Defesa & Geopolítica

May acusa europeus de tentar influenciar eleições britânicas

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Em início de campanha eleitoral, premiê afirma que líderes europeus lançam ameaças ao Reino Unido para tentar impedir o Brexit e destaca que vencedor das eleições precisa conseguir melhor acordo para os britânicos.

May faz acusações no início oficial da campanha eleitoral

A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, acusou nesta quarta-feira (03/05) políticos e líderes europeus de tentarem influenciar as eleições britânicas, marcadas para 8 de junho, para impedir o Brexit.

“Alguns, em Bruxelas, não querem o êxito das negociações, não querem que o Reino Unido tenha êxito”, disse a premiê em frente à residência oficial, no número 10 de Downing Street, depois de ter comunicado formalmente à rainha Elizabeth a dissolução do Parlamento e o início oficial da campanha eleitoral.

May afirmou ainda que a imprensa europeia está deturpado a posição de negociação do Reino Unido e acusou a Comissão Europeia de endurecer sua postura sobre o processo do Brexit.

“Políticos e funcionários europeus lançaram ameaças contra o Reino Unido. Todos estes atos foram programados de maneira deliberada para influenciar o resultado das eleições”, acrescentou a primeira-ministra.

No discurso, May desmentiu também a notícia de um jornal alemão de que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, teria dito a premiê que o Brexit poderia não ser um sucesso. A primeira-ministra disse que a notícia não passa de um boato.

Líderes europeus e representantes da União Europeia não comentaram as acusações de May, cujo Partido Conservador lidera nas intenções de voto e aparece bem à frente do Partido Trabalhista. A premiê frisou que os vencedores das eleições vão ter como principal missão “obter o melhor acordo possível para o Reino Unido”.

May anunciou eleições antecipadas em 18 de abril. A primeira-ministra procura reforçar a sua maioria conservadora no Parlamento e assegurar que estará numa posição mais forte para negociar com Bruxelas e os restantes 27 Estados-membros UE.  Em 29 de março, ela deu início ao processo de divórcio, previsto para durar dois anos.

Negociações paradas

As negociações do Brexit terão início somente após a eleição no Reino Unido, mas a UE já está se preparando para o processo. A Comissão Europeia (CE) confirmou nesta quarta-feira que a proteção dos direitos dos cidadãos (tantos europeus no Reino Unido como britânicos na União Europeia), o acordo financeiro e evitar uma fronteira exterior entre Irlanda do Norte e Irlanda são as prioridades na primeira fase da negociação.

O negociador europeu sobre o Brexit, o francês Michel Barnier, disse que a UE espera que até os últimos meses do ano exista “suficiente progresso” nesses pontos para poder começar a segunda fase das conversas, em torno da futura relação.

Barnier ressaltou ainda que a fatura que os britânicos deverão abonar por sair da UE “não é um castigo e nem um imposto”, mas obedece à necessidade de Londres cumprir com os compromissos que adquiriu.

Fonte: DW

UE e Reino Unido brigam sobre a “conta do divórcio”

Jornal calcula que Bruxelas poderá pedir 100 bilhões de euros a Londres, e governo britânico afirma que não vai “simplesmente pagar o que a União Europeia quiser”.

“Não vamos pagar 100 bilhões de euros”, afirmou o ministro do Brexit, David Davis

As negociações sobre o Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) – nem mesmo começaram e Londres e Bruxelas já estão trocando farpas sobre a “conta do divórcio”, ou o valor das obrigações financeiras britânicas para com o bloco europeu.

Uma estimativa não oficial que circula em Bruxelas diz que a conta seria de até 60 bilhões de euros, e que esse valor se refere aos compromissos já assumidos pelos britânicos com o orçamento da UE. Nesta quarta-feira (03/05), porém, o jornal britânico Financial Times provocou revolta em Londres ao noticiar que a conta do Brexit poderia chegar a 100 bilhões de euros.

O aumento da fatura resulta de exigências feitas pela França e pela Polônia, que querem incluir recursos para o setor agrícola até 2020, e também pela Alemanha, que argumenta que o Reino Unido não tem direitos sobre os imóveis pertencentes à UE em Bruxelas e Estrasburgo, afirmou o jornal.

O ministro britânico para o Brexit, David Davis, disse não reconhecer nenhuma das cifras divulgadas pela imprensa. Ele afirmou que o Reino Unido vai pagar o que for legalmente devido, respeitando seus direitos e obrigações, e não “simplesmente o que a UE quiser”. “Não vamos pagar 100 bilhões de euros”, afirmou, lembrando que o país pode simplesmente abandonar as negociações. Anteriormente, a primeira-ministra Theresa May havia dito que não vai transferir somas exorbitantes para Bruxelas.

O negociador de Bruxelas para o Brexit, Michael Barnier, afirmou que não se trata de punir o Reino Unido nem de pedir um “cheque em branco”. Segundo ele, não há uma “conta do Brexit”, pois trata-se apenas de honrar compromissos assumidos. A UE quer que o Reino Unido cumpra com seus compromissos orçamentários até 2020, um ano depois da saída prevista do bloco.

A UE planeja seu orçamento para períodos de sete anos, sendo que o atual se encerra em 2020. Até lá, praticamente todas as finanças do bloco já foram planejadas, sendo que alguns dos compromissos se estendem para além de 2020.

A questão afeta todas as despesas da UE, incluindo o chamado fundo de coesão, que visa reconciliar as diferenças entre os Estados-membros mais ricos e os mais pobres, e envolve temas espinhosos como os pagamentos de aposentadorias e pensões para os funcionários do bloco. Outro ponto problemático é a parcela britânica nos empréstimos concedidos pelo Banco Europeu de Investimento.

O negociador-chefe da UE disse querer também assegurar os direitos dos 3,2 milhões de europeus residentes no Reino Unido e do 1,2 milhão de britânicos que estão na UE. “Essa é a nossa prioridade”, afirmou Barnier.

Ele defendeu que os cidadãos da UE possam continuar vivendo no país assim como o fazem hoje. Além do direto à residência, os europeus devem ter acesso ao mercado de trabalho, sistemas de saúde e educação e ter seus diplomas acadêmicos reconhecidos. Questões referentes às leis europeias devem ser resolvidas no Tribunal de Justiça da UE.

Fonte: DW

 

 

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