Defesa & Geopolítica

“Assumo toda a responsabilidade pela invasão do Iraque” – Blair

Posted by

Ex-primeiro-ministro britânico expressa arrependimento e pede desculpas pelas consequências da invasão, mas defende sua decisão e afirma que agiu de boa fé e convicto de que fazia o melhor para o Reino Unido.

Após a divulgação de um aguardado relatório sobre a guerra do Iraque, nesta quarta-feira (06/07), o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair disse que assume a responsabilidade pela decisão de levar o Reino Unido para a guerra.

Blair afirmou que agiu de “boa fé” ao decidir participar da invasão ao lado dos Estados Unidos, acreditando ser o melhor para o Reino Unido. “Peço ao povo britânico que aceite que tomei a decisão porque pensei que fosse a coisa certa a se fazer.”

Blair, que foi primeiro-ministro entre 1997 e 2007, foi duramente criticado no chamado relatório Chilcot, que divulgou nesta quarta-feira os resultados de um inquérito iniciado há sete anos. Segundo o documento, o ex-líder britânico se decidiu pela opção militar no Iraque sem esgotar as alternativas pacíficas e sem bases legais satisfatórias.

“Assumo toda a responsabilidade por qualquer erro, sem exceção ou desculpa”, disse Blair. Ao mesmo tempo, ele afirmou continuar acreditando que foi melhor derrubar o ex-ditador Saddam Hussein e que a invasão do Iraque não é a causa do terrorismo atual, seja no Oriente Médio, seja em qualquer parte do mundo.

O relatório afirma que Hussein não representava uma ameaça iminente em março de 2003 e que o caos no Iraque e na região deveria ter sido previsto.

“As avaliações de inteligência feitas na época de entrar na guerra acabaram se revelando equivocadas. As consequências acabaram sendo mais hostis, prolongadas e sangrentas do que imaginávamos”, reconheceu Blair. “Por tudo isso, eu expresso mais pesar, arrependimento e perdão do que vocês possam imaginar.”

O político argumentou que a conclusão do inquérito deveria exonerá-lo da acusação de mentir. “O relatório deveria pôr fim às alegações de má-fé, mentira ou engano”, disse. “Por favor, parem de dizer que eu estava mentindo ou que eu tinha algum motivo oculto.”

Ele também prestou tributo às Forças Armadas britânicas, expressando pesar pelas vidas perdidas. Blair afirmou ainda que os soldados britânicos não lutaram em vão. “Eles combatiam as forças do extremismo que vemos no mundo hoje.”

Cameron: Não houve ilegalidade

O atual primeiro-ministro britânico, David Cameron, também reagiu ao relatório, afirmando que todos os partidos, incluindo o seu, e os parlamentares que apoiaram a guerra contra o Iraque em 2003 têm que assumir sua responsabilidade.

“Todos os que votamos [na Câmara dos Comuns] a favor de atacar o Iraque devemos assumir nossa parte justa de responsabilidade”, disse Cameron no Parlamento, reconhecendo a má gestão e resultados da guerra.

Cameron insistiu que em nenhum momento o relatório apresenta provas de “ilegalidade” ou “enganação” por parte de Blair, que convenceu a Câmara dos Comuns a apoiar a invasão com o argumento – que mais tarde se revelou falso – de que o Iraque tinha armas de destruição em massa.

Cameron advertiu que os resultados do inquérito não significam que não haja situações em que a guerra seja necessária. O líder conservador também destacou a independência do chefe da comissão de inquérito, John Chilcot.

LPF/efe/rtr/afp/dpa

Fonte: DW

Invadir Iraque não era “única opção restante”, conclui inquérito britânico

George W. Bush e Tony Blair diante da residência oficial do premiê britânico, em Londres, em 2003.

Relatório divulgado após sete anos de investigação conclui que Tony Blair se uniu à operação militar dos EUA sem esgotar alternativas pacíficas e afirma que autoridades britânicas subestimaram consequências da invasão.

Um relatório divulgado nesta quarta-feira (06/07) em Londres criticou o ex-primeiro-ministro Tony Blair e seu governo pela decisão de se unir à invasão do Iraque, liderada pelos EUA, sem que houvesse base legal satisfatória ou planejamento adequado.

Com base numa investigação iniciada há sete anos, o chamado relatório Chilcot conclui que o Reino Unido se uniu à invasão sem esgotar as alternativas pacíficas e subestimou as consequências de sua participação na guerra.

“Concluímos que as circunstâncias em que se decidiu que havia uma base legal para a ação militar eram longe de satisfatórias”, disse John Chilcot, que presidiu a comissão de inquérito, ao apresentar os resultados.

O inquérito concluiu que Saddam Hussein não representava uma ameaça iminente em março de 2003 e que o caos que se instaurou no Iraque e na região após a deposição do ex-ditador deveria ter sido previsto.

Até 2009, a invasão e a subsequente instabilidade no país haviam resultado na morte de ao menos 150 mil iraquianos, a maioria deles civis, e 179 soldados britânicos, além de terem desalojado mais de 1 milhão de pessoas, afirma o documento. Alguns dos parentes dos soldados mortos compareceram ao evento de divulgação dos resultados do inquérito.

Apoio incondicional

O relatório contém 2,6 milhões de palavras – cerca de três vezes mais que a Bíblia – e inclui detalhes das conversas sobre a invasão entre Blair e o então presidente americano, George W. Bush. Segundo Chilcot, em 2002, Blair prometeu a Bush apoio incondicional para invadir o Iraque.

O chefe da comissão de inquérito também afirmou que Blair superestimou sua habilidade de influenciar as decisões dos EUA sobre o Iraque. Além disso, a avaliação do governo de Blair sobre a ameaça representada pelas supostas armas de destruição em massa do Iraque foi “apresentada com uma certeza injustificada”.

“Ficou claro que a política sobre o Iraque foi adotada com base em informações e avaliações falhas”, afirmou Chilcot.

Os efeitos da invasão americana e britânica, ocorrida em 2003, são sentidos até hoje no Iraque. O grupo extremista “Estado Islâmico” (EI) controla grande áreas do país, e no último sábado mais de 200 pessoas morreram em Bagdá no pior ataque com carro-bomba desde que a coalizão liderada pelos EUA derrubou Saddam.

LPF/rtr/afp/efe

Fonte: DW

4 Comments

shared on wplocker.com