Defesa & Geopolítica

J-20 um verdadeiro marco tecnológico e estratégico para a China

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E.M.Pinto

Sugestão- Dragão Vermelho-Taiwan

Informações: mil.news.sina.com.cn. e Tiananmens Tremendous Achievements.

Em outubro de 2016, a Editora da Indústria da Aviação da China publicou abertamente ao público uma coleção de artigos assinadas por Gu Songfen e um de seus colegas da Academia Chinesa de Engenharia, o qual revela a estimativa do progresso e dos custos no desenvolvimento do caça chinês J-20 o trabalho replicado em diversos sites Chineses e Taiwaneses.

De acordo com os autores, os custos totais de pesquisa e desenvolvimento em 2002 referentes ao caça furtivo J-20, são estimados em US$ 5,62 bilhões, incluindo a fabricação, teste de 8 protótipos e pré-produção. A pesquisa e o desenvolvimento da fuselagem custaram US$ 3,02 bilhões, o motor, US$ 900 milhões, já os  equipamentos eletrônicos e armas, US$ 1,1 bilhões e US$ 500 milhões, respectivamente.

O preço de um único avião segundo eles, varia entre US$ 68 e US$ 75 milhões, um valor bem mais elevado que os US$ 35 milhões gastos num Su-27, porém, muito inferior ao dos F-22 e F-35, cujos programas de desenvolvimento custaram US $ 19,5 bilhões e US $ 60 bilhões, respectivamente.

Sobre as capacidades do caça Chinês, um  trabalho minucioso  descreve o cenário de operações do jato e relembra que a estratégia militar dos EUA se concentra em quebrar o anti-acesso e promover a negação área ao inimigo (A2 / AD). Isto porque os EUA consideram como a chave da sua segurança nacional a capacidade de subjulgar e posteriormente atacar o seu inimigo. Como resultado, os caças norte-americanos além de possuírem furtividade para o combate aéreo, devem ser capazes de penetrar às defesas aéreas inimigas e atacarem, permanecendo equipados com armas ar-terra.

Tal como o programa SU-57 Russo(T-50), o J-20 chinês teria sido desenvolvido para resistir ao ataque inimigo, de modo que ambos consideram o combate aéreo a capacidade chave para conquistar a supremacia aérea sobre outros caças furtivos. Ambos os caças são notadamente pouco furtivos em suas seções de ré, isto se deve ao perfil de combate os quais são desenhados, para o combate ar-ar e interdição, estes caças em sua gigantesca maioria de hipóteses, enfrentarão seus adversários em combates frontais a quando de suas incursões.

Nestas condições, as assinaturas RCS são tão reduzidas quanto a dos seus adversários e este deixa de ser um fator de inferioridade, ao contrário, agilidade e poder de radar são os fatores mais proeminentemente desejáveis, nese quesito o J-20 terá a maior antena de radar AESA já embarcada em uma aeronave de combate, cujos modos de varredura são cerca de 1,2 vezes superiores aos utilizados no atual F 22- raptor.

Se um J-20 e seu inimigo (F-22, F-35, Su 57) voam na velocidade Mach 2,0 em confronto hipoteticamente frontal, o caça terá apenas 2,3 minutos para o contato visual e encontro. Netas condições, ambos possuem acuidade suficiente para descobrir o inimigo furtivo à pelo menos 150 km de distância.

Ao disparar um míssil que atinge velocidades de Mach 4, ambos os pilotos dispõe de apenas 90 segundos para descobrir se seus mísseis atingiram o alvo e então terão apenas mais 48 segundos para lançarem um segundo ataque com mísseis.

Pode-se dizer que após este período, só lhes resta o combate em Dog Fight, e daí é inegável que o F-35 é inferior e se daria muito mal, porém os caças de maior desempenho como o F-22 e Su-57 que foram desenhados para maior capacidade de manobra, seriam inimigos mais difíceis, sendo provavelmente o SU-57 o maior adversário dado que foi projetado na mesma filosofia do J-20.

É por essa razão que a China está satisfeita com o seu J-20, apesar da elevada visibilidade de suas tubeiras  da seção traseira da aeronave e da falta de capacidade para penetrar na defesa aérea inimiga, o J-20 venceria facilmente os adversários em determinados cenários e em outros teria que lançar mão de outros fatores condicionais como o preparo de suas tripulações.

Se por um lado o relativo elevado RCS traseiro é um é um fator de inferioridade em relação ao F-22 e F-35, este é contrabalançado pela capacidade de combate aéreo em arena BVR e WVR. Fator este que inevitavelmente teve de ser  negligenciado nos caças americanos em prol da furtividade necessária para o ataque ao solo.

Ressalta-se que ambos os caças F-22 e F-35 nunca foram projetados para atacar a China, para tal os Estados Unidos focam esta capacidade nos Bombardeiros Atuais, B-2 e no projeto em desenvolvimento o B-21. Porém é presumível que para a escolta de bombardeiros furtivos em um eventual ataque, os Estados Unidos enviarão vagas de caças furtivos como suas escoltas e ai se desenha o cenário de confronto Ar-ar esperado para o J-20.

Porém, até agora aceitava-se na máxima de que, tal como o modelo russo, o J-20 chinês possuía um elevado RCS na seção traseira, entretanto isto parece não ser verdade. Relatórios recentes sobre os novos motores WS-10X (algumas vezes relatado como WS-15) apresentam redução tanto na emissão Infra Vermelho (IR) quanto na Seção cruzada de Radar ( Radar Cross Section-RCS), por outro lado, ainda não está claro se o desenho das tubeiras permanecerá tal e qual como visto nos protótipos, algumas fontes atestam que o vetor final possuirá um sistema de vetorização de fluxo capaz de reduzir a assinatura do Radar (RCS) e IR, por hora o que vemos é um escape e pós combustor bastante reflexivo ao RCS e IR.

Sobre o motor definitivo, num artigo de 09 de setembro do Science Popular afirma que um novo protótipo J-20 já está equipado com novo motor WS-10X o qual possui potência adicional em relação a versão anterior estimada entre 14 e 15 KN o qual permite que o J-20 realize supercruise sem o uso dos pós-combustores, reduzindo a assinatura IR e o gasto de combustível. O artigo destaca que a China tornou-se capaz de produzir motores aeronáuticos de vanguarda ao produzir a desejada superliga composta de Rênio Níquel (ReNi).

Ao ressaltar o atraso de décadas no desenvolvimento do WS-10 e de outros motores aeronáuticos devido ao estágio de controle de qualidade em relação a lâminas monocristalinas da turbina o artigo destaca, “esta etapa foi superada”. Os chineses atingiram há poucos anos o que todos imaginavam ser impossível para eles, a produção de um motor de alto desempenho comparável aos mais modernos ocidentais.  O domínio da superliga ReNi não apenas ajudará a China a construir motores de combate mas também, dos motores aeronáuticos civis.

Como então a China foi capaz de tal feito?

Obviamente é assim que perguntam-se os mais céticos relutantes em assumir a nova realidade mundial, a resposta pode ter sido dada pelo “Global Times” que em um artigo dedicado ao tema, afirma que os especialistas chineses não possuíam tal know how,  entretanto, esta tecnologia é plenamente dominada pelos Russos e pelos Ucranianos há décadas e, que as recentes cooperações e mesmo a contratação de cérebros vindos especialmente do segundo país, acelerou o desenvolvimento de tais tecnologia já aplicadas  por ambos os países e que agora mais recentemente, passaram a fazer parte do escopo de tecnologias estratégicas das quais a China torna-se plenamente independente.

Nos artigos publicados recentes, os chineses afirmam que o WS-10X possui temperatura de cerca de 1474 ºC que se confirmada, é a maior do mundo. Não é de admirar que este motor seja muito mais poderoso do que o AL-31F. Sua confiabilidade segundo os fabricantes chineses é equivalente à dos motores americanos, com um ciclo de vida de 900 horas a mais do que a do AL-31F russo.

Uma vez que a aeronave já foi atestada por especialistas ocidentais como sendo um vetor de RCS elegível de uma aeronave 5G, a resolução dos problemas com os motores (potência e supercruise) tornaram inevitavelmente o J-20 um verdadeiro e genuíno caça de 5ª Geração, dentro do prazo pelo qual os chineses estimaram para o seu desenvolvimento, para surpresa e perplexo dos seus mais ferrenhos opositores céticos.

 

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