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ESPAÇO: O primeiro Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) do Brasil está pronto e deve ser lançado em março de 2017

O equipamento foi apresentado a uma comitiva do governo brasileiro em Cannes, no sul da França, onde fica a sede da Thales Alenia Space (TAS), empresa fornecedora do satélite. Crédito: Ministério da Defesa
O equipamento foi apresentado a uma comitiva do governo brasileiro em Cannes, no sul da França, onde fica a sede da Thales Alenia Space (TAS), empresa fornecedora do satélite.
Crédito: Ministério da Defesa

Delegação brasileira esteve na França para vistoriar o equipamento. Segundo o secretário-executivo do MCTIC, satélite tem grande importância para a expansão da banda larga e a segurança das comunicações do Brasil.

O primeiro Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) do Brasil está pronto e deverá ser lançado no dia 21 de março de 2017. O equipamento foi apresentado a uma comitiva do governo brasileiro na quinta-feira (1º), em Cannes, no sul da França, onde fica a sede da Thales Alenia Space (TAS), empresa fornecedora do satélite. O secretário-executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Elton Zacarias, que integra a comitiva junto com o presidente da Telebras, Antonio Loss e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, destacou a importância do satélite para levar banda larga às áreas remotas do país e também para as comunicações de defesa do Brasil. O projeto é uma parceria entre o MCTIC e o Ministério da Defesa, com investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões.

Nos próximos dias, o satélite começará a ser embalado para o transporte até a base de Kourou, na Guiana Francesa. A previsão é que o equipamento seja colocado em órbita a bordo do foguete Ariane-5, em março do próximo ano. O satélite, de 5,8 toneladas e 5 metros de altura, ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo o território brasileiro e o Oceano Atlântico.

Segurança

Segundo o secretário Elton Zacarias, a visita à empresa Thales Alenia Space incluiu uma apresentação sobre o satélite geoestacionário e a participação de técnicos brasileiros na troca de experiências tecnológicas. O grupo, explicou Zacarias, teve a oportunidade de conhecer as instalações e o potencial da empresa responsável pela construção do equipamento. “Ver toda a estrutura envolvida dá mais segurança para que o satélite consiga atender às expectativas do governo, que fez um alto investimento”, disse o secretário.

O Satélite Geoestácionário de Defesa e Comunicações Estratégicas começou a ser construído em janeiro de 2014. A montagem do equipamento ficou a cargo da empresa francesa sob contrato com a Visiona, uma joint venture formada pela Telebras – estatal federal do setor de telecomunicações – e a Embraer – empresa privada dos setores aeroespacial e de defesa. O projeto prevê a transferência de tecnologia e a capacitação de técnicos de diversos órgãos do governo brasileiro.

Nos últimos meses, o satélite passou pela fase final de testes na França. Foi testado o sistema de telecomunicações e de telecomando, que simula as condições de transmissão das antenas. Os profissionais que vão operar o artefato estão na última fase de treinamentos. Foram mais de dois anos de preparação. A partir de janeiro de 2017, cerca de 60 profissionais, militares das Forças Armadas e funcionários da Telebras usarão simuladores para testar a operação do satélite.

O equipamento vai operar nas bandas X e Ka. A primeira é uma faixa de frequência destinada exclusivamente ao uso militar, correspondendo a 30% da capacidade total do satélite. Já a banda Ka, que representa 70%, será usada para ampliar a oferta de banda larga pela Telebras. A vida útil do SGDC está estimada em 18 anos.

Fonte: MCTIC

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OTAN e União Europeia consolidam laço transatlântico antes da posse de Trump

A OTAN e a União Europeia superaram anos de rivalidade nesta terça-feira e acordaram um plano de sete pontos para se contrapor a táticas como ciberataques, guerra de informação e milícias irregulares da Rússia e outros potenciais agressores.

O pacto, que não tem vigência legal, permite que os seis países da UE fora da OTAN se beneficiem de parte do apoio militar dos Estados Unidos, apoio que o presidente eleito Donald Trump sugeriu que poderia ficar condicionado a um maior gasto europeu com defesa.

As propostas devem reassegurar a Europa que os EUA, principal potência da Organização do Tratado do Atlântico Norte, estão comprometidos com a região, apesar dos comentários de Trump durante a campanha que deixaram aliados inquietos, disseram autoridades da OTAN.

“Nós estamos fortalecendo os laços transatlânticos e a ligação vital entre a América do Norte e a Europa”, disse o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, à imprensa, junto com a responsável da UE por política externa, Federica Mogherini.

“O compromisso dos EUA com a OTAN transcende a política. Eu estou confiante que a maioria dos dois principais partidos (dos EUA) estão comprometidos com a OTAN”, disse John Kerry, secretário de Estado norte-americano de saída do cargo, a jornalistas.

Durante a campanha eleitoral dos EUA, Trump contestou a tradicional política externa norte-americana para a Europa, dizendo que Washington poderia não defender aliados da OTAN que não pagam mais pela sua própria segurança.

O acordo entre a UE e a OTAN ocorreu na sequência de um acordo sobre um fundo separado de defesa da Europa para pagar por helicópteros, aviões e outros equipamentos, em parte um sinal para Trump.

O plano da UE e da OTAN tem como objetivo assegurar que qualquer recurso dos 22 aliados da OTAN e da UE estejam disponíveis para operações tanto de um quanto do outro bloco.

“Com um cenário de segurança em transformação, é uma coisa boa para a OTAN e para a União Europeia a combinação de esforços”, declarou o ministro do Exterior alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Ciberataques russos, uma crise imigratória e estados em crise perto da Europa podem exigir tanto uma resposta militar da OTAN quanto uma abordagem mais suave que a UE poderia proporcionar para combater propaganda e dar treinamento para estabilizar governos, disseram autoridades.

Robin Emmott / Sabine Siebold

Foto: Secretário de Estado dos EUA John Kerry, e o Secretário Geral da OTAN Jens Stoltenberg durante reunião da OTAN com os chanceleres em sua sede em Bruxelas, em terça-feira, o6 de dezembro de 2016.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

 

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Após a Índia, o carro de combate T-90SM deve ter o Peru como seu próximo destino

O governo do Peru planeja adquirir tanques de exportação russos T-90SM de última geração, segundo informou o especialista militar do “Izvêstia”, Dmítri Litóvkin. Em novembro passado, o Ministério da Defesa da Índia comprou 464 unidades do mesmo modelo.

“O próximo cliente da empresa russa Uralvagonzavod pode ser Peru. O T-90SM é uma versão profundamente modernizada do T-90 e está um passo atrás do Armata”, disse Litóvkin à Gazeta Russa.

“O contrato com a Índia é avaliado em 2 bilhões de dólares, então, é possível deduzir que o preço de cada veículo gira em torno de 4,3 milhões”, acrescentou Litóvkin.

Segundo o especialista, o principal tanque de combate das tropas terrestres peruanas é o T-55, e o governo está contemplando a possibilidade de consertar e modernizá-los.

A cooperação técnico-militar entre a Rússia e Peru tem mais de quatro décadas, mas nos últimos anos sofreu um impulso significativo; entre 2002 e 2015, foram assinados contratos em um valor superior a US$ 700 bilhões.

Um dos melhores, segundo os EUA

A revista norte-americana “The National Interest” incluiu o tanque T-90 na lista dos cinco melhores do mundo. Os veículos norte-americano Abrams e o alemão Leopard também figuram nessa mesma relação.

Segundo o analista militar Kyle Mizokami a principal vantagem do T-90 é o alcance de seu canhão D-81 TM (2A46), cujo calibre é de 125 milímetros.

A “The National Interest” destaca também que o sistema de controle de disparo do tanque russo leva em conta uma multiplicidade de fatores, entre eles dados referentes à deformação do cano devido ao aquecimento durante os disparos.

 

Visita à fábrica e passeio de tanque

A Uralvagonzavod, um dos maiores fabricantes de tanques do mundo, lançou em abril deste ano um projeto de turismo industrial militar chamado Voyentur. A ideia é que os clientes possam visitar a fábrica de Níjni Taguil (a 1.700 km de Moscou), onde os T-90 são fabricados, além de entrar em uma área de acesso restrito.

Segundo os organizadores do projeto, os visitantes podem observar em primeira mão a produção de tanques russos e visitar o Museu de Tanques, onde é exibida toda a linha de tanques russos desde o soviético T-34 às versões modernizadas do T-90, bem como vários modelos de armaduras de tanques, mísseis e etc.

Na última etapa do programa, os turistas assistem a uma aula com a tripulação de um T-90 e dão um volta em um tanque real. Durante a excursão, é oferecida ainda uma degustação da culinária militar.

O passeio, projetado para grupos de até 25 pessoas, custa US$ 5.500.

ANDRÉS GONZÁLEZ

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Gazeta Russa

http://www.planobrazil.com/mbt-brazil-uralvagonzavod-t-90ms-tagil/

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Por que a China está na porta da África

A China está construindo intensivamente uma base militar sua no Chifre da África, que também é considerado como porta para a África.

O membro do conselho militar e chefe do Estado-Maior Conjunto do Exército de Libertação Popular (ELP) Fang Fenghui agradeceu, durante um encontro em Pequim, ao chefe do Estado-Maior de Djibouti pela cooperação na construção da base.

Este já é o segundo contato entre os dois altos responsáveis militares no último mês. Nos finais de novembro, o vice-chefe do presidente do Conselho Central Militar da China, Fan Changlong, visitou Djibouti.

A mídia ocidental informou que a construção da primeira base militar chinesa no estrangeiro foi o tema principal das negociações.

O entendimento para a construção da base foi atingido durante o encontro entre o presidente chinês Xi Jinping e o seu homólogo de Djibouti Ismaïl Omar Guelleh em dezembro de 2015. Nos finais de janeiro de 2016, Pequim confirmou a assinatura do acordo respectivo.

Hong Lei, porta-voz da chancelaria chinesa, declarou em 21 de janeiro que a base permitirá prestar apoio logístico a navios militares da China durante as operações contra piratas.

Em Pequim a base não é classificada como militar. Ela é frequentemente chamada de base de reabastecimento material e apoio técnico.

Em 30 de novembro, o representante oficial do Ministério da Defesa da China Yang Yujun notou que a base em Djibouti se destina ao reabastecimento do corpo de manutenção de paz que presta serviço no país onde estão aquartelados cerca de 800 soldados da paz.

Ao mesmo tempo, o responsável oficial do ELP admitiu que de fato se trata da construção de uma base militar da China no estrangeiro.

Ele declarou que “não está informado sobre quaisquer planos para a construção de bases em outras regiões, além de Djibouti”.

Além dos militares chineses, no território desse país africano também estão presentes militares do Japão, Alemanha e Espanha e há bases militares da França e dos EUA. O território é usado no combate à pirataria. Os franceses estão no território desde a época colonial, e os americanos, que atualmente tem lá cerca de 4.000 soldados, desde 1999.

Estes últimos aproveitam o território para apoio às operações militares no Iêmen e Somália, especialmente para realizar ataques de drones contra terroristas.

Ao criar a base militar em Djibouti, a China cria mais um atributo de potência mundial, destacou na entrevista à Sputnik China o especialista em África e Oriente Médio Stanislav Tarasov:

“Estamos falando do cenário normal das ações de um Estado que compreende a sua importância e começa realizando seu potencial no plano geopolítico. Tudo isso é completamente lógico. Vimos primeiramente o reforço de seu potencial econômico, e depois também da influência política da China. Atualmente ela está conquistando as suas posições no mundo, num sentido geopolítico amplo, com atributos clássicos de presença regional. Estes são a compra de ativos e a abertura de empresas no estrangeiro, e agora também de bases.”

Tarasov destacou também que o fortalecimento chinês acontece simultaneamente com o enfraquecimento dos EUA, que estão perdendo peso político “por falta de vontade em procurar uma linguagem comum com os outros países”.

Ainda de acordo com o especialista russo, o papel geopolítico que a base em Djibouti desempenha é imenso pela sua proximidade às vias de comércio mundial e canais de transporte de matérias-primas.

Por isso é muito importante ter um ponto de manutenção de navios e assegurar o acesso logístico das empresas estrangeiras aos mercado da Etiópia e dos países do Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA na sigla em inglês). É pela existência deste mercado e pela necessidade de garantir acesso a este através de Djibouti que o Corno da África é chamado de porta de África.

O especialista chinês do Centro das Relações Internacionais do Instituto de Comunicações (Pequim) Yang Mian destacou também na entrevista à Sputnik China a importância estratégica da base em Djibouti para o seu país.

“Não é uma base militar no sentido comum. A base que a China atualmente está construindo em Djibouti está orientada primeiramente para o apoio material, técnico e logístico à marinha de guerra, mas ela não possui funções estratégicas”, disse.

A China tem posições muito fortes no local após executar uma série de grandes projetos importantes, inclusive a construção, a terminar em 2016, da ferrovia de Djibouti a Adis Abeba, capital de Etiópia, que custou 4 bilhões de dólares. Este fato é destacado como muito importante por vários especialistas, porque esta ferrovia abre possibilidades ao aproveitamento do mercado da Etiópia e de todo o mercado da África Oriental.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

 

 

 

 

 

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O que impediu a União Soviética de ganhar a Guerra Fria?

O final da Guerra Fria não estava predeterminado: cada nova etapa de confrontação bipolar poderia ter tido um outro resultado, opina o observador da The National Interest, Robert Farley.

O jornalista propõe analisar a Guerra Fria através do prisma das perspectivas estratégicas tanto dos EUA como da URSS, tomando em consideração as diferenças entre a construção arquitetônica de ambos os “sistemas”.

“Até aos anos oitenta havia muitas pessoas no Ocidente que acreditavam na inevitabilidade da vitória dos Sovietes [ou seja, da União Soviética]”, afirma Farley, adiantando que há explicação para este fenômeno.

Segundo diz o analista, a economia de mercado e a concorrência não teriam funcionado em situação de mobilização militar, e a prova disso é o legado da Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, o sistema econômico de economia planejada “funcionou bastante bem durante a época militar”, diz Farley na The National Interest.

O autor está convencido de que na década de 60 existia o risco de um colapso total da sociedade norte-americana. A Guerra do Vietnã, o aumento dos protestos sociais e o perigo permanente de guerra nuclear colocaram os EUA à beira da destruição. Naquele momento, as expetativas dos estrategistas soviéticos estavam prestes a ser realizadas, mas o sistema social e econômico dos EUA conseguiu provar sua alta resistência ao estresse, diz-se no artigo.

Farley considera que o Ocidente venceu devido às falhas estratégicas da chefia soviética.

“Se a URSS tivesse se comportado de modo mais agressivo na primeira década após a OTAN ter sido criada, ela bem poderia ter derrotado a Aliança”, opina o autor. Com isso, ele acredita que “a ofensiva das tropas soviéticas na Europa Ocidental nos anos 50 poderia com grande probabilidade ter sido bem-sucedida”.

Além disso, o observador chama a atenção dos leitores às medidas atrasadas de liberalização econômica. A União Soviética deveria ter seguido o caminho da China comunista ainda antes da “própria China”, afirma o autor.

O final da Guerra Fria não estava predefinido, mas a falta da “intuição” estratégica da elite política da URSS pregaram uma partida à superpotência, concluiu Robert Farley.

Foto: © Sputnik/ Vyacheslav Runov

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

 

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Trump presidente e o Oriente Médio: Os Estados Unidos deixarão de atuar na região?

As eleições para a presidência dos Estados Unidos chamaram a atenção do mundo inteiro durante o ano todo, principalmente devido à importância do país para as relações internacionais contemporâneas. A ansiedade tomou conta de todos no último mês, reta final da campanha eleitoral. Os candidatos, Hilary Clinton e Donald Trump não eram vistos como os melhores concorrentes à Casa Branca por alguns e a vitória do segundo causou furor.

Os principais meios de comunicação europeus, sejam eles de esquerda ou de direita, progressistas ou conservadores, ficaram profundamente assustados com a perspectiva de Donald Trump liderar a única superpotência do mundo. Até mesmo proeminentes pensadores conservadores nos Estados Unidos veem Trump como uma ameaça à democracia estadunidense e, possivelmente, ao mundo em geral.

Mas mesmo se Trump tivesse perdido a eleição, a pergunta teria sido como aproximadamente a metade dos votos válidos da principal democracia ocidental poderia apoiar um homem tão desqualificado para ser o líder mais poderoso do mundo. Agora todos se perguntam como será o governo de Trump, pois, se lembrarmos de Hobbes, o que mais gera medo no ser humano é o desconhecido. E o governo de Trump ainda é uma incógnita até mesmo para os analistas mais experientes. Entretanto, tentaremos delinear possíveis quadros da política externa para o Oriente Médio a partir dos discursos e posturas tomadas pelo novo presidente estadunidense na campanha eleitoral.

Como já publicado no Eris em fevereiro de 2016, o Oriente Médio é um espaço em branco no mapa para Trump. Ele tem sido duramente criticado por sua falta de know how em política externa, inclusive não conseguindo distinguir o Hezbollah do Hamas, durante entrevista. Em mesma medida, Trump cita regularmente as políticas israelenses atuais, que já dividem a comunidade judaica americana, como sendo bem-sucedidas e replicáveis para os Estados Unidos. Ele cita o polêmico muro que divide Israel e Palestina como um exemplo a ser replicado pelos Estados Unidos em relação ao México, e tem apelado repetidamente para a expulsão das famílias de “terroristas”, mais um ponto controverso da política israelense de demolir casas de supostos terroristas. Muitos críticos de Donald Trump o acusaram de explorar atos realizados pelo Estado Islâmico e o medo do terrorismo para intensificar um movimento anti-islâmico e alavancar apoio. Com isso, podemos afirmar que o Presidente Trump distanciará aliados no mundo árabe, como os Emirados Árabes Unidos, país islâmico da Península Arábica.

A nova abordagem da política externa de Trump (de acordo com os discursos proferidos durante a campanha eleitoral) baseia-se nos Estados Unidos que fazem “bons negócios” e recebem “reembolsos” por proteção ou intervenção no exterior.  Dessa forma, a imagem dos EUA como “salvadores da pátria” por intervir em diversas questões mundo afora não fará mais sentido, contrariando as tradições americanas familiares da política neoconservadora ou liberal intervencionista. Como parte desta abordagem dos interesses dos EUA, o presidente eleito regularmente proferiu que deixassem Putin, Assad e o ISIS lutarem sozinhos na Síria.

Enquanto isso, para Israel, apesar da comemoração imediata, essas escolhas de Trump não serão nem um pouco favoráveis. Quanto mais os Estados Unidos saírem da região, mais Putin e seus aliados de fato, especialmente o Irã e o Hezbollah, fortalecerão sua oposição a Israel.

Donald Trump gosta de se vangloriar de suas credenciais pró-Israel. Entretanto, quando questionado pela primeira vez se Jerusalém deveria ou não ser a capital de Israel e se a Embaixada dos Estados Unidos deveria ser movida para lá, ele se recusou a dar uma resposta clara.Assim, Donald Trump não mostrou nenhum fundamento ideológico, além de “tornar a América grande novamente”, que garantisse que ele apoiaria Israel em tempos difíceis, o que torna um pouco contraditória a comemoração exacerbada e prematura de alguns ministros israelenses. Ele já mostrou pouca vontade em defesa da independência de outros Estados contra inimigos maiores. Por exemplo, quando questionado se acreditava ou não que a Ucrânia deveria fazer parte da OTAN, disse que não se importava. Ele não sente nostalgia por apoiar aliados estratégicos do último século: “Se alguém atacar o Japão, temos que ir imediatamente e começar a Terceira Guerra Mundial, se nós somos atacados, o Japão não precisa nos ajudar. De alguma forma, isso não parece tão justo. Isso parece bom?”, disse Trump. O destino de Israel em termos de sua dependência militar e estratégica em relação aos EUA estaria sujeito a uma espécie de oportunismo errático baseado nos caprichos de Donald Trump e nos últimos temas de sua mentalidade de bunker.

Os contornos dessa política externa ainda nascente deixam os países do Oriente Médio sem “orientação” internacional e com dúvidas crescentes sobre a sobrevivência das coalizões que lá se formaram. Será que a coalizão ocidental na luta contra o Estado Islâmico persistirá até o fim do mandato de Obama, quando não há garantia de que Trump gostaria de mantê-la funcionando? A coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita e o Iêmen será sustentável sem o apoio estadunidense, caso Trump decida que “seus” Estados Unidos estão isentos de compromissos anteriores? As definições “pró-ocidentais” e “anti-ocidentais” que se tornaram vinculadas aos países da região ao longo das últimas décadas significam alguma coisa?

Todos os dilemas agora enfrentados pelos líderes da região também serão afetados pelas relações que surgem entre a Rússia e os Estados Unidos. A grande preocupação é que a coalizão iraniano-russa na Síria também se expandirá para o Iraque, caso os Estados Unidos decidam que seu trabalho está finalizado.

Esta expectativa já está perturbando a Arábia Saudita, onde numerosos artigos na imprensa afirmam que, a partir de agora, o principal desafio será deter a expansão da influência do Irã. Além disso, o reino saudita não pode contar com as promessas de Trump de reabrir e retrabalhar o acordo nuclear do Irã. Legalmente ele não pode fazê-lo, uma vez que o acordo não é apenas entre os Estados Unidos e o Irã, mas também entre cinco outras potências e o Irã.

No plano estratégico, se Trump decidir assumir uma posição isolacionista, abriria as frentes síria e iraquiana à influência iraniana. Se ele tentar mexer com o acordo nuclear, o Irã será capaz de retratar os Estados Unidos como a parte que viola o acordo e pedir a ajuda de outros, especialmente da União Europeia, para manter as sanções levantadas ao longo prazo.

É evidente que ainda temos que esperar para concluir qualquer análise sobre a política externa do governo Trump, mas baseado em seus discursos, entrevistas e declarações podemos esperar reviravoltas para o próximo ano.

Karina Stange Calandrin

  • Karina Stange Calandrin é mestranda em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP, PUC-SP) e pesquisadora do GEDES.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: ERIS

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Rejeição a reforma constitucional na Itália sinaliza problemas para o euro

O resultado do referendo de domingo na Itália reforçou a divisão crescente entre a economia necessária para sustentar a moeda comum da Europa e a forte onda de populismo no continente.

Os italianos rejeitaram com veemência a mudanças constitucionais propostas para simplificar a legislação e impulsionar a competitividade, marcando um início sóbrio para o que poderá ser um ano definidor para a União Europeia.

Eleições nacionais devem ser realizadas em 2017 em três países que são membros fundadores do bloco. O voto de domingo elevou a probabilidade de a Itália também ter eleições parlamentares no ano que vem.

Em todos esses países, os partidos mais influentes estão perdendo terreno para os movimentos populistas, muitos deles de extrema-direita. É certo que na Áustria, porém, os eleitores no domingo viraram as costas para a candidatura presidencial do populista de extrema-direita Norbert Hofer, cujas promessas de campanha incluíam a redução da imigração e reintegração das fronteiras nacionais. O líder do Partido Verde, Alexander Van der Bellen, ganhou com mais de 53% dos votos para o cargo, que é basicamente decorativo.

As votações no fim de semana provocaram uma forte oscilação no euro, que chegou a recuar 1% ante o dólar, mas se recuperou e terminou o dia ontem com alta de 1%. A volatilidade aumenta as preocupações sobre se a moeda sobreviverá numa era de populismo e de políticas divergentes.

“O euro se recupera, mas a cada um desses eventos políticos, ele leva outro golpe, então, é de se imaginar até quando vai aguentar”, diz Richard Benson, diretor do portfólio de investimentos da gestora Millennium Global Investments, de Londres. E mais golpes podem ser deferidos em breve.

O grande vencedor da eleição de domingo na Itália foi Beppe Grillo, um comediante que se tornou político, e seu partido populista Movimento 5 Estrelas, que quer um referendo não vinculativo sobre a adesão da Itália ao euro, o fim do dos limites de gastos do governo impostos pela UE e a garantia de renda para todos os cidadãos.

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, argumentou que seu país precisa apoiar as mudanças constitucionais ou será deixado para trás. Ele disse que a Itália precisa reduzir a burocracia e facilitar os negócios das empresas. Depois da derrota de domingo, ele apresentou sua resignação ontem.

“O sentimento de oposição às elites do governo é mais forte que o desejo de reforma”, diz Stefano Stefanini, consultor da empresa de lobby e assuntos públicos Podesta Group e auxiliar do ex-presidente italiano Giorgio Napolitano. “Há uma relutância em mudar, um conservadorismo inato na Itália.”

Este é um paradoxo existente no centro da política europeia — e americana — atualmente: uma resistência a mudanças entre os eleitores está levando a um aumento das escolhas contrárias ao governo nas urnas.

Mesmo se os movimentos populistas do Ocidente não consiguirem chegar ao poder, eles já estão agitando o centro. Partidos já estabelecidos como o de centro-esquerda de Renzi estão sitiados. O presidente francês François Hollande anunciou na semana passada que não vai disputar uma reeleição este ano — a primeira vez que isso acontece na política francesa no período do pós-guerra. Seu Partido Socialista é tão impopular que é improvável que chegue à rodada final das eleições.

Os partidos de direita estabelecidos também estão respondendo, frequentemente adotando a retórica nacionalista adotada pelos novatos e, às vezes, mudando as políticas como consequência.

Poucos economistas duvidam que a Itália, a terceira maior economia da zona do euro, precisa de reformas profundas. Sem elas, muitos questionam se o país conseguirá sobreviver no longo prazo usando a mesma moeda que a poderosa Alemanha.

Desde que a Itália adotou o euro em 1999, seu produto interno bruto se estagnou e a dívida do governo explodiu para 133% da produção econômica anual, a segunda maior da Europa depois da Grécia.

Reformar as economias nacionais é essencial para sanar os pontos fracos da zona do euro. Mas pode não ser suficiente. Muitos economistas e autoridades dizem que também é necessária uma maior união entre os 19 países que usam o euro, com um maior compartilhamento dos riscos econômicos e financeiros. As duas opções se tornaram mais difíceis com a ascensão do populismo político e do nacionalismo econômico por toda Europa, que possibilitou o resultado de domingo na Itália.

Tudo isso coloca mais pressão sobre a Alemanha e sua líder, Angela Merkel, para tentar unir uma UE cada vez mais fracionada, ao mesmo tempo em que o Reino Unido se retira do bloco, depois da decisão dos eleitores britânicos no referendo de junho.

Mas a própria Merkel está sendo desafiada pela extrema-direita, limitando seu espaço de manobra. Muitos alemães estão furiosos com a decisão da premiê de acolher mais de um milhão de refugiados no ano passado, assim como os subsídios do país para a endividada Grécia.

Com Hollande de saída — e a Frente Nacional de extrema-direita apresentando um grande desafio na França — o motor franco-germânico tradicional do progresso da UE também está limitado.

Embora Grillo tenha sido fundamental para a vitória do “não”, isso não significa que ele ganhará as próximas eleições. A iniciativa de Renzi foi desfeita por uma coalisão temporária entre o Movimento 5 Estrelas, a Liga Norte nacionalista e os eleitores da direita tradicional e da extrema-esquerda.

Eles votaram juntos no domingo para derrubar Renzi, mas seus interesses na eleição geral podem divergir e não é provável que eles governem juntos, diz Valerio de Molli, sócio-gerente do The European House-Ambrosetti, um centro de estudos de Milão.

Mas mesmo que não cheguem ao governo, Grillo e outros insurgentes estão mudando a política na Europa.

STEPHEN FIDLER

Foto: Beppe Grillo – Líder do movimento populista Cinco Estrelas, é um dos grandes vitoriosos do referendo de domingo na Itália.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: WSJ

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ADSUMUS: Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais (CGCFN) realiza encontro de Capitães de Mar e Guerra

Encontro de Capitães de Mar e Guerra da reserva e reformados
Encontro de Capitães de Mar e Guerra da reserva e reformados

O Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais (CGCFN) promoveu, no dia 23 de novembro, o encontro de Capitães de Mar e Guerra Fuzileiros Navais da Reserva e Reformados, que tem como objetivo atualizar os militares quanto à situação atual do CFN. A programação foi dividida em duas etapas, de manhã as atividades aconteceram no Centro de Instrução Almirante Silvio de Camargo (CIASC) e, na parte da tarde, os 73 militares presentes seguiram para o Comando da Divisão Anfíbia (ComDivAnf).

O evento iniciou com uma palestra proferida pelo Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (FN) Fernando Antonio, sobre o setor CGCFN, seguida de uma apresentação do Comandante do CIASC. Os militares também visitaram as instalações do Núcleo de Ensino à Distância, do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais do Corpo de Fuzileiros Navais, do Centro de Jogos Didáticos, além da pista de liderança.

Após o almoço, tiveram início as atividades no ComDivAnf. A programação contou com palestras dos comandantes da Força de Fuzileiros da Esquadra, da Divisão Anfíbia e da Tropa de Reforço e visita às instalações, ao simulador de artilharia, ao mostruário no heliponto do 1º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais e ao mostruário de embarcações da Base de Fuzileiros Navais da Ilha do Governador.

Fonte: MB

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Exército Brasileiro participa da primeira missão brasileira de instrução militar na Rússia

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Moscou (Rússia) – Após 188 anos de relações diplomáticas entre o Brasil e a Rússia, com períodos de aproximação e distensão, o Exército Brasileiro contribuiu para o aprofundamento da cooperação entre os dois países, por meio da primeira missão de instrução militar do Brasil na Rússia.

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A missão aconteceu no segundo semestre de 2016, início do ano letivo na Rússia, por meio do envio de militar brasileiro para o ensino de Língua Portuguesa na Universidade Militar de Moscou (VUMO – Voyennyy Universitet Ministerstva Oborony).

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O Tenente-Coronel Flávio César de Siqueira Marques, militar brasileiro designado, relatou que, atualmente, a vertente de Portugal é ensinada na Universidade, em virtude de históricas missões militares russas em países africanos, como Angola e Moçambique.

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O militar avaliou que o ensino da Língua Portuguesa, com as peculiaridades empregadas pelas Forças Armadas do Brasil, abre caminhos para o fortalecimento da cooperação entre os dois países, facilitando o aumento do intercâmbio entre o Brasil e a Rússia na área de Defesa.

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As aulas da disciplina “Língua Portuguesa para Assuntos Militares” propiciaram extensão ao ensino universitário e consideraram a proficiência dos cadetes, que já estudam essa língua estrangeira por mais de dois anos. Dentre as oportunidades de complementação de ensino, destaca-se, como principal contribuição, o desenvolvimento de termos tipicamente militares, empregados em organizações militares e nas operações.

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O ensino oferecido incluiu dinâmicas em grupo, dispositivos eletrônicos de apoio e jogos didáticos, nos quais os instruendos puderam treinar diversos aspectos da língua portuguesa, sempre considerando o vocabulário e a tradução militar.

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A Universidade Militar de Moscou agradeceu ao Exército Brasileiro pelo apoio prestado na formação dos cadetes e relatou que é a primeira vez que a instituição recebe um militar estrangeiro, reconhecendo que o modelo poderá ser estendido a outros idiomas.

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A disciplina “Língua Portuguesa para Assuntos Militares” foi ministrada de forma complementar ao calendário escolar da Universidade. Assim, foram empregadas várias técnicas de ensino, que favoreceram o rendimento em sala de aula.

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Fonte: EB

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FAB PÉ DE POEIRA: FAB volta a atuar no Batalhão de Infantaria Brasileiro de Força de Paz no Haiti

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Cerimônia de despedida foi realizada antes do embarque

Vinte e seis militares da Força Aérea Brasileira embarcaram no sábado (02/12) para compor o 25º contingente do Batalhão Brasileiro de Força de Paz (Brabat) na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah).

Os militares fazem parte do efetivo do Segundo Comando Aéreo Regional (II COMAR) e passaram por um treinamento de seis meses junto com o Exército Brasileiro.

“As expectativas são as melhores possíveis de cumprir a missão, nos preparamos muito bem para isso. Foram seis meses de treinamento junto com o Exército e esperamos representar bem o Brasil, as Nações Unidades e a Força Aérea Brasileira”, ressalta o comandante do pelotão da FAB, Tenente Vinícius Duarte da Silva Fonseca.

Tenente Duarte é o comandante do pelotão da FAB
Tenente Duarte é o comandante do pelotão da FAB

Em Recife, os 250 militares da Marinha do Exército e da Aeronáutica participaram da cerimônia de despedida antes de embarcar no Boeing 767 da FAB que os transportou até Porto Príncipe, capital haitiana.

“Dessa vez eu estou mais experiente, mas com a mesma vontade de cumprir a missão. A saudade da família é difícil, mas com amor à missão vamos superar”, disse o Cabo Severino Alexsandro Tavares, que vai pela segunda vez para a missão de paz.

Cabo Alexsandro vai pela segunda vez para o Haiti
Cabo Alexsandro vai pela segunda vez para o Haiti

Esse voo foi o segundo a levar parte desse contingente. No total, quase mil homens e mulheres das Forças Armadas, que servem na região Nordeste, serão transportados pela FAB em quatro voos. O primeiro foi realizado na terça-feira (29/11).

Na ocasião, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, participou da cerimônia de despedida. “Os senhores completarão o contingente de 35 mil militares das Forças Armadas deslocadas para o Haiti desde 2004. Este é o quinto contingente de militares do nordeste”, disse.

Durante a solenidade de despedida, o Comandate do II COMAR, Major-Brigadeiro Luiz Fernando Aguiar, destacou a importância do apoio das famílias aos militares e a compreensão de que se trata de uma missão de extrema relevância.

Na chegada a Porto Princípe, a tropa seguiu em comboio até a sede do Brabat, onde já começaram a receber orientações sobre as instalações e a rotina na base.

Desembaque em Porto Príncipe
Desembaque em Porto Príncipe

“Na nossa chegada aqui temos algumas providências antes de começar a atuar, como fazer a identificação e a habilitação para dirigir das Nações Unidas (ONU). Além de receber as orientações e informações do contingente que está sendo substituído”, explica o Coronel Damião Fontenele dos Santos, Oficial de Ligação da FAB no BRABAT.

O último adeus antes do embarque
O último adeus antes do embarque

Desde o ano de 2004, as tropas brasileiras participam da Minustah e atuam na área de segurança, além de prestar apoio às atividades de assistência humanitária e de fortalecimento das instituições nacionais daquele país. A cada seis meses, homens e mulheres das Forças Armadas deixam o Brasil para representar o País na missão.

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Fonte: FAB