Defesa & Geopolítica

SEGURANÇA PÚBLICA: Dias antes de mortes no Salgueiro, reunião na cúpula da segurança decidiu infiltrar militares na mata

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Numa reunião no último dia 6 de novembro, a cúpula das forças de segurança estadual e federal definiu um plano para encurralar traficantes do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. A estratégia era entrar na favela pela Rodovia BR-101 com caveirões para forçar os bandidos a tomarem a rota de fuga identificada em investigações da Polícia Civil: a Estrada das Palmeiras. Ali, homens das Forças Armadas que chegariam em helicópteros e se infiltrariam numa mata, na noite anterior, seriam responsáveis por surpreender os fugitivos.

O plano foi posto em prática numa operação conjunta no dia seguinte, mas fracassou: avisados, os traficantes deixaram a favela antes de as forças de segurança chegarem. Três dias depois, na madrugada do dia 11, uma nova operação da Polícia Civil e do Exército no local terminou em sete mortes — após um mês, mais uma vítima não resistiu aos ferimentos. Agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e militares afirmam que não atiraram na ocasião, somente entraram na favela e encontraram corpos baleados. Todos os agentes ouvidos afirmaram que foram à favela em três caveirões. Nenhum depoimento menciona homens na mata.

Armas apreendidas na operação

A existência da reunião e do plano foram confirmadas pelo EXTRA por duas fontes que investigam a ação. Participaram do encontro, às 10h30 do dia 6, no Centro Integrado de Comando e Controle, na Cidade Nova, representantes da Secretaria de Segurança, do Exército, da Marinha, da Força Aérea, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Civil.

O relato de duas testemunhas já ouvidas pela polícia e pelo MP, no entanto, vai de encontro ao plano discutido na reunião. Um jovem de 19 anos, que foi baleado nas mãos e na coxa durante a operação e sobreviveu afirmou que homens vestidos de preto, com capacetes e fuzis com mira a laser atiraram, da mata, em direção às vítimas. Já Luiz Octávio Rosa dos Santos, de 27 anos, a oitava vítima fatal da ação, que morreu no último dia 11, depois de um mês internado, também contou em depoimento que os tiros que atingiram as vítimas “vinham da mata em direção das casas que ficam do outro lado da Estrada das Palmeiras”.

Fonte: Jornal Extra

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