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América do Sul ERICH SAUMETH Traduções-Plano Brasil

General Dynamics oferece seu veículo blindado 8×8 LAV-II a Colômbia

Tradução e adaptação-Ghost

Por Erich Saumeth

A empresa General Dynamics Land Systems ( GDLS ) ofereceu ao Exército Colombiano ( Ejército Nacional de Colombia ) e Marinha Colombiana ( Armada de la República de ColombiaARC) o veículo blindado anfíbio 8×8 LAV-II . A oferta segue o interesse que este modelo tem despertado na região após o seu uso pela Marinha peruana (Marina de Guerra del Perú), em operações de apoio, busca, salvamento e evacuação de civis durante as emergências naturais que ocorreram no início de 2019, onde os veículos se destacam pela sua manobrabilidade e eficiência nas áreas de difícil acesso, o que motivou a MGP a eventualmente aumentar sua frota.

Imagem: Erich Saumeth

Em Junho de 2018, militares da Marinha Colombiana participaram de uma demonstração das capacidades do LAV- II, conduzida pela Marinha Peruana durante uma visita do então Almirante Ernesto Durán ao Peru. Vale ressaltar que o Exército colombiano já é um usuário do GDLS LAV III 8×8 Gladiator (32 unidades), veículo até hoje atendeu às expectativas da força, o que reforçaria o interesse do exército e da Marinha Colombiana no LAV-II , dado que, do ponto de vista técnico, ambos os modelos compartilham muitas características, o que facilitaria sua manutenção e operação.

Imagem: El Almirante Durán en el Perú. Infodefensa.com

 

Fonte: infodefensa.com

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América do Sul América Latina Conflitos Geopolítica

Líder opositor da Venezuela declara-se presidente interino e é reconhecido pelos EUA

Anúncio ocorre durante manifestações contra Maduro que reúnem milhares de pessoas nas principais cidades do país

Redação, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2019 | 15h59
Atualizado 23 Janeiro 2019 | 16h24

CARACAS – O líder opositor venezuelano Juan Guaidó declarou-se nesta quarta-feira, presidente interino da Venezuela durante as manifestações pela renúncia do presidente Nicolás Maduro em Caracas. Minutos após o anúncio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trumpreconheceu  Guaidó como presidente de facto do país e convocou líderes latino-americanos a fazerem o mesmo.

Presidente da Assembleia Nacional, Guaidó já foi reconhecido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e países latino-americanos, como o Brasil. Ele tinha chegado a sinalizar que pretendia declarar-se líder do país após a a Assembleia considerar Maduro “usurpador”, mas vinha evitando fazer isso abertamente.

Juan Guaído - Venezuela

O líder opositor venezuelnao, Juan Guaído, discursa em Caracas  Foto: AP Photo/Fernando Llano

Em protestos que antecederam a marcha, uma pessoa morreu quando uma estátua do presidente Hugo Chávez foi queimada. Outras três pessoas morreram em saques no Estado de Bolívar.

Os principais atos ocorrem nas cidades de Caracas, Maracaibo, San Cristóbal, Barquisimeto, Mérida e Valência. O governo convocou chavistas para demonstrar apoio a Maduro, mas estes se reúnem em menor número.

Guaidó assumiu o comando da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, mas sem poderes legislativos desde 2016, no começo de janeiro e impulsionou os esforços contra o chavismo dentro e fora da Venezuela.

Para Entender

Venezuelanos vão às ruas contra o governo de Nicolás Maduro; entenda os motivos da manifestação antichavista

Protestos foram convocados pela oposição e receberam apoio dos Estados Unidos

Enquanto organizou assembleias de rua nas principais cidades do país para reunir opositores ao regime, recorreu ao front diplomático para angariar apoio de países vizinhos e dos Estados Unidos. Ao assumir o cargo, ele declarou Maduro “usurpador” por ter sido eleitas em eleições não reconhecidas pela oposição e a comunidade internacional. /EFE e REUTERS

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Opositores de Maduro participam de manifestação na Venezuela  Foto: EFE/Cristian HernándezFonte: Estadão

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América do Sul América Latina Defesa brasileira.

CERIMÔNIA DE PASSAGEM DE COMANDO DO EXÉRCITO BRASILEIRO REÚNE AUTORIDADES E EMOCIONA O PÚBLICO EM BRASÍLIA

Brasília (DF) – No dia 11 de janeiro, o General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas passou oficialmente o comando da Força Terrestre para o General de Exército Edson Leal Pujol. A cerimônia também marcou a entrega da Medalha do Mérito Militar, grau Grã-Cruz, ao Presidente da República, Jair Bolsonaro.

Diversas autoridades prestigiaram a cerimônia, como o Vice-Presidente, General de Exército Antônio Hamilton Martins Mourão; o Ministro da Defesa, General de Exército Fernando Azevedo e Silva; o Ministro de Segurança Institucional, General de Exército Augusto Heleno Ribeiro Pereira; o Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro; o Ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes; e os novos comandantes da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, e da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez.

O General Villas Bôas permaneceu quase 4 anos à frente da Instituição (de 5 de fevereiro 2015 a 11 de janeiro de 2019), e seu carisma e popularidade junto à sociedade puderam ser conferidos no salão onde aconteceu o evento. Milhares de pessoas estavam reunidas para acompanhar de perto esse momento. Em suas palavras, ele agradeceu a todos que fizeram parte de sua caminhada no meio civil e militar e relembrou o momento que entrou na vida castrense: “volto ao meu Exército, onde ingressei há 52 anos, precisamente no dia 15 de março de 1967, inspirado em meu pai, artilheiro de boa cepa, e estimulado por minha mãe, verdadeira mulher de soldado.  Desde os 16 anos de idade, vivi abrigado em uma Instituição em que o sucesso profissional jamais me exigiu abrir mão dos meus valores. Instituição de gente feliz, realizada e comprometida, em ambientes saudáveis, onde, despreocupadamente, minha família conviveu sob o manto da amizade e da camaradagem. Trata-se de um Exército sempre presente nos mais remotos rincões, a proporcionar estabilidade, segurança, defesa e ações em prol do desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e social”. Ao término do discurso, o General foi aplaudido de pé pelos presentes, por mais de um minuto.

Durante a solenidade, o Ministro da Defesa destacou o trabalho do General Villa Bôas no período em que esteve à frente da Instituição: “o General Villas Bôas é reconhecido pelo carisma de líder equilibrado. Mas o seu grande feito não pode ser medido com olhos rasos. A maior entrega deste Comandante foi o que ele conseguiu evitar. Foram tempos que colocaram à prova a postura do Exército como organismo de Estado, isento da política e obediente ao regramento democrático. Manteve a ética como parceira do cotidiano militar e induziu a disciplina consciente como modelo de comportamento. Fez do Exército solução, não parte do problema”.

O General Villas Bôas afirmou estar feliz com a escolha do novo comandante: “embora emocionado, sinto-me extremamente feliz, pela circunstância de estar passando o comando do Exército de Caxias a um profissional que elevará os níveis de desempenho da Força Terrestre, tanto no que diz respeito à parte anímica, quanto na eficiência operacional, ancorado na evolução tecnológica que vigorosamente persegue, bem como na interação com a sociedade, respaldado em sua evidente e renomada capacidade intelectual, na cultura profissional, na sólida liderança estratégica e na vasta experiência”.

Para o novo comandante, General Leal Pujol, “o desafio maior de um oficial do Exército, de um oficial-general, é o que eu estou recebendo agora, não só por estar à frente de uma instituição que tem a maior credibilidade junto à sociedade brasileira, em um momento importante da vida nacional, em que todos depositam a esperança de um Brasil melhor. Suceder o General Villas Bôas, um líder carismático que conduziu o Exército de forma exemplar, é um grande desafio. Sua liderança nos cativou muito, sempre nos motivando a cumprir as missões com muito profissionalismo. Não vou substituí-lo, mas sim, dar continuidade ao trabalho dele e de seus antecessores. Será um período de muito trabalho, mas com os recursos humanos que o Exército dispõe, de profissionais de alto nível, essa tarefa será facilitada”.

Fonte: Exército Brasileiro

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América do Sul América Latina Artigos Exclusivos do Plano Brasil Brasil Defesa Estados Unidos Geopolítica Hangout Opinião Vídeo

HANGOUT Plano Brasil - Colômbia na OTAN?

Secretário Geral da OTAN Jens Stoltenberg e o Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

O Plano Brasil apresenta mais um Hangout com temática geopolítica, desta vez tratando da entrada da Colômbia na Organização do Tratado do Atlântico Norte como Parceiro Global desta organização.

Contando com a participação de: Tito Livio Barcellos Pereira

Possui licenciatura em Geografia pela Universidade de São Paulo (2009), bacharelado em Geografia pela Universidade de São Paulo (2010). Atualmente é integrante – grupo de estudos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humans (FFLCH-USP) e mestre em Estudos Estratégicos da Defesa e Segurança pelo Instituto de Estudos Estratégicos da Universidade Federal Fluminense (INEST-UFF) É integrante do grupo de estudos sobre Rússia e Espaço pós-soviético pelo Laboratório de Estudos da Ásia (Departamento de História – USP) e pesquisador do Laboratório Defesa e Política[s] (INEST – UFF). Tem experiência na área de Geografia, Ciência Política e Relações Internacionais, com ênfase na área de Geopolítica, Geografia Regional, Rússia e Espaço pós-soviético.

Para maiores informações acessar:<http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4200259E3>

Leia mais:
Página da OTAN sobre a associação com a Colômbia

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América do Sul Armored Personnel Carriers Aviação Brasil Conflitos Defesa Infantry Fighting Vehicles PÉ DE POEIRA Segurança Pública Sistemas de Armas Sugestão de Leitura Tecnologia

FAB PÉ DE POEIRA: Emprego de veículo blindado de transporte de tropa no âmbito do Comando da Aeronáutica

Imagem meramente ilustrativa. Arte Athos Gabriel

Autor: Major Infantaria Alexandre Esteves da Silva

RESUMO

Esta pesquisa visa a identificar as possibilidades de emprego dos veículos blindados de transporte de pessoal (VBTP) no Comando da Aeronáutica (COMAER) e verificar o impacto da utilização de VBTP para o fortalecimento do Poder Aeroespacial brasileiro. Os dados foram coletados por meio de uma pesquisa bibliográfica, documental e da aplicação de um questionário. Analise documental identificou que a legislação atual do SISTRANS não define o conceito e as especificações dos chamados VBTP, mas prevê sua dotação às Unidades de Emprego de Infantaria da Aeronáutica. Portanto, há um hiato entre a necessidade de meios para que a INFAER possa cumprir sua missão e o apoio logístico para que tal necessidade seja atendida.

INTRODUÇÃO

 No Comando da Aeronáutica (COMAER), a competência para a utilização e emprego de veículos de transporte de superfície é regulada pela Instrução do Comando da Aeronáutica (ICA) 75-6 (Classificação, Distribuição, Emprego, Utilização e Operação de Veículos de Transporte de Superfície), sendo a Diretoria de Engenharia da Aeronáutica (DIRENG) o Órgão Central do Sistema de Transporte de Superfície (SISTRANS). Todavia, a destinação dos meios de superfície é regulada pela TCA 75-1, referente à Tabela de Distribuição de Viaturas do Comando da Aeronáutica (TDV), no qual o código E-21 (veículos sem enquadramento) aparece a previsão aos Batalhões de Infantaria da Aeronáutica Especiais (BINFAE´s) de um veículo especial, denominado Veículo Blindado de Transporte de Pessoal (VBTP). O Glossário das Forças Armadas (MD35-G-01) define o termo blindado como o meio sobre rodas, sobre lagartas ou sobre ambos, que possui blindagem que permite aproximar-se do inimigo relativamente protegido dos efeitos dos tiros das armas portáteis, estilhaços de granadas e, até certo grau, dos efeitos das armas químicas, bacteriológicas e nucleares.” (MD35- G-01, 2007, 41).

M-706 Cadillac Gage Commando pertencente a Força Aerea Tailandesa (Royal Thai Air Force)
M-706 Cadillac Gage Commando pertencente a Força Aérea Tailandesa (Royal Thai Air Force). A Força Aérea Americana também utilizou o veiculo para a proteção de suas bases aéreas.

Segundo o Professor Expedito Carlos Stephani Bastos, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o Brasil foi o primeiro país sul-americano a adquirir veículos blindados para o seu exército. Em 1921, o Exército Brasileiro (EB) recebeu 12 (doze) Renault FT-17, criando assim a Companhia de Carros de Assalto, extinta em 1942. Esses blindados atuaram operacionalmente nas revoluções de 1924, 1930 e 1932. Os VBTP são empregados como meio de transporte tático de tropas de infantaria das forças armadas de diversos países, num ambiente tático operacional, podendo também ser utilizado para o transporte de feridos e comando e controle (C2). Seu armamento consiste geralmente em uma metralhadora de alto calibre, embora outras variantes carreguem também um canhão sem recuo ou um lança-granada foguete (BASTOS;BASTOS JÚNIOR, 2003, p. 1).

O tema desta pesquisa está contido na linha de pesquisa “Doutrina de Emprego”, pois se propõe a realizar uma pesquisa científica que contribua com a formulação e disseminação de conceitos básicos e normas de comportamento que orientem as atividades relacionadas à Atividade de Suporte Operacional Segurança e Defesa, na forma preconizada na DCA 1- 1 (Doutrina Básica da Força Aérea), DCA 14-5 (Política Militar da Aeronáutica) e na NSCA 205-3 (Estrutura e Atribuições do SISDE). A DCA 1-1 elenca como Atividade de Suporte Operacional aquelas atividades que têm o propósito síntese de prover condições para a Força Aérea manter se em combate, constituindo ações diversificadas, permanentes, distribuídas por variados segmentos da Força Aérea e, por isso mesmo, dependentes de estreita coordenação. Para o caso em questão, destacam-se as ações de Segurança e Defesa:

Conjunto de ações que contribuem para a preservação do poder combatente da FAB. Consiste na consecução de ações defensivas, ofensivas e de proteção, a fim de garantir o grau de segurança desejado das instalações, dos equipamentos e do pessoal de interesse do COMAER. (DCA 1-1, 2005, p. 51)

 A grande preocupação do autor com a segurança e defesa das instalações aeronáuticas advém dos 5 (cinco) anos de experiência acumulada no comando do BINFA- 43, o Batalhão de Infantaria da Base Aérea de Santa Cruz (BASC), onde também exerceu a função de Oficial de Segurança e Defesa. A escolha do emprego dos VBTP como tema desta pesquisa deve-se a sua relevância para o meio acadêmico militar, e em especial à Força Aérea Brasileira (FAB). De acordo com o Centro de Operações Terrestres da Aeronáutica (COTAR), o conceito de tropa de infantaria transportada em veículos blindados sobre rodas – podendo inclusive combater sem efetuar um desembarque – está amplamente arraigado nas tropas de Segurança e Defesa das Forças Aéreas de diversos países, dentre os quais o pesquisador destaca, com o intuito de amostragem, os Estados Unidos da América (EUA), Inglaterra, Austrália, Portugal, e Suécia.

O Humvee – 1165A1 W/AC B3 poderia ser usado pelos Grupos de Defesa Antiaérea para o transporte de militares, Sistema Antiaéreo IGLA-S e radar SABER M-60. Imagem meramente ilustrativa. Arte Athos Gabriel

Desta forma, se o emprego de VBTP encontra-se difundido no âmbito de várias Forças Aéreas, chega-se ao seguinte questionamento: qual o impacto que a utilização dos VBTP contribuiria para o fortalecimento do Sistema de Segurança e Defesa (SISDE) do Comando da Aeronáutica? E no desdobramento desta questão surgem outras: a Infantaria da Aeronáutica dispõe de veículos que a abrigue dos fogos inimigos e que lhe dê a necessária mobilidade que a guerra moderna exige? Teriam os meios terrestres empregados para a segurança e a defesa das instalações militares, notadamente das bases aéreas, acompanhado a evolução doutrinária ocorrida em outros países? Haveria cenários operacionais para a Infantaria da Aeronáutica, no qual os VBTP seriam empregados em prol do fortalecimento do Poder Aeroespacial?Qual o tipo de blindado seria mais adequado às necessidades do SISDE, à vistas dos Comandantes de Unidades de Infantaria (U Inf). Diante do exposto, torna-se claro o objetivo deste trabalho, que é identificar as possibilidades de emprego dos VBTP nas missões atribuídas às Unidades de Infantaria no âmbito do Sistema de Segurança e Defesa do COMAER. Para validar esta pesquisa, porém, é necessário discorrer sobre a metodologia empregada, facilitando o entendimento dos critérios e das técnicas utilizadas ao longo do trabalho.

1 METODOLOGIA

 O tema escolhido é pouco explorado, sendo difícil formular hipóteses precisas. Nas palavras de Vergara: “há pouco conhecimento acumulado e sistematizado” (VERGARA, 2004, p. 44). Desta forma, será realizada uma pesquisa exploratória, efetuando-se uma análise dos conflitos ocorridos no século XX, nos quais aconteceram ataques a bases aéreas ou outras instalações de interesse do Poder Aéreo por forças terrestres (regulares ou irregulares). Como parte da metodologia aplicada, o trabalho seguirá um delineamento bibliográfico e documental. A pesquisa bibliografia, segundo Santos (1999, p. 105) tem como instrumento essencial a habilidade de leitura, isto é, a capacidade de extrair informações a partir de textos escritos.

Também será documental porque valer-se-á de materiais que ainda não receberam tratamento analítico, como tabelas e normas internas do COMAER, e desenvolvida tendo como base material já elaborado, constituído, principalmente, por livros, artigos científicos, ensaios, e redes eletrônicas (VERGARA, 2004, p. 48). A pesquisa documental em muito se assemelha com a bibliográfica, porém com uma diferença essencial quanto à natureza das fontes. De qualquer modo, podem ser encontrados dados valiosos em documentos de segunda mão, os quais já sofreram uma filtragem em relação ao seu conteúdo. Os meios de consulta, que serão utilizados, são – em sua maior parte – de caráter ostensivo, ou seja, são acessíveis ao público em geral. Alguns artigos publicados em revistas, ou em mídia eletrônica, por não terem recebido um tratamento analítico, ou serem de fontes secundárias, levaram ao enquadramento da pesquisa como documental.

Fiat Oto Melara 6614 pertencente a Força Aerea Argentina.
Fiat Oto Melara 6614 pertencente a Força Aérea Argentina.

A pesquisa terá aspecto qualitativo, por atribuir significados aos fenômenos interpretados pela pesquisa. Quanto ao método científico empregado, será utilizado o método de procedimento histórico comparativo, por ser a pesquisa um estudo de conhecimentos e processos, visando a identificar e explicar as origens dos fenômenos contemporâneos apresentados. E comparativo, por se desenvolver pela investigação de fenômenos ou fatos, com objetivo de evidenciar as diferenças e similaridades entre eles. A coleta de dados será feita através de uma pesquisa histórica e documental, a fim de situar a origem do assunto abordado. Após, será buscado o referencial teórico, através da análise das teorias do emprego do poder aéreo. Por fim, buscou-se identificar possíveis cenários de emprego de VBTP nas missões atribuídas às Unidades de Infantaria, no âmbito do Sistema de Segurança e Defesa do Comando da Aeronáutica. Para tanto, foi aplicado um questionário aos Comandantes e ex Comandantes de BINFAE e BINFA, visando a obtenção de dados relativos ao tema da pesquisa, na visão dos militares que trabalham diretamente na atividade de Segurança e Defesa. Dentre as 31 U Inf do COMAER, 8 foram objeto deste estudo.

O autor vislumbra que este trabalho venha a contribuir positivamente como fonte de referência ao aprofundamento do tema no âmbito do COMAER, não encerrando a discussão sobre o assunto em questão. Ao contrário, constituirá no futuro uma primeira etapa de uma investigação científica mais ampla. Toda a pesquisa teve por referencial teórico os ensinamentos do doutrinador o consagrado autor da obra “O Domínio do Ar”, o General Giulio Douhet. Segundo Douhet (1988, p. 59), a melhor maneira de combater o poder aéreo do inimigo é destruindo seus vetores no solo, quando se encontram mais vulneráveis, do que tentar derrubá-los no ar. Alan J. Vick, Ph.D. em Ciência Política, pela Universidade da Califórnia, Irvine, EUA, e Pesquisador Senior da RAND Corporation  (A RAND Corporation é uma instituição privada independente e sem fins lucrativos, nos EUA, que se destina a auxiliar no implemento de políticas e na tomada de decisões através da análise e da pesquisa), e um dos maiores estudiosos de segurança e defesa de bases aéreas, com mais de 15 (quinze) trabalhos sobre estratégia militar, controle de armas e gerenciamento de crises. Vick apresenta um extenso levantamento das ocorrências nos conflitos armados entre 1940 e 1992 (493 casos).

Com base neste arrolamento, ele propõe uma classificação dos ataques a instalações aeronáuticas baseada no objetivo principal dos atacantes. Pretende, assim, demonstrar a diferença que existe entre os diversos potenciais atacantes de bases aéreas, suscitando distintas táticas de enfrentamento. Desde o ataque ao aeródromo aliado na ilha de Creta por parte da Luftwaffe em maio de 1941, até o término da Primeira Guerra do Golfo, foram enumerados 493 ataques às instalações aeronáuticas, indicando a vulnerabilidade dos vetores aéreos de combate quando estacionados nos hangaretes de suas bases, tanto a ataques aéreos quanto a assaltos aeroterrestres (VICK, 1995). Da acurada leitura dessas obras, o pesquisador demonstra a vulnerabilidade encontrada na defesa das bases aéreas em todos os conflitos armados ocorridos

ao longo de mais de 60 (sessenta) anos de história, lembrando que as Forças de Segurança e Defesa dispunham de meios apropriados para se antepor à ameaça e dar a pronta resposta necessária. Assim, o autor vislumbra que este trabalho possa vir a contribuir positivamente como fonte de referência ao aprofundamento do tema no âmbito do COMAER, não encerrando a discussão sobre o assunto em questão. Com a intenção de dar continuidade ao trabalho passa-se a verificar o conceito de VBTP, sua origem e evolução nos teatros de operações de alguns conflitos ocorridos ao longo do século XX.

A Força Aerea Peruana (Fuerza Aérea del Perú) emprega o Blindado 4x4 BRDM-2 (Boyevaya Razvedyvatelnaya Dozornaya Mashina, "Veículo de combate de patrulha/reconhecimento")
A Força Aerea Peruana (Fuerza Aérea del Perú) emprega o Blindado 4×4 BRDM-2 (Boyevaya Razvedyvatelnaya Dozornaya Mashina, “Veículo de combate de patrulha/reconhecimento”)

2 VEÍCULO BLINDADO DE TRANSPORTE DE PESSOAL

Segundo Jamerson de Oliveira (2009, p. 6), um Veículo Blindado de Transporte de Pessoal (VBTP) é utilizado para o transporte de tropas e equipamento. Ao contrário do carro de combate, é mais leve e possui menos blindagem e armamento, geralmente apenas uma metralhadora de alto calibre, embora outras variantes carreguem também um canhão sem recuo, morteiro ou outros tipos de armamentos mais pesados. Sua finalidade principal e para a qual esses tipos de viaturas foram construídos é a condução de tropas para as proximidades do conflito. Sua origem remonta aos idos da Primeira Guerra Mundial. O Coronel Portella Alves, autor do livro “Os blindados através dos séculos”, afirma que a aparição do tank inglês teve rápida evolução, por ser uma idéia que remontava a tempos antigos e contar com o parque industrial das diversas potências em guerra voltado para atender às necessidades militares (ALVES, 1964, p. 135). No decorrer daquele conflito, uma evolução do conceito levou um veículo de cavalaria a ter uma variante para a infantaria, com o advento do blindado britânico Mark V, que foi desenhado com um pequeno compartimento para transportar tropas. Por algumas definições, este pode ser considerado o primeiro veículo blindado de transporte de pessoal. Todavia, o primeiro VBTP especializado foi o Mark IX. Os britânicos criaram o primeiro modelo em 1917, como forma de acompanhar o desenvolvimento dos primeiros carros de combate e tentar dotar a infantaria de mobilidade e proteção no campo de batalha. Tinha capacidade para 50 (cinquenta) homens e, por isso, seu comprimento atingiu 18 (dezoito) metros (ALVES, 1964, p.143).

A essa iniciativa pioneira, seguiu-se um esforço semelhante dos alemães, que resultou, a partir da década de 30, na adoção de unidades de infantaria embarcadas em veículos de meia-lagarta, os Panzergrenadieren. Tais unidades participaram com êxito dos primeiros combates da 2a Guerra Mundial atuando nas formações de carros de combate (SANTOS JR, 2006, p.48). Os americanos rapidamente aproveitaram a experiência alemã e, entre 1941 e 1945, produziram mais de 40 mil viaturas blindadas de meia-lagarta, com as quais equiparam unidades do seu Exército e também de aliados. O exército soviético estava entre aqueles que utilizaram os meia-lagartas americanos, adotando também, a partir dessa época, o conceito de veículo blindado de transporte de pessoal. (SANTOS JR, 2006, 48). Para Santos Jr (2006, p. 48), os modelos de viaturas blindadas de transporte de pessoal em uso na 2a Guerra Mundial eram, muitos deles, originados de adaptações feitas em carros de combate e peças de artilharia autopropulsadas, que apresentavam limitações e deficiências. Essas só viriam a ser adequadamente superadas mais tarde, com o perfil elevado, que aumentava sua vulnerabilidade, a dificuldade para o desembarque da tropa e a blindagem, sobretudo em sua parte superior. Ainda segundo Santos Jr (2006, p. 48) após a guerra, diferentes VBTP especializados foram desenvolvidos. De acordo com a enciclopédia eletrônica Wikipédia, nesse período, os EUA desenvolveram uma série de veículos sobre lagartas, originando o M113 “caixa em lagartas”, do qual foram produzidas 80 000 unidades. A União Soviética desenvolveu o BTR-40 do tempo da guerra, numa série de VBTP de oito rodas. Segundo o autor tratado até o momento (2006, p. 48), no final dos anos 80, Israel converteu carros de combate T-55 capturados em veículos de transporte para unidades de infantaria. O resultado foi um dos VBTP melhor protegido do mundo, chamado de IDF Achzarit. 9. E foi nessa época que surgia no Brasil o EE-11 URUTU, construído pela Engenheiros Especializados S/A (ENGESA), um equipamento pensado dentro da realidade do parque automobilístico nacional, e que se tornou um sucesso de vendas, equipando tanto o EB e Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) como também exércitos de outros países, da América Latina, África, Ásia e Oriente Médio. Com o foco em identificar as possibilidades de emprego das VBTP no âmbito do COMAER, apresentar as tendências e perspectivas das VBTP e as repercussões da adoção desse novo meio para a Infantaria da Aeronáutica, serão analisados possíveis cenários de emprego dos VBTP no âmbito da Infantaria da Aeronáutica.

3 CENÁRIOS DE EMPREGO

 De acordo com Santos Jr (2006, p. 47), o combate moderno tem ressaltado a crescente necessidade de empregar forças em localidades urbanas. Nesse contexto, o blindado deve atender a requisitos e critérios específicos para integrar os BINFAE, aptos a participarem de Operações Terrestres de caráter urbano – onde se localiza a maior parte dos aeródromos. Após o final da Segunda Guerra Mundial, os países que produziam VBTP aplicaram-se na pesquisa e desenvolvimento de novos modelos, que incorporavam aperfeiçoamentos capazes de eliminar ou reduzir as deficiências dos modelos antigos. Logo, estabeleceram se duas tendências, ainda permanentes nos dias atuais: o emprego de lagartas e o uso de chassis sobre rodas (SANTOS JÚNIOR, 2006, p. 48). Para um emprego predominantemente urbano, com deslocamentos em sua maioria por vias pavimentadas, seja por concreto ou asfalto, a indicação tende claramente para VBTP sobre rodas, de acordo com Santos Jr (2006, p. 49). Todavia, se o emprego for em combate convencional, com deslocamentos em terrenos abertos, contra um inimigo mais bem armado, tende-se a optar por viaturas blindadas sobre lagartas. Em recente palestra realizada na Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR), o Tenente Coronel Infante Eustáquio Alves da Costa Neto, instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) – núcleo do pensamento doutrinário da Força Terrestre – divulgou que o Exército Brasileiro converterá seus Batalhões de Infantaria Motorizada (Jipes e Caminhões Tropa) em Batalhões de Infantaria Mecanizada (VBTP – URUTU ou M-113), justamente antevendo esta tendência mundial. Por possuírem boa mobilidade, blindagem e reduzido poder de fogo, as VBTP acrescentariam um maior poder de combate à INFAER; ainda que a blindagem não proteja as tropas de armas pesadas, ou munições inteligentes (SANTOS Jr, 2006, p. 50). Todavia, ficariam protegidas das mais leves, proporcionando ação de choque, rapidez e proteção na execução das tarefas pertinentes de defesa de aeródromo, ou durante o estabelecimento em áreas de difícil acesso, como favelas – nas patrulhas de cumprimento de Mandados de Busca e Apreensão, quando for o caso.

Durante su participação na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah) a Infantaria da FAB pode conhecer mais sobre a doutrina de emprego de viaturas blindadas. Na imagem membros da Infantaria da FAB posam junto de um Engesa EE-11 Urutu.
Durante su participação na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah) a Infantaria da FAB pode conhecer mais sobre a doutrina de emprego de viaturas blindadas. Na imagem membros da Infantaria da FAB posam junto de um Engesa EE-11 Urutu.

Em 2006, o COTAR emitiu ao Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) um documento que visava prover aquele órgão de subsídios que justificassem e orientassem a aquisição/desenvolvimento de um VBTP, para emprego pela tropa de Infantaria da Aeronáutica (BRASIL, 2006, p. 2). Esse documento, denominado de Necessidade Operacional (NOP), visa a metodizar os procedimentos para Formalização de NOP, em complemento à DCA 400-6 que trata do Ciclo de Vida de Sistemas e Materiais da Aeronáutica (BRASIL, 2000, p. 7). Nesse documento o COTAR levanta alguns cenários de emprego para a Infantaria da Aeronáutica, nos quais VBTP podem ser empregados.

3.1 CENÁRIO 1: A GUERRA CONVENCIONAL

 O cenário inicial que se descortina é o da guerra convencional. Nesta situação a Infantaria da Aeronáutica estará engajada em sua atividade-fim, ou seja, a autodefesa de superfície de bases aéreas e outras instalações e meios de interesse da Força Aérea, a fim de contrapor-se a um grande espectro de forças inimigas, que vão desde pequenos grupos de guerrilheiros e pequenas unidades táticas de operações especiais, até grandes unidades aeroterrestres, aeromóveis e anfíbias. Em tal cenário, a utilização de VBTP garantiria à tropa de Infantaria da Aeronáutica segurança em suas operações defensivas e ofensivas, meios de mobilidade e proteção balística capazes de assegurar a execução das ações de reação, retardamento e contra-ataque, de forma a permitir o engajamento, neutralização ou destruição da força inimiga, antes que os recursos da Força Aérea a serem defendidos sejam danificados ou destruídos por ataques de infiltração à distância (morteiros, foguetes, etc.) ou assaltos de infantaria. Além disso, proporcionaria o lançamento rápido de postos de vigilância avançados, negando, assim, ao inimigo, a utilização de acidentes capitais do terreno para fogo e observação sobre as instalações aeronáuticas.

3.2 CENÁRIO 2: GARANTIA DA LEI E DA ORDEM

Neste cenário, as ações a serem realizadas são, basicamente, de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Tais ações, levadas a efeito unicamente no campo interno, destinam-se à garantia da manutenção dos poderes constituídos, da lei e da ordem, no termos do Art. 142 da Constituição Brasileira, quando ameaçados por grave perturbação da ordem ou comoção interna. A tropa de Infantaria da Aeronáutica, nas operações de GLO, de acordo com a Lei Complementar Nº 117, de 02 set. 2004, poderá ser engajada na Segurança e Defesa da infra-estrutura aeroespacial, aeronáutica e aeroportuária. A par disso, o emprego de blindados em tais operações apresenta um poder dissuasório elevado, uma vez que os veículos intimidam os elementos adversos, à mercê do seu tamanho, velocidade, blindagem e capacidade de lançamento de agentes não-letais.

O Humvee M1151 A1 poderia ser usado para missões de patrulhamento durante operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e em missões de Paz. Imagem meramente ilustrativa. Arte Athos Gabriel

3.3 CENÁRIO 3: GUERRAASSIMÉTRICA E SEUS ASPECTOS

 Vislumbra-se a Segurança e Defesa das instalações e meios da Força Aérea em tempo de paz, porém, com a ameaça existente de elementos do Crime Organizado que vêm atacando as Organizações Militares com o intuito de roubo de armamento, munições e explosivos. Este cenário é real, como pode ser comprovado pelas mais de trinta ocorrências verificadas contra instalações da FAB, desde os anos 80. O emprego de VBTP na Segurança e Defesa das instalações, em face da ameaça do Crime Organizado, constitui-se em fator de alta relevância para a incolumidade das OM, de vez que podem ser utilizados no patrulhamento perimetral interno da organização, em especial quando tais OM são lindeiras a áreas de grande periculosidade como, por exemplo, aquelas localizadas na cidade do Rio de Janeiro, onde se homiziam os membros do Crime Organizado que executam as ações contra as OM da FAB. Outro importante emprego de VBTP-SD é o de escolta de comboios logísticos, mormente daqueles que transportam Material Bélico, hoje a grande cobiça do Crime Organizado nos atentados contra as instalações das Forças Armadas.

Militares do Objektschutzregiment der Luftwaffe (ramo similar a Infantaria da Aeronáutica) realizando a proteção da Base aérea de Camp Marmal em Mazar-i-Sharif no Afeganistão. O blindado é um KMW Dingo 2 e os Militares portam fuzis Heckler & Koch G36

 3.4 CENÁRIO 4: ATUAÇÃO EM OPERAÇÕES DE MANUTENÇÃO DE PAZ.

 Este cenário vislumbra a participação de tropa da Infantaria da Aeronáutica em Operações de Manutenção da Paz, sob mandato da ONU ou de outros organismos internacionais. De acordo com Dias e Zonzim Filho, a importância do emprego das VBTP na Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (MINUSTAH) se faz presente devido aos frequentes engajamentos em cada missão diária, o que levou à necessidade de um veículo blindado que propiciasse segurança à integridade física dos integrantes da MINUSTAH – fuzileiros navais ou integrantes do contingente do Exército Brasileiro – EB (DIAS, ZONZIN FILHO et al., 2009). Apesar da situação dominante no Haiti ser de relativa tranquilidade, com uma estabilidade que afasta a desordem das ruas e reduz bastante a criminalidade, um processo de insatisfação popular, como a subida dos preços, pode derivar uma grande manifestação popular como a ocorrida em 08 de abril de 2008, que levou a uma onda de violência que tomou a capital (DIAS; ZONZIN FILHO et al., 2009).

A Força Aerea Venezuelana (atual Aviación Militar Bolivariana) emprega veiculos blindados 4x4 IMI RAM MK3 de fabricação israelense.
A Força Aérea Venezuelana (atual Aviación Militar Bolivariana) emprega veículos blindados 4×4 IMI RAM MK3 de fabricação israelense.

O patrulhamento motorizado que era realizado com viaturas leves e caminhões UNIMOG recebeu um significativo incremento em prol da segurança e integridade física dos integrantes da Força de Paz, com o emprego dos VBTP, mesmo atuando isoladamente na guarnição de Postos de Controle de Trânsito (DIAS; ZONZIN FILHO et al., 2009). Segundo o Manual C 100-5 do EB (Operações), os meios blindados não devem ser empregados isoladamente em áreas urbanas, em vista da possibilidade de emboscadas, e a dificuldade de apoio mútuo e de ações de salvamento. Todavia, as circunstâncias impuseram que tais viaturas fossem empregadas isoladamente, especialmente nos períodos noturnos, constituindo-se em um componente primordial para aumentar a segurança do pessoal. Portanto, quando se discute a participação de tropa de Infantaria da Aeronáutica em missões desse porte, é indispensável que seus integrantes estejam cobertos e abrigados dos fogos hostis, mesmo que a ação se restrinja às áreas de um aeródromo que, devido a sua natureza plana, oferece excelente campo de tiro a franco atiradores (snipers). Este capítulo tratou dos cenários possíveis de emprego dos VBTP no âmbito do COMAER. Também apresentou uma nova perspectiva voltada para o panorama mundial, com a possibilidade de participação da tropa da Infantaria da Aeronáutica em missões de paz de organismos internacionais. Entretanto, para sedimentar esta pesquisa, cabe mostrar a principal missão da tropa de Infantaria da Aeronáutica, no próximo capítulo desta pesquisa, cujo entendimento é de capital importância para esta pesquisa.

Militares do Royal Air Force Regiment. Tropa de infantaria da Real Força Aérea (RAF). O veiculo é um blindado Force Protection Ocelot 4×4

4 DEFESA CONTRA ATAQUES A BASES AÉREAS

 Por mais que as instalações aeronáuticas estejam supostamente protegidas pela sua distância da frente de batalha, a história testemunha que elas são alvos potenciais e de alto valor para uma força adversária. O General do Exército Italiano Giulio Douhet, precursor das teorias do emprego do Poder Aéreo, ao anunciar o potencial ofensivo da arma aérea, ao mesmo tempo apontava a grande vulnerabilidade de seus vetores quando no solo (DOUHET, 1988). Em 01 de fevereiro de 1941, é criado o RAF Regiment, o primeiro corpo de tropa terrestre combatente de uma força aérea, comandado por um oficial-general de três estrelas e com posições de ligação no Ministério da Aeronáutica do Reino Unido (TOPAN, 2004, p. 16). Logo a seguir, deu-se a perda do aeródromo de Maleme, em Creta, a 20 de maio de 1941, para tropas alemães, pára-quedistas e aerotransportadas. Tal fato confirmou que a concepção de se responsabilizar o Exército pela defesa de superfície e antiaérea dos aeródromos e instalações da Royal Air Force (RAF) estava equivocada. (VICK, 1995). Historicamente, além da ameaça de ataques aéreos de interdição, as instalações aeronáuticas também foram alvos de elementos de superfície tais como forças de operações especiais, blindadas, de infantaria leve, aeroterrestres, anfíbias, terroristas, de guerrilha e irregulares. (TOPAN, 2007).

De acordo com o General Bell Jr da United States ARMY, durante a 2ª Guerra Mundial a principal ameaça terrestre a um aeródromo era a sua conquista. Neste aspecto, a doutrina alemã estava padronizada desde 1940. Primeiro surgiam os bombardeios que, a partir de altitudes médias, atacavam a periferia do campo a fim de forçar as guarnições das peças antiaéreas a buscarem abrigo. Em seguida, surgiam os bombardeios de mergulho e caças disparando suas metralhadoras, de modo a manter os defensores em seus abrigos. Estes ataques eram imediatamente seguidos de tropas páraquedistas, lançadas sobre o aeródromo. Assim, à medida que os defensores saíam para dar uma respirada, viamse frente às bocas das submetralhadoras alemãs (BELL JÚNIOR, 1986). Esta foi a técnica empregada pelos alemães durante a invasão de Creta, em 1941. Os ataques de superfície a instalações aeronáuticas, durante a Segunda Guerra Mundial, abrangeram desde a tomada de aeródromos, para projeção do poder aéreo, até a destruição de aeronaves, equipamentos e suprimentos com a finalidade de diminuir a disponibilidade de meios da força aérea inimiga. No conflito da Coréia, ocorreram poucas ações contra o Poder Aéreo, calcadas sempre em interditar temporariamente os aeródromos estadunidenses.

Abaixo temos um vídeo das forças Russas operando na Síria onde as mesmas utilizam o veiculo blindado Iveco LMV (Light Multirole Vehicle) que foram fabricados na Russia pela Kamaz, com o nome do M65 Ryz para o patrulhamento da Base Aérea de Hmeimym.

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Na Guerra do Vietnã, os Vietcongues e o Exército Norte vietnamita atacaram as bases aéreas norte americanas com o propósito de inquietar, destruir aeronaves e matar soldados, focados no aspecto influenciador do apoio, ou não, da população norte americana à guerra. Em 01 de novembro de 1964, o Vietcongue atacou a Base Aérea de Bien Hoa, no Vietnã do Sul, com morteiros 81 mm, matando quatro pessoas, destruindo 20 aeronaves e marcando o início de uma campanha do Vietcongue e do Exército Norte Vietnamita que incluiria mais 400 ataques. Na linha de raciocínio de BRIAR, esse ataque serviu para confirmar que as instalações aeronáuticas são vulneráveis a ataques de superfície, e que um inimigo razoavelmente sofisticado poderia desorganizar as operações aéreas por pelo menos um período de curta duração e infligir baixas substanciais. Nos conflitos seguintes, até os dias de hoje, tipicamente assimétricos, as grandes potências optaram por assaltos aeroterrestres, como a União Soviética no Afeganistão (1979) e os EUA em Granada (1983), no Panamá (1989) e no Iraque (2003), por ataques de penetração com colunas de blindados, como os EUA no Iraque (1991), ou por incursões de forças de operações especiais, como a Inglaterra nas Ilhas Malvinas (1982). As partes com poder de combate inferior travaram o combate de resistência, com ataques à distância e de infiltração, procurando minar a vontade de lutar adversária e desgastar a força oponente, forçando-a a se desdobrar em amplos dispositivos de defesa (VICK, 1995).

O ataque terrorista às Torres Khobar, em Dhahran, nordeste da Arábia Saudita, em 25 de junho de 1996, instalações da 4404ª Ala Aérea, foi o primeiro ataque a instalações da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF – United States Air Force) desde a Guerra do Vietnã. O fato despertou, na USAF, e, a reboque, em todas as suas forças aéreas aliadas, uma nova onda de sensibilidade à importância da atividade de defesa terrestre das instalações aeronáuticas, ou seja, proteger pontos críticos, a fim de garantir liberdade de ação e preservar o poder de combate para quando este se fizer necessário (TOPAN, 2007). Os ataques a instalações aeronáuticas continuam acontecendo nas intervenções militares, capitaneadas pelos EUA, no Afeganistão e no Iraque, em meio a um cenário de guerra de resistência, onde insurgentes atacam as bases da coalizão com morteiros, foguetes, mísseis portáteis antiaéreos e anticarro (BRIAR, 2004, p. 67). Em sua obra, Snakes in the Eagle´s Nest, Vick (1995) classificou os ataques a instalações aeronáuticas em 4 (quatro) categorias, de acordo com o objetivo da força atacante:

a) captura de aeródromo;

b) negar uso do aeródromo;

c) inquietar defesa de aeródromo; e

d) destruir aeronaves e equipamentos

  Desta forma, entre 1940 a 1992, Vick enumerou 645 incursões a instalações aeronáuticas e as agrupou nas 4 categorias acima. Vick identifica que Forças Terrestes tiveram como objetivo principal capturar o aeródromo em 41 (quarenta e uma) ocasiões. Desses ataques, em 16 (dezesseis) casos, forças aeroterrestres atacaram aeródromos para utilizá-los como cabeças-de-ponte aéreas para a inserção de outras tropas. Em 23 (vinte e três) casos, foram atacados para que a força aérea da parte atacante pudesse utilizar o aeródromo para aumentar seu alcance. Em 2 (dois) casos, o aeródromo foi atacado para destruir forças terrestres ali estacionadas. (VICK, 1995, p. 10).

Tabela 1

A negativa do uso do aeródromo foi a forma de oposição ao poder aéreo inimigo em 47 (quarenta e sete) dos casos. Segundo Vick, este objetivo foi alcançado pela ocupação do aeródromo ou pela imposição da interrupção das operações de solo neles conduzidas. Quatro desses casos ocorreram durante a Operação Torch, a invasão aliada da Argélia, em novembro de 1942. Temendo que o poder aéreo da França de Vichy pudesse interceptar os transportes aliados durante a invasão, os Aliados planejaram enviar paraquedistas para capturar os campos franceses de La Scenia, Duzerville, Youks-Les-Bains. (VICK, 1995) Ainda de acordo com Vick, as forças inimigas, buscando realizar a captura de aeródromos, negar seu uso e destruir os vetores aéreos, certamente inquietam as defesas e interrompem a operação nas instalações aeronáuticas. Nos 448 (quatrocentos e quarenta e oito) ataques à distância contra as bases aéreas aliadas, conduzidos pelos Vietcongue e pelo Exército Norte Vietnamita, em 172 (cento e setenta e dois) foram disparados menos de cinco tiros e nenhuma aeronave foi danificada, demonstrando não haver real intenção de destruir aeronaves. (VICK, 1995). Vick apresenta 384 ocorrências (60% dos ataques) visando a destruição de aeronaves e equipamentos. Tais ocorrências aqui agrupadas se deve ao fato da destruição constituir o objetivo principal da força atacante. Apesar das ações anteriores levarem a destruição de aeronaves, Vick computaas como objetivos secundários (VICK, 1995).

Avibras Guará 4WS da Força Aérea Brasileira . Arte : Athos Gabriel …

A história brasileira contemporânea registra como a primeira incursão armada contra um aeródromo militar o ataque ao Primeiro Regimento de Aviação do Exército Brasileiro e à Escola de Aeronáutica, durante o levante conhecido como Intentona Comunista, ocorrido no Campo dos Afonsos na noite de 26 para 27 de novembro de 1935, com o objetivo de capturar aquele aeródromo (LAVENÈRE-WANDERLEY, 1975, p.176). Este fato ocorreu cinco anos antes do período estudado por Vick. Lavenère-Wanderley também relata outra incursão contra aeródromo ocorrida em terras brasileiras, entre 11 e 29 Fevereiro 1956, na Revolta de Jacareacanga. Há que se registrar que este foi o primeiro registro histórico de uma ação de combate da Infantaria da Aeronáutica, então denominada Infantaria de Guarda, encarregada da retomada daquele campo de pouso. (LAVENÈREWANDERLEY, 1975). Com a “Nova República” e a crise dos anos 80, outro elemento tornou-se a maior ameaça aos quartéis das Forças Armadas, neste aspecto os aeródromos militares: as facções criminosas e suas orquestrações para a obtenção de armamentos e munições. A divulgação pela mídia nos últimos anos endossa a suspeita do envolvimento de militares nos desvios de armas e munições. Essas incursões guardam entre si similaridades com os fatos classificados por Vick, Topan e Briar como ameaças assimétricas clássicas, e para as quais os planejadores de defesa de instalações aeronáuticas precisam considerar seriamente. A USAF, desde o final da década de 70, emprega, para a segurança e defesa de suas bases aéreas e sítios de mísseis nucleares, veículos blindados leves sobre rodas. Inicialmente, as Forças de Segurança da USAF (SF/ USAF) foram dotadas com a viatura Peacekeeper. Atualmente, sua viatura blindada de dotação é o High Mobility Multi-Purpose Wheeled Vehicle (HMMWV), capaz de transportar uma esquadra (quatro homens), possuindo uma torreta móvel que pode receber armamento coletivo, como uma metralhadora leve ou pesada, ou ainda um lançador de granadas de 40 mm.

Segundo o site http://www.ci.greenfield.ca.us/ Peacekeeper.htm2 , “em meados de 1980, a USAF adquiriu 571 unidades desses veículos da CadillacGage Corporation of Warren, Michigan, por U$30,532 cada. Esses VBTP foram eventualmente empregado pela USAF para uso da Air Force Security Police3 em apoio a missão de proteção dos depósitos ou paióis de armas nucleares, bem como durante o translado desses armamentos para o carregamento em aeronaves ou mísseis balísticos.”

As Forças Aéreas do Reino Unido, Austrália e Suécia utilizam os veículos Land Rover modelos Defender XD 110 e RDV, com capacidade de transporte de uma Esquadra e dotada de metralhadoras calibre 7,62 mm. A Força Aérea Portuguesa emprega, desde 1984, os veículos blindados médios YP-408 e AM-58 Condor, para a Segurança e Defesa de suas instalações. Ambos são dotados de uma torreta móvel com metralhadoras leves ou pesadas e possuem a capacidade de transporte de um Grupo de Combate (dez homens). Após tratar da missão principal da Infantaria da Aeronáutica, cuja missão consiste em executar ações defensivas, ofensivas, especiais e de proteção, a fim de contribuir para o cumprimento da missão militar atribuída ao Comando da Aeronáutica, preservando seus equipamentos, instalações e pessoal, torna-se essencial apresentar a discussão dos dados coletados para uma análise mais acurada.

Militares da Infantaria da FAB realizam Medidas de Controle no Solo (MCS) na Base Aérea de Campo Grande. O uso de viaturas não blindadas
Militares da Infantaria da FAB realizam Medidas de Controle no Solo (MCS) na Base Aérea de Campo Grande. O uso de viaturas não blindadas oferece risco aos militares envolvidos nesse tipos de missão.

 

 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Através da aplicação de um questionário aos Comandantes e ex-Comandantes de BINFAE e BINFA, buscou-se obter dados relativos ao tema da pesquisa, na visão dos militares que trabalham diretamente na atividade de Segurança e Defesa. Dentre as 38 (trinta e oito) U Inf do COMAER, 8 (oito) foram objeto deste estudo. Na primeira questão apresentada no questionário, a opinião unânime foi que a Infantaria da Aeronáutica não dispõe de veículos que abriguem seus homens dos fogos inimigos e que lhe dêem a necessária mobilidade que a guerra moderna exige. Para o entrevistado do BINFAE-GL, a mobilidade necessária para o emprego da INFAER no terreno, tanto em operações de patrulha periférica quanto aproximada, permitirá uma rápida ação de pronta-resposta no serviço de segurança de aeródromos. Hoje, inexiste tal mobilidade – o que está em desacordo com o item 4.2.2 da DCA 1-1/2005. Na segunda questão, indagou-se sobre a capacidade da INFAER estar em condições de engajar-se em missões típicas de segurança e defesa de instalações aeronáuticas em situação de Guerra Convencional, GLO, ações contra o crime organizado ou na condição de integrante de Forças de Manutenção de Paz das Nações Unidas. Para o BINFAE-GL, em um cenário real, a tropa necessita de apoio de segurança a seus homens. O BINFAE-RF citou que, de acordo com a tabela de organização e equipamento para tropas da ONU, os VBTP são tidos como equipamentos necessários. Na terceira questão, sobre o quantitativo previsto na TCA 75-1, que prevê a dotação de 1 (um) VBTP para os BINFAE, sob o código E-21 (veículos sem enquadramento), encontra-se o quantitativo de 1 (um) veículo. O foco da indagação era se tal quantitativo atenderia plenamente às necessidades frente aos cenários definidos pelo COTAR.

Seguindo a escolha do Exército Brasileiro que definiu a viatura LMV da IVECO Defence com a vencedora do Programa Viatura Blindada Multitarefa, Leve de Rodas (VBMT-LR) seria o caminho natural a FAB escolher o mesmo para uma viatura de maior capacidade de proteção. Imagem meramente ilustrativa. Arte Athos Gabriel

De acordo com o entrevistado do BINFAE-AF, apenas um VBTP não é suficiente para prover a segurança e defesa de um aeródromo, pois não permite seu recobrimento ou substituição em caso de avarias ou panes. O BINFAE-GL entende também que o cálculo do quantitativo deve ser suficiente para, pelo menos, atender a uma diagonal de manutenção. Segundo o BINFAE-RF, a fração mínima para constituir-se uma reserva móvel é o PINFA. Para um PINFA mecanizado são necessárias no mínimo 4 VBTP. Uma das considerações levadas em conta por ocasião da elaboração do projeto da Companhia Independente de Pronto-Emprego (CIPE) no Planejamento Estratégico Militar da Aeronáutica (PEMAER) era a dotação nos BINFAE de 4 (quatro) VBTP. Na quarta questão, indagou-se sobre a dotação de VBTP, de acordo com a doutrina de emprego da Infantaria Blindada do Exército Brasileiro, que define o Pelotão como a fração tática a ser empregada em combate, cuja dotação varia entre 3 (mínima) a 5 (máxima) VBTP por Pelotão Blindado. Essa denotação atenderia às necessidades operacionais do BINFAE. Segundo o BINFAE-GL, essa é a doutrina mais empregada pelo mundo e conveniente para a nossa Infantaria. De acordo com o BINFAE-RF, para um PINFA mecanizado, são necessários no mínimo 4 VBTP. Reitera essa U Inf que uma das considerações levadas em conta por ocasião da elaboração do projeto CIPE no PEMAER era a dotação dos BINFAE com 4 VBTP, um Pelotão Blindado, nos moldes do EB. A quinta questão é voltada mais para os BINFA orgânicos de Bases Aéreas que apoiam Unidades Aéreas de Defesa Aérea, e que não possuem TDV próprias. Por esse motivo, as Bases Aéreas não foram contempladas em suas respectivas TDV de VBTP. Desta forma, visando estar em condições de atuar na atividade de medidas de controle no solo (MCS) de aeronaves interceptadas (sem expor seus integrantes), indagou–se se caberia a essas U Inf serem contempladas com uma dotação específica de VBTP. Para o BINFAE-RF, as VBTP não são adequadas para MCS, e sim os veículos blindados leves (VBL), os quais, segundo suas características, poderiam estar classificadas na TCA 75-1 como viaturas P-13 ou P-15, muito mais adequadas às MCS, desde que dotadas de leve blindagem.

WHITEMAN AIR FORCE BASE, Mo. - Senior Master Sgt. Ronald Hoffman (left) Senior Airman Jessica Lomonaco (middle) and Staff Sgt. Erik Syvertson (right), 509th Security Forces Squadron, chosen to represent their squadron who was recently selected as "Best Security Forces Squadron in the Air Force" large category March 24. (U.S. Air Force photo/Staff Sgt Charles D. Larkin Sr.) (Released)
A United States Air Force Security Forces utiliza versões blindadas do veiculo 4×4 do High Mobility Multipurpose Wheeled Vehicle (HMMWV) tambem conhecido como HUMVEE. Nos conflitos mais recentes como Iraque e Afeganistão percebeu que as versões blindadas do HUMVEE não eram adequadas as novas ameaças (onde o HUMVEE sofreu pesadas perdas). Com esse novo cenário fez com que a a USAF adota-se veículos de maior blindagem para suas tropas de segurança.

Na sexta questão, indagou-se sobre qual seria a fração de tropa para os BINFA´s sediados em Bases Aéreas de Defesa Aérea para executar Medidas de Controle no Solo (MCS). Se Grupo de Combate (GC) ou Pelotão de Infantaria (PINFA). Ocorreu um certo equilíbrio no resultado. As U Inf sediadas na Região Nordeste (NT e RF) entendem que a fração ideal para essa missão seria o GC, 10 (dez) homens e 1 (um) VBTP, opinião compartilhada pelo BINFA-SC (GC+, a 2 VBTP). Segundo o BINFAE-RF, na atual concepção de MCS, a única ação de segurança a ser desempenhada pela INFAER é a proteção dos meios da FAB envolvidos na missão, ou seja, proteção da aeronave e da tripulação, que conduzirá os agentes dos Órgãos de Segurança Pública e demais órgãos envolvidos ao local de pouso do tráfego ilícito. Em tal situação, não haveria contato de tropa da Infantaria da Aeronáutica com o crime organizado. Desta forma, o efetivo envolvido neste tipo de ação seria até uma Esquadra. Finalmente, a sétima questão indagou se veículos do tipo HMMWV (High Mobility Multipurpose Wheeled Vehicle), isto é, um veículo militar utilitário, poderiam ser utilizados para a segurança e defesa de Bases Aéreas, ao invés dos VBTP. A maioria discordou da indagação. O BINFA-RF acrescentou que os HMMWV estão sendo substituídos nas FFAA dos EUA, em razão das elevadas perdas registradas no Iraque. Além disso, sua proteção balística é muito inferior que a de uma VBTP. Todavia, sua capacidade para 04 homens o torna mais flexível para o emprego com uma força de reação na área de manobra de um aeródromo e sua transportabilidade pelo C-130 é o dobro do VBTP. Quanto à comparação dos quantitativos previstos na TCA 75-1, a pesquisa documental apontou uma dicotomia entre a necessidade operacional levantada pelo COTAR e a tabela formulada pela DIRENG.

Segundo o COTAR, o quantitativo de VBTP para o COMAER é de 36 (trinta e seis) VBTP, que seriam adquiridos em duas fases. Na primeira fase seriam adquiridos 9 (nove) VBTP e distribuídos em igualmente nove U Inf, segundo a tabela a seguir:

Tabela 2

Na segunda fase seriam entregues os demais 25 (vinte e cinco) VBTP. Tal distribuição, sugerida pela NOP, leva em consideração o momento de poucos recursos orçamentários alocados às Forças Armadas, mas também a necessidade de contrapor-se às ameaças assimétricas, em face às ações do crime organizado contra instalações militares nos últimos anos. Nessa distribuição, ressalta-se que o III COMAR, através do BINFA-13, aparece com uma dotação prevista de quatro VBTP. Isso é explicado pelo fato do ano de 2006 ter sido de transição entre a desativação do BINFA-13 e a ativação do BINFAE-RJ. Todavia, o BINFAE-AF e o BINFA-43 da BASC deixaram de constar dessa distribuição (ver Tabela 3).

Tabela 3

Analisando-se a TCA 75-1 vê-se claramente o descompasso entre a necessidade do SISDE, apresentada pela a NOP nº 03/COTAR/06, e a TDV para as OM do COMAER (Tabela 3). Não constam da tabela a AFA e a EEAR:

Tabela 4

Ao analisar a dotação da TDV segundo a especificação das viaturas, vemos que os VBTP estão na mesma classificação de elevadores hidráulicos, lanchas, motoniveladoras e carretas reboque para motocicletas, conforme apresentado na Tabela 5: Conforme apurado nesta pesquisa, pode-se constatar que há um hiato entre a necessidade de meios para que a INFAER possa cumprir missão e o apoio logístico para que tal necessidade seja atendida, tanto pelos elos do Sistema Logístico do COMAER quanto pelo órgão central do SISTRANS. Desta forma, após um estudo dos levantamentos realizados, da análise das fontes bibliográficas e dos documentos pesquisados e de conformidade com o embasamento teórico, é chegado o momento de dar a pesquisa o rigor científico que propicie à conclusão deste trabalho.

CONCLUSÃO

 O caráter cada vez mais letal dos conflitos armados, o aumento das ameaças assimétricas e o elevado grau de vulnerabilidade da tropa terrestre da aeronáutica diante das últimas ameaças foram as causas de inquietação do pesquisador em levantar a possibilidade de emprego de VBTP e seu impacto no âmbito do SISDE do COMAER.

Tabela 5

O ineditismo da pesquisa, aliada à escassa literatura especializada, levou o pesquisador a buscar inicialmente  na Teoria do Poder Aéreo de Giulio Douhet, em sua obra O Domínio do Ar (1921), a fundamentação teórica que norteou na etapa inicial. A busca do conceito de VBTP, suas origens e evolução histórica, levou à pesquisa bibliográfica das obras de importantes autores nacionais, como o eminente pesquisador, o Prof. Expedito Carlos Stephani Bastos, o Coronel Portella Alves e instrutores do Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires de Albuquerque, dentre os quais destaca Jamerson de Oliveira. Douhet escreveu que a melhor maneira de combater o poder aéreo do inimigo é destruindo seus vetores no solo, quando se encontram mais vulneráveis, do que tentar derrubá-los no ar. Vick apresenta um levantamento das ocorrências nos conflitos armados entre 1940 e 1992 (493 casos). Através da pesquisa bibliográfica, descobriu-se que o Poder Aeroespacial brasileiro já sofrera ataques contra suas instalações. Entretanto, nos últimos anos o maior grau de ameaça está nas invasões às OM, por parte de facções criminosas, em busca de armamento e munições, contando com a colaboração de elementos infiltrados nas fileiras militares. Tais ações remetem ao cenário assimétrico, como bem descreve BRIAR, baseados nos ataques sofridos pelas forças americanas na Guerra do Vietnã. Isso denota uma vulnerabilidade encontrada na defesa das bases aéreas em todos os conflitos armados ocorridos ao longo de mais de 60 (sessenta) anos de história, o que leva as Forças de Segurança e Defesa e disporem de meios adequados a contrapor-se à ameaça e dar a pronta resposta necessária. Como o VBTP poderia ser um desses meios, identificar as possibilidades de emprego dos VBTP no COMAER tornou-se o objetivo desta pesquisa.

LAND_M-ATV_Arrival_Kandahar_lg
Devido as novas ameaças encontradas pela Força Aérea Americana nos Teatros de operações do Iraque e Afeganistão fez com que a USAF adota-se veículos de maior proteção do tipo MRAP (Mine-Resistant Ambush Protected ) como o Oshkosh M-ATV.

No tocante a cenários, por meio de pesquisa documental, descobriu se que o COTAR, em 2006, levantara a necessidade operacional de seu uso nas atividades de Segurança e Defesa. Tais cenários para o emprego de VBTP no âmbito do COMAER são a Guerra Convencional, a GLO e a Guerra Assimétrica. A esses cenários somou se a possibilidade de participação em Operações de Manutenção de Paz da ONU ou de outros organismos internacionais. Ainda nesta fase, buscou-se no SISTRANS, através de pesquisa documental tanto da ICA 75-6 quanto da TCA 75-1, o conceito e a definição de VBTP. Apesar de ausentes o conceito e a definição na TCA 75-1, constava a previsão de VBTP às U Inf, mascaradas sob o código E-21 (veículos sem enquadramento). As razões para este fato não foram exploradas, por demandarem maior tempo e por fugirem ao escopo da pesquisa. Foi aplicado um questionário às trinta e uma U Inf espalhadas pelo território nacional (8 BINFAE, 19 BINFA, 3 CINFAI e 1 EAS), porém apenas oito U Inf responderam, sendo cinco dessas U Inf BINFAE e 3 BINFA. Da análise dos dados daí coletados, chegou-se às seguintes conclusões:

a) a tropa da Infantaria da Aeronáutica não dispõe de veículos que a abriguem dos fogos inimigos e que lhe deem a necessária mobilidade que a guerra moderna exige. A INFAER não dispõe da necessária mobilidade que lhe permita uma resposta rápida e decisiva na atividade de segurança de aeródromos, como as tropas terrestres de diversas FAe ao redor do mundo;

b) no tocante ao preparo da tropa, a INFAER está em condições de engajar-se em missões típicas de segurança e defesa de instalações aeronáuticas em situação de Guerra Convencional, GLO, ações contra o crime organizado ou na condição de integrante de Forças de Manutenção de Paz das Nações Unidas. Todavia, faltam os meios adequados que lhe forneçam proteção para seus homens;

c) a dotação de VBTP prevista atualmente na TCA 75-1 é inadequada, pois fere a doutrina de emprego de blindados (4 VBTP) por Pelotão de Fuzileiros (PINFA, no âmbito do COMAER). Além disso, está em desacordo com a necessidade operacional levantada pelo COMGAR.;

d) a doutrina de emprego da Infantaria Blindada do E.B., que define o Pelotão como a fração tática a ser empregada em combate, cuja dotação varia entre 3 (mínima) a 5 (máxima) VBTP por Pelotão Blindado, atende às necessidades operacionais do BINFAE por ser a doutrina mais empregada pelo mundo;

e) para os BINFA orgânicos de Bases Aéreas que apóiam Unidades Aéreas de Defesa Aérea, e que não possuem TDV próprias, os VBTP não são adequados para MCS, e sim os veículos blindados leves (VBL);

f) a fração mínima de tropa para os BINFA´s sediados em Bases Aéreas de Defesa Aérea para executar Medidas de Controle no Solo (MCS) seria um GC, a 2 VBTP; e

g) os veículos do tipo HMMWV não podem ser utilizados para a segurança e defesa de Bases Aéreas pois estão sendo substituídos nas FFAA dos EUA, em face das elevadas perdas registradas no Iraque, e têm uma proteção balística inferior a de uma VBTP. A TCA 75-1 precisa ser revista para que possa atender à necessidade operacional levantada pelo COTAR e à tabela formulada pela DIRENG.

O AMV é um dos mais modernos veículos modulares do mundo atualmente. Sua capacidade de proteção, mobilidade e flexibilidade de emprego são admiráveis, mas tem seu custo. Imagem meramente ilustrativa. Arte Athos Gabriel

A classificação E-21 não atende aos requisitos operacionais e especificações técnicas de um VBTP, pois agrupa um veículo de combate junto a ferramentas de apoio logístico, como elevadores hidráulicos, lanchas, motoniveladoras e carretas reboque para motocicletas, conforme apresentado na Tabela 5. A presente pesquisa teve como objetivo identificar as possibilidades de emprego dos VBTP nas missões atribuídas às Unidades de Infantaria no âmbito do Sistema de Segurança e Defesa do COMAER. Apontou cenários novos, mas não esgota o assunto. O aprofundamento do estudo certamente responderá a outros questionamentos no futuro. A história demonstra que as instalações aeronáuticas são vulneráveis a ataques de superfície. A defesa de instalações é o “pilar” essencial para o cumprimento da missão de garantir a soberania do espaço aéreo (TOPAN, 2004, p. 50). Isso remete ao lema do COTAR, “Defendendo na Terra o Domínio do Ar”, pois de nada adianta dispor dos mais modernos vetores, se as águias não puderem decolar.

“Você pode abater todos os MiG´s que quiser, mas se ao retornar para a base e o comandante do tanque soviético estiver tomando café da manhã em sua cantina – Jack (caçador), você perdeu a guerra!” (Frase motivacional, adotada por um dos esquadrões de aeronaves A-10 Thunderbold II da USAF e também utilizado pelas Security Forces).

*Autor: Alexandre Esteves da Silva é major de Infantaria da Aeronáutica, formado em Administração Pública pela Academia da Força Aérea (AFA) em 1989. É especialista em salvamento e extinção de incêndio pela Academia de Bombeiro Militar do Distrito Federal (ABMDF), e em salvamento e combate a incêndios em aeródromos, pelo Instituto de Logística da Aeronáutica (ILA). Possui MBA em Gestão Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2009. Contato: a.etv@ig.com.br

O presente artigo foi publicado na Revista UNIFA (Universidade da Força Aérea), Rio de Janeiro, v.23, p.47-60, junho de 2010.(http://www.revistadaunifa.aer.mil.br/index.php/ru).
       Para ler o artigo na íntegra, CLIQUE AQUI. (390KB)
Imagens e Legendas: Plano Brasil
Imagens são meramente ilustrativas e apenas conceituais
Arte: Athos Gabriel

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EUA e Argentina se unem contra Maduro e estudam sanções ao petróleo

Argentina e Estados Unidos querem forçar Nicolás Maduro a restabelecer a ordem institucional na Venezuela. Como medida de pressão, os dois países estão considerando impor sanções econômicas, especialmente ao petróleo venezuelano, conforme discutido pelo secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, e seu homólogo argentino, Jorge Faurie, durante uma reunião realizada no domingo em Buenos Aires. O representante da Casa Branca também considerou outras opções, como proibir a venda de produtos venezuelanos em seu país.

Rex Tillerson (esq.) e Jorge Faurie em coletiva de imprensa em Buenos Aires. – AP

MAR CENTENERA

“Vemos a Argentina e o Governo Macri como defensores da democracia na região, e é por isso que analisamos mecanismos conjuntos para exigir que a Venezuela cumpra a Carta Democrática da OEA, uma vez que os venezuelanos merecem outro governo que respeite as liberdades individuais”, disse Tillerson durante conferência de imprensa realizada após a reunião. Para Tillerson, ficar de braços cruzados é “deixar que o povo venezuelano continue sofrendo”, por isso “sancionar o petróleo ou proibir a venda nos EUA de produtos que venham da Venezuela é algo que continuamos considerando”.

A possibilidade de que os Estados Unidos aprovem sanções contra o petróleo venezuelano por enquanto parece distante, e Tillerson destacou que qualquer medida para pressionar Maduro não deve afetar o povo venezuelano.

Há alguns dias, o presidente argentino Macri, um dos líderes latino-americanos mais críticos contra Maduro, avisou que a Argentina não reconhecerá o resultado das eleições gerais convocadas pelo líder venezuelano, programadas para ocorrer antes de 1º de maio. Faurie foi na mesma linha: “Não reconhecemos o processo político e o rumo autoritário tomado pela Venezuela”. Faurie lamentou que a situação da Venezuela “tenha resultado em uma emergência de saúde e humanitária de proporções realmente extraordinárias” e propôs maneiras de “evitar o financiamento direto ou indireto do Governo da Venezuela” como medida de pressão.

Os dois ministros concordaram que o Peru é quem deve decidir se a Venezuela deve ou não ser excluída da próxima Cúpula das Américas a ser realizada em Lima. Tanto o Governo dos EUA quanto o da Argentina respeitarão a decisão do anfitrião e não tentarão condicioná-lo, disseram.

Preocupação com as barreiras ao biodiesel argentino

Washington considera a Argentina como um de seus principais aliados da região. A guinada dada por Macri em direção à política externa dos EUA resultou em uma aproximação do Governo norte-americano após anos de relações tensas durante a Administração Kirchner. Assim como Barack Obama, o Governo de Donald Trump também aplaudiu as reformas econômicas promovidas pelo presidente argentino. No entanto, a boa relação diplomática contrasta com o vínculo comercial, enfraquecido nos últimos meses pelas barreiras dos EUA à entrada do biodiesel argentino. Quando questionado, Faurie destacou que há negociações abertas, mas expressou a “preocupação da Argentina para resolver o assunto”.

O enviado dos EUA também busca frear a crescente influência da China e da Rússia na América Latina, mas negou que este tenha sido um tema durante a reunião que teve com Faurie.

Tillerson chegou à Argentina no sábado, com uma primeira escala em Bariloche, a porta de entrada para a Patagônia argentina. Esteve reunido com cientistas e desfrutou de uma cavalgada pelo parque Nahuel Huapi antes de seguir para Buenos Aires. Após o encontro com o ministro das Relações Exteriores argentino, Tillerson reuniu-se com embaixadores norte-americanos da região e, nesta segunda-feira, tem reunião com Macri. A viagem de Tillerson pela América Latina começou no dia 1o de fevereiro no México. Depois de Buenos Aires, o secretário de Estado dos EUA segue para o Peru e Colômbia.

MADURO AFIRMA QUE ESTÁ PREPARADO DIANTE DA “AMEAÇA” DE UM “EMBARGO PETROLÍFERO”

EFE

Opresidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou no domingo que seu país está preparado para a “ameaça” de um “embargo petrolífero”, depois que Estados Unidos e Argentina disseram que estão estudando sanções ao petróleo do país caribenho.

“Rex Tillerson em sua visita à Argentina acaba de nos ameaçar com um embargo petrolífero. Estamos preparados, Venezuela, trabalhadores da indústria petroleira: o imperialismo nos ameaça; estamos preparados para ser livres e nada nem ninguém vai nos impedir”, disse em uma transmissão no Facebook.

Fonte: El País

 

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China repreende EUA por criticarem sua estratégia na América Latina

A China não gostou nada das advertências feitas por Washington a vários países latino-americanos sobre a influência cada vez maior de Pequim na região. O gigante asiático considera que as palavras do secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, sobre os riscos de uma dependência excessiva da segunda economia mundial, são uma falta de respeito à política exterior dessas nações.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, em coletiva no México HENRY ROMERO REUTERS

XAVIER FONTDEGLÒRIA

Tillerson – antes de iniciar uma viagem com paradas no México, Argentina, Peru e Colômbia – afirmou que a região não precisa de “novas potências imperiais” e advertiu sobre a estratégia de se apoiar excessivamente na China, “que significa ganhos no curto prazo em troca de uma dependência no longo prazo”. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores chinês considerou que essa premissa é falsa e que o intercâmbio com a América Latina se baseia “em interesses comuns e necessidades mútuas”.

O aumento da influência chinesa na América Latina, pelo menos em termos quantificáveis, como o comércio e o investimento, é inquestionável. O intercâmbio de mercadorias se multiplicou na última década, superando os 200 bilhões de dólares (640 bilhões de reais) por ano, sobretudo graças à compra e venda de matérias primas. A China já é o principal parceiro comercial de países como Argentina, Brasil, Chile e Peru.

Pequim também se tornou uma fonte de empréstimos vital para nações da região, especialmente Brasil, Venezuela e Equador. As autoridades chinesas – como costumam repetir sempre que há suspeitas de que haja mais interesse próprio do que altruísmo por trás desses créditos – dizem que a cooperação se baseia em “igualdade, reciprocidade, abertura e inclusão”.

“Esperamos que este país (em referência aos EUA) abandone o conceito antiquado dos jogos de soma zero e veja o desenvolvimento das relações entre a China e a América Latina de forma aberta e inclusiva”, afirma o comunicado.

A China reforçou recentemente seus laços com a região durante o segundo fórum ministerial entre o gigante asiático e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizado há apenas duas semanas em Santiago, no Chile. O bloco decidiu apoiar, numa declaração oficial, a iniciativa chinesa da nova Rota da Seda – o megaprojeto de interconexão mundial idealizado pelo presidente chinês, Xi Jinping, que colocou sobre a mesa bilhões de dólares para investi-los em obras de infraestrutura que melhorem a conectividade. Os críticos veem nessa iniciativa o desejo de Pequim de aumentar sua influência sobre outros países em desenvolvimento. O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, disse no encontro que seu país quer se transformar no “parceiro mais confiável” da região.

Em seu discurso antes de iniciar a viagem latino-americana, Tillerson declarou que as ofertas da China na forma de investimento “quase sempre exigem a importação de força de trabalho chinesa, grandes empréstimos e uma dívida insustentável, ignorando os direitos humanos e de propriedade intelectual”, algo que comparou com o antigo colonialismo europeu.

Segundo a Xinhua, a agência oficial chinesa, a investida recente da administração Trump contra a diplomacia e a política exterior de Pequim é uma consequência da “perda de carisma” da primeira potência mundial na região: “Em vez de perder tempo criticando a China, talvez fosse uma boa ideia para Washington baixar o tom hostil de sua retórica, que provocou a ira na América Latina com propostas como endurecer a imigração, construir um muro e tentar influenciar os tratados comerciais em seu favor.”

Fonte: El País

 

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Venezuela repudia comentário de secretário dos EUA sobre golpe militar contra Maduro

A Venezuela criticou nesta sexta-feira comentários dos Estados Unidos segundo os quais seus próprios militares poderiam depor o presidente Nicolás Maduro, e disse que a turnê latino-americana do secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, visa uma “intervenção” regional contra o governo socialista.

Vladimir Padrino concede entrevista em Caracas 2/2/2018 REUTERS/Marco Bello – Foto: Reuters
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Por Alexandra Ulmer e Vivian Sequera
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Acusando Washington de tentar minar a democracia na América Latina e voltar aos dias de “imperialismo”, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, repreendeu Tillerson durante uma transmissão na televisão estatal.

“Todo dia ele se distancia mais da diplomacia para entrar na retórica de guerra. Você não tem autoridade moral”, disse Padrino, flanqueado por figuras de alto escalão das Forças Armadas que juraram lealdade a Maduro.

“Este homem… tentará persuadir governos da América Latina a intervir na Venezuela. Isso é um golpe publicitário”, acrescentou, culpando as sanções do presidente dos EUA, Donald Trump, pela penúria econômica em seu país.

Na quinta-feira Tillerson abordou a possibilidade de um golpe militar venezuelano antes de uma viagem à América Latina de cinco dias, sem passar pelo Brasil.

Ao debater sobre a Venezuela, o secretário dos EUA disse que os militares da região muitas vezes “se ocuparam” de transições de governos ruins, mas insistiu não estar postulando uma “mudança de regime”.

“Se a cozinha ficar um pouco quente demais para ele, tenho certeza de que ele tem alguns amigos em Cuba que poderiam lhe dar uma bela mansão na praia, e ele poderia ter uma bela vida por lá”, disse Tillerson em referência a Maduro, de 55 anos, que tem uma relação próxima com o governo comunista cubano.

Fonte: Reuters

 

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Rex Tillerson levanta possibilidade de militares venezuelanos derrubarem Maduro

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, levantou nesta quinta-feira a possibilidade de que os militares da Venezuela podem decidir derrubar o presidente Nicolás Maduro, mas disse não saber se isto irá acontecer.

Maduro faz discurso em Caracas 23/1/2018 REUTERS/Marco Bello – Foto: Reuters
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Em um discurso na Universidade do Texas antes de uma viagem por cinco países da América Latina, Tillerson insistiu que o governo Trump não está defendendo “mudança de regime” na Venezuela, mas disse que seria “mais fácil” se Maduro escolhesse por conta própria deixar o poder.

Ele previu que haverá “mudança” na Venezuela e disse que os Estados Unidos querem que seja pacífica.

“Na história da Venezuela e de países da América do Sul são frequentes vezes em que os militares são o agente da mudança quando coisas estão muito ruins e a liderança não pode mais servir ao povo”, disse Tillerson. Mas ele acrescentou que “se este será o caso aqui ou não, eu não sei”.

“Maduro deve voltar à sua Constituição e segui-la”, afirmou Tillerson, acrescentando que caso a situação fique muito ruim para ele, “tenho certeza que ele tem alguns amigos em Cuba que podem lhe dar uma bela mansão na praia”.

Reportagem de Matt Spetalnick, David Brunnstrom e Jon Herskovitz

Fonte: Reuters

Tillerson fala sobre possibilidade de golpe militar na Venezuela

Antes de viajar à América Latina, secretário de Estado americano diz que intervenção militar fez parte da história de países da região, mas garante que EUA preferem uma “transição pacífica” no país de Nicolás Maduro.

Tillerson vai visitar México, Argentina, Peru e Colômbia – países que adotam postura rígida diante de Caracas

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou nesta quinta-feira (01/02), momentos antes de iniciar sua primeira viagem oficial pela América Latina, que um golpe militar poderia ser uma das possíveis soluções para o fim do regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

Tillerson, que é chefe da diplomacia dos Estados Unidos, destacou, no entanto, que Washington prefere uma “transição pacífica” no país latino-americano. A declaração vem meses depois de o presidente Donald Trump ter sugerido a possibilidade de uma intervenção militar na região.

“Na história da Venezuela e de outros países da América Latina e da América do Sul, muitas vezes foram os militares que lidaram com situações como essa”, disse o secretário americano em discurso na Universidade do Texas, em Austin.

“Quando as coisas estão tão ruins, e a liderança militar percebe que isso não está mais servindo para os cidadãos, eles vão gerenciar uma transição pacífica”, completou ele, destacando não saber se acontecerá dessa forma na Venezuela.

Questionado se poderia ser necessária uma retirada de Maduro do poder e se Washignton teria um papel nisso, Tillerson afirmou que os EUA não defendem “uma mudança no regime ou a remoção do presidente”, mas apenas que o país “retorne à Constituição”. Ele admitiu, no entanto, que seria “mais fácil” se o chavista decidisse deixar o poder por conta própria.

O secretário disse ainda ter certeza que, caso as coisas fiquem muito difíceis para Maduro, “o presidente possui alguns amigos em Cuba que poderiam muito bem oferecer a ele um local agradável na praia, e ele poderia ter uma vida tranquila por lá”.

Maduro, que enfrenta altos índices de reprovação em meio a uma crise econômica aguda, inflação desenfreada e escassez de alimentos e remédios no país produtor de petróleo, está buscando a reeleição em um pleito presidencial que deve ser realizado até o final de abril.

Os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam o regime de Maduro de violar direitos humanos e políticos na Venezuela e chegaram a impor sanções econômicas ao país.

Avanço de China e Rússia

Em seu discurso nesta quinta-feira, Tillerson ainda classificou de “alarmante” a crescente presença da China e da Rússia na América Latina, afirmando que a região “não precisa de novos poderes imperiais que só buscam o benefício próprio”.

O secretário de Estado pediu que os países latino-americanos fortaleçam seus governos e instituições a fim de “garantir sua soberania frente aos potenciais atores predadores que estão aparecendo”.

“Nossa região deve estar em guarda contra os poderes distantes que não refletem os valores fundamentais da região. Os EUA são um claro contraste a isto. Não buscamos acordos a curto prazo com lucros assimétricos. Nós buscamos sócios”, declarou ele.

Visita à América Latina

A viagem de Tillerson pela América Latina teve início nesta quinta-feira na Cidade do México, onde se encontrará com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e discutir temas como imigração e o acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá, o Nafta.

Em seguida, o chefe da diplomacia viaja ao Peru para uma reunião com o presidente Pedro Pablo Kuczynski; Argentina, onde se encontrará com o presidente Mauricio Macri; e Colômbia, sendo recebido por Juan Manuel Santos. A turnê latino-americana termina na Jamaica, no dia 7.

Fonte: DW

 

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Secretário de Estado dos EUA alerta América Latina contra dependência da China

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, alertou os países latino-americanos nesta quinta-feira contra a dependência excessiva de laços econômicos com a China, dizendo que a região não precisa de novas potências imperiais.

Rex Tillerson se prepara para discursar em Washington 30/1/2018 REUTERS/Yuri Gripas – Foto: Reuters
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“Hoje, a China está em posição forte na América Latina. Está usando política econômica para colocar a região em sua órbita, a questão é a que preço”, disse Tillerson em um discurso na Universidade do Texas, em Austin, antes de uma viagem a cinco países da América Latina e Caribe, sem passar pelo Brasil.
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“A América Latina não precisa de novas potências imperiais”, afirmou ele.

Reportagem de David Brunnstrom, Matt Spetalnick e Jon Herskovitz

Fonte: Reuters

 

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Tillerson visitará América Latina de 1 a 7 de fevereiro sem passar pelo Brasil

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, viajará para a América Latina de 1 a 7 de fevereiro e visitará Argentina, Colômbia, México e Peru, com uma parada na Jamaica, e a crise na Venezuela será foco das conversas, disse o Departamento de Estado dos EUA nesta sexta-feira.

Secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson em Londres segunda-feira, 22 de janeiro de 2018 – REUTERS / Toby Melville

“O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, viajará para Austin, no Texas, e depois para a Cidade do México (México), Bariloche e Buenos Aires (Argentina), Lima (Peru), Bogotá (Colômbia) e Kingston (Jamaica), de 1 a 7 de fevereiro”, informou a porta-voz do Departamento de Estado Heather Nauert em um comunicado.

Reportagem de David Alexander e Katanga Johnson

Fonte: Reuters

 

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‘Desinteresse sem precedentes’ define a relação dos EUA com a América Latina no primeiro ano de Trump

Em seu primeiro ano como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump demonstrou uma “apatia” e um “desinteresse” pela América Latina inéditos nos tempos modernos, segundo especialistas.

AFP – O maior gesto de aproximação de Trump com a América Latina foi um jantar que ofereceu a presidentes de alguns países da região em setembro, na semana da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York

Gerardo Lissardy

A questão vai além do relato de que Trump teria se referido a nações da América Central e do Caribe de forma preconceituosa, das decisões do presidente de interromper programas que evitam a deportação de milhares de imigrantes latinos ou do fato de o presidente querer construir um muro na fronteira com o México, país que classificou como o “mais perigoso do mundo”.

Também não se resume à política comercial de Trump, que retirou os EUA do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP), firmado com países latinoamericanos e asiáticos, e que colocou o Nafta – acordo de livre comércio entre EUA, México e Canadá – em cheque.

O que caracteriza esse estremecimento sem precedentes das relações é uma combinação desses fatores com o fato de o republicano sequer ter designado, em um ano de governo, a equipe do Departamento de Estado responsável pelos assuntos relacionados à América Latina.

“Já se comentou em outras administrações que Washington não se importa com a América Latina, e isso é um fato, mas agora é dramaticamente pior”, avalia Michael Shifter, presidente do Diálogo Interamericano, um centro de análise sobre a América Latina, baseado em Washington.

“O desinteresse pela região como região não tem precedente”, afirmou Shifter.

E as consequências disso já se vislumbram: uma deterioração da imagem dos Estados Unidos na América Latina e a crescente influência da China na região.

“Não existe um projeto”

O principal gesto de aproximação de Trump com a América Latina no seu primeiro ano de governo foi provavelmente um jantar que ofereceu aos presidentes de Brasil, Colômbia e Panamá e à vice-presidente da Argentina, em setembro, na semana da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Mas nem mesmo esse breve encontro decorreu sem contratempos. Durante a conversa com os outros governantes, Trump expressou seu “assombro” com a rejeição, pelos países da América do Sul, de uma “alternativa militar” na Venezuela, e chegou a perguntar se eles estavam certos dessa decisão. O presidente dos EUA também teria surpreendido os convidados presentes com sua desinformação sobre temas regionais.

Da Casa Branca, Trump incrementou sanções econômicas contra altos funcionários da Venezuela e impôs sanções financeiras ao governo de Nicolas Maduro, que classifica como uma “ditadura”.

Mas Trump evitou, até o momento, o que seria um golpe bem mais duro para Maduro – aplicar um embargo petroleiro à Venezuela, como já foi sugerido pelo presidente argentino, Mauricio Macri, e o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro.

REUTERS – Trump aumentou sanções econômicas ao governo de Nicolas Maduro

Defensores dos direitos humanos, como José Miguel Vivanco, da ONG Human Rights Watch, têm criticado Trump por silenciar diante de abusos cometidos por outros governos e de irregularidades denunciadas na recente reeleição do presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, um aliado de Washington.

O presidente interrompeu ainda as conversas entre Estados Unidos e Cuba iniciadas por seu antecessor Barack Obama após meio século de hostilidades entre os dois países.

Especialistas encaram todas essas medidas como respostas pontuais da Casa Branca à máxima de Trump de colocar “os Estados Unidos sempre em primeiro lugar”, não como parte de uma política internacional clara e estratégica.

“O governo norte-americano não é visto como um sócio confiável pela América Latina”, diz Oliver Stuenkel, professor de relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Os Estados Unidos não têm um projeto para a América Latina. Um diplomata brasileiro me disse que não sabem nem com quem falar.”

CHIP SOMODEVILLA/GETTY IMAGES – Sob a Presidência de Trump, os EUA retiraram a maior parte dos funcionários que atuavam na embaixada norte-americana em Cuba

Presença da China

A América é a região do mundo onde mais decaiu a imagem de liderança dos Estados Unidos, conforme levantamento divulgado na semana passada pela Gallup, empresa americana de pesquisas de opinião. O percentual de aprovação do continente em relação ao governo dos EUA passou de 49% no último ano de Obama para 24% na gestão de Trump.

A autoridade com cargo mais alto na hierarquia do governo norte-americano a visitar a América Latina no ano passado foi o vice-presidente, Mike Pence, mas Trump ainda não pisou em qualquer país latinoamericano desde que assumiu a Casa Branca e poderá dar outro sinal de indiferença se faltar à Cúpula das Américas, marcada para abril, no Peru.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, chamou a atenção por sua ausência na Assembleia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em junho de 2017, em Cancun, no México. O tema do encontro foi a crise na Venezuela.

Por outro lado, a China tem demonstrado crescente interesse pela América Latina, com três visitas do presidente Xi Jinping à região desde 2013 e reuniões como a realizada na segunda, no Chile, entre o chanceler chinês e ministros de relações exteriores latino-americanos.

GETTY IMAGES – China pode aumentar a influência na América Latina, diante do desinteresse de Trump pela região

A China é o primeiro parceiro comercial do Brasil e segundo parceiro comercial da maioria das nações da América Latina. O peso relativo das importações de produtos da região cresceu a partir do ano 2000, enquanto o dos Estados Unidos se reduziu. Investimentos e empréstimos chineses são vitais para países como a Venezuela.

Para alguns especialistas, a tendência de aumento da influência da China na região se acelerou com o governo Trump.

Luis Rubio, presidente do Conselho Mexicano de Assuntos Internacionais, destaca que o distanciamento dos EUA também gera incentivos para que seja explorada uma aproximação comercial entre Brasil e México, o que antes era considerado “inconcebível”.

“Todo mundo está vendo que (as negociações) com Washington estão mais complicadas, então estão surgindo outros tipos de vínculos”, diz Rubio.

AFP – Os negócios entre EUA, México e Canadá se ampliaram com o Nafta, mas enfrentam agora incertezas diante de restrições de Trump ao acordo de livre comércio

As relações entre EUA e América Latina devem continuar esfriando nos três anos que faltam de governo Trump?

Provavelmente sim, avaliam especialistas, sobretudo por causa de duas questões sensíveis.

A primeira é a renegociação do Nafta. Esta semana se inicia em Montreal uma nova rodada de discussões entre os EUA, o México e o Canadá que pode ser crucial para salvar o tratado comercial ou causar um estremecimento do comércio entre países da América do Norte.

GETTY IMAGES – A retirada, por Trump, de proteção legal a diversos imigrantes é um ponto sensível na relação entre EUA e países da América Latina

“O mais grave que já ocorreu na América Latina foi a mudança de posicionamento de Trump em relação ao Nafta”, aponta Rubens Barbosa, ex-embaixador brasileiro em Washington.

A segunda questão sensível é a possibilidade de o governo dos EUA começar a deportar centenas de milhares de imigrantes latinos que perderam amparo legal nos últimos meses com decisões de Trump e de cujo futuro depende um pacto político em Washington.

“Pode piorar”, adverte Shifter sobre a deterioração da relação entre EUA e América Latina. “É possível que ainda não tenhamos visto o ponto mais baixo da curva.”

Fonte: BBC Brasil.com