Defesa & Geopolítica

Welcome To The Jungle: Quinze países participam do Estágio Internacional de Operações na Selva

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Manaus (AM) – O Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) realizou, entre os dias 19 de setembro e 14 de outubro, o Primeiro Estágio Internacional de Operações na Selva (EIOS), que contou com 21 militares de 15 nações amigas.

Participaram militares dos seguintes países: Alemanha, Bolívia, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos da América (EUA), Guiana, Índia, Japão, Nigéria, Polônia, Portugal, Reino Unido, Sri Lanka e Vietnã. A maioria desses militares possuem experiências recentes em conflitos, como no Afeganistão e no Iraque, e reconhecem a referência internacional do CIGS em formar combatentes de selva.

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Foram quatro semanas de intensas atividades, divididas em três fases: a primeira com técnicas de vida na selva, a segunda com técnicas especiais e, finalizando, duas semanas de operações. As atividades ocorreram nas bases de instrução do CIGS, localizadas em áreas de selva, no interior da Floresta Amazônica.

Os estagiários enfrentaram dificuldades impostas pelo treinamento, pelas poucas horas de sono e pelas condições climáticas extremas, de grande calor e umidade, sendo que o sol forte foi uma das maiores dificuldades, principalmente aos militares provenientes de regiões de climas frio.

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Na primeira fase, os estagiários tiveram instruções de como sobreviver na selva. Aprenderam a obter alimentos de origem animal e vegetal e técnicas de caça e de armadilhas; receberam instruções de orientação utilizando bússola para o deslocamento no interior da selva, de rastreamento de homens e animais; foram ensinados a construir abrigos com materiais da selva e a obter água e fogo; além disso, também tiveram instruções de primeiros-socorros.

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A segunda fase, de técnicas especiais, os destaques foram os módulos de tiro, utilizando o novo armamento de fabricação Brasileira, o IA 2. Os estagiários tiveram a oportunidade de utilizar o armamento nas diversas instruções de tiro. Realizaram desde tiros parado, até em progressão de ataque e de defesa, em formações de combate, tiros dentro da selva, tiros de esclarecedor e tiros de emboscada.

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Tiveram, ainda, instruções aeromóveis, realizando rapel, helocasting, saltando da aeronave Black Hawk nas águas do Rio Puraquequara, e fast hope, simulando uma decida rápida numa clareira de selva. Na parte de lutas, aprenderam Krav Magá, técnica israelense de defesa pessoal e combate corpo a corpo. Ainda na segunda fase, tiveram instruções de infiltração aquática noturna, utilizando o método da espinha de peixe, e natação com jangadas durante o dia. A fase foi completada com instruções de deslocamento no interior da selva, com o uso de búfalos para o carregamento de suprimentos, armamentos e munições.

Na fase de operações, os militares colocaram em prática os ensinamentos que aprenderam nas demais fases e completaram a formação nas atividades de planejamentos para o cumprimento de missões. Realizaram missões de emboscadas, de neutralização com emprego de meios fluviais e técnicas de infiltração por fast hope e patrulhas de longo alcance, finalizando o ataque em localidade e a exfiltração através de selva com distâncias de evasão de até 12 km.

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Para fechar o EIOS, ocorreu, no dia 14 de outubro a formatura de encerramento, com a entrega de diplomas aos concludentes e de brindes aos destaques. O momento marcante da cerimônia foi quando o estagiário Robert Illinc, Capitão do Reino Unido, proferiu, pela primeira vez no CIGS, a Oração do Guerreiro de Selva no idioma inglês.

Na ocasião da entrega dos brindes, o Sargento de Infantaria Gabriel Daniel Dugas, do Canadá, foi escolhido como destaque-geral e o Segundo Sargento de Artilharia Michael Gene Johnson, dos EUA, como melhor companheiro. “Foi muito difícil, mas aprendi muito. A equipe de instrutores é muito profissional e não fazia distinção entre postos e graduações, éramos todos alunos, sem distinção”, elogiou Dugas.

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No final da formatura e para marcar o término do Estágio, os militares se posicionaram diante das Bandeiras de seus países e foi realizado o arriamento de todas elas, cabendo ao Coronel R1 Nilton Corrêa Lampert, 11º Comandante do CIGS, a honra do arriamento da Bandeira do Brasil. A solenidade de encerramento também celebrou os 50 anos de formação dos primeiros guerreiros de selva, que foram representados pelo Cel Lampert.

Participaram da cerimônia de encerramento em local de destaque o Cônsul da Polônia, José Moura Teixeira Lopes; o Comandante Interino da Universidade da Força Aérea e Comandante da Escola de Comando e Estado Maior da Força Aérea, Brigadeiro do Ar Arnaldo Augusto do Amaral Neto; o Comandante do 2º Grupamento de Engenharia, General de Brigada Paulo Roberto VianaRabelo; o Coronel Edmundo Palaia Neto, 21º Comandante do CIGS.

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Interação doutrinária entre os participantes

O EIOS possibilitou a troca de conhecimentos doutrinários e de técnicas, táticas e procedimentos empregados em ambiente de selva. Cada nação amiga teve a oportunidade de passar seus conhecimentos e de aprender novos métodos utilizados pela Doutrina Militar Terrestre Brasileira.

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De acordo com o Tenente-Coronel Amorim, Chefe da Divisão de Doutrina e Pesquisa, a interação foi importante não só para o CIGS, mas para o Exército Brasileiro como um todo, pois tivemos a oportunidade de trocar experiências distintas entre os Exércitos, travar contato com doutrinas de toda a parte do mundo, uma vez que havia países de todos os continentes, e observar novas técnicas, táticas e procedimentos utilizados nos combates atuais e em outras Escolas de Guerra na Selva, como a dos EUA, do Reino Unido e da Índia.

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Para o estagiário da Alemanha, Capitão Ferdinand Koch, a interação foi importante para conhecer um pouco das atividades militares de outros países, uma vez que ele nunca havia participado de um exercício militar com tantos países juntos.

O objetivo dessa atividade foi plenamente alcançado não só por promover a troca de ensinamentos e experiências, mas pela integração e obtenção de lições aprendidas, possibilitando a contínua inovação doutrinária da Força Terrestre brasileira.

Fotos: Cap Luís Gustavo e Sd Couchman

Fonte: EB

One Comment

  1. João Paulo says:

    Muito legal mesmo!! Já faz muito tempo que o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) é referencia mundial em treinamento de operações de combate na selva e ao adotar o idioma Inglês em seus cursos para militares estrangeiros possibilita um maior numero de participantes.

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