Defesa & Geopolítica

Merkel critica novas sanções dos EUA contra Rússia

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Por meio de porta-voz, chanceler federal alemã afirma que medidas punitivas não podem prejudicar economia europeia. Para Berlim, projeto de lei americano é interferência ilegal na segurança energética da UE.

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, criticou o Senado dos Estados Unidos pela aprovação de novas sanções à Rússia. Merkel afirmou que o impacto sobre as empresas europeias seria “desconcertante” e “não pode ocorrer”, segundo comunicado do porta-voz Steffen Seibert, nesta sexta-feira (16/06).

“É estranho que, ao sancionar o comportamento da Rússia, levando em conta as eleições nos EUA, por exemplo, que a economia europeia se torne alvo de sanções americanas. Isso não pode acontecer”, disse Seibert.

“Geralmente rejeitamos sanções com efeitos extraterritoriais, que significam um impacto a países terceiros”, afirmou o porta-voz. “A decisão do Senado dos EUA levanta para Merkel exatamente as mesmas questões mencionadas por [Christian] Kern e [Sigmar] Gabriel. É, para dizer o mínimo, uma medida peculiar do Senado dos EUA.”

Desta forma, Merkel apoia seu ministro do Exterior, Sigmar Gabriel, um dia depois que ele e o chanceler federal da Áustria, Christian Kern, emitiram uma declaração conjunta que criticava a expansão das sanções dos EUA.

As novas penalidades, aprovadas pelo Senado americano nesta quinta-feira, incluem um parágrafo que ameaça punir companhias europeias que avançarem com programas de exportação de energia firmados com a Rússia. Esses incluem o controverso gasoduto Nord Stream 2, que dobraria até o ano de 2019 a quantidade de gás russo vindo à Alemanha por meio do gasoduto Nord Stream 1, que corta o Mar Báltico.

Alemanha e Áustria veem a medida americana como interferência ilegal na segurança energética da União Europeia (UE). “O fornecimento de energia da Europa é uma questão da Europa, e não dos Estados Unidos”, afirmaram Gabriel e Kern em comunicado.

Ameaçar empresas europeias “com sanções, caso participem ou financiem projetos de gás natural como o Nord Stream 2 traz um sabor completamente novo e muito negativo para o relacionamento entre Europa e Estados Unidos”, lê-se na declaração.

Na quinta-feira, o Senado americano decidiu aprovar, por ampla maioria, um projeto de lei que impõe novas sanções à Rússia devido ao envolvimento de Moscou na Ucrânia e na Síria, além da alegada interferência nas últimas eleições presidenciais nos EUA. O projeto de lei ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Representantes e ser assinado pelo presidente Donald Trump.

Fonte: DW

Senado dos EUA aprova novas sanções contra Rússia

O Senado dos Estados Unidos votou nesta quarta-feira a favor da imposição de mais sanções contra a Rússia por sua suposta ingerência nas eleições presidenciais de 2016, apesar da advertência do secretário de Estado, Rex Tillerson, de que essa medida poderia impedir um “diálogo construtivo” com Moscou.

Por 97 votos a favor e apenas dois contra, os senadores validaram um plano bipartidário sobre a Rússia que será incluído em outra lei com sanções ao Irã que a câmara alta pode aprovar esta semana.

O plano, que necessita ainda da autorização da Câmara dos Representantes e da Casa Branca, ampliaria as sanções aos setores de defesa e inteligência militar da Rússia e aos responsáveis pelos ciberataques, e limitaria a capacidade do presidente Donald Trump de suspender essas restrições.

Tillerson expressou nesta semana sua reticência sobre esse pacote de sanções, ao advertir que poderia pôr em perigo o esforço que ele lidera para endireitar as relações com Moscou, em particular no relativo à Síria.

“Peço ao Congresso para assegurar-se que qualquer legislação permita ao presidente ter a flexibilidade para ajustar as sanções para adaptar-se às necessidades do que sempre é uma situação diplomática mutável”, disse hoje Tillerson durante uma audiência perante o Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara.

“Pedimos flexibilidade para subir a temperatura quando seja necessário, mas também para assegurar-nos que podemos manter um diálogo construtivo”, acrescentou o titular de Exteriores dos EUA.

O plano aprovado pelo Senado imporia novas sanções a quem efetua “atividades cibernéticas maliciosas” em nome de Moscou, a quem fornece armas ao governo do presidente sírio, Bashar al Assad, e a pessoas vinculadas aos setores de inteligência e defesa da Rússia, entre outras.

O acordo também dá ao Congresso 30 dias – ou 60 dias se for próximo ao recesso de agosto – para revisar e potencialmente bloquear a ação de Trump, caso o governante decida suspender ou relaxar as sanções contra Moscou.

Além disso, o acordo complica a suspensão das sanções já impostas à Rússia pelo governo do presidente anterior, Barack Obama, e permite estendê-las a setores da economia russa.

“É hora de responder ao ataque russo à democracia americana com força, com determinação, com unidade e com ação”, disse o senador republicano John McCain antes da votação no plenário do Senado.

A ação do Senado acontece em meio às investigações no Congresso e no Departamento de Justiça sobre a suposta ingerência russa nas eleições presidenciais, e os possíveis laços com Moscou da campanha de Trump.

EFE

Fonte: Terra

 

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