Defesa & Geopolítica

Rússia está em alerta por decisão do Japão de comprar sistema estadunidense ‘Aegis Ashore’

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A decisão do Japão de posicionar em seu território os sistemas de defesa antimíssil norte-americanos afetará o dialogo entre Moscou e Pequim inclusivamente as negociações sobre o tratado de paz.

CC BY 2.0 / Agência de Defesa Antimíssil dos EUA / FTO-02-E1a-002

Tal declaração foi feita pela porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, durante sua coletiva de imprensa semanal.  Ao mesmo tempo, Zakharova sublinhou que “a recente decisão do governo japonês de posicionar em seu território os sistemas antimísseis Aegis Ashore, é profundamente lamentável e causa grave preocupação”.

De acordo com a diplomata, Moscou considera que esta medida “contradiz os esforços para garantir a paz e a estabilidade na região”.

“Além disso, ações semelhantes de Tóquio contradizem diretamente a tarefa prioritária de criar confiança em áreas militares e política entre Rússia e Japão e afetam o ambiente geral das relações bilaterais, incluindo negociações sobre o tratado de paz”, destacou.

Segundo a porta-voz da chancelaria russa “independentemente de argumentos e motivos para justificar [a decisão de Tóquio], é evidente que o deslocamento de sistemas mencionados constitui uma nova medida destinada a criar segmento completo do escudo antimíssil global dos EUA no Círculo do Pacífico”.

Ao mesmo tempo Zakharova apontou que os sistemas estadunidenses que aparecerão no Japão, “estão dotados com lançadores de foguetes universais”, capazes de lançar foguetes em caso de ataque.

“Em prática isso significa que EUA, com ajuda do Japão, violam o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário [INF, siglas em inglês]”, indicou.

Mais cedo, o governo do Japão tomou a decisão de adquirir os sistemas de combate terrestres dos EUA, Aegis Ashore, para aumentar as capacidades da sua defesa diante do desenvolvimento do programa norte-coreano de mísseis balísticos.

O Tratado INF foi celebrado entre a União Soviética e os EUA em 1987. As partes do Tratado se comprometeram a não desenvolver, testar ou instalar mísseis de cruzeiro e balísticos com alcance operacional de 500 a 5.500 km.

Fonte: Sputnik

Para que Tóquio precisa de mais sistemas de defesa antimíssil estadunidenses?

O sistema de defesa antimíssil de baseamento terrestre visa defender a segurança do Japão e dos seus cidadãos, será manejado pelo próprio país e não representa uma ameaça para a Rússia e para os países vizinhos, afirmou a chancelaria japonesa à Sputnik.

CC BY 2.0 / Agência da Defesa de Mísseis dos EUA

“Antes de tudo, vale ressaltar nos abstemos de comentar as declarações divulgadas pela mídia. No que se trata da instalação dos sistemas de defesa antimíssil Aegis Ashore no Japão, a defesa antimíssil do nosso país é exclusivamente defensiva e destinada a defender as vidas e bens dos nossos cidadãos, é o nosso país que a gerencia e ela não representa qualquer ameaça para a Rússia ou outros países situados perto do Japão. Isso foi sublinhado pela parte japonesa durante a visita em novembro do chanceler japonês, Taro Kono, a Moscou durante suas reuniões com o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov”, assegurou o representante oficial do Ministério do Exterior do Japão.

Ao mesmo tempo, a entidade frisa que o Japão “continua disposto a travar de forma persistente as negociações para determinar a soberania das quatro ilhas”, como são denominadas no Japão as ilhas Curilas do Sul, e “celebrar um tratado de paz com a Rússia”.

Na quinta-feira (28), a representante oficial da chancelaria russa, Maria Zakharova, afirmou que a decisão japonesa de instalar os sistemas americanos afetará de modo negativo as negociações de paz entre Moscou e Tóquio.

Ela apelou ainda a levar em conta que “os referidos sistemas” são equipados com lançadores universais que também podem usar armamentos ofensivos”. Zakharova sublinhou que isto significaria uma violação de fato do tratado sobre a liquidação de mísseis de alcance médio e curto pelos estadunidenses com a colaboração dos japoneses.

Em 19 de dezembro, o governo japonês aprovou a lei que possibilita a instalação de dois sistemas Aegis Ashore no território do país. Planeja-se que seu alcance cubra todo o território do país. Cada instalação vai custar ao Japão cerca de 100 bilhões de ienes (quase 3 bilhões de reais). Tóquio espera que a instalação seja terminada até o ano de 2023.

Hoje em dia, a defesa antimíssil japonesa consiste de navios com o sistema Aegis, equipados com mísseis SM-3, bem como instalações Patriot-3 para eliminação de mísseis a altitudes entre 15 e 20 km.

O sistema Aegis instalado nos destróiers é capaz de atingir um míssil balístico à altura de 500 km, sendo que o sistema terrestre desfruta da mesma capacidade.

Fonte: Sputnik

 

 

 

 

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