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Rússia entrega novo navio de guerra ao Egito

O porta-voz da Marinha russa Viktor Kochemazov confirmou que a Rússia entregou um navio porta-mísseis R-32 para a Marinha egípcia.

O projeto russo 1241 da classe R-32 de navios porta-mísseis foi entregue ao Egito, escreve a RIA Novosti citando uma declaração do porta-voz da Marinha russa Viktor Kochemazov no sábado (25).

O navio de guerra vai ajudar ao Cairo a lutar contra o terrorismo não só em terra, mas também no mar, disse Kochemazov, sem entrar em detalhes sobre a entrega do navio à Marinha egípcia.

Em agosto de 2015, foi relatado que o Ministério da Defesa egípcio disse ter recebido um R-32, equipado com o sistema de mísseis Moskit. O Ministério disse que um grupo de marinheiros e engenheiros egípcios seria enviado para a Rússia, onde os especialistas vão ser treinados antes de serem embarcados no R-32.

O projeto 1241 de navios de guerra é um tipo de porta-mísseis soviético que tem nos documentos da OTAN o nome de Tarantul (em russo significa tarântula).

Foto: © Foto: www.airbase.ru

Fonte: Sputnik News

 

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Moscou apresenta um novo candidato ao BRICS

Depois do Egito, Argentina, Nigéria, Síria, Bangladesh e Grécia, mais uma nação mostra seu desejo de aderir ao BRICS. Um dos líderes da região em termos de crescimento de PIB, de acordo com o Banco Mundial, o país espera crescer economicamente por mais 7% no ano que vem, querendo candidatar-se ao importante bloco de países emergentes.

O desejo de um novo candidato de aderir ao BRICS foi revelado pela assessoria da imprensa do partido do poder da Rússia, a Rússia Unida, depois de o líder da bancada do partido na Duma (câmara baixa do parlamento russo), Vladimir Vasiliev, se reunir em Moscou com o presidente do Senado de Quênia.

“Ekwee David Ethuro manifestou a esperança de que o país dele, oportunamente, possa integrar o BRICS”, diz o comunicado do partido.

O parlamentar queniano sublinhou ainda a importância da cooperação dos países na realização de projetos de investimentos, em particular na área de extração de recursos naturais, além de elogiar a parceria estratégica desenvolvida entre Moscou e Nairobi e respeito mútuo no palco internacional, conclui o comunicado.

O bloco BRICS é uma união das economias de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A última cúpula do bloco foi realizada em Ufa, na Rússia, nos dias  9 e 10 de julho de 2015. O próximo encontro de líderes dos BRICS, sob a presidência da Índia, será realizado em Goa em 15-16 de outubro de 2016.

Foto: © AP Photo/ Alexander Zemlianichenko

Fonte: Sputnik News

China acusa Temer e Serra de boicotar os BRICS

O governo do presidente interino Michel Temer e do chanceler José Serra altera direção da política externa do Brasil e estaria boicotando o grupo BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. É o que diz a publicação da agência chinesa Xinhua, que é diretamente ligada ao governo do país.

“O presidente interino, Michel Temer, se aproveitou para alterar a estratégia diplomática do país e deixar de priorizar as relações com os Brics”, diz trecho do artigo, assinado por editores da Xinhua no Rio de Janeiro e em Pequim.

O texto também lembra que, em um de seus primeiros discursos, José Serra disse que a “nova política externa” do Brasil visava América Latina, Estados Unidos e União Europeia. No caso dos Brics, disse apenas que “o Brasil irá se esforçar para aproveitar as ‘oportunidades’ que o bloco oferece, mas sempre tendo o comércio e os investimentos mútuos”.

“Temer tentará fortalecer a relação com os Estados Unidos e Europa a fim de que eles reconheçam a legitimidade do governo interino, e, para tanto, será forçado a manter distância dos membros do Brics para evitar desagradar Washington”, acrescenta o artigo, citando a análise diretor executivo do Centro de Estudos Brasileiros do Instituto de América Latina da Academia de Ciências Sociais da China, Zhou Zhiwei.

Fonte: Sputnik News

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12 de Junho de 1964: Nelson Mandela condenado à prisão perpétua

Há 50 anos, no dia 12 de junho de 1964, Mandela, líder do Congresso Nacional Africano, então ilegal, e outros sete correligionários foram condenados à prisão perpétua.

“Estou feliz e, ao mesmo tempo, profundamente triste em poder voltar a Soweto. O que me entristece é ver que vocês continuam sofrendo sob o sistema desumano do apartheid.”

Esta foi a primeira declaração feita por Nelson Mandela, em fevereiro de 1990, quando saiu da prisão em que ficou confinado durante quase 28 anos. Suas primeiras palavras em liberdade foram abafadas pelas vozes de seus correligionários, que cantavam em clima de festa o hino Deus salve a África. Eles já pressentiam que o apartheid estava com os dias contados.

Também o que aconteceu nas décadas que antecederam esse dia nunca será esquecido pela África do Sul. Nelson Mandela, líder do então proibido Congresso Nacional Africano (CNA), passara a viver na clandestinidade em 1961. Ele havia jurado que lutaria, se necessário até com armas, contra a discriminação racial garantida por lei.

Segregação racial ancorada na lei

A partir de 1911, uma série de leis consolidara o domínio dos africâners (descendentes de holandeses) e ingleses sobre a maioria negra. Essa política de segregação racial foi oficializada em 1948, com a ascensão ao poder do Partido Nacional, que se manteve como força política dominante por mais de 40 anos.

O apartheid impedia os negros de possuírem terra, sua participação política e acesso às profissões mais bem remuneradas. Também os obrigava a viver em áreas separadas das zonas residenciais de brancos. Os casamentos mistos e as relações sexuais entre pessoas de raças diferentes eram proibidas.

CNA: resistência e ilegalidade

A oposição ao regime do apartheid intensificou-se a partir dos anos 50, quando o Congresso Nacional Africano (CNA), fundado em 1912, lançou uma campanha de desobediência civil. Em 1960, depois do massacre de 67 negros pela polícia numa manifestação, o CNA foi declarado ilegal.

Segundo Mandela, muitas pessoas notaram então que não fazia sentido falar de paz e não-violência diante de um governo que respondia com ataques brutais contra pessoas desarmadas e desprotegidas. Mas, antes que o CNA pudesse começar a responder à violência com violência, Mandela e vários companheiros foram presos e levados a tribunal.

Prisão perpétua: uma forma de clemência

Mandela esperava para si e seus amigos a pena de morte. O juiz Quartus de Wet, no entanto, anunciou no dia 12 de junho de 1964 que decidira não aplicar a pena máxima. Sob o argumento de estar apenas cumprindo sua obrigação e que esta era a única clemência possível, ele condenou todos os acusados à prisão perpétua. O então prisioneiro político mais conhecido do mundo seria libertado só em fevereiro de 1990.

O hino do ANC virou hino nacional e Nelson Mandela foi eleito, em 1994, primeiro presidente negro da história da África do Sul. Em outubro do mesmo ano, recebeu junto com o último presidente branco, Frederik de Klerk, o Prêmio Nobel da Paz.

Fonte: DW

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China: Um militar morre e quatro ficam feridos após ataque terrorista no Mali

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Um ataque terrorista em uma instalação  da ONU em Gao norte do Mali matou um soldado chinês e deixou outros  quatro gravemente feridos quando um artefato explosivo improvisado ( Improvised explosive device – IED)  detonou próximo os militares. Pouco tempo depois outro ataque foi realizado em um local diferente mantendo dois seguranças locais e um perito francês que trabalhavam para uma empreiteira. Ambos os ataques foram revindicados pelo grupo terrorista  Alqaeda do Magreb Islâmico.

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O Ministério das Relações Exteriores da China condenou fortemente o ataque terrorista. Pequim se comprometeu em continuar apoiando as operações da Paz da ONU pelo mundo. A  Missão da ONU no Mali conhecida como MINUSMA  ( Multidimensional Integrated Stabilization Mission in Mali) e considerada a mais perigosa missão de Paz da ONU  onde  mais de 60 integrantes  morreram em serviço desde sua criação  em  abril 2013 através da Resolução 2100 do Conselho de Segurança das Nações Unidas  em decorrência  de uma rebelião interna.

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O governo Chinês enviou seu primeiro contingente militar para o Mali ainda em 2013. Atualmente cerca de 400 soldados chineses estão baseados em Gao realizando missões de segurança, engenharia e trabalhos médicos.

o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou como  “ultraje” os “ataques terroristas realizados contras as tropas da ONU no Mali. A declaração observou que a violência contra a missão da ONU no Mali cresceu recentemente: “A recente onda de ataques dirigidos contra MINUSMA  ja matou 12 soldados da paz e deixou vários outros feridos“ conclui o Secretario.

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A China mantém atualmente total de mais de 2.400 capacetes azuis em missões de PAZ da ONU na  República Democrática do Congo (RD Congo), Libéria, Sudão, Sudão do Sul e Mali.

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Fonte: Tianshannet, Reuters e The Diplomat

Imagens Meramente Ilustrativas

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O inimigo do meu inimigo é meu amigo e também inimigo do meu amigo

Muammar Gaddafi (Kadafi)[2]

Autor: E.M.Pinto

Parece confuso? mas é isso mesmo…

Após as trapalhadas na Líbia,  as Potências ocidentais e as nações que financiaram os “rebeldes moderados” no golpe que derrubou o regime do ditador líbio  Muammar Al-Gaddafi, parecem ter mudado de ideia ao decidiram liberar o fornecimento de armas para o atual governo da Líbia combater os terroristas islâmicos e rebeldes que anos atrás recebiam seu apoio. 

Trágico se não fosse verdadeiro, porém, conforme havia profetizado antes do seu assassinato, o General Muammar Al-Gaddafi, advertiu as nações mundiais que financiavam os levantes contra o seu regime, de que estas estariam cometendo um erro absurdo .

“Kadafi adverte que guerra pode chegar ao Ocidente”. “Dar armas para terroristas e assassinos  terá consequências  desastrosas para o mundo”.

Por fim, o coronel líbio afirmou que as forças leais ao seu regime estavam lutando contra grupos da Al Qaeda, e questionou:

“estarão estes grupos dispostos a respeitar um cessar-fogo? Desafio a Aliança Atlântica a obrigar essa gente a um cessar-fogo”.

Dito e feito, não precisou esperar muito tempo, pois desde sua morte em 2011, a Líbia mergulhou numa sangrenta guerra civil que se intensifiou e que desde 2014 tem promovido uma catastrófica onda de imigração no mediterrâneo, assolando as nações do sul da Europa.

Adicionalmente, o país agora dividido em sete regiões comandandas por diferentes grupos está mergulhada numa guerra sanguinária a qual o mundo parecia não se importar em relatar nos noticiários e meios de comunicação livres.

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Porém, nesta segunda 16.05, numa tomada de decisão conjunta que  ocorreu em Viena, Austria, representantes de nações vizinhas à Líbia, bem como da União Européia e Estados Unidos, decidiram ceder armamento para que os Líbios possam combater os grupos terroristas como o Estado Islâmico (ISIS) que se aproveitaram do caos instalado no país.

É notório que o embargo à venda de armas de 2011 imposto à Líbia só agravou ainda mais a situação e permitiu que estes grupos muitas vezes travestidos de “rebeldes moderados” se fortalecessem e passassem a integrar as fileiras de organizações mais estruturadas como o ISIS, uma receita diabólica que não poderia ter outro resultado.

Não é exagero afirmar portanto, que a decisão tomada em Viena é uma medida desesperada que visa apoiar o rearmamento do governo líbio de união nacional, que tenta garantir a sua autoridade num país assolado por divisões políticas e pela ameaça terrorista que anos atrás foi estimulada por alguns dos atores que hoje se reuniram em Viena.

Do ponto de vista Líbio, este evento trata-se sem dúvida de uma importante vitória para o governo de unidade nacional, liderado por Fayez al-Sarraj, que recebe o apoio da comunidade internacional e cuja sede na capital Trípoli tem tido dificuldade em reestabelecer a unidade nacional. Al-Sarraj que estava presente em Viena, avaliou como muito positivo a suspensão do embargo.

O grupo de Viena composto por 24 delegações nacionais e/ou uniões regionais, inclui os Estados Unidos a Rússia, Arábia Saudita, China, Egito, Tunísia, França, Reino Unido, Alemanha e Itália. Num esforço conjunto, estas nações declararam em conjunto que apoiarão o esforço do novo executivo líbio que pedirá o levantamento do embargo sobre as armas à Líbia em vigor desde 2011. Afirmando estarem prontos para

“responder às demandas do governo líbio, em vista de treinar e equipar a guarda presidencial e as forças autorizadas”.

Em declaração o secretário de Estado americano, John Kerry enfatizou que o grupo de Viena objetiva

“Fornecer  armas e munições necessárias para que o governo de Unidade Nacional Líbio possa combater o Auto intitulado Estado Islâmico e demais grupos terroristas”. 

De fato o embargo das Nações Unidas sobre a venda de armas para a Líbia que foi imposto no início da revolta contra o regime de Muammar Khaddafi em 2011, vinha sendo violado com frequência em inúmeras situações e ambos os lados vinham recebendo suporte financeiro e material militar.

Analistas internacionais afirmam que apesar do apoio das nações européias, este governo terá dificuldades em estabelecer sua autoridade, especialmente frente às iniciativas de um governo paralelo com base no leste do país cujo lider, General Khalifa Hafter tem conseguido arrebatar mais seguidores a cada dia.

A confusão no estado Líbio pode ser medido frente aos recentes combates que se horizontam, curiosamente as duas  autoproclamadas autoridades, a União nacional liderada apor Al-Sarraj e pelo seu rival o general Hafter, preparam-se para lançar uma gigantesca ofensiva contra o Estado Islâmico (ISIS) em Syrte ao mesmo tempo, sem medir as consequências de um provável confronto de três inimigos num mesmo território.

Porém, analista ocidentais avaliam como difícil a vitória do governo de Al-Sarraj nesta outra frente com sua sede na cidade de Syrte, que foi controlada em junho de 2015 pelo Estado Islâmico (ISIS). Após  a ampliação de sua zona de influência para  oeste o ISIS tem lançado seus ataques e conquistado territórios.

O Estado Islâmico hoje conta com efetivo estimado entre 3000 a 5000 combatentes na Líbia e tem se expandido aproveitando o vazio deixado pelo regime de Kadafi que logo se sucedeu a uma disputa política e que como profetizado pelo prórpio Kadafi, se tornaria uma ameaça clara para a Europa.

O apoio europeu não é infundado, uma das mais emergenciais medidas a serem tomadas pelo governo de unidade nacional é a de combater e conter o fluxo de imigrantes da Líbia para a Europa, especialmente para a Itália que se situa a menos de 300 km do litoral Líbio e tem sido segundo analistas europeus,

“um corredor de refugiados que pode estar sendo usado como porta de entrada de jihadistas”.

A situação na Líbia está longe de ser resolvida e ao contrário, parece mergulhar ainda mais num conflito semelhante ao Sírio, cujas consequências respingam em todos os seus vizinhos e que só agora causou a preocupação dos Europeus quanto aquilo que Kadafi havia alertado.

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Argélia incorpora primeira fragata “Meko”

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A Marinha argelina incorporou em abril a primeira de duas fragatas “Meko A200” em construção pela TKMS na Alemanha. Os navios foram encomendados em abril de 2012, e o segundo exemplar tem incorporação prevista para o primeiro semestre de 2017. As fragatas são armadas com um canhão OTO Melara 127mm/64 LW, dois reparos de canhões de 30mm, mísseis antinavio RBS15 Mk.3 e mísseis antiaéreos sul-africanos Umkhonto, guiados por infravermelho.

Fonte: Segurança e Defesa

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Primeira Guerra Mundial será tema do novo jogo da série Battlefield confira!

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‘Battlefield 1’ leva série de games de tiro para a Primeira Guerra Mundial

Jogo acontece na Europa e na Arábia e traz avião do Barão Vermelho.
‘Battlefield 1’ será lançado em 21 de outubro para PS4, Xbox One e PCs.

'Battlefield 1' leva série de games de tiro para a Primeira Guerra Mundial (Foto: Divulgação/EA)
‘Battlefield 1’ leva série de games de tiro para a Primeira Guerra Mundial (Foto: Divulgação/EA)

Se “Call of Duty” irá viajar ao futuro em “Infinite Warfare”, o rival “Battlefield” vai para o passado. A Electronic Arts revelou nesta sexta-feira (6) “Battlefield 1”, novo game de tiro em 1ª pessoa que irá levar a série para os combates da Primeira Guerra Mundial.

“Battlefield 1” terá batalhas multiplayer entre até 64 jogadores e irá mostrar vários lados do conflito do início do século XX, desde seu fronte mais conhecido na Europa, em países como Itália e França, até o deserto da Arábia.

Avião do Barão Vermelho estará no game de tiro 'Battlefield 1' (Foto: Divulgação/EA)
Avião do Barão Vermelho estará no game de tiro ‘Battlefield 1’ (Foto: Divulgação/EA)

Como já é de se esperar, “Battlefield 1″ também terá combates por terra, mar e ar. O game mantém o foco na destruição do cenário, mas agora com uma nova ênfase nas batalhas de curta distância, com baionetas, maças e outras armas físicas.

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O primeiro trailer do jogo mostra conflitos entre tanques, navios de guerra, zepelins, cavalos e traz até o piloto alemão Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho. O militar Lawrence da Arábia também será um personagem jogavel.

“Battlefield 1” será lançado em 21 de outubro para Xbox One, PlayStation 4 e PCs.

Lança-chamas é uma das armas de 'Battlefield 1' (Foto: Divulgação/EA)
Lança-chamas é uma das armas de ‘Battlefield 1’ (Foto: Divulgação/EA)

Fonte:G1

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Vídeo: catamarã de desembarque tipo L-CAT.

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EUA querem venda de Super Tucanos, da Embraer, à Nigéria para combate ao Boko Haram

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Por Phil Stewart e Warren Strobel

WASHINGTON (Reuters) – O governo dos Estados Unidos busca aprovar a venda de até 12 aeronaves de ataque leve A-29 Super Tucano, da Embraer, para a Nigéria como auxílio no combate ao grupo extremista Boko Haram, disseram autoridades norte-americanas, em um voto de confiança à reforma conduzida pelo presidente Muhammadu Buhari para mudar o manchado histórico militar do país africano.

Washington também está dedicando mais ativos de inteligência, vigilância e reconhecimento para a campanha contra militantes islâmicos na região, e planeja providenciar mais treinamentos para as forças de infantaria nigerianas, disseram as autoridades à Reuters, falando sob condição de anonimato para discutir os planos do governo Obama para a Nigéria.

A possível venda dos Super Tucano -que autoridades dizem ser apoiada pela administração dos EUA, embora seja assunto de revisão pelo Congresso- destaca o profundo envolvimento norte-americano na ajuda a países do norte e oeste da África na luta contra grupos extremistas.

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O Congresso dos EUA ainda não foi formalmente notificado sobre a possível aprovação da venda das aeronaves à Nigéria.

Os Super Tucanos podem ser usados para treinamento, vigilância e ataques. Os aviões podem ser armados com metralhadoras e carregar até 1.550 quilos de armas.

Uma linha de produção do Super Tucano fica na Flórida, onde a aeronave é fabricada com a empresa norte-americana Sierra Nevada Corp. As aeronaves que seriam vendidas à Nigéria vêm com “uma configuração armada bastante básica”, disse uma das autoridades dos EUA.

A venda pode oferecer à Nigéria uma aeronave que pode permanecer no ar por longos períodos para atingir formações do Boko Haram. As autoridades não revelaram o custo dos aviões para serem vendidos para a Nigéria. No entanto, um contrato para vender 20 aeronaves similares para o Afeganistão teve custo de 428 milhões de dólares quando foi anunciado em 2013.

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A ampliação da ajuda militar dos EUA é uma vitória política para o presidente nigeriano Buhari, que tomou posse no ano passado prometendo reprimir a corrupção desenfreada que tem minado as Forças Armadas no país mais populoso da África.

“A administração Buhari, eu acho, tem realmente reenergizado a relação bilateral de uma forma fundamental”, disse um oficial dos EUA.

O governo nigeriano anterior de Goodluck Jonathan tinha desprezado os Estados Unidos por bloquear a venda de armas, em parte devido a preocupações com os direitos humanos.

Abaixo temos um vido dos Super Tucanos pertencentes á Força Aérea Afegã ( Afghan Air Force).

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Fonte: Reuters

Vídeo: Sugestão Plano Brasil

 

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Guerra ao Terror: A discreta guerra de Obama na África

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TROPAS DO CHADE MARCHAM EM EXERCÍCIO CONJUNTO COM O EXÉRCITO AMERICANO. FOTO: JOE PENNEY/REUTERS

Fora do radar, ações militares dos EUA na Líbia e na Somália tentam conter o avanço de radicais islâmicos sobre os chamados ‘Estados falidos’

  • João Paulo Charleaux

Os EUA mataram pelo menos 150 pessoas num ataque aéreo realizado contra um campo de treinamento da milícia radical islâmica Al-Shabaab, ao norte de Mogadício, capital da Somália, no sábado (5). No momento do ataque, os guerrilheiros participavam de uma cerimônia de formatura. Foi o maior ataque militar americano em número de mortos no país em 15 anos.

Um mês antes, a aviação dos EUA havia bombardeado outro alvo semelhante, dessa vez na cidade de Sabratha, na costa noroeste da Líbia, matando Noureddine Chouchane. Ele era apontado como idealizador de dois atentados na Tunísia em 2015: o primeiro, em março, deixou 22 mortos num museu da capital, Túnis; o segundo, em junho, matou 38 no balneário de Sousse. Antes de morrer, Chouchane teria recrutado mais de 1.500 militantes para o Estado Islâmico na África.

As duas ações, realizadas num intervalo de menos de um mês, mostram como o Comando dos EUA para a África está ampliando a perseguição ao Estado Islâmico e a grupos radicais como o Al-Shabaab – filial africana da Al-Qaeda – num continente situado na periferia do interesse da grande mídia e da opinião pública.

Estados falidos, milícias prósperas

ESTADO ISLÂMICO NUM SUPOSTO VÍDEO DE EXECUÇÃO DE CRISTÃOS NA LÍBIA. FOTO: SOCIAL MEDIA/REUTERS
ESTADO ISLÂMICO NUM SUPOSTO VÍDEO DE EXECUÇÃO DE CRISTÃOS NA LÍBIA. FOTO: SOCIAL MEDIA/REUTERS

Líbia e Somália viraram terreno fértil para o terrorismo. Os dois países vivem vácuos de poder.

A Somália é considerado um “Estado falido” desde 1991, quando a ditadura de Siad Barre foi substituída pela poder dos chamados “senhores da guerra”, que fatiaram o controle entre pequenos grupos autônomos.

A Líbia viveu processo semelhante depois da deposição e morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011. Hoje, dois grandes blocos disputam o poder, um deles tendo a capital, Trípoli, como base, e outro na cidade líbia de Trobuk. Desde dezembro, a ONU tenta emplacar um acordo de paz com o envio do diplomata alemão Martin Kobler.

A desintegração das instituições tanto na Somália quanto na Líbia favoreceu a penetração de grupos radicais.

"6.500
É o número estimado de combatentes 
do Estado Islâmico na Líbia hoje, de 
acordo com o Departamento de Defesa dos EUA"

O processo de desintegração e penetração dos grupos terroristas é semelhante ao ocorrido em 2011 na Síria, onde uma guerra civil entre o governo e grupos dissidentes locais transformou o país num terreno fértil para o Estado Islâmico, cuja ação, até então, estava restrita apenas ao vizinho Iraque.

Guerra sem fronteiras

 OBAMA DISCURSA A MILITARES AMERICANOS NA BASE AÉREA DE TAMPA, NA FLÓRIDA. FOTO: LARRY DOWNING/REUTERS
OBAMA DISCURSA A MILITARES AMERICANOS NA BASE AÉREA DE TAMPA, NA FLÓRIDA. FOTO: LARRY DOWNING/REUTERS

O Estado Islâmico não é um movimento guerrilheiro circunscrito às fronteiras de um país ou mesmo de uma região. Ele teve início no Iraque, migrou para a Síria e avança na Líbia. O grupo tem a pretensão manifesta de estender sobre o mundo um califado – regime teocrático com base no islã, liderado por uma autoridade religiosa, o califa.

Conforme o grupo avança, avança também em seu encalço uma caçada cujas origens remontam à “guerra ao terror” lançada pelo presidente americano George W. Bush, após os atentados de 11 de setembro de 2001.

Nesse sentido, Obama deu continuidade à perseguição aos terroristas iniciada na era Bush. Se, naquela época, os EUA desembarcaram tropas no Afeganistão e no Paquistão em busca de membros da Al-Qaeda, Obama levou agora a países da África como a Líbia, a Somália, o Djibuti e o Iêmen os bombardeios aéreos realizados – principalmente, mas não apenas – por aviões não tripulados, os chamados drones. Tanto Bush quanto Obama têm como pretexto debelar o terror.

“Nós continuaremos usando todas 
as ferramentas disponíveis para 
eliminar o Estado Islâmico onde 
quer que ele esteja” 
Barack Obama Presidente americano, 
ao se dirigir ao Conselho Nacional de
 Segurança dos EUA, em 25 de fevereiro
 
“Onde houver uma oportunidade de conduzir 
operações contra o Estado Islâmico, [uma oportunidade]
 de interrompê-los nesse ponto sem minar o processo 
político, lá nós estaremos”
General Joseph F. Dunford Jr.
Presidente do Comando do Estado Maior americano

Bombardeios, sozinhos, não resolvem

COLUNA DE FUMAÇA SE ERGUE APÓS BOMBARDEIO AÉREO NA CIDADE LÍBIA DE BENGHAZI. FOTO: STRINGER/REUTERS
COLUNA DE FUMAÇA SE ERGUE APÓS BOMBARDEIO AÉREO NA CIDADE LÍBIA DE BENGHAZI. FOTO: STRINGER/REUTERS

O Nexo ouviu EJ Hogendoor, vice-diretor do Programa de África do Crisis Group, um centro de estudo que monitora e analisa os principais conflitos armados e crises de segurança no mundo.

Hogendoor considera que “esses bombardeios aéreos podem ser uma ação efetiva para conter a ação de grupos terroristas, mas não resolvem os problemas de fundo. A solução para a questão depende da capacidade das forças somalis enfrentarem esses grupos em terreno. O problema é como investir milhões de dólares na cooperação com governos ineficazes e corruptos”.

Os americanos sabem da dependência dos atores locais. “Tudo o que nós queríamos é contar com um governo na Líbia com o qual pudéssemos trabalhar e do qual pudéssemos receber consentimento para realizar operações militares”, disse ao Congresso americano o diretor nacional de Inteligência, James R. Clapper, em fevereiro.

Mas nada disso impede Obama de ordenar os ataques. O jornal americano “The New York Times” publicou na terça-feira (8) uma reportagem em que afirma ter tido acesso a informações que indicam que o Pentágono apresentou a Obama um plano para realizar ataques aéreos contra até 40 alvos em quatro regiões da Líbia (campos de treinamento, centros de comando, depósitos de munição).

O esforço não é isolado. Reino Unido, França e Itália também enviaram forças especiais e fizeram operações de reconhecimento e inteligência no norte da África recentemente.

Os ingleses anunciaram este ano o envio de pelo menos 20 instrutores militares para ajudar na preparação de tropas tunisianas que agem na fronteira com a Líbia. O governo tunisiano ergueu um muro que já cobre quase metade da linha de fronteira com o território líbio.

Claudia Gazzini, analista sênior para a Líbia no Crisis Group, disse aoNexo que “Somália e Líbia têm semelhanças no papel, enquanto ‘Estados falidos’, mas guardam diferenças importantes”. Segundo ela, a violência na Líbia ainda é muito menor que na Somália. Claudia vê, em ambos casos, uma estratégia americana de “combinar bombardeios aéreos com forte apoio às forças locais”.

Quem é quem no terror da África

ESTADO ISLÂMICO

O grupo teve origem no Iraque, como um braço da Al-Qaeda, no início do ano 2000, mas se firmou a partir de 2011, depois de migrar para a Síria, onde o início de uma guerra civil tornou o terreno favorável para a ação de pequenos grupos rebeldes. Foi responsável por atentados de grande magnitude, como o que deixou 130 mortos em Paris, em novembro de 2015.

AL-SHABAAB

É uma filial da Al-Qaeda, com ação na Somália, Uganda, Nigéria, Quênia e Iêmen. Foi responsável por grandes atentados como o que deixou quase 70 mortos num shopping de Nairóbi, em 2013. Defende o estabelecimento de governos teocráticos regidos pela sharia, a interpretação literal e inflexível do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Fonte: NEXO

 

 

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‘Sexo oral por biscoitos’: As denúncias de abuso sexual contra soldados e funcionários da ONU.

A maioria das denúncias vem de países da África, mas também há casos em locais como a Alemanha (Foto: Issouf Sanogo / AFP)
A maioria das denúncias vem de países da África, mas também há casos em locais como a Alemanha (Foto: Issouf Sanogo / AFP)

Organização apresentou relatório que revela alta nos casos, ocorridos principalmente na África, e novas medidas de combate.

“A menina, de sete anos, nos disse que fez sexo oral em soldados franceses em troca de uma garrafa de água e um pacote de biscoitos.”

O relato da criança citada acima faz parte das muitas denúncias de crimes sexuais cometidos por soldados e funcionários da ONU nos últimos anos. O depoimento foi registrado por membros da Comissão de Direitos Humanos da organização, que divulgou este e outros casos em um comunicado elaborado em janeiro.

 Na última sexta-feira, um informe foi divulgado como parte de uma nova política de “nomear e envergonhar” os responsáveis. A ONU adotou essa estratégia depois do escândalo envolvendo o abuso de crianças e adolescentes por seus soldados na República Centro-Africana, no ano passado.

O documento, apresentado pelo secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon, lista 99 novas denúncias de abuso sexual cometido por soldados e funcionários da organização em missões internacionais em 2015, o que reflete uma alta em relação aos 80 casos registrados em 2014.

Dos 99 casos denunciados em 2015, 69 foram de abusos cometidos por soldados em missões de paz e 30 por funcionários da ONU em outros setores.

E pela primeira vez foi divulgada a lista de países onde ocorreram as denúncias: Alemanha, Burundi, Gana, Senegal, Eslováquia, Madagascar, Ruanda, República Democrática do Congo, Burkina Fasso, Camarões, Tanzânia, Níger, Moldávia, Togo, África do Sul, Benin, Nigéria eGabão.

Também foram feitas denúncias contra funcionários de vários países europeus e do Canadá. A maioria dos abusos ocorreu na África, especialmente na República Centro-Africana. Também houve denúncias de exploração sexual no Haiti.

O relatório, porém, foi muito criticado pela ONG Code Blue, que monitora as denúncias contra soldados – os “capacetes azuis” – e funcionários das Nações Unidas.

“O que a ONU fez exatamente diante das mais de 1 mil denúncias de abuso sexual contra seus funcionários desde 2007? Debaixo da máscara de que toma alguma providência, o que realmente existe é a inércia”, informou a ONG em um comunicado.

Ataques

O relatório da ONU pede que os países dos acusados julguem os culpados em seus tribunais e a criação de um banco de amostras de DNA de seus soldados para facilitar os processos criminais.

Mas, além dessas recomendações, pouca coisa mudou nos locais onde o órgão atua.

Investigadores da organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, que visitaram a República Centro-Africana, denunciaram no mês passado a violação ou abuso sexual de pelo menos oito mulheres e meninas.

De acordo com a ONG, os ataques ocorreram entre outubro e dezembro de 2015, mais de um ano depois da eclosão do escândalo de abuso de menores por soldados franceses naquele mesmo país.

Uma adolescente de 14 anos falou com a Human Rights Watch:

“Eu passava pela base da Minusca (a missão da ONU no país) no aeroporto quando me atacaram. Os soldados estavam armados. Um segurou meus braços enquanto outro arrancou minha roupa. Jogaram-me em um pasto, e, enquanto um me segurava, outro me estuprou.”

Outra jovem de 18 anos afirmou ter sido estuprada quando foi pedir comida na base dos soldados da ONU na República Democrática do Congo.

“Três homens armados se jogaram em cima de mim e disseram que me matariam se eu os denunciasse. Todos eles me estupraram”, disse a jovem.

Vazamento de informações

Em dezembro de 2015, um painel independente acusou as Nações Unidas de negligência grave ao lidar com as denúncias de abuso sexual por parte de soldados e funcionários em suas missões.

O painel criticou bastante o fato de a ONU não tomar providências diante de um catálogo de denúncias, especialmente as de exploração sexual por parte de soldados franceses na República Centro-Africana.

O general Romeo Dallaire, ex-comandante das tropas da organização em Ruanda durante o genocídio ocorrido em 1994, disse em 2015 que as denúncias de abuso de menores na República Centro-Africana lhe causava nojo.

“O caso vai totalmente contra a suposta razão pela qual as tropas são enviadas a campo em missão de paz”, afirmou.

As acusações de inércia contra a ONU só chegaram à imprensa internacional depois das revelações de um funcionário da organização, Anders Kompass, que, frustrado diante da falta de ação da instituição, vazou um relatório confidencial sobre denúncias de abuso e o entregou a promotores da França.

Críticas e burocracia

A ONG Code Blue também criticou o comitê de especialistas nomeado pelas Nações Unidas para melhorar sua atuação diante das denúncias de abuso.

Segundo a ONG, o comitê é formado pelos mesmos indivíduos que ocupavam cargos de responsabilidade quando as violações anteriores foram reveladas.

“No universo paralelo da burocracia da ONU, os mesmos personagens que tiveram um papel ativo no fracasso da (missão na) República Centro-Africana agora supervisionam as mudanças para melhorar a situação. Quando as raposas estão encarregadas do galinheiro, o galinheiro está condenado”, afirmou a Code Blue.

A ONG lembra ainda em seu comunicado as palavras do painel independente realizado depois do escândalo ocorrido no país africano.

“O fato de que o problema persiste, apesar de inúmeros relatórios de especialistas designados pela ONU nos últimos dez anos, só serve para aumentar a percepção de que a ONU está mais preocupada com a retórica do que com a ação.”

Fonte: G1

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Um brasileiro no coração das trevas : A dura missão do general Carlos Alberto dos Santos Cruz, comandante da mais importante operação da ONU no mundo.

Ele tem a tarefa de dar fim ao maior conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial, com quase seis milhões de mortos.

As primeiras horas da manhã da quinta-feira 17 de abril estavam especialmente quentes na densa floresta que serve de fronteira natural entre a República Democrática do Congo e Uganda. Antes de se embrenhar pela vereda de terra entre as árvores, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz retirou o colete à prova de balas e o capacete. ?Se algo acontecer, é preciso ser ágil?, explicou. ?O caminho é perigoso, as emboscadas são comuns.? O general tinha usado esse equipamento de mais de 15 quilos, capaz de segurar balas de fuzil AK-47, durante todo o trajeto de 40 quilômetros entre o batalhão da ONU na cidade de Beni e a trilha que o levaria a uma base rebelde conquistada pelo Exército congolês uma semana antes.

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Santos Cruz vestia a farda camuflada das Forças Armadas brasileiras. No ombro esquerdo, a bandeira do Brasil. No direito, a palavra ?comandos?, que em todo o mundo militar carrega o mesmo significado: ali está um soldado das tropas de elite, um cara durão, preparado para sobreviver na adversidade. Três pequenas estrelas costuradas nas pontas do colarinho o distinguem como um general de divisão. Além do FAL, o fuzil usado pelo Exército brasileiro há quase três décadas, Santos Cruz levava uma pistola Glock 9mm no coldre colado à coxa direita.

À medida que avançava, o acesso no terreno úmido da floresta tropical a poucos quilômetros ao sul da linha do Equador ia se estreitando. O sol logo desapareceu sob a copa das árvores. Santos Cruz teve a sensação de que estava na Amazônia. ?É igual ao Brasil, não muda nada?, disse. Na longa marcha até a principal base conquistada do grupo inimigo, a paisagem dava ideia de como havia sido o combate: troncos perfurados por tiros, árvores derrubadas pelo impacto das RPGs, o chão coberto por um tapete metálico de cápsulas deflagradas. Cartazes escritos à mão indicavam a localização de minas e explosivos. Um pouco mais adiante, covas rasas ao lado da trilha ainda exalavam o cheiro forte dos corpos recém-enterrados pelos vencedores. ?Muitos foram queimados, outros enterramos aqui mesmo, é menos trabalho?, explicou um soldado congolês ao lado do amontoado de terra fofa onde as moscas tentavam encontrar caminho para chegar aos restos putrefatos dos inimigos.

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Foram três horas de uma caminhada tensa. Com os rebeldes ainda a poucos quilômetros dali, o risco de uma emboscada não recomendava pausas para descanso. A tropa só parou ao chegar a Medina, um vilarejo improvisado no meio da floresta que o grupo radical islâmico ADF usava como uma de suas maiores bases no Congo. Logo começaram a surgir da floresta centenas de soldados. Sujos e cansados, carregando colares de munição e armamento pesado, eles saudavam Santos Cruz. Pela primeira vez, viam naquele front de batalha um militar tão graduado da ONU. O general brasileiro apertou a mão dos oficiais que combateram os rebeldes islâmicos. Aos soldados, distribuiu cigarros congoleses baratos, comprados a US$ 1 o maço.

?Force Commander?

No Congo, a patente de Santos Cruz importa menos que seu cargo na hierarquia militar da ONU. Ele é o comandante-geral da Monusco, a maior e mais importante missão das Nações Unidas no mundo, com um contingente de mais de 22 mil homens de 20 diferentes países e orçamento anual de quase US$ 1,5 bilhão. É uma missão histórica, em que o conceito de manutenção da paz foi alterado para imposição da paz. Não se trata apenas de semântica. Os capacetes azuis, pela primeira vez desde 1948, têm autorização para caçar, prender e matar aqueles que o Conselho de Segurança considerar inimigos. Na prática, isso significa que os soldados das Nações Unidas podem dar o primeiro tiro, tornando-se, assim, uma força de agressão ? a primeira desde a criação da organização.

O militar brasileiro foi indicado e responde ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e ao Conselho de Segurança. No Congo, ele divide o comando da missão com um representante civil, o alemão Martin Kobler. São os dois que têm, ao menos oficialmente, a última palavra em qualquer decisão, militar e civil. A guerra no Congo dura quase 20 anos e já deixou cerca de 5,5 milhões de pessoas mortas. Nenhum outro conflito armado matou tantos seres humanos desde a Segunda Guerra Mundial.

Apesar de ser o primeiro brasileiro a comandar forças militares de agressão desde a campanha da FEB na Itália, um ano e pouco atrás, em Brasília, onde mora, Santos Cruz estava mais preocupado com caminhões-pipa no Nordeste brasileiro do que com guerrilheiros africanos. O general foi compulsoriamente para a reserva em 2012, ao ser preterido para ascender à patente de general de exército. Com a carreira militar encerrada, trabalhava na divisão militar da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, em Brasília, cuidando de assuntos como a participação do Exército na distribuição de água potável em regiões afetadas pela seca. ?Eu havia abandonado a farda, estava lá, engravatado, num gabinete da Esplanada, quando recebi, em março de 2013, uma ligação de Nova York?, contou ele à ISTOÉ no mês passado, enquanto comia com as mãos uma coxa de galinha frita na cantina do quartel-general da ONU em Goma, a capital da província do Kivu do Norte, onde estão concentrados 95% dos capacetes azuis no país. ?Foi uma surpresa , mas não demorei três segundos para aceitar aquele convite inesperado.?

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ATIVO
Santos Cruz viaja pelo menos três vezes por semana a regiões
isoladas do leste do Congo; em casa, gosta de assistir
aos telejornais da rede de tevê Al Jazeera

Santos Cruz é um homem que ri pouco. Natural da cidade de Rio Grande, no litoral gaúcho, o general aparenta ter bem menos que os 62 anos que vai completar no dia 1º de junho. Mantém seus 74 quilos com uma rotina de atleta. Corre dez quilômetros, dia sim, dia não, e segue um programa rígido de exercícios físicos. O sotaque forte dos gaúchos se foi faz tempo, assim como o hábito de tomar chimarrão. O militar deixou o Rio Grande do Sul aos 15 anos, quando foi aceito na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, em 1968. ?O que ficou foi a paixão pelo Internacional de Porto Alegre?, diz ele. Toda vez que seu time vence o Grêmio, Santos Cruz liga para um irmão torcedor do rival.

Em Goma, o general brasileiro vive em uma confortável casa de dois quartos, próxima do quartel-general da ONU, que divide com um alto funcionário civil das Nações Unidas. Dois brasileiros fazem a escolta pessoal do general e um grupo de seis soldados das forças especiais uruguaias, equipados com fuzis FAL e uma caminhonete com uma metralhadora Mag instalada na carroceria, completam o time da segurança. Se ele está em casa, os uruguaios fazem patrulha em frente ao seu portão. Se ele se desloca, lá estão os mesmos soldados cercando seu veículo. O general não dá um passo sem que ao menos oito homens estejam acompanhando seus movimentos.

Carlos Alberto dos Santos Cruz, casado, três filhos e avô de um menino, fez uma carreira típica no Exército brasileiro. Poucos anos depois de graduar-se na Academia Militar das Agulhas Negras, em 1974, seguiu para o que parece ser a obsessão dos militares nacionais: a Amazônia. Lá se tornou um especialista em guerra na selva. Nas duas décadas seguintes, sempre esteve, de uma forma ou de outra, próximo da floresta. Comandou pelotões de fronteira na região Norte e um batalhão de infantaria em Mato Grosso. Não à toa, dos seis brasileiros que lhe prestam assistência direta no Congo, quatro são especialistas em guerra na selva ou têm experiência na Amazônia.

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Agressividade

A grande virada na carreira do general veio em 2006, quando foi apontado como o chefe militar da missão da ONU no Haiti. Foi por conta de sua ação enérgica na tomada da favela Cité Soleil, um enclave de criminosos em Porto Príncipe, a capital do país, que o general brasileiro chamou a atenção dos burocratas das Nações Unidas. Quase 40 dias de batalha ? com baixas civis duramente criticadas por organizações humanitárias ? garantiram a tomada do local pelas tropas da Minustah, majoritariamente brasileiras. Ao final do período em que liderou a missão, a ONU pediu ao Brasil que mantivesse Santos Cruz no comando da operação por pelo menos mais um ano. O Exército, no entanto, recusou o pedido e o general gaúcho retornou ao País. ?A atitude agressiva e a determinação em agir e correr riscos foram determinantes para que seu nome fosse lembrado em Nova York. Ele está aqui no Congo por causa do Haiti e não pela influência política do Brasil no Conselho de Segurança?, diz um experiente analista de inteligência das Nações Unidas.

No amplo complexo militar e civil que a ONU montou em Goma para ser o quartel-general de sua missão no Congo, Santos Cruz é um dos poucos oficiais a andar armado o tempo todo. A pistola 9mm sempre está ao alcance da mão e, por onde se desloca, carrega o fuzil FAL de fabricação argentina que pegou emprestado do batalhão uruguaio instalado na cidade. Mesmo em seu escritório ? uma sala simples, de cerca de seis metros quadrados, instalada em um contêiner ?, invariavelmente o fuzil está encostado na parede, ao lado de sua cadeira. ?Ele gosta de manter essa imagem, mostrando aos soldados que, mais que um general, é um soldado como todos eles?, diz o major Pethias Mdoka, do Exército Malaui, que atuou diretamente com o brasileiro no último ano.

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Santos Cruz chegou ao Congo em julho de 2013, num momento de fragilidade da missão. Após quase 15 anos atuando no país, a ONU tinha sofrido sua maior derrota e humilhação havia poucos meses. Em novembro de 2012 um grupo rebelde supostamente financiado por Uganda, o M23, derrotou o Exército congolês, invadiu Goma e forçou os capacetes azuis a se refugiarem nos quartéis, deixando a população civil à mercê dos invasores. Foi a partir dessa derrota que as Nações Unidas decidiram criar uma força especial de ataque, a Force Intervention Brigade (FIB), e dar carta branca para o ataque. Santos Cruz recebeu a missão de expulsar o M23 de Goma, retomar a cidade e reconquistar a confiança da população e da comunidade internacional na ONU.

A grande batalha

Na longa planície que liga Goma ao vilarejo de Kibati, o primeiro foguete disparado por um lançador Katiuscha de fabricação russa caiu cerca de 400 metros abaixo da trincheira escavada no topo do pequeno morro em que Santos Cruz observava a movimentação das tropas. O segundo, 400 metros atrás. ?Foi uma ação típica de ajuste de tiro da artilharia. Eles sabiam que estávamos lá e tentavam nos acertar?, contou o general. A terceira explosão aconteceu a menos de 30 metros. Deitados na trincheira, os militares puderam ouvir os estilhaços voando sobre suas cabeças. Em seguida, o M23 passou a atingir a periferia de Goma, logo atrás da elevação onde estava Santos Cruz. ?Foi naquele momento que decidi atacar e ordenei que nossos helicópteros e nossa artilharia abrissem fogo contra eles.?

Naquela tarde do dia 21 de agosto de 2013, pela primeira vez na história, a ONU abandonou sua política de isenção e neutralidade e partiu para o ataque, apoiando o Exército congolês tanto com artilharia e fogo aéreo quanto com homens no solo. ?Foi uma batalha intensa, com centenas de mortos e com características muito semelhantes àquelas da Segunda Guerra Mundial?, disse o general. Da trincheira, observando o avanço das tropas e os disparos de artilharia, vieram-lhe à cabeça velhos filmes da Segunda Guerra. ?E de repente eu estava lá, como um dos personagens, participando daquele filme?, contou ele.

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Logo no primeiro dia de combate, com foguetes e morteiros explodindo a poucos metros da base de comando, Santos Cruz começou a forjar a imagem do general que gosta de estar no campo de batalha. ?Ele mostrou que não é um político, que não aceita ficar no escritório e trata os soldados de igual para igual?, disse à ISTOÉ o general tanzaniano James Mwakibolwa, que atuou na defesa de Goma. Ao longo de toda a campanha contra o M23, o general brasileiro esteve no front. Hoje, ao menos três vezes por semana, vai de helicóptero às áreas mais remotas do leste do Congo para ver de perto como estão sendo conduzidas as operações contra as dezenas de grupos armados que permanecem ativos na região. Para muitos na ONU, Santos Cruz se expõe em excesso. ?Esse não é o papel de um general, de um ?force comander?. Ele é um alvo muito valioso e parece fazer isso apenas para criar uma imagem de durão?, critica um oficial indiano. Já Santos Cruz tem uma explicação mais singela. ?Eu poderia dizer que vou ao front por questões estratégicas, para incentivar meus homens ou mesmo para dar a impressão à população local de que a ONU se importa com ela?, disse o general pouco antes de embarcar em um helicóptero Orix a caminho de uma vila atacada em meados de abril por um grupo rebelde. ?Tudo isso é verdade, mas o que me leva mesmo ao front é o fato de que eu gosto muito de estar lá, de estar perto dos soldados. Eles me dão coragem e me rejuvenescem.?

A batalha de Goma durou sete dias e forçou o M23 a recuar. A cidade estava liberada e em dois meses o grupo rebelde financiado por Uganda, um dos mais bem armados da região, foi derrotado. ?Santos Cruz chegou ao Congo com uma atitude absolutamente distinta da de todos os outros comandantes que estiveram por lá na última década, uma atitude muito proativa. É claro que essa não é a solução para todos os problemas, mas, sem dúvida, trouxe mudanças?, diz Jason Stearns, autor do aclamado ?Dancing in the Glory of Monsters: The Collapse of the Congo and the Great War of Africa? (Dançando pelos Monstros: o Colapso do Congo e a Grande Guerra da África), ainda não publicado no Brasil.

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A guerra do Congo é um conflito complexo, com muitos atores e interesses econômicos e geopolíticos variados. Seu início tem raízes no genocídio perpetrado pela etnia hutu contra os tutsis, em Ruanda, há 20 anos. A matança desestabilizou toda a região dos Grandes Lagos Africanos, no centro do continente, e dragou para a guerra seis países ? Ruanda e Uganda, de um lado, e Congo, Tanzânia, Zimbábue e Angola, do outro. O Congo foi o palco de todas as batalhas do que ficou conhecido como a Grande Guerra Africana.

Oficialmente, o conflito terminou com um acordo de paz em 2002. Com o país destruído, com a absoluta ausência do Estado e uma diversidade de riquezas em uma vasta área sem controle e lei, dezenas de grupos armados passaram a dominar regiões inteiras do país. Desde então, o leste do Congo vive uma guerra sem-fim, com milícias lutando entre si, contra o próprio Exército congolês e contra exércitos estrangeiros, como as Forças Armadas de Ruanda, que ainda caçam os hutus responsáveis pelo genocídio de 20 anos atrás. Os civis são as maiores vítimas. Estima-se que até hoje entre 5,5 milhões e seis milhões de pessoas tenham morrido. Outros três milhões vivem em campos de refugiados. Dezenas de milhares de mulheres foram vítimas de estupros coletivos, que se tornaram uma arma de guerra.

Diante de um cenário tão complexo, Santos Cruz sabe que não será por meio de armas, tanques e helicópteros que a situação será resolvida. ?A saída sempre é política e passa pelo fortalecimento do Estado?, disse ele. ?Minha missão aqui é proteger os civis e desarmar os grupos rebeldes, que, na verdade, são apenas criminosos que se aproveitam da ausência do Estado. O problema não é étnico ou ideológico, como pode ter sido no início, há duas décadas. Hoje a razão desse conflito é econômica, porque esse é um dos países mais ricos do mundo.?

O Congo possui vastas reservas minerais. Estima-se que em seu subsolo esteja guardado algo como US$ 24 trilhões em ouro, cobalto, cobre, diamante e coltan, um mineral amplamente utilizado na produção de notebooks e celulares e do qual o país é o dono da maior reserva do mundo. Quase todos os grupos rebeldes que atuam no leste do país exploram essas riquezas e usam nações vizinhas para exportá-las para os Estados Unidos, Europa e Ásia. ?Não resta muito a Santos Cruz além de ser o homem corajoso desse show?, observou Fidel Bafilemba, um dos coordenadores da organização Enought Project, que acompanha de perto a crise congolesa há vários anos. ?Não há muito o que ele possa fazer sem que a comunidade internacional tome a decisão de parar de importar as riquezas minerais do Congo a preços baixíssimos, como ocorre hoje.?

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A posição de Fidel não é muito diferente da de outros integrantes de entidades que atuam no país. A organização Médicos Sem Fronteiras, que mantém no Congo sua maior operação no mundo, também é bastante crítica ao novo papel que a ONU vem tendo no conflito. ?A decisão de abandonar o papel de neutralidade está comprometendo todo o serviço humanitário que tem sido desenvolvido aqui nos últimos anos?, diz Bertrand Perrochet, chefe da missão belga da Médicos Sem Fronteiras no Congo. ?A população não sabe mais se um helicóptero branco da ONU vai distribuir medicamentos ou balas.?

No início da tarde do sábado 19 de abril, o general Santos Cruz embarcou na caminhonete Land Cruiser blindada que tem à sua disposição para saborear um típico churrasco gaúcho no batalhão do Uruguai, o Urubatt. O quartel-general do contingente de mais de 700 soldados uruguaios fica nas proximidades do aeroporto de Goma e é uma espécie de segunda casa para o general e para os seis brasileiros que atuam diretamente como seus motoristas, auxiliares administrativos e seguranças. Nos 15 dias em que a reportagem de ISTOÉ acompanhou a rotina do militar brasileiro, Santos Cruz só foi capaz de soltar uma gargalhada nas duas vezes em que esteve no Urubatt. Ali parece ser o único lugar em que ele consegue relaxar. ?Eu respeito muito as ONGs, mas acho que muito mais poderia ser feito. Milhões e milhões são gastos aqui, mas não há coordenação, não se vê esse dinheiro sendo aplicado diretamente na melhoria do país.? Ele trata as críticas que recebe como meras especulações. ?Ainda não houve um caso concreto de problemas pela cor dos veículos ou helicópteros.?

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Santos Cruz é presença constante nas festas mensais promovidas pelo batalhão do Uruguai e que atraem tanto militares quanto civis a serviço da ONU. Batizadas de Tango Bar, as noitadas são agitadas e a pista de dança, quase sempre animada com música latina, é incrementada pela sirene vermelha de um caminhão estacionado ao lado do bar montado para atender a clientela sedenta por momentos de descontração. Na última festa, organizada no dia 12 de abril, Santos Cruz vestia calça jeans, uma camisa social branca e um colete de lã vermelho. Aproveitou a pista de dança para descontrair.

Nas próximas semanas, Santos Cruz será oficializado pelo Conselho de Segurança da ONU como o escolhido para liderar a missão no Congo por mais um ano. Apesar de não confirmar, ele já foi consultado por Nova York se aceitaria ficar mais 12 meses à frente da Monusco ? e aceitou. ?Quando voltar para o Brasil, vou andar a cavalo?, conta ele, um praticante do Concurso Completo de Equitação, espécie de triatlo hípico responsável por matar quase uma dezena de cavaleiros no mundo todos os anos. ?O concurso completo é o esporte que mais se aproxima de uma batalha militar, você corre riscos o tempo todo e eu preciso disso para viver.?

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Fonte: ISTOÉ