Defesa & Geopolítica

Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos leva Nobel da Paz

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Comitê Nobel destaca esforços do líder colombiano para alcançar a paz após mais de 50 anos de guerra civil no país. Prêmio é concedido apesar da rejeição da população a acordo com as FARC.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz de 2016, anunciou o Comitê Nobel nesta sexta-feira (07/10) em Oslo, na Noruega. Santos foi destacado por seus “esforços resolutos” para alcançar a paz no país após 52 anos de guerra civil, que deixou mais de 200 mil mortos.

Após mais de cinco anos de negociações, o governo colombiano chegou a um acordo de paz com as as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), assinado no último dia 26 de Setembro. A população do país, no entanto, rejeitou o pacto em consulta popular no último domingo. Muitos eleitores viram o acordo como brando demais em relação aos guerrilheiros das Farc.

Mesmo assim, Santos continuou mostrando otimismo em relação à paz no país.Nesta quarta-feira, ele se reuniu com líderes da oposição ao acordo e ressaltou que pretende atender as propostas de ajuste ao acordo o máximo possível.

“A paz na Colômbia está perto e nós vamos alcançar uma paz estável, duradoura e com um apoio mais amplo dos cidadãos”, disse Santos.

Para o Comitê Nobel, a rejeição popular ao acordo não significa que o processo de paz tenha morrido. “O povo colombiano não disse ‘não à paz’, ele disse não a esse acordo em particular”, declarou Kaci Kullmann Five, presidente do comitê.

Apesar da vitória do “não”, “Santos aproximou o conflito sangrento de uma solução pacífica”. O Nobel da Paz também deve ser visto como “um tributo ao povo colombiano, que, apesar das grandes dificudades e abusos, não perdeu a esperança numa paz justa, e a todas as partes que contribuíram para o processo de paz”, declarou Kullmann Five.

Recorde de indicações

Neste ano, o Comitê do Nobel comunicou que recebeu um número recorde de indicações para o Nobel da Paz: 376, incluindo 228 pessoas e 148 organizações. Além de Santos, entre os cotados estavam a chanceler federal alemã, Angela Merkel, o papa Francisco, owhistleblower Edward Snowden, os moradores de ilhas gregas que ajudaram refugiados, simbolizados na figura do pescador Stratis Valiamos, e o grupo de voluntários Defesa Civil Síria, conhecido por seus capacetes brancos.

Alguns analistas haviam retirado a Colômbia de sua lista de favoritos após a vitória do “não” no plebiscito. O prêmio não fez menção ao líder das Farc Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, que assinou o acordo com Santos.

Em 2015, o vencedor do Nobel da Paz foi o Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia.Este inclui organizações-chave da sociedade civil tunisiana: a União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), a Confederação de Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia (Utica), a Liga dos Direitos Humanos da Tunísia (LDHT) e a Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia (Onat). Para o Comitê Nobel, as quatro instituições criaram um processo político alternativo e pacífico num momento em que o país estava à beira de uma guerra civil.

Assim como os demais prêmios Nobel, o da Paz tem o valor de 8 milhões de coroas suecas (930 mil dólares). Os laureados também recebem uma medalha e um diploma na cerimônia de entrega dos prêmios no dia 10 de dezembro, aniversário do fundador da premiação, Alfred Nobel, morto em 1896.

LPF/lusa/rtr/afp/ap

Foto: Reuters – Medalhão dourado com imagem em relevo de Alfred Nobel.

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: DW

Santos, o presidente que luta pelo acordo de paz

Após população dizer “não” a pacto de paz com as Farc por estreita margem em plebiscito, presidente colombiano não desiste e procura pôr fim a um conflito que durou mais de cinco décadas e deixou 220 mil mortos.

A biografia do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, sugere que ele “se preparou toda a sua vida para ser presidente da República, como era o seu tio-avô Eduardo Santos no passado”.

É o que afirma o site La Silla Vacía, que se diz especialmente preocupado com “como se exerce o poder na Colômbia”. Finalmente, em 20 de Junho de 2010, Santos derrotou, no segundo turno, o candidato do Partido Verde Antanas Mockus e se tornou o sucessor de Álvaro Uribe (2002-2010).

“Ele recebeu uma votação superior a 9 milhões de votos, a mais alta obtida por um candidato na história da democracia colombiana”, destaca o site da Presidência. Entre suas promessas de campanha estava liderar um governo de unidade nacional que realizasse a transição da “política de segurança democrática” – elaborada por seu antecessor e implementada por Santos desde que ocupou o Ministério da Defesa – para a “prosperidade democrática”.

Esse curso levou Santos a anunciar, em novembro de 2012, o início oficial dos diálogos de paz entre seu governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o maior grupo guerrilheiro do conflito armado colombiano. Três anos mais tarde, em 23 de Setembro de 2015, em Havana – sede das negociações de paz –, Santos apertaria a mão do líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como “Timochenko”, depois de colocar como meta a assinatura da paz em seis meses.

Família rica e estudos no exterior

Membro de uma proeminente família colombiana ligada à política e ao jornalismo, Santos nasceu em Bogotá em 10 de Agosto de 1951. Filho de Enrique Santos – um dos diretores e donos do jornal El Tiempo, o periódico mais importante do país –, o atual presidente estudou no Colégio San Carlos, em Bogotá, e foi cadete da Escola Naval de Cartagena. Depois, continuou sua formação no exterior.

Ele estudou economia e administração de empresas na Universidade de Kansas, nos EUA. E fez, ainda, pós-graduação na London School of Economics, no Reino Unido; na Universidade de Harvard e na Escola Fletcher de Leis e Diplomacia da Universidade Tufts, também nos EUA.

Santos e Londoño (dir.) apertam as mãos após assinarem acordo de paz em Cartagena

Diplomacia econômica, jornalismo e política

Uma vez concluído os estudos, “comecei a promover o café colombiano no exterior e, posteriormente, me dediquei ao jornalismo durante uma década. Finalmente, em 1991, lancei-me à política, ocupando diferentes cargos”, resumia Santos e sua equipe de campanha, em primeira pessoa, antes de sua reeleição em 2014.

O atual presidente foi chefe da delegação de seu país junto à Organização Internacional do Café (OIC), em Londres. Santos foi ministro de Comércio Exterior e, depois, teve seu nome colocado na disputa para a Presidência da República durante o governo de César Gaviria, no início da década de 1990.

Ele foi, ainda, ministro da Fazenda e, depois, de Defesa Nacional durante os governos de Andrés Pastrana e Álvaro Uribe, já nos anos 2000. E, após ter dirigido o Partido Liberal Colombiano, fundou em 2005 o Partido Social de Unidade Nacional (conhecido como Partido de La U), considerado hoje a maior força política do país.

O site da presidência ressalta que ele exerceu as funções de colunista e subdiretor do jornal El Tiempo, do qual sua família era a principal acionista. Durante esse período, ele cobriu o frustrado processo de paz entre o governo de Belisario Betancur (1982-1986) e as guerrilhas, assim como a onda narcoterrorista de Pablo Escobar e a Assembleia Constituinte de 1991, lembra o site La Silla Vacía.

Posteriormente, ele foi presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), e chegou a publicar títulos como La Tercera Vía, em coautoria com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, e Jaque al Terror (Ameaça ao terror, em tradução livre), onde descreve seu combate contra as Farc desde que se tornou ministro da Defesa.

Negociações de paz

Como presidente, Juan Manuel Santos levou a cabo uma ambiciosa agenda que inclui a lei de vítimas de conflitos armados, de ordenamento territorial, de terras e, ainda, as reformas da lei de regalias, política e judiciária.

Apesar de vivenciar como ministro da Defesa o escândalo dos “falsos positivos” – casos de execuções de civis por parte de militares, em que 4.475 execuções extrajudiciais foram realizadas por membros ativos e aposentados das Forças Armadas –, Santos nunca aceitou nenhuma responsabilidade política pelas acusações feitas por seus subordinados.

Ele criou uma comissão de investigação e implementou políticas para deter o assassinato seletivo de inocentes apresentados pelas forças militares como guerrilheiros mortos em combate. Por isso, alguns setores lhe reconhecem atualmente como o ministro que revelou o escândalo e colocou fim a estas práticas.

Mas, sem dúvida, a sua “obra” – que tem sido a mais elogiada ou criticada por políticos e cidadãos colombianos nos últimos anos – é a implementação de um processo de paz para encerrar o conflito de mais de cinco décadas entre o governo colombiano e guerrilhas como as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN).

O plano de paz foi especialmente aplaudido no cenário internacional. E na Colômbia – embora tenha sofrido ataques e protestos contra a totalidade ou aspectos específicos dos acordos com as Farc – sua reeleição de 2014 foi interpretada como uma validação do processo de paz que ele insistiu em referendar.

As negociações com as FARC foram travadas ou suspensas por várias vezes devido a ações militares ou exigências divergentes de ambas as partes que – apesar da data inicialmente fixada ter vencido – seguiram se mostrando convencidas de que chegariam bem perto. Mas, em plebiscito realizado no dia 2 de outubro, a proposta de paz recebeu o “não” de 50,21% da população, enquanto o “sim”, de 49,78%.

Apesar da negativa da maior parte dos eleitores, Santos expressa otimismo e criou comissões para tratar das questões que os opositores rejeitaram no acordo e buscar uma solução para o impasse. Caso consiga encontrar um caminho, Santos será reconhecido como o presidente que, depois de mais de cinco décadas de conflitos e milhares de mortos, obteve a paz na Colômbia.

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: DW

Paz está próxima, afirma presidente colombiano

Após reunião com opositores do acordo de paz assinado entre o governo e as Farc, Santos se mostra otimista. Encontro estabelece criação de comissões para analisar propostas da oposição e resolver impasse.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, expressou otimismo nesta quarta-feira (05/10), após uma reunião com líderes da oposição ao acordo de paz assinado entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), incluindo o ex-presidente Álvaro Uribe.

“A paz na Colômbia está próxima e nós vamos alcançar uma paz estável, duradoura e com um apoio mais amplo dos cidadãos”, disse Santos.

Na reunião, foi estabelecida a criação de comissões para tratar de questões que os opositores rejeitaram no acordo e buscar uma solução para o impasse. “Ouvimos durante quatro horas com muita atenção as suas preocupações. Todas elas e outras que não foram abordadas serão analisadas”, disse Santos.

O presidente ressaltou que pretende atender as propostas de ajuste ao acordo o máximo possível. Ele acrescentou que a decisão procura não só encontrar um caminho para estabelecer a paz, mas sim fortalecê-la.

Uribe também avaliou positivamente o encontro e disse que Santos está disposto a fazer mudanças. “É melhor conseguir a paz para todos os colombianos do que um acordo somente para a metade da população”, acrescentou.

O ex-presidente solicitou ainda que a ONU continue acompanhando o processo de paz no país. “Pedimos que as Nações Unidas acompanhem esta nova etapa da democracia colombiana, porque o resultado de domingo rejeitou o acordo, mas reafirmou o desejo unânime de paz”, declarou.

A opção pelo “não” foi a vencedora no plebiscito de domingo sobre o acordo de paz com as Farc, com 6.431.376 votos, 50,21% do total, enquanto o “sim” obteve 6.377.482, que correspondem a 49,78%.

CN/efe/rtr/afp

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: DW

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