Defesa & Geopolítica

Reuters: Levante dos bolcheviques na Revolução Russa

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Imagem: Vladimir Ilyich Lenin – Sovfoto / UIG via Getty Images

“O dia trouxe certas mudanças…”, começava uma reportagem da Reuters da então capital russa, Petrogrado, 100 anos atrás nesta terça-feira.

Pelo calendário ocidental, foi o dia em que os bolcheviques de Vladimir Lenin depuseram o governo provisório mais moderado de Kerensky, um passo decisivo na revolução que viria a criar a União Soviética.

O telegrama de 7 de novembro de 1917 da Reuters daquela que se tornou Leningrado e hoje é São Petersburgo foi republicado no jornal Sheffield Evening Telegraph um dia depois, e dizia:

“O dia trouxe certas mudanças na situação geral da capital. O movimento maximalista (revolucionário) fez um progresso novo e bastante apreciável, mas não ocorreram desordens.”

“Perto das 5h da tarde o Comitê Militar Revolucionário do Soviete publicou uma proclamação declarando que Petrogrado está em suas mãos, graças à assistência da guarnição, que permitiu que um golpe de Estado fosse realizado sem derramamento de sangue.”

“A proclamação declara que o novo governo proporá uma paz imediata e justa, dará a terra aos camponeses e convocará a Assembleia Constituinte.”

Fonte: Reuters

Edição: Plano Brasil

Opinião: Revolução de 1917 foi tragédia para os russos

Principal acontecimento do século 20 deixou consequências graves e duradouras em todo mundo e, de forma indireta, ao menos um benefício para o Ocidente, opina o escritor russo Victor Erofeiev.

Uma estátua de Lenin na Sibéria

De fato: a Grande Revolução Socialista de Outubro, como os comunistas se referem à sublevação de 1917, foi realmente grande nas consequências. Ela abalou o mundo ou (dependendo do ponto de vista) conduziu a história à beira do precipício. Ela provavelmente foi o principal acontecimento do século 20. Dela resultaram muitas consequências graves.

A história não conhece o subjuntivo, mas pode-se dizer que, se não houvesse a Revolução de Outubro, não haveria Adolf Hitler. Pois, como se sabe, Stálin impediu a união da esquerda na Alemanha – os comunistas e os social-democratas – no início dos anos 1930.

Por outro lado, sem a Revolução de Outubro é difícil imaginar o intenso desenvolvimento das instituições sociais no Ocidente, a transição do capitalismo, como descrito por Karl Marx, para o Estado de bem-estar social de hoje. No fundo, o beneficiário da Revolução de Outubro é justamente o mundo ocidental, que aprendeu como não se deve fazer e soube contrapor ao totalitarismo uma alternativa digna.

Se continuarmos o raciocínio sobre a influência da Revolução de Outubro nos acontecimentos mundiais, fica claro que, sem aquele outubro, não haveria a atual erupção imbuída de ódio do terrorismo internacional. Pois o terrorismo é, também, uma herança da tática comunista impiedosa de não abdicar de nenhum meio para alcançar seus objetivos.

Nesse sentido, um exemplo marcante e infelizmente contagiante é Cuba e seu ilustre ícone terrorista Che Guevara. A veneração desse revolucionário profissional em várias partes do mundo mostra mesmo nos dias de hoje que a semente da violência em nome de ideias utópicas está depositada na própria natureza humana. Essa semente floresce nos homens-bomba, em homenagem aos quais nós, em todos os aeroportos do mundo, tiramos casacos, relógios, sapatos e cintos e oscilamos entre a própria segurança e liberdade de ação e pensamento.

Para a própria Rússia, a Revolução de Outubro de 1917 não trouxe nada de positivo. As revoluções francesa, inglesa e todas as outras grandes revoluções europeias – à parte o derramamento de sangue e a violência terrível – podem ser vistas como motores do progresso social. Já a Revolução de Outubro mostrou ser uma tragédia para o povo russo. As pessoas na União Soviética conseguiram sobreviver e até mesmo alcançaram importantes êxitos na ciência e na cultura – apesar da Revolução de Outubro.

Na União Soviética houve uma terrível “antisseleção” da população, na qual classes sociais inteiras foram aniquiladas, desde os aristocratas até os camponeses independentes. E que nós, os cidadãos da Rússia, até hoje não tenhamos conseguido sair dessa cloaca na qual a Revolução de Outubro nos enfiou, que na Rússia, até hoje, falte uma cultura política, que dirá então sabedoria política, também isso é uma consequência de 1917. Os russos foram enviados ao inferno da Idade da Pedra, com concepções arcaicas de bom e mau, sem qualquer compaixão por “estrangeiros” e “outros”.

Os defensores da Revolução de 1917 dizem: o analfabetismo foi eliminado, houve uma industrialização bem-sucedida, nós saímos vitoriosos da Segunda Guerra Mundial. Mas a luta contra o analfabetismo já havia começado antes de outubro de 1917, a industrialização já estava a todo vapor na Rússia no início do século 20, e a vitória na guerra custou ao país, segundo os dados mais recentes, mais de 40 milhões de vidas.

O mais duro e absurdo é que, na verdade, nunca houve uma Revolução de Outubro. Ela foi um golpe de Estado bem-sucedido. E, como em todo golpe de Estado, os acontecimentos de outubro de 1917 poderiam ter ocorrido ou não, eles poderiam simplesmente não ter dado em nada e caídos no esquecimento em meio à fumaça empesteada da Primeira Guerra Mundial.

Sim, a Rússia precisava de uma revolução, e esta se deu em fevereiro de 1917. Os bolcheviques aproveitaram suas fraquezas e afogaram tudo em sangue, terror e mentiras. Essa panaceia da desgraça é – com novas nuances –perceptível até hoje. Terrorismo e civilização, cultura e violência, demagogia e racionalidade são difíceis de conciliar. As tentativas atuais, por parte dos poderosos russos, de reconciliar tudo e todos também se fundamentam em demagogia e atavismo.

Na Rússia, a vida se fundamenta no princípio esperança. Esta é a pré-condição para a sobrevivência: a eterna esperança de um futuro melhor. Tomara que um dia, sobre o apoio de novas gerações, essa esperança se transforme em realidade, apesar de tudo, e os russos acordem num mundo normal. A cabeça ainda vai doer por muito tempo, mas um dia, apesar de tudo, vamos reencontrar a nós mesmos.

  • O russo Victor Erofeiev é escritor, nascido em 1947. Em 1979, ele foi excluído da associação de escritores da União Soviética. Tornou-se conhecido internacionalmente em 1990 com o romance A bela de Moscou, traduzido em 27 línguas. Vive em Moscou e é um crítico do presidente Vladimir Putin.

Fonte: DW

Revolução Russa deixou sua marca na América Latina, diz o filósofo cubano

Os fenômenos políticos da esquerda latino-americana têm suas raízes na Revolução Russa que completa 100 nesta terça-feira, disse o filósofo cubano Enrique Ubieta, diretor da revista Cuba Socialista, à Sputnik.

“Todos nós que lutamos hoje pelo socialismo, a Justiça social, somos filhos da Revolução de Outubro, de Vladimir Ilyich Lenin (1870-1924)”, disse Ubieta.

Para Ubieta, os revolucionários latino-americanos herdaram a estrada aberta na Rússia em outubro de 1917 (dia 7 de novembro, no calendário gregoriano).

“Viajamos por essa rota à nossa maneira, com nossas ideias e nossa criatividade, mas temos essa dívida histórica”, disse ele.

Esse antecedente é importante e está vivo porque o que parecia que ia “se apagar em meio da onda neoliberal na década de 1990 renasceu no continente, isto é, as raízes estão vivas”, disse ele.

Para salvar a humanidade de sua autodestruição hoje é necessário lutar contra o imperialismo “predatório”, acrescentou Ubieta. Ele ressaltou ainda que, após a derrubada do regime czarista na Rússia, houve “uma espécie de onda de choque” que deixou uma influência marcada na América Latina e no Caribe.

Lênin, o líder dessa revolução, abriu o caminho de forma inesperada, “em um grande país e multinacional, mas na periferia”, e não como Karl Marx e Frederick Engels tinham previsto nas nações desenvolvidas, explicou.

Lênin, Martí e Cuba

Ubieta enfatizou que Lênin e o poeta e o herói da independência cubana José Martí (1853-1895) não se conheciam, mas concordaram com a advertência sobre o perigo do imperialismo, particularmente porque analisaram a emergência nos Estados Unidos.

Lênin descreveu tal fenômeno em seu livro Imperialismo, a Fase Superior do Capitalismo, no qual explicou que a primeira guerra com esse personagem ocorreu precisamente com a intervenção em 1898 da Marinha dos EUA em Cuba, quando o domínio espanhol já estava morrendo.

Martí, por sua vez, morou nos Estados Unidos de 1880 a 1895, viu e estudou a gênese desse sistema e advertiu em seus escritos sobre esse perigo para Cuba, Caribe e América Latina, disse Ubieta.

Estas coincidências explicam por que, em agosto de 1925, quando um colaborador socialista idoso de Martí nos preparativos para a independência, Carlos Baliño, e o jovem estudante universitário Julio Antonio Mella fundaram o Partido Comunista de Cuba, em um congresso clandestino, uma foto do autor de Versos Simples e outra de Lênin presidiram a reunião, observou.

O governo de Cuba celebra a data nesta terça-feira com uma festa de gala política e cultural no Teatro Karl Marx, com um programa de atividades para o centenário da Revolução Russa.

Diversas formas de celebração têm ocorrido há várias semanas em todas as províncias cubanas e em instituições como a Biblioteca Nacional, o Instituto de História Cubana, a Amizade com os Povos, e o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias.

Fonte: Sputnik

 

 

 

 

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