Defesa & Geopolítica

Trump suspende sanções contra Irã pela “última” vez

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A cada 120 dias, o presidente dos EUA deve conferir se Teerã está cumprindo as imposições do acordo nuclear que livram o país de sanções. Trump concordou, mas sem perder a oportunidade de ameaçar os iranianos.

Trump prometeu rasgar acordo nuclear com o Irã, o “pior” já assinado por seu país

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estendeu pela terceira vez, nesta sexta-feira (12/01) a suspensão das sanções contra o Irã, mantendo em vigor o acordo nuclear deste com as potências mundiais por, no mínimo, mais quatro meses.

As medidas punitivas de Washington contra o país asiático estão suspensas desde 2015, quando os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha estabeleceram com Teerã um acordo sobre o programa nuclear iraniano, com validade por dez anos.

Desde então, o chefe de Estado americano é encarregado de decidir a cada 120 dias se a suspensão deve ser mantida. Uma retomada das sanções equivaleria à rescisão unilateral do acordo.

No entanto Trump advertiu que esta será a última vez que se dispõe a impedir seu Congresso de aplicar as medidas de punição – a menos que o Irã e os aliados europeus dos EUA cheguem a um consenso significativamente fortalecido. “E a qualquer momento em que eu julgue que tal consenso não está ao alcance, vou me retirar imediatamente do acordo”, frisou.

Emenda improvável

Em ocasiões anteriores, o político republicano criticara o acordo nuclear como o pior em que os EUA já entrara, e prometera “rasgá-lo”. Ele também declarou que pretende introduzir uma emenda na lei americana, tornando o programa de mísseis de longo alcance do Irã inseparável de seu programa nuclear. Tal acordo seria permanente.

“Se o presidente conseguir esse consenso, que cumpra o objetivo dele e nunca expire – ele nega ao Irã todos os acessos a armas nucleares para sempre, não por dez anos – ele estaria aberto a permanecer nesse pacto modificado”, comentou uma fonte da Casa Branca.

No entanto é improvável que o Irã e ou aliados europeus dos EUA concordem com tal mudança. O ministro iraniano do Exterior, Mohammad Javad Zarif, declarou, num tuíte, que “a política de Trump e o anúncio de hoje se resumem a tentativas desesperadas de minar um acordo multilateral sólido” e “não negociável”.

Novas sanções contra políticos iranianos

O anúncio da Casa Branca coincidiu com uma série de novas sanções do Departamento do Tesouro americano contra altos funcionários iranianos, entre os quais o chefe da Justiça do Irã, Sadegh Amoli Larijani. Segundo a Casa Branca, a decisão vem em resposta à recente repressão, por Teerã, de manifestações antigoverno.

Consta que nos bastidores Trump se queixa que o acordo de 2015 faz seu país parecer fraco. Assinado pela China, França, Rússia, Reino Unido, Alemanha e a União Europeia, ele estipula que o Ocidente suspenda suas sanções econômicas contra o Irã em troca de este limitar seu programa nuclear.

Trump tem sido seriamente pressionado pelos líderes europeus a não abandonar o acordo. Na quinta-feira, a Alemanha, França e Reino Unido apelaram para que Washington cumpra sua parte.

Fonte: DW

Chancelaria russa: EUA planejariam destruir acordo nuclear com Irã

Moscou considera como extremamente negativas as últimas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o futuro do acordo nuclear com o Irã, disse à Sputnik o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov.

© Sputnik/ Natalia Seliverstova

“Consideramos extremamente negativas as decisões e declarações de Washington, as nossas piores previsões estão se tornando realidade”, afirmou ele, comentando as declarações de Trump sobre o futuro do acordo nuclear conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês).

“Em minha opinião, os EUA planejariam destruir o JCPOA”, disse ele, acrescentando que não faz sentido sobrestimar a decisão de Trump de adiar a imposição de novas sanções contra o Irã. De acordo com o diplomata, a Rússia fará tudo o que for possível para defender o acordo com o Irã e apela aos outros países que apoiam o JCPOA para fazerem o mesmo.

Além disso, as últimas declarações do presidente norte-americano põem em questão a capacidade dos EUA para cumprirem acordos internacionais, acrescentou Ryabkov.

“Tudo isso está reforçando a nossa convicção que, por um lado, a capacidade dos EUA para cumprirem acordos internacionais está posta cada vez mais em questão. Por outro lado, o arsenal de meios geopolíticos que Washington usa para resolver determinadas questões está encolhendo e está cada vez mais limitado às medidas de pressão e chantagem. É uma das tendências mais alarmantes na arena internacional”, explicou o vice-chance.

Ontem (12), Donald Trump afirmou que prolonga o regime de levantamento das sanções no âmbito do acordo nuclear com o Irã pela última vez e exigiu que a UE participe da revisão do acordo, sublinhando que esta é a última oportunidade para introduzir alterações no JCPOA. Além disso, Trump chamou o Irã de principal patrocinador do terrorismo e declarou que planeja introduzir sanções duras pelo desenvolvimento e testes de mísseis balísticos por parte do Irã.

O Irã e o grupo P5 + 1 (China, França, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha) assinaram o JCPOA para garantir a natureza pacífica do programa nuclear do Irã em 14 de julho de 2015. Com este acordo, o Irã prometeu abster-se de desenvolver ou adquirir armas nucleares em troca do levantamento das sanções impostas contra o país.

Fonte: Sputnik

 

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