Erros Persistentes do Ocidente em Relação aos Conflitos com a Rússia e no Oriente Médio

E.M.Pinto


As políticas do Ocidente em relação aos conflitos com a Rússia e no Oriente Médio têm sido marcadas por uma série de erros persistentes, refletindo uma combinação de estratégias mal concebidas, falta de compreensão das realidades locais e abordagens unilaterais.

Desde o fim da Guerra Fria, a expansão da OTAN e a falta de um diálogo significativo com Moscou têm sido fontes contínuas de tensão com a Rússia.

No Oriente Médio, intervenções militares mal planejadas e o apoio a regimes autocráticos contribuíram para a instabilidade prolongada e o surgimento de movimentos extremistas.

Este texto explora alguns desses erros recorrentes, destacando como eles moldaram os cenários de conflito e continuam a influenciar as relações internacionais. Compreender essas falhas é crucial para formular políticas mais eficazes e promover a paz e a estabilidade em regiões marcadas por décadas de turbulências.

Conflitos com a Rússia

Expansão da OTAN é sem dúvida o principal problema  que acirra os conflitos pois, desde o fim da Guerra Fria, a expansão da OTAN para incluir países do antigo bloco soviético é vista pela Rússia como uma ameaça à sua segurança. Esse movimento é percebido como uma quebra das promessas informais feitas ao final da Guerra Fria de que a OTAN não se expandiria para o leste.

Mas também, desde o fim da guerra fria a falta de Diálogo e Entendimento é ponto de críticas de que o Ocidente muitas vezes não tenta entender as preocupações e a perspectiva russa, levando a uma falta de diálogo significativo. Isso inclui subestimar o impacto das ações ocidentais na esfera de influência russa.

Soma-se a isso as políticas  de Sancionamento e Isolamento impostas à Rússia em resposta a suas ações (como a anexação da Crimeia) são vistas por alguns como contraproducentes, aprofundando o sentimento de cerco e levando a uma postura mais assertiva de Moscou.

Todas estes fatores somam-se a desconsideração das realidades regionais onde o Ocidente, às vezes, ignora as complexidades das políticas internas e regionais da Rússia, simplificando questões e não levando em conta as dinâmicas locais e os interesses estratégicos russos.

Conflitos no Oriente Médio

As intervenções militares ocidentais no Oriente Médio, como no Iraque e na Líbia, são frequentemente criticadas por serem mal planejadas e baseadas em suposições incorretas, levando a desestabilização prolongada e aumento da violência.

A clara falta de planejamento Pós-Conflito para a reconstrução e estabilização após intervenções militares tem sido um problema recorrente, resultando em vácuos de poder que são preenchidos por grupos extremistas.

O alinhamento e o apoio contínuo a regimes autocráticos e corruptos em troca de estabilidade ou interesses econômicos é visto como uma política de curto prazo que fomenta o ressentimento e a radicalização a longo prazo.

Desconsideração das Dinâmicas Locais leva em conta as complexidades e as rivalidades sectárias, étnicas e tribais que moldam a política do Oriente Médio, aplicando soluções simplistas para problemas profundamente enraizados.

Falhas na diplomacia e no diálogo e a falta de empenho em buscar soluções diplomáticas inclusivas e em promover o diálogo entre as partes em conflito tem contribuído para a perpetuação da instabilidade.


Medidas para mitigar os problemas

O estabelecimento de canais de comunicação abertos e regulares entre o Ocidente e a Rússia, assim como entre as potências ocidentais e os atores regionais no Oriente Médio, é fundamental para compreender melhor as perspectivas e preocupações de todas as partes envolvidas.

O respeito às fronteiras internacionais e à soberania dos países é essencial para evitar escaladas de conflitos. Compromissos claros de não interferência nos assuntos internos de outros estados podem ajudar a construir confiança.

As nações em disputa necesseitam incentivar à resolução pacífica de disputas e o apoio ativo a processos de mediação e negociação para resolver disputas regionais. Isso pode envolver o fortalecimento de instituições multilaterais e a promoção de acordos de paz duradouros.

Uma revisão das políticas de sanções para garantir que sejam direcionadas e proporcionais, com o objetivo de modificar o comportamento dos atores sem prejudicar desnecessariamente a população civil, é importante para evitar retaliações e aprofundar divisões.

A melhor forma de atrair corações é o iInvestimento em desenvolvimento e reconstrução, em vez de focar apenas em intervenções militares, o investimento em programas de desenvolvimento e reconstrução pós-conflito pode ajudar a estabilizar regiões afetadas, reduzir o vácuo de poder e diminuir o espaço para extremistas.

Faz-se necessário a promoção da democracia e dos direitos humanos de fato, o apoio consistente à democracia, aos direitos humanos e ao estado de direito em todo o mundo pode ajudar a construir sociedades mais estáveis e resilientes, reduzindo os motivos para conflitos internos e externos.

Por último e não menos importante, a promoção de uma abordagem multilateral e inclusiva para resolver conflitos, envolvendo todos os interessados relevantes, pode aumentar a legitimidade e a eficácia das soluções encontradas, reduzindo a probabilidade de recorrência de conflitos.

 

 

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