Defesa & Geopolítica

Rússia planeja modernizar a frota de carros de combate T-80BV

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Tradução e Adaptação: Tito Lívio Barcellos Pereira

O Ministério da Defesa da Federação Russa, a empresa Omsktransmash – empresa sediada em Omsk, na Sibéria Ocidental (pertencente ao conglomerado Uralvagonzavod) e a Fábrica Kirov, sediada em São Petesburgo, estariam oferecendo uma modernização radical para os obsoletos carros de combate T-80BV para atuação nas regiões árticas, de acordo com o jornal russo Izvestia.

De acordo com especialistas militares, as Forças Armadas da Federação Russa possuem cerca de milhares de modelos T-80BV que deverão ser repotencializados na Omsktransmash em breve. O principal objetivo é adotar um pacote de modernização similar ao aplicado no modelo T-72B3.

O poder de fogo do T-80BV será aumentado com a instalação do novo sistema de tiro PNM “Sosna-U”, permitindo o uso de todos os tipos de munição, inclusive mísseis anticarro. Seu designador laser é capaz de localizar alvos em até 7,5 km de distância. O comandante do carro será capaz de monitorar e atirar usando o sistema de pontaria em modo “duplo”.

Sistema térmico multi-canal de tiro PNM Sosna-U (Desenvolvido pela “Peleng” da Bielo-Rússia e fabricado sob licença pela “VOMZ” de Volgogrado) utilizado nos carros T-72B3 e T-90AM/MS.

Sistema térmico multi-canal de tiro PNM Sosna-U (Desenvolvido pela “Peleng” da Bielo-Rússia e fabricado sob licença pela “VOMZ” de Volgogrado) utilizado nos carros T-72B3 e T-90AM/MS.

O veículo também será equipado com o novo complexo de blindagem de 3ª geração, “Relikt” (também usado no T-90AM/MS). Uma de suas características é a possibilidade de posicionar as placas em tandem. Uma dessas placas se direciona na direção do projétil enquanto é seguida pelas outras. Isso torna o T-80 mais resistente a projéteis compostos e modernos mísseis anticarro. Além disso, o veículo será equipado com um complexo de proteção NBQ (Nuclear, Biológica e Química) PKUZ-1A.

Blindagem Reativa Explosiva “Relikt”

Blindagem Reativa Explosiva “Relikt”

De acordo com o designer chefe do T-80, Alexander Umansky, os trabalhos preparatórios para o início da modernização do primeiro T-80BV estão sendo cumpridos. Ele também destacou que no próximo ano, os trabalhos de reparo e modernização dos carros de combate, recebidos pelo Ministério da Defesa, ficarão a encargo da Omsktransmash.

O número exato de veículos que serão modernizados, e os prazos de cumprimento dos trabalhos serão determinados pelo Ministério da Defesa”. Disse Umansky.

De acordo com o antigo chefe do comando blindado da Federação Russa, Sergei Maiev, após a modernização dos T-80BV, as Forças Armadas serão equipadas com modernos veículos, adaptados para atuarem em baixas temperaturas melhor do que a maioria dos modelos.

Notas do Editor: Com cerca de 2.284 carros T-72 e 3.044 T-80 em serviço ativo (sem contar os veículos na reserva que combinados, chegam a 9.456 exemplares), torna-se uma notável opção para as Forças Armadas Russas repotencializar essa frota, visto a impossibilidade de sua substituição em médio prazo pelos mais modernos T-90A e os mais sofisticados T-90AM e o T-14 “Armata”. Pois ao contrário dos tempos soviéticos, a indústria russa não tem capacidade de atender essa grande demanda em tempo hábil, ainda mais com um crescimento econômico se recuperando de uma estagnação decorrente das sanções euro-americanas combinado ao baixo preço dos hidrocarbonetos, como petróleo e gás natural (previsão de crescimento econômico de 1,7% em 2017).

Como consequência, os gastos com Defesa serão consideravelmente reduzidos (3,3% do PIB em 2017 comparado a 5,4% em 2016), e a encomenda de veículos novos sofrerá uma contração em prol da modernização de vetores existentes. Devido a semelhanças estruturais, modelos como os T-72 e T-80 poderão agregar tecnologias mais modernas originalmente concebidas para o T-90, sendo uma solução de melhor custo-benefício e capacitando suas forças terrestres frente aos principais modelos empregados no Ocidente, mesmo que obviamente, não modernizem todo o volume da frota blindada.

Também há de se destacar a crescente preocupação do Kremlin com a securitização do Ártico, se combinarmos essa notícia, com os recentes desdobramentos aéreos, navais e terrestres naquela região. Que aos olhos não apenas de Moscou, mas também de outros países limítrofes como EUA, Canadá, Noruega e Dinamarca (todos membros da OTAN) trata-se de uma região de elevado valor estratégico dado a disponibilidade de recursos minerais e energéticos, além de rotas comerciais euro-asiáticas que poderão ser abertas com o degelo.

Reivindicações Territoriais no Ártico

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Elaboração: Tito Lívio Barcellos Pereira

Fonte: Defence Blog

3 Comments

  1. Munhoz says:

    Alguém sabe quantos T 90 e T 72 modernizados a Russia possui hoje ?

    E quantos M 1 A2 os EUA possuem?

  2. ……………………..a Rússia necessita modernizar seu armamento rapidamente pelo fato de encontrar-se emparedada pela Otan….nas circunstancias que foram apresentadas acima os russos demorarão bastante tempo pra atualizar seus estoques de tanques….mas um fato interessante é que o país soube capitalizar o ótimo desempenho obtido na Síria para contrabalançar seu baixo PIB aumentando-o cada vez mais com a venda de armas, ficando apenas abaixo dos Estados Unidos…………………..

  3. Claudio Moreno says:

    Boa noite meus Senhores!

    E ainda tem quem diga que a Rússia é um assombra da URSS lá na Europa Oriental. Verdade que seja dita, hoje a NATO não tem como competir de igual para igual com a Rússia sem o auxilio direto e massivo dos EUA.

    Não sei quantos MBT’s M-1 o US Army possui, mas ainda que seja o mesmo valor que os T-72/80 russos, ainda assim o M1A2 não sofreu qualquer atualização nos últimos 15 anos…ao passo que a Rússia tem alguns CC na vanguarda da tecnologia e a vantagem numérica.

    CM

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