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Conexão Geo com Cmte. Leonardo Mattos

Pautas de Hoje:
1) O encontro de Lavrov com Pompeo.
2) A tensão no Golfo Pérsico.
3) China e EUA, o verdadeiro confronto.
4) Notícias Militares
5) O que vem por aí

 

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Defesa Traduções-Plano Brasil

Defesa aérea russa depende de sistema mais eficiente que Pantsir-S1, Pantsir-M

Tradução e adaptação-E.M.Pinto

As forças Armadas russos querem um sistema de defesa aérea menos problemático, mais avançado e econômico para substituir o Pantsir (SA-22 Greyhound na designação da OTAN).

De acordo com fontes anônimas e, portanto, não confirmadas no Ministério da Defesa da Rússia, o Exército e a Marinha estão insatisfeitos com o sistema de defesa aérea Pantsir e, consequentemente, estão à procura de novos sistemas.

Para o exército, o sistema de defesa aérea Pantsir-S1 mostrou-se pesado demais, complexo e ineficiente para proteger contra a maioria das ameaças potenciais.

 A campanha síria revelou uma série de falhas técnicas do Pantsir-S1, que até mesmo teve um sistema Sírio abatido durante um ataque aéreo impuni de Israel.

Segundo os relatos, o radar do Pantsir não consegue acompanhar a aquisição e o rastreamento de alvos de pequeno porte, como drones e munições de precisão. Atualmente, estão sendo feitas tentativas para desenvolver uma nova versão avançada para a Força Aérea, chamada Pantsir-SM, que se beneficia de eletrônicos e radares atualizados e novos mísseis.

Diz-se que seu financiamento vem da venda da versão existente de sistemas de defesa aérea “problemáticos” no exterior a um preço baixo.

Para proteger os navios na zona costeira e nos portos, o novo Pantsir-M, recentemente revelado, é considerado muito caro e pouco eficaz contra algumas ameaças.

Fonte: ArmyRecognition

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Aviação Defesa Sistemas Navais Traduções-Plano Brasil

Tempestade do oceano

 
Foto: Artem Tkachenko / Wikipedia.org
Tradução e adaptação-E.M.Pinto
 
O desenvolvimento do primeiro porta-aviões nuclear russo deve começar já em 2023. O navio será projetado para operar com modernos  meios de defesa e ataque, o que fará do navio uma formidável força na vastidão do oceano.
As especificidades do navio não foram divulgadas,porém apenas se afirmou que ele seria movido por um reator nuclear e que teria um deslocamento de cerca de 70 mil toneladas.

O Vice-primeiro-ministro Yuri Borisov, confirmou que o trabalho de criação de um porta-aviões “Já existe há muito tempo “. No entanto, ele não especificou as datas exatas de seu lançamento.Sabe-se que o projeto de um porta-aviões, classificado como Project 23000 Storm, foi proposto pelo Centro de Pesquisa Krylov.

O especialista militar, Alexei Leonkov, disse à RG, que havia vários projetos do navio, e que estes sofreram constantes alterações.
Lenokov acredita que a construção de um porta-aviões para a Marinha é realmente necessária, uma vez que as tarefas para a frota mudaram muito nos últimos anos.
O especialista sugeriu que o porta-aviões possa ser equipado com reatores RITM-200, que estão sendo instalados nos quebra-gelos nucleares russos, ou ainda, que ele seja equipado por um reator com refrigeração à metal líquido, criado para ele.
“Atualmente, a criação de tais motores é trazida à nossa mente, eu não excluo que o trabalho já esteja em andamento “, observou Leonkov.

Segundo ele, como meio de defesa aérea, o navio utilizara uma versão naval do mais novo sistema de defesa  S-500 e o desenvolvimento da versão naval do Su-57 e ou até mesmo a revitalização do projeto para criar uma aeronave de decolagem e pouso verticais, em particular a “ressuscitação” do Yak-141, mas tendo em conta as tecnologias modernas.

Fonte: RG

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Aviação Defesa Geopolítica Traduções-Plano Brasil

Putin afirma que 76 jatos Su-57 serão comprados antes de 2028

Tradução e adaptação- E.M.Pinto

SOCHI, 15 de maio / TASS /. Setenta e seis caças Su-57 de quinta geração serão comprados para as Forças Aeroespaciais Russas antes de 2028, mum contrato cujo pacote será assinado em breve, disse o presidente russo, Vladimir Putin, em seu pronunciamento na abertura de uma reunião regular de defesa nesta manhã.

“O programa de armas de 2028 estipulou anteriormente a compra de 16 desses jatos, lembrou Putin.

Segundo ele, depois de avaliar a situação, o ministro da Defesa, Sergey Shoigu, informou que os fabricantes reduziram os preços das aeronaves e dos equipamentos em 20%, o que proporcionou a oportunidade de comprar mais aeronaves.

“Nós concordamos em comprar 76 desses caças sem o aumento dos preços ao longo do período “, disse Putin.

O líder russo sublinhou que a indústria de defesa russa não fez nada parecido em termos de escala de produção e mesmo sobre uma plataforma tão complexa como esta nos últimos 40 anos. Ele expressou a esperança de que os planos atualizados sejam cumpridos.

“Num futuro próximo, assinaremos um contrato para o fornecimento de 76 jatos equipados com modernas armas de destruição e com a infra-estrutura terrestre necessária”, destacou Putin.

O presidente Russo Vladmir Putin lembrou que a indústria está se concentrando no desenvolvimento de equipamentos modernos de aviação, os quais serão determinantes para as capacidades de combate das forças aeroespaciais russas para a próxima década.

“Caças multifuncionais Su-35S e Su-57 estão nos estágios finais de testes”, anunciou o líder russo, enfatizando que suas características de combate são as melhores do mundo.

Ele disse que até 2028 é vital rearmar três regimentos de aviação das Forças Aéreas com os caças de quinta geração.

Putin também ressaltou que o bombardeiro Tu-160M ​​modernizado realizou seu primeiro voo em fevereiro de 2018. Putin também pediu o desenvolvimento das capacidades de combate dos aviões e helicópteros militares existentes por meio das oportunidades existentes e da modernização.
Segundo ele, a força da aeronave interceptora MiG-31 aumentou significativamente e também foi usado como base para criar o  sistema de armas hipersônicas Kinzhal .

O Presidente também acredita que os transportadores de mísseis estratégicos Tu-95 e Tu-160 e o bombardeiro de longo alcance Tu-22M devem ser atualizados gradualmente. 

“Todos eles devem ter a capacidade de não apenas carregar os mais novos mísseis de cruzeiro, mas também outros meios “, concluiu Putin.

Fonte: TASS

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Geopolítica

Plano Brasil/Relações Brasil X EUA/Análise: “Presidente dos EUA, Donald Trump,notifica Congresso Americano sobre intenção de indicar Brasil como “Aliado Preferencial extra-Otan”, e garante que apoiará a entrada do País na OCDE”

 

NOTA DO PLANO BRASIL, por Gérsio Mutti: Plano Brasil/Relações Brasil X EUA/Análise: “Presidente dos EUA, Donald Trump, notifica Congresso Americano sobre intenção de indicar Brasil como “Aliado Preferencial extra-Otan”, e garante que apoiará a entrada do País na OCDE”.

 

História Contemporânea

 

Ao término da Segunda Guerra Mundial (II GM), estava no projeto de pós-guerra do Presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (https://pt.wikipedia.org/wiki/Franklin_Delano_Roosevelt ), do Brasil, já naquela ocasião, vir a fazer parte do Conselho de Segurança da ONU.

 

Com a morte de Roosevelt, antes do término da II GM, o Brasil perdeu o seu maior mentor e apoio incondicional, e assim mesmo recebeu como prêmio de consolação poder abrir todas as Conferências da ONU no decorrer de todos os anos.

 

“No livro “O sexto membro permanente: o Brasil e a criação da ONU”, o diplomata Eugênio Vargas Garcia relata que o governo de Franklin Roosevelt, que liderou os Estados Unidos na Segunda Guerra, havia prometido ao Brasil uma cadeira permanente no Conselho de Segurança na nova organização.

 

Com a morte de Roosevelt em abril de 1945, um mês antes do fim do conflito, e sua substituição pelo vice, Harry Truman, a promessa foi deixada de lado.

 

A contenção dos soviéticos na Europa e no extremo oriente se tornariam as prioridades americanas no início da Guerra Fria.

 

Não há até hoje um sexto membro permanente, privilégio de que usufruem cinco países: EUA, Rússia (no lugar da antiga URSS), França, Reino Unido e China, todos com armamento nuclear.” O Globo, 25/Setembro/2018 ( https://oglobo.globo.com/mundo/entenda-por-que-brasil-o-primeiro-discursar-na-assembleia-geral-da-onu-23098892 )

 

EUA reforçam compromissos feitos a Bolsonaro

Trump notifica Congresso americano sobre intenção de indicar Brasil como aliado preferencial fora da Otan, e garante que apoiará entrada do país na OCDE, após Washington deixar de se posicionar favoravelmente em reunião em Genebra

Segundo fontes, haveria um impasse na OCDE em relação ao número de vagas

O Globo, Mundo, Página 23, Quinta-Feira, 09/Maio/2019

Foto: Acordos. Os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump apertam as mãos durante encontro na Casa Branca – GETTY IMAGES

O governo americano indicou ontem que cumprirá os compromissos acordados com o presidente Jair Bolsonaro em março, durante sua visita ao Washington. Em comunicado, o presidente Donald Trump anunciou que notificou o Congresso de sua intenção de que o Brasil seja um aliado preferencial do governo americano fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O governo Trump ainda garantiu que cumprirá a promessa de apoiar a candidatura brasileira a país integrante da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O apoio foi confirmado após vir a público que os Estados Unidos mantiveram sua posição contrária à adesão de novos membros à organização em reunião realizada na terça-feira, em Genebra, Suíça, segundo informou o Valor Econômico. Ontem, Kimberly Breier, secretária-adjunta de Estado para o Hemisfério Ocidental, garantiu, em mensagem em rede social, que o governo de Donald Trump “apoia o Brasil, que está iniciando o processo de adesão para se tornar um membro pleno da OCDE”.

“De acordo com a declaração conjunta de Donald Trump e Jair Bolsonaro, damos as boas-vindas às reformas econômicas, melhores práticas e uma estrutura regulatória do Brasil, de acordo com os padrões da OCDE”, escreveu Breier no Twitter.

Uma fonte do governo brasileiro explicou que a dificuldade continua sendo a expansão da OCDE em sentido mais abrangente: os EUA querem um número menor de vagas, mas que necessariamente contemplem o Brasil e a Argentina. A questão é encontrar um equilíbrio na proporção de países europeus e de outras regiões com as quais os 35 integrantes possam concordar. Além de Brasil e Argentina, disputam uma vaga Croácia, Bulgária, Romênia e Peru.

BARGANHA ENVOLVE OMC

Na visita de março a Washington, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, anunciou que o Brasil abriria mão do status de país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio (OMC), numa contrapartida para que o governo americano apoiasse a candidatura do Brasil a integrar a OCDE. Na mesma visita, Trump informou ao presidente brasileiro que tinha intenção de indicar o Brasil como um aliado preferencial extra-Otan.

Na noite de terça-feira, o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Filipe Martins, usou uma rede social para rechaçar qualquer possibilidade de recuo dos EUA. Segundo ele, há um impasse sobre o número de vagas a serem abertas no OCDE. Enquanto os europeus desejam abrir seis vagas, outros países querem apenas quatro.

“A posição do governo americano em relação ao ingresso do Brasil na OCDE é exatamente a mesma que foi adotada pelo presidente Donald Trump no dia 19 de março: a de apoio claro e inequívoco do processo de ingresso do nosso país na organização”, escreveu Martins no Twitter.

O primeiro passo para o ingresso é o Conselho da OCDE convidar o Brasil para iniciar o processo de entrada, o que ainda não aconteceu. A partir do convite, o processo pode levar, no mínimo, dois anos. O país deve passar pela avaliação de 20 comitês de várias áreas. O país já trabalha com vários destes comitês, o que deve facilitar algumas etapas.

No caso da Otan, o próprio Trump disse ontem, em comunicado, que honrará o compromisso. “Estou notificando minha intenção de designar o Brasil como aliado preferencial fora da Otan. Estou tomando essa medida para reconhecer o recente compromisso do Brasil em aumentar a cooperação militar com os Estados Unidos, e em reconhecimento do nosso próprio interesse nacional em intensificar nossa coordenação militar com o Brasil”, afirmou.

Nesse caso, a declaração é unilateral, já que os Estados Unidos não precisam de aprovação de nenhum outro país para colocar o Brasil na lista. Também não há nenhum vínculo com a Otan: é uma posição independente do bloco. Ao todo, 17 países receberam essa classificação do governo americano — a Colômbia é, desde o ano passado, o único parceiro global na América Latina. A Otan tem 29 países-membros, nenhum dele é da América Latina ou do Atlântico Sul.

APROXIMAÇÃO MILITAR

Na prática, ser um aliado prioritário extra- Otan aproxima militarmente o Brasil dos Estados Unidos, já que, ao entrar nessa classificação, o Brasil consegue tornar-se comprador preferencial de equipamentos e tecnologia militares dos EUA; participa de leilões organizados pelo Pentágono para vender produtos militares; e ganha prioridade para promover treinamentos militares com as Forças Armadas americanas.

(Colaborou Eliane Oliveira)

Fonte: O Globo, Mundo, Página 23, Quinta-Feira, 09/Maio/2019 via clipping.abinee.org

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Argélia planeja produção local IFV Boxer 8×8 em 2020

Segundo informações divulgadas por fontes argelinas um veículo  IFV Boxer participou oficialmente de manobras e testes com as Forças Armadas Argelinas. Os testes foram conduzidos na área de M’Doukel em Batna Wilaya, no leste do país.

Os testes fazem parte de um possível acordo de produção do Boxer na Argélia. De acordo com as fontes o  início da da produção do veículo estaria planejado para 2020 nas instalações da Rheinmetall Algeria local onde hoje se encontra a linha de produção dos veículos blindados Fuchs 2 ( ( em 2014, a Argélia assinou um acordo de 2,7 bilhões de euros para a produção de 980 veículos Fuchs-2) em Ain Smara, perto de Constantine.

Os métodos de fabricação serão os mesmos utilizados nos Fuchs, ou seja, a importação de chapas de aço especiais e equipamentos e acessórios relacionados, com o corte e a construção total do veículo no local.

Anteriormente Boxer foi visto durante um desfile organizado em homenagem ao Chefe da Casa Civil, Ahmed Gaid Salah, no final de janeiro de 2018, na Central Blida Logistics Base (BCL).

Especula-se que o Boxer substituirá os veículos blindados BTR 60 e BTR 80 dos militares argelinos.

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A Argélia é um grande cliente de equipamentos militares alemães, e isso inclui duas fragatas Meko A200 encomendadas da Thyssen-Krupp em 2012 ,SUVs e caminhões da Daimler. Muitos destes veículos são fabricados localmente pela Companhia de Fabricação de Veículos da Argélia (SPA SAFAV-Tiaret) e incluem modelos da classe Mercedes Benz G e Sprinter para os ministérios de defesa, segurança nacional e justiça da Argélia. A Argélia também produz veículos Mercedes Zetros, Actros, Unimog, Ategor e Axor.

 

Com Informações de Agências Internacionais

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Aviação Defesa Defesa Anti Aérea

Os EUA estão explorando a opção de substituir a Turquia no programa do caça F-35

Tradução e edição: ARC – Plano Brasil.

WASHINGTON, 10 de maio. / Tass /. Os Estados Unidos estão considerando a opção de substituir a Turquia como parte do programa do caça F-35 de quinta geração, em conexão com a intenção de Ancara de adquirir sistemas de mísseis de defesa antiaérea S-400 da Rússia.

      Isso foi anunciado na sexta-feira em uma reunião de jornalistas pela subsecretária de Defesa para Suprimento e Apoio Logístico dos EUA, Ellen Lord.

     “Estamos trabalhando há algum tempo, considerando fontes alternativas dentro da cadeia de fornecimento para o programa do F-35, que estão atualmente na Turquia. Apesar disso, continuamos a trabalhar com a Turquia e esperamos que eles usem um sistema para sua defesa antiaérea dentro dos padrões da OTAN “, disse o vice-chefe do departamento de defesa dos EUA, respondendo a uma pergunta sobre os planos para a aquisição de Ankara do sistema S-400.

      Também foi observada por autoridades do Pentágono que a exclusão da Turquia do programa do caça F-35 pode levar a um aumento em seu custo e a uma desaceleração na produção de determinados componentes. “Nós vemos que uma desaceleração potencial na oferta pode ocorrer nos próximos dois anos, e também pode afetar potencialmente o custo. No entanto, no momento, achamos que podemos minimizar esses dois fatores”, disse Ellen Lord.

    Segundo ela, os Estados Unidos continuam as negociações com a Turquia para convencê-la a comprar os sistemas de mísseis antiaéreos  Patriot, em vez do S-400. “Oferecemos à Turquia nossos sistemas Patriot. Essa é uma opção compatível com os requisitos da Otan”, disse Lord. “Estamos atualmente conduzindo uma discussão sobre a substituição da S-400 por um Patriot”, acrescentou.

     Como Lord observou, os demais parceiros dos EUA que participam do programa de criação do F-35 compartilham a posição de Washington. “Nossos parceiros nos apoiam muito”, disse a porta-voz do Pentágono.

     Ellen se recusou a especificar quanto tempo o Pentágono poderia precisar para encontrar substitutos para os componentes produzidos na Turquia entre as empresas do complexo militar-industrial dos EUA ou aliados estrangeiros de Washington como parte do programa de produção do F-35. Os componentes para a aeronave F-35 produzidos na Turquia envolvem 10 empresas.

Fonte: TASS

 

 

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China Defesa Geopolítica Sistemas de Armas Traduções-Plano Brasil

O Pentágono avalia que o novo míssil balístico lançado pelo ar completará a tríade nuclear Chinesa 

Tradução e adaptação-E.M.Pinto

O Pentágono está preocupado com o fato de Pequim estar se aproximando de obter plena capacidade de sua tríade nuclear, o que significa que se juntaria a uma elite de nações capazes de entregar armas nucleares por terra, ar e mar.

Atualmente esta capacidade só é existente em apenas três países no mundo, Estados Unidos, Rússia e Índia.

O Gabinete do Secretário de Defesa dos EUA observou em seu relatório anual ao Congresso na semana passada que

“A China continua melhorando sua capacidade nuclear terrestre e submarina e está buscando a tríade nuclear viável com o desenvolvimento de um míssil balístico lançado pelo ar (ALBM). “

Os ALBMs são raros: os EUA exploraram o conceito no início dos anos 1960 como uma forma de manter relevante sua enorme frota de bombardeiros estratégicos, enquanto a União Soviética ignorou a idéia e imediatamente começou a produzir mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), que se mostraram muito mais confiáveis. O desenvolvimento bem-sucedido do míssil balístico lançado por submarino (SLBM) fez com que os ALBMs fossem preteridos.

No entanto, enquanto os EUA mantiveram sua frota de bombardeiros estratégicos como parte de sua tríade nuclear, continuando a armá-los com bombas nucleares, a China destinou esta função aos seus bombardeiros no final dos anos 1970 ou início dos anos 80.

As aeronaves fornecidas ao Segundo Corpo de Artilharia – agora chamado de Força de Míssesi do Exército Popular de Libertação (PLARF) recebeu então os ICBMs.

No ano passado, o Pentágono notou que Pequim reverteu essa decisão após o anúncio público do programa de bombardeiros furtivos da China e o teste de um ALBM conhecido apenas como CH-AS-X-13. Esse míssil foi testado recentemente em janeiro de 2018, disparado de um bombardeiro H-6K. No entanto, o relatório do Pentágono de 2019 observou que um segundo ALBM com capacidade nuclear poderia estar em desenvolvimento.

Além da ALBM, a China também possui pelo menos 90 mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), bem como uma grande quantidade de mísseis balísticos de médio alcance e alcance intermediário apoiados pelo PLARF, informou a Sputnik.

Pequim também possui quatro submarinos do Type 094 da classe Jin, com mais dois em construção e outra classe, a Type  096, está prevista para incorporação em meados dos anos 2020. O Pentágono alertou que os Type 094  são a “primeira linha dadissuasão nuclear marítima viável de Pequim”, já que carregam SLBMs.

Míssil balístico lançado ao ar com capacidade nuclear CH-AS-X-13 (ALBM)

O CH-AS-X-13 é um míssil ar-terra balístico de longo alcance (ASM) desenvolvido pela China para ser lançado dos bombardeiros H-6K.

O Míssil Balístico Lançado por Ar (ALBM) de combustível sólido de dois estágios tem um alcance máximo de 3.000km e é capaz de atingir velocidades hipersônicas (Mach 5+) em grandes altitudes.

Pode ser equipado com ogivas nucleares e convencionais para atingir tanto os navios de superfície quanto os alvos de posição fixa, como aeródromos e bases militares.

A China iniciou o desenvolvimento do novo míssil CH-AS-X-13 em 2016 e deverá entrar em serviço na Força Aérea do Exército Popular de Liberação (PLAAF) até 2025.

A nova arma é baseada no míssil terrestre DF-21, um míssil balístico de longo alcance o qual foi reprojetado utilizando materiais compósitos para obter um design leve compatível com plataformas aéreas.

Os bombardeiros H-6K equipados com a nova arma podem ser capazes de realizar ataques contra alvos no Alasca e no Havaí, bem como nos locais da costa do Pacífico dos Estados Unidos.

As agências de inteligência dos Estados Unidos relataram a existência do novo míssil CH-AS-X-13 em abril de 2018,

 

Fonte: Deagol via MCT

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Defesa Navios Sistemas de Armas Sistemas Navais Tecnologia Traduções-Plano Brasil

Rússia Planeja produzir pelo menos 12 fragatas Project 22350M

Tradução E.M.Pinto

A Rússia planeja fabricar pelo menos 12 fragatas do Project 22350M de deslocamento de 7.000 toneladas e uma capacidade de transportar até 48 mísseis de cruzeiro Kalibr, Oniks e Tsirkon. O projeto será finalizado no final deste ano.

MOSCOU, 9 de maio / TASS /. A Rússia planeja fabricar pelo menos 12 fragatas aprimoradas Project 22350M, capazes de transportar até 48 mísseis de cruzeiro Kalibr, Oniks e Tsirkon, disse uma fonte da indústria naval à TASS nesta quinta-feira.

“O navio principal desta série está previsto para ser incorporado à Marinha em 2027”, disse a fonte.

De acordo com a fonte,

“O projeto para esta embarcação prevê um deslocamento de 7.000 toneladas padrão e uma capacidade de transportar 48 mísseis de cruzeiro Kalibr, Oniks e Tsirkon e que será finalizado no final do ano”.

“Ao todo, 12 fragatas desta classe estão planejadas para serem fabricadas, com 11 delas para serem encomendadas ao cliente dentro dos quadros do novo programa estatal de aquisição de armas”, acrescentou a fonte.

A Marinha Russa tem atualmente a seu serviço o principal navio de guerra do Project 22350, a Almirante Gorshkov, enquanto a Almirante Kasatonov passa por testes no mar e mais duas fragatas desta série estão em construção.

Espera-se que as fragatas do Project 22350 se tornem os navios de guerra mais avançados da marinha russa em sua classe. Estas fragatas deslocam 4.500 toneladas e podem desenvolver uma velocidade de 29 nós. Eas estão armadas com mísseis Oniks e Kalibr e com os sistemas de mísseis de defesa aérea Poliment-Redut.

 

Fonte: Tass

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Conexão Geo com Cmte. Leonardo Mattos

Pautas de Hoje

1) Atualizando o caos venezuelano.
2) Terá mesmo guerra contra o Irã?
3) Kim volta a testar mísseis.

4) Trump anuncia o Brasil como candidato a “aliado extra-OTAN”
5) Giro pelo Mundo

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Africa Geopolítica Geopolitica História Opinião

OPINIÃO - O Golpe no Sudão e sua Encruzilhada Geopolítica

manifestantes e militares comemoram a queda de Omar Al-Bashir em Cartum

 

por José Ailton*

País do norte da África majoritariamente árabe, o Sudão é entre este conjunto de nações um dos mais singulares por ser composto por uma população negra que foi arabizada principalmente a partir da Baixa Idade Média por conta de várias ondas de migração de populações arabófonas do vale do Nilo ou dos desertos egípcios e da Arábia que se assentaram e se mesclaram com as distintas etnias núbias e de outros povos Nilo-chaarianos que habitam as terras ao sul do Egito. Esse processo lento e gradual de miscigenação foi acontecendo por conta das crises econômicas e políticas que sofreram os reinos núbios cristãos locais (pela ordem de norte a sul: Nobatia, Makurio e Alodia) cujo resultado vai ser a lenta formação do atual povo árabe sudanês cujo componente básico da sua cultura é esse substrato núbio (ou de outros povos nilo-chaarianos) mesclado com as distintas culturas beduínas dos desertos egípcios e da Arábia, mas a cultura egípcia (muçulmana mas também cristã copta), dependendo da tribo ou da população, sendo o componente egípcio ou beduíno maior ou menor.

Mapa do Sudão

 

Outros povos não-árabes também compõe o conjunto da população sudanesa e são elementos importantes na vida politica e social nacional, embora sejam minoritários. Os mais importantes são: os núbios não-arabizados (hoje majoritariamente muçulmanos); os bejas,- povo cushita conhecido desde a Antiguidade ainda em grande parte nômade- das Montanhas do Mar Vermelho e das cidades portuárias de Port Sudan e Suakim; os fures- agricultores Nilo-chaarianos de religião muçulmana da grande província ocidental de Dharfur-um reino independente até a conquista colonial britânica entre 1899 e 1916.

Entre 1899 e 1956 o Sudão foi conquistado e colonizado pelos Britânicos com a importante ajuda dos egípcios vizinhos, sendo por isso o país nessa época chamado de Sudão Anglo-Egípcio. Essa conquista foi, como em grande parte dos casos de colonização europeia, acompanhada por uma conquista militar sangrenta cujo trauma marca a sociedade sudanesa até os dias de hoje.

No caso especial do Sudão, essa conquista foi acompanhada de um enfrentamento militar entre um movimento político-religioso puritano e nacionalista, o movimento mahdista, cujo líder foi Muhammad Ahmad, dito o Mahdi (Profeta ou líder guiado por Deus), morta na luta contra os invasores anglo-egípcios. Esse movimento combinava nacionalismo e anticolonialismo com um forte conservadorismo político e social no qual uma prática intolerante com os sunitas tradicionais, cristãos e animistas vinha acompanhado de um forte controle da vida individual e coletiva onde os castigos físicos eram vistos como exemplos para disciplinarem os fiéis e evitar sua queda no pecado. Já a intransigência religiosa levava, especialmente para com os animistas das terras mais ao sul a práticas de escravização ou submissão violenta cujas memórias marcarão a vida do Sudão no século XX e serão um dos componentes para o constante estado de guerra civil no sul desse país desde 1955 até sua separação e independência formal em 2011.

Mesquita de al-Jami´i al-Kabir em Cártum, Capital do Sudão

Como quase todos os países africanos, o Sudão irá adquirir sua independência depois da II Guerra Mundial (1956) e passará por diversos processos revolucionários, tendo o Partido Comunista estado no poder, em uma coalizão progressista (1969-1971), quando houve uma aproximação com a URSS e a estatização de amplos setores da economia.

No plano internacional o país sofreu o impacto do nacionalismo árabe e da liderança de Gamal Abdel Nasser (presidente do Egito entre 1956-1970) ao mesmo tempo em que o país se recusou a fazer parte do Egito em uma união pan-árabe e se mostrava muito desconfiado dos seus vizinhos setentrionais por causa do processo longo de dominação que sofreu destes, que vinha de 1822, e da colaboração dos egípcios com os britânicos para que estes dominassem e administrassem o território sudanês, embora também fosse o Egito um país colonizado por Londres. O Sudão sempre resistiu ao expansionismo de Israel e declarou publicamente seu apoio a causa palestina, tendo sofrido ao longo dos anos diversos ataques israelenses, embora o empenho real na defesa dos direitos nacionais palestinos nem sempre acompanhassem a retórica dos governantes.

À partir de 1971 o Sudão será marcado por um duplo processo com fortes implicações até os dias de hoje: 1) O então presidente Gaafar al-Nimeiri alinhará o país aos EUA, abrindo gradualmente sua economia para as multinacionais ocidentais, reprimindo o Partido Comunista, sindicatos e movimentos sociais. 2) Uma retomada do conservadorismo social de raiz mahdista, mas agora sobre a forte influencia da Irmandade Muçulmana, grupo integrista de origem egípcia fortemente associado e protegido, primeiro pelos britânicos, depois pelos EUA e que adquiriu forte presença na classe política, elites econômicas e na vida social. Há um partido que representava, ainda que de forma moderada, a herança mahdista e que chegou, nos anos 1960 e entre 1986-1989, a estar no governo: o Partido Nacional Ummah de Sadiq al-Mahdi, mas estes vão aos poucos se afastando e se colocando na oposição, especialmente durante o governo de Omar al-Bashir (1989-2019).

Esse processo foi marcado pela guerra constante no território sul, habitado por povos tribais em grande parte nilo-chaarianos, muitos deles majoritariamente pastores, como os dinkas, nueres e shilluks, por exemplo e que haviam sido cristianizados por missões coloniais britânicas, em sua maioria, e tiveram grande parte de sua vida social alterada por conta da dominação de Londres. Suas lideranças e populações, em sua maioria, desejam não fazer parte de um Sudão independente por conta das memórias das guerras e raízes escravistas promovidas pelos sudaneses mesmo antes do aparecimento do movimento mahdista. Por conta disso realizaram duas longas guerras pela independência (1955-1972 e 1983-2004/2011), com um período de relativa paz e autonomia entre 1972-1982. Com a descoberta de petróleo por meio dos satélites americanos, Gaafar al-Nimeiri, em 1982, eliminou arbitrariamente a autonomia do sul do Sudão e, seis meses depois, impôs a Lei Islâmica (a Sharia), na sua versão mais dura, ao habitantes locais que não eram muçulmanos (algo contrário as práticas mais comuns no islã tradicional), entregando e expropriando aldeias para petroleiras ocidentais explorarem os poços de petróleo. Isto levou a deflagração de uma nova guerra no sul cujo resultado final foi a sua independência formal em 2011.

Em 30 de junho de 1989, por meio de um golpe militar, sobe ao poder um militar fortemente vinculado a Irmandade Muçulmana, o então brigadeiro Omar Hasan al-Bashir que governou de forma ditatorial o Sudão até o dia 11 de abril desse ano. Seu governo, e o seu grupo político-econômico reunindo em torno do Partido do Congresso Nacional, será caracterizado por uma complexa, e muitas vezes contraditória geopolítica, controle das forças armadas do estado, imposição das normas islâmicas da Irmandade Muçulmana na vida nacional, repressão política, empobrecimento e ausência de fortes politicas públicas, um estado constante de guerra dentro país.

Omar al-Bashir, Presidente do Sudão de 1993 a abril de 2019.

 

De início, como tantos governos integristas muçulmanos, o Sudão terá um posição pró-americana, atitude essa favorecida pelo contexto histórico do começo do governo de al-Bashir: fim da URSS e do socialismo de tipo soviético levando a hegemonia mundial plena dos EUA, a permanente situação de fragilidade geopolítico do Sudão por conta da continua guerra em seus territórios meridionais, a hegemonia regional saudita no mundo muçulmano e a presença sempre hostil de Israel cuja ameaça era intensificada pela fragilidade geopolítica sudanesa.

Nesse quadro, como mostram Michel Chossudovsky, Andrew Korybko, Thierry Meissan, Assad Abukhalil e tantos outros analistas políticos, o Sudão se engajará ativamente em muitas guerras promovidas pelos EUA no qual o uso de forças jihadistas será um instrumento central das conquistas colônias de Walshington-Wall Street. Dessa forma, o Sudão hospedará até 1995 o antigo comandante das forças expedicionárias árabes da CIA no Afeganistão nos anos 1980 Osama Bin Laden e o seu grupo guerrilheiro Al-Qaida, considerado pelos analistas citados acima e outros como Paul Craig Roberts, Atílio Borón, James Petras, o venezuelano Walter Martínez, etc, como sendo um agente permanente dos EUA mesmo quando era acusado por este de ataques importantes como o 11 de setembro. Somente após o fracassado suposto ataque da A-Qaida ao presidente egípcio Hosni Mubarak e, devido à pressão dos governos árabes, é que Bin Laden será expulso. Dentre as guerras por procuração dos EUA que o Sudão se envolveu cabe destacar as realizadas nos anos 1990 contra a Iugoslávia no qual foram empregadas em seu território da Bósnia jihadistas, dentre eles sudaneses ou gente enviada através do país árabe.

Mas, apesar disso e dos vínculos que as elites sudanesas tiveram sempre com o ocidente, e os EUA e suas corporações em particular (o analista de origem russa André Vltchek em seu texto de 2016 Sudan, Africa, And the Mosaico of Horrors afirma que até metade dos parlamentares sudaneses teriam cidadania estadounidense), o Sudão se caracterizaria por buscar a sua própria autonomia em relação a aquele país. Dessa forma, o Sudão já na segunda metade dos anos 1990 entra em conflito com os EUA que realizaram, no dia 20 de agosto de 1998 um bombardeio com mísseis Tomahawks, a partir do Mar Vermelho da fábrica farmacêutica montada com ajuda ONU de Al-Shifa na capital Khartum, usando como pretexto o atentado feito as embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia alguns dias antes. Os EUA também impõem um embargo econômico ao Sudão que prejudica seriamente a sua população já empobrecida por conta do estado permanente de guerra em muitas províncias e do pequeno investimento social do seu governo.

Ao longo desses anos os norte-americanos passam, a apoiar de forma mais intensa os rebeldes sulistas do Exército de Libertação do Sudão desde o território de Uganda e Quênia cujos governos eram vassalos dos EUA. Israel, que provavelmente sempre teve contato com os rebeldes do sul, também intensifica suas ações. Também um movimento guerrilheiro do povo beja-O Congresso Beja, na época sobre a liderança de Amin Shingrai-se subleva contra o governo sudanês. Na década de 2000 começa a sublevação étnica dos furs do Dhafur por meio da liderança do Movimento de Libertação do Sudão e do Movimento de Igualdade e Justiça apoiados pelo Chade e Eritreia. Mais tarde esses e outros grupos menores se reúnem uma federação chamada Frente de Redenção Nacional tendo como líder figuras como o ex-governador de Dhafur Ahmed Ibrahim Shiraige. Para diversos autores (Chossudovsky, Stephen Lendman, James Petras, Darius Mahdi Nazemroaya, Thierry Meyssan, etc) os EUA o tempo todo estavam promovendo uma política de balcanização do Sudão em quatro ou cinco países menores, seguindo um projeto de destruição (a política do caos programado) de diversos estados nacionais no mundo para facilitar o saque de seus recursos naturais e melhor dominar seus territórios fragilizados econômica, social e politica-institucionalmente. O Sudão de Bashir que havia apoiado essa politica americana em outras partes do mundo era agora vítima dela e isso se devia também ao seu acercamento a China com quem passou a realizar muitas trocas comerciais e abriu as suas reservas de petróleo a exploração por parte das empresas estatais chinesas (a maioria dos campos estavam no atual Sudão do Sul e uma parte no Dharfur), além de, na década de 2010, ir aderindo ao projeto chinês de infraestruturas econômico-comerciais e estratégicas conhecido pelo nome de Nova Rota da Seda. Esse projeto era um desafio aberto à dominação americana do mundo e tornou o Sudão, por mais que ele colaborasse com os EUA em determinadas situações, um alvo por parte destes.

Essa tensão toda produziu a Guerra do Dharfur cuja resposta do governo de Omar al-Bashir foi, através do exército e das milícias Janjawid, em 2008, realizar um grande massacre e limpeza étnica dos fures (2,8 milhões de deslocados e talvez 400 mil mortos numa população estimada em 7 milhões em 2007. Essa tragédia foi usado como arma política pelo governo de George W. Bush, que mobilizou a sua rede de imprensa, ONGs, celebridades como o ator George Clooney e organizações judaicas ligadas a Israel para acusar o governo sudanês de genocídio o que levou ao juiz argentino Luís Moreno Ocampo da Corte Penal Internacional, um instrumento político dos EUA, a pedir a prisão de Omar al-Barshir por crimes de genocídio e de guerra.

No entanto, como a geopolítica do Sudão é complexa e paradoxal há coisas ainda mais inesperadas a primeira vista. Mesmo tendo estabelecido laços até militares com o Irã e permitido uma forte presença econômica e tecnológica dos chineses no país, o governo de Bashir mantinha contatos com os EUA. Segundo Meyssan, em um artigo recente sobre o golpe (A Derrubada de Bashir 16/04/2019), o Sudão não só colaborou com os EUA nas guerras da Líbia (2011) e da Síria (2011 até hoje), enviando grandes contingentes, mas teve as forças especiais Janjawid treinadas por militares do Pentágono. Além disso, sempre foi forte a influência das monarquias do Golfo dentro do Sudão, tendo a Arábia Saudita sido, na maior parte do tempo, nos últimos 30 anos, a mais forte por conta de investimentos e empréstimos feitos ao governo.

No entanto, a população ainda que tivesse uma forte consciência anti-imperialista, foi sempre muito pouco beneficiada por investimentos em infraestrutura, educação, emprego, renda e outras necessidades vitais. Além disso, ainda que praticante de um islamismo sunita muito conservador, sofria o impacto em sua vida cotidiana das normas de controle moral e de repressão forte aos delitos segundo a forma mais dura de interpretação da sharia (lei islâmica) preconizada pela Irmandade Muçulmana.

Segundo a Review World Population, citado dados extraídos do escritório de estatísticas nacionais do Sudão e da ONU, mostra que a expectativa de vida no Sudão cresceu de 55 anos na década de 1980 para 65 anos em 2018 e a taxa de alfabetização acima de 15 anos teria alcançado 75,9% da população, sendo maior entre os homens (83, 3%) do que entre as mulheres (68,6%) em 2015. No entanto, em 2019, 20% da população econômica ativa estava desempregada, sendo 16% dos homens e 32% das mulheres. A taxa de fertilidade as população é alta (4,85 crianças por mulher) e a maior parte da população é composta de jovens, sendo que 43,07% são garotos de 0-14 anos. Como exemplo importante do grande subdesenvolvimento do Sudão: apenas 34,6% da população é urbana.

Esses problemas pouco ou nada resolvidos eram agravados pelo constante estado de guerra do País (Segundo Meyssan, até 75% do orçamento nacional ia para as forças armadas), pelo embargo americano ao país e a crise econômica que atingiu o Sudão levando ao aumento das tarifas e dos alimentos, com destaque para a farinha de trigo, criando uma situação de penúria em vastos setores da população. Essa crise econômica segundo o analista americano residente na Eritreia, Thomas Mountain, foi muito agravada pela separação em 2011 do Sudão do Sul e depois a paralização nesse país da exploração das reservas de petróleo, o que privou o Sudão de receitas importantes não compensadas pelas reservas de petróleo que sobraram os as exportações de goma arábica que entra na produção dos refrigerantes de cola pelo mundo.

Em 2011, durante a chamada “Primavera Árabe”, o Sudão já havia presenciado manifestações importantes contra o governo, mas diferente do seu vizinho Egito, elas não levaram a queda de Bashir. Agora, a partir do fim de 2018, mas especialmente desde janeiro do atual ano, diversas organizações, sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos começaram a realizar grandes manifestações ao longo de diversas cidades, com destaque para a capital Cartum e a vizinha Ondurman (sede do Parlamento) aonde, apesar da forte repressão policial pediam não só a renuncia de Bashir e o afastamento dos islamistas do poder (militares ou civis), mas também soluções para os muitos problemas do país que iam de liberdades individuais, passando por serviços e infraestrutura social, politica anti-inflacionária e contra o desemprego até negociações de paz nas províncias em guerra.

Em 3 de janeiro, um manifesto público: A Carta da Liberdade e Mudança assinadas por partidos como o PC Sudanês, o Partido Nacional Umah, o Partido Republicano, sindicatos e associações de classes como grupos feministas, os estudantes da Universidade de Cartum, associações de advogados, médicos, engenheiros e professores secundaristas e universitários- a Associação de Profissionais do Sudão- e movimentos sociais (de agricultores, de mantenedores de tweeteres, dos núbios, etc) resumiram a pauta de reivindicações, pediam a formação de um governo de nacional de transição que preparasse no futuro uma assembleia constituinte e eleições livres. Essa carta e suas reivindicações foram à base para as ações de rua pedindo a renuncia de Bashir. O grupo político reunindo toda a oposição se chama Frente Nacional para a Mudança.

Nesse quadro também devemos lembrar três motivos que influenciaram na deflagração do golpe: 1) a aproximação com a Rússia, o que levou a acordos econômicos e de assistência militar, além do Sudão auxiliar a Rússia em sua ação política na vizinha, conturbada e sob intervenção ocidental República Centro Africana. Mesmo o Sudão participando ativamente na intervenção militar patrocinada pelos EUA da Arábia Saudita no Iêmen contra o movimento nacionalista dos Houthis e seus aliados, essa aproximação à Rússia-com quem o Sudão estaria negociando uma base no Mar Vermelho-desagradou o EUA e seus aliados no Mundo Árabe. 2) Apesar dessa aproximação a Moscou, segundo Meyssan, o governo Bashir teria tentado administrar a crise econômica recorrendo a uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e este aplicou sua tradicional política de austeridade contribuindo para o aumento dos protestos por todo o país. 3) A aproximação da Turquia, que se tornou uma rival no Oriente Médio da Arábia Saudita chegando a permitir a abertura de uma base da marinha turca na cidade portuária de Suakin no Mar Vermelho, algo que desagradou fortemente os sauditas ao projetar em seu mar ocidental o poder marítimo do governo de Ankara.

Assim, em meio a fortes manifestações, as forças armadas se antecipam e depõem Omar Al-Bashir em 11 de abril e assumem um governo de Transição (Conselho Militar de Transição), no primeiro dia sob o general Ahmed Awad ibn Awf e depois com o ex-comandante das tropas sudanesas no Iêmen, Abdel Fattah al-Burhan. Bashir teria sido preso e pouca informação sobre ele foi divulgada desde então.

A intervenção do exército não agradou muito os grupos de oposição da Carta de Liberdade e Mudança, embora a queda de Bashir tenha agradado muitos na sociedade sudanesa. Manifestações ocorreram nas ruas pedindo que os militares respeitassem a população e estabelecessem um governo misto de transição com civis e militares, mas predominando os primeiros, formando assim um Conselho de Civil de Transição. Reuniões começaram a ocorrer entre os militares e os representantes do grupo Liberdade e Mudança. Estes pediam até representantes dos grupos feministas e de jovens no governo interino, além de prisão e julgamento dos militares e oficiais de polícia responsáveis pela repressão as manifestações. O PC Sudanês também vem criticando os militares e, em 25 de abril, os acusou publicamente de não quererem sair do poder. Essa pressão seria também fortalecida pela ação da União Africana e da União Europeia para transferir o poder aos civis. A União Africana chegou até ameaçar suspender o Sudão em abril por conta da repressão as manifestações. Dia 30 exigiu a transferência para os civis dentro de dois meses.

Como, explicar satisfatoriamente o golpe, sem cair na ingenuidade de que a sociedade civil sudanesa, por si só, se levantou e derrubou o seu ditador no poder desde 1989, lembrando sempre do complicado cenário geopolítico no qual o Sudão está inserido?

Não temos respostas definitivas ainda, pois provavelmente muito do jogo político decisivo está sendo realizado nos bastidores. Pode-se, pelas informações já disponíveis, que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos aprovaram a queda de Bashir, pois concederam ao Sudão um empréstimo de US$ 3 Bilhões. Este empréstimo e o fato de al-Burhan ser o comando das tropas sudanesas no Iêmen indicariam que o país africano caiu sob a influência saudita. A prisão do porta-voz da Frente Nacional para a Mudança, Said al-Jizuli, por algumas horas dia 24, após criticar em público a ingerência dos Emirados Árabes Unidos seria outro indicio de que o atual governo esta sob a influencia regional de Riad e Abu Dhabi.

Como as revoluções coloridas pelo mundo afora criaram uma forte desconfiança em relação às manifestações publicas, aparentemente não-violentas e com slogans democráticos, não sabemos o grau de sinceridade das lideranças envolvida na Carta de Liberdade e Mudança. Condições e legitimidade para as manifestações ocorrerem existiam e a imensa maioria saiu às ruas de forma sincera. Também nada se sabe no momento das ações de bastidores que acabaram conduzindo a derrubada de Bashir pelos militares. Como costuma ocorrer em eventos dessa natureza, ela deve ter sido coordenada ou acompanhada pelos EUA, Grã-Bretanha, ONU, Liga Árabe, União Africana, Arábia Saudita e os russos e chineses também a acompanharam e podem mesmo ter começado a negociar secretamente com os militares sudaneses a continuidade ou não dos acordos feitos sob a administração de Bashir, assim como o mesmo pode estar fazendo a Turquia.

O certo, nesse primeiro momento, é que muito pouco mudará no Sudão em termos sociais e econômicos e o país continuará a sofrer uma pesadíssima pressão geopolítica mundial, especialmente do poder norte-americano e de seus sócios locais, ainda muito presente no continente africano.

 

*José Ailton Dutra Júnior é doutor em História pela Univerisdade de São Paulo (USP) e especialista em História Contemporânea e Geopolítica do Oriente Médio e Mundo Islâmico.

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Qatar entrega veículos blindados Storm 4×4 para Burkina Faso

O Governo do Qatar entregou 24 blindados de transporte da Storm 4×4 a Burkina Faso . Três cargueiros Boeing C17 Globemaster III posaram no aeroporto de Ouagadougou no dia 8 de maio trazendo os veículos, peças de reposição e pessoal técnico.

O Storm é um veículo blindado leve 4×4 fabricado pela empresa Qatar Stark Motors, com sede em Doha o mesmo é  baseado no Toyota Land Cruiser 79 possuindo proteção até CEN B6 / NIJ III / STANAG Nível I contra munição de 7,62×51 Ball M80 e 5,56×45 SS109.

O teto do veículo está equipado com uma torre que pode ser armada com uma metralhadora até 12,7 mm. O veículo é movido por um motor turbo diesel Toyota 4.5L V8, com 195 cv, acoplado a uma transmissão manual ou automática de 5 velocidades. Pode acomodar até 10 pessoas, incluindo motorista e comandante.