Defesa & Geopolítica

Estratégia dos EUA pode estimular criação de “sistema DAM” conjunto entre Rússia e China

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Em 15 de agosto, o Ministério da Defesa da Coreia do Sul divulgou uma declaração em que promete minimizar os danos do sistema norte-americano THAAD na península coreana tanto para os residentes locais, como para o meio-ambiente. Entretanto, nenhuma das promessa pode reduzir as tensões e protestos dos sul-coreanos.

Os que protestam consideram que são reféns do acordo entre os EUA e o governo sul-coreano, que ameaça o país com uma possível resposta de parte da Rússia e China.

A Rússia disse repetidamente que está contra a instalação do THAAD na Coreia do Sul sob pretexto da ameaça nuclear de Pyongyang. Os meios de detecção destes complexos têm um alcance de 1,5 mil quilômetros. Assim, a Coreia do Sul poderá dar espiadas no território da Rússia e, com uma distância mais longa, no da China.

Radar AN / TPY-2  Raytheon

Na opinião do especialista militar Vladimir Evseev que deu entrevista à Sputnik Japão, uma resposta adequada a este passo seria criar um sistema antimíssil único da Rússia e China.

“Os EUA resolvem uma tarefa tática, mas perdem estrategicamente como uma consequência da instalação do sistema antimíssil na Coreia do Sul é a continuidade da aproximação entre Moscou e Pequim. Em particular, na área de criação de defesa antimíssil”, disse Evseev.

Segundo o especialista, a China possui radares que podem servir como sistema de aviso antecipado de um ataque com mísseis. A Rússia também têm sistemas de vários tipos.

Os radares de nova geração que estão nas regiões de Kaliningrado e Irkutsk são parte de um sistema integrado de aviso sobre ataque com mísseis. Com efeito, ele está controlando quase todo o espaço orbital e aéreo ao longo da fronteira russa. Em termos de precisão e alcance, a capacidade de alterar a direção do monitoramento não têm análogos em todo o mundo. A China e a Rússia podem se completar uma à outra.

“Ainda antes se planejava realizar essas atividades entre a Rússia e os EUA. Agora é impossível fazê-lo com os EUA, mas é real em relação a Pequim. Centros assim podem ser criados em Moscou e Pequim, para onde serão enviadas as informações de aviso antecipado sobre ataques com mísseis em regime de tempo real. A seguinte etapa pode ser a realização de treinamentos conjuntos de defesa antimíssil no polígono russo de Ashuluk”, afirmou o especialista.

Evseev sublinhou que a China possui um lazer militar que pode afetar objetos no espaço orbital próximo. A Rússia ainda não usa tais lazeres. Simultaneamente, a Rússia tem um sistema de defesa antimíssil ao redor de Moscou, que inclui sistemas que podem interceptar mísseis em altitudes de 60 km e que a China não possui. Elas têm o que oferecer uma à outra.

Moscou e Pequim já realizaram os primeiros treinamentos antimísseis com uso de modelação computorizada. Um passo seguinte, na opinião de Evseev, pode ser uma experiência de intercepção conjunta de mísseis balísticos no polígono de Ashuluk se os meios diplomáticos e protestos dos sul-coreanos não forem capazes de parar a construção do sistema antimíssil norte-americano na Coreia do Sul.

Edição/Imagem: Plano Brasil

Fonte: Sputnik News

9 Comments

  1. A Máquina Troll says:

    olha como são inimigos/desunidos estes dois países pessoal… 😉

  2. Rafa_positron says:

    Pois é….

    ai fica a pergunta: é inteligente jogar a Russia no colo da China e vice-versa (tudo por causa da Ucrânia e do biruta do McCain)?

    se os EUA não tivessem uma politica externa tão “atabaque” pensariam com um pingo de estrategia

    Oq eles conseguiram fazer foi unir a maior potencia nuclear da terra (Russia) com a futura maior potencia economica do mundo (China)

    Compensou?
    Poroshenko merece?
    Eu sei q as ucranianas são bonitinhas, mas vale a pena esse sacrificio?

    Oq a administração americana e os trilogiopatas precisam entender é q os anos 1990 (de total hegemonia dos EUA) já se foram faz tempo… não existem mais…. a coisa mudou e é irreversivel

    Agora oq vai acontecer é o seguinte: vão sentir saudades da URSS e vão orar todos os dias pelo seu retorno

    • Professor says:

      Rafa_positron, lembrando que o Deus que as elites norte-americanas irão rezar é para Mamon. Porque, se o povo americano é, na sua maioria, cristão, a sua elite é, na sua maioria, maçônica.

  3. JPC says:

    Mísseis russos não eram impossíveis de interceptar?

    Por que toda essa polêmica então?

    • Arc says:

      Não são impossíveis de se interceptar, são muito difíceis de se interceptar, ainda mais associado a todo o restante do poderio eslavo, que vale ressaltar, é eficiente em todas as esferas. A matéria faz questão de citar um sistema único entre os dois países, eu duvido, pois a Rússia e China já possuem um sistema escalonado eficiente, a Rússia mais que a China por possuir pleno domínio neste campo, mas é suficiente para as ameaças atuais.

    • Professor says:

      Os militares russos são sérios. Por isso eles tem que pensar sempre considerando o pior cenário possível. Então, embora as chances desse escudo dar certo serem pequenas, existe uma possibilidade e os russos trabalham com ela.

      Outrossim, os russos consideram também a seguinte possibilidade: atualmente, o Sistema não funciona a contento; porém, quem garante que num futuro próximo, os americanos consigam atingir uma tecnologia que realmente seja eficaz?

      Os russo trabalham sempre com esses cenários.

  4. Topol says:

    Acho que seja bem possível um sistema DAM conjunto em um futuro próximo… radares de aviso imediato Banda X no Mar da China interligados aos interceptadores A-235 e S-500 em território russo. Certamente a China também é um dos maiores interessados no S-500 e assim que estiver disponível, navios ELINT russos no Pacífico podem dar alerta para interceptadores em solo chinês contra ataques com mísseis de submarinos dos EUA…

    Assim como o Sea Based X-Band Radars dos EUA dão alerta para interceptadores tanto nos EUA quanto no Hawaí e também no Japão… ou os X-bands na Noruega dão ou darão alerta para interceptadores da Polônia e na Romênia… ou seja, com as comunicações todas interligadas a tendencia é formar uma rede de defesa global entre os interessados

  5. Valdez says:

    O que eu não entendo é: A Coreia do Norte é altamente dependente da China e da Russia, por quê esses países não exerceram pressão sobre os norte coranos para fazer este se comportar?

    USA propor THAAD na Coreia do Sul é algo natural, obvio, todo mundo previa isso.

    Até parece que a Russia e a China buscaram isso.

    • _RR_ says:

      Araujo,

      A CN é útil nesse jogo. Ela mantém pressão sobre aliados dos americanos, dispersando a atenção e fazendo com que esses países mantenham seus recursos basicamente voltados para uma poderosa força tática. Num outro campo, há o fato desse Estado ser um tampão em relação as democracias sob influência do Ocidente ( não nos esqueçamos que a Coréia do Sul, sendo uma democracia aos moldes ocidentais, tem contato direto e aberto com o exterior ).

      Dos aliados americanos, apenas os japoneses tem os recursos para constituir uma força de potencial verdadeiramente estratégico. E ainda assim, somente são capazes de faze-lo devido ao espaço de água que os separa da China…

      Enfim, é do interesse chinês uma CN forte…

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