonso e Maia, defendendo-se, caem mutilados; Marcilio Dias, batendo-se contra quatro, mata dois de seus adversários, morrendo em seguida aos golpes de afiadas machadinhas dos outros dois. Após uma hora de nutrida e porfiante contenda, o inimigo consegue Apossar-se do convés desde a popa ao mastro grande. Os oficiais, escudados pelas peças, fuzilam-no, ás incessantes investidas. Mearim e Belmonte, respectivamente sob os comandos de Eliziario Barbosa e Abreu, acodem oportunos.

Os abordantes abandonam os companheiros, que haviam galgado o convés da Parnaíba, e fogem aos primeiros tiros daqueles navios. A bordo da Parnaíba chegara-se a vacilar um instante, quase se perdendo a esperança de repelir o inimigo, que se multiplicava com os ininterruptos esforços; Garcindo, seu brioso comandante, á iminente ameaça daqueles reforços, chega mesmo a combinar com o imediato Felippe Rodrigues Chaves que, em ultimo caso e como medida extrema, lançariam fogo ao paiol, fazendo voar o navio em estilhaços, e, como visse repletas chalanas inimigas se aproximarem, transmitiu aquelas ordens ao oficial, escrivão Correa da Silva, que acendendo o charuto, se dispôs a obedecer no instante; a guarnição, entretanto, reanima-se e, investindo contra os paraguaios, que em vertiginoso delírio se batiam á louca, aos gritos de – mata! degola! , tapetam o convés com seus cadaveres, que rolam por dezenas. O Amazonas, que até então sustentara vivíssimo fogo contra as baterias de Bruguez, percebe, através da espessa fumaça, o que se passa a bordo da Parnaíba, e vem-lhe em socorro, no momento mesmo em que o Márquez de Olinda chegava para reforçar a abordagem: contra este investe o Amazonas, que o afunda a proadas. O Tacuary tenta escapar-se a idêntica manobra do Amazonas; este, porém, persegue-o, e mete-o a pique, igualmente ás bicadas de proa. Ipiranga, sob o comando de Alvaro de Carvalho e que, bem como aquele, respondia ao tiroteio da baterias de Bruguez, vem, por sua vez, em defesa do Parnaíba, e com certeiros disparos arromba logo o costado e as caldeira do Salto, cuja tripulação, em alarido, atira-se na água, á fuzilada dos nossos.

Segue-se agora o Ipiranga no encalço do Paraguary, crivando-o de metralha.

A Beberibe, cujo comandante Bonifacio de Sant’Anna se mostrara de inaudita bravura, persegue os navios inimigos. O comandante da Iguatemi, ferido, é levado em braços para o camarote; o imediato Oliveira Pimentel, substituindo-o, é decapitado por uma bala; assume o comando o jovem Gomes dos Santos, que auxilia o tiroteio.

O Ipiranga, ao mando de Alvaro de Carvalho, faz submergir uma chata que, a distancia, dirige certeiros tiros aos costados dos navios: a tripulação, estilhaçada, trombulha, descendo na correnteza; no Araguary, Hoonholts bate-se com denodo; contra o navio de se comando voltam-se os que atacavam a Parnaíba, auxiliados agora pelo Tacuary, que recuara aos disparos dos rodízios do Ipiranga.

Os flancos dos navios brasileiros, despedaçados pelos canhonaços das chatas a lume d’agua, tornam iminente a submersão total da esquadra. Bombas metralhas esfuziam do alto dos barrancos: não é possível descrever o que se passa a bordo dos navios ao alcance das balas, que sibilam em chuveiros.

Entretanto, alguma coisa de providencial se passava, que cumpre não esquecer: quando o oficial-escrivão da Parnaíba, depois de haver tragado, para atiçá-lo, algumas fumaças do fatídico morrão que deveria comunicar o fogo ao paiol, pensa cumprir a sinistra ordem ouvem-se alvissareiros vivas que, irrompendo dos navios brasileiros em delírio, o detém estupefato. E  de pé, sobre a caixa das rodas, destaca-se afina, por entre densas nuvens de fumo, o vulto imponente de Barroso, que é o primeiro a bradar – Vitória!

E este triunfo naval, que tão diretamente influíra nos destinos de toda a campanha, mudou também, e inteiramente, a sorte dos adversários.

Robles não mais prosseguiu na invasão de Entre Rios; Estigarribia, isolado nas margens do Uruguai, depões as armas; Lopez, recolhendo-se a temporária defensiva, volta-se contra os seus: Robles ao regressar é fuzilado por covarde. As nossas perdas foram de 216 combatentes entre mortos e feridos, assim descriminados por navios:

Navios Mortos Feridos

Amazonas

13

13

Belmonte

9

23

Iguatemi

1

6

Jequitinhonha

8

33

Parnaíba

33

29

Beberibe

5

19

Araguari

2

5

Ipiranga

1

6

Mearim

2

8

Total

74

142

Total 216

O inimigo teve fora de combate, a bordo, entre mortos, feridos, afogados, comprimidos pelos costados dos navios e prisioneiros, 1.500 praças, aproximadamente; em terra, Bruguez perdeu 1.750, o tudo perfaz 3.250; mais elevada foi, entretanto, a estimativa de inteligentes oficiais prisioneiros. E a esquadra avança, avança sempre, em demanda de novas e estrondosas vitórias.

Dr. Pires de Almeida

Batalha Naval do Riachuelo
Victor Meirelles de Lima

Fonte: http://www.expodigital.com.br/obras/batalhanavalriachuelo.htm

Fonte:Almanaque CNT

Categories
História

Dia do Correio Aéreo Nacional e Dia da Aviação de Transporte

Ordem do Dia

Dia do Correio Aéreo Nacional e  Dia da Aviação de Transporte
Brasília, 10 de Junho de 2009

Abençoada é a nação que, ao volver os olhos ao passado, colhe, na herança luminosa de seus heróis, os ensinamentos que alimentam o espírito e a determinação que impulsiona a vida.

Esse é o legado que nos permite compreender como um querer audaz e nacionalista transformou, na manhã de 12 de junho de 1931, o campo dos afonsos no cenário de um grandioso sonho.

Um ideal marcado pelo pioneirismo que fez da expressão ”integração nacional” uma linguagem de paz, progresso e união de esperanças.

Assim, impulsionados pelo clamor de um país que os mapas não retratavam, os bandeirantes do ar, liderados por Eduardo Gomes, Lemos Cunha, Casemiro Montenegro Filho, Nelson Freire Lavenère Wanderley e outros, lançaram-se numa epopéia que confirmaria o inquebrantável compromisso com o processo de desenvolvimento da pujante nação brasileira.

Como que por magia, o roncar dos motores dos lendários Curtiss era o som de vida que, de norte a sul, de leste a oeste, conduzia a esperada notícia dos familiares, o médico da cidade grande, o alimento vital, o material escolar e uma profunda e sincera mensagem de fé nos destinos da pátria.

Não mais voamos com as asas de 1931.

Hoje, vivenciamos um novo tempo, com doutrinas e conceitos contemporâneos, mas alicerçado nos mesmos princípios que inspiraram a criação do correio aéreo nacional e que permanecem inabaláveis pelo sólido conteúdo moral, social e pureza de propósitos.

O romantismo dos esvoaçantes cachecóis deu lugar à tecnologia dos tempos modernos, mas o espírito herdado dos pioneiros do CAN perpetua-se e leva, em cada decolagem, as sementes da inclusão social, da solidariedade, do alcance humanitário e da integração nacional.

As aeronaves de transporte tornaram-se velozes e ganharam maior capacidade, garantindo a mobilidade da tropa, o suporte logístico, o reabastecimento em vôo, o atendimento às missões de busca e salvamento e aos importantes compromissos internacionais.

O compromisso de preservar o legado dos desbravadores de outrora é o permanente farol a guiar a proa seguida pelas novas gerações, ajudando a enfrentar os obstáculos do dia-a-dia, fazendo acreditar que todo sacrifício vale a pena quando se tem, dentro de si, a fé inabalável num país coeso, forte e soberano.

A assinatura do contrato de desenvolvimento da aeronave KC-390 com a EMBRAER, ocorrido durante a LAAD, em abril, renovará e ampliará as capacidades da força aérea, além de conferir considerável impulso à indústria nacional.

Estas são as generosas e amplas asas da aviação de transporte, inigualável sustentáculo da unidade nacional que mantém unidos os brasileiros e as brasileiras de todas as latitudes e longitudes.

Valorosos integrantes do correio aéreo nacional e da aviação de transporte!

Os senhores têm a força a unir todos os credos, sotaques e culturas. São a ponte a ligar famílias separadas pela distância, a conduzir o lenitivo ao doente isolado e a expectativa do desenvolvimento às comunidades menos favorecidas.

Tenham a consciência desta sublime tarefa. Acreditem na relevância e nobreza de suas contribuições e orgulhem-se deste valoroso sacerdócio, pois suas obras vencerão o tempo e o povo brasileiro jamais os esquecerá.

Que, em seus vôos pelos diferentes e longínquos azuis, possam encontrar o ânimo forte para enfrentar os desafios do presente, e que deus os abençoe no cumprimento desta relevante missão ensejada no lema: “lançar, suprir, resgatar”!

Tenente-Brigadeiro-do-Ar JUNITI SAITO
Comandante da Aeronáutica

Categories
Defesa Geopolítica História

Obama marca Dia D com líderes europeus

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, marcou neste sábado o 65º aniversário do Dia D – considerado decisivo para o fim da Segunda Guerra Mundial – com uma homenagem a veteranos de guerra europeus, canadenses e americanos na região da Normandia, na França.

Obama discursou em um cemitério próximo à praia de Omaha, um dos locais do desembarque aliado e palco de uma das mais sangrentas batalhas contra os nazistas, em 6 de junho de 1944.


“A mera improbabilidade dessa vitória é parte do que faz o Dia D uma data tão memorável”, disse Obama, que cumprimentou veteranos e depositou uma coroa de flores em homenagem aos mortos.

“O que não podemos nos esquecer, o que não podemos nos permitir esquecer, é que o Dia D foi a hora e o local em que a bravura e o altruísmo de poucos foram capazes de mudar o rumo de todo um século.”

Antes a cerimônia, o líder americano se reuniu com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Os primeiros-ministros do Canadá e da Grã-Bretanha também foram à Normandia para marcar o aniversário do Dia D.

Sarkozy disse que os soldados aliados vão ser sempre lembrados por lutar contra “uma das piores barbaridades de todos os tempos”.

Baixas

A ofensiva contra os nazistas lançada a partir do desembarque na Normandia há 65 anos deixou 215 mil mortos do lado aliado e um número igualmente alto de baixas alemãs.

Os governantes passaram o dia em cerimônias para marcar a data.

O premiê britânico Gordon Brown foi de manhã a Bayeux, para um evento organizado pela Legião Britânica Real e depositou coroas de flores da catedral da cidade ao lado de seu colega francês, Francois Fillon.

Já o presidente Obama chegou a Paris na noite de sexta-feira, depois de uma rápida visita à Alemanha, na qual visitou o campo de concentração de Buchenwald, ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel.

Pela manhã. Obama chegou em Caen ao lado da mulher, Michelle, e de Sarkozy e foi recebido como um ídolo por uma multidão.

Depois, ele seguiu para o cemitério militar americano em Colleville-sur-Mer, próximo à praia de Omaha Beach, onde discursou.

Fonte: BBC Brasil

Categories
Geopolítica História

Ministério da Defesa da Rússia acusa Polônia de ser a culpada do início da Segunda Guerra Mundial

O Ministério da Defesa da Rússia considera que foi a Polônia e não a Alemanha que provocou a Segunda Guerra Mundial de 1939-1945, tentando assim rever mais uma página da História Universal do Século XX.

“Todos os que estudaram não tendenciosamente a história da Segunda Guerra Mundial sabem que ela começou devido à renúncia da Polônia satisfazer as pretensões alemãs, sendo as exigências da Alemanha bastante moderadas: incluir a cidade livre de Danzig ao Terceiro Reich, permitir a construção de estradas de ferro e estradas extra-territoriais, que ligassem a Prússia Oriental à Alemanha”, escreve o coronel Serguei Kovaliov, do Instituto de História Militar do Ministério da Defesa na Rússia.

“É difícil considerar infundadas as duas primeiras exigências”, sublinha o militar no artigo “Especulações e Falsificações na avaliação do papel da URSS na antes e durante a Segunda Guerra Mundial”, publicado na seção “A História contra a mentira e as falsificações” do portal do Ministério da Defesa da Rússia.

O coronel repete, para apoiar a sua tese, as justificações da invasão da Polônia, apresentadas pelos dirigentes da Alemanha nazista em Setembro de 1939.

“A esmagadora maioria dos habitantes de Danzig, separados da Alemanha pelo Tratado de Paz de Versalhes, era constituída por alemães, que desejavam sinceramente a reunificação com a pátria histórica… A propósito, ao contrário das fronteiras ocidentais, a Alemanha nunca reconheceu voluntariamente as mudanças territoriais feitas no Leste pelo Tratado de Versalhes”, escreve Serguei Kovaliov.

O historiador militar sublinha que Varsóvia respondeu com uma “ decidida negativa”, porque “tentava obter o estatuto de grande potência” e as suas “ilusões infundadas” eram apoiadas pelos países vencedores na Primeira Guerra Mundial.

O coronel defende também a tradicional tese soviética de que Stalin não teve outra alternativa do que assinar o Pacto Molotov-Ribbentrop, pois a URSS precisava de adiar o início da guerra para preparar novas linhas de defesa no ocidente da antiga fronteira soviética.

Esta artigo faz parte da campanha iniciada pelo Presidente russo, Dmitri Medvedev, com a criação de uma comissão especial para “combater as falsificações da História”.

Fonte: Defesanet