Defesa & Geopolítica

Colômbia / Acordo / FARC – Aos críticos: “A paz é mais barata do que a guerra”

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Uribe ex-presidente da Colômbia e principal adversário das negociações com as FARC.

Os negociadores de paz do governo da Colômbia reagiram nesta quinta-feira aos críticos do acordo que pôs fim a meio século de guerra com os guerrilheiros esquerdistas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) dizendo que o custo de acolher os combatentes rebeldes na sociedade é muito menor do que os gastos do conflito.

Na quarta-feira, o governo e as Farc anunciaram ter chegado a um entendimento que na prática encerra um conflito de 52 anos, que levou à morte de mais de 220 mil pessoas e forçou o deslocamento de milhões.

Os opositores do acordo, liderados pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, afirmam que o pacto anistia os rebeldes de crimes demais e é injusto com os cidadãos cumpridores da lei porque pede subsídios para os combatentes que deixam seus esconderijos nas florestas e montanhas enquanto procuram trabalho.

Agora o acordo precisa ser aprovado pelos colombianos em um referendo no dia 2 de outubro, e o governo busca angariar o apoio de muitos que prefeririam ter derrotado os guerrilheiros através do poderio militar para vingar anos de sequestros e ataques.

A equipe que passou quase quatro anos negociando com as Farc em Havana realizou uma coletiva de imprensa para defender o pacto, dizendo que o governo e a sociedade precisam ajudar a integrar os combatentes, alguns dos quais passaram décadas em campos.

“Isto é pela Colômbia, para que o que aconteceu na América Central não aconteça aqui – nós os abandonarmos depois de eles deporem as armas e eles terminarem em grupos criminosos ou pegarem em armas novamente”, disse o senador Roy Barreras, um dos negociadores.

Marc Frank

Foto: LUIS BENAVIDES / Arquivo – AP

Edição: Plano Brasil

Fonte: Reuters

As FARC terão representação política garantida nas duas próximas legislaturas

Iván Márquez e De la Calle dão-se as mãos diante do chanceler cubano Bruno Rodríguez.

Desde que se iniciou o processo de paz na Colômbia, a frase é repetida como um mantra. “Nada está resolvido até que tudo esteja resolvido”. Tinha muito de verdade, mas também acabou se tornando uma desculpa para quase tudo.

Finalmente, na quarta-feira, 24 de agosto, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em um pronunciamento ao país, sentenciou: “Hoje começa o fim do sofrimento, da dor e da tragédia da guerra. Está tudo resolvido”.

O novo caminho que a Colômbia percorrerá a partir de agora incluirá a participação das FARC na vida política, um dos últimos aspectos a ser negociado em Havana. O presidente esclareceu as dúvidas: a guerrilha terá garantida representação política nas duas próximas legislaturas. Até as próximas eleições, em 2018, o movimento político que surgir depois da deposição de armas contará com porta-vozes no Congresso, “com voz mas sem voto”, e apenas poderão abordar temas relacionados à implementação dos acordos de paz. “Para que a paz seja duradoura, temos de garantir que quem depôs as armas se reincorporem à vida civil e legal de nosso país”, garantiu o presidente.

O acordo entre o Governo e as FARC estabelece que os guerrilheiros terão garantido um total de 10 congressistas (cinco senadores e cinco representantes à Câmara) por dois períodos, caso não consigam superar o limite de 3% da votação. Nesse caso, será destinado o que for necessário para cobrir a diferença. Se ultrapassarem, não serão outorgadas cadeiras adicionais. “Vamos ampliar e fortalecer nosso sistema democrático e eleitoral; vamos dar mais garantias à oposição, e vamos permitir que regiões que não tiveram representação política adequada devido ao conflito escolham de maneira transitória porta-vozes na Câmara dos Representantes”, insistiu Santos.

A garantia de representantes políticos depois do encerramento de um conflito armado também ocorreu em outros processos de paz. No caso colombiano, as FARC reclamavam uma presença semelhante à que teve a União Patriótica — o braço político da guerrilha nos anos oitenta— antes que fossem realizados os assassinatos em massa contra seus membros. Na época, a UP tinha 9 senadores e 17 representantes na Câmara.

JAVIER LAFUENTE

Foto: ALEXANDRE MENEGHINI / REUTERS

Edição: Plano Brasil

Fonte: El País

 

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