Defesa & Geopolítica

Políticos do mundo desenvolvido se parecem cada vez mais com os latino-americanos

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Os políticos dos dois lados do Atlântico estão cada vez mais se comportando como se fossem da América Latina.

O culto à personalidade está em ascensão, assim como a ideia de que uma figura carismática ou um caudilho pode resolver os problemas econômicos e políticos de um país. Ao mesmo tempo, ganham força as exigências de que a velha ordem corrupta seja derrubada. E como a corrupção está se tornando cada vez mais a moeda do discurso político, os oponentes são retratados como pessoas que pensam apenas em ganhos pessoais.

As instituições estão sendo politizadas e os líderes de alguns países europeus estão atacando a independência do Judiciário, que eles veem como um obstáculo aos seus governos. O próprio processo eleitoral está em xeque, inclusive nos Estados Unidos, algo inédito no país.

Claro que esses atributos “latino-americanos” não são visíveis em toda a Europa e América do Norte, onde a história e a experiência política variam bastante entre países. Nem essas características estão presentes em todos os lugares da América Latina — e em muitos países onde eram presentes, já deixaram de existir. Os políticos latino-americanos, em geral, também nunca foram obrigados a lidar com a imigração, um tema atualmente importante na política europeia e americana.

Uma alegação comum feita pelos perdedores em eleições de países da América Latina foi de que os resultados foram fraudados contra eles. E, ao contrário das eleições americanas, frequentemente eles foram mesmo.

Mas o foco dos derrotados nas fraudes eleitorais teve uma consequência maior: os políticos de oposição nunca puderam aceitar o resultado. Eles e seus eleitores ficaram, dessa forma, alijados de um sistema político que consideravam injusto, sendo também excluídos da elaboração das políticas.

Em meados da década de 90, o ex-presidente mexicano Ernesto Zedillo reconheceu esse problema no próprio México, naquele ponto o país governado há mais tempo por um único partido no mundo todo.

“O problema com o sistema político do México é que, cada vez que temos eleições, um lado declara antecipadamente a natureza ilegítima das regras e, assim, se recusa a aceitar os resultados”, disse ele em uma entrevista na época.

Ele fez mudanças para resolver o problema e, hoje, partidos diferentes se revezam no poder.

Além das insinuações sobre a legalidade das eleições presidenciais de novembro, o candidato republicano Donald Trump também tem desafiado a legitimidade ou a competência de instituições outrora consideradas fora da jurisdição dos políticos, incluindo o banco central (Federal Reserve), os serviços de inteligência e os principais generais dos EUA.

Para os EUA, isso representa uma virada expressiva em relação a 30 ou 40 anos atrás, quando o debate político era geralmente educado.

“Trinta anos atrás, você falaria sobre domínio ideológico na política latino-americana, enquanto os EUA buscavam um meio-termo. Agora, é o contrário”, diz Victor Bulmer-Thomas, historiador econômico da América Latina e ex-diretor do grupo de estudos Chatham House.

A recente campanha para o referendo em que Reino Unido decidiu sair da União Europeia, em junho, marcou uma mudança semelhante no tom político. Os defensores da Brexit, como foi chamada a decisão de sair da UE, acusaram várias instituições do governo de serem parciais. Entre elas estavam o banco central e o Tesouro britânicos, atacados por fazerem projeções econômicas pessimistas caso o Reino Unido deixasse a UE, e até mesmo a Comissão Eleitoral, que supervisiona eleições. E os ataques foram feitos por pessoas que diziam querer trazer o poder de volta de Bruxelas para as instituições britânicas.

Em outras partes da Europa, os governos da Polônia, Hungria e Grécia estão confrontando o Judiciário, que eles descrevem como um obstáculo ao desejo democrático do povo.

Os partidos nacionalistas de oposição na França, Holanda e, agora, até na Alemanha estão todos exigindo mudanças radicais em políticas que há muito são um consenso. Esses partidos devem ter um papel importante nas eleições desses países no próximo ano, mesmo que não vençam. Grandes empresas e bancos também estão na berlinda, com o poder deles considerado uma subversão à democracia.

Os políticos dos dois lados do Atlântico estão canalizando as frustrações de um grande número de pessoas que — como muitos latino-americanos antes deles — estão decepcionadas com os políticos e não valorizam as instituições políticas e econômicas de seus países. Mesmo que não cheguem ao poder, elas estão deslocando o centro de gravidade do debate político.

As políticas apoiadas por essas pessoas raramente levam à criação de valor, o que apresenta um desafio para as economias desenvolvidas, cujo sucesso depende de interações complexas entre instituições, regras e mercados. E, ao contrário da América Latina do século 20, essas economias são o núcleo do sistema econômico global.

STEPHEN FIDLER

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: WSJ

7 Comments

  1. lucena says:

    ” (..) O culto à personalidade está em ascensão, assim como a ideia de que uma figura carismática ou um caudilho pode resolver os problemas econômicos e políticos de um país. (..) “
    .
    .
    Essa histórica capacidade dos americanos olharem para os latinos americanos de uma forma preconceituosa é impressionante não é a toa que os golpistas dos coxinhas se inspiram nessas ideias para menosprezar a cultura latina … logo a essa ideia de que só os latinos cultuam imagens públicas … coma se na Europa não tem o mesmo .. basta vê o folclórico súdito inglês com a sua rainha … isso sem falar dos ídolos pop americanos que são adeusados …. >:)

    • JOJO says:

      Lucena o retorno do caudilhismo, populismo, autoritarismo e o resultado do esgotamento do modelo politico que foi implantado no mundo apos 1945 com a concretizacao da hegemonia eonomico militar dos .EUA. Esse modelo politico baseado no estabelecimento do Estado do Bem Estar Social foi o ultimo recurso que se dispunha as Elites dos paises Ocidental de conter o avanco do proletariado internacional rumo ao Comunismo. Encurralados, com as costas na paredes, totalmente desmoralizadas, as Elites dos paises Europeus estavam prostrada frente ao proletariado radicalizados. O fascismo/nazismo vitorioso em 1920 e 30.em quase todos os paises europeus so conseguiu controlar o proletariado por um periodo muito curto – uma licao para o fascistas tupiniquins, por mais violenta que seja a repressao, enquanto existir o capitalismo, existira o proletariado, que tal qual Fenix retorna depos de morto – Em 1945, desgastadas por causa da Guerra, proletariado armados, exigindo reformas sociais e forcando os Partidos Comunistas serem mais radicais (os partidos comunistas de Franca, Italia, Grecia e Iugoslavia, receberam ordens de Stalin para nao tomarem o poder por causa do Acordo assinado em Yalta entre ele.Stalin, Churchil e Roosevelt, que haviam dividido o Europa em duas areas de influencia, e nestes paises no Ocidente, os comunistas nao tomariam o poder, que estavam vagos no final da Guerra ainda que eles, oscomunistas controlavam o movimento armado da Resistencia). as Elites estavam paralizadas. Um Pinochet naquelas circumstancias, seria fuzilado or seus proprios soldados. Dai estrategia dos conquistadores do Ocidente, os EUA,, atraves da OSS e depois CIA recriarem de cima para baixo, os Partidos Sociais Democratas, que haviam sido destruidos pelo fascismo/nazismo e o recrutamento da MAFIA e outros Sindicatos de Crimes Organizados para de um lado, adotarem uma politica de expansao economica e nacionalizacao das Corporacoes Capitalistas que estavam em bancarrotas, os portos, estradas de ferro Usinas de Aco, industria minerais, industria automobilistica, a lista e grande.e a introducao da Politica de Bem Estar Social e de outro lado combaterem o proletariado pagando a MAFIA para assassinarem dirigentes sindicais e militantes comunistaS. TUDO ISSO PAGO COM DOLARES NORTE AMERICANOS, QUE TERMINOU A GUERRA COM 75% DO OURO MUNDIAL EM FORT KNOX. Hoje o Fort Knox esta sendo usado para deposito de armas quimicas e bacteriologicas, praticamente nao contem mais ouro. Esse periodo de prosperidade, paz social, hegemonia americana se esgotou nao hoje mas no final da decada de 1960 e acabou oficialmente quando Nixon, ento presidente dos EUA foi forcado anunciar no radio, que os EUA iria renegar suas obrigacoes estabelecida em Bretton Wood e desvincular o dolar do ouro. Dai para ca,entramos numa era de crise apos crise, guerras apos guerras. keynesianismo se esgotando substituido pelo modelo neoliberal de Pinochet/Thatcher/Reagan, que se esgotaram em 2008/9 sendo substituido pelo desmoralizado esgotado keynesianismo. E obvio que as Elites nao tem solucao para a depressao economica que vivemos mas ela tem clara diante de si, que a politica de compromisso social com outras classes sociai nao e possivel nas atuais condicoes. Para ela, o retorno do Caudilhismo, do Autoritarismo, do Fascismo e uma necessidade e questao de vida e morte. Nestas condicoes, que me desculpe, os esquerdistas sociais democratas, ou aqueles esquerdistas mais radicais que circulam em torno deles, A ERA DA DEMOCRACIA ACABOU. REGRESSAMOS POLITICAMENTE PARA O PERIODO HISTORICO DE 1850 A 1870.

  2. A Máquina Troll says:

    Pra mim se parecem cada vez mais com os Nazistas Hitlerianos, isto sim…rs..

  3. Henrique says:

    Olhando as reportagens, fatos e inclusive comentários de colegas estrangeiros chego a conclusão que a política mundial atingiu o ápice da mediocridade !
    Pobre da humanidade… se continuarmos assim o colapso será iminente pois elegeram idiotas, ausentes depois corruptos e vai saber os psicopatas que virão com o poder atômico nas mãos….
    A lições da segunda guerra parecem não ter servido para nada para estes dementes que ai estão ..

  4. Athos says:

    Só os políticos?
    Afinal de contas, as pessoas tinham medo da URSS porque?
    Pergunto na prática, porque?

    Vc anticomunista, tinha medo porque mesmo?

  5. exiled says:

    para os gringos,tudo que é ruim e atrasado vem de cucarachas. detalhe é que pra eles, nós da america latina como um todo é o que somos.

    • Henrique says:

      Não é bem assim, muitos estrangeiros que conheço adoram o Brasil e não querem sair daqui, mesmo com todas as nossas mazelas e dizem que os políticos deles são tão ruins quanto os nossos. Acredite, tem estrangeiro que é mais patriota que muito brasileiro…

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