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General Atomics recebe contrato para EMALS

A General Atomics anunciou que foi selecionada como fornecedora única do sistema EMALS (Electromagnetic Aircraft Launch System) para o navio-aeródromo USS Enterprise (CVN-80). Esse é o terceiro NAe para o qual a empresa vai fornecer o EMALS, já que anteriormente havia sido contratada para fazer o mesmo em relação ao USS Gerald R. Ford (CVN-78) e o USS John F. Kennedy (CVN-79). O EMALS é um sistema para lançamento de aeronaves a partir de porta-aviões através do uso da força eletromagnética.

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Fonte: S&D

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"Rússia não tem pressa para adquirir o caça de 5ª Geração T- 50 PAK FA"

Segundo declarações do Vice-ministro da Defesa da Rússia, Yuri Borisov, as entregas do caça de 5ª Geração T-50 (PAK FA) para as VKS  poderão ocorrer apenas após 2018.

 “Este será provavelmente o próximo programa de armamento do estado, ou seja, 2018-2025”, disse ele em resposta a uma pergunta sobre o possível calendário de entrega do caça da quinta.

Segundo Borisov é necessário primeiro concluir os testes do avião de combate e para isso,

“Não estamos com pressa… Atualmente os caças SU 35S, SU30 M2 e demais componentes do inventário da VKS e Marinha Russa cumprem as exigências das Forças Armadas, não há necessidade de gastar dinheiro na compra de hardware militar caro…Estamos realizando uma avaliação operacional e comprado lotes limitados.Vemos como eles vão operar na prática.Estamos agora revelando todas as desvantagens e fazendo mudanças para garantir que nós compremos produtos comprovadamente eficientes….” disse ele.

O PAK FA é a promessa de sustentação do poder aéreo Russo para as décadas de 20-e 30 deste século e as declarações de Yuri Borisov podem levar a diversas conotações como por exemplo, problemas no desenvolvimento da aeronave, mas também indicam mudanças tanto estratégicas quanto administrativas no governo Russo, muitas delas movidas talvez por uma visão pragmática ou mesmo por adequação à realidade tática e econômica.

O fato dos caças mais modernos como SU 35, SU 30 SM e SU 30M2  estarem em plena marcha de incorporação e seguidas do MIG 35 que entrará em produção a  custos de aquisição e operação muito mais atrativos, dão fôlego ao desenvolvimento mais acertado do programa PAK FA sem a pressa  uma vez que o programa carece de mais tempo de maturação.

Por outro lado, o conflito sírio trouxe ao mundo uma nova visão de gestão da Defesa por parte da administração russa, que agora se pauta em resultados reais da eficiência de suas armas em teatros operacionais. Basicamente cerca de novas 160 armas russas foram avaliadas no teatro Sírio e nas declarações do próprio ministério da defesa russo, nem todas tiveram o resultado esperado, como resposta, alterações e adequações de muitos projetos estão em curso de modo a torná-los de fato efetivos.

Mudanças doutrinárias, emprego e atualizações são previstas para muitos programas e o projeto PAK FA pode ter entrado no grupo de sistemas que precisam “Mostrar”  seus efetivos valores para que possam seguir adiante.

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Corrida às armas já começou. E foi antes de Trump

Com Obama, o receio de guerra era com a Rússia. Com o novo presidente, o risco maior de conflito é com a China. Mantém-se a pressão para aliados da América aumentarem gastos militares

A 9 de novembro, horas depois de ser conhecido o resultado das eleições americanas, a Forbes escrevia que “o presidente Donald Trump irá dar um forte impulso às despesas militares de 500 mil milhões para um bilião de dólares”. Assinado por Charles Tieferr, especialista no Pentágono, o artigo fala das promessas feitas por Trump de aumentar em 90 mil os efetivos das forças armadas, em criar uma marinha de 350 navios e em ter mais cem caças. Contudo, nem nas declarações do novo presidente nem na análise da Forbes se fala de horizonte temporal para estas medidas, todas a exigir um esforço tremendo aos cofres dos Estados Unidos, só possível através de um défice orçamental maior ainda. Já a revista Military Times recordou que quando era candidato, o republicano se comprometeu a “reconstruir as forças armadas”, o que passaria por um reforço orçamental na ordem dos 150 mil milhões de dólares, uma vez mais sem serem referidos prazos.

Hoje o orçamento militar americano continua a ser de longe o maior do mundo, cerca de 600 mil milhões de dólares anuais contra os pouco mais de 215 mil milhões da China (a Rússia surge em quarto lugar, com meros 66 mil milhões). Mas enquanto as despesas americanas até tiveram uma ligeira quebra em relação a há uma década, já as chinesas mais do que duplicaram no mesmo espaço de tempo, segundo o SIPRI, sigla em inglês do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo. Claro que isto reflete a taxa de crescimento da economia chinesa, mas também as ambições de potência do antigo Império do Meio, visíveis na sua atitude no Mar do Sul da China, onde reivindica águas que outros países consideram suas.

Não foi, porém, a ascensão militar da China que desencadeou nos últimos anos uma súbita preocupação nos Estados Unidos e na Europa Ocidental com a necessidade de aumentar o investimento militar, mas sim a anexação da península da Crimeia pela Rússia em março de 2014.

Foi aí que começaram a soar as campainhas nas capitais ocidentais, a ponto de na cimeira da NATO em Gales, seis meses depois, os líderes lá presentes, incluindo o americano Barack Obama, terem emitido um comunicado final onde se pode ler que “as ações agressivas da Rússia contra a Ucrânia desafiam nos fundamentos a nossa visão de uma Europa integrada, livre e em paz”. Além da retórica, também foi definida a necessidade de os Estados-membros começarem a aproximar-se do mínimo de 2% do PIB em termos de despesas anuais, que tirando os Estados Unidos poucos cumpriam. A austeridade deixava de ser uma desculpa ao alcance dos governantes europeus e isto ainda na época Obama e quando se dava como provável a sucessão por Hillary Clinton, democrata, ex-secretária de Estado do presidente cessante, e crítica de Vladimir Putin.

A questão dos 2% tornou-se central na campanha presidencial americana, com os media a destacarem o incumprimento generalizado, fosse sob a forma de pergunta (“Sabe quantos países da NATO cumprem?”, CNN) fosse sob a forma de afirmação (“Só cinco países da NATO cumprem”, Wall Street Journal). E Trump soube aproveitar a deixa, acusando os aliados dos Estados Unidos de prosperarem à custa da proteção americana, pouco gastando em defesa. Na mira estavam países como a Alemanha, a Itália e a Espanha, todos da NATO, mas também o Japão, um sólido aliado na Ásia Oriental.

Tendo em conta que Alemanha, Itália e Espanha gastam cada um menos de 1,5% do PIB em defesa e que o Japão se fica pelos 1%, se num abrir e fechar de olhos a fasquia dos 2% fosse cumprida por estes quatro países e ainda pela Austrália (outro aliado tradicional dos Estados Unidos, até tem aviões a bombardear o Estado Islâmico na Síria e no Iraque) os gastos mundiais em armamento subiriam 100 mil milhões de dólares, um aumento de 6%, maná para a indústria bélica, sobretudo americana.

Mas se Trump pegou na exigência americana de maior esforço aos aliados e fez dela uma bandeira sua, a verdade é que, ao contrário da opinião de Obama, não parece ver na Rússia uma ameaça. Bem pelo contrário, pois além dos elogios a Putin, várias vezes falou da necessidade de derrotar o terrorismo islâmico, considerando os russos um aliado na tarefa. E pouco a pouco é a China que surge como o adversário potencial da nova América rearmada, com os sinais a serem dados primeiro pelo próprio Trump com o telefonema recebido da líder taiwanesa e depois pelo seu secretário de Estado, Rex Tillerson, que durante a audição no Senado para ser confirmado no cargo comparou as edificações chinesas em ilhotas na Mar do Sul da China com a anexação da Crimeia e prometeu dar um sinal a Pequim de que não tem carta branca na região, bloqueando se necessário o aceso da marinha chinesa.

Neste contexto de desafio militar à China, que já estava também ameaçada por Trump com uma guerra comercial, ganha novo interesse aquilo que disse em março, no seu programa de rádio, Steve Bannon, hoje um dos principais conselheiros do presidente: “Vamos ter uma guerra no Mar do Sul da China no prazo de cinco ou dez anos, não vamos?”. Da parte dos chineses, foi um alto responsável, citado pelo jornal South China Morning Post, a declarar que uma guerra com os Estados Unidos já “não é só um slogan” mas passou a ser “também uma realidade prática”. Assustadora a perspetiva, pois ambos os países fazem parte do clube nuclear, mesmo que, uma vez mais, a clara supremacia seja dos Estados Unidos, só comparável ao arsenal russo.

A própria questão nuclear, que parecia resolvida com o fim da Guerra Fria há 25 anos, tem ressurgido tanto nas palavras de Trump como de Putin, sem se entender bem o que ambos pretendem quando falam de aumentar a sua capacidade. E para dissuadir quem? A Coreia do Norte? A dupla Índia-Paquistão? Israel? O Irão, que Obama considerava estar sob controlo.

Mikhail Gorbachev, o último presidente da União Soviética, alertou em fins de janeiro à Time que “tudo parece como se o mundo se estivesse a preparar para a guerra”. Tem razão na leitura. Agora com Trump e Xi Jinping a medirem forças, como antes quando Obama e Putin já eram incapazes de se olhar de frente nas cimeiras, como aconteceu na do G20, em Hangzhou, em setembro. O mundo está muito perigoso.

Fonte: DN