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Rússia oferece MiG-29M para o México

Caças multifuncionais médios Mikoyan-Gurevich MiG-29M (MiG-35) da Força Aérea do Egito, recebido em 2017 (Alexei Karpulev / RussianPlanes.NET)

Rússia apresenta mais de 200 produtos durante a expo FAMEX 2019, inaugurada nesta quarta (24) no país latino-americano.

 

Mais de 200 equipamentos militares da Rússia estão em exposição na FAMEX 2019, que acontece até o próximo sábado (27) no México, segundo o comunicado oficial da Rosoboronexport, a agência estatal russa para exportação e importação de armas.

Esta é a segunda vez que a Rússia, representada também pela Russian Helicopters, participa do evento.

“A Rosoboronexport continua a fortalecer gradualmente sua presença no mercado latino-americano. Aqui eles conhecem bem e valorizam as aeronaves militares, helicópteros e veículos blindados por suas características impecáveis e segurança”, disse o diretor-geral da Rosoboronexport, Alexander Mikheyev.

 

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Decolagem do MiG-35 (MiG-29M) egípcio no MAKS 2017

Segundo estimativas da empresa, o caça multifuncional MiG-29M e o avião de combate e treinamento Yak-130 tem boas chances na América Latina. Quanto aos helicópteros, os países da região demonstram especial interesse pelos modelos militares Mi-17B-5, Mi-171Sh, Mi-35M e Ka-52, dentre outros.

Yakovlev Yak-130 da Força Aérea do Laos, recebido em 2018. (Jane’s Defence)

O site americano Defense World confirma o interesse do México pelos caças russos e garante que a Rosoboronexport está cortejando a Força Aérea Mexicana para fornecer modelos MiG-29M e Yak-130. “De fato, o México não conta atualmente com nenhum caça, já que os obsoletos F-5 dos EUA estão se aposentando após 34 anos de serviço”, segundo o Defense World.

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Vídeo demonstrativo do MiG-35 (Zvezda, traduzido para o inglês pelo SouthFront)

A Força Aérea do México aposentou recentemente seus oito exemplares do caça tático Northrop F-5E e encontra-se sem vetores para defesa aérea. Além disso, a eleição da coalizão Movimento de Regeneração Nacional – MORENA (formada por partidos socialistas, cardenistas e social-democratas) liderada pelo presidente Andrés Manuel López Obrador, tende a esfriar as relações estratégicas do México com os EUA, quadro agravado com a proposta do presidente norte-americano Donald Trump para a construção do muro na fronteira e a maior contenção de imigrantes mexicanos e centro-americanos, e também a decisão de Obrador de encerrar a “Guerra às Drogas”, iniciado pelo presidente Felipe Calderón (2006 – 2012) com o “Plano Mérida”, resultando na ajuda norte-americana para equipamentos de vigilância, monitoramento, armas e inteligência para combate aos cartéis narcotraficantes.

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Um dos oito F-5E mexicanos antes da aposentadoria (Ruben Venegas / Airliners.NET)

O afastamento do México com os EUA pode resultar numa janela de oportunidade para maior aproximação com a Rússia e até a China (este último, sendo o segundo principal parceiro comercial mexicano) para a cooperação estratégica e técnico-militar. Inclusive o México já opera vetores militares russos desde os anos 1990, como helicópteros multifuncionais Mil Mi-17, blindados para transporte de tropas BTR-60, caminhões Ural-4320, mísseis antiaereos Igla e lança-foguetes RPG-29. já a Comissão Nacional de Segurança do México utiliza carros blindados Gorets-M e aviões Sukhoi Superjet 100 foram entregues a companhia aérea Interjet.

 

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helicóptero Mil Mi-17 da Marinha mexicana (helis.com)

Por ser uma “região periférica” de importância estratégica durante a Guerra Fria, o México, assim como a maioria dos países latino-americanos nunca teve uma atenção prioritária para equipamento de suas Forças Armadas, tendo operado tardiamente vetores já obsoletos como o De Havilland Vampire, de 1961 a 1982 e o F-5E a partir dessa última data, inclusive durante os anos 1980, países muito menores e mais pobres da América Central e Caribe, como Cuba e Nicarágua tinham vetores capazes de contestar o poder aéreo mexicano.

Por isso, na avaliação deste autor, a incorporação de um vetor como o MiG-29M / MiG-35, caso se concretize, concederá ao México uma capacidade nunca antes vista no país, representando um enorme salto qualitativo tal como foi a aquisição pela FAM, do P-51D Mustang durante a Segunda Guerra Mundial

Fonte: Russia Beyond e Defense World

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Crise na Venezuela: Brasil deveria liderar busca por solução no lugar dos EUA, diz professor de Oxford

 

Nicolás MaduroDireito de imagemEDILZON GAMEZ/GETTY IMAGES
Image captionPara David Doyle, Brasil deveria encarar o papel de maior país da América do Sul e assumir a liderança nas negociações para retirada de Nicolás Maduro do poder

Para viabilizar uma saída pacífica e rápida para a crise na Venezuela, o Brasil deveria assumir a liderança nas iniciativas por negociações com o governo de Nicolás Maduro, exercendo o “papel de maior país da América do Sul” e colocando os Estados Unidos em um segundo plano nesse processo. Essa é a visão do professor da Universidade de Oxford David Doyle, especialista em relações internacionais da América Latina.

“Se os Estados Unidos se envolvem, isso gera resistência de Nicolás Maduro e pode levantar questionamentos de Rússia e da China, aliados do governo venezuelano. A melhor solução, na verdade, envolveria uma negociação liderada pelo Brasil em busca de uma saída pacífica e isso exigiria entregar algo a Maduro”, afirma.

Em entrevista à BBC News Brasil, Doyle argumenta que, para evitar um conflito armado na Venezuela, é necessário oferecer a Nicolás Maduro anistia por crimes que tenha cometido enquanto estava no poder ou a possibilidade de viver com segurança em algum outro país.

“Numa situação de pressão para deixar o poder, os líderes fazem um cálculo racional de custo e benefício. Seria preciso garantir, nessa equação, benefícios que estimulem Maduro a optar pela renúncia”, disse o professor, que é editor da revista acadêmica Oxford Development Studies e autor de dezenas de artigos sobre política no continente americano, como “Explicando o Populismo Contemporâneo na América Latina”.

Maduro já declarou que aceitaria sentar à mesa de negociações, mas que não aceitaria ultimatos.

Para Doyle, as negociações sobre Venezuela poderiam representar uma oportunidade para o Brasil retomar um papel de liderança na América do Sul, após quase dez anos de uma política externa obscurecida por problemas internos. Seria também, segundo o professor, uma chance para o presidente Jair Bolsonaro se promover internacionalmente.

David DoyleDireito de imagemARQUIVO PESSOAL
Image captionPara David Doyle, Bolsonaro pode capitalizar em assumir negociações sobre crise na Venezuela

Mas o presidente americano, Donald Trump, vem demonstrando cada vez maior interesse em ter um papel ativo na resolução da crise na Venezuela. Em várias ocasiões, ele repetiu que uma intervenção armada não está descartada.

Enquanto isso, Brasil e outros países da América do Sul rejeitam a possibilidade de usar a força contra Maduro e enxergam uma possível ação militar dos Estados Unidos como precedente para futuras ingerências de superpotências na região.

Veja os principais trechos da entrevista:

BBC News Brasil – Nos últimos anos, os Estados Unidos demonstraram pouco interesse na América Latina, toleraram Hugo Chávez e os primeiros anos de governo Maduro. Por que Donald Trump passou a se empenhar pessoalmente em resolver a crise venezuelana?

TrumpDireito de imagemEPA/MICHAEL REYNOLDS
Image captionTrump vem repetindo que todas as opções contra Maduro ‘estão sobre a mesa’, mas países da América do Sul, inclusive o Brasil, rejeitam a possibilidade de ação militar na Venezuela

David Doyle – A resposta está relacionada à política interna dos Estados Unidos. Trump, eu suspeito, não tinha grande conhecimento sobre a Venezuela antes de se tornar presidente ou mesmo depois, até a crise surgir. Eu presumo que isso tenha a ver com grupos conservadores em Miami, aliados de exilados cubanos e venezuelanos, e com a ideia – sempre levantada por Trump – da ameaça de governos socialistas.

É uma forma de se aproximar de sua base eleitoral e de atender às demandas de parcela do eleitorado- aqueles que são de segunda ou terceira geração de americanos de origem latina. Esses grupos têm sido cruciais apoiadores do Partido Republicano na Flórida.

BBC News Brasil – Os EUA têm repetido que uma intervenção militar na Venezuela não está descartada. É uma ameaça real?

Doyle – É muito difícil saber o que é real ou não. Na eleição, Trump prometeu retirar tropas americanas de solo estrangeiro. Esse foi um dos pilares da plataforma de campanha. Ele dizia que os EUA não seriam mais a polícia global, que tropas americanas não seriam mais expostas a ameaças em guerras pelo mundo. Então, é contraditório até que ele considere algum tipo de intervenção na Venezuela. Portanto, embora haja pressões domésticas, acho que é difícil saber se essa ameaça é real. Eu ficaria muito surpreso se os EUA mandassem tropas para a Venezuela.

BBC News Brasil – Vários atores internacionais estão se envolvendo na crise venezuelana. O que esse envolvimento revela sobre as disputas por poder entre Rússia, China e EUA?

Doyle – Acho que estamos vendo, mas eu hesito em dizer, uma nova forma de divisão de Guerra Fria. Há uma divisão cada vez maior entre os Estados Unidos e Rússia. E a China operando uma estratégia até certo ponto independente. Acho que a Venezuela está se tornando um palco de disputa entre duas grandes potências (EUA e Rússia). É uma forma de Vladimir Putin demonstrar a sua vontade de se opor aos poderes do Ocidente, de construir alguma forma de apoio político e demonstrar musculatura.

Mas, na América Latina, o que a gente tem visto é uma relutância entre países da região de permitir que forças estrangeiras interfiram nos seus processos democráticos. O fato de o Grupo de Lima ter rejeitado interferência externa na Venezuela mostra que ele quer lidar com o problema no contexto da América Latina.

Juan GuaidóDireito de imagemCARLOS GARCIA/REUTERS
Image captionEstados Unidos, países europeus e a maioria dos países da América Latina reconheceram Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela

BBC News Brasil – Quais as possíveis saídas para o impasse na Venezuela?

Doyle – Nessas circunstâncias, os líderes fazem um cálculo racional de custo e benefício. Qual seria o custo de renunciar em relação aos benefícios? O custo de deixar o poder, para Maduro, envolve principalmente a possibilidade de ser preso e processado. Por causa dos mortos em manifestações e da detenção de membros da oposição, ele e seus apoiadores certamente enfrentariam algum processo judicial. Portanto, considerando esse cálculo de custo e benefício, só vejo dois caminhos para o desfecho dessa crise:

Um deles seria a remoção à força, por meio de uma guerra civil – o que seria terrível -, ou por uma intervenção liderada por países da América Latina. A segunda forma seria mudar essa equação de custo-benefício, garantindo que, se Maduro permitir uma transição, o custo para ele não seja tão alto. Para que a crise acabe de forma pacífica, Maduro e seus apoiadores precisam ter algum mecanismo de saída que garanta que eles renunciem com algum dinheiro e segurança de estar imune a processos judiciais ou que possam ir a algum lugar onde seriam imunes.

BBC News Brasil – Essa anistia não pode causar revoltar entre os que se sentiram perseguidos ou oprimidos por Maduro?

Doyle – Sim, embora essa solução permita algum tipo de transição, você vai ter uma sociedade muito polarizada e dividida. O núcleo duro dos apoiadores de Maduro ainda sentiriam que sofreram um golpe ou que tiveram sua liderança roubada. E, obviamente, teríamos membros da oposição que defendem algum tipo de justiça restaurativa pelos danos da administração de Maduro. Então, é muito difícil saber como isso vai se resolver.

BBC News Brasil – Quem deveria liderar as negociações para a oferta de uma saída a Maduro?

BolsonaroDireito de imagemREUTERS/ADRIANO MACHADO
Image caption‘A melhor solução para a Venezuela envolveria uma negociação liderada pelo Brasil, com a entrega de algo para Maduro’, defende pesquisador de Oxford

Doyle – Acho que seria apropriada uma negociação liderada por países da América Latina, sem participação dos Estados Unidos. Nas últimas duas décadas, as maiores ameaças à democracia – em Honduras, no Paraguai, nos atritos entre Colômbia e Equador, ou no Peru após Fujimori – foram gerenciadas por países da América Latina. Seria mais fácil para os venezuelanos – e até para Rússia e China – aceitarem uma negociação liderada internamente, entre países latino-americanos.

Se os Estados Unidos se envolvem, isso pode gerar resistência de Maduro e levantar questionamentos de Rússia e China. A melhor solução, na verdade, envolveria uma negociação liderada pelo Brasil em busca de uma saída pacífica e isso exigiria entregar algo a Maduro.

BBC News Brasil – Mas Maduro aceitaria uma negociação liderada pelo Brasil sob o governo Bolsonaro, que teve como uma das principais plataformas de campanha criticar o regime atual na Venezuela?

Doyle – Se o presidente fosse Lula ou Dilma, certamente seria mais fácil para o Brasil assumir essa liderança, porque Maduro aceitaria essa intermediação. O risco é Maduro dizer que Bolsonaro é muito similar a Trump ou que age conforme os interesses dos Estados Unidos. Mas o Brasil é o país mais poderoso da América do Sul e é vizinho, faz fronteira com a Venezuela. Então, teria todas as justificativas para exercer essa mediação diplomática.

BBC News Brasil – Seria uma oportunidade para o Brasil retomar liderança e influência na região?

Doyle – Definitivamente é uma oportunidade para Bolsonaro, se ele quiser demonstrar suas credenciais em política externa. Elas já estão sendo questionadas, especialmente depois de Davos, quando ele usou apenas sete minutos para falar quando tinha 45 minutos. A suposição que se faz é de que ele não tem uma verdadeira estratégia de política internacional. Lula tinha uma política de relações exteriores clara de que o Brasil deveria assumir uma liderança ideológica, numa época em que havia muitos governos de esquerda na América do Sul. Mas as crises internas do Brasil apagaram a política externa do país nos últimos anos.

ajuda huminatáriaDireito de imagemNELSON ALMEIDA/AFP
Image caption‘Definitivamente é uma oportunidade para Bolsonaro, se ele quiser demonstrar suas credenciais em política externa’, diz Doyle

Eu acredito que essa é uma oportunidade para Bolsonaro em dois sentidos: primeiro, para mostrar ao mundo que ele tem algum tipo de política externa; segundo, para mitigar temores de países vizinhos em relação a ele, demonstrando que pode ser uma liderança internacional e não algum tipo de populista demagogo. Acho que seria também uma forma de demonstrar legitimidade perante grupos no Brasil que ainda se opõem fortemente ao seu governo.

BBC News Brasil – A Venezuela vive uma crise econômica gravíssima e depende da importação até de produtos básicos, como alimentos. Ainda que Maduro caia, que perspectiva o país tem de voltar a ter uma economia minimamente saudável?

Doyle – Essa é a grande questão. Todos estão muito focados na transição, em acabar com o regime Maduro. Mas ignoram as realidades política e econômica que surgirão após essa queda. A (realidade) política é a que teremos uma população extremamente polarizada. Ao mesmo tempo, teremos um país totalmente dependente da exportação de petróleo, com uma moeda quase sem valor algum.

O que deve acontecer é o lançamento de algum pacote de estabilização econômica, com algum tipo de injeção de capital no país, talvez via Fundo Monetário Internacional. E será preciso um enfoque significativo em mudar o modelo de produção, reduzindo a dependência na exportação de petróleo e estimulando a produção de alimentos no interior do país. O desafio econômico é enorme, mas pode ser resolvido.

Outros países da América Latina passaram por isso após a hiperinflação dos anos 80. Mas certamente a Venezuela vai vivenciar uns bons anos de sofrimento econômico até começar a se estabilizar.

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Líder opositor da Venezuela declara-se presidente interino e é reconhecido pelos EUA

Anúncio ocorre durante manifestações contra Maduro que reúnem milhares de pessoas nas principais cidades do país

Redação, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2019 | 15h59
Atualizado 23 Janeiro 2019 | 16h24

CARACAS – O líder opositor venezuelano Juan Guaidó declarou-se nesta quarta-feira, presidente interino da Venezuela durante as manifestações pela renúncia do presidente Nicolás Maduro em Caracas. Minutos após o anúncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpreconheceu  Guaidó como presidente de facto do país e convocou líderes latino-americanos a fazerem o mesmo.

Presidente da Assembleia Nacional, Guaidó já foi reconhecido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e países latino-americanos, como o Brasil. Ele tinha chegado a sinalizar que pretendia declarar-se líder do país após a a Assembleia considerar Maduro “usurpador”, mas vinha evitando fazer isso abertamente.

Juan Guaído - Venezuela

O líder opositor venezuelnao, Juan Guaído, discursa em Caracas  Foto: AP Photo/Fernando Llano

Em protestos que antecederam a marcha, uma pessoa morreu quando uma estátua do presidente Hugo Chávez foi queimada. Outras três pessoas morreram em saques no Estado de Bolívar.

Os principais atos ocorrem nas cidades de Caracas, Maracaibo, San Cristóbal, Barquisimeto, Mérida e Valência. O governo convocou chavistas para demonstrar apoio a Maduro, mas estes se reúnem em menor número.

Guaidó assumiu o comando da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, mas sem poderes legislativos desde 2016, no começo de janeiro e impulsionou os esforços contra o chavismo dentro e fora da Venezuela.

Para Entender

Venezuelanos vão às ruas contra o governo de Nicolás Maduro; entenda os motivos da manifestação antichavista

Protestos foram convocados pela oposição e receberam apoio dos Estados Unidos

Enquanto organizou assembleias de rua nas principais cidades do país para reunir opositores ao regime, recorreu ao front diplomático para angariar apoio de países vizinhos e dos Estados Unidos. Ao assumir o cargo, ele declarou Maduro “usurpador” por ter sido eleitas em eleições não reconhecidas pela oposição e a comunidade internacional. /EFE e REUTERS

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Opositores de Maduro participam de manifestação na Venezuela  Foto: EFE/Cristian HernándezFonte: Estadão

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CERIMÔNIA DE PASSAGEM DE COMANDO DO EXÉRCITO BRASILEIRO REÚNE AUTORIDADES E EMOCIONA O PÚBLICO EM BRASÍLIA

Brasília (DF) – No dia 11 de janeiro, o General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas passou oficialmente o comando da Força Terrestre para o General de Exército Edson Leal Pujol. A cerimônia também marcou a entrega da Medalha do Mérito Militar, grau Grã-Cruz, ao Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Diversas autoridades prestigiaram a cerimônia, como o Vice-Presidente, General de Exército Antônio Hamilton Martins Mourão; o Ministro da Defesa, General de Exército Fernando Azevedo e Silva; o Ministro de Segurança Institucional, General de Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira; o Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro; o Ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes; e os novos comandantes da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, e da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez.

O General Villas Bôas permaneceu quase 4 anos à frente da Instituição (de 5 de fevereiro 2015 a 11 de janeiro de 2019), e seu carisma e popularidade junto à sociedade puderam ser conferidos no salão onde aconteceu o evento. Milhares de pessoas estavam reunidas para acompanhar de perto esse momento. Em suas palavras, ele agradeceu a todos que fizeram parte de sua caminhada no meio civil e militar e relembrou o momento que entrou na vida castrense: “volto ao meu Exército, onde ingressei há 52 anos, precisamente no dia 15 de março de 1967, inspirado em meu pai, artilheiro de boa cepa, e estimulado por minha mãe, verdadeira mulher de soldado.  Desde os 16 anos de idade, vivi abrigado em uma Instituição em que o sucesso profissional jamais me exigiu abrir mão dos meus valores. Instituição de gente feliz, realizada e comprometida, em ambientes saudáveis, onde, despreocupadamente, minha família conviveu sob o manto da amizade e da camaradagem. Trata-se de um Exército sempre presente nos mais remotos rincões, a proporcionar estabilidade, segurança, defesa e ações em prol do desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e social”. Ao término do discurso, o General foi aplaudido de pé pelos presentes, por mais de um minuto.

Durante a solenidade, o Ministro da Defesa destacou o trabalho do General Villa Bôas no período em que esteve à frente da Instituição: “o General Villas Bôas é reconhecido pelo carisma de líder equilibrado. Mas o seu grande feito não pode ser medido com olhos rasos. A maior entrega deste Comandante foi o que ele conseguiu evitar. Foram tempos que colocaram à prova a postura do Exército como organismo de Estado, isento da política e obediente ao regramento democrático. Manteve a ética como parceira do cotidiano militar e induziu a disciplina consciente como modelo de comportamento. Fez do Exército solução, não parte do problema”.

O General Villas Bôas afirmou estar feliz com a escolha do novo comandante: “embora emocionado, sinto-me extremamente feliz, pela circunstância de estar passando o comando do Exército de Caxias a um profissional que elevará os níveis de desempenho da Força Terrestre, tanto no que diz respeito à parte anímica, quanto na eficiência operacional, ancorado na evolução tecnológica que vigorosamente persegue, bem como na interação com a sociedade, respaldado em sua evidente e renomada capacidade intelectual, na cultura profissional, na sólida liderança estratégica e na vasta experiência”.

Para o novo comandante, General Leal Pujol, “o desafio maior de um oficial do Exército, de um oficial-general, é o que eu estou recebendo agora, não só por estar à frente de uma instituição que tem a maior credibilidade junto à sociedade brasileira, em um momento importante da vida nacional, em que todos depositam a esperança de um Brasil melhor. Suceder o General Villas Bôas, um líder carismático que conduziu o Exército de forma exemplar, é um grande desafio. Sua liderança nos cativou muito, sempre nos motivando a cumprir as missões com muito profissionalismo. Não vou substituí-lo, mas sim, dar continuidade ao trabalho dele e de seus antecessores. Será um período de muito trabalho, mas com os recursos humanos que o Exército dispõe, de profissionais de alto nível, essa tarefa será facilitada”.

Fonte: Exército Brasileiro

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XVIII Curso de Extensão em DEFESA NACIONAL

 

A Faculdade INPG em parceria com o Ministério da Defesa realizam entre os dias 25 à 29 de Junho o XVIII Curso de Extensão em DEFESA NACIONAL.

Trata-se de um ciclo de palestras organizadas pelo Ministério da Defesa com o objetivo de difundir o conhecimento sobre defesa junto à sociedade e estará aberto à toda comunidade acadêmica e civil da região do Vale do Paraíba.

O evento contará com personalidades – já confirmadas – do Ministério da Defesa, Ministério das Relações Exteriores, EMCFA, SEPROD, SEPESD, Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira (DCTA/IES) e Exército Brasileiro. Assim como, ABIN e do poder Executivo Federal e Municipal.

A temática das palestras envolvem as áreas das Políticas Externa e de Defesa do Brasil e serão ministradas por autoridades do poder executivo, da academia, da diplomacia e das Forças Armadas. Os eixos temáticos visarão abordar temas destas áreas e há possibilidade de adaptarmos à nossa realidade, principalmente no que concerne à indústria de defesa do Vale do Paraíba.
Contaremos com a participação de empresas da área de defesa da região (Avibrás, Savir entre outras).

Já é possível de destacar a participação do prefeito de São José dos Campos e do Dr. Ozires Silva, ex-presidente da Embraer. Assim como a vinda de alunos das principais escolas militares (ECEME, AMAN, ESCOLA NAVAL, ESPCEX, entre outros) e outras autoridades da região (Polícia Federal, Polícia Militar do Estado de São Paulo e outras agências de segurança).

Inscrições em: https://cedn.defesa.gov.br/formulario_inscricao/

 

*Agradecemos ao amigo Marco Túlio Freitas pela informação para divulgação desse evento.

 

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HANGOUT Plano Brasil - Colômbia na OTAN?

Secretário Geral da OTAN Jens Stoltenberg e o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

O Plano Brasil apresenta mais um Hangout com temática geopolítica, desta vez tratando da entrada da Colômbia na Organização do Tratado do Atlântico Norte como Parceiro Global desta organização.

Contando com a participação de: Tito Livio Barcellos Pereira

Possui licenciatura em Geografia pela Universidade de São Paulo (2009), bacharelado em Geografia pela Universidade de São Paulo (2010). Atualmente é integrante – grupo de estudos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humans (FFLCH-USP) e mestre em Estudos Estratégicos da Defesa e Segurança pelo Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (INEST-UFF) É integrante do grupo de estudos sobre Rússia e Espaço pós-soviético pelo Laboratório de Estudos da Ásia (Departamento de História – USP) e pesquisador do Laboratório Defesa e Política[s] (INEST – UFF). Tem experiência na área de Geografia, Ciência Política e Relações Internacionais, com ênfase na área de Geopolítica, Geografia Regional, Rússia e Espaço pós-soviético.

Para maiores informações acessar:<http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4200259E3>

Leia mais:
Página da OTAN sobre a associação com a Colômbia

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Banco Mundial: Brasil e Argentina puxarão crescimento econômico da América Latina e Caribe em 2018

Gerardo Pesantez/Banco Mundial
Trabalhadores no Canal do Panamá, que está a ser aumentado.
Relatório semestral do economista-chefe para a região também discute os benefícios de reorganizar as contas fiscais; gastos ineficientes e improdutivos devem se tornar o foco das reformas.

O Banco Mundial divulgou esta semana, em Washington, que o Brasil e a Argentina devem puxar o crescimento econômico da América Latina e do Caribe neste ano. A previsão para o Brasil é de 2,4% em 2018 e de 2,5% em 2019. A Argentina deverá expandir 2,7% e 2,8%, respectivamente.

Em seu relatório semestral, o economista-chefe para a América Latina e o Caribe, Carlos Végh, estima que a região deve crescer 1,8% em 2018 e 2,3% em 2019. Em 2017, a expansão foi de 1,1%.

Ambiente positivo

Por trás desses números, está um ambiente externo positivo, que inclui aumentos nos preços das commodities e crescimento nos Estados Unidos e na China. No entanto, muitos países apresentam uma situação fiscal delicada após anos de pouco crescimento.

Trinta e um dos 32 países da América Latina e Caribe registraram déficit fiscal em 2017. Além disso, a dívida pública da região é de 57,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

O estudo defende que, nesta fase de retomada, é importante fortalecer as contas fiscais para promover um crescimento inclusivo e de longo prazo. Reorganizar as contas também ajuda a manter conquistas das últimas décadas, como inflação baixa, redução da pobreza e da desigualdade.

Reformas

Segundo o relatório, gastos ineficientes e improdutivos devem se tornar o foco das reformas. Esses ajustes também devem ser graduais e não se concentrar em cortar o investimento público ou as transferências sociais.

Entre os países que já começaram esse movimento, estão Argentina, Colômbia, El Salvador, Equador, México, Panamá e Uruguai.

O lançamento do estudo ocorreu em meio às reuniões de primavera do Banco Mundial com o Fundo Monetário Internacional, que vão até domingo.

 

Apresentação: Mariana Ceratti, de Washington, para a ONU News

*Reportagem do Banco Mundial Brasil

Fonte: UN NEWS

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China repreende EUA por criticarem sua estratégia na América Latina

A China não gostou nada das advertências feitas por Washington a vários países latino-americanos sobre a influência cada vez maior de Pequim na região. O gigante asiático considera que as palavras do secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, sobre os riscos de uma dependência excessiva da segunda economia mundial, são uma falta de respeito à política exterior dessas nações.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, em coletiva no México HENRY ROMERO REUTERS

XAVIER FONTDEGLÒRIA

Tillerson – antes de iniciar uma viagem com paradas no México, Argentina, Peru e Colômbia – afirmou que a região não precisa de “novas potências imperiais” e advertiu sobre a estratégia de se apoiar excessivamente na China, “que significa ganhos no curto prazo em troca de uma dependência no longo prazo”. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores chinês considerou que essa premissa é falsa e que o intercâmbio com a América Latina se baseia “em interesses comuns e necessidades mútuas”.

O aumento da influência chinesa na América Latina, pelo menos em termos quantificáveis, como o comércio e o investimento, é inquestionável. O intercâmbio de mercadorias se multiplicou na última década, superando os 200 bilhões de dólares (640 bilhões de reais) por ano, sobretudo graças à compra e venda de matérias primas. A China já é o principal parceiro comercial de países como Argentina, Brasil, Chile e Peru.

Pequim também se tornou uma fonte de empréstimos vital para nações da região, especialmente Brasil, Venezuela e Equador. As autoridades chinesas – como costumam repetir sempre que há suspeitas de que haja mais interesse próprio do que altruísmo por trás desses créditos – dizem que a cooperação se baseia em “igualdade, reciprocidade, abertura e inclusão”.

“Esperamos que este país (em referência aos EUA) abandone o conceito antiquado dos jogos de soma zero e veja o desenvolvimento das relações entre a China e a América Latina de forma aberta e inclusiva”, afirma o comunicado.

A China reforçou recentemente seus laços com a região durante o segundo fórum ministerial entre o gigante asiático e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizado há apenas duas semanas em Santiago, no Chile. O bloco decidiu apoiar, numa declaração oficial, a iniciativa chinesa da nova Rota da Seda – o megaprojeto de interconexão mundial idealizado pelo presidente chinês, Xi Jinping, que colocou sobre a mesa bilhões de dólares para investi-los em obras de infraestrutura que melhorem a conectividade. Os críticos veem nessa iniciativa o desejo de Pequim de aumentar sua influência sobre outros países em desenvolvimento. O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, disse no encontro que seu país quer se transformar no “parceiro mais confiável” da região.

Em seu discurso antes de iniciar a viagem latino-americana, Tillerson declarou que as ofertas da China na forma de investimento “quase sempre exigem a importação de força de trabalho chinesa, grandes empréstimos e uma dívida insustentável, ignorando os direitos humanos e de propriedade intelectual”, algo que comparou com o antigo colonialismo europeu.

Segundo a Xinhua, a agência oficial chinesa, a investida recente da administração Trump contra a diplomacia e a política exterior de Pequim é uma consequência da “perda de carisma” da primeira potência mundial na região: “Em vez de perder tempo criticando a China, talvez fosse uma boa ideia para Washington baixar o tom hostil de sua retórica, que provocou a ira na América Latina com propostas como endurecer a imigração, construir um muro e tentar influenciar os tratados comerciais em seu favor.”

Fonte: El País

 

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Secretário de Estado dos EUA alerta América Latina contra dependência da China

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, alertou os países latino-americanos nesta quinta-feira contra a dependência excessiva de laços econômicos com a China, dizendo que a região não precisa de novas potências imperiais.

Rex Tillerson se prepara para discursar em Washington 30/1/2018 REUTERS/Yuri Gripas – Foto: Reuters
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“Hoje, a China está em posição forte na América Latina. Está usando política econômica para colocar a região em sua órbita, a questão é a que preço”, disse Tillerson em um discurso na Universidade do Texas, em Austin, antes de uma viagem a cinco países da América Latina e Caribe, sem passar pelo Brasil.
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“A América Latina não precisa de novas potências imperiais”, afirmou ele.

Reportagem de David Brunnstrom, Matt Spetalnick e Jon Herskovitz

Fonte: Reuters

 

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Tillerson visitará América Latina de 1 a 7 de fevereiro sem passar pelo Brasil

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, viajará para a América Latina de 1 a 7 de fevereiro e visitará Argentina, Colômbia, México e Peru, com uma parada na Jamaica, e a crise na Venezuela será foco das conversas, disse o Departamento de Estado dos EUA nesta sexta-feira.

Secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson em Londres segunda-feira, 22 de janeiro de 2018 – REUTERS / Toby Melville

“O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, viajará para Austin, no Texas, e depois para a Cidade do México (México), Bariloche e Buenos Aires (Argentina), Lima (Peru), Bogotá (Colômbia) e Kingston (Jamaica), de 1 a 7 de fevereiro”, informou a porta-voz do Departamento de Estado Heather Nauert em um comunicado.

Reportagem de David Alexander e Katanga Johnson

Fonte: Reuters

 

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‘Desinteresse sem precedentes’ define a relação dos EUA com a América Latina no primeiro ano de Trump

Em seu primeiro ano como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump demonstrou uma “apatia” e um “desinteresse” pela América Latina inéditos nos tempos modernos, segundo especialistas.

AFP – O maior gesto de aproximação de Trump com a América Latina foi um jantar que ofereceu a presidentes de alguns países da região em setembro, na semana da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York

Gerardo Lissardy

A questão vai além do relato de que Trump teria se referido a nações da América Central e do Caribe de forma preconceituosa, das decisões do presidente de interromper programas que evitam a deportação de milhares de imigrantes latinos ou do fato de o presidente querer construir um muro na fronteira com o México, país que classificou como o “mais perigoso do mundo”.

Também não se resume à política comercial de Trump, que retirou os EUA do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP), firmado com países latinoamericanos e asiáticos, e que colocou o Nafta – acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá – em cheque.

O que caracteriza esse estremecimento sem precedentes das relações é uma combinação desses fatores com o fato de o republicano sequer ter designado, em um ano de governo, a equipe do Departamento de Estado responsável pelos assuntos relacionados à América Latina.

“Já se comentou em outras administrações que Washington não se importa com a América Latina, e isso é um fato, mas agora é dramaticamente pior”, avalia Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano, um centro de análise sobre a América Latina, baseado em Washington.

“O desinteresse pela região como região não tem precedente”, afirmou Shifter.

E as consequências disso já se vislumbram: uma deterioração da imagem dos Estados Unidos na América Latina e a crescente influência da China na região.

“Não existe um projeto”

O principal gesto de aproximação de Trump com a América Latina no seu primeiro ano de governo foi provavelmente um jantar que ofereceu aos presidentes de Brasil, Colômbia e Panamá e à vice-presidente da Argentina, em setembro, na semana da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Mas nem mesmo esse breve encontro decorreu sem contratempos. Durante a conversa com os outros governantes, Trump expressou seu “assombro” com a rejeição, pelos países da América do Sul, de uma “alternativa militar” na Venezuela, e chegou a perguntar se eles estavam certos dessa decisão. O presidente dos EUA também teria surpreendido os convidados presentes com sua desinformação sobre temas regionais.

Da Casa Branca, Trump incrementou sanções econômicas contra altos funcionários da Venezuela e impôs sanções financeiras ao governo de Nicolas Maduro, que classifica como uma “ditadura”.

Mas Trump evitou, até o momento, o que seria um golpe bem mais duro para Maduro – aplicar um embargo petroleiro à Venezuela, como já foi sugerido pelo presidente argentino, Mauricio Macri, e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro.

REUTERS – Trump aumentou sanções econômicas ao governo de Nicolas Maduro

Defensores dos direitos humanos, como José Miguel Vivanco, da ONG Human Rights Watch, têm criticado Trump por silenciar diante de abusos cometidos por outros governos e de irregularidades denunciadas na recente reeleição do presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, um aliado de Washington.

O presidente interrompeu ainda as conversas entre Estados Unidos e Cuba iniciadas por seu antecessor Barack Obama após meio século de hostilidades entre os dois países.

Especialistas encaram todas essas medidas como respostas pontuais da Casa Branca à máxima de Trump de colocar “os Estados Unidos sempre em primeiro lugar”, não como parte de uma política internacional clara e estratégica.

“O governo norte-americano não é visto como um sócio confiável pela América Latina”, diz Oliver Stuenkel, professor de relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Os Estados Unidos não têm um projeto para a América Latina. Um diplomata brasileiro me disse que não sabem nem com quem falar.”

CHIP SOMODEVILLA/GETTY IMAGES – Sob a Presidência de Trump, os EUA retiraram a maior parte dos funcionários que atuavam na embaixada norte-americana em Cuba

Presença da China

A América é a região do mundo onde mais decaiu a imagem de liderança dos Estados Unidos, conforme levantamento divulgado na semana passada pela Gallup, empresa americana de pesquisas de opinião. O percentual de aprovação do continente em relação ao governo dos EUA passou de 49% no último ano de Obama para 24% na gestão de Trump.

A autoridade com cargo mais alto na hierarquia do governo norte-americano a visitar a América Latina no ano passado foi o vice-presidente, Mike Pence, mas Trump ainda não pisou em qualquer país latinoamericano desde que assumiu a Casa Branca e poderá dar outro sinal de indiferença se faltar à Cúpula das Américas, marcada para abril, no Peru.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, chamou a atenção por sua ausência na Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em junho de 2017, em Cancun, no México. O tema do encontro foi a crise na Venezuela.

Por outro lado, a China tem demonstrado crescente interesse pela América Latina, com três visitas do presidente Xi Jinping à região desde 2013 e reuniões como a realizada na segunda, no Chile, entre o chanceler chinês e ministros de relações exteriores latino-americanos.

GETTY IMAGES – China pode aumentar a influência na América Latina, diante do desinteresse de Trump pela região

A China é o primeiro parceiro comercial do Brasil e segundo parceiro comercial da maioria das nações da América Latina. O peso relativo das importações de produtos da região cresceu a partir do ano 2000, enquanto o dos Estados Unidos se reduziu. Investimentos e empréstimos chineses são vitais para países como a Venezuela.

Para alguns especialistas, a tendência de aumento da influência da China na região se acelerou com o governo Trump.

Luis Rubio, presidente do Conselho Mexicano de Assuntos Internacionais, destaca que o distanciamento dos EUA também gera incentivos para que seja explorada uma aproximação comercial entre Brasil e México, o que antes era considerado “inconcebível”.

“Todo mundo está vendo que (as negociações) com Washington estão mais complicadas, então estão surgindo outros tipos de vínculos”, diz Rubio.

AFP – Os negócios entre EUA, México e Canadá se ampliaram com o Nafta, mas enfrentam agora incertezas diante de restrições de Trump ao acordo de livre comércio

As relações entre EUA e América Latina devem continuar esfriando nos três anos que faltam de governo Trump?

Provavelmente sim, avaliam especialistas, sobretudo por causa de duas questões sensíveis.

A primeira é a renegociação do Nafta. Esta semana se inicia em Montreal uma nova rodada de discussões entre os EUA, o México e o Canadá que pode ser crucial para salvar o tratado comercial ou causar um estremecimento do comércio entre países da América do Norte.

GETTY IMAGES – A retirada, por Trump, de proteção legal a diversos imigrantes é um ponto sensível na relação entre EUA e países da América Latina

“O mais grave que já ocorreu na América Latina foi a mudança de posicionamento de Trump em relação ao Nafta”, aponta Rubens Barbosa, ex-embaixador brasileiro em Washington.

A segunda questão sensível é a possibilidade de o governo dos EUA começar a deportar centenas de milhares de imigrantes latinos que perderam amparo legal nos últimos meses com decisões de Trump e de cujo futuro depende um pacto político em Washington.

“Pode piorar”, adverte Shifter sobre a deterioração da relação entre EUA e América Latina. “É possível que ainda não tenhamos visto o ponto mais baixo da curva.”

Fonte: BBC Brasil.com

 

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China convida América Latina e Caribe para Nova Rota da Seda

Pequim convidou a América Latina e o Caribe para fazer parte de seu bloco econômico, a iniciativa chamada de “Nova Rota da Seda”. A oferta foi feita nesta segunda-feira (22) pelo ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, durante reunião com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC).

O ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi e a presidente do Chile Michelle Bachelet.  Foto da Segunda Reunião Ministerial do Fórum da China e da Comunidade dos Estados da América Latina e Caribe (China-CELAC) em Santiago, em 22 de janeiro de 2018. (AFP PHOTO / CLAUDIO REYES)

Com a retração da influência global dos Estados Unidos com a presidência de Donald Trump, Pequim busca ocupar os espaços deixados por Washington.

“A China sempre estará comprometida com o caminho do desenvolvimento pacífico e com a estratégia de ganha-ganha de abertura e está pronta para compartilhar dividendos de desenvolvimento com todos os países”, disse Wang em reunião com os 33 países da CELAC.

Criado em 2011 na Venezuela, a CELAC não inclui os Estados Unidos e o Canadá.

O bloco latino e a China assinaram uma espécie de acordo de princípios que rejeita o “unilateralismo” e fala sobre a importância de combater a mudança climática.

A Nova Rota da Seda foi proposta pelo presidente chinês Xi Jinping em 2013 e busca fortalecer os laços econômicos entre Ásia, África e Europa com investimento de bilhões de dólares em infraestrutura.

O chanceler chinês discursou sobre a importância de melhorar a conectividade entra mar e terra e citou a necessidade de construir conjuntamente “logística, eletricidade e percursos de informação”.

O ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, que já criticou publicamente Trump, afirmou que o acordo marcou uma nova era “histórica” ​​de diálogo entre a região e a China.

“A China disse algo que é muito importante, que quer ser nosso parceiro confiável na América Latina e no Caribe e valorizamos isso”, afirmou Muñoz. “Este encontro representa um repúdio categórico ao protecionismo e ao unilateralismo”.

Pequim tenta seduzir a América Latina com um investimento de US$ 250 bilhões em infraestrutura na próxima década. Além disso, a China já é o principal parceiro comercial de Brasil, Argentina e Chile.

O chanceler chinês, entretanto, nega que esteja em curso uma competição por influência.

“Não tem nada a ver com concorrência geopolítica. Segue o princípio de alcançar o crescimento compartilhado através da discussão e colaboração”, disse Wang.

Pequim busca ampliar seu leque comercial com a região e deixar de apenas comprar matérias primas para também movimentar setores como o comércio digital e o comércio de veículos.

“Nossas relações com a China são amplas. Isto [reunão entre CELAC e China] é mais uma ferramenta para o Brasil trabalhar com a China. Juntos, identificamos novas áreas de cooperação”, afirmou o vice-chanceler do Brasil, Marcos Galvão.

 

Fonte: Sputnik

Edição: Plano Brasil