Categories
Conflitos Conflitos e Historia Militar Destaques Estado Islãmico Estados Unidos Geopolítica Geopolitica História Iraque Síria Terrorismo

Coalizão liderada pelos EUA matou mais de 1.600 civis na Síria, acusa Anistia Internacional

Civis caminham emfrente a prédios severamente destruídos em Raqqa, na Síria Foto: Aboud Hamam / Reuters 14-05-18

Civis caminham emfrente a prédios severamente destruídos em Raqqa, na Síria (Foto: Aboud Hamam / Reuters 14-05-18)

Campanha para tomar a cidade de Raqqa do Estado Islâmico em 2017 deixou dez vezes mais vítimas civis do que apontam dados oficiais, segundo estudo

 

BEIRUTE – A coalizão liderada pelos Estados Unidos matou mais de 1.600 civis em Raqqa ao longo de vários meses em 2017, durante sua campanha para expulsar o Estado Islâmico da cidade, acusa um relatório lançado nesta quinta-feira pela Anistia Internacional e pelo Airwars, ONG de monitoramento de guerras.

O número indicado é dez vezes superior aos dados oficiais sobre vítimas civis. O documento diz que ataques aéreos e de artilharia americanos, franceses e britânicos mataram e feriram milhares de inocentes entre junho e outubro de 2017 na antiga capital do Estado Islâmico . Muitos dos casos, diz o texto, “constituem violações à lei humanitária internacional e exigem investigação adicional”.

As organizações passaram 18 meses pesquisando as mortes de civis, incluindo dois meses fazendo pesquisa de campo em Raqqa, disseram. “Nossa descoberta conclusiva depois de tudo isso é que a ofensiva militar da coalizão liderada pelos EUA (EUA, Grã-Bretanha e França) provocou diretamente mais de 1.600 mortes de civis em Raqqa”.

O relatório pede que os membros da coalizão criem um fundo para compensar as vítimas e suas famílias

A coalizão respondeu que tomou “todas as medidas razoáveis para minimizar as baixas civis” e que ainda existem alegações abertas que estão sendo investigadas. “Qualquer perda involuntária de vida durante a derrota do Daesh é trágica”, disse Scott Rawlinson, um porta-voz da coalizão, em um comunicado enviado por email mais tarde na quinta-feira, usando um acrônimo em árabe para Estado Islâmico.

“No entanto, estas perdas devem ser comparadas com o risco de permitir que o Daesh continuasse as suas atividades terroristas, causando dor e sofrimento a qualquer pessoa que quisesse”, acrescentou.

O Estado Islâmico dominou Raqqa no início de 2014, época em que avançou rapidamente na Síria e no Iraque e constituiu um autoproclamado califado. Caracterizado pelas execuções sumárias de opositores, o grupo cometeu uma matança em massa e escravizou minorias, em um processo que a ONU descreveu como um genocídio.

O grupo, que controlava um terço da Síria e do Iraque em 2014, já foi expulso de todo o território que controlou, a partir de campanhas militares empreendidas por um conjunto de forças, incluindo os governos da Síria e do Iraque, dos Estados Unidos, de seus aliados europeus e de seus rivais Rússia e Irã. Apesar de não controlar mais o território, o grupo ainda ameaça lançar ataques terroristas em todo o mundo.

As Forças Democráticas Sírias lideradas pelos curdos (SDF) e apoiadas por Washington  capturaram Raqqa em outubro de 2017, após uma ofensiva de cinco meses apoiada por ataques aéreos liderados pelos EUA e por forças especiais.

A Anistia disse no ano passado que havia evidências de que ataques aéreos e de artilharia da coalizão eem Raqqa violavam a lei humanitária internacional e punham em perigo as vidas de civis, mas até agora não tinha dado uma estimativa do número de mortos durante a batalha.

Durante e depois da campanha, repórteres em Raqqa noticiaram que o bombardeio causou destruição maciça na cidade, devastando bairros inteiros.

Fonte: O Globo e Reuters

Categories
Balanço estrategico Conflitos Conflitos e Historia Militar Geopolítica Geopolitica História Terrorismo

ONU: "Forças dos EUA e do governo afegão mataram mais civis do que os insurgentes"

Enterro de civis mortos num ataque aéreo conduzido por aeronaves remotamente pilotadas da CIA em Khogyani (Jim Huylebroek / New York Times)

Pela primeira vez, os civis afegãos são mortos em maior número pelas forças governamentais e pela coalizão liderada pelos EUA do que o Taleban e outros grupos insurgentes, informou um relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira.

Esta triste cifra ocorre no momento em que os EUA intensifica sua campanha aérea no Afeganistão enquanto realiza conversações de paz com o Taleban, que agora controla grandes partes do país pela primeira vez desde que foi retirado do poder em 2001.

Nessa imagem, fotografada em 23 de Março, um homem afegão descobre os corpos de crianças em cima de um caminhão após serem mortas num ataque aéreo na província de Kunduz. Pelo menos 13 civis foram mortos, a maior parte crianças, num ataque aéreo por “forças internacionais” na cidade setentrional de Kunduz na semana passada, segundo informou a ONU, no dia 25 de março. Os EUA é o único membro da coalizão internacional no Afeganistão que providencia apoio aéreo no conflito. (Bashir Khan Safi / AFP)

Durante os três primeiros meses de 2019, as forças da ISAF (Força Internacional de Assistência para Segurança), uma força-tarefa da OTAN e outros parceiros, liderada pelos EUA que conduz as operações no Afeganistão, além do próprio governo afegão, foram responsáveis pela morte de 305 civis, enquanto os insurgentes mataram 227 pessoas, de acordo com o relatório da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA).

A maior parte das mortes resultam de ataques aéreos ou operações de busca em solo, primariamente conduzidas pelas forças afegãs treinadas e equipadas pelos EUA, o que a UNAMA qualifica como “ações realizadas com impunidade”.

“A UNAMA conclama que as forças de segurança afegãs e a coalizão internacional para conduzir investigações em alegações de danos e mortes a civis, que publiquem os resultados de seus dados coletados, e providenciem compensações apropriadas as vítimas,” conclui o relatório.

A UNAMA iniciou a copilação de dados de baixas civis em 2009 a partir da deterioração das condições de segurança no Afeganistão.

É a primeira vez desde que a coleta de dados começou que mostra que as forças pró-governamentais mataram mais do que as forças insurgentes.

Em 2017, As forças dos EUA iniciaram uma aceleração de seu tempo operacional após o presidente Donald Trump flexibilizou restrições e facilitou as condições para bombardeio a posições do Taleban.


Jovem fazendeiro afegão morto em 15 de janeiro de 2010 por um grupo de soldados do Exército norte-americano autointitulado “The Kill Team”.

Enquanto outras nações contribuem com apoio logístico e técnico, os EUA conduzem a maior parte dos ataques aéreos. E em menor escala, a pequena Força Aérea afegã está voando mais missões.

Os EUA enviaram os grandes bombardeiros estratégicos Boeing B-52 em traslados sobre o país, beneficiados pelo aumento da infraestrutura aérea para as operações contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, onde foram derrotados.

Entretanto, o relatório da UNAMA relatou uma diminuição das baixas civis em 23% em comparação com o primeiro trimestre de 2018.

O decréscimo resultou de uma diminuição dos ataques suicidas, mas a UNAMA não sabe se essa mudança ocorreu após o rigoroso inverno ou a diminuição de ataques do Taleban a civis durante as conversações de paz.

Ainda assim, o chefe da UNAMA, Tadamichi Yamamoto, que também serve como representante especial da Secretaria Geral da ONU no Afeganistão, disse que a morte de civis é um “número chocante”.

“Todas as partes envolvidas devem zelar mais pela segurança dos civis,” Yamamoto disse em declaração.

Ano passado foi o ano mais mortal para a população afegã, com 3.804 mortos, de acordo com a UNAMA

Em 17 anos de ocupação, foram 62 mil mortos nas Forças de Segurança afegãs, 3,5 mil mortos entre as forças da coalizão (sendo 2,4 mil mortos entre soldados dos EUA) contra 65 mil mortos entre os insurgentes do Taleban, além de pequenas células da Al-Qaeda e afiliados do Estado Islâmico. O total de civis mortos totaliza 38 mil mortos até o presente momento. E não há perspectivas concretas de estabilização política do país.

No vídeo abaixo mostra as dificuldades enfrentadas pelos EUA, o que resultou no fracasso dos esforços de reconstrução e estabilidade do país, que culminou na rápida expansão do Taleban nos últimos anos

[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=XKVDXbIpW9Q[/embedyt]

Fonte: AFP e New York Times

Categories
Conflitos Terrorismo Traduções-Plano Brasil

IAF confirma que que o comandante da ala aérea Abhinandan Varthaman derrubou o caça F-16 do Paquistão e foi abatido na sequência

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

Ainda numa controvérsia do disque me disque, desta vez, as palavras do próprio aviador indiano confirmam o abate do F16 paquistanês, numa matéria assinada pelo India Today,

Shiv Aroor especialista militar e jornalista indiano afirma que Abhinandan Varthaman tinha disparado um míssil R-73 contra o F-16 paquistanês.

A informação havia sido divulgada antes pelas principais fontes da IAF que alegavam o uso dos caças do Paquistão na ofensiva aérea.

As principais fontes da Força Aérea Indiana (IAF) confirmaram oficialmente que o Comandante da Ala Abhinandan Varthaman abateu um jato F-16 no Paquistão em 27 de fevereiro.

Abhinandan havia disparado um míssil R-73 antes que seu MIG 21 fosse atingido por um míssil AMRAAM lançado por outro caça F16.

As principais fontes também revelaram para a India Today TV que Abhinandan foi o único piloto da IAF que disparou um míssil durante o combate a curta distância (Dogfight). Em sua última transmissão de rádio antes que a Força Aérea do Paquistão atacasse sua aeronave, Abhinandan confirmou que ele havia engajado uma aeronave paquistanesa.

O Comandante da Ala da IAF foi capturado pelo Paquistão, mas teve que ser libertado em apenas três dias devido à crescente pressão diplomática sobre o Paquistão. Desde o seu retorno, o aviador recebeu elogios por mostrar tal valor depois de ser capturado.

Depois de retornar ao país, Abhinandan passou por uma série de exames médicos e está atualmente se recuperando dos ferimentos causados durante a ejeção.

Enquanto isso, a situação entre a Índia e o Paquistão continua tensa após a escalada do conflito intensificado entre as duas nações que começou depois que o grupo terrorista Jaish-Mohammed, baseado no Paquistão, realizou um ataque a bomba, matando pelo menos 40 soldados paramilitares da Força de Polícia da Reserva Central em Pulwama, no sul da Caxemira.

Muitos países, incluindo os Estados Unidos, apoiaram a posição da Índia no confronto e advertiram o Paquistão para eliminar os grupos terroristas que atuam em seu território.

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Defesa EDITORIAL Geopolítica Síria Terrorismo

EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte II – SOBRE A PROTEÇÃO DOS GUARDIÕES

EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte II – SOBRE A PROTEÇÃO DOS GUARDIÕES

 

 


 

 

Autor:

E.M.Pinto

 


Leia também: EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte I – A primavera das sombras

O SENSO COMUM

Assad tem que cair!!! este era o plano, mas pelo que se viu, isso seria bem mais difícil do que imaginavam. Alguns autores avaliam que ele esteve perto disso, porém, outros acreditam que esta possibilidade era remota desde o início.

O fato é que ele se levantou após uma aparente queda e a cada dia parece mais fortalecido internamente e internacionalmente. Prova disso, é que nesta semana de Fevereiro de 2019, a Síria retornou a mesa de negociação na Liga Árabe como nação membro, numa clara declaração de que o regime Sírio além de presente, mostra sua superação frente aos que patrocinaram a sua queda.

Para alguns autores, a retomada dos territórios pelas forças de Assad foi lenta e inconclusiva, para outros, reside aqui uma falha de avaliação estratégica, pois pauta-se na assertiva de que a Síria foi desmantelada e desconsidera que a cada dia, o poder de influência do regime comandado por ele, ganha força e confronta os seus inimigos internacionais.

Há ainda quem julgue o papel dos Estados Unidos como fator decisório no conflito, especialmente por destruir o seu maior inimigo, o Estado Islâmico, ainda que a participação ambígua no conflito por parte dos EUA ateste que isso seja improvável.

Pode-se creditar o mérito da ação americana no Iraque, especialmente nos conflitos deflagrados no norte em Mossul, o palco dos mais pesados combates contra o Estado Islâmico, mas na síria? não, definitivamente não, até porque os Estados Unidos por diversas vezes frearam o avanço das Forças de Assad em inúmeros episódios.

Outros ainda creditam a reviravolta no conflito exclusivamente à campanha aérea massiva da aviação de combate russa, que após cinco meses praticamente aniquilou as forças resistentes dentro do território Sírio.

Os pouco mais de 70 aviões de combate russos atuaram no apoio à “virada de mesa” do SAA, isso é um fato, porém, não é o determinante. Pode-se dizer que esta teria sido uma das grandes  ações responsáveis pela recuperação vertiginosa das forças de Assad, porém a ação do Irã dentro país desde o início do conflito é talvez a mais proeminente dentro todas.

Trabalhando nas sombras e atuando na frente de combate, o apoio iraniano ao regime de Assad chegou a ser ridicularizado e foi pouco mencionado, porém, como veremos a seguir, este talvez tenha sido a garantia de sustentação de Assad nos momentos mais difíceis do conflito.

A manutenção ainda que a duras penas do regime nos quatro primeiros anos abriu a possibilidade para um posicionamento Russo mais contundente, ao mesmo tempo em que o conflito passou a se transformar a olhos vistos, dando a impressão que a Rússia teria tido a principal função na retomada do regime de Assad.

Neste capítulo da série de artigos sobre, “como o SAA” recuperou a sua capacidade combativa, eu apresentarei uma visão pessoal sobre a influência do Irã no combate Sírio e abro a frente para as colocações que vieram após a entrada russa no conflito, o qual será apresentado no próximo artigo da série.

PRELÚDIO

Operacionais estrangeiros foram implantados na Síria e já atuavam no território antes mesmo do conflito se iniciar. Porém, quando a guerra civil começou, o Exército Árabe Sírio (SAA) se deparou com baixas aceleradas no efetivo vindos de deserções e perdas em combate, ambas acentuadas com o constante incremento do esforço para derrubar o regime de Assad.

Quando eclode a guerra civil, uma horda de mercenários e voluntários, recrutados, armados e patrocinados com recursos diretos e indiretos provenientes da Arábia Saudita, França, Qatar, Alemanha, Estados Unidos e Turquia, penetrou no território Sírio através das fronteiras da Turquia, Jordânia e Israel.

Assad convocou a massa de reservistas estimada em 270 mil homens para lutar contra o levante porém, por medo de perderem suas vidas ou mesmo por terem sido cooptados a colaborar com o esforço de derrubar o regime, cerca de 130 mil reservistas não compareceram às convocações.

Muitos deles já se encontravam em áreas que haviam caído nas mãos dos rebeldes ou do que posteriormente ficou conhecido como o Estado Islâmico (ISIS).

Nos três primeiros anos de conflito o SAA sofreu pesadas baixas e perdeu mais equipamento e pessoal do que durante todas as guerras contra Israel, 75% do território estava nas mãos dos rebeldes e muito desse território foi tomado sem muita resistência, basicamente por deserções em massa dos Soldados.

Durante os cinco primeiros anos de guerra cerca de 30 a 50 mil desertores ou largaram as armas fugindo do país ou se somaram as fileiras rebeldes contra o regime de Bashar Al Assad.

A grande maioria do exército Sírio era composta por unidades que atuavam isolados e sem coordenação com as unidades profissionais e o resto era um mal armado, carente de treinamento físico adequado e que fracamente havia recebido o treinamento de tiro. Muitas dessas unidades eram comandadas por oficiais subalternos, uma vez que na debandada do governo, os mais experientes optaram por se opor a Assad.

Como resultado, sobraram oficiais com pouca experiência em combate e recém formados em escolas militares sem um nível de conhecimento e aplicações em situações de combate.

Estes movidos apenas pelo entusiasmo patriótico e pelo o espírito de sobrevivência caíram fácil frente aos rebeldes por vezes comandados por lideres e mercenários experientes, sendo exibidos como troféus naqueles espetáculos grotescos de decapitações e execuções sumárias em praça pública.

Dentre as forças leiais a Assad, haviam militares bem treinados e experientes em combate especialmente ex combatentes que lutaram no Líbano e que garantiram a resistência do seu exército.

Porém estas forças ficaram isoladas com o colapso inicial do seu exército e a sua reorganização levou bastante tempo para ocorrer, dando a impressão de que Assad havia caído num fracasso sem retorno.

É nesse cenário que a mídia mundial prevê a queda eminente de Assad pois este não possuia um robusto apoio de nenhuma nação. O final melancólico e merecido do regime de Assad seria apenas uma questão de tempo, mas será que tudo isso é verdade?

O ATAQUE DOS LOBOS

A partir das fronteiras abertas da Jordânia, Turquia e Iraque, os grupos de guerrilheiros patrocinados pelas potências estrangeiras incursionaram no território Sírio e implantaram uma campanha de ataques às instalações do SAA, das polícias e das representações do estado, semeando o caos e fragilizando a estrutura governamental.

A primeira fase dessa campanha teve como alvo, fragilizar o Exército e debilitar a imagem do regime. Para tal, deu-se o levante que foi favorecido pela mídia e pelo apoio das redes de televisão que não se cansavam em reproduzir as execuções bárbaras e sumárias cometidas em sua maioria aos civis de minorias étnicas e religiosas.

Concomitantemente aos ataques surpresas às instalações militares, iniciou-se uma campanha de chacinas horrendas de minorias religiosas e étnicas de modo a propagar o terror e demonstrar a inaptidão do estado em proteger seus cidadãos. Para os analistas internacionais, isto enfraqueceu o poder do governo central de Damasco.

As ações dos grupos “Rebeldes” tiveram êxito e obrigaram o Exército Sírio a se dispersar pelo território para combater pequenos grupos, num país ocupado por milícias e outros mais grupos armados que apenas expandiram seus poderes frente a incapacidade do SAA de gerir a situação.

Os “Rebeldes” obtiveram êxito e a reação do SAA foi avaliada pela mídia como lenta e desastrosa, especialmente no que se refere à defesa dos civis, o principal alvo dos grupos armados.

Com um efetivo inadequado e pessimamente armado, o SAA cujas melhores unidades eram a 104ª divisão da Guarda Republicana bem como a 4ª divisão mecanizada, ambas preparadas para reações em conflitos convencionais.

Estas forças atuaram de forma contundente, porém, seu esforço foi incipiente frente a grande derrocada de outras unidades que padeceram aos pés do inimigo.
Por Exemplo apenas na tomada da Base aérea de Raqqa, o ISIS executou sumariamente 250 soldados sírios que haviam se rendido, as execuções nunca foram contestadas por observatórios dos direitos humanos ou mesmo pelos tribunais da ONU em Genebra, e até hoje mesmo as chacinas de civis foram relativizadas pela imprensa internacional. O esforço para derrubar Assad passou a ser mais importante.

Como num efeito cascata, a propaganda “Rebelde” colecionava e divulgava o fracasso das forças Sírias frente a uma campanha que demolia todas as capacidades do SAA.

Os rebeldes melhor aparelhados, apoiados por oficiais desertores do serviço Sírio que tinham um profundo conhecimento das debilidades de que dispunha o SAA, causaram perdas significativas, ademais, estes grupos foram apoiados por membros da inteligência de outras nações.

Segundo o então porta voz governo sírio Omran Al Zoebido,

“O planejamento dos ataques foi coordenado por integrantes das forças especiais turcas e da Arábia Saudita durante os três primeiros anos da Guerra”.

Nos três primeiros anos da Guerra o SAA demonstrou uma aparente inépcia e estava incapacitado de lutar aquele conflito tendo nenhuma capacidade efetiva, além disso, adotava práticas erradas sem apoio da Força Aérea que como será visto em outra oportunidade, já entrou com o “pé amarrado no conflito”.

As forças atuavam sem cobertura aérea e a tomada das principais rodovias e acessos pelos rebeldes, tornou impossível o apoio de unidades de artilharia devido a total falta de mobilidade.

Por seu lado, os Rebeldes haviam obtido máquinas e sistemas capazes de cavar túneis em altas velocidades que haviam obtido antes do início do conflito, dominavam estradas e passagens estratégicas, passando agora a dominar passagens de rios, aeródromos e centrais energéticas.

O SAA não dispunha de dispositivos capazes de detectar a existência de túneis e isto permitiu aos “Rebeldes” realizar operações que tinham ao seu favor o efeito surpresa, por sua vez, as tropas sírias, claramente incapazes de reagir ante a infiltração massiva de insurgentes perdia anualmente numerosas bases militares, fosse pela tomada surpresa, fosse pela deserção de seus comandantes em apoio ao esforço de derrubar o regime.

Por conseguinte, o exército Sírio sequer poderia garantir as medidas básicas de combate e prever as melhores dispositivos para reagir aos ataques implementados pelos Rebeldes. Alguns bastiões da resistência registraram avanços coordenados e bem arquitetados bloqueando o avanço das hordas rebeldes e do Estado Islâmico.

Estamos no segundo ano do conflito e é nesse momento que o Irã manifesta oficialmente o seu apoio e a ajuda, muito bem vinda e oportuna para o regime de Assad.

O EXÉRCITO DOS GUARDIÕES

Nas fases iniciais da guerra civil na Síria, o papel do Irã foi demasiadamente ignorado pela inteligência americana e Israelense, pois supostamente o Irã estava fornecendo à Síria apoio técnico e equipamento obsoleto e baseado nas capacidades do Irã desenvolvidas após os protestos eleitorais de 2009-2010 resultados da revolução verde que se abatera no país.

O Irã era desacreditado e ridicularizado quanto a sua capacidade de sustentar o apoio as forças Sírias naquele conflito, tanto do ponto de vista técnico, quanto econômico. Acreditava-se que uma escalada do conflito levaria a ruína econômica, diplomática e militar do Irã e de seu aliado Bashar Al Assad, “matando dois coelhos com uma cajadada só”.

Em abril de 2011, o então presidente dos Estados Unidos, Barack Hussain Obama e a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, fizeram a primeira acusação pública de que o Irã apoiara secretamente Assad em seus esforços para reprimir os protestos e que as forças iranianas já atuavam nas operações de repressão aos manifestantes.

O The Guardian relatou em maio de 2011 que o governo iraniano estava ajudando o governo sírio com equipamentos de controle de distúrbios e técnicas de monitoramento de inteligência. Segundo o jornalista norte-americano Geneive Abdo, em setembro de 2011, o governo iraniano forneceu ao governo sírio tecnologia para monitorar e-mails, telefones celulares e mídias sociais.

O Irã desenvolveu essas capacidades na esteira dos protestos de 2009 e gastou milhões de dólares estabelecendo um “exército cibernético” para rastrear os dissidentes de forma online. Apesar de descredibilizada, esta capacidade de guerra cibernética do Irã é extremamente avançada e sua tecnologia de monitoramento talvez esteja entre as mais sofisticadas do mundo, provavelmente logo atrás da China.

Em maio de 2012, em uma entrevista à Iranian Students News Agency, a qual foi posteriormente removida de seu site, o vice-comandante da Força Quds do Irã afirmou que havia fornecido tropas especializadas para o combate e apoio as operações militares sírias.

Foi alegado pela mídia ocidental que o Irã também treinou combatentes do Hezbollah, um grupo militante Xiita baseado no Líbano. Nessa mesma altura o governo do Iraque, foi criticado pelos EUA por permitir que o Irã enviasse suprimentos militares para Assad os quais circulavam livremente sobre o espaço aéreo iraquiano.

O The Economist lançou uma matéria especial que relatava o apoio econômico do Irã em fevereiro de 2012, convertido em US $ 9 bilhões em ajuda à Assad para que este resistisse às sanções ocidentais. Além da ajuda financeira, o governo iraniano enviou combustível para o país e dois navios de guerra para um porto sírio em uma demonstração de poder e apoio.

Curiosamente as ações na Síria são pouco mencionadas pela mídia, especialmente porque os analistas duvidavam de sua eficácia, porém, o que se viu com o desenrolar do conflito foi uma crescente e atuante influência das tropas Iranianas especialmente no apoio ao SAA.

Abre-se aqui um parêntese para reafirmar o valor das tropas Iranianas que desde a revolução promovida por Khomeini, tem se especializado no conflito assimétrico.

Isto ficou latente nas guerras entre Irã e Iraque quando as forças de Saddan Russain melhor aparelhadas e dispondo de unidades de cavalaria extremamente sofisticadas foram derrotadas em solo iraniano por forças mais leves e especializadas.

Estes ensinamentos foram transferidos as milícias libanesas que  com o Hezbollah, trazem para síria uma capacidade de combate em conflito assimétrico fundamental para o SAA se sustentar.

Em março de 2012, oficiais de inteligência dos EUA alegaram um aumento significativo nas armas fornecidas pelo Irã e outras ajudas para o governo sírio.

Autoridades de segurança iranianas passaram a viajar com frequência à Damasco prestando assistência. Isto  foi confirmado em uma seção pública no senado americano de que membros do principal serviço de inteligência do Irã, o Ministério da Inteligência e Segurança, estavam ajudando os sírios à sufocar as ondas rebeldes.

De acordo com um painel da ONU em maio de 2012, o Irã forneceu armas ao governo sírio durante o ano anterior, apesar da proibição da exportação de armas pela República Islâmica.

Em 2012, autoridades turcas capturaram containers e caminhões transportando fuzis de assalto, metralhadoras, explosivos, detonadores, morteiros de 60 mm e 120 mm, além de outros itens em sua fronteira. Acreditava-se que estes fossem destinados ao governo sírio.

O relatório confidencial vazou poucas horas depois que um artigo do The Washington Post, revelar como os combatentes da oposição síria começaram a receber mais, e melhores, armas em um esforço pago pelos países árabes do Golfo Pérsico e coordenados em parte pelos EUA. Foram investigados três grandes carregamentos ilegais de armas iranianas no ano anterior e afirmou que o Irã continuou a desafiar a comunidade internacional através de remessas ilegais de armas.

Dois desses casos envolveram a Síria, assim como a maioria dos casos inspecionados pelo Painel durante seu mandato anterior, ressaltando que a Síria continuava a ser o destino principal das transferências ilícitas de armas iranianas.

Ainda em 2012, a ONU afirmou que as armas estavam se movimentando nos dois sentidos entre o Líbano e a Síria, onde armas trazidas do Líbano estavam sendo fornecidas para a oposição à Assad.

O suposto aumento do fluxo de armas iranianas foi provavelmente uma resposta a um iminente influxo de armas e munições para os rebeldes provida pelos estados do Golfo.

Em 24 de julho de 2012, o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, Massoud Jazayeri, afirmou publicamente que os iranianos não permitiriam que os planos inimigos mudassem o sistema político da Síria e que estes não teriam sucesso.

Em agosto de 2012, Leon Panetta, 23º Secretário de Defesa dos Estados Unidos, acusou o Irã de criar uma milícia pró-governo para combater na Síria e o comandante do Estado Maior, General Martin Dempsey a comparou ao Exército Mahdi do líder Xiita Muqtada Al-Sadr. Panetta disse que havia evidências de que a Guarda Revolucionária Iraniana estava tentando treinar uma milícia dentro da Síria para poder lutar em nome do regime.

Neste mesmo ano os rebeldes do Exército Livre da Síria (FSA) capturaram então 48 iranianos em Damasco, posteriormente as fontes oficiais dos EUA atestaram que os soldados capturados faziam parte da Guarda Revolucionária Iraniana.

Em 2013 ocorreu uma troca de prisioneiros entre os rebeldes sírios e as autoridades do governo sírio e segundo relatos, os 48 ​​iranianos foram libertados pelos rebeldes em troca de quase 2130 prisioneiros detidos pelo governo sírio. Os rebeldes confirmaram que os cativos estavam ligados à Guarda Revolucionária Iraniana.

Ainda em setembro de 2012, funcionários da inteligência dos EUA afirmaram que o Irã havia enviado 150 operacionais da Guarda Revolucionária Iraniana para a defesa pessoal de Assad, além de centenas de toneladas de equipamento militar, entre elas, armas, mísseis anti carro, antiaéreo e granadas.

OLHOS NO CÉU

O corredor aéreo entre a Síria e o Irã tornou-se uma rota de acesso fácil para os equipamentos e pessoal para treinamento das forças Sírias. Ainda nesta altura, o painel do Senado americano já alertava que a presença Iraniana havia melhorado substancialmente as capacidades do exército Sírio e das milícias pró Assad, apesar da campanha televisiva insistir no colapso  do SAA.

Em outubro de 2012, de acordo com os rebeldes, veículos aéreos não tripulados iranianos foram usados ​​para guiar os aviões, militares e artilharia síria em missões de  bombardeio as posições rebeldes. A CNN informou que drones que os rebeldes chamam de “Wizwayzi” eram facilmente visíveis do solo e vistos em vídeos feitos por combatentes rebeldes. 

Esta foi sem dúvida a primeira grande mudança no conflito e veio quando o Irã cedeu às forças de Assad as aeronaves não tripuladas de reconhecimento SHAHED 129, os quais permitiram ao exército Sírio planejar melhores ataques e obter respostas mais rápidas das movimentações das tropas inimigas.

O exército Sírio passou a implantar manobras de maior envergadura bem como, reações muito mais rápidas as mobilizações das tropas invasoras no terreno. Ao mesmo tempo o apoio diplomático russo converteu-se na cedência de armas as quais permitiram levantar as defesas ainda que pontualmente.

Apesar de tímida nesta fase do conflito, a ajuda russa veio na forma de troca de informações importantes, obtidas pelos satélites e sistemas de inteligência eletrônica. A Rússia que agia nos bastidores, no campo diplomático, passou a atuar com a inteligência Síria e Iraniana anulando e obtendo informações dos apoiantes e das estratégias de ataques organizadas de fora do território Sírio, operando em silêncio contra os opositores do regime fora de seu país.

As imagens de satélite das movimentações das tropas dos comboios de abastecimento e, dos postos de comando, de onde partiram as decisões que culminariam nas operações dos grupos insurgentes foram, de vital importância para o governo Sírio, o qual, pode respirar mais aliviado, uma vez que se antecipava aos acontecimentos, anulando os efeitos das repetidas investidas dos insurgentes que agora já não obtinham o mesmo efeito esmagador sobre as forças do SAA.

Esta relativa pausa para respirar, deu ao SAA a oportunidade de se reorganizar e com apoio iraniano passou treinar melhor as forças do fronte que por sua vez, passaram a receber equipamentos mais adequados.

Essa foi a fase na qual o avanço do ISIS e dos grupos rebeldes começou a ser freado. Nela o apoio russo foi fundamental tal como o apoio iraniano e o exército Sírio recuperou rapidamente uma de suas capacidades, a de poder planejar e executar suas operações.

Com grande parte do seu potencial efetivo confinado e isolado em regiões dominadas pelos seus adversários, o SAA passou a recorrer a estratégia implantada por um proeminente General da Guarda Revolucionária iraniana, o general Qassem Soleimani,  que executa a criação de subunidades formadas por voluntários, em sua maioria de idade avançada e oriunda de cidades atacadas pelos Rebeldes.

Estes grupos de resistência populares haviam heroicamente resistido aos avanços do ISIS e lutavam em defesa de seus lares.A inteligência Síria passou dar mais atenção aos grupos locais fortalecendo a sua capacidade de defesa.

Com a melhoria da situação e a estabilização do avanço das forças invasoras que passaram a não conseguir mais lograr territórios, o exército Sírio iniciou um amplo treinamento das milícias locais de defesa, concentrando-se no treinamento de Guerrilha Urbana por vezes empregada em combates reais, suportada por noções de Engenharia e pirotecnia, estas milícias recebiam o treinamento no fronte.

Tudo isto ainda nos primeiros anos do conflito onde o apoio dos iraniano no treinamento das milícias para defender suas posições foi fundamental o que permitiu que o SAA destacasse as suas forças militares mais preparadas para atuarem nos conflitos mais densos, passando a desloca-las para as frentes de combate, deixando a retaguarda guarnecida por uma milícia bem treinada, capaz de resistir as investidas rebeldes.

O resultado foi a modificação rápida do panorama predominante até então, que se caracterizava por perdas de território após retomadas sucessivas, uma vez que o contingente era engajado na frente e a retaguarda ficava desprotegida.

A ponte aérea entre damasco e Teerã permitiu que voluntários pudessem receber treinamento dos milicianos da Basij, uma milícia paramilitar voluntária fundada por ordem do Ayatollah Khomeini em novembro de 1979.

Os Basij são  subordinados à Guarda Revolucionária  Iraniana e o Líder Supremo Ayatollah Khamenei e servem como uma força auxiliar, engajada em atividades como segurança interna além de aplicar leis,  serviço social e policiamento moral e suprimindo reuniões dissidentes.

Assim, o treinamento cedido aos integrantes das forças regulares e milícias passou a ser dado aos Soldados do Exército Sírio, que por sua vez foi filtrado e reorganizado, passando a utilizar em suas frentes de batalha apenas combatentes experientes e profissionais, delegando aos inexperientes o treinamento básico de guerrilha e função de guarnecer os postos e posições reconquistadas com apoio das milícias estabelecidas.

As milícias populares que enfrentaram as invasões das hordas do Estado Islâmico e de outros grupos terroristas em defesa de sua sobrevivências eram agora treinadas por operacionais das forças especiais e suas táticas de defesa se aprimoraram e tornaram-se mais letais.

Agora, ao invés de apenas se defender, o SAA passou a lançar ataques contra os levantes insurgentes. Passando a programar campanhas militares além das fronteiras internas que haviam surgido após o desencadear do conflito.

Então, um evento significativo marcou um ponto de virada no conflito. As coisas começaram lentamente a mudar em 2014 quando a capacidade logística das forças rebeldes passou a enfrentar dificuldades em controlar os vastos territórios tomados ao SAA, invertendo a frente de combate em favor de Assad.

Os avanços dos rebeldes passaram a ser menos frequentes, por outro lado, as forças de elite Sírias começaram a lograr importantes vitórias por todo o país. Com o apoio técnico do Irã, em maio de 2014, duas aeronaves não tripuladas Shahed 129 foram desmontadas e transportadas por um cargueiro Ilyushin Il-76 para o Aeroporto Internacional de Damasco, juntamente com suas estações de controle terrestre e equipes de apoio. 

A primeira missão dos drones era apoiar a Força Quds e seus aliados da milícia que já atuavam em campo. As forças Quds são uma unidade especial do Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica do Irã, cuja missão primária é de organizar, treinar, equipar e financiar movimentos revolucionários islâmicos estrangeiros, sendo responsável pela construção e manutenção de contatos com organizações militantes islâmicas clandestinas por todo o mundo islâmico.

A Quds responde diretamente ao Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei e seu  comandante atual, o Brigadeiro-General Qassem Suleimani o qual será frequentemente reportado nesta série de reportagens.

Sabe-se que os drones irianianos cedidos a Força Aérea Síria exerceram em primeira função as missões de inteligência e coordenação das tropas, porém uma mudança de filosofia, inserida pela Quds teve seu papel fundamental na mudança da gestão do conflito.

Na verdade, os Shahead não foram os únicos Drones destacados para a Força Aérea Síria,  uma infinidade de outros já operavam no território Sírio em apoio as forças iranianas desde o início do conflito. Isto pode ser constatado pelo fato dos rebeldes exibiram aeronaves capturadas que descrevem como drones construídos pelo Irã.

Em muitas ocasiões, as aeronaves eram acompanhadas por manuais de treinamento com a imagem do líder revolucionário do Irã, o falecido Aiatolá Ruhollah Khomeini.

TROPAS EM TERRA

Em junho de 2013 o conflito encontrava-se num ponto de inflexão e apesar do apoio iraniano, o SAA dava sinais de estagnação uma vez que lutava uma guerra em diversas frentes e seu efetivo estava comprometido. Foi quando o governo iraniano resolveu enviar 4000 soldados para ajudar as forças do governo sírio.

Este evento foi descrito como o “primeiro contingente” num artigo assinado pelo repórter Robert Fisk, do The Independent, acrescentando que a medida ressaltava o alinhamento Sunita x Xiita no Oriente Médio, e talvez tenha sido de fato a primeira remessa de soldados estrangeiros de forças regulares a atuar em apoio à Assad.

Soldados da Guarda Revolucionária Iraniana, junto com outras forças Xiitas do Hezbollah e membros da milícia Basij do Irã participaram da captura de Qusair um estratégico ponto de confluência de rotas que caíra nas mãos rebeldes anos antes. A batalha de 9 de junho de 2013 demonstrou que a capacidade de luta do SAA e de seus aliados estava a beira de uma viragem importante.

Em 2014, o Irã aumentou ainda mais presença de tropas na Síria e também teria proposto a abertura de uma nova frente contra Israel nas Colinas de Golan, ocorrida um dia depois de o presidente egípcio romper relações diplomáticas com a Síria e exigir que o apoio iraniano ao governo pró-Síria do Hezbollah terminasse.

As autoridades sírias chamaram a diplomacia de Morsi de “irresponsável” atribuindo aos EUA e Israel o planejamento de divisões na região.

De acordo com autoridades americanas questionadas pelo jornalista Dexter Filkins, oficiais da força de Quds, coordenaram ataques, treinaram milícias e montaram um elaborado sistema para monitorar comunicações rebeldes na Síria já nos finais de 2012 e 2013 e agora em 2014 operavam impunemente dentro do teatro Sírio.

Com a ajuda do Hezbollah, e sob a liderança do general da Força Quds, Qassem Soleimani, o governo de Assad recuperou o território estratégico dos rebeldes em 2013, em particular uma importante rota de abastecimento foi anexada durante a ofensiva de Al-Qusayr em abril e maio daquele ano.

Ainda sim, a mídia internacional relativizava o papel iraniano na viragem de poder obtida pelas forças de Assad. Para se ter uma ideia do papel iraniano no conflito, basta verificar as baixas de altos oficiais  em território Sírio, que demonstram que a presença iraniana naquele conflito não era ignorável como se havia previamente pensado.

Em 2013, o general de brigada iraniano Mohammad Jamali-Paqaleh, da Guarda Revolucionária, foi morto supostamente enquanto se voluntariava para defender um santuário Xiita. Em fevereiro do mesmo ano, o general Hassan Shateri, também da Guarda Revolucionária, foi morto enquanto viajava de Beirute para Damasco.

Com a ofensiva feroz do estado Islâmico ameaçando e retomando regiões controladas tanto pelo SAA quanto pelos Rebeldes, o Irã aumentou o apoio ao presidente sírio, fornecendo centenas de especialistas militares para coletar informações e treinar tropas.

Este apoio adicional de Teerã, juntamente com as entregas de munições e equipamentos de Moscou ocorreu no início de 2014 e foi em parte uma decisão fortemente promovida por Qasem Soleimani.

Soleimani um exímio estrategista militar soube explorar a eclosão de lutas internas entre combatentes rebeldes, Al-Qaeda e o Estado Islâmico que tanto no Iraque quanto na Síria davam claros sinais de desentendimentos e buscavam cada um as suas próprias conquistas, rompendo até então com o claro interesse em comum de derrotar o regime de Assad.

Soleimani encontrou nas milícias locais sírias que resistiam ferozmente aos levantes do ISIS, a chance esperada para treinar e capacitar os populares à apoiarem o regime de Assad. A Guarda Revolucionária do Irã delegara então aos principais comandantes da força Quds a missão de aconselhar e treinar os militares de Assad e seus comandantes.

Além disso, os milhares de combatentes voluntários paramilitares Basij iranianos, passaram a se infiltrar nas regiões onde a frente de combate era mais feroz. Sua missão era preparar os populares para a a resistência tal como fora promovido no Iraque pelas milícias Xiitas e Cristãs.

A oposição síria informou que nos últimos meses de 2013 as forças lideradas pelo Irã já operavam nas áreas costeiras, onde não havia conflito de média  intensidade, isto incluía as regiões e circunscritas a Tartus e Latakia.

A Agência de Notícias ANNA chegou a informar que os operacionais iranianos possuíam documentos de identidade locais, vestiam uniformes militares sírios e trabalhavam com a unidade de inteligência da elite da Força Aérea da Síria.

Nesse ponto o leitor pode estar se perguntando, porque operar nestas regiões se o conflito circundava Damasco?

Esta é a pergunta que qualquer um poderia fazer, no entanto, uma vez que estas regiões encontravam-se mais seguras, os oficiais do SAA e iranianos puderam preparar melhor as suas forças, enviando-as as frentes de combate quando necessário, as experiências eram acumuladas e os militares passaram a propagar os ensinamentos para os integrantes das milícias populares cuja função era a de guarnecer os territórios reconquistados.

Voltando aos drones, em 10 de abril de 2014, os rebeldes na Síria registraram a presença de drones Shahed 129 voando sobre o leste de Ghouta, em Damasco. A guerra na Síria provou ser um bom ambiente para testar o Shahed 129 e mais três foram posteriormente transferidos para a Força Aérea Síria.

Um Shahed 129 foi flagrado transportando o que parecia ser uma arma guiada, sendo avistado nos céus ao sul de Aleppo em novembro de 2014.

Citando duas fontes libanesas, a Reuters informou em 1 de outubro de 2015 que centenas de soldados iranianos chegaram a síria em finais de setembro daquele ano e logo se juntariam às forças do governo Sírio e seus aliados libaneses do Hezbollah em uma grande ofensiva apoiada por ataques aéreos russos, algo que explanarei melhor na sequência.

O Wall Street Journal noticiou em 2 de outubro de 2015 que a Guarda Revolucionária do Iraniana colecionava no país naquele Outubro de 2015 um efetivo de cerca de 7000 tropas entre voluntários e paramilitares e que planejava expandir sua presença no país por meio de combatentes e milicianos locais.

Na mesma matéria o WSJ afirmou que outros vinte mil combatentes estrangeiros Xiitas estavam no terreno. Estes por sua vez seriam oriundos de países do Cáucaso e de voluntários vindos de outras quatro nações, número este que até hoje não foi confirmado por nenhum dos pares envolvidos no conflito.

É de se ressaltar que como em todo o conflito, as baixas sempre foram muito supervalorizadas pela mídia, O Midle East Monitor chegou a anunciar que cerca de 2100 iranianos teriam morrido em combate até março de 2018 sendo que  desses, ao menos 121 eram soldados e operacionais da guarda revolucionária.

O fato é que o papel do Irã no conflito foi cruscial para a retomada do poder do SAA e é inegável que as principais vitórias foram alcançadas com o apoio substancial da força Quds, nas batalhas de Al-Ghab, nas ofensivas de Aleppo, Dara’aya e Al-Qusayr ainda em 2015.

Estas ofensivas estabeleceram o controle do governo e do Hezbollah sobre a região de Qalamoun. A abertura das fronteiras com o Líbano de onde foram retomadas as passagens de material e pessoal para a Síria dentre outros, garantiu o fluxo de tropas e material de apoio à Assad liberando a fronteira que passou a  ser vigiada e que agora era menos vulnerável ao contrabando de armas para os insurgentes.

Em junho de 2015, alguns relatórios sugeriram que os militares iranianos estavam efetivamente no comando das tropas do governo sírio no campo de batalha nas regiões mais quentes do conflito como em Allepo e Idlib, uma posição estratégica para Assad, esta informação nunca chegou a ser confirmada, nem tão pouco refutada pelo regime.

CHAMEM A CAVALARIA

O Ano de 2015, começou não muito diferente do que se tinha vistoa té então, senão pela ferocidade do Estado Islâmico que naquela altura se tornara a mais perigosa ameaça ao regime. Foi quando um evento criou preocupação para o regime de Assad.

Num ataque orquestrado e perfeitamente executado pelos rebeldes apoiados pela inteligência da coalizão, a província de Idlib caiu frente a ofensiva rebelde no primeiro semestre de 2015, a situação foi considerada crítica para a sobrevivência de Assad.

Nesse momento, uma ronda de negociações de alto nível entre Moscou e Teerã passou a ganhar destaque na mídia internacional. E quando todos apostavam numa retração russa devido ao problemático conflito na Crimeia e baixo Dom, Teerã saiu vitoriosa novamente com um acordo político e em 24 de julho, o general Qasem Soleimani visitou Moscou para elaborar os detalhes do plano de ação militar coordenado na Síria.

A Rússia entra oficialmente no conflito e desafia a capacidade dos aliados contrários a Assad. No emblemático discurso na plenária das Nações Unidas, Vladimir Putin se posiciona em favor da manutenção do regime e estabelece uma aliança com o Irã para solução deste conflito.

https://www.youtube.com/watch?v=lJHdV2YvIQQ

Mais uma vez a capacidade Iraniana havia sido subestimada e em meados de setembro de 2015, chegam à Tartus e Latakia os destacamentos da Guarda revolucionária Iraniana que agora passam a operar com equipamentos mais modernos de interferência eletrônica e novas armas testadas no fronte do conflito dentre eles, drones portáteis equipamentos de rádio e armas anticarro.

Com grande parte das unidades do Exército Árabe Sírio e das Forças de Defesa Nacional posicionadas em frentes mais voláteis, os fuzileiros navais russos e a Guarda Revolucionária Iraniana liberaram suas posições instalando postos militares nas cidades de Slunfeh e Masyaf à leste de Latakia, Tartus e Ras Al-Bassit na cidade costeira.

Este primeiro contingente foi seguido de um segundo ainda maior que que chegou à Síria no início de outubro de 2015.

Em 1 de outubro de 2015, citando duas fontes libanesas, a Reuters informou que centenas de soldados iranianos haviam chegado à Síria para se unirem às forças do governo de Assad e seus aliados libaneses do Hezbollah em uma grande ofensiva terrestre apoiada pela aviação de combate russa.

As Forças Aeroespaciais Russas (VKS) começaram a operar naquele país a partir de 30 de setembro de 2015 e foram sempre relacionados como vitais para a sobrevivência de Bashar Al-Assad. A sua participação será melhor descrita na matéria subsequente a esta que tratará do papel russo no conflito.

Em 8 de outubro de 2015, o general de brigada Hossein Hamadani, primeiro homem abaixo do general Qasem Soleimani na Síria foi morto num ataque. Em 12 de outubro, mais dois comandantes da Guarda Revolucionária Iraniana, Hamid Mokhtarband e Farshad Hassounizadeh tiveram o mesmo fim.

No final de outubro de 2015, o Irã concordou em participar das negociações de paz na Síria em Viena. As negociações pela primeira vez levaram o Irã à mesa de negociações com a Arábia Saudita, que estaria envolvida em uma guerra por procuração na Síria.

As conversações, entretanto, foram prontamente seguidas por uma troca de duras críticas entre os altos funcionários do Irã e da Arábia Saudita, que lançaram dúvidas sobre a futura participação do Irã naqueles países.

Em 2017 na ofensiva pela tomada de Deir ez-Zor os Shahed 129 já haviam realizado centenas de surtidas contra o Estado Islâmico e as forças rebeldes. As autoridades militares iranianas afirmaram que os seus drones haviam aumentado de sobremaneira a capacidade de vigilância nas áreas fronteiriças, de maneira inteligente, precisa e barata.

Os Shahed 129 foram amplamente dispersos pelo território de onde passaram a ser operados a partir de pistas curtas. Em 2017, dois deles estavam baseados em Damasco na Síria e imagens de satélite apontavam modelos na base aérea de Hama e na base aérea T4.

Em 7 de junho de 2017, o Hezbollah divulgou um vídeo mostrando um UAV americano MQ-1 ou MQ-9 voando perto de Al-Tanf. Especialistas atestaram que a filmagem foi “consistente” e que realmente foi efetuada por um drone de reconhecimento Shahed-129.

Em 8 de junho de 2017, um dos cinco Shahed 129 enviados para a Síria tentou realizar um ataque aéreo contra a coalizão perto de Al-Tanf, atacando-os com um míssil guiado. Embora o ataque aéreo claramente visasse às forças da coalizão na área, ele não danificou nenhum equipamento ou pessoal americano uma vez que a munição alegadamente teria falhado

O Drone foi então abatido por um caça F-15E Strike Eagle. Dias depois, em 20 de junho de 2017, outro F-15E Strike Eagle abateu outro drone novamente perto de Al-Tanf. Este havia se aproximado do perímetro de maneira semelhante ao incidente anterior e foi abatido antes de chegar ao alcance em que poderia lançar suas armas.

Do que se tem confirmado, apenas dois Shahed 129 foram derrubados na Síria. Consta que mais dois deles foram destruídos durante os ataques aéreos israelenses na base aérea T-4 e estima-se que ao final de 2018 não havia mais Shahed-129 na Síria.

Apesar de controverso, alguns analistas militares dão como muito certa a afirmativa de que a curta participação dos Drones Iranianos foi crucial para as vitórias de Assad e pela mudança dos rumos do conflito, coincidindo com o fim do período do qual o Exército Sírio sacrificava o seu território limitando-se exclusivamente a proteger a sua população e as minorias internas perseguidas especialmente pelos grupos Jihadistas, passando a combater o inimigo de fato, chegando a atacar e desmobilizar estes grupos.

MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS

Antes do conflito, o SAA possuía como armamento individual de proteção basicamente de capacetes soviéticos SSH-68 e QGF-02 chineses, fuzis Ak-47 ou a versão chinesa Type 56, além disso, apenas alguns membros da Guarda republicana dispunham de coletes à prova de bala, basicamente nenhum sistema intensificação de luz ou visão noturna.

As forças especiais Sírias que foram formadas e treinadas pelo exército egípcio nos anos 1960, mantinham uma doutrina pautada nos comandos britânicos concebida, para os militares das unidades de Infantaria leve que contavam com qualificação de paraquedistas. No início da Guerra o SAA possuía apenas seis batalhões independentes de forças especiais e um outro Batalhão de paraquedistas, alocado 104ª brigada da Guarda republicana.

Em março de 2014 o SAA criou um grupo de comandos denominados “Leões protetores” subordinados a 4ª divisão que operava ao norte da Síria no início da Guerra, os equipamentos pessoais das forças especiais era ineficiente e os comandos não tinham no seu currículo a experiência de combate urbano e Guerrilha assimétricas.

As forças especiais eram equipadas com armas como RPG-7 e mísseis anti-carro porém seus equipamentos individuais não eram tão bons quanto aqueles que foram empregues no conflito Sírio em 1982. Naquela época eles eram muito bem equipados com armas como os RPG-7 e mísseis anti-carro 9K111 Fagot e Milan.

As armas só melhoraram de padrão com a chegada à Síria dos formadores iranianos da força Al Quds e a filosofia de emprego foi expandida com a experiência trazida pelos combatentes do Hezbollah que possuem uma grande experiência em Guerra Urbana, vale lembrar que as forças especiais iranianas foram criadas e treinadas pelos americanos e ingleses durante o governo de Heza Pahlevi e absorveram muitas das estratégias de combate que acabaram sendo o fundamento para o surgimento das forças especiais da Guarda revolucionária iraniana.

As forças libanesas na síria eram equipadas com armas muito modernas como um míssil 9M113 Konkurs,  9K115 Metis e 9M133 Kornet. As forças do Hezbollah possuem vasta experiência em combate contra as forças israelenses dotadas de veículos de combate muito superiores aos empregues no conflito e adicionalmente possuem experiência em combate assimétrico em regiões urbanas.

As forças especiais sírias passaram a conduzir operações com emprego tanto de forças leves, quanto com forças blindadas pesadas, explorando as melhores capacidades de ambas mediante a exigência do conflito.

Estes ensinamentos foram decisivos para fundamentar a doutrina de defesa local tanto para as forças regulares quanto para os milicianos até a chegada dos primeiros integrantes das unidades Spetnaz russas ainda mais especializadas e preparadas.

Com a chegada dos russos, passou-se a reavaliar todas as táticas de emprego de grupos de comandos e todos os requisitos de combate, começando pelo armamento e itens de proteção individual.

A estratégia de defesa das cidades além da estratégia de combate contra os grupos insurgentes sofreu mais uma reformulação adaptando-se ao combate noturno, incursão de forças, ataques surpersas e sabotagem.

Apesar do Irã investir uma grande quantidade de dinheiro nos equipamentos das forças especiais tanto SAA  quanto os Iranianos não podiam se comparar aos modernos sistemas estreados em combate pelas forças russas.

A Rússia passou a fornecer as tropas Sírias material mais moderno, armas mais letais e sistemas ainda mais eficientes que os iranianos.

As imagens mais recentes mostram uma transformação nas forças sírias que passaram a adotar o uso extensivo de equipamento Russo com capacetes em Kevlar 6B7 e sistemas ajustáveis de visão noturna, coletes à prova de bala com camuflagem multicam, sistemas orgânicos integrados aos aparelhos de visão noturna, coturnos de alta qualidade e novos fuzis automáticos AK-74M e Ak-103 e 104 equipados com telêmetro laser, lança-granadas termobáricas do modelo GS-17, lançadores de 40mm. O equipamento de visão noturna passou a fazer parte do equipamento individual.

FORÇAS ESPECIAIS

Dentre as transformações geradas pela experiência iraniana no conflito, destaca-se  a criação em 2013 das chamadas Qawat Al-Nimr, ou Forças Tigre.

Estas são atualmente lideradas pelo general Suheil Hussan e são considerados a força de elite do Exército Sírio. A transformação e reorganização das Forças Tigre vem na esteira dos ensinamentos e treinamentos providas pelas forças Quds iranianas, porém, parte de sua doutrina de emprego e equipamentos é proveniente da assistência russa.

As Forças Tigre estão atualmente a 10 km de distância das linhas curdas e tratam-se de uma formação de elite (unidade de forças especiais) do Exército Árabe Sírio que funciona principalmente como uma unidade ofensiva na Guerra Civil Síria.

Seu efetivo relativamente reduzido torna difícil o seu emprego  em várias frentes de uma só vez. Apesar de oficialmente ser chamado de divisão, estima-se que o tamanho real das Forças Tigre esteja mais próximo de um batalhão. Sua estrutura era bastante compacta e possuia cerca de 1000 homens e uma de suas características marcantes era sem dúvida o fato de  agirem  independentemente do resto das forças armadas sírias.

As forças Tigre  lutaram em grandes batalhas como em Aleppo e Palmyra e nas ofensivas na região de Latakia, entre outros. Em janeiro de 2017 as forças do Tigre lançaram uma ofensiva contra o ISIS a leste da cidade de Aleppo capturando mais de 600km quadrados  de territórios do ISIS, além disso, impediram que as forças apoiadas pela Turquia avançassem mais para o território sírio.

https://www.youtube.com/watch?v=kOvBTPvsXAU

Após operações bem sucedidas em Latakia e Hama, o coronel Suheil Al-Hassan foi encarregado de um projeto especial pelo Comando Central das Forças Armadas Sírias no outono de 2013, passando a treinar e liderar uma unidade das Forças Especiais Hassan escolheu a dedo muitos dos soldados que mais tarde formariam as Forças do Tigre.

Em 25 de dezembro de 2015, Suheil Al-Hassan foi promovido a major general depois de se recusar a ser general de brigada. Ele desempenhou um papel fundamental no comando das tropas sírias durante a campanha de 2016 em Aleppo. As forças Tigre foram encarregadas duas vezes de cortar as principais linhas de suprimentos para a Aleppo, até então controlada pelos rebeldes.

As Forças do Tigre obtém a primazia do uso do carro de combate russo T-90, sendo outras a 4ª Divisão Blindada e a Brigada Falões do deserto. A tática mais famosa e eficaz das Forças Tigre é sondar o inimigo a partir de múltiplos eixos para encontrar um ponto fraco, enviando então uma grande força mecanizada para essa área para capturar as pequenas vilas de uma só vez.  De acordo com Gregory Waters, eles se reportam ao Major General Jamil Hassan comandante do Diretório de Inteligência da Força Aérea.

Em  outubro de 2018, estimava-se que seu efetivo já havia aumentado significativamente, situando-se entre  6500 e 8000 membros.
As Forças Tiger possuem vários grupos de operações especiais como as Forças Cheetah  ou Qawat al-Fahoud a qual atuou na retomada da Base Aérea Militar de Ku Keires, Já a Falcões do deserto, dominou Aleppo Oriental, aniquilando a resistência do  ISIS.

As Forças Panteras foi envolvida na ofensiva de Palmyra em março de 2016, onde foram transferidos para outra frente depois que a batalha terminou.

Atualmente as Forças Tigres são destacadas em grupos na ordem de regimentos como:

  • Tarmeh
  • Taha, uma unidade de assalto formada em 2014 a qual possuia em 2018 cerca de 2500 membros.
  • Yarrob
  •  Shaheen  (possivelmente ex-forças da Pantera)
  • Shabaat
  •  Al Hawarith
  • Zaydar
  •  Al Shabbour
  •  Al-Komeet
  • Al-Luyouth
  • Hayder

As Forças do Tigre consistiam em até 24 subgrupos de tamanhos variados. Os grupos e subunidades das Forças do Tigre foram fundados por indivíduos proeminentes que frequentemente também serviam como comandantes de um grupo particular (o grupo geralmente carregava o nome do indivíduo que fundou e / ou comandou o grupo.

CONCLUSÃO

A participação desde o princípio do conflito como foi apresentado neste artigo evoca o questionamento se não teria sido o esforço iraniano o responsável pela garantia da permanecia do regime de Assad.

Para este autor, a guerra que teve várias fases, altos e baixos teria sido decidida em seus primeiros anos caso não houvesse a interferência iraniana.  A formação cedidas pelas forças Basij e a presença em campo nas principais batalhas pelas forças Quds são evidências de que o Irã foi o aliado mais proeminente do regime desde o princípio e talvez seja o maior responsável pela vitória do  SAA sobre seus adversários.

Para o Autor, a criação das milícias populares foi um ponto de virada estratégica que mais contribuiu para a estabilidade do conflito. Populares passaram a  defender seus territórios permitindo que o SAA pudesse ser enviado para a frente de combate, sanando o cronico problema da mobilidade territorial das forças que não poderiam estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

As milícias garantiram a segurança de rotas importantes e permitiram que as forças regulares pudessem receber o treinamento adequado partindo para o frente de batalha melhor preparados. A resistência feroz implementada pelos integrantes do Hezbollah também não pode ser esquecida, as forças libanesas causaram muito dano aos insurgentes e mais do que isso, garantiram a integridade de regiões estratégicas do país.

A fase de virada do conflito se deveu a atuação sagaz do general Qasem Soleimani que na visão do autor, foi o responsável pela estabilização do conflito em primeira fase e pelo contra ataque das forças do SSA.

A presença iraniana na síria sempre foi muito supervalorizada, acredita-se que nunca passou de um contingente permanente de pouco mais de 1500 integrantes, mas que com a sua rotatividade talvez tenham chegado aos números que são apresentados nas casas dos milhares. De fato o Hezbollah foi quem forneceu o maior contingente estrangeiro, talvez entre dois a três mil integrantes deste grupo estejam em solo Sírio, o que gera preocupação a Israel.

A reestruturação provida no SAA se deveu em parte aos ensinamentos no campo, especialmente cedidos pelos Iranianos em um primeiro momento e depois pelos russo num segundo momento. Porém , para o autor, a entrada da Rússia, não se deveu a possibilidade de derrocada eminente nos anos de 2015, mas sim pela segurança e estabilidade garantida pelo Irã a partir do terceiro ano da guerra.

A estabilidade garantida pelas forças iranianas em apoio e transformação do SAA e das milícias permitiram que Rússia enviasse ao território Sírio apenas hardware para apoio as operações aéreas, sem a necessidade do envio de efetivos das forças terrestres, o que demonstra que o envolvimento de forças em solo era suficiente para não necessitar do envolvimento russo.

Porém, foi sobre a proteção dos Guardiões da revolução, o regime Sírio conseguiu se sustentar lançar-se para a segunda fase do conflito.

As forças russas passaram mais a coordenar os ataques aéreos do que propriamente envolverem-se no solo, salvo algumas exceções, isto será melhor apresentado no próximo artigo desta série será reportado o papel da Rússia no conflito e seus desdobramentos.


Sobre  o Autor:

E.M. Pinto é Físico, Mestre em Física Aplicada e Doutor em Engenharia e Ciências dos Materiais, Professor Universitário editor do site Plano Brasil e de Revistas científicas  internacionais.


EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte I – A primavera das sombras

Categories
Conflitos Geopolítica Terrorismo

Paquistão diz que abateu dois jatos indianos e realizou ataques aéreos em Caxemira

SLAMABAD/NOVA DÉLHI (Reuters) – O Paquistão realizou ataques aéreos e abateu dois jatos indianos nesta quarta-feira, disseram autoridades paquistanesas, um dia após aviões de guerra indianos atacarem o Paquistão pela primeira vez desde 1971, levando várias potências mundiais a fazerem apelos para que os dois lados mostrem moderação.

Pessoas carregam bandeiras do Paquistão em Lahore para comemorar que forças do país abateram dois caças indianos 27/02/2019 REUTERS/Mohsin Raza

Ambos países ordenaram ataques aéreos nos últimos dois dias, a primeira vez na história que duas potências nucleares fizeram isso, enquanto forças terrestres dos dois países trocaram fogo em mais de uma dúzia de locais.

A tensão aumentou desde que um carro-bomba com militantes suicidas, na área de Caxemira controlada pela Índia, matou pelo menos 40 policiais paramilitares indianos em 14 de fevereiro, mas o risco de conflito aumentou drasticamente na terça-feira, quando a Índia realizou um ataque aéreo contra o que disse ser uma base de treinamento de militantes.

O primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, pediu nesta quarta-feira negociações com a Índia e disse esperar que o “bom senso” prevaleça para que os dois países possam diminuir as tensões.

“A história nos mostra que as guerras estão cheias de erros de cálculo. Minha pergunta é: dadas as armas que temos, podemos permitir ter um erro de cálculo?”, disse Khan durante uma breve transmissão televisiva à nação. “Devemos nos sentar e dialogar.”

O ataque da Índia na terça-feira teve como alvo o Jaish-e-Mohammed (JeM), grupo que reivindicou o ataque suicida. A Índia disse que um grande número de combatentes do JeM foi morto, mas autoridades paquistanesas afirmaram que a investida foi um fracasso e não deixou vítimas.

Paquistão e Índia lutaram três guerras desde sua independência do Reino Unido em 1947 e estiveram prestes a ir a combate uma quarta vez, em 2002, após um ataque de militantes paquistaneses ao Parlamento indiano.

A escalada mais recente marca uma reviravolta repentina nas relações entre os dois países, que reivindicam a região montanhosa no Himalaia da Caxemira, mas governam parcialmente. Recentemente, Khan mencionou “consertar os laços” com a Índia.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, falou separadamente com os ministros das Relações Exteriores da Índia e do Paquistão e pediu que evitassem “outras atividades militares” após o ataque aéreo de terça-feira.

“Expressei para ambos ministros que encorajamos cautela entre os países e que evitem outras atividades militares”, disse ele.

A China e a UE também pediram cautela.

 

Fonte: Reuters

 

Vídeo AlJazeera

[embedyt] https://www.youtube.com/watch?v=O5okJwHkxh8[/embedyt]

Categories
Conflitos Geopolítica Terrorismo Traduções-Plano Brasil

IAF ataca terroristas em território Paquistanês

Tradução e adaptação-E.M.Pinto- Sugestão Rustam- Moscou

Segundo a imprensa indiana, a Força Aérea Indiana atacou postos de treinamento de terroristas em território paquistanês na manhã de 26 de fevereiro de 2019.

O ataque foi coordenado em três campos de militantes dos grupos terroristas islâmicos Jaish-e-Muhammad (JeM, Exército de Muhammad), Hezbul Mujahiddin (Hizbul Mujahideen) e “Lashkar-Taiba” (Lashkar-e-Tayyaba, LeT, “Exército do Senhor”).

Dois desses campos foram localizados nas áreas de Chakoti e Muzaffarabad, na parte paquistanesa de Caxemira e o terceiro (o principal campo do grupo JeM) está localizado nas áreas de Balakot e Mansehra, na província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhwa (isto é, fora o território disputado de Jammu e Caxemira).

O ataque foi realizado por 12 caças Dassault Mirage 2000H da Força Aérea da Índia, que usaram bombas israelenses de 2000  libras e sistemas Rafael Popeye 2 (Crystal Maze) guiadas por sistemas de observação e navegação Rafael Litening.

Os ataques por um grupo significativo de aviação da Força Aérea Indiana, incluiu duas aeronaves A-50EI e um NETRA (baseada na Embraer E145), duas aeronaves Il-78MKI e de quatro a oito caças Su-30MKI como escoltas. Duas aeronaves Mirage 2000H foram equipadas com sistemas de interferência ativa e para reconhecimento e designação de alvos, foram utilizados os drones israelenses UAI IAI Heron.

A mídia indiana afirma que o Mirage 2000H decolou da base aérea de Gwalior, no centro da Índia, para garantir a rapidez, o reabastecimento aéreo de aviões Il-78MKI a caminho do alvo e pousou em Ambala após o ataque. Os caças Su-30MKI foram lançados a partir das bases aéreas de Bareilly e Halvar e os aviões AWACs, a partir de Agra (A-50EI e IL-78MKI) e Bhatimda (NETRA). O ataque foi lançado às 03:45, hora local, e durou 21 minutos.

O lado indiano anunciou o sucesso total da operação. “Os campos terroristas em Balakot, Chakoti e Muzaffarabad foram completamente destruídos como resultado dos ataques aéreos da Força Aérea. Os postos de controle do Exército de Muhammad também foram destruídos”, informou a agência de notícias oficial ANI.

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Conflitos e Historia Militar EDITORIAL Geopolítica História Israel Síria Terrorismo

EDITORIAL-Exército Árabe Sírio Parte I - A primavera das sombras


 

 

Autor:

E.M.Pinto

 


Exército Árabe Sírio Parte I – A primavera das sombras

PREFÁCIO

De derrotas humilhantes às mais fulminantes vitórias, num dos teatros de conflito mais complexos que se tem conhecimento. Esta é a trajetória do Exército Árabe da Síria (SAA) que conseguiu “virar a mesa” no momento onde tudo parecia perdido.

O palco? O mais sangrento conflito da atualidade o qual desperta variadas interpretações e questionamentos.

O conflito ceifou cerca de meio milhão de vidas e deixou outras cerca de 1,5 milhões  de feridos em sua maioria crianças e idosos. A guerra promoveu ainda uma crise humanitária com a fuga de cerca de 5,0 milhões de pessoas para o exterior e outras 6,5 milhões tiveram que se mobilizar internamente de uma região para a outra. Atualmente cerca de 70% da população não têm acesso à água potável e a pobreza atinge 80% dos sírios que não têm condições de acesso a alimentos básicos.

O conflito considerado uma “pequena guerra mundial” envolveu efetivos entre soldados regulares, mercenários e voluntários de cerca de 80 nacionalidades num território um pouco menor que o estado do Paraná.

Para alguns o regime de Bashar Al- Assad não sobreviveria sem o apoio da Rússia, Irã e dos seus aliados Libaneses, para outros, a ajuda foi bem vinda, mas a Síria de Assad seria capaz de se sustentar mesmo com a perda de importantes territórios e do moral de exército.

 Não importa qual das opiniões prevaleçam frente à realidade, não há dúvidas de que, atualmente o Exército Sírio está bem mais adaptado e preparado para enfrentar um conflito assimétrico que à sete anos atrás.

Após esta reviravolta no conflito, chega-se a uma importante dúvida, como o exército Sírio foi convertido de uma “presa fácil” como alegavam alguns analistas nos anos iniciais do conflito, à uma eficiente máquina de combate como se viu nas retomadas de 2017 e 2018?

É sobre isso que discorro nesta nova série de matérias da coluna EDItorial que apresenta neste primeiro artigo uma recapitulação dos eventos determinantes para o desenvolver deste conflito.


A PRIMAVERA DAS SOMBRAS

O conflito que se converteu na guerra da Síria teve início em meados de 2011, resultado da movimentação internacional em prol da derrubada de líderes de governos do oriente médio e África.

Uma tempestade se abateu ao norte da África, pegando de solavanco as nações árabes do Oriente Médio, sobre o nome de “Primavera Árabe” a qual, refletiu na Síria provocando inúmeros protestos  contra o governo de Bashar Al-Assad.

O conflito que inicialmente teve suas centelhas em movimentos populares logo, logo eclodiu na mais sangrenta guerra deste século, afetando diretamente os quase 24 milhões de habitantes daquela nação.

Motivados por denúncias que surgiram na onda de divulgações de informações do WikiLeaks, um grupo de cidadãos se indignou com a corrupção envolvendo altos representantes do governo e em março de 2011 deu-se início aos protestos ao sul de Derra em favor da “democracia”.

Após a prisão de jovens e adolescentes por agentes da polícia e do serviço secreto sírio, a população revoltou-se e iniciaram uma onda de protestos nas escolas e praças públicas.

Policiais, viaturas e prédios públicos passaram a serem alvos de violência praticadas por grupos que se misturaram aos protestos. Como resposta, o governo ordenou o uso da força desmedida, abrindo fogo contra manifestantes causando inúmeras mortes, o que ressonou na revolta da população contra a repressão exigindo a renúncia do presidente Bashar Al-Assad.

Com várias nações do Oriente Médio e Norte da África mergulhadas em descontentamentos semelhantes, os demais países passaram a combater uma onda crescente de rebeldes que armados contra os seus governos incendiaram conflitos locais e desta forma, a Síria se viu isolada sem apoio político para impor a sustentação do seu governo.

A Líbia, assistia a queda de Muammar Al-Gaddafi  o dirigente máximo, Egito, Tunísia haviam experimentado transições menos violentas e ´de fora deste eixo, o Irã sufocara o levante popular na onda verde que se insurgiu. Na síria porém, Assad parecia firme e determinado a sufocar a revolta interna e a desafiar os ditames internacionais numa demonstração clara de que o seu exército estaria ao seu lado.

Ao mesmo tempo, surgia no coração da Síria, diversos grupos de oposição armada, inúmeros nomes e siglas de origens distintas mas que, maquiavelicamente compartilhavam dos mesmos objetivos políticos, derrubar Assad a qualquer custo. Uma onda de deserções em massa e entrega sem resistência de material militar para os opositores se abate à Síria dando um indicativo de que os dias de Assad estariam próximo do fim.

Estes movimentos se declararam em marcha para lutar contra as forças de segurança. Brigadas inteiras foram formadas por ditos “rebeldes” que passam a controlar cidades, pequenos vilarejos e que imediatamente foram reconhecidos, recebendo apoio técnico, militar e suprimentos dos Estados Unidos, França, Canadá, dentre outras nações europeias e do oriente médio como Arábia saudita, Turquia e até mesmo de Israel.

CONTRA TUDO E CONTRA TODOS

Na cronologia dos eventos pode-se destacar Julho de 2011, quando dezenas de milhares de manifestantes voltaram às ruas e foram reprimidos pelas forças de segurança de Bashar Al-Assad.

Uma catástrofe humanitária se instaura e centenas de milhares refugiados deixam a Síria saindo preferencialmente pela Turquia em razão dos ferozes combates e bloqueios impostos por ambos os lados do conflito.

Alimentos, combustíveis e o acesso à água são rapidamente interrompidos e por diversas vezes, as forças humanitárias são impedidas de entrar na zona de conflito.

Lideradas pelo presidente Bashar Al-Assad, as Forças Armadas Sírias tentam manter o regime e enfrentam três principais inimigos distintos, o auto intitulado  Exército  Livre da Síria, formado por vários grupos que se rebelaram contra Al-Assad após o começo do conflito em 2011 e que passaram a receber o  apoio da Turquia, Arábia Saudita e Qatar.

Ao norte, o Partido da União Democrática formado pelos curdos, reivindicava a autonomia do povo curdo na Síria juntamente e que recebiam apoio das milícias curdas do Iraque e Turquia.

No auge do conflito surge uma força ameaçadora que se demonstra mais perigosa, o auto intitulado Estado Islâmico declara a implantação de um califado na região.

Em meados de 2012 os combates chegam aos arredores de Allepo, a maior cidade do país, antes do conflito. A maioria sunita passa a se manifestar contra o regime, demonstrando a força crescente dos grupos jihadistas o que alimenta ainda mais o poder dos grupos rebeldes que se aproveitam das fragilidades geradas no conflito.

Por volta de Junho de 2013 as organizações de ajuda humanitária, endossadas pelas Nações Unidas declaram que o conflito já teria ceifado 90 mil vidas e em agosto de 2013, num dos mais controversos eventos do conflito, um ataque químico mata centenas de moradores nos subúrbios de Damasco. Até hoje o regime Sírio acusa os rebeldes patrocinados pelas nações estrangeiras por esta atrocidade, porém este não foi o único evento do tipo.

Aproveitando-se da quase inépcia do regime que parece implodir, em Junho de 2014 o Estado Islâmico toma o controle de parte da Síria e do norte do Iraque proclamando assim o califado e surge ai uma ameaça muito mais contundente ao regime.

Neste momento os Estados Unidos ameaçam intervir no conflito, porém o que se vê são apoios pontuais, que para a comunidade internacional fica evidente se limitarem aos opositores de Assad sem nenhum efeito prático contra aquela que se considera a maior ameaça  a segurança internacional, o Estado Islâmico.

O SHOW DAS PODEROSAS

Em consequência do alegado ataque químico por forças de Assad, uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos lançam um ataque aéreo contra as forças Sírias.

Assad passa a combater além do levante interno, a ameaça das nações mais poderosas do planeta. Seu exército que aparentemente não consegue conter os avanços das forças rebeldes e do Estado Islâmico, perde a cada dia mais posições para os seus inimigos, a moral do SAA chega ao seu mais baixo nível e muitos dão como perdida a tentativa de manutenção do governo.

É Agosto de 2015 e a guerra toma um rumo sombrio e bárbaro, especialmente instituído pelos combatentes do Estado Islâmico, que promovem assassinatos em massa, a maioria por decapitação. Mas também, efetuam ataques com armas químicas contra as forças de Assad e civis na cidade de Marea.

Na esfera internacional, fala-se numa Síria pós Assad e a sua queda é considerada eminente. Num emblemático pronunciamento a comunidade internacional, Vladimir  Putin faz um discurso na assembleia das Nações Unidas em 28 de setembro de 2015, declarando seu total apoio à manutenção do regime de Assad, contrariando e enfrentando aqueles que se posicionavam de forma contrária.

Pedindo apoio para formação de uma ampla aliança para uma efetiva luta contra o terrorismo internacional o mandatário russo balança o cenário internacional  e prontamente no dia 30 de setembro cumpre a sua promessa com o envio à síria de uma componente aérea de caças, aeronaves de ataque, inteligência e salvamento. 

TROIKA SÍRIA

Com a chegada do apoio militar russo a Síria, as forças aeroespaciais passam a atacar posições de comando, logísticos e depósitos de armas, posicionando-se de forma contundente em favor do regime de Assad.

Surgem assim as alianças políticas, como a Coalizão Nacional da Síria Revolucionária e das Forças de Oposição.

Com apoio aéreo e inteligência russa e iraniana, apoio em solo pelas forças iranianas e libanesas, o ano seguinte começa com derrotas humilhantes para as forças rebeldes, em Março de 2016, as forças de Al-Assad reconquistam a cidade de Palmira das mãos do Estado Islâmico. Inesperadamente o conflito começa a ganhar um novo rumo, onde se vê um protagonismo maior por parte da Rússia e Turquia que passam a mediar reuniões entre as partes beligerantes a fim de alcançar a paz.

A frente de batalha Síria avança para retomar as suas cidades principais perdidas anos antes para os rebeldes e ou Estado Islâmico e em Setembro de 2016, sob o comando e presença das forças russas, o exército sírio bombardeia maciçamente Allepo, aniquilando a sua resistência e reconquistando a cidade. A batalha pela cidade que durou quatro anos tornou-se numa vitória estratégica para Assad e declarou à comunidade internacional que o seu regime não cairia nas mãos de seus adversários.

As vitórias em campo começaram a repercutir nas frentes adversárias de Assad que começaram a se evadir do conflito, desertar e negociar acordos de paz que quase nunca eram respeitados por ambos os lados.

Em Janeiro de 2017 começam as negociações do que ficou conhecido como o “Processo de Astana” quando vários atores da guerra tentaram mediar um cessar-fogo. O Acordo de Astana foi ratificado apenas pela Russa, Irã e Turquia, não sendo ratificado pelo governo sírio ou pela oposição que passou a comandar suas operações a partir do exílio.

Um novo ataque químico novamente atribuído ao Exército Sírio à população civil da cidade de Khan Shaykhun marca um novo e perigoso episódio deixando uma centena de mortos. Como resposta, pela primeira vez, os Estados Unidos atacam diretamente a base síria d’Al-Chaayrate onde dezenas de mísseis táticos tentam liquidar a base.

Em Setembro daquele mesmo ano, as Forças Democráticas Sírias e o Estado Islâmico travam uma luta pela posse de Deir ez-Zor, região rica em petróleo.

CORRAM PARA AS MONTANHAS

E em fevereiro de 2018, o exército de Bashar al-Assad, lança uma ofensiva violenta à região de Ghouta, reduto da  oposição mais ferrenha ao regime. Seguida de bombardeips e fogo maciço da artilharia a frente blindada abriu passagem para que as forças de Assad retomassem a cidade. A comunidade internacional alega um massacre civil de mais de 300 habitantes que se encontravam na linha de fogo de ambos os lados.

Em fevereiro de 2018, a ONU decretou uma pausa humanitária a fim de fazer entrar um comboio na zona de conflito de Ghouta Oriental, a pausa inicialmente respeitada pelas forças de Assad foi forçada pela pressão do presidente russo Vladimir Putin para que se pudesse entregar remédios, roupas e alimentos para os civis. Cerca de 400.000 pessoas estavam encurraladas entre os dois exércitos combatentes. O cessar-fogo, porém, não foi respeitado por nenhum dos lados e mais mortes ocorreram.

Na sequência em Abril de 2018 mais exatamente na sua primeira semana, um ataque com armas químicas foi efetuado na localidade de Jan Sheijun. Ainda que não se soubesse com certeza os seus autores, França, Estados Unidos e Reino Unido apostaram novamente no regime de Assad e desta maneira, mais uma vez atacaram as forças Sírias na região de Duma.

Atualmente o conflito tem se esfriado e a vitória de Assad e reconquista dos territórios tem promovido o retorno dos refugiados, com impasses ainda a decidir principalmente nas regiões sobre controle dos Curdos e das forças da Coalizão lideradas pelos Estados Unidos.

UMA NOVA GUERRA ESTÁ SURGINDO?

A retirada das tropas dos Unidos do nordeste da Síria expõe os grupos curdos diante de uma possível nova ofensiva Turca e os obriga a cooperar com o governo sírio. A Turquia anunciou, em 12 de dezembro, que iniciaria uma nova operação militar contra os combatentes curdos das Unidades de Proteção Popular conhecidas como o YPG, ligado ao partido Curdo da Turquia.

As Forças Democráticas Sírias, a aliança curdo-árabe formada essencialmente pelas milícias das YPG, já advertiram que uma operação da Turquia enfraqueceria as operações contra o estado Islâmico e também poderia afetar a situação de extremistas ocidentais detidos no norte da Síria.

Dirigentes curdos agora restabelecem contatos em Damasco com o governo sírio para discutir o futuro do norte do país, do qual o regime de Bashar al-Assad perdeu o controle em 2012.

A aliança curda afirma em Janeiro de 2019 que o grupo jihadista Estado Islâmico está encurralado em uma área de seis quilômetros quadrados na província síria de Deir ez-Zor, onde utiliza milhares de civis como escudos humanos. Uma aliança militar liderada pelas milícias curdas o exército democrático da Síria lançou em setembro de 2018 uma ofensiva contra os últimos territórios controlados pelo Estado Islâmico no sudeste da Síria, com o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

O estado Islâmico que ocupou amplos territórios na Síria e no Iraque em 2014 desmorona sobre seus pés e é perseguido dentro e fora da Síria.

Por seu lado, Damasco e Teerã assinaram em 28 de janeiro de 2019 amplos acordos e protocolos, incluindo um pacto de cooperação econômica “estratégica” e “de longo prazo”, para reforçar a cooperação entre ambos os países, aliados na guerra que assola o primeiro país desde 2011.

CONCLUSÃO

O conflito na Síria surgiu de uma forma inesperada e, tanto o governo como forças armadas foram pegos de surpresa, estavam completamente despreparados para aquela situação.

A dinâmica do conflito e a velocidade com que os eventos ocorriam tornavam difícil a possibilidade de se reverter o quadro,  especialmente porque as forças armadas Sírias estavam preparadas para uma guerra convencional e se depararam da noite para o dia com uma força oponente com características distintas, com táticas de combate totalmente novas e criativas, num conflito que se propagou pulverizado em muitos territórios, exigindo do exército Sírio uma mobilidade e rapidez da qual ele não era capacitado a atender.

A sua resposta foi lenta e inicialmente muito difícil, pois exigia uni presença no seu território. Além disso as condições da Guerra exigiram mudanças radicais nas estratégias de combate, os oponentes dispunham de drones, fuzis de assalto, mísseis anticarro modernos e uma variada gama de estratégias de combate apoiadas por potências internacionais. Nos primeiros anos do conflito os estrategistas sírios pouco puderam fazer para garantir a superioridade no conflito. Era frequente que as tropas sírias fossem pegas de surpresa e sem o apoio da Força Aérea, os avanços das frentes de combate eram praticamente nulos.

Assad demorou pelo menos três anos até conseguir organizar as forças, porém num dado momento o avanço dos oponentes cessou e o SAA passou a progredir   e passou a controlar as situações, logrando êxitos no campo de batalha.

Porém é de se ponderar que mesmo nos momentos em que se demonstrou fraqueza e eminente derrota, o Exército Sírio manteve-se forte e heroicamente resistiu a guerra implementada por soldados e armas de quase 80 nações na frente de batalha, enfrentando um inimigo  cujas formas de combate não eram compatíveis com aquilo que a Síria tinha se preparado para enfrentar.

Por essa razão as baixas foram pesadas nos primeiros anos, até que pouco a pouco a situação foi sendo controlada pelo regime,  até chegar em  2018 onde se registrou o menor número de mortos do conflito, com o exército sírio recuperando a maior parte do território e retomando naquela data cerca de 80% do território que antes estava nas mãos do Estado Islâmico.

O apoio do Irã, Líbano e Rússia contribuíram muito para esta vitória, mas ao contrário do que se pensa, não foram os únicos fatores responsáveis pela “virada de mesa” de Assad.

Nos próximos artigos serão abordados os demais fatores e o papel central do SAA na reconquista do território Sírio. Será apresentado o atual status das  Forças Armadas sírias e as ameaças que se enquadram no norte e nordeste do país, da possibilidade do ressurgimento do Estado islâmico e das intervenções internacionais, desejo das potências contrárias a manutenção do governo Assad.


Sobre  o Autor:

E.M. Pinto é Físico, Mestre em Física Aplicada e Doutor em Engenharia e Ciências dos Materiais, Professor Universitário editor do site Plano Brasil e de Revistas científicas  internacionais.

Categories
Artigos Exclusivos do Plano Brasil Aviação Conflitos Geopolítica Terrorismo

O ataque letal do Drone Houthi durante uma parada militar das forças apoiadas pela coalizão no sul do Iêmen

Houthi Drone Attack Kills At Least 6 At Military Parade Of Coalition-backed Forces In Southern Yemen

E.M.Pinto- informações South Front
Agradecimentos à Tito Lívio
.

Um ataque de drone Kamikaze Houthi a uma parada militar das forças leais à coalizão Saudita e dos Emirados Árabes Unidos matou pelo menos seis pessoas. O ataque atingiu uma base militar no distrito de Al-Anad.

De acordo com o site Sky News Arabia, citando fontes locais, o ataque matou várias autoridades do governo apoiado pela coalizão dentre eles, o comandante do Estado-Maior General, o general Abdullah Al-Nakhai, o governador de Lahj Ahmad Abdullah al-Turki, General Thabet Jawas e o porta-voz do quarto distrito militar, Mohammed Al-Naqib. Seis soldados também foram mortos. 

A Sky News Arabia também publicou um vídeo imediatamente após o ataque . A seguir o vídeo da AlJazeera.

Al-Quaiti disse em entrevista por telefone à Sky News Arabia que o avião explodiu a cerca de 300 metros do local do desfile militar, e que o tempo entre ouvir o som e a explosão não ultrapassou 7 segundos.

Ele notou que a aeronave viajava a baixa altitude, aparentemente parecia ser possível detectar e evitar por  sistemas antiaéreos espalhados pelas montanhas ao redor da base militar.

Ainda não está claro se algum oficial da Arábia Saudita ou dos Emirados Árabes Unidos esteve presente na parada militar. A coalizão liderada pelos sauditas-UAE iniciou a intervenção no Iêmen em 2015 e desde então luta contra os Houthi.

Apesar dos progressos relatados nas negociações de paz mediadas pela ONU em dezembro de 2018, parece que o conflito está longe de ser resolvido. Durante as negociações, Houthis e o governo apoiado pelos sauditas concordaram com um cessar-fogo na estratégica cidade portuária de Al-Hudaydah e em retirar forças.

Os houthis disseram em novembro que estavam suspendendo os ataques de mísseis e drones na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e em seus aliados Iemenitas, mas as tensões aumentaram recentemente.

Porém, forças do governo apoiados pela coalizão assumiram o controle de locais estratégicos na área de Al-Shuraijah e Qubaita, ao norte da província de Lahj.  As forças do governo continuaram seu avanço em direção a Jabal al-Qaher, que tem vista para a linha Al-Rahda-Aden, depois de reconquistar o controle de Jabal Khallala, no sudeste de Al-Rahedah, na província de Taiz, e vários locais circunvizinhos no distrito de Qubaytah. norte de Lahj.

É possível que o ataque dos drones à parada militar seja uma resposta aos recentes avanços da coalizão liderada pela Arábia Saudita que lançou uma ofensiva maciça nos últimos dias em torno da província de Lahj.

Sobre o Drone e seu modo de operação

O veículo aéreo não-tripulado Kamikaze atende pelo nome de  Qaesf-2000 e foi apresentado pelos seus operadores durante uma coletiva de imprensa em 14 de janeiro.

O Houtis apresentaram um vídeo que mostra o drone explodindo sobre um alvo durante um teste. Em outros vídeos, os Houtis apresentam o drone  atacando  forças apoiadas pelos sauditas nas províncias de Asir e Jizan, no sul, Ambos os ataques ocorreram nos últimos dias.

https://www.youtube.com/watch?v=fAqxBeetJCU

O Qasef-2000 possui uma ogiva de fragmentação do tipo (HE-frag) que explode 10 a 20 metros acima do alvo. O raio de explosão da ogiva é de mais de 150 metros. A arma é bastante eficiente, num ataque realizado pelos Houtis   no distrito de Al-Anad, no sul do Iêmen o Qasef -2000 eliminou vários comandantes das forças Iemitas incluindo o Chefe da Inteligência Militar do Iêmen, o major-General Mohammad Saleh Tamah.

Os especialistas acreditam que o Qasef-2000 é uma cópia ligeiramente atualizada do UAV Qasef-1, que por sua vez é uma se trata de uma cópia direta do drone iraniano n Ababil-2. O alcance operacional do drone é estimado em torno de 100km.

Concepção artística e imagem  do drone iraniano Ababil2

O drone tem sido massivamente produzido pelos Houtis  que prometeram apresentar nos próximos dias, uma nova gama de armas do gênero e mísseis avançados o que certamente elevará as tensões com a coalizão liderada pela Arábia Saudita fragilizando ainda mais o já combalido acordo de paz.

Categories
Conflitos Geopolitica Terrorismo

Gabão: Militares tentam golpe de Estado

Militares invadiram a rádio pública e anunciaram um golpe de Estado para salvar o Gabão “do caos”. O Presidente Ali Bongo está fora do país. Mas Governo gabonês garante que já está tudo “sob controlo”.

Militares gaboneses anunciaram, esta segunda-feira (07.01) de madrugada, terem assumido o controlo do Governo para “restaurar a democracia” no país. Ouviram-se tiros junto à sede da televisão estatal e, na rádio, um grupo de oficiais apelou à criação de um “conselho nacional da restauração”.

“Chegou o tão esperado dia em que o Exército decidiu colocar-se do lado da população para salvar o Gabão do caos”, afirmaram os militares. “Se estão a comer, parem. Se estão a beber, parem. Se estão a dormir, acordem. Acordem os vizinhos… Ergam-se e tomem o controlo das ruas”. Os golpistas pediram ainda à população para ocupar edifícios públicos e os aeroportos do país.

A internet foi cortada. Nas imediações da rádio estatal, soldados leais ao Governo dispararam gás lacrimogéneo para dispersar 300 pessoas que tinham ido para as ruas, em apoio aos golpistas, contou uma testemunha à agência de notícias Reuters.

Gabun - Präsident Ali Bongo Ondimba - 2018 Illegal Wildlife Trade ConferencePresidente do Gabão, Ali Bongo

A meio da manhã, o porta-voz do Governo, Guy-Bertrand Mapangou, garantiu que “a situação está sob controlo”.

Segundo Mapangou, dos cinco militares que assumiram o controlo da televisão e rádio estatais, “quatro foram detidos e um está em fuga.” À DW, o porta-voz disse que o militar que fugiu é o líder dos golpistas, o tenente Kelly Ondo Obiang.

Militares insatisfeitos com Presidente

Os militares golpistas disseram estar insatisfeitos com a governação do Presidente Ali Bongo, de 59 anos. Segundo o líder Kelly Ondo Obiang, o discurso de Ano Novo de Bondo, emitido a 31 de dezembro, “aumentou as dúvidas sobre a capacidade do Presidente de continuar a desempenhar as suas responsabilidades”.

Ali Bongo, no poder desde 2009, ficou doente em outubro passado. Está atualmente em recuperação, em Marrocos. A sua família governa o Gabão há cinco décadas.

O porta-voz do Governo, Guy-Bertrand Mapangou, disse que a segurança na capital foi reforçada, e que esse reforço se deverá manter nos próximos dias.

Fonte: DW

Categories
Conflitos Defesa Terrorismo Traduções-Plano Brasil

Preparação para a batalha decisiva: Carros de combate e pontes chegam às cercanias de Idlib

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

As tropas sírias, estão se preparando para uma ofeniiva em larga escala em Idlib e estão transferindo equipamentos de engenharia, em particular o equipamento blindado MTU-20, para a área . Um vídeo amador divulgado no canal WarDoc mostra a transferência de equipamentos pesados como IFV, pontes móveis e blindados sendo deslocados.

A última vez que os veículos ponte foram maciçamente utilizados foi na  operação em fevereiro deste ano, quando os grupos considerados terroristas pelo governo de Assad invadiram posições em East Guta, onde formações ilegais construíram toda uma rede de canais e valas cheias de água.

Foto: Alexei Moiseev
Foto: Na Síria, um misterioso “Carro  ponte”

O MTU-20 é um veículo ponte baseado no carro de combate médio T-55. O comprimento da ponte no estado desdobrado é de 20 m e a massa dos veículos de combate lançados  pode chegar a 50 toneladas. A massa da ponte é de 37 toneladas. A capacidade do motor é de 580 cv. A velocidade máxima ao longo da estrada é de 50 km / h e sua autonomia é de 500 km. e a sua Tripulação de 2 pintegrantes.

“Os militantes provavelmente serão infiltrados à leste de El-Gab e utilizarão artilharia de foguetes pesados. Nesse trajeto, o maior desafio é não se ecpor ao fogo dos mísseis guiados anti carro e portanto, a questão é rapidamente superar os obstáculos reduzindo as perdas entre as forças do governo. desta forma ol MTU-20 será muito útil” – acredita Yuri Ljamin especialista no conflito Sírio.

 

De acordo Ljamin, potencialmente lançados nas batalhas para a província de Idlib as pontes serão mais úteis no vale do rio Orontes , que é conhecida em mapas como o limite natural de El-Gab. Ele está localizado na junção das províncias de Hama, Idlib e Latakia e é permeado por uma rede de canais de irrigação. Isto pode criar dificuldades para a passagem do maquinário do exército sírio na ofensiva em direção a Jisr al-Shugur e além.

Fonte: RGRU

 

Categories
Conflitos Estado Islãmico Forças Especiais Geopolítica Terrorismo Traduções-Plano Brasil

Exército da Jordânia ataca militantes do Estado Islâmico que fogem das forças sírias

Reportagem de Suleiman Al-Khalidi; Edição por Richard Balmforth

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

AMAN (Reuters) – O Exército da Jordânia disse na quinta-feira que abateu vários militantes do Estado Islâmico que se aproximaram de suas fronteiras quando fugiram da ofensiva síria que os expulsou de seu enclave no sudoeste do país devastado pela guerra.

As unidades do Exército usaram “todos os tipos de armas” para bombardear um grupo de militantes que se aproximaram do vale de Yarmouk em confrontos que duraram quase vinte e quatro dias de terça a quarta à tarde, disse uma fonte do Exército.

“Nós aplicamos regras de engajamento aos membros do Daesh (Estado Islâmico) que foram forçados a recuar para dentro da Síria e alguns de seus membros foram mortos”, disse uma fonte do Exército à agência estatal de notícias Petra.

Depois de semanas de intenso bombardeio apoiado pelos russos, o exército sírio ocupou o exuberante território agrícola onde flui o rio Yarmouk, que já foi controlado por um grupo afiliado ao Estado Islâmico, conhecido como o Exército Khaled Bin Walid.

A Jordânia, ao lado de outros partidários ocidentais e árabes, forneceu armas e apoio logístico a ex-rebeldes do Exército Sírio Livre (FSA) para derrotar os militantes até que os próprios rebeldes foram derrotados pelo exército sírio no mês passado e perderam terreno. Uma fonte do exército jordaniano disse que os militantes que fugiram da fronteira foram perseguidos pelo exército sírio que conduzia operações na área para expulsá-los de seus últimos esconderijos.

Os militantes tentaram se proteger entre centenas de civis acampados perto da fronteira com a Jordânia para escapar do bombardeio de suas aldeias durante a ofensiva contra os militantes, disse uma fonte da inteligência. Os combates pesados ​​desalojaram a maioria dos 40 mil habitantes e causaram muitas vítimas civis, disse a fonte.

Após a captura da área, dezenas de militantes estimam que entre mil e 1.500 combatentes controlavam a área que se acredita estar escondida em um terreno acidentado que separa as fronteiras dos dois países próximos à bacia de Yarmouk.

 

Fonte: Reuters

Categories
Conflitos Estado Islãmico Israel Terrorismo Traduções-Plano Brasil

Rússia vai implantar polícia militar nas colinas de Golan

Nayera Abdullah in Cairo

Tradução e Adaptação- E.M.Pinto

MOSCOU (Reuters) – A Rússia colocará sua polícia militar na fronteira entre a Síria e Israel, disse o Ministério da Defesa nesta quinta-feira, após semanas de crescente volatilidade na área.

Chefe da Diretoria Operacional Principal do Estado Maior General das Forças Armadas Russas, tenente-general Sergei Rudskoi durante uma entrevista coletiva, com um mapa mostrando o território de Israel, Jordânia, Líbano e Síria visto ao fundo, em Moscou, Rússia. , 2018. Alexander Zemlianichenko / Pool via REUTERS
O presidente sírio, Bashar al-Assad, está varrendo os rebeldes no sudoeste da Síria e tem preocupado Israel, que acredita que poderia permitir que seus partidários iranianos entrincheirassem suas tropas perto da fronteira. Sublinhando as tensões, Israel matou sete militantes em um ataque aéreo noturno na parte das colinas de Golan, na Síria, informou a rádio israelense na quinta-feira.
Sergei Rudskoi, um alto funcionário do Ministério da Defesa da Rússia, disse que a polícia militar russa começou na quinta-feira a patrulhar as colinas de Golan e planejou a instalação de oito postos de observação na área. Ele disse que a presença russa foi em apoio às forças de paz das Nações Unidas nas colinas de Golan, que, segundo ele, suspenderam suas atividades na área em 2012 porque sua segurança estava ameaçada.

“Hoje, as forças de manutenção da paz da ONU, acompanhadas pela polícia militar russa, realizaram suas primeiras patrulhas em seis anos na zona de separação”, disse Rudskoi em uma entrevista coletiva para jornalistas em Moscou.

“Com o objetivo de prevenir possíveis provocações contra postos da ONU ao longo da linha ‘Bravo’, está prevista a implantação de oito postos de observação da polícia militar das forças armadas russas”, disse Rudskoi.

Ele disse que a presença russa é temporária e que os postos de observação seriam entregues às forças do governo sírio assim que a situação se estabilizasse. O destacamento da polícia militar russa destaca o grau em que o Kremlin tornou-se um ator influente nos conflitos do Oriente Médio desde sua intervenção militar na Síria, que virou a maré da guerra a favor de Assad.

Israel tem pressionado o Kremlin a usar sua influência com Assad e  Teerã para tentar reduzir a presença militar iraniana na Síria. Israel vê o Irã e os aliados do Irã no exército xiita do Hezbollah como uma ameaça direta à sua segurança nacional.

Essa mensagem foi transmitida pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao presidente russo, Vladimir Putin, quando se reuniram em Moscou no mês passado, disse uma importante autoridade israelense.

Forças iranianas retiraram suas armas pesadas na Síria a uma distância de 85 km das colinas de Golan ocupadas por Israel, disse um representante russo na quarta-feira, mas Israel considerou a retirada inadequada.

 

Fonte: Reuters