Defesa & Geopolítica

SEGURANÇA PUBLICA: Violência no Rio fura maior esquema de segurança da história

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Cidade montou uma bolha para os Jogos, protegida por mais de 80 mil agentes. Mas casos de assaltos, mortes e balas perdidas nas proximidades de áreas olímpicas evidenciam problemas estruturais, impossíveis de se maquiar.

Em apenas cinco dias houve ao menos duas mortes relacionadas a assaltos em áreas estratégicas para os Jogos Olímpicos no Rio: uma durante a cerimônia de abertura, próximo ao Maracanã, e outra na região portuária, perto do Boulevard Olímpico.

Além disso, uma bala perdida atingiu a sala de imprensa do Centro Olímpico de Hipismo, em Deodoro, o ministro da Educação de Portugal foi assaltado em Ipanema e um ônibus oficial da Rio 2016 foi alvo de tiros de baixo calibre quando passava pelo bairro de Curicica, no início da noite desta terça-feira (09/08).

Os incidentes mostram que nem mesmo o maior esquema de segurança da história do país é capaz de conter a violência urbana do Rio. Segundo o governo federal, são pelo menos 88 mil agentes empregados na operação – entre eles 41 mil soldados das Forças Armadas.

“É inevitável, esses casos vão acontecer e haverá muito mais até o final da competição. Não há como as forças de segurança impedirem isso, o alcance do policiamento é limitado”, afirma o consultor José Vicente, ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança.

Segundo especialistas, o registro de crimes nas áreas das competições é preocupante, mas deve ficar abaixo do considerado normal para a cidade. “A presença maciça das Forças Armadas e de policiais deve diminuir as ocorrências, mas não impede que delitos ocorram nas áreas mais vigiadas”, afirma o antropólogo e analista de segurança pública Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais do Rio (Bope).

Policiais fazem a segurança na região próxima ao Maracanã, no dia da abertura dos Jogos

Policiais fazem a segurança na região próxima ao Maracanã, no dia da abertura dos Jogos

Falhas nos preparativos

Os especialistas consideram que o registro de crimes não significa necessariamente uma falha no esquema de segurança e está relacionado sobretudo com problemas estruturais. “Da forma como a violência está no estado do Rio, não adianta colocar mais e mais policiais na rua. Faltou prevenção”, diz o professor de sociologia Dorian Borges, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, os indicadores de violência dispararam no estado. Em junho, os roubos a pedestres subiram mais de 80% em relação ao mesmo mês de 2015. No período, os homicídios dolosos (com intenção de matar) aumentaram cerca de 38%, segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP). “O Rio passa por um momento crítico, os índices de violência cresceram às vésperas dos Jogos Olímpicos, quando deveriam estar caindo”, afirma Vicente.

Para Storani, o Rio viveu o seu melhor momento em termos de indicadores de violência, principalmente em redução de homicídios e latrocínios, há três anos. “Houve falha nos preparativos para os Jogos Olímpicos, já que isso deveria ter sido continuado”, diz.

Grupo Antibomba da Polícia Federal em Copacabana

Grupo Antibomba da Polícia Federal em Copacabana

Falta de investimentos

Os especialistas criticam a falta de investimentos no setor e a escassez de efetivo policial. Em junho, o Rio decretou estado de calamidade pública e deixou de pagar o salário de servidores, incluindo policiais.

Para Storani, houve também um esgotamento do modelo das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), que teria se expandido para além das possibilidades do Estado. “Não era sustentável. Todo efetivo que era formado era destinado para as UPPs, e os batalhões que cuidam da área urbana ficaram sem efetivo para o policiamento ostensivo”, diz.

Ele critica também a falta de investimentos sociais nas áreas ocupadas pela polícia. “Teve um resultado positivo no primeiro momento, mas depois deixou de surtir efeito, porque os criminosos retornaram e começaram a promover ataques aos policiais que permaneceram.”

Coordenação e treinamento

Na opinião de Vicente, a organização de longo prazo da segurança dos Jogos deixou muito a desejar. Ele lembra que o Rio recebeu uma série de grandes eventos internacionais, como os Jogos Pan-Americanos, os Jogos Mundiais Militares, a Rio+20, a Copa das Confederações, a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo, e as autoridades poderiam ter aproveitado essas oportunidades para treinar policiais e integrar os órgãos de segurança.

“Um ano antes de um evento como esse, todos os protocolos e agências da polícia civil, militar e federal deveriam estar coordenados. Precisava ter um banco de dados único, um sistema de inteligência compartilhado com as Forças Armadas”, afirma. “Um mês antes, eles ainda não conversavam entre si. O planejamento final da segurança foi feito em junho”, diz.

Vicente defende que o país deveria ter investido em inteligência e em sistemas de segurança, como softwares de controle e monitoramento do crime e do trabalho policial. “Nada disso aconteceu. E, nos últimos três anos, fizemos uma formação ruim e atropelada de policiais”, afirma.

Borges acrescenta que seria necessário implementar políticas preventivas, de desarmamento e de policiamento estratégico. “Não adianta só ter uma presença ostensiva, o policiamento tem que ser orientado por informações e ser eficiente. A atuação tem sido só repressiva.”

Fonte:DW

13 Comments

  1. Melkor says:

    Para resolver esse problema, só com 100-200 megatons. Esperar a radiação dissipar e começar, direito, do zero. 🙂
    O “jeitinho”, o “sorriso”, a “alegria”, a “malandragem” não vão resolver isso não.
    Mas para começar, de verdade, primeiramente o carioca tem que viajar pelo mundo para acabar com essa mentalidade ignorante de que está tudo bem e que o Rio é a melhor cidade do mundo. Agora, como cobrar uma melhor administração, menos corrupção, mais respeito, etc, se o próprio povo é o que é? Cara, trabalhei vários anos no Rio com gente séria, gringos, e, olha, dava vergonha e pena dos caras. Tinha gente que pedia transferência até para Angola, México, Índia e Nigéria. Peeeense.
    Mas o resto do Brasil também não fica muito atrás não.

    • alan says:

      huahahuahu. bem dessa . O problema é q a radiação pode causar mutações

    • Arc says:

      Quanto tempo Melkor rs. Quanto aos Megatons, só peço que me avise com antecedência, pelos menos quero estar vivo pra ver essa zona ficar limpa.

    • Conan says:

      Discordo totalmente dessa tática,é megaton demais. Eu respeito a natureza portanto utilizaria bombas de neutron, afinal de contas temos que preservar as belezas naturais do Rio.

    • A Máquina Troll says:

      “O Brasil precisa de vergonha na cara, principalmente a midia, para “reconstruir dos destroços” de uma sociedade de economia e política que sempre foi oligárquica, elitista e corrupta, com tendências a esbórnia”

      Victor Moraes

  2. Henrique says:

    O Brasil inteiro está violento por conta da impunidade e certeza dos bandidos de estarem na rua novamente após seus crimes. O fato de meliantes estarem utilizando armas de uso exclusivo das forças armadas já deveria caracterizar situação de segurança nacional e uma intervenção policial de fato efetiva e dura. Bandido com arma militar na mão tem que ser abatido, o resto é mimimi dos “direitos dos manos” para continuarem mantendo nossa sociedade refém da criminalidade. Pivete na rua … RECOLHE e envia para instituição de reabilitação agrícola, vão aprender que o trabalho dignifica o homem, … traficantes…. VALA…., bandidos, quadrilhas de assalto a caixa eletrônico, roubo de carros, abigeato, assaltantes de residências, pichadores de patrimônio público etc…etc… corrente nos pés e trabalhos forçados de 12h por dia…. tem muita estrada, ponte, hospital etc.. etc.. precisando ser reformada pelo país. A criminalidade só começará a diminuir o dia em que os marginais tiverem MEDO da polícia e da justiça e estes (policiais) tenham respaldo jurídico para serem mais duros com os bandidos de fato. Enquanto perdurar a política de que você cidadão de bem pode virar estatística e o bandido é uma vítima da sociedade… nada mudará no quadro de violência de Banânia…

  3. Caio says:

    Ee ridículo um país viver refem de marginais , isso só ocorre porque os nossos políticos , que infelizmente também são os responsáveis por nossas leis, são os maiores criminosos destaque e só quando a violência matar alguns desses criminosos para a coisa mudar ou mesmo quando nós expulsarmos esse lixo do mando da nação.

  4. JPC says:

    A esquerda acha que o bandido é vítima da elite imperialista e tem o direito de cometer crimes contra os “ricos dominantes” porque foram explorados durante séculos. E na verdade quem se F… são os próprios pobres e a classe média que não podem pagar por proteção particular.
    Já a direita é só irresponsável e egoísta mesmo.

    Falta justiça, não polícia.

    Como disse um chinês: Aqui na China é mais seguro, aqui eles também roubam, mas só roubam um vez…

  5. Munhoz says:

    São vários fatores, para se ter uma ideia real temos que analisar o contexto social pois nos EUA também tem violência, as gangues são tão armadas como qualquer quadrilha do Rio só que la elas se escondem mais e são mais criteriosas no entanto tem que analisar que armas nos EUA se consegue com mais facilidade, até num brecho de esquina compra-se armas e são essas mesmas armas que vem para o México, Brasil etc só que nesses países a condição social é outra, temos menos policia, uma leia mais branda para homicídios, a fragilidade econômica, presídios super lotados ect o resto a gente já sabe, só que antes de criticar veja algumas reportagens no natgeo por exemplo e vera o que realmente ocorre na relação entre os EUA e os países da America Latina, os EUA não tão nem aia para o que sai de la só se importam com o que entra, os traficantes do México chegam em quadrilhas de até 100 carros em alguns lugares com quatro caras com fuzis dentro de cada um nos EUA tem as gangues de traficantes tão armadas e até mais do que as nossas e tem também as gangues que assaltam os traficantes !!!!! (nos EUA) é a maior loucura, em NY a mafia controla quase todos os meios de transporte, nos EUA a policia e municipal !!!! veja o que aconteceu em Nova Orleans naquela enchente basto a estrutura social deles cair que tudo virou um caos, em algumas cidades o xerife é eleito (o cara que falar mais grosso ganha !!!) eu sei la onde tudo isto vai parar só que boa coisa não vai dar.

  6. silvio says:

    cidade maravilhosa q o povo insiste em viver de status kkkk nas tvs japas estao mostrando direto as mazelas existentes,lago que mais parece fossa,sujeiras,hospitais lotados e sem recursos,etc…e outra,mostrou um grupo,acho q da guarda nacional,numa rodinha,jogando papo pro ar,qd deveriam estar prestando atencao em tudo e todos…isso eh brasil,dos acomodados e dos folgados,que querem apenas ganhar,mas que nw cumprem suas funções como deveriam!

  7. Renato de Mello Machado says:

    O problema é quê tem os bandidos,normais quê andam armados,roubam,traficam,milícias etc..E tem todos os políticos e no meio deles nós a população trabalhadora quê quer um país melhor,dias melhores e indefesa pelo modelo imposto pela lei quê seguimos e regras de civilidade.

  8. francisco says:

    A polícia brasileira só é muito competente na hora de baixar o pau em manifestantes desarmados.

    • JPC says:

      Pois é, e tiveram 12 anos para mudar isso e mesmo assim a situação só piorou.
      Não fizeram nada além de defender bandido.

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