Defesa & Geopolítica

Ancara e Doha já preparam o deslocamento das tropas turcas para Qatar

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Uma delegação militar turca desembarcou em Qatar no dia 12 de junho com tarefa de preparar a base militar para receber as forças armadas turcas, em meio a uma crise diplomática entre Doha e outros estados árabes, informou o Estado Maior da Turquia, em uma declaração obtida pela Sputnik nesta terça-feira.

“Nossa delegação de três pessoas foi enviada para o Qatar no dia 12 de junho. Continua preparando a base para a implantação das tropas turcas, realizando o trabalho necessário e estabelecendo atividades de coordenação”, acrescentou o comunicado.

O Estado Maior turco destacou que o acordo de cooperação para a implantação das forças armadas turcas no Qatar, com a finalidade de treinamento militar, é de 15 de junho de 2015, e que as atividades para sua implementação começaram em outubro do mesmo ano.

De acordo com o embaixador turco no Qatar, Ahmet Demirok, cerca de 3 mil soldados de todas as corporações serão deslocadas para a base no Qatar.

No dia 5 de junho, Arábia Saudita, EAU, Egito e Bahrein romperam as relações diplomáticas com Qatar, acusando o país de apoiar o terrorismo e de interferir em assuntos internos dos países árabes. O rompimento foi seguido pelas Maldivas, Maurícias e Mauritânia. Senegal, Niger e Chade convocaram os seus embaixadores de Doha. Jordânia e Djibouti reduziram as atividades das suas representações diplomáticas no país.

No dia 6 de junho, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou que a Turquia continuará desenvolvendo suas relações com o Qatar e que empreenderá esforços para resolver a crise através do diálogo.

Na sexta-feira, Erdogan aprovou uma lei que permite a implantação de tropas turcas no Qatar, em meio à crise diplomática entre Doha e outros estados árabes. O presidente turco afirmou que Doha não apoia o terrorismo.

Foto: © AFP 2017/ DIMITAR DILKOFF

Fonte: Sputnik News

‘Arábia Saudita está se preparando para invadir Qatar’

O rompimento dos laços econômicos de Riad com Doha evidencia a intenção da Arábia Saudita de invadir o país vizinho em grande escala, declarou à Sputnik o fundador do Instituto de Estudos do Golfo Pérsico, Ali Ahmed, citando fontes militares anônimas que estão na fronteira com Qatar.

O especialista sublinhou que a invasão pode acontecer muito antes do que pensam.

“Concentrem-se somente na frequência dos bombardeios no Iêmen… O momento-chave será quando for reduzido o número de ataques aéreos sauditas contra posições dos rebeldes iemenitas. Isso significará que Riad começa a concentrar suas forças na fronteira para levar a cabo um ataque surpresa contra Qatar”, explicou o especialista.

Além disso, o analista destacou que tanto Donald Trump como o secretario de Estado dos EUA, Rex Tillerson, que possuem vínculos estreitos com a família real saudita há 15 anos, vão financiar a invasão ao Qatar.

“Trump já disse aos sauditas que não possui objeções”, apontou analista.

O especialista sublinhou que em caso de invasão, Arábia Saudita será apoiada pelo Egito, Emirados Árabes Unidos e, especialmente, por Bahrein, país que conta com navios da Quinta Frota dos EUA em sua costa.

“Os sauditas estão muito irritados com Doha e não permitirão que o Iêmen seja independente. Riad se prepara para invadir Qatar. Por outro lado, Bahrein odeia Qatar”, destacou Ali Ahmed.

O especialista sublinhou que a Arábia Saudita possui dois grandes objetivos na região: primeiro, pretende fazer com que Doha se torne um “servente” de Riad, assim como já fez com o Governo atual de Sanaa; segundo, planeja obter as reservas de dinheiro qatarenses.

De acordo com Ahmed, “a política saudita se baseia no roubo e no saque desde a sua fundação, visto que os sauditas eram piratas do deserto e agora voltam a necessitar desesperadamente de dinheiro”.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro para os sauditas que espera que consigam mais dinheiro para apoio militar norte-americano.

“Os sauditas precisam de mais dinheiro. Agora, com a demanda de Trump, ficarão sem dinheiro e por isso estão desesperados por novas infusões de dinheiro”, concluiu o especialista.

Foto: © AP Photo/ SPA

Fonte: Sputnik News

 

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