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EUA estão comprometidos com a OTAN e a segurança nos Bálticos, diz senador McCain

Os Estados Unidos estão comprometidos com a segurança na região dos países bálticos e com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), disse o senador republicano John McCain na capital da Estônia nesta terça-feira, durante uma visita encarada como uma tentativa de apaziguar os temores com as políticas do presidente eleito norte-americano, Donald Trump.

Trump irritou muitos na Estônia, na Lituânia e na Letônia ao dizer, durante sua campanha, que iria analisar as contribuições dos países à Otan antes de ir em seu socorro em caso de necessidade.

O envolvimento militar da Rússia na Ucrânia e na Geórgia despertou nos bálticos o receio de que seu ex-mentor soviético possa tentar algo semelhante na região em algum momento.

“Acho que a presença de tropas norte-americanas aqui na Estônia é um sinal de que acreditamos no que Ronald Reagan acreditava, que é na paz por meio da força”, disse McCain aos repórteres em Tallinn.

“E a melhor maneira de evitar um mau comportamento russo é ter militares críveis e fortes e uma aliança forte na Otan.”

Os EUA enviaram cerca de 150 soldados para cada um dos três países bálticos e para a Polônia em abril de 2014.

Em uma visita de três dias à região com o também senador republicano Lindsey Graham, McCain disse não esperar que seu país retire as sanções contra a Rússia, impostas depois que Moscou anexou a Crimeia em 2014.

“Este certamente não é o caso hoje, tal como eu o entendo”, afirmou.

Ele também disse que os EUA, independentemente de quem seja seu presidente, terá uma “reação forte e significativa”, já que o presidente russo, Vladimir Putin, continua “a ocupar a Crimeia e invadiu o leste da Ucrânia e continua a ameaçar outras nações na região”.

Andrius Sytas / Gederts Gelzis / David Mardiste

Foto: Henry Romero / Reuters – Senador dos EUA John McCain assiste a uma conferência de imprensa na Biblioteca Benjamin Franklin na Cidade do México – México 20 de dezembro de 2016. 

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

 

 

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Rússia chama de ato hostil decisão dos EUA de fornecer armas a rebeldes sírios

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse nesta terça-feira que viu a decisão dos Estados Unidos de flexibilizar restrições ao fornecimento de armas aos rebeldes sírios como um “ato hostil” que ameaça a segurança dos aviões de combate e de militares russos, disse a agência de notícias RIA.

Segundo a agência, o ministério disse que o governo do presidente norte-americano, Barack Obama, está tentando complicar a situação do mundo antes do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, tomar posse em janeiro.

Obama revogou algumas restrições às entregas de armas a rebeldes sírios neste mês.

A Rússia, cuja Força Aérea está apoiando o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, disse que a medida é arriscada e que as armas podem acabar nas mãos de “terroristas”.

Peter Hobson

Foto: Khalil Ashawi / Reuters – Combatente rebelde limpa uma arma na cidade de al-Rai, no Norte rural de Aleppo, Síria / 25 de Dezembro de 2016. 

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

 

 

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Por que a União Soviética foi a verdadeira ganhadora da corrida espacial (e não os EUA)

Quando a Apollo 11 chegou à Lua em 1969 e o astronauta Neil Armstrong deu seu “grande salto para a humanidade”, tudo parecia perdido para a União Soviética.

Milhões de pessoas no mundo todo viram essas imagens na televisão. E, na história popular, foram os Estados Unidos que se tornaram os grandes vencedores da corrida espacial contra a União Soviética (URSS).

Mas, na realidade, esse é um pensamento equivocado. Os verdadeiros pioneiros da exploração espacial foram os astronautas soviéticos e, grande parte dos avanços conquistados à época e utilizados até hoje na Estação Espacial Internacional (EEI) se devem a conhecimentos e inovações descobertas pela União Soviética.

Trajes inventados pela URSS inspiraram os de hoje – Foto: Arquivos Russos/ BBC
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Essa é a conclusão do documentário produzido pela BBC “Astronautas: como a Rússia venceu a corrida espacial”, que teve acesso a documentos importantes e entrevistou protagonistas da extraordinária briga entre soviéticos e americanos para conquistar o Universo.

Ao levar ao espaço o primeiro satélite, o primeiro ser humano e a primeira estação orbital, a União Soviética conseguiu vencer os Estados Unidos, grande rival na Guerra Fria e cujo programa espacial, desenvolvido sob orientação do engenheiro alemão Wernher von Braun, era mais sofisticado e contava com mais fundos.

Mas como eles fizeram isso?

As origens do programa espacial da URSS vêm das ruínas da Segunda Guerra Mundial.

Quando os americanos lançaram a bomba atómica em Hiroshima e Nagasaki, nasceu uma nova ordem mundial, em que o poder e a influência não se mediriam em termos de esforço humano, mas sim de avanços tecnológicos.

Se a União Soviética queria ter influência internacional, ela deveria remontar de forma bastante veloz a enorme vantagem que os Estados Unidos haviam “roubado” dela.

Em apenas quatro anos, os soviéticos produziram a bomba atómica. “Como era muito mais pesada que a dos americanos, precisaram desenvolver um foguete mais poderoso para transportá-la, o que acabou impactando o programa espacial”, explica à BBC Gerard de Groot, professor de História Moderna da University of St Andrews, no Reino Unido.

E a pessoa a quem encarregaram a tarefa foi o engenheiro Sergei Pavlovich Korolev.

Em 1939, o líder da URSS, Joseph Stalin, o havia declarado inimigo do Estado e o enviado um dos terríveis gulags, onde se esperava que morresse. Mas, diante da necessidade de mentes brilhantes no início da Guerra Fria, decidiu-se dar a ele uma nova oportunidade.

“Korolev não era cientista, mas era um gênio de gestão. Era um líder, uma figura inspiradora, um político que sabia mover as alavancas do poder e voltar à realidade das metas”, disse à BBC o especialista em História do Espaço Asif Siddiqi, da Universidade Fordham de Nova York.

E mais: na União Soviética, as pessoas o consideravam tão importante do ponto de vista estratégico que, para protege-lo de qualquer tentativa de assassinato, mantiveram sua identidade em segredo até seus últimos dias. Ele era conhecido apenas como “o chefe estrategista”.

Em 1957, Korolev concluiu sua obra-prima, o foguete R-7 Semyorka, que era nove vezes mais poderoso que qualquer outro lançador criado até aquele momento.

Depois de várias tentativas falidas, o R-7 foi testado com sucesso: ele conseguiu voar por 5,6 mil quilômetros até a península de Kamchatka. Foi o primeiro míssil balístico intercontinental e, com ele, Korolev transformou a União Soviética em uma superpotência global.

No entanto, o destino do R-7 não era se transformar em uma arma. “Como míssil, ele era ruim. Demorava-se muito para prepará-lo para o disparo. Enquanto foram desenvolvidos outros foguetes mais eficientes, o R-7 foi dedicado exclusivamente à exploração espacial”, conta à BBC o ex-astronauta soviético Georgei Grechko.

Sputnik e Laika

O primeiro satélite transmitia sinais de rádio que pareciam suspeitas para os EUA – Foto: Arquivos Russos/ BBC

Uma vez que contava com um foguete apto, Korolev queria ser o primeiro a demonstrar que as viagens espaciais eram possíveis. Com esse objetivo, seus engenheiros desenvolveram um satélite simples, o Sputnik. Era apenas um transmissor de rádio coberto por uma esfera de metal.

Em 4 de outubro de 1957, o Sputnik foi colocado em órbita e começou a enviar sinais de rádio à Terra, um “bip” que os Estados Unidos se esforçaram para decodificar, mas que na realidade não continha nenhuma mensagem.

O mundo ficou fascinado. Entusiastas formavam longas filas diante dos telescópios disponíveis para poder ver a “segunda Lua” cruzando o firmamento.

O Sputnik foi uma jogada de mestre de propaganda e, a partir disso, o líder soviético Nikita Kruschev quis mais: ele pediu a Korolev outra grande missão espacial para as comemorações de 7 de novembro, o aniversário da revolução bolchevique de 1917.

Fazer isso dentro de um mês parecia impossível. No entanto, no dia 3 de novembro de 1957, a União Soviética enviou ao espaço outro satélite, mas desta vez havia um passageiro a bordo: Laika, uma cadela vira-lata encontrada em Moscou.

A cadela Laika viajou para o espaço – Foto: Arquivos Russos/ BBC

Durante muito tempo, os soviéticos afirmaram que a cadela sobreviveu em órbita por vários dias, mas em 2002 admitiram que os controles climáticos falharam e que o animal morreu em apenas seis horas por causa de uma superaquecimento.

Ainda assim, Laika deu aos soviéticos outra vitória e mais propaganda – além de uma nova dor de cabeça para os Estados Unidos.

“Nos Estados Unidos, acreditavam que se a URSS era capaz de levar um animal ao espaço, em breve haveria condições de colocar um ser humano em órbita”, explicou o historiador De Groot.

O sorriso de Yuri Gagarin

Gagarin, o sorriso emblemático símbolo do domínio soviético na corrida espacial – Foto: Keystone

No início da década de 1960, 20 potenciais astronautas eram treinados em segredo em uma zona rural da Rússia – entre eles, o jovem Alexei Leonov.

“Cada dia, corríamos 5km e nadávamos 700 metros. Também saltávamos em paraquedas; eu cheguei a fazer uns 200 saltos”, conta Leonov à BBC.

Mas apesar do treinamento físico, os cosmonautas precisavam se preparar para os rigores do espaço.

Deviam ser capazes de resistir à enorme força na decolagem e aterrissagem. Eles eram isolados por dias em quartos a prova de ruídos para testar a experiência psicológica. E o pior de tudo era a preparação para a eventualidade de a cápsula começar a girar sem controle no espaço.

“Era algo muito difícil de aguentar”, relembra o ex-astronauta Georgei Grechko. “Alguns ficavam pálidos, outros verdes. E logo vomitavam.”

A pré-seleção do primeiro ser humano que iria ao espaço ficou reduzida a dois nomes: Yuri Gagarin e Gherman Titov.

“Korolev teminou escolhendo o filho de camponeses, Gagarin”, disse Grechko. “Nós pensávamos que o mais inteligente e educado era Titov. Mas o chefe considerou aspectos em que nós como engenheiros não havíamos pensado: quão bonito era o candidato, seu sorriso. E tinha razão.”

O “engenheiro chefe” sabia que a missão já era um sucesso, o rosto de Gagari estaria em todos os jornais do mundo.

No dia 12 de abril de 1961, Gagarin chegou onde nenhum ser humano havia chegado antes: a órbita da Terra. A bordo da cápsula Vostok, ele deu uma volta ao planeta em uma hora e 48 minutos.

“Estou olhando para a Terra”, disse, ao se comunicar com o centro de controle. “Vejo as cores das paisagens, bosques, rios, nuvens. Tudo é muito bonito”.

Gagarin foi recebido como um herói na União Soviética e viajou pelo mundo levando seu sorriso triunfal. Era a encarnação do domínio da União Soviética na corrida espacial.

Com isso, os americanos necessitavam desesperadamente de um triunfo sobre a URSS e o presidente John F. Kennedy estabeleceu uma meta ambiciosa: “Escolhemos chegar até a Lua ainda nesta década.”

Com a economia no auge, os Estados Unidos podiam investir grandes somas de dinheiro no desenvolvimento de um programa lunar. Do outro lado, os governantes da União Soviética não estavam dispostos a financiar uma aventura tão cara.

“Meu pai disse a Korolev que na União Soviética havia outras prioridades: produzir mais alimentos para acabar com a escassez, construir mais moradias”, disse à BBC Sergei Kruschev, filho do líder soviético Nikita Kruschev.

No lugar disso, Korolev lançou uma série de missões menos custosas à órbita baixa da Terra – e fez questão de “cantar vitória” para reforçar sua propaganda. Entre elas, destacam-se duas de 1963: o voo orbital mais longo da história até aquela data (que durou cinco dias) e a primeira mulher a ir ao espaço, Valentina Tereshkova.

No dia 18 de março de 1965, mais uma conquista: Alexei Leonov se tornou o primeir ser humano a realizar uma caminhada espacial.

Dezembro de 1957: primeira tentativa de lançamento de satélite americano foi um fracasso – Foto: Arquivos Russos/ BBC

“Korolev nos havia dito: ‘Assim como um marinheiro a bordo de um navio deve ser capaz de nadar no oceano, um astronauta deve saber flutuar no espaço”, lembra Leonov.

Rumo à Lua

O feito de Leonov marcou o fim da era de ouro do programa espacial da URSS, ao que se somou uma série de tragédias.

No dia 14 de janeiro de 1966, Korolev, a figura inspiradora da exploração soviética do cosmos, morreu depois de uma cirurgia de rotina da qual não conseguiu se recuperar.

Quem o substituiu foi Vasily Mishin, que carecia da visão e da capacidade de gestão do “estrategista chefe”.

Mas o pior ainda estaria por vir: em 26 de março de 1968, Yuri Gagarin, o sorridente e emblemático símbolo do domínio espacial soviético, morreu durante um voo teste. Foi uma grande tragédia nacional.

Menos de um ano depois, o N1, o foguete de titânio que a URSS usaria para sua aventura lunar, explodiu e deixou a base de lançamento inutilizada.

Com os soviéticos fora da corrida, os americanos conseguiram o que parecia impossível: no dia 20 de julho de 1969, a Apollo 11 chegou à Lua.

Primeiras estações espaciais

Os soviéticos se esqueceram rapidamente da Lua e fixaram uma nova meta que ressuscitaria seu programa espacial: a colonização. Eles buscariam uma forma de viver e trabalhar no espaço.

No dia 19 de abril de 1971, eles lançaram em órbita a Salyut 1, primeira estação espacial temporal da história. Três astronautas viveram nela por três semanas. Depois disso, vieram outras missões e estadias cada vez mais prolongadas.

No dia 20 de fevereiro de 1986, enquanto os americanos se concentravam em voos de curta duração com ônibus espaciais, os soviéticos colocaram na órbita terrestre a primeira estação permanente, a MIR, que foi construída ao longo de uma década.

Com 31 metros de largura, 19 de comprimento e 27, 7 de altura, essa estrutura se transformou em um enorme laboratório suspenso, com módulos separados para astrofísica, ciência dos materiais e estudo da Terra.

Equipes de astronauras visitavam a estação por períodos de um ano e se tornavam verdadeiros especialistas na vida no espaço.

Ao final de 1991, enquanto a MIR orbitava o planeta, a União Soviética se dissolveu. O programa espacial soviético passou às mãos russas e a falta de dinheiro para mantê-la ameaçava sua existência.

Em Washington, o medo era que diversos engenheiros aeroespaciais que ficaram desempregados fossem para o Irã ou para a Coreia do Norte.

Por isso, os Estados Unidos propuseram à Rússia que os dois países se unissem na exploração do Universo e, depois de décadas de rivalidade, as duas potências se tornaram “sócias”.

Era uma relação conveniente para ambos: os americanos se beneficiariam da experiência dos astronautas que haviam passado longas estadias no espaço, e os russos se manteriam na ativa com o dinheiro dos Estados Unidos.

Como primeiro passo, astronautas americanos foram viver e trabalhar na MIR. Pouco tempo depois, outras dezenas de representantes de outros países também foram para lá.

Estação Espacial Internacional

Quando a MIR foi desitnegrada e voltou à Terra em 2001, sua substituta, a Estação Espacial Internacional (EII) já estava sendo colocada em órbita.

Era a primeira aventura totalmente internacional no cosmo: 15 agências espaciais colaboravam para construir uma estrutura quatro vezes maior que a MIR.

“Nós tínhamos um grande conhecimento das grandes estadias no espaço, de como afetavam uma pessoa. Assim, nos unimos ao projeto e compartilhamos tudo o que sabíamos”, conta à BBC o astronauta Alexander Lazutkin.

Certamente, a EEI é a prova das conquistas do programa espacial da URSS durante 50 anos de exploração do Universo.

Seu sistema de suporte vital está baseado no das estações Salyut e MIR. Os trajes que foram utilizados são “feitos na Rússia”, versões atualizadas daqueles que Alexei Leonov usour na primeira caminhada espacial da história.

E desde 2011, a única maneira de chegar a EEI é por meio de uma cápsula Soyuz montada em um foguete R-7, ambas tecnologias que, ainda que tenham sido modernizadas, têm sua essência mantida nos desenhos de Sergei Korolev há meio século.

“A URSS perdeu a corrida para chegar à Lua, sim, mas a contínua presença do ser humano em órbita se deve muito à determinação soviética e russa por conquistar o espaço”, conclui o historiador americano Gerard de Groot.

BBC BRASIL

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Terra

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Trump transforma política externa dos EUA na velocidade de um ‘tuíte’

Em menos de dois meses, com a velocidade de um tuíte e sem ainda ter pisado na Casa Branca como presidente, Donald Trump sacudiu décadas de tradição diplomática dos Estados Unidos.

Nas relações com a China e com a Rússia, na doutrina nuclear ou no livre comércio, na política antiterrorismo ou na relação com parceiros próximos como a Europa Ocidental ou o México, Trump representa uma clara mudança.

Não só em relação ao atual presidente, o democrata Barack Obama, mas também comparado a administrações anteriores de seu próprio partido, o Republicano.

Como tudo o que gira em torno de Trump, o valor de sua palavra é relativo, e, portanto, ainda não se sabe até que ponto suas declarações, formuladas durante a campanha eleitoral e nas semanas posteriores às eleições de 8 de novembro, se traduzirão em uma transformação efetiva da política externa e de segurança. O presidente eleito será empossado no cargo em 20 de janeiro.

Sempre há ruptura quando chega um novo presidente. A primeira coisa que Obama fez ao chegar à Casa Branca, em janeiro de 2009, foi assinar um decreto para fechar a prisão de Guantánamo, o símbolo dos abusos cometidos durante o governo de seu antecessor, o republicano George W. Bush. Mas este não é um país de mudanças bruscas. A continuidade costuma prevalecer. Guantánamo, que continua aberta oito anos depois, é a prova.

Em uma audiência no início de dezembro perante a Comissão de Serviços Armados do Senado, o ensaísta neoconservador Robert Kagan traçou uma linha de continuidade entre a retirada geoestratégica dos EUA nos anos de Obama e o isolacionismo de Trump, que representaria, em sua opinião, uma versão “exacerbada” de algumas das fraquezas do presidente prestes a deixar o cargo.

Kagan resumiu no que consistiu este consenso na atual política externa desde meados do século XX.

“Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a política externa americana tem sido destinada a defender e estender uma ordem mundial liberal que se adapte aos interesses e princípios americanos. Não o fizeram como um favor aos demais, e sim baseados na ideia, imposta à força, de que na ausência desta ordem mundial tanto os interesses americanos quanto nossos princípios mais caros acabarão em perigo”, disse Kagan.

“Ao construir e manter fortes alianças com nações democráticas e apoiar uma economia global aberta que permite que estas nações prosperem e que retirou bilhões da pobreza nos países em desenvolvimento, os Estados Unidos podem melhor proteger sua segurança e o bem-estar de sua população”, acrescentou.

Ao questionar as alianças tradicionais dos EUA, como o sistema de livre comércio, Trump semeia dúvidas sobre o futuro desta ordem mundial. Três exemplos das últimas semanas indicam esta mudança.

China

Em 2 de dezembro, Trump se tornou o primeiro presidente eleito — ou presidente — dos EUA a falar oficialmente com seu homólogo em Taiwan desde 1979, quando as relações entre o Governo americano e a China foram normalizadas. Inicialmente, não ficou claro se o telefonema à presidenta de Taiwan, Tsai Ing-wen, teria sido por acaso ou se obedecia a um plano para mudar a política com a República Popular da China, que considera Taiwan parte de seu território. A incerteza sobre o alcance dos gestos e as declarações do presidente eleito é uma constante.

Alguns dias depois, em uma entrevista, Trump parecia confirmar o alcance daquele gesto ao condicionar a manutenção da política “Uma Só China”, pela qual Washington reconhece Pequim diplomaticamente, e não Taipei, a concessões comerciais por parte do Governo chinês. Enquanto isso, lançou no Twitter várias injúrias sobre um drone capturado pela China em águas internacionais e outros assuntos.

Rússia

Na campanha, Trump deu a entender que, com ele na Casa Branca, os EUA não se sentiriam obrigados a defender seus aliados da OTAN, vizinhos da Rússia, em caso de agressão. Também se desfez em elogios para o presidente Vladimir Putin, que os retribuiu. E encorajou os russos a piratear os e-mails de sua rival na eleição presidencial, a democrata Hillary Clinton.

Após as eleições, os serviços secretos dos EUA e a Administração Obama apontaram a Rússia como a responsável pelo roubo e divulgação de milhares de e-mails da campanha democrata. E destacaram que o objetivo era a vitória de Trump.

A resposta de Trump não foi defender os EUA contra uma suposta tentativa de sabotagem eleitoral por uma potência estrangeira, e sim, em linha com o argumento do Kremlin, denegrir os espiões americanos por chegarem a esta conclusão.

A sintonia entre Trump e Putin se expressou novamente neste fim de semana, quando, mais uma vez no Twitter, Trump deu razão a Putin ao criticar a reação de Clinton à derrota eleitoral.

Armas nucleares

Em 23 de dezembro, em uma mensagem de 140 caracteres no Twitter, Trump insinuou outra guinada geopolítica ao dizer que os EUA deveriam “fortalecer e ampliar” suas capacidades nucleares. Se isso significa uma expansão do arsenal nuclear, seria reverter décadas nos esforços de redução desse tipo de armamento.

Mas a mensagem era ambígua o suficiente para que os porta-vozes de Trump a minimizassem em declarações posteriores. Como já aconteceu outras vezes, Trump rejeitou essas nuances e, no dia seguinte, reforçou a mensagem: “Que haja uma corrida armamentista. Vamos superá-los a cada passo e todos sobreviveremos”, disse à MSNBC.

A atividade diplomática nos dias de hoje não se limita a estas questões.

Trump revelou esta semana que havia participado de um jantar com o empresário mexicano Carlos Slim, um movimento que foi interpretado em Washington como uma tentativa de se aproximar das elites do México, depois de basear sua campanha em insultos e ameaças aos mexicanos. Também ligou para o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi, para que este freasse uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, finalmente aprovada, que condenava os assentamentos israelenses em territórios palestinos.

Reagiu ao atentado de Berlim descrevendo-o como um ataque contra os cristãos. E, além de sair do TPP (o acordo de comércio com 11 países do Pacífico, destinado a reduzir a influência da China na região) e ameaçar romper com o Acordo de Livre Comércio da América do Norte, nos últimos dias vazaram informações sobre a ideia de impor uma tarifa sobre as importações.

Especialistas como Kagan temem que estas propostas rompam os sistemas de alianças e de livre comércio desenvolvidos nas últimas décadas e apoiados por democratas e republicanos.Outros são mais benévolos. É o caso de Henry Kissinger, um dos sábios do establishment, que vê a vitória de Trump como “uma oportunidade extraordinária” e elogia a sugestão de propostas “pouco comuns”.

Uma possível leitura da doutrina Trump — se é que esta existe — é que propõe um espelho invertido ao do presidente Richard Nixon e de seu assessor Kissinger nos anos sessenta. Estes se aproximaram da China para combater a Rússia; Trump se aproximaria da Rússia para contrabalançar a China.

Outro membro respeitado do establishment, Robert Gates, disse ao colunista David Ignatius que uma política que rompa com ideias estabelecidas pode ser valiosa: um ponto de imprevisibilidade na Casa Branca depois de um presidente como Obama, que, de acordo com Gates, reagia de maneira muito passiva aos eventos que marcaram a sua presidência.

Gates tem uma consultoria junto com dois outros membros do establishment republicano, Condoleeza Rice e Stephen Hadley. Segundo Ignatius, eles têm conversado com a equipe e Trump e aconselhado governos estrangeiros sobre a melhor maneira de lidar com o novo presidente.

“Nunca um movimento populista ou uma insurgência política como esta capturou a Casa Branca”, disse Hadley a Ignatius. “Isto significa que haverá mais descontinuidades em nossa política externa. O que estou dizendo às pessoas é: “Deem um pouco de espaço e tenham um pouco de paciência estratégica. Não exagerem nas reações, nem mesmo aos tuítes de Trump”.

MARC BASSETS

Foto: JIM WATSON / AFP

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: El País

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AEROESPACIAL: Avibras vai produzir motores para lançador de microssatélites do Programa Espacial Brasileiro

Negociação levou mais de um ano para ser concluída. (Foto: Avibras)
Negociação levou mais de um ano para ser concluída. (Foto: Avibras)

Depois de 15 meses de negociação, o Programa Espacial Brasileiro assinou o contrato para a produção de oito motores S50 da Avibras. O contrato, assinado no dia 22 de dezembro, garante também os acessórios dos motores. O equipamento será utilizado nos voos realizados pelo veículo VS-50 e no voo da primeira versão do Veículo Lançador de Microssatélites VLM-1, financiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTIC). O projeto do VLM será desenvolvido com recursos da AEB por intermédio do convênio celebrado com a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), que prestará auxílios gerencial, financeiro e administrativo ao IAE.

Nos próximos 26 meses, a Avibras deverá industrializar o projeto do motor S50 e produzir seis motores e seus acessórios, que serão acompanhados por técnicos do IAE e do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) para o bom desempenho do contrato do ponto de vista técnico e de qualidade. O acordo assinado irá produzir os primeiros seis motores e os dois restantes serão objeto de Termo Aditivo ao contrato, após a revisão, submissão e aprovação de Termo Aditivo ao Convênio 001/2015, entre o IAE e a Funcate, para o desenvolvimento do VLM-1.

De acordo com a AEB, os motores 1 e 2 serão utilizados para ensaios de engenharia (ensaios estrutural e de ruptura). Os 3 e 4 serão utilizados para queima em banco de testes para validação em solo. Os 5 e 6 serão utilizados para validação, durante os voos de dois veículos VS-50. Por fim, os 7 e 8 serão os motores de voo da primeira versão do VLM-1.

“Os esforços das equipes do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) que participaram da formalização, construção e análise da proposta foram imensos e devem ser valorizados por todos que confiam no sucesso do Programa Espacial Brasileiro. As discussões começaram em setembro de 2015 e, 15 meses depois, o contrato foi assinado. A consolidação do contrato deve-se, também, ao empenho da Indústria Aeroespacial (Avibras) envolvida no projeto que conquistou a confiança do IAE por meio de uma proposta séria que abrange planos gerenciais, de risco e de qualidade compatíveis com o tamanho da empresa e com os desejos do instituto contratante”, afirmou a equipe da Diretoria de Transporte Espacial e Licenciamento (DTEL).

O presidente em exercício da AEB, Carlos Alberto Gurgel, acredita no sucesso do projeto e confia no trabalho a ser desenvolvido pela equipe de militares e servidores da Força Aérea Brasileira (FAB), da Funcate e da Avibras e deseja êxito na continuidade desse importante projeto do Programa Espacial Brasileiro.

No ato da assinatura, estavam presentes o diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Ten. Brig. do Ar Antônio Carlos Egito do Amaral, o diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Brig. Eng. Augusto Luiz de Castro Otero e o gerente do projeto do VLM, Ten. Cel. Eng. Fábio Andrade de Almeida. Da Avibras, estavam presentes o presidente, João Brasil Carvalho Leite, o vice-presidente José Sá Carvalho Júnior, o gerente de Engenharia de Desenvolvimento, Luiz Eduardo Nunes Almeida e o Executivo de Vendas, Marco Aurélio Rodrigues de Almeida e o diretor de projetos da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), Dr. Donizeti Andrade.

Fonte: AEB via IDS

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Peritos avaliam três causas para queda do Tu-154 no Mar Negro a caminho da Síria

Os especialistas que estão investigando a queda do avião militar Tu-154 russo no domingo (25) avaliam três teorias para o incidente: falha técnica, erro do piloto ou atentado terrorista. Não há indícios de sobreviventes entre as 92 pessoas a bordo.

A aeronave, que pertencia ao Ministério da Defesa russo e seguia para a Síria, caiu no mar Negro minutos após a decolagem.

De acordo com a imprensa russa, o incidente ocorreu quando o avião pegava altitude, mas não houve sinal de socorro por parte dos pilotos.

O primeiro-ministro russo Dmítri Medevdev recebeu a incumbência de criar uma comissão estatal que irá investigar os detalhes da tragédia.

Peritos do Ministério para Situações de Emergência e do Comitê de Investigação já obtiveram documentos relacionados ao voo e estão agora questionando funcionários e pessoal técnico do aeroporto.

As equipes de busca, que contam com mais de 3.500 pessoas, 39 barcos e cinco helicópteros, já localizaram 11 corpos e mais de 150 destroços do avião, informou o porta-voz da pasta da Defesa, Igor Konatchenkov.

As caixas-pretas do avião, entretanto, ainda não foram encontradas.

1. Falha técnica

Segundo o diretor da Associação de Aviação Civil Aeroflot, Víktor Gorbatchov, a aeronave pode ter tido escassez de energia durante o voo.

“Deve ter havido algo errado com os motores. Não sabemos ainda, e é difícil precisar se foi combustível ou falha do motor. A decolagem é o momento mais difícil; talvez, a aeronave não tenha ganhado potência ou velocidade suficiente”, diz o especialista.

Embora fabricado em 1984, o Tu-154 havia passado por uma manutenção em 2014 e novos reparos foram conduzidos em setembro passado. No entanto, de acordo com Gorbatchov, a idade avançada da aeronave não seria problema.

“Há no mundo aviões operando com 30, 50, até 60 anos ou mais velhos. Isso não importa. A aeronave estava em condições de voar e cumpria todos os requisitos”, diz.

Nem todos os analistas têm a mesma visão, porém. Segundo o especialista militar da TASS e coronel aposentado Víktor Litóvkin, a frota de aviões civis à disposição do Ministério da Defesa russo, ao contrário dos modelos de combate, está defasada.

“A maior parte dos aviões civis do Ministério da Defesa russo são Tu-154 fabricados ainda durante a União Soviética. A indústria de fabricação de aviões foi praticamente destruída na década de 1990, nenhum avião de transporte militar e de passageiros novo foi fabricado por anos”, explicou o especialista à Gazeta Russa.

Segundo o ex-militar, a pasta da Defesa não tem a intenção de comprar aviões civis estrangeiros, mas também não dispõe de alternativas para substituir o Tu-154. “Após o término da investigação, eles continuarão usando essas aeronaves”, acrescentou.

2. Erro do piloto

De acordo com o Ministério da Defesa russo, o avião estava sob o comando do piloto Roman Volkov, que tinha mais de 3.000 horas de voo.

“A tripulação era uma das mais experientes. Eles conduziram, por várias vezes na mesma aeronave, o transporte de caças Su-30s, Su-35s e Su-24s para a base aérea de Hmeimim”, disse uma fonte das agências de aplicação da lei ao jornal “Izvêstia”.

No entanto, segundo os analistas, a investigação também irá avaliar a possibilidade de a equipe de voo ter cometido falhas.

“Nenhuma teoria é descartada, desde combustíveis de má qualidade a um ato terrorista. Até mesmo erro do piloto, que pode ter acelerado demais na hora de pegar altitude e perdeu o controle”, disse Litóvkin.

3. Atentado terrorista

Alguns especialistas traçaram paralelos entre a queda do Tu-154 e a explosão do Airbus 321-231 que seguia do Egito para São Petersburgo, em outubro de 2015.

Terroristas haviam plantado uma bomba na cauda da aeronave, onde bagagens mais volumosas são armazenadas. O avião explodiu cerca de 20 minutos após a decolagem, mergulhando no chão a uma grande altitude.

Desta vez, a tragédia ocorreu sete minutos após o avião decolar.

“As condições meteorológicas eram favoráveis: se tivesse acontecido algum problema com a aeronave, com os motores, o piloto teria simplesmente virado a aeronave e planado de volta ao aeródromo, ou teria tentado aterrissar no mar”, disse o instrutor de voo e major Andrêi Krasnoperov, à rádio Kommersant.

“Mas, neste caso, o avião apenas caiu, o que ocorre quando há uma emergência a bordo, algo explode, ou alguma coisa cede”, continuou.

Em todas as demais situações, segundo o major, o piloto poderia ter informado o controlador de trânsito sobre falhas e enviado um sinal.

“O que indica que algo inesperado aconteceu aos sete minutos de voo. Portanto, não posso culpar a tripulação e, quando há um problema técnico, é raro ser repentino (…) Além disso, as equipes de resgate localizaram um homem perto da costa que ficou ferido pela queda de destroços; isto é, os fragmentos do avião se espalharam enquanto caíam, sugerindo que a aeronave explodiu no ar”, concluiu Krasnoperov.

NIKOLAI LITÔVKIN

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Gazeta Russa

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Porta-aviões chinês chega ao Mar do Sul da China em meio a aumento de tensões

Um grupo de navios de guerra chineses liderado pelo único porta-aviões do país entrou na metade superior do Mar do Sul da China nesta segunda-feira, depois de passar ao sul de Taiwan, informou o Ministério da Defesa da ilha autoadministrada sobre o que os chineses definiram como um exercício de rotina.

A manobra ocorre em meio a um aumento nas tensões a respeito de Taiwan – que os chineses afirmam ser seu território, o que não lhe possibilita ter relações de Estado a Estado – na esteira de um telefonema do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, à presidente da ilha, um acontecimento que irritou Pequim.

Construído pelos soviéticos, o porta-aviões Liaoning participou de exercícios anteriores, inclusive alguns no Mar do Sul da China, mas a China está a anos de distância de aperfeiçoar operações com este tipo de embarcação semelhantes às que os EUA vêm praticando há décadas.

O Ministério da Defesa de Taiwan disse que o porta-aviões, acompanhado de cinco embarcações, passou a sudeste das Ilhas Pratas, que são controladas por Taiwan, rumando para o sudoeste.

Anteriormente o grupo passou 90 milhas náuticas ao sul do extremo sul de Taiwan por meio do Canal de Bashi, situado entre Taiwan e as Filipinas.

“Permanecer vigilante e flexível sempre foi o método normal de manter a segurança do espaço aéreo”, disse o porta-voz do ministério, Chen Chung-chi, recusando-se a dizer se caças taiwaneses foram acionados ou se submarinos foram mobilizados.

Chen disse que a pasta continua a “monitorar e tomar pé da situação”.

O parlamentar taiwanês veterano Johnny Chiang, um opositor nacionalista, disse que o exercício com o Liaoning é a maneira de a China assinalar aos EUA que se insinuou na “primeira cadeia de ilhas”, uma área que inclui as Ilhas Ryukyu japonesas e Taiwan.

Na capital chinesa, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hua Chunying, disse que as pessoas não deveriam se inquietar tanto com as ações do porta-aviões, já que sua movimentação está dentro da lei.

“Nosso Liaoning deveria desfrutar, de acordo com a lei, da liberdade de navegação e de sobrevoo tais como determinados pela lei internacional, e esperamos que todos os lados saibam respeitar este direito da China”, disse ela durante um boletim diário à imprensa.

O influente tabloide estatal chinês Global Time afirmou que o exercício mostrou como o porta-aviões está melhorando suas habilidades de combate e que agora ele deveria navegar para ainda mais longe.

J.R. Wu

Foto: HANDOUT via Reuters – Porta-aviões Liaoning da China classe Kuznetsov, navegando no Mar da China Oriental, foto tomada em 25 de dezembro /2016 pela força de autodefesa do Japão e liberada pelo Ministério da Defesa do Japão. 

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

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ADSUMUS: Grupamento de Fuzileiros Navais de Natal (GptFNNa) apoia segurança na região metropolitana de Recife

Fuzileiros Navais apoiam “Operação Pernambuco” nas ruas de Recife
Fuzileiros Navais apoiam “Operação Pernambuco” nas ruas de Recife

Os militares do Grupamento de Fuzileiros Navais de Natal estão em Recife para a execução da “Operação Pernambuco”, com o objetivo de garantir a Lei e a Ordem, e preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio, na região metropolitana do município do Recife.

 “Operação Pernambuco” recebe reforço de Fuzileiros Navais
“Operação Pernambuco” recebe reforço de Fuzileiros Navais
Governo do Estado de Pernambuco solicitou o apoio dos Fuzileiros Navais
Governo do Estado de Pernambuco solicitou o apoio dos Fuzileiros Navais

As Forças Armadas foram autorizadas pela Presidência da República a realizar esta operação, mediante solicitação do Governo do Estado de Pernambuco.

Presidência da República autoriza a ação das Forças Armadas
Presidência da República autoriza a ação das Forças Armadas
Fuzileiros Navais reforçam segurança em pontos turísticos no Recife
Fuzileiros Navais reforçam segurança em pontos turísticos no Recife

Fonte:MB

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Avião militar russo cai no Mar Negro com 92 pessoas a bordo

Ministério da Defesa da Rússia diz não haver sobreviventes. Aeronave levava coro e conjunto de dança do Exército russo para evento natalino base na Síria. Voo decolou de Sochi e desapareceu dos radares 20 minutos depois.

O Ministério da Defesa da Rússia confirmou que o avião modelo Tupolev Tu-154 que ia neste domingo (25/12) para a Síria com 92 pessoas a bordo caiu no Mar Negro. A aeronave decolou às 5h20 (horário local) do aeroporto de Sochi, balneário às margens do Mar Negro, e 20 minutos depois desapareceu dos radares.

A bordo do avião viajavam 84 passageiros e 8 tripulantes. O voo levava militares, nove jornalistas russos e 64 integrantes do coro e conjunto de dança Alexandrov, do Exército russo, que iam participar das festividades de Ano Novo na base aérea síria de Khmeimim, onde a Rússia tem estacionado um agrupamento de aviões de guerra.

O Ministério da Defesa da Rússia informou que após várias horas de busca na zona onde caiu o avião, não foram encontrados sobreviventes. “Já se estabeleceu o lugar onde o Tu-154 caiu e aparentemente não há sobreviventes”, informou o ministério, segundo a agência de notícias Interfax.

“Na zona da busca estão quatro navios e cinco helicópteros. Há o uso de drones. Estamos aumentando os recursos humanos e técnicos”, declarou à imprensa o porta-voz de Defesa, Igor Konashenkov.

“A seis quilômetros do litoral de Sochi, foi achado o corpo de uma das vítimas do acidente do avião Tu-154 do Ministério da Defesa”, informou o porta-voz da pasta, general Igor Konashenkov.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou que seu primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, lidere a investigação do acidente do avião.

Segundo um comunicado do Kremlin, por instruções de Putin, o chefe do governo estará à frente da comissão que investigará o acidente.

“O chefe de Estado expressou suas mais profundas condolências aos parentes e amigos dos falecidos na catástrofe aérea”, acrescenta a nota da presidência russa.

MD/efe(lusa/afp

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

 

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Aviação Defesa Destaques Espaço Navios Tecnologia

Espuma feita de metal pode resistir a um projétil de arma de fogo e salvar vidas

Acredite: uma espuma feita de metal é forte o suficiente para transformar o projétil de uma arma de fogo em pó.

O material, muito mais leve do que placas de metal, pode ser usado para criar novos tipos de coletes ou na composição de veículos, tornando-se uma forma ainda mais eficiente de salvar pessoas de acidentes.

A força dos CFMs (Composite metal foams, que significa espumas metálicas compostas em português) ficou provada em um teste feito com o material. O disparo de um projétil de 7,62 x 63 milímetros contra a espuma feita de metal, seguindo procedimentos do Instituto Nacional de Justiça dos Estados Unidos (NIJ, em inglês), simplesmente espatifou-se.

“Poderíamos parar um projétil com uma espessura de menos de uma polegada (2,54 centímetros) do material, e a área do impacto do projétil ficaria com uma curvatura inferior a 8 milímetros. Para se ter uma ideia, o NIJ permite que essa curvatura da área do impacto seja de até 44 milímetros em um colete”, disse Afsaneh Rabiei, professora de Engenharia Mecânica e Aeroespacial na Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

A professora passou anos desenvolvendo o material. Ele é produzido através de bolhas de gás geradas no metal fundido, formando uma mistura espumosa que se solidifica em uma substância leve. A Universidade do Estado da Carolina do Norte diz que, transformar projétil em pó, é só um dos primeiros benefícios dos CFMs.

Os resultados dos estudos sobre a espuma de metal foram publicados em 2015, e provou-se que ela é extremamente eficiente também como bloqueador radioativo e que suporta fogo e calor duas vezes melhor do que placas metalizadas.

Por ser tão forte quanto leve, o material pode, por exemplo, ser útil em viagens espaciais e no transporte de resíduos nucleares. A expectativa dos cientistas é de que a espuma de metal reinvente a forma de proteção balística e de se carregar elementos radioativos ou de altas temperaturas.

Espuma metálica sintática

Os materiais celulares, mais conhecidos na forma de espumas metálicas, já têm lugar garantido em aplicações estruturais de alto desempenho.

Esse lugar se ampliou com a criação da “espuma metálica sintática” que também é flexível.

Espumas sintáticas são materiais compósitos com a estrutura repleta de partículas ocas. O termo sintático significa “colocar junto” as nanopartículas ocas, que resultam em baixa densidade, elevada relação resistência/densidade, baixo coeficiente de expansão termal e até transparência a determinadas ondas, como radar e sonar.

O material, formado por uma espuma metálica recoberta dos dois lados por folhas de fibra de carbono, é extremamente leve, flexível e tem a capacidade de suportar deformações e absorver energia.

Espuma sintática

As espumas metálicas são materiais altamente porosos e resistentes, mas a tecnologia para sua fabricação é um segredo guardado a sete chaves porque é muito difícil controlar o tamanho e o formato dos poros que dão ao material suas propriedades mais interessantes.

O problema foi resolvido usando partículas ocas de óxido de alumínio para prover os poros do material. Como o processo de fabricar as nanopartículas ocas é mais simples, o material compósito é criado exatamente com as características desejadas.

O exito na fabricação de uma espuma metálica sintática na forma de um sanduíche, permitiu manter a flexibilidade e a capacidade de absorção de energia no material compósito resultante.

Edição: konner@planobrazil.com

Fontes: YAHOO e Inovação Tecnológica

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CEO da Lockheed diz a Trump que vai trabalhar para diminuir custo do F-35

A presidente-executiva da Lockheed Martin, Marillyn Hewson, disse na sexta-feira ao presidente eleito Donald Trump que estava comprometida em reduzir o custo do avião de combate F-35 produzido pela empresa, um dia depois de Trump ter questionado o preço do caça no Twitter.

Marillyn disse que falou com Trump na tarde de sexta-feira e assegurou que tinha ouvido sua mensagem de maneira “alta e clara”.

Em uma mensagem no Twitter na quinta-feira, Trump sugeriu que uma aeronave mais antiga feita pela rival aeroespacial Boeing poderia oferecer uma alternativa mais barata ao F-35.

“Baseado no tremendo custo e no excesso de custos do F-35 da Lockheed Martin, eu pedi à Boeing que superasse o preço de um F-18 Super Hornet comparável!”, disse Trump.

Hewson, em um comunicado postado no Twitter, disse que teve “uma conversa muito boa” com Trump na sexta-feira.

“Eu dei meu compromisso pessoal de levar o custo para baixo de forma agressiva”, afirmou.

As ações da Lockheed fecharam em baixa de 1,3 por cento na sexta-feira, aproximando-se de seus níveis mais baixos desde as eleições norte-americanas de 8 de novembro.

Phil Stewart / Eric Beech 

Foto: flickr

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

 

 

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Rússia acumula inimigos com sua ascensão no Oriente Médio

A vitória tem um custo.

Desde que entrou na guerra síria no ano passado, a Rússia teve sucesso em minar o status dos Estados Unidos como única superpotência do Oriente Médio, uma conquista que culminou com a queda de Aleppo.

Essa ascensão transformou Moscou num intermediário indispensável nas negociações da região. Na Europa, também, a onda de imigrantes desencadeada pela guerra síria reforçou o domínio de Moscou, alimentando partidos populistas que simpatizam com o presidente Vladimir Putin.

O assassinato do embaixador da Rússia na Turquia na segunda-feira, no entanto, colocou em evidência o outro lado dessa ascensão vertiginosa. À medida que a influência americana diminuiu, a Rússia ocupou o lugar que os EUA ocuparam por muito tempo na mente de muitas pessoas no Oriente Médio: uma potência estrangeira imperialista encampando uma guerra contra os muçulmanos e o Islã.

Não há nenhum episódio recente de protesto antiamericano na região. Mas em meio à agonia de Aleppo, dezenas de milhares de manifestantes convergiram este mês para as áreas onde estão as missões russas, de Istambul à Beirute à Cidade do Kuwait. Nas manifestações, lideradas por legisladores locais, a mensagem era clara: “A Rússia é o inimigo do Islã”.

O policial turco que assassinou o embaixador Andrey Karlov na segunda-feira gritou que estava vingando o sofrimento de Aleppo, que havia sido submetida a um ano de bombardeio russo antes que o regime sírio e seus aliados xiitas conquistassem as partes dominadas por rebeldes da cidade em semanas recentes.

O assassinato do diplomata, embora condenado pelos governos, foi recebido com alegria nas redes sociais árabes e nos campos de refugiados palestinos.

“A Rússia certamente está sendo vista como o novo vilão do bairro”, diz Hassan Hassan, acadêmico do Instituto Tahrir para a Política do Oriente Médio, em Washington. “A forma como as pessoas reagem ao envolvimento do país na dizimação de uma das cidades sunitas mais reverenciadas no Oriente Médio, Aleppo, é uma reminiscência de como os EUA foram vistos após a ocupação do Iraque. Você só precisa ver como o assassino do embaixador russo foi glorificado em toda a região para ter uma ideia de como a Rússia é desprezada pela população hoje.”

A queda de Aleppo também está intensificando o apoio na região a grupos jihadistas que planejam ataques terroristas no Ocidente, como o Estado Islâmico e o Al Qaeda.

“Há uma sensação de que Aleppo representa uma nova fase”, diz o legislador libanês Basem Shabb. “O nível de fúria é muito alto e não há dúvida de que o que aconteceu lá vai alimentar um monte de extremismo, na Europa e em outras partes do mundo.”

O assassinato de 12 pessoas em uma feira de Natal em Berlim na segunda-feira pareceu ser um desses ataques extremistas. Uma dia depois, o Estado Islâmico assumiu responsabilidade pelo atentado.

Embora o autor do ataque ainda seja desconhecido, esse tipo de ato terrorista na Europa passou a se misturar na mente da opinião pública com o influxo maciço de refugiados que começou depois que a chanceler alemã Angela Merkel, uma das críticas mais duras de Putin no Ocidente, decidiu conceder asilo para os sírios fugindo da guerra no ano passado.

Um coro de políticos anti-imigração em toda a Europa já acusou Merkel, que enfrentará eleições no próximo ano, de ser responsável pela carnificina em Berlim.

O fato de a Rússia ter se tornado um alvo dos jihadistas de forma nunca vista antes ficou claro em outubro de 2015, apenas um mês depois que forças e aviões de guerra russos foram despachados para a Síria. Um avião de passageiros russo foi derrubado sobre a península egípcia do Sinai, com o Estado Islâmico reivindicando a responsabilidade.

Mas o envolvimento da Rússia — com tropas e ajuda financeira — aumentou. A ira contra a Rússia é hoje também mais evidente e não se limita aos jihadistas.

Isso gera um problema para a meta do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de forjar um entendimento com Putin e o Irã sobre o futuro da Síria. Até recentemente, a Turquia era um dos inimigos mais determinados do regime de Assad, mas suavizou essa postura em troca da aquiescência russa a uma operação militar turca contra o Estado Islâmico e as milícias curdas no norte da Síria. Os ministros de Relações Exteriores dos três países discutiram sobre a Síria em uma reunião na terça-feira em Moscou.

“Desde 2011, a narrativa do governo turco criou e alimentou um eleitorado doméstico que é muito sensível à tragédia na Síria”, diz Sinan Ulgen, ex-diplomata turco que agora chefia o grupo de estudos Edam, em Istambul. Essa abordagem mais prática em relação à Síria “certamente está criando frustração entre estes eleitores.”

Na Turquia e em outros lugares da região, a opinião pública hostil significa que os representantes e as missões da Rússia terão de aplicar as mesmas restrições de segurança que dificultaram o trabalho dos diplomatas americanos por décadas.

No entanto, assim como as manifestações antiamericanas e os ataques a diplomatas americanos não expulsaram os EUA do Oriente Médio, Moscou também não deve ser dissuadido pela morte de Karlov.

Tanto a Turquia quanto a Rússia estão determinadas a não deixar que o episódio prejudique a recente aproximação entre os dois países.

Independentemente do que acontecer, os líderes regionais estão bem cientes que Moscou chegou ao Médio Oriente para ficar.

“Eles querem ser considerados, ter força suficiente para que nada aconteça na região sem seu consentimento”, disse o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul-Gheit, em entrevista aos The Wall Street Journal na semana passada. “E eles estão tendo sucesso.”

YAROSLAV TROFIMOV

Foto: Artyom Korotayev / TASS / Zuma Press – Na Europa, a onda de imigrantes desencadeada pela guerra síria reforçou o domínio de Moscou, alimentando partidos populistas que simpatizam com o presidente Vladimir Putin. 

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: WSJ