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Alemanha considera a retirada de seu contingente da base turca de Incirlik

Autoridades alemãs estão considerando a retirada de cerca de 250 soldados e equipamentos militares instalados em base aérea da OTAN na Turquia, informa edição Spiegel Online.

O Ministério da Defesa alemão afirmou que está disposto a continuar a missão a partir da Turquia, mas sublinhou que “há alternativas à base de Incirlik”.

De acordo com a edição, a Alemanha poderia, em alternativa, implantar o seu contingente em bases na Jordânia e Chipre. No entanto, a reafetação das aeronaves Tornado vai interromper os voos de reconhecimento sobre a Síria e o Iraque pelo menos durante dois meses.

Além disso, a manutenção das aeronaves e do contingente na Jordânia no Chipre será mais cara e tecnicamente mais complexa do que na Turquia, escreve a Spiegel. A decisão pode estar relacionada com a recente deterioração das relações entre Bruxelas e Ancara.

Em Junho, a Turquia retirou seu embaixador da Alemanha após o Bundestag (parlamento alemão) aprovar uma resolução que reconhece o genocídio armênio. As autoridades turcas também proibiram a delegação alemã de legisladores de visitar a base aérea de Incirlik, de acordo com a mídia alemã.

As tensões entre a Turquia e a UE aumentaram ainda mais após a falhada tentativa de golpe na Turquia, a qual o presidente Erdogan considera ter sido promovida pelos EUA e pelo clérigo de 75 anos Fethullah Gulen.

Edição/Imagem: Plano Brasil

Fonte: Sputnik News

 

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Beriev Be-200 Altair em ação

Dois modelos Beriev Be-200 russos chegaram à cidade portuguesa de Leiria no último dia 13 de Agosto, a pedido do governo de Portugal. As operações tiveram início no dia seguinte.

Os aviões anfíbios Be-200 do Ministério para Situações de Emergência russo, em apenas um único dia foram capazes de extinguir o fogo em uma área de quase 1.100 hectares.

Os Be-200, uns dos aviões mais eficientes do mundo contra incêndio, são capazes de pousar tanto em terra como na água, para reabastecer os tanques, e podem carregar até 12 toneladas de água.

“Durante atuação em Portugal, as aeronaves russas extinguiram incêndios em uma área superior a 2.000 hectares, protegendo das chamas 3 parques nacionais e 7 vilarejos com população de mais de 55 mil pessoas”, lê-se em nota do ministério russo.

O Beriev Be-200 Altair é uma aeronave anfíbia para múltiplos propósitos desenvolvido pela Beriev Aircraft Company e fabricado pela Irkut.

 

ITAR-TASS

Fotos: MIKHAIL POTCHUIEV / TASS

Edição/Imagem: Plano Brasil

Fonte: Gazeta Russa

 

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Operação em Jarablus / Síria é contra curdos, não contra o Daesh

Em entrevista na Turquia, o vice-presidente do Partido Democrático dos Povos (HDP) disse que a operação na fronteira turco-síria tem como objetivo atacar curdos.

O político curdo, Idris Baluken, acredita que a luta contra o grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia) seria somente um pretexto usado pelo governo turco para justificar suas ações para a comunidade internacional.

“As ações das tropas turcas são destinadas para ganhar tempo e oferecer a possibilidade aos grupos terroristas na Síria, especialmente ao Daesh enfraquecido, de ganharem forças,” disse.

A Turquia nega tais declarações, reforçando que a operação busca somente acabar com atividades terroristas no território sírio, tendo os curdos como uma das “ameaças”, declarou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre a operação.

“Com o início da operação em Jarablus a Turquia de fato assumiu uma posição na guerra síria. Erdogan e o AKP [Partido turco da Justiça e Desenvolvimento] puseram, de forma premeditada, a Turquia no inferno da guerra devastadora na região do Oriente Médio”, acrescentou Baluken à Sputnik.

O especialista e político sublinhou também que a questão do possível início da operação nunca foi discutida pelo Parlamento, já que ele atualmente está em recesso. Balunken acha que “o partido no poder [da Turquia] aproveitou esse momento para enviar tropas à Síria”.

As autoridades da Turquia informaram que a saída do território sírio ainda é incerta: as unidades turcas vão permanecer na Síria até que as forças do Exército Livre da Síria tomem o controle da situação.

De acordo com o entrevistado, a violação da soberania de um país e a entrada de tropas estrangeiras são medidas que acarretam em consequências graves se for levado em consideração o direito internacional.

“As consequências pelo passo dado pela Turquia podem ser muito graves”, sublinhou.

O político curdo espera que a Turquia mude sua posição “antes que seja tarde demais”.

Foto: © Sputnik/ Hikmet Durgun

Fonte: Sputnik News

Turquia amplia ofensiva na Síria

Tanques turcos cruzam a fronteira com a Síria para dar apoio à operação Escudo do Eufrates.

Após expulsar o EI de cidade estratégica na fronteira com o país vizinho, tropas turcas prosseguem com os avanços em solo sírio para forçar o recuo de milícias curdas para a margem leste do Eufrates.

No dia seguinte à tomada da cidade de Jarablus por grupos rebeldes sírios, mais dez tanques de guerra turcos, acompanhados de outros dez veículos armados, cruzaram a fronteira do país com a Síria, reforçando a ofensiva contra alvos da organização extremista “Estado Islâmico” (EI) na fronteira.

Os tanques se juntaram nesta quinta-feira (25/08) a um contingente de outros 12 blindados que já estavam em solo sírio desde o dia anterior, como parte da operação batizada de Escudo do Eufrates. Foi a intervenção turca que, dentro de horas, permitiu que rebeldes capturassem a cidade, último bastião do EI na região.

A ofensiva marca a primeira vez em que forças turcas apoiadas pelos Estados Unidos atravessam a fronteira com o país vizinho para intervir contra o EI, além de agir também contra milícias curdas na região.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, os rebeldes sírios que tomaram Jarablus avançaram mais dez quilômetros ao sul da cidade, na fronteira entre a Turquia e a Síria. Ao mesmo tempo, forças curdas ganharam 8 quilômetros de território rumo ao norte, numa aparente tentativa de evitar os avanços dos rebeldes.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, disse que, após o êxito em Jarablus, as forças turcas deverão continuar suas operações na região, numa tentativa de forçar o recuo da milícia curdo-síria Unidades de Proteção Popular (YPG) para a margem oposta do rio Eufrates.

O principal objetivo da operação era evitar que a população de Jarablus fosse liberada do “Estado Islâmico” por milícias curdas, que avançam e poderiam criar um corredor curdo na fronteira.

A Turquia está atenta aos ganhos territoriais dos curdos na guerra civil da Síria e teme que isso possa inflar o movimento separatista da minoria curda em seu território. Curdos estabeleceram três zonas autônomas no norte da Síria desde que a guerra civil eclodiu, em 2011. Eles negam, porém, que estejam tentando fundar um Estado próprio.

“Nosso acordo com os EUA estabelece que os curdos em Manbij e região devem se retirar para a margem leste do Eufrates”, afirmou Yildirim.

O ministro turco da Defesa, Fikri Isik, disse que o desejo de Ancara é atingir esse objetivo dentro de uma semana. Segundo afirmou, nenhuma baixa foi registrada nas forças turcas que realizaram a “limpeza” dos membros do EI de Jarablus.

Segundo o colunista Abdulkadir Selvi, do jornal turco Hurriyet, a operação visa criar uma zona livre de grupos terroristas e limitar os avanços das milícias curdas. Ele afirma que 450 soldados turcos entraram no território sírio no primeiro dia da ofensiva, e que esse número poderá aumentar para 15 mil. O jornal, citando fontes militares, diz que cem militantes do EI teriam morrido durante os combates.

Manbij foi libertada recentemente das mãos do EI por uma aliança liderada pelo YPG. Nesta quinta-feira, o grupo curdo afirmou as milícias que haviam tomado a cidade retornaram às suas bases após o término da missão.

Em comunicado, o YPG diz que o comando militar e todas as posições tomadas foram entregues a um conselho militar local, enquanto o controle da cidade havia sido transferido para um conselho civil no dia 15 de agosto.

No comunicado, o YPG afirma que os conselhos militar e civis de Manbij são formados por pessoas locais. O grupo, porém, não mencionou a localização de suas bases.

RC/afp/rtr

Fonte: DW

 

 

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Colômbia / Acordo / FARC – Aos críticos: “A paz é mais barata do que a guerra”

Uribe ex-presidente da Colômbia e principal adversário das negociações com as FARC.

Os negociadores de paz do governo da Colômbia reagiram nesta quinta-feira aos críticos do acordo que pôs fim a meio século de guerra com os guerrilheiros esquerdistas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) dizendo que o custo de acolher os combatentes rebeldes na sociedade é muito menor do que os gastos do conflito.

Na quarta-feira, o governo e as Farc anunciaram ter chegado a um entendimento que na prática encerra um conflito de 52 anos, que levou à morte de mais de 220 mil pessoas e forçou o deslocamento de milhões.

Os opositores do acordo, liderados pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, afirmam que o pacto anistia os rebeldes de crimes demais e é injusto com os cidadãos cumpridores da lei porque pede subsídios para os combatentes que deixam seus esconderijos nas florestas e montanhas enquanto procuram trabalho.

Agora o acordo precisa ser aprovado pelos colombianos em um referendo no dia 2 de outubro, e o governo busca angariar o apoio de muitos que prefeririam ter derrotado os guerrilheiros através do poderio militar para vingar anos de sequestros e ataques.

A equipe que passou quase quatro anos negociando com as Farc em Havana realizou uma coletiva de imprensa para defender o pacto, dizendo que o governo e a sociedade precisam ajudar a integrar os combatentes, alguns dos quais passaram décadas em campos.

“Isto é pela Colômbia, para que o que aconteceu na América Central não aconteça aqui – nós os abandonarmos depois de eles deporem as armas e eles terminarem em grupos criminosos ou pegarem em armas novamente”, disse o senador Roy Barreras, um dos negociadores.

Marc Frank

Foto: LUIS BENAVIDES / Arquivo – AP

Edição: Plano Brasil

Fonte: Reuters

As FARC terão representação política garantida nas duas próximas legislaturas

Iván Márquez e De la Calle dão-se as mãos diante do chanceler cubano Bruno Rodríguez.

Desde que se iniciou o processo de paz na Colômbia, a frase é repetida como um mantra. “Nada está resolvido até que tudo esteja resolvido”. Tinha muito de verdade, mas também acabou se tornando uma desculpa para quase tudo.

Finalmente, na quarta-feira, 24 de agosto, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, em um pronunciamento ao país, sentenciou: “Hoje começa o fim do sofrimento, da dor e da tragédia da guerra. Está tudo resolvido”.

O novo caminho que a Colômbia percorrerá a partir de agora incluirá a participação das FARC na vida política, um dos últimos aspectos a ser negociado em Havana. O presidente esclareceu as dúvidas: a guerrilha terá garantida representação política nas duas próximas legislaturas. Até as próximas eleições, em 2018, o movimento político que surgir depois da deposição de armas contará com porta-vozes no Congresso, “com voz mas sem voto”, e apenas poderão abordar temas relacionados à implementação dos acordos de paz. “Para que a paz seja duradoura, temos de garantir que quem depôs as armas se reincorporem à vida civil e legal de nosso país”, garantiu o presidente.

O acordo entre o Governo e as FARC estabelece que os guerrilheiros terão garantido um total de 10 congressistas (cinco senadores e cinco representantes à Câmara) por dois períodos, caso não consigam superar o limite de 3% da votação. Nesse caso, será destinado o que for necessário para cobrir a diferença. Se ultrapassarem, não serão outorgadas cadeiras adicionais. “Vamos ampliar e fortalecer nosso sistema democrático e eleitoral; vamos dar mais garantias à oposição, e vamos permitir que regiões que não tiveram representação política adequada devido ao conflito escolham de maneira transitória porta-vozes na Câmara dos Representantes”, insistiu Santos.

A garantia de representantes políticos depois do encerramento de um conflito armado também ocorreu em outros processos de paz. No caso colombiano, as FARC reclamavam uma presença semelhante à que teve a União Patriótica — o braço político da guerrilha nos anos oitenta— antes que fossem realizados os assassinatos em massa contra seus membros. Na época, a UP tinha 9 senadores e 17 representantes na Câmara.

JAVIER LAFUENTE

Foto: ALEXANDRE MENEGHINI / REUTERS

Edição: Plano Brasil

Fonte: El País

 

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25 de Agosto de 1944: Paris é libertada da ocupação alemã

Em 25 de Agosto de 1944, tropas francesas e americanas libertaram Paris da ocupação alemã. Da Inglaterra, o general Charles de Gaulle conclamou, pelo rádio, seus compatriotas a apoiarem os Aliados.

Desde 1940, a capital francesa estava ocupada pelos alemães. Tardaria até meados de agosto de 1944 para que as tropas aliadas conseguissem avançar em direção a Paris.

Já nos dias que antecederam à libertação da cidade ocorreram greves da polícia, dos correios e do metrô parisiense. O rádio suspendeu suas transmissões e, no dia 19 de agosto de 1944, o Comitê da Libertação de Paris conclamou a população a rebelar-se.

Ministérios, redações de jornais e partes da administração municipal foram ocupados. Os grupos da Resistência parisiense passaram a lutar em combates de rua, atrás de barricadas construídas às pressas.

Seu líder era o comunista convicto Henri Tanguy, conhecido como coronel Rol. Ele e seus correligionários queriam aproveitar uma rebelião geral em Paris, a fim de assumir o poder político antes que as forças francesas de Charles de Gaulle e as tropas aliadas chegassem para libertar a cidade.

Desobediência a Hitler

Desde 7 de agosto de 194, o comandante alemão da região metropolitana de Paris era o general Von Choltitz. Do ditador alemão Adolf Hitler, Von Choltitz recebera carta branca para defender a cidade com todos os recursos e para destruí-la inteiramente antes de uma retirada. O general, no entanto, contrariou as ordens cada vez mais insistentes de Hitler para a destruição de Paris.

Ele solicitou ao cônsul-geral da Suécia em Paris, Raoul Nordling, que cruzasse o front e entrasse em contato com os Aliados, a fim de apressá-los e acelerar assim a capitulação nazista.

Atendendo a uma sugestão de Raoul Nordling, o general Von Choltitz buscou contato com a Resistência em 19 de agosto. Porém, Raoul Nordling sofreu um ataque cardíaco pouco antes da sua partida. A carta de livre trânsito tinha sido emitida com o nome abreviado de R. Nordling. O irmão do cônsul-geral sueco, Rolf Nordling, assumiu assim a missão de alto risco.

O general Leclerc juntara-se a Charles de Gaulle e comandava então a 2ª divisão blindada francesa, que avançou rapidamente para Paris, a partir de 23 de agosto de 1944. Já no dia seguinte, companhias aliadas estavam nos subúrbios ocidentais da capital. Na tarde de 25 de agosto, o general Leclerc e o coronel Rol receberam a capitulação do general Von Choltitz, no departamento de polícia da capital francesa.

De Gaulle também chegou a Paris em 25 de agosto de 1944 e discursou à noite diante da prefeitura. Ele lembrou o sofrimento de uma Paris martirizada pela ocupação e preconizou, ao mesmo tempo, o futuro de liberdade e de autodeterminação da cidade.

De maior estatura e fardado, o General Charles de Gaulle, que liderou o governo francês no exílio por quatro longos anos, sob o Arco do Triunfo durante a Libertação de Paris em 25 de Agosto de 1944.

Restauração da República

No dia seguinte, 26 de agosto de 1944, De Gaulle participou da parada triunfal da 2ª divisão blindada francesa, sob o comando do general Leclerc. Partindo do Arco do Triunfo, ele desceu a Avenida Champs Elysées, prosseguindo até a Catedral de Notre Dame. Os parisienses saudaram o libertador com grande entusiasmo.

O passeio pela cidade encerrava grande risco para o general, pois muitos franco-atiradores ainda disparavam dos seus esconderijos. Mas De Gaulle recusou-se a interromper a sua caminhada e marchou orgulhosamente pelas ruas parisienses.

Na catedral, continuou a ser celebrado o Te Deum, apesar de tiros disparados até mesmo dentro do templo gótico. Nunca se soube quem ordenou os disparos. Dois franco-atiradores foram presos em outras partes da cidade, mas não puderam ser interrogados, pois foram linchados imediatamente pela população furiosa.

Há quem atribua os tiros aos comunistas. Eles procurariam, desta forma, impedir que De Gaulle subisse ao poder. Essa hipótese, no entanto, jamais pôde ser provada. A parada da 2ª divisão blindada na cidade recém-liberada tinha como objetivo ressaltar o papel do movimento França Livre e reforçar a posição do general De Gaulle como líder do novo governo francês.

Com isso, ele queria rechaçar as ambições comunistas de poder na França. Especialmente o fato de que o líder comunista da Resistência, coronel Rol, tenha sido um dos signatários da capitulação alemã, ao lado do general Leclerc, deixou o general tremendamente indignado.

De Gaulle forçou resolutamente a constituição de um governo francês, impedindo assim que a França se tornasse uma zona de ocupação das potências aliadas. No dia 9 de setembro, tomou posse um governo de unidade nacional, sob a presidência de Charles de Gaulle. Com isso, ele cumpriu a missão a que se propusera: libertar o país, restabelecer a República e organizar eleições livres e democráticas na França.

Em Berlim, Hitler procurava saber, em vão, do seu general Jodl: “Paris está em chamas?”

Edição/Imagem: Plano Brasil

Fonte: DW

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Caça naval chinês: J-15 “Flying Shark”

 

 

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Maduro celebra ‘fracasso’ de bloqueio à Venezuela no MERCOSUL

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, celebrou nesta terça-feira o que qualificou de “fracasso” de Brasil, Argentina e Paraguai em bloquear o acesso da Venezuela à presidência do Mercosul.

“A presidência temporária do Mercosul estamos exercendo, além das manobras rasteiras, miseráveis e ruins da ‘tríplice aliança’, liderada pelo governo ‘stronista’ do Paraguai”, disse Maduro em seu programa semanal de televisão.

Maduro vinculou assim o governo do presidente paraguaio, Horacio Cartes, à ditadura militar de Alfredo Stroessner entre 1954 e 1989.

“A Venezuela tem a razão legal, tem a razão moral, e seguirá exercendo a presidência do Mercosul de maneira digna, equilibrada e justa”, afirmou Maduro.

Coordenadores do Mercosul se reuniram nesta terça-feira, em Montevidéu, em busca de fórmulas para destravar a crise, em um encontro que terminou sem anúncios oficiais.

Houve “bastante coincidência” entre Brasil, Argentina e Paraguai, declarou o vice-chanceler paraguaio, Rigoberto Gauto, sem dar detalhes sobre as alternativas para superar o impasse.

O Mercosul atravessa sua pior crise em anos diante da negativa de Brasil, Paraguai e Argentina em admitir a presidência temporária da Venezuela, devido à crise política que abala o país caribenho.

Foto: Arquivo AFP

Fonte: AFP via ISTOÉ

Briga por presidência expõe MERCOSUL cada vez mais dividido

O MERCOSUL mostrou sua profunda divisão, quando a Venezuela convocou uma reunião em Montevidéu, nesta quarta-feira (24), a qual contou com a presença apenas do Uruguai, enquanto os demais sócios ignoraram o convite.

Nenhum representante de Argentina, Brasil e Paraguai participou da reunião, segundo informações de funcionários da Chancelaria uruguaia.

O Uruguai é o único dos sócios que aceitam a Venezuela à frente da coordenação das atividades mercosulinas, enquanto Brasília, Buenos Aires e Assunção desconhecem seu mandato.

A Venezuela se autoproclamou à frente do bloco depois que o Uruguai entregou a presidência no final de julho, após seis meses de gestão.

Na terça-feira, uma reunião de coordenadores foi realizada em Montevidéu na ausência de representantes venezuelanos. Nesta quarta, no mesmo local, a sede do MERCOSUL na capital uruguaia, apenas dois sócios estiveram presentes, junto com a Bolívia. O país andino tramita sua filiação plena à organização.

No final da reunião, o coordenador venezuelano no bloco, Héctor Constant, fez uma declaração à imprensa acompanhado apenas do embaixador boliviano, Benjamín Blanco. Não havia representantes uruguaios.

Sem aceitar perguntas, Constant explicou que o encontro foi “convocado pela Presidência venezuelana” para detalhar “as diretrizes” do país. Entre as prioridades de Caracas, afirmou ele, estão aprofundar os contatos com Cuba, China e Rússia, dar continuidade às negociações com a União Europeia (UE) por um acordo de livre-comércio e apresentar a proposta “MERCOSUL musical”, com base na experiência da Venezuela em orquestras infantis e juvenis.

O representante venezuelano deu suas declarações posicionado atrás de um pequeno cartaz com o logotipo do MERCOSUL e a legenda “Presidência”.

O MERCOSUL atravessa uma de suas piores crises, comparável apenas à que levou à suspensão do Paraguai em 2012 depois de um processo de que destituiu o então presidente Fernando Lugo.

Em uma cúpula presidencial incompleta, Uruguai, Argentina e Brasil decidiram, precisamente, o ingresso da Venezuela como membro pleno.

Por ordem alfabética, em julho de 2016, a Venezuela deveria assumir a Presidência rotativa do grupo. Brasil, Paraguai e Argentina se opuseram, devido à situação política e econômica que o país caribenho atravessa. Os três consideram a Presidência do MERCOSUL “vacante”.

O Uruguai é o único sócio que quer que Caracas assuma a Presidência e que aceita a decisão de Maduro, alegando que, juridicamente, não há obstáculos.

Ainda não houve um ato de transferência de posto, e o regimento do bloco não prevê a passagem automática da Presidência.

O presidente Nicolás Maduro acusou Argentina, Brasil e Paraguai de formarem “a tripla aliança de torturadores da América do Sul”, chamou o governo interino no Brasil de “ditadura imposta”, qualificou Macri de “fracassado”, e o governo de Horacio Cartes no Paraguai, de “oligarquia (…) corrupta e narcotraficante”.

O MERCOSUL caminha para um tipo de governo colegiado no que resta do semestre, e que será exercido por Brasil, Argentina e Paraguai. Não é claro o papel que o Uruguai terá.

Foto: AFP / Federico Parra

Fonte: AFP