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Reviravolta histórica? Príncipe saudita promete abrir o país ‘para todas as religiões’

O príncipe herdeiro saudita, Mohammad bin Salman, anunciou a intenção de converter o país em um Estado “aberto para todas as religiões e todo o mundo”. O político, que ocupa o cargo de ministro da Defesa do país e de assistente do primeiro-ministro, fez estas declarações durante um fórum econômico celebrado em Riad.

“Continuaremos sendo aquilo que éramos antes: um país do islã moderado”, afirmou o príncipe. “Não vamos gastar 30 outros anos de vida com ideias destrutivas. Vamos eliminá-las”, adiantou, citado pela emissora Al Arabiya.

De acordo com a mídia, esta declaração do príncipe acaba por ser “um ataque mais direto de um funcionário de alto cargo” contra o estabelecimento religioso conservador do país árabe.

A vida da Arábia Saudita é regida pela Lei básica, de 10 capítulos e 83 artigos, um documento parecido — em certos aspectos — com constituições de outros países, assinala a edição russa RBK.

De acordo com o documento, aprovado em 1992, o islã é declarado a religião do país, e o Alcorão e a Suna (a compilação de instruções do profeta Maomé) são a Constituição “formal”.

A Lei básica apela a todos os cidadãos sauditas para que defendam a fé muçulmana e também recomenda a aplicação das leis da xaria pelos tribunais, entre outros aspectos.

Em meio a conflitos no Oriente Médio, Riad foi várias vezes acusada de apoiar, ou, pelo menos, manter uma postura neutra em relação a grupos extremistas sunitas.

Ademais, o país tem relações muito tensas com nações muçulmanas de maioria xiita, como o Irã, e também com grupos de dominação xiita, tais como houthis no Iêmen, país onde a Arábia Saudita realiza hoje em dia uma operação militar que afeta gravemente a situação humanitária.

Mohammad foi nomeado príncipe herdeiro em 21 de junho de 2017. O político visitou a Rússia três semanas antes de sua nomeação, onde se reuniu com o presidente russo. Em outubro, o próprio rei saudita, Salman bin Abdulaziz al Saud, fez uma visita histórica a Moscou para tratar diferentes temas políticos e os de cooperação bilateral.

Foto: © REUTERS/ Stringer

Fonte: Sputnik

 

 

 

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O que dizem os novos documentos sobre a morte de Kennedy

Arquivos sobre assassinato do ex-presidente mencionam trama para matar Fidel Castro, alerta do FBI para risco à vida de Lee Harvey Oswald e suspeitas do Kremlin de uma conspiração de “ultradireita” nos EUA.

O governo dos Estados Unidos divulgou milhares de documentos secretos relacionados à morte do ex-presidente John F. Kennedy nesta quinta-feira (26/10), oferecendo novos elementos sobre as circunstâncias que cercam um dos crimes mais controversos da história.

Apesar de muitos dos 2.891 registros divulgados pelo Arquivo Nacional serem material bruto e não corroborado, eles provavelmente deverão dar novo fôlego às persistentes teorias da conspiração em torno do assassinato de Kennedy em Dallas, no estado do Texas, em 22 de novembro de 1963.

Um plano audacioso da CIA para recrutar a máfia para matar o ditador cubano, Fidel Castro, o alerta do FBI à polícia texana sobre uma ameaça de morte ao assassino de Kennedy e o temor do Kremlin de que houvesse uma conspiração de “ultradireita” nos EUA são alguns dos destaques.

A coleção completa possui 3,1 mil documentos, e alguns arquivos foram retidos para revisão por motivos de segurança nacional.

Um documento datado de 1975 detalha como, nos primeiros dias da presidência de Kennedy, a CIA ofereceu 150 mil dólares ao mafioso ítalo-americano Sam Giancana para organizar o assassinato de Fidel. Em troca, Giancana pediu a ajuda da CIA para colocar um dispositivo de escuta no quarto de sua amante, uma dançarina de Las Vegas que ele pensava que estivesse tendo um caso.

Outras ideias possíveis para eliminar o líder comunista – tido como um apaixonado por mergulho – incluíam contaminar seu macacão de mergulho com bactérias causadoras de doenças ou armadilhar uma concha com uma bomba. O plano foi descartado quando se concluiu que “não havia, na área do Caribe, conchas grandes o suficiente para conter uma quantidade satisfatória de explosivos”.

Outro documento incluiu a transcrição de uma conversa de 24 de novembro de 1963 com o então diretor do FBI J. Edgar Hoover, que relata que a agência federal informou a polícia texana sobre uma ameaça à vida do assassino de Kennedy, Lee Harvey Oswald, na noite anterior ao assassinato de Oswald.

Embora muitas teorias ao longo dos anos tenham mencionado laços de Oswald com agentes cubanos ou soviéticos, um memorando do FBI em 1963 indica que a morte de Kennedy gerou preocupação na então União Soviética. De acordo com uma fonte, “funcionários do Partido Comunista da URSS acreditavam que havia uma conspiração bem organizada por parte da ‘ultradireita’ dos EUA para executar um ‘golpe'”. Os soviéticos temiam que o assassinato fosse usado como pretexto para “encerrar as negociações com a União Soviética, atacar Cuba e depois espalhar a guerra”.

Um outro arquivo diz que um jornal regional britânico, o Cambridge News, recebeu uma ligação anônima minutos antes de Kennedy ser assassinado. O memorando do então vice-diretor da CIA, James Angleton, diz que a pessoa que fez a ligação disse que “o repórter do Cambridge News deveria ligar para a embaixada americana em Londres por causa de um grande acontecimento e então desligou.”

Um memorando da CIA, também tornado público, sugere que Oswald falou com um agente da KGB na embaixada da Rússia na Cidade do México, em 28 de setembro de 1963. Segundo o documento, ele falou com Valeriy Vladimirovich Kostikov, um conhecido espião russo que trabalhava que trabalhava num setor responsável por assassinato e sabotagem. Depois, Oswald ligou para a embaixada e perguntou, em russo, se havia “algo de novo sobre o telegrama para Washington”.

A Comissão Warren, que investigou o assassinato do carismático ex-presidente, de 46 anos, determinou que Oswald, um ex-fuzileiro naval, agiu sozinho.

Trump não liberou tudo

Os arquivos liberados nesta quinta-feira são amplos em número e também em assuntos, abrangendo desde memorandos de diretores do FBI até entrevistas com pessoas de Dallas que procuraram a polícia para relatar o que testemunharam naquele dia único na história americana.

Ex-fuzileiro da Marinha Lee Harvey Oswald entre dois policiais de Dallas, em 22 de novembro de 1963

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que concordou em reter alguns documentos para uma revisão mais aprofundada devido à resistência das agências de inteligência. “Não tenho escolha – hoje – senão aceitar essas revisões em vez de permitir um dano potencialmente irreversível à segurança da nossa nação”, disse. Trump deu às agências seis meses – até 26 de abril de 2018 – para argumentar por que os documentos restantes não devem ser divulgados.

A CIA e o FBI podem estar bloqueando a liberação de certos documentos para acobertar seus próprios erros, argumentou Larry Sabato, professor de política na Universidade da Virgínia e autor do livro The Kennedy Half Century. “Eles tinham todas as indicações de que Oswald era um desajustado e um sociopata”, afirmou. Mas nenhuma das agências informou o Serviço Secreto, encarregado da proteção do presidente.

Oswald desertou para a União Soviética em 1959, mas retornou aos estados Unidos em 1962. Dois dias depois de matar Kennedy, ele foi morto por um dono de boate, Jack Ruby, quando estava sendo transferido da prisão municipal de Dallas.

Os 2.891 documentos aprovados para a divulgação, em conformidade com um ato do Congresso americano de 1992, estão no site do Arquivo Nacional (National Archives), em forma completa e sem edições.

Fonte: DW

EUA mantêm sigilo de parte de arquivos sobre morte de Kennedy

Arquivo Nacional disponibiliza em seu site 2,8 mil documentos, mas após pressão do FBI e da CIA, governo bloqueia parte do material sobre o assassinato do ex-presidente, ocorrido em 1963.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permitiu nesta quinta-feira (26/10) a divulgação de parte dos arquivos sigilosos sobre o assassinato de John F. Kennedy. Porém, o republicano cedeu a pressões do FBI e da CIA e bloqueou a liberação de centenas de documentos.

O Arquivo Nacional dos Estados Unidos disponibilizou em seu site, para consulta, mais de 2,8 mil documentos relacionados ao assassinato de Kennedy, que ocorreu em 22 novembro de 1963, em Dallas. A coleção completa possui mais de 3,1 mil documentos.

Para os documentos retidos ou censurados, Trump ordenou uma revisão ao longo dos próximos seis meses. Segundo funcionários do governo americano, o presidente deve voltar a se pronunciar sobre o assunto e talvez liberar mais alguns em abril de 2018.

“Não tenho outra opção neste momento a não ser aceitar essas revisões em vez de permitir um dano potencialmente irreversível à segurança da nossa nação”, afirmou Trump em comunicado, ao anunciar a decisão.

Imagem mostra Kennedy pouco antes do assassinato

Uma das funcionárias do governo que falaram com os jornalistas confirmou que a maioria dos pedidos para que Trump mantivesse censurados certos documentos vieram do FBI e da CIA.

Essas agências temem que os arquivos revelem “a identidade de indivíduos envolvidos e os seus papéis como informantes de uma informação de segurança e inteligência”, os quais ainda podem estar vivos, disse outro funcionário.

Em 1992, o Congresso americano decidiu que todos os documentos relacionados à investigação sobre o assassinato de Kennedy deveriam se tornar públicos até 26 de outubro de 2017.

O crime comoveu os Estados Unidos na época e gerou uma série de teorias de conspiração, por exemplo, que a morte do presidente havia sido encomendada pela máfia ou por Cuba.

Historiadores que pesquisam sobre o ataque contra Kennedy afirmaram que o acesso a esses documentos não deve oferecer novos detalhes surpreendentes sobre o motivo que levou o ex-fuzileiro naval Lee Harvey Oswald a atirar no presidente e também não deve responder à questão se havia mais alguém envolvido no atentado.

Os pesquisadores acreditam, porém, que a abertura dos arquivos possa ajudar a desfazer algumas das teorias de conspiração que surgiram sobre o caso.

Fonte: DW

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Você assistiu ao jornal ontem?

Foto ( CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO)

Caso não tenha assistido ao jornal ontem, peço não mais do que cinco minutos de sua atenção para informar-lhe do ocorrido, afinal, o homem moderno tem que se manter atualizado. A imprensa noticiou uma guerra entre facções. Um grupo fortemente armado com artefatos bélicos, destes que não se podem portar na cintura, em bolsas ou mesmo em mochilas. Destes que são destinados ao uso ostensivo e que disparam munição de “alta velocidade”, famosos por sua letalidade.

Houve mortos. Creio que não mostraram os ferimentos em rede nacional em razão da impropriedade do horário. Certamente, teriam que pedir para retirar crianças e pessoas impressionáveis da sala. O que apresentaram foram os impactos nas casas, as marcas nas paredes, nos eletrodomésticos, carros, vidros; as pessoas deitadas e buscando, desesperada e inutilmente, abrigo. Foram horas de terror!

Todas as imagens ficaram registradas pelas nesgas das janelas e cortinas, por cidadãos aprisionados em suas “cobertas” (nas comunidades, não existe abrigo contra tiros de fuzil). Livres mesmo só estavam os “combatentes”. Estes, sim, andavam em grupos, eram os donos do “teatro de operações”. Seria mentira afirmar que esses atores se locomoviam “livremente” pela rua. Não o faziam porque, nitidamente, utilizavam técnicas de progressão “aproveitando o terreno” e “os meios de fortuna” (os carros dos moradores).

Assistindo à televisão, veio-me, de imediato, uma antiga canção do período básico do soldado: cobertas e abrigos… assim faço meu avanço! Afinal, os pretensos delinquentes, ou melhor, “combatentes”, sabiam que estavam em confronto e que poderiam ser alvejados pelo inimigo. Entre os “aprisionados” espectadores da refrega, que enriqueceram a reportagem com suas imagens de celular, cobertos por detrás das cortinas e janelas, estavam os agentes dos órgãos de segurança pública (OSP).

Por ocasião das filmagens, foram captados os dizeres “se abaixa aí!” ou “se esconde aí!”, tornando patente a falta da condição de enfrentamento por parte das forças policiais. Não poderia ser diferente, porque o jornal mostrou que os malfeitores utilizavam equipamentos, técnicas, táticas e procedimentos definidos, que os qualificavam como combatentes para impor o domínio de sua facção em uma área definida.

Tal situação deixou de ser segurança pública há muito tempo. Tornou-se conflito armado entre grupos claramente identificáveis, não por uniformes, mas por procedimentos e equipamentos. Inclusive, a matéria mostrou, praticamente, uma companhia de fuzileiros, que constitui um grupo armado, organizado sob um comando capaz de desferir hostilidades de alta intensidade. Desse modo, a notícia culminou com algumas perguntas e diferentes comentários dos profissionais da mídia: por que as forças policiais não atuaram para defender a população? Por que as Forças Armadas não estão apoiando essas operações?

Sem ter pretensão de esgotar o assunto, uma vez que tão complexo tema paira acima da minha competência ou do meu completo conhecimento, trago à colação ideias que, certamente, comporiam alguma tentativa de explicação: os OSP não atuaram porque, pela natureza e pelos efeitos, a circunstância retratada não foi uma ocorrência de segurança pública. Simples assim.

Lembro-me de entrevista de notório Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, na qual explicava que uma operação de segurança pública bem planejada e bem conduzida seria aquela levada a efeito sem a necessidade de disparo de armas de fogo. Pois bem, sob essa ótica, não há força regular de segurança pública capaz de prestar o socorro que a comunidade conflagrada necessita, mesmo porque ações de segurança pública não podem ser reativas. Pelo contrário, em realidade, segurança pública é uma percepção possibilitada pelas ações rotineiras e comunitárias de uma plêiade de atores, que proporcionam a condição de tranquilidade para o desempenho das atividades econômicas e sociais da população. Não seria isso?

Para as Forças Armadas – ente estatal destinado, primordialmente, à defesa, cujo emprego em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) tem sido convocado diante do crescente desespero social provocado pela situação descrita no noticiário -, de fato, encontra-se ambiente jurídico definido, basicamente, pelo Artigo 142 da Constituição Federal, pela Lei Complementar 97/99, especificamente em seus artigos do 13º ao 19º, e pelo decreto 3897/01, que fornecem amparo suficiente para o emprego de tropa federal no contexto previsto, de acordo com o Artigo 144 da CF (Insuficiência dos Órgãos de Segurança Pública).

No entanto, como reportado no jornal, que pode não ter sido visto, ainda, por muita gente, a dinâmica recente do clamor social pelo emprego das forças militares parece apontar para uma nova necessidade: a de ações militares não mais, apenas, por sua natureza, mas, efetivamente, por seus efeitos. Isso quer dizer que o emprego das Forças Armadas (FA) no ambiente jurídico posto, conduziria, provavelmente, a resultados parecidos, uma vez que seu emprego ocorre em adição aos OSP. Não retrata, pois, mudança de atitude ante o oponente, por ser remédio que não cura a doença. É um paliativo, por sinal, muito caro.

As próprias ações nas comunidades do Alemão e da Maré ensinaram às FA brasileiras algo que já existe como lema entre os jurídicos colombianos: “A operação militar só termina quando não houver mais nenhum soldado com problemas na justiça, em virtude de enfrentamentos regulares com oponentes”. Essa preocupação fica clara quando o Comandante do Exército expressa a necessidade do estabelecimento da segurança jurídica para a perfeita execução da ação militar e de tudo o que ela pode acarretar.

Portanto, assim como outras sociedades que decidiram enfrentar realmente esse problema, a exemplo da Colômbia e do Peru, há que se reconhecer que, em nossa conjuntura, estão, sim, presentes os requisitos para amadurecer uma possível configuração de conflito armado (que já se prolonga), conforme exigem a doutrina e a jurisprudência internacionais, com destaque para a previsão do Artigo 8º, 2., f), do Estatuto de Roma, internalizado no ordenamento jurídico brasileiro. Nesse cenário, as forças militares teriam condição de eleger os integrantes da força oponente como legítimos alvos militares.

Ainda nesse enfoque e como exemplo, detalho alguns ditames do Protocolo I Adicional às Convenções de Genebra (1949), que tutelariam a ação das forças militares federais em conflitos internacionais, os quais transmitem bem a ideia das cautelas devidas à população:

Art 48. “A fim de garantir respeito e proteção à população civil e aos bens de caráter civil, as partes em conflito deverão sempre fazer distinção entre a população civil e os combatentes, entre bens de caráter civil e os objetivos militares e, em consequência, dirigirão suas
operações unicamente contra os objetivos militares.

Art 49. “Entendem-se por ataques os atos de violência contra o adversário,
sejam ofensivos, sejam defensivos.

Art 52. “Os ataques limitar-se-ão estritamente aos objetivos militares. […] os objetivos militares se limitam àqueles que, por sua natureza e localização, finalidade ou utilização, contribuam, eficazmente, para a ação militar ou cuja destruição total e parcial, captura ou neutralização ofereçam uma vantagem militar definida”.

Conforme visto, existe farta e consolidada jurisdição no contexto da Lei do Direito Internacional Humanitário (DIH). Notadamente, para o cenário reportado, teríamos o Artigo 3º comum às quatro Convenções de Genebra e o Protocolo Adicional II (conflitos não internacionais). Esses preceitos, uma vez recepcionados pela normatização que regule as ações das tropas federais em áreas conflagradas sob a égide do Direito Operacional, contribuiriam para o fornecimento da segurança jurídica necessária ao desencadeamento de operações tipicamente militares em ambiente de conflito armado não internacional (CANI).

Por oportuno, destaca-se que, doutrinariamente, as operações militares já são reguladas e conduzidas por diversos mecanismos, como as Ordens de Operações, as Normas de Engajamento e os Centros de Operações. Todos eles garantem a aplicação dos citados ditames em seu alcance exato para a consecução dos efeitos clamados pela opinião pública. Claro que essa não é medida simples, pois implica discussão e amadurecimento, que conduzam a uma decisão da sociedade, caso esta pretenda, realmente, “curar a doença”. O remédio é amargo, mas, talvez, seja a única alternativa realista para livrar a atual e as próximas gerações do quadro que situa o Brasil na posição de um dos países mais violentos do mundo, apesar de nossas tradições culturais e psicossociais de cordialidade e humanismo.

Quanto à reportagem? Se você não pôde assistir, não se preocupe. Basta ligar a TV em qualquer dia, em qualquer canal, a qualquer hora, quando, com certeza, passarão outras parecidas.

Fonte: Eblog

 “Braço Forte”

… É o nome da mais nova coluna que surgiu de uma parceria do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX) e o Plano Brasil. Criada com o objetivo de difundir as informações do Exército Brasileiro, a coluna divulgará os conteúdos produzidos pela Agência “Verde Oliva” bem como, trabalhos dos autores do Plano Brasil para os seus leitores, mantendo-os atualizados de maneira dinâmica, com informações segmentadas.

Esta iniciativa reforça o compromisso do Plano Brasil com os seus leitores e busca assim atender a sua missão primeira, difundir e dinamizar o conhecimento a cerca do setor de Defesa e Geopolítica de forma atualizada.

E.M.Pinto

Os conteúdos dos artigos publicados nesta coluna são de total responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a opinião do site.

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SEGURANÇA PÚBLICA: Governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão formula projeto para regulamentar necessidade de ensino superior para novos oficiais da PM

O governador Luiz Fernando Pezão assina um projeto de lei, enviado nesta terça-feira à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que pretende regulamentar o ingresso de novos oficiais na Polícia Militar. O ponto central da proposta é a inclusão da obrigatoriedade de o candidato ser bacharel em Direito, o que não tem previsão legal atualmente. O ingresso de oficiais não é regido por uma legislação própria.

No fim de 2016, a PM abriu um concurso para o ingresso de novos oficiais. Ao todo, 49 vagas foram oferecidas. Por meio de edital, a corporação cobrou dos concorrentes o curso superior em Direito, o que foi criticado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e pela Associação dos Delegados do Estado do Rio. Ambos questionaram a cobrança diante da inexistência de uma legislação que cite a exigência de bacharelado. A Justiça, porém, não acatou as queixas. Na justificativa, Pezão lembrou que o governo tem decisões favoráveis na Justiça, mas, diante dos questionamentos, pretende encerrar a discussão com a aprovação do novo projeto.

Procurada, a Polícia Militar informou que, diante da liberação dada pela Justiça, em junho deste ano, os 49 aprovados foram convocados e já se tornaram cadetes da corporação. Todos, ainda segundo a PM, são bacharéis em Direito, seguindo o que estava previsto no edital.

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O obscuro uso do Facebook e do Twitter como armas de manipulação política

A manipulação das redes sociais está afetando os processos políticos.

JAVIER SALAS

Tudo mudou para sempre em 2 de novembro de 2010, sem que ninguém percebesse. O Facebook introduziu uma simples mensagem que surgia no feed de notícias de seus usuários. Uma janelinha que anunciava que seus amigos já tinham ido votar. Estavam em curso as eleições legislativas dos Estados Unidos e 60 milhões de eleitores vieram aquele teaser do Facebook. Cruzando dados de seus usuários com o registro eleitoral, a rede social calculou que acabaram indo votar 340.000 pessoas que teriam ficado em casa se não tivessem visto em suas páginas que seus amigos tinham passado pelas urnas.

Dois anos depois, quando Barack Obama tentava a reeleição, os cientistas do Facebook publicaram os resultados desse experimento político na revista Nature. Era a maneira de exibir os músculos diante dos potenciais anunciantes, o único modelo de negócio da empresa de Mark Zuckerberg, e que lhe rende mais de 9 bilhões de dólares por trimestre. É fácil imaginar o quanto devem ter crescido os bíceps do Facebook desde que mandou para as ruas centenas de milhares de eleitores há sete anos, quando nem sequer havia histórias patrocinadas.

Há algumas semanas, o co-fundador do Twitter, Ev Williams, se desculpou pelo papel determinante que essa plataforma desempenhou na eleição de Donald Trump, ao ajudar a criar um “ecossistema de veículos de comunicação que se sustenta e prospera com base na atenção”. “Isso é o que nos torna mais burros e Donald Trump é um sintoma disso”, afirmou. “Citar os tuítes de Trump ou a última e mais estúpida coisa dita por qualquer candidato político ou por qualquer pessoa é uma maneira eficiente de explorar os instintos mais baixos das pessoas. E isso está contaminando o mundo inteiro”, declarou Williams.

“Citar a coisa mais estúpida que qualquer político diga é uma maneira de explorar os instintos mais baixos das pessoas. Isso está contaminando o mundo inteiro”, declarou o fundador do Twitter

Quando perguntaram a Zuckerberg se o Facebook tinha sido determinante na eleição de Trump, ele recusou a ideia dizendo ser uma “loucura” e algo “extremamente improvável”. No entanto, a própria rede social que ele dirige se vangloria de ser uma ferramenta política decisiva em seus “casos de sucesso” publicitários, atribuindo a si mesma um papel essencial nas vitórias de deputados norte-americanas ou na maioria absoluta dos conservadores britânicos em 2015.

O certo é que é a própria equipe de Trump quem reconhece que cavalgou para a Casa Branca nas costas das redes sociais, aproveitando sua enorme capacidade de alcançar usuários tremendamente específicos com mensagens quase personalizadas. Como revelou uma representante da equipe digital de Trump à BBC, o Facebook, o Twitter, o YouTube e o Google tinham funcionários com escritórios próprios no quartel-general do republicano. “Eles nos ajudaram a utilizar essas plataformas da maneira mais eficaz possível. Quando você está injetando milhões e milhões de dólares nessas plataformas sociais [entre 70 e 85 milhões de dólares no caso do Facebook], recebe tratamento preferencial, com representantes que se certificam em satisfazer todas as nossas necessidades”.

E nisso apareceram os russos

A revelação de que o Facebook permitiu que, a partir de contas falsas ligadas a Moscou, fossem comprados anúncios pró-Trump no valor de 100.000 dólares colocou sobre a mesa o lado negro da plataforma de Zuckerberg. Encurralado pela opinião pública e pelo Congresso dos Estados Unidos, a empresa reconheceu que esses anúncios tinham alcançado 10 milhões de usuários. No entanto, um especialista da Universidade de Columbia, Jonathan Albright, calculou que o número real deve ser pelo menos o dobro, fora que grande parte de sua divulgação teria sido orgânica, ou seja, viralizando de maneira natural e não só por patrocínio. A resposta do Facebook? Apagar todo o rastro. E cortar o fluxo de informações para futuras investigações. “Nunca mais ele ou qualquer outro pesquisador poderá realizar o tipo de análise que fez dias antes”, publicou o The Washington Post há uma semana. “São dados de interesse público”, queixou-se Albright ao descobrir que o Facebook tinha fechado a última fresta pela qual os pesquisadores podiam espiar a realidade do que ocorre dentro da poderosa empresa.

Esteban Moro, que também se dedica a buscar frestas entre as opacas paredes da rede social, critica a decisão da companhia de se fechar em vez de apostar na transparência para demonstrar vontade de mudar. “Por isso tentamos forçar que o Facebook nos permita ver que parte do sistema influi nos resultados problemáticos”, afirma esse pesquisador, que atualmente trabalha no Media Lab do MIT. “Não sabemos até que ponto a plataforma está projetada para reforçar esse tipo de comportamento”, afirma, em referência à divulgação de falsas informações politicamente interessadas.

“Seus algoritmos são otimizados para favorecer a difusão da publicidade. Corrigir isso para evitar a propagação de desinformação vai contra o negócio”, explica Moro

O Facebook anunciou que contará com quase 9.000 funcionários para editar conteúdos, o que muitos consideram um remendo em um problema que é estrutural. “Seus algoritmos estão otimizados para favorecer a difusão de publicidade. Corrigir isso para evitar a propagação de desinformação vai contra o negócio”, explica Moro. A publicidade, principal fonte de rendas do Facebook e do Google, demanda que passemos mais tempos conectados, interagindo e clicando. E para obter isso, essas plataformas desenvolvem algoritmos muito potentes que criaram um campo de batalha perfeito para as mentiras polícias, no qual proliferaram veículos que faturam alto viralizando falsidades e meia-verdades polarizadas.

“É imprescindível haver um processo de supervisão desses algoritmos para mitigar seu impacto. E necessitamos de mais pesquisa para conhecer sua influência”, reivindica Gemma Galdon, especialista no impacto social da tecnologia e diretora da consultoria Eticas. Galdon destaca a coincidência temporal de muitos fenômenos, como o efeito bolha das redes (ao fazer um usuário se isolar de opiniões diferentes da sua), o mal-estar social generalizado, a escala brutal na qual atuam essas plataformas, a opacidade dos algoritmos e o desaparecimento da confiança na imprensa. Juntos, esses fatos geraram “um desastre significativo”. Moro concorda que “muitas das coisas que estão ocorrendo na sociedade têm a ver com o que ocorre nas redes”. E aponta um dado: “São o único lugar em que se informam 40% dos norte-americanos, que passam nelas três horas por dia”.

A propaganda informática é “uma das ferramentas mais poderosas contra a democracia”, segundo especialistas de Oxford, e por isso as redes “precisam se redesenhar para que a democracia sobreviva”

A diretora de operações do Facebook, Sheryl Sandberg, braço direito de Zuckerberg, defendeu a venda de anúncios como os russos, argumentando que se trata de uma questão de “liberdade de expressão”. Segundo a agência de notícias Bloomberg, o Facebook e o Google colaboraram ativamente em uma campanha xenófoba contra refugiados para que fosse vista por eleitores-chave nos estados em disputa. O Google também aceitou dinheiro russo para anúncios no YouTube e no Gmail. Não em vão, o Facebook tem pressionado há anos para que não seja afetado pela legislação que exige que a mídia tradicional seja transparente na contratação de propaganda eleitoral. Agora, o Senado pretende legislar sobre a propaganda digital contra a pressão dessas grandes plataformas tecnológicas, que defendem a autorregulação. Tanto o Twitter quanto o Facebook expressaram recentemente a intenção de serem mais transparentes nesta questão.

A responsabilidade do Twitter

Em meados deste ano, o Instituto de Internet da Universidade de Oxford publicou um relatório devastador, analisando a influência que as plataformas digitais estavam tendo sobre os processos democráticos em todo o mundo. A equipe de pesquisadores estudou o que aconteceu com milhões de publicações nos últimos dois anos em nove países (Brasil, Canadá, China, Alemanha, Polônia, Taiwan, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos) e concluiu, entre outras coisas, que “os bots [contas automatizadas] podem influenciar processos políticos de importância mundial”.

Facebook, Twitter, YouTube e Google tinham funcionários com escritório próprio no quartel-general de Trump: “Quando você injeta tantos milhões, tem tratamento preferencial”

Nos EUA, os republicanos e a direita supremacista usaram exércitos de bots para “manipular consensos, dando a ilusão de uma popularidade on-line significativa para construir um verdadeiro apoio político” e para ampliar o alcance de sua propaganda. E concentraram seus esforços nos principais estados em disputa, que foram inundados com notícias de fontes não confiáveis. Em países como a Polônia e a Rússia, grande parte das conversas no Twitter é monopolizada por contas automatizadas. Em estados mais autoritários, as redes são usadas para controlar o debate político, silenciando a oposição e, nos mais democráticos, aparecem as cibertropas para intencionalmente contaminar as discussões. As plataformas não informam nem interferem porque colocariam “sua conta em risco”.

“Os bots utilizados para a manipulação política também são ferramentas eficazes para fortalecer a propaganda on-line e as campanhas de ódio. Uma pessoa, ou um pequeno grupo de pessoas, pode usar um exército de robôs políticos no Twitter para dar a ilusão de um consenso de grande escala”, afirma a equipe da Oxford. E concluem: “A propaganda informática é agora uma das ferramentas mais poderosas contra a democracia” e é por isso que as plataformas digitais “precisam ser significativamente redesenhadas para que a democracia sobreviva às redes sociais”.

Zuckerberg diz que é “loucura” pensar que o Facebook pode definir eleições, mas se gaba de fazer isso em seu próprio site

O Twitter também deletou conteúdo de valor potencialmente insubstituível que ajudaria a identificar a influência russa na eleição de Trump. Mais recentemente, pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia alertaram sobre o desenvolvimento de um mercado paralelo de bots políticos: as mesmas contas que antes apoiaram Trump, tentaram mais tarde envenenar a campanha na França a favor de Le Pen e, depois, produziram material em alemão colaborando com o partido neonazista Afd. Zuckerberg prometeu fazer o possível para “garantir a integridade” das eleições alemãs. Durante a campanha, sete das 10 notícias mais virais sobre a primeira-ministra alemã Angela Merkel no Facebook eram falsas. O portal ProPublica acaba de revelar que a rede social tolerou anúncios ilegais que espalhavam informações tóxicas contra o Partido Verde alemão.

Galdon trabalha com a Comissão Europeia, a qual considera “muito preocupada” nos últimos meses em dar uma resposta a esses fenômenos, pensando em um marco europeu de controle que, atualmente, está muito longe de ser concretizado. “Há quem aposte pela autorregulação, quem acredite que deve haver um órgão de supervisão de algoritmos como o dos medicamentos e até mesmo quem peça que os conteúdos sejam diretamente censurados”, diz a pesquisadora. Mas Galdon destaca um problema maior: “Dizemos às plataformas que precisam atuar melhor, mas não sabemos o que significa melhor. As autoridades europeias estão preocupadas, mas não sabem bem o que está acontecendo, o que mudar ou o que pedir exatamente”.

SAIR DA BOLHA

Tem sido muito discutido o verdadeiro impacto do risco das bolhas de opinião geradas pelas redes, depois do alerta do ativista Eli Pariser. “Esse filtro, que acaba reforçando nossos próprios argumentos, está sendo decisivo”, alerta Galdon. Recentemente, Sheryl Sandberg, do Facebook, disse que a bolha era menor em sua plataforma do que na mídia tradicional (embora tenha negado categoricamente que sua empresa possa ser considerada um meio de comunicação). Cerca de 23% dos amigos de um usuário do Facebook têm opiniões políticas diferentes desse amigo, de acordo com Sandberg.

“Sabemos que as dinâmicas do Facebook favorecem o reforço de opiniões, que tudo é exacerbado porque buscamos a aprovação do grupo, porque podemos silenciar pessoas das quais não gostamos, porque a ferramenta nos dá mais do que nós gostamos. E isso gera maior polaridade”, diz Esteban Moro. Um exemplo: um estudo recente do Pew Research Center mostrou que os políticos mais extremistas têm muito mais seguidores no Facebook do que os moderados. “Vivemos em regiões de redes sociais completamente fechadas, das quais é muito difícil sair”, afirma. E propõe testar o experimento de seus colegas do Media Lab, do MIT, que desenvolveram a ferramenta FlipFeed, que permite entrar na bolha de outro usuário do Twitter, vendo sua timeline: “É como se você fosse levado de helicóptero e lançado no Texas sendo eleitor de Trump. Assim você percebe o quanto vivemos em um ecossistema de pessoas que pensam exatamente como nós”.

Fonte: El País