Defesa & Geopolítica

‘Ao apoiarem os curdos, EUA visam realizar o plano de criar um segundo Israel’

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O presidente do partido não parlamentar turco Pátria, Dogu Perincek, falou sobre uma série de questões geopolíticas atuais, tais como a importância dos laços turco-russos para a estabilidade na região, a iniciativa dos curdos iraquianos para conduzir um referendo de independência e a crise qatarense.

Ao comentar as relações turco-russas em desenvolvimento, bem como o seu impacto positivo sobre a região em geral, Perincek afirmou: “As relações entre os dois países se ampliaram até uma parceria, tanto a nível regional como global. O caráter da cooperação entre a Turquia e a Rússia adquiriu um caráter estratégico, o que desempenha um papel altamente positivo para ambos os lados”, afirmou o político à Sputnik Turquia.

Falando da crise relacionada com o Qatar, o político sublinhou: “A situação em torno do Qatar reflete a polarização, a confrontação que existe no mundo hoje em dia. Os EUA fizeram a Arábia Saudita e uma série dos países do golfo Pérsico voltarem às costas ao Qatar.”

“Porém, países como a Turquia, a Rússia e o Irã opõem resistência a esta frente. Como contrapeso ao bloco americano, se criou uma frente eurasiática forte, por isso se pode dizer que os EUA já perderam esta batalha”, sublinhou.

Perincek frisou que a iniciativa do Governo Regional do Curdistão iraquiano de realizar um referendo sobre a independência é um fruto dos esforços do “bloco de forças encabeçado pelos EUA e Israel”.

“À medida que os EUA tentam compensar o enfraquecimento das suas posições na região, eles ficam cada vez mais presos em um pântano de contradições. Os EUA visam realizar o plano para criar um segundo Israel ao apoiarem os curdos e sua ideia de um Estado independente. Entretanto, não há hipótese que este plano se concretize, porque os EUA enfrentam resistência de tais forças como a Turquia, o Irã, a Rússia e o Iraque”, explicou o político turco.

Segundo expressou Perincek, a política externa dos EUA na região pode ser chamada de uma “aventura no Oriente Médio” que resultou em perdas no valor de 16 trilhões de dólares para o país e não trouxe nenhuns dividendos, sendo que este fato foi confirmado pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump.

“Já que o ‘Estado profundo’ tomou Trump de refém, este ficou incapaz de realizar seu plano para a política externa. O principal objetivo de Trump era uma política mais passiva no Oriente Médio e, em compensação, um aumento de pressão sobre a Alemanha e a China”, pormenorizou.

Porém, disse o político, as elites americanas não permitiram que Trump o fizesse. Ou seja, dentro dos EUA se trava uma luta política interna feroz, enquanto Washington continua perdendo sua influência na região. “O fato dos EUA terem escolhido o Qatar como alvo não é nada surpreendente. Amanhã, a própria Arábia Saudita se pode tornar esse alvo”, precisou.

“Neste contexto, os passos da Turquia ganham cada vez mais peso. Ancara já estabeleceu uma parceria com a Rússia e agora precisa de estender a mão da amizade à Síria para resistirem juntos às ações dos EUA”, assinalou.

Foto: © AFP 2017/ Safin Hamed

Fonte: Sputnik News

 

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