Defesa & Geopolítica

Exército Brasileiro treina motociclistas batedores para a Rio 2016

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O Tenente Coronel Sérgio Moraes Ramos Carneiro, Comandante do 1º Batalhão de Guardas (1º BG) do Exército Brasileiro, coordenará o serviço de escolta das delegações e chefes de Estado que participam dos Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro. [Foto: Wilson Aquino]

O Tenente Coronel Sérgio Moraes Ramos Carneiro, Comandante do 1º Batalhão de Guardas (1º BG) do Exército Brasileiro, coordenará o serviço de escolta das delegações e chefes de Estado que participam dos Jogos Olímpicos 2016, no Rio de Janeiro. [Foto: Wilson Aquino]

Por Wilson Aquino

A segurança das comitivas internacionais no deslocamento pelas ruas do Rio de Janeiro é uma das principais preocupações dos organizadores dos Jogos Olímpicos. Para garantir o fluxo seguro e eficiente do trânsito da cidade, as Forças Armadas prestarão escolta militar às delegações e chefes de Estado durante a Rio 2016. As autoridades também estão empenhadas em minimizar os transtornos à população.

O Rio, principal sede das Olimpíadas e segunda maior metrópole do Brasil, tem 6,5 milhões de habitantes e 2,9 milhões de veículos. O habitual ritmo frenético da cidade não vai ser reduzido durante as competições. Apenas as escolas públicas não funcionarão, já que a Prefeitura decretou férias no período dos Jogos.

“Estamos em tratativa com os órgãos da mobilidade pública para evitar transtornos da melhor forma possível possível”, diz o Tenente Coronel Sérgio Moraes Ramos Carneiro, Comandante do 1º Batalhão de Guarda (1ºBG) do Exército, que coordenará todo o serviço de escolta prestado nas Olimpíadas.

As Forças Armadas preparam a estratégia em cooperação com a Secretaria Extraordinária de Grandes Eventos, órgão do Ministério da Justiça. O plano busca oferecer conforto, flexibilidade e proteção às delegações estrangeiras, especialmente aos quase 170 chefes de Estado que já confirmaram presença no maior evento esportivo do planeta. As Forças Armadas brasileiras mobilizarão um pelotão de 160 motociclistas batedores, cuja missão é escoltar os comboios.

O 1º BG está em processo de formar novas equipes de motociclistas batedores. O Ten Cel Sérigo Ramos já treinou duas turmas este ano, formando 30 novos homens para a escolta. “O índice de reprovação é alto, em torno dos 40%, porque exige muita técnica”, ressaltou.

O maior movimento de autoridades escoltadas será em 5 de agosto, data da abertura dos Jogos. “Temos 108 chefes de Estado que a gente chama de VVip (Very Very Important Person) chegando nesse dia”, diz o Ten Cel Sérgio Ramos. Cerca de 70 comboios estão previstos para 21 de agosto, dia de encerramento.

“É muita coisa em curto espaço de tempo. Mas estamos preparados para isso”, afirma o Ten Cel Sérgio Ramos. As Forças Armadas destacaram para o serviço 70 batedores do 1º BG, 40 do Batalhão de Polícia do Exército e 16 do Batalhão da Guarda Presidencial, de Brasília. Os demais são do Comando Militar do Sul, de Porto Alegre, da Polícia da Aeronáutica e da Companhia de Polícia Independente do Corpo de Fuzileiros Navais.

As faixas olímpicas – faixas de rolamento que serão demarcadas para uso exclusivo dos comboios – estão sendo definidas. A meta é que as delegações transitem sempre pelas mesmas vias expressas: Linha Vermelha, Linha Amarela e Avenida Brasil.

“Não queremos parar toda a cidade do Rio”, diz o Ten Cel Sérgio Ramos. “Imagine 108 escoltas em um único dia. Pensamos em escoltar até um ponto, onde [todas] as autoridades [escoltadas] embarcariam em um ônibus, que levaria todo mundo [aos locais dos Jogos], para evitar o transtorno na mobilidade urbana. Isto está sendo negociado.”

Além de minimizar o impacto ao trânsito do Rio, os batedores prestarão segurança. “A partir do momento em que há escolta, a pessoa que conduzida requer proteção”, diz o Ten Cel Sérgio Ramos. “Parar o comboio no trânsito ou em um bairro que tenha risco é se expor ao atentado ou ação que possa causar danos. Se, de repente, uma pessoa mal intencionada ou um agente perturbador da ordem pública, um ‘Apop’ como a gente chama, desce do carro e saca uma arma para alvejar o comboio, o motociclista vai ter que intervir. Por isso, no curso existe a técnica de tiro em cima da motocicleta.”

Batedores altamente treinados

O trabalho de escolta exige muita habilidade e concentração, segundo Ten Cel Sérgio Ramos. “O batedor reúne três pessoas em uma só. É um motociclista hábil, um agente de trânsito responsável e um segurança atento a qualquer movimentação suspeita no caminho entre o ponto de origem e o de chegada do comboio.”

A função de batedor exige habilidades de pilotagem, coordenação motora, vigor físico, inteligência e coragem, capacidade de frear em alta velocidade sem derrapar e tomar decisões rápidas, diz o oficial. “O batedor vai de zero a 100 quilômetros por hora em seis segundos. A motocicleta chega a 150 km/h e, de longe, o motociclista tem que observar qual via bloqueará. Ele tem que frear, descer da moto e parar o trânsito. Tudo isso muito rápido, sem comprometer a segurança dele e do comboio e sem causar acidente. Exige atenção extrema.”

Cada batedor carregará 10 quilos de equipamentos, incluindo uma jaqueta de couro à prova de fogo, capacete, luva, bota joelheira, cotoveleira e protetor de coluna. “Equipamento de segurança é prioridade máxima, porque a gente pode comprar outra motocicleta. Mas outro motociclista, não”, diz o Ten Cel Sérgio Ramos.

FONTE: Diálogo-Américas

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