Defesa & Geopolítica

Premiê May rompe com passado de conservadores e oferece nova visão para o Reino Unido

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A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, apresentou nesta quarta-feira a proposta que tem para o país na sequência do referendo que decidiu pela desfiliação da União Europeia, pedindo uma nova abordagem de governo que sirva à classe média que votou pela separação em protesto contra a elite.

Nomeada há apenas três meses, depois que o referendo sobre a filiação britânica na UE forçou a renúncia de seu antecessor David Cameron, May procurou ratificar sua autoridade em seu discurso de encerramento na conferência do governista Partido Conservador.

Mais cedo nesta semana, ela já havia apaziguado a ala eurocética de seu partido prometendo restaurar a soberania do Reino Unido e os controles sobre a imigração nas conversas sobre a separação do bloco, conhecida como Brexit.

Desta vez ela cortejou o centro do espectro político, conclamando seus correligionários a apelarem aos milhões de eleitores tradicionais do adversário Partido Trabalhista que rejeitaram a postura pró-UE da legenda de oposição e votaram pelo Brexit.

May quer que os conservadores descartem a imagem de partido que protege os ricos e poderosos à custa dos pobres.

“Então, se você é um chefe que ganha uma fortuna, mas não cuida de seus funcionários, uma empresa internacional que trata as leis tributárias como um extra opcional… um diretor que assume dividendos enormes sabendo que as pensões da empresa estão prestes a falir, estou dando um alerta a vocês”, disse a premiê, sob aplausos.

“Isso não pode mais continuar”, acrescentou May, no que foi visto por muitos como uma referência ao magnata do varejo britânico Philip Green, que foi culpado pelo colapso da loja de departamentos BHS este ano depois de vender o negócio em 2015 a um empresário que acumula falências.

O discurso de May foi um rompimento claro com Cameron, que foi criticado muitas vezes por proteger os “ricos e poderosos”, alguns dos quais frequentaram a mesma escola de elite dele e circulam em rodas da alta sociedade semelhantes.

A própria May mora em um vilarejo abastado no bucólico Vale do Tâmisa, mas foi educada principalmente em escolas do Estado. 

“(Temos) um plano ousado para unir o Reino Unido, para construir um Reino Unido novo e coeso centrado no meio termo, uma pauta para um conservadorismo novo e moderno que entende o bem que o governo pode fazer, que nunca irá hesitar em enfrentar os poderosos quando eles abusarem de suas posições de privilégio, que sempre irá agir no interesse das pessoas comuns da classe trabalhadora”, afirmou.

Depois de várias ovações durante seu discurso, muitos dos conservadores presentes louvaram seu pedido de mudança.

Mas, ao mesmo tempo, alguns questionaram se a ex-ministra do Interior será capaz de concretizar uma pauta tão ambiciosa.

“O grande problema aqui é cumprir. A proposta foi brilhante, mas concretizar de verdade essa proposta será realmente difícil”, disse Roy Hewlett, empregado do setor da saúde e eleitor conservador de longa data.

Foto: Reuters/Darren Staples – Primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May.

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: Reuters

 

 

8 Comments

  1. S-88 says:

    Discurso interessante, vai na jugular do partido trabalhista cujo atual líder é um conhecido inepto, adepto do trabalhismo clássico que arruinou a Grã-Bretanha.

    • Rockes says:

      tenho que rir, vc demoniza a esquerda obsessivamente mas engole tudo que a imprensa liberal/esquerda fala, o líder do trabalhista britânico tem opiniões independentes e é isso que irrita tanto jornais medíocres do tipo “The Independent”

      • S-88 says:

        Não meu caro, eu não demonizo a esquerda mas apenas exponho os fatos, especialmente após 13 anos de governos esquerdistas cujo resultado foi institucionalização da corrupção e falência institucional, sem falar no populismo rasteiro. E também não custa lembrar que no paraíso do “socialismo do século XXI” as pessoas estão passando fome……

        Quanto ao líder trabalhista britânico, suas opiniões “independentes” falam por si só. Não apenas é amigo de Hamas e Hezbollah (o que deflagrou uma onda de antissemitismo no partido) como declaradamente defende o desarmamento nuclear unilateral da Grã-Bretanha (segundo ele as instalações e os empregos do programa nuclear britânico seriam direcionados para a produção de energia renovável..risos), a saída do país da OTAN e a nacionalização dos setores ferroviário, de produção de energia elétrica e distribuição de gás. Ou seja, a Grã-Bretanha sairia do século XXI e voltaria para o caos dos anos 70 do século passado….

      • Rockes says:

        É muita ingenuidade acreditar que a corrupção “institucionalizou” a partir de 2003, tipico discurso pseudo-intelectual, leia sobre o histórico da policia federal durante o governo FHC por exemplo, tivemos sabotagens, indicações para aparelhar, briga por poder, Renan Calheiros como ministro da justiça!!!! Vamos falar também dos sucessivos golpes em bancos públicos praticados por deputados e afins, bancos privados vivendo de informação privilegiada, cartel das empreiteiras desde a década de 60, cartel e varias vantagens indevidas para as grandes industrias automobilísticas e vários outros oligopólios, quando mesmo tudo isso, que vem de longa data, foi investigado e combatido?
        Vc julga baseado em ter opinião diferente do Hezbollah? Sério? Vc acredita que os EUA e Israel diriam que o Hezbollah é um movimento que apenas luta contra forças invasoras? Ou eles preferem dizer, independente da realidade, que esses “terroristas” estão atrapalhando a “paz”? O único problema aqui é que vc simplesmente não sai da bolha de desinformação ocidental.

        Obs. Setores vitais para a economia, que estão privatizados, e tendem ao monopólio, não vão te deixar mais rico.

      • Gary says:

        Até onde sei, FHC é socialista, logo esquerdista. Então a corrupção realmente não começou em 2003, mas pelo menos 25 anos antes.

    • Athos says:

      Só que é o contrário do que vc está falando.
      Ela representa a velha esquerda trabalhista, a que não concordou com Thatcher.

      Aliás Thatcher é a maior defensora do SUS que eu já vi.
      Disse ela que privatizou TUDO não por ideologia, mas porque acreditava que era o caminho é a PROVA é que o SUS de lá continuou estatal….porque TAMBÉM acreditava ser esse o caminho.
      Foi tudo dito a Globonews que depois retirou o vídeo só para vc não ver.

      • S-88 says:

        Deixa eu ver se eu entendi: Teresa May, atual primeira-ministra britânica do partido CONSERVADOR, aquele também conhecido por Torie, seria uma representante da “Velha esquerda trabalhista”? Você tem certeza disso? Acho que você não percebeu mas eu e o outro estávamos falando de Jeremy Corbyn e não de Teresa May viu!?

        E o que tem a ver o SUS mesmo com o que a gente está discutindo?Rssss

  2. Gary says:

    O conservadorismo foi infiltrado pelos marxistas em toda sua rede de formação. É impossível hoje em dia encontrar um conservador nos moldes de Chesterton. Aliás, se os trabalhistas ou socialistas conhececem e reconhecessem os princípios de sua doutrina distributista de caráter cristã, largariam mão de seguir nécios e a abraçariam como modelo de sociedade cristã justa e igualitária que contempla os esforços individuais e pune os excessos do poder econômico. É muita sofisticação para que pessoas inculcadas tanto pelo materialismo quanto pelo socialismo possam apreciar. Teresa May não foge a regra. Está longe de ter o brilhantismo que Thatcher teve, que, com certeza leu Keith e aplicou seus ensinamentos com grande êxito. May pratica o pragmatismo populista que até o papa se rendeu. “Vale mais o discurso que as ações.”

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