Defesa & Geopolítica

Alenia-Aermacchi-Embraer A-1 AMX – Pequeno e preciso avião de ataque

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Em meados da década de 1970, a Embraer já havia conquistado reconhecimento mundial e começava a cogitar a possibilidade de fazer parcerias com empresas estrangeiras a fim de projetar aeronaves mais sofisticadas. Os primeiros estudos para a fabricação de um avião subsônico começaram ainda em 1976, em parceria com a empresa italiana Macchi que, na época, já tinha um projeto avançado de jato. Já no ano seguinte foi lançado o projeto designado MB 340.

O “rollout” do AMX no Brasil aconteceu no dia 22 de outubro de 1985 (Acervo Centro Histórico Embraer)

O “rollout” do AMX no Brasil aconteceu no dia 22 de outubro de 1985 (Acervo Centro Histórico Embraer)

Posteriormente, com o objetivo de atender às necessidades da Força Aérea Italiana, foi feita uma associação entre as empresas Aeritália (hoje Alenia) e Macchi (hoje Aermacchi) e criado em 1978 o programa do caça subsônico AMX (A de Aeritália, M de Macchi e X de experimental).

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A empresa brasileira responderia por 1/3 do programa e dos custos, sendo responsável pelas seções das asas, empenagem e testes de fadiga da estrutura. A Aermacchi responderia pelos outros 2/3 e produziria a fuselagem, os sistemas de bordo, e faria os testes estáticos e com armamentos.

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Após um período de suspensão dos trabalhos, em 1980, autoridades aeronáuticas brasileiras anunciaram na feira de Farnborough daquele ano a sua decisão de participar do programa italiano. Tal decisão foi oficializada quase um ano depois, e em 27 de março de 1981, foi assinado um acordo entre os dois países.

Primeiro AMX (A-1) da FAB

Primeiro AMX (A-1) da FAB

Após algumas mudanças contratuais, as companhias italianas ficaram responsáveis por cerca de 70% do programa e a Embraer pelos 30% restantes. Coube à Embraer o desenvolvimento e a fabricação das asas, tomadas de ar do motor, estabilizadores horizontais, pilones subalares (“cabides de armas”) e tanques de combustível. Além disso, a Embraer participou ativamente de todo o projeto dos sistemas de trem de pouso, navegação e ataque, comandos de voo e controle de armamentos. Dois protótipos de ensaio em voo e um de testes de fadiga foram construídos e testados no Brasil.

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O AMX foi concebido como avião monomotor, monoposto, especializado para missões de ataque, privilegiando robustez e confiabilidade para missões de alta exposição, com longo alcance (compatível com as dimensões continentais de nosso país, incluindo capacidade de reabastecimento em voo) e a incorporação de tecnologias avançadas de sistemas de computação, navegação e ataque e contramedidas eletrônicas. Contou, entre outras inovações da época, com um sistema de comandos de voo com augmentation system e operação HOTAS (Hands On Throttle And Stick) para navegação e ataque. Uma variante biposto foi desenvolvida em seguida visando tarefas de conversão operacional de pilotos para este tipo de aeronave (OCU).

AMX ACOL Italiano

AMX ACOL Italiano

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Sendo um avião de caça e ataque, apresentava menor custo que seus concorrentes, além de ser eficiente e dotado de tecnologia avançada. Tinha capacidade para apenas um piloto, com assento ejetável. O jato subsônico foi equipado com turbinas Rolls-Royce, e, além de ser capaz de atingir 750 km/h, era um “avião invisível”, ou seja, sua Caixa de Contra-Medidas Eletrônicas (ECM), emitia sinais contínuos para confundir o radar ou qualquer outro tipo de sensoriamento.

Os AMX italianos realizaram mais de 700 missões no Afeganistão (Aeronautica Militare)

Os AMX italianos realizaram mais de 700 missões no Afeganistão (Aeronautica Militare)

A apresentação oficial do avião ocorreu na Itália em maio de 1985 e o primeiro protótipo do AMX construído no Brasil – o quarto do programa –, fez seu rollout e primeiro voo oficial em outubro daquele ano. Em 1988 o primeiro AMX de fabricação seriada voou na Itália e a primeira entrega à FAB ocorreu em outubro de 1989, que adquiriu um total de 54 aeronaves, em três lotes de encomendas.

AMX modernizado

Com 20 anos de serviço pela FAB, o Comando da Aeronáutica decidiu modernizar o A-1, tarefa que foi atendida pela Embraer. Anunciado em 2009, o programa “A-1M” previa a revitalização das células das aeronaves e modernização dos sistemas, como recursos de navegação, radar, armamentos, entre outras evoluções. E quem mais gostou das melhorias foram os pilotos.

a-1m

O A-1M trocou os antigos indicadores analógicos por telas digitais multifuncionais, tecnologia que reduz a carga de trabalhos dos pilotos em combate, com controles automatizados e informações apresentadas de forma mais clara. Além disso, o programa de atualização reduziu os custos de manutenção da aeronave e também acelerou os processos de treinamentos de novas tripulações.

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Os primeiros AMX modernizados pela Embraer entraram em operação na FAB em 2013 e o programa prevê a intervenção em 47 das 60 aeronaves desse tipo mantidas no Brasil, processo que deve ser concluído até 2017 – o AMX italiano ainda mantém as características originais. Com as reformas estruturais e a atualização dos sistemas, a vida-útil do caça-bombardeiro nacional foi estendida para até 2032.

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