Defesa & Geopolítica

Xi Jinping fortalece poder sobre o Partido Comunista da China

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O presidente da China, Xi Jinping, emergiu de uma reunião de cúpula do Partido Comunista com um novo título de liderança, um sinal de ampliação de sua autoridade política — e também de sua capacidade de reprimir uma latente dissidência interna.

Ontem, durante uma reunião anual com a presença de várias centenas dos membros mais graduados do partido, Xi recebeu a obscura designação de “núcleo” da liderança do órgão. O termo foi aplicado no passado ao líder revolucionário Mao Tsé-Tung e a dois sucessores dele, mas não ao antecessor imediato de Xi.

A denominação não torna Xi invulnerável, dizem especialistas em política chinesa. Ele ainda enfrenta a resistência de alguns grupos dentro do partido, das forças armadas e das estatais.

 O título de “núcleo”, porém, consolida o poder do líder num momento em que o partido se prepara para um congresso decisivo, daqui a um ano, que deve dar a Xi um segundo mandato de cinco anos. Xi está tentando conduzir esse processo de forma a se cercar de aliados, alijar rivais e eliminar restrições à sua autoridade.

Em mais um sinal de força de Xi, a cúpula encerrada ontem também impôs novas regras disciplinares a toda a hierarquia do partido, com um foco destacado na liderança sênior.

A designação de ‘núcleo’ vem com tentáculos, diz Wu Qiang, pesquisador de Pequim e ex-professor da Universidade de Tsinghua. “É uma clara declaração de que qualquer dissidência ou resistência à autoridade de Xi, mesmo vinda dos níveis mais altos, pode ser e será punida.”

Desde que chegou à liderança do partido, quatro anos atrás, Xi subverteu o modelo consensual promovido por seu antecessor, Hu Jintao. Xi assumiu o comando das forças armadas, da economia e da maioria das outras instâncias do poder, centrando as decisões em comitês liderados por ele.

Xi, que tem 63 anos e é filho de um veterano comandante da revolução, combinou eficazmente um estilo combativo de fazer política com mensagens bem aceitas pela população. Ele lançou a mais rigorosa campanha contra a corrupção das últimas décadas no país, angariando uma grande popularidade entre os cidadãos chineses e ganhando força para punir rivais. Sua imagem de líder poderoso foi ainda mais fortalecida por uma política assertiva de segurança nacional e relações exteriores e uma mensagem de restaurar a grandeza do país.

O novo status de Xi dá a ele uma arma a mais, num momento em que o partido se prepara para um ano possivelmente conflituoso de barganhas em torno das mudanças na liderança do partido marcadas para o fim de 2017, quando cinco dos sete membros do Comitê Permanente do Politburo, a alta cúpula do partido, devem se aposentar.

Nas últimas semanas, observadores da política chinesa e membros do partido têm dito que Xi talvez tente, no próximo ano, adiar a nomeação de um potencial sucessor para o comitê, possibilitando que ele continue no poder depois que seu segundo — e o que deveria ser o último — mandato acabar, em 2022.

A autoridade fortalecida de Xi pode, ainda assim, não ser suficiente para alcançar esse objetivo, dizem analistas políticos, considerando as preocupações crescentes da elite do partido com o poder dele e a forma como vem gerenciando a economia chinesa, assolada pelo pesado endividamento das empresas e o excesso de capacidade na indústria.

Alguns veem os muitos títulos políticos de Xi como uma tentativa de compensar a base deficiente de seu poder político e sua incapacidade de promover mudanças econômicas significativas.

“Ele obviamente ganhou uma batalha vital, mas ainda é muito cedo para comemorar”, diz Minxin Pei, professor da cadeira de governos na Faculade Claremont McKenna, na Califórnia. Uma coisa é dar ao líder máximo do país um novo título, outra bem diferente é fazer concessões críticas referentes à sucessão, acrescenta Minxin.

O título de “núcleo” foi outorgado durante uma reunião de quatro dias do Comitê Central do partido — que inclui generais, líderes de estatais e governantes das províncias — realizada em um hotel militar em Pequim.

Em mais um ato de apoio a Xi, a reunião também adotou regras disciplinares que reforçam a campanha anticorrupção promovida pelo líder, incluindo uma fiscalização mais rigorosa e novas diretivas sobre o que é considerado um comportamento político aceitável.

Num longo comunicado distribuído no encerramento da reunião, o Comitê Central enfatizou a importância da nova designação de Xi.

Todos os membros do partido devem “se unir fortemente em torno do centro do partido, com o Camarada Xi Jinping em seu núcleo […] e inelutavelmente proteger a liderança da autoridade do partido e sua unidade centralizadora”, afirma o comunicado, que foi divulgado pela mídia estatal.

Foto: JU PENG/XINHUA/ZUMA PRESS

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: WSJ

One Comment

  1. Athos says:

    Essa foi a notícia mais importante da semana passada no mundo.
    E…. nenhum comentário.

    Para vc ver como O Povo é perdido….neste mundo de Deus!

    Houve um pequeno expurgo! Geral do Governo anterior está sendo PRESO!
    Reafirmaram que NÃO HÁ outra corrente dentro do PC!
    Quem assumiu manda! Quem não concorda esta PRESO!
    E o judaísmo está proibido na China! Não é uma das 55 religiões permitidas!

    Acorda galera! As forças estão em movimento!

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