Síria acusa aviões da coalizão internacional de matar seus soldados

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A Síria reagiu revoltada nesta segunda-feira a um suposto bombardeio internacional que pela primeira vez matou soldados do regime, embora a coalizão sob o comando americano tenha negado qualquer responsabilidade no incidente.

Em uma carta ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon, a chancelaria síria condena o que classifica de agressão flagrante, na qual morreram ao menos três soldados na noite de domingo.

“A República Árabe Síria condena esta agressão flagrante das forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos, que viola abertamente a Carta da ONU”, disse o ministério na carta.

Segundo a chancelaria, três soldados sírios morreram e 13 ficaram feridos por quatro aviões da coalizão que bombardearam um campo militar da província de Deir Ezzor, no leste da Síria.

A coalizão desmentiu, minutos depois, ter bombardeado estas instalações militares.

“Não realizamos nenhum bombardeio nesta parte de Deir Ezzor, mas a 55 quilômetros dali”, indicou à AFP o porta-voz da coalizão, o coronel Steve Warren. “Então não vemos provas” das acusações do governo sírio, acrescentou.

Breet McGurk, enviado especial do presidente americano Barack Obama ante a coalizão, também desmentiu no Twitter a versão do governo sírio. “As informações sobre o envolvimento da coalizão são falsas”.

Um funcionário americano disse nesta segunda-feira que o ataque foi provavelmente realizado pela Rússia e não pela coalizão liderada pelos EUA.

“Nossa presunção é de que foram os russos” que realizaram estes bombardeios. “Sabemos que os russos estavam ativos na região de Deir Ezzor no domingo”, revelou o funcionário, que pediu para não ser identificado.

O ministério sírio das Relações Exteriores pediu “ao Conselho de Segurança da ONU que atue imediatamente ante esta agressão e tome as medidas apropriadas para evitar que se reproduzam”, disse em sua carta.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) indicou pouco antes que os bombardeios deixaram quatro soldados sírios mortos e 13 feridos perto da cidade de Ayyash.

Segundo o OSDH, é a primeira vez em que a coalizão antijihadista internacional mata soldados sírios em um de seus bombardeios.

Uma fonte militar disse à AFP sob anonimato que o ataque danificou dois tanques e atingiu vários prédios utilizados como depósitos de armas, e um campo de treinamento.

A maior parte da província de Deir Ezzor está sob o controle do grupo jihadista Estado Islâmico, mas o regime segue presente em algumas áreas, entre elas a capital.

O OSDH revelou nesta segunda-feira que ao menos 26 civis morreram em bombardeios contra uma localidade no nordeste do país, aparentemente em ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

“Os ataques foram contra o povoado de Al-Khan, que ainda está nas mãos do grupo Estado Islâmico”, disse o presidente do OSDH, Abdel Rahman. “Mas o Daesh (acrônimo em árabe do EI) está presente apenas nos arredores do povoado, o que explica que todas as vítimas sejam civis”.

Entre as vítimas, há sete crianças e quatro mulheres, segundo o OSDH, que deve subir à medida que forem encontrados corpos sob os escombros.

Al-Khan fica perto da cidade de Al-Hol, na província de Hasake, que foi recuperada no mês passado das mãos do Estado Islâmico por parte das forças curdas e de rebeldes árabes.

A coalizão bombardeia pelo ar o EI na Síria desde setembro de 2014, e não coordena seus ataques com o governo de Bashar al-Assad.

Damasco criticou com frequência os bombardeios da coalizão, ao considerar que são ineficazes e ilegais, já que não são coordenados com as tropas governamentais.

“A coalizão americana carece de seriedade e credibilidade para combater o terrorismo de forma efetiva”, afirmou o ministério sírio das Relações Exteriores neste sentido.

A Rússia, firme aliada do governo sírio, iniciou sua própria campanha aérea no dia 30 de setembro, e coordena seus ataques com as tropas do regime.

O incidente em Deir Ezzor ocorreu depois que Obama prometeu destruir o EI, após um tiroteio na semana passada na Califórnia que deixou 14 mortos e foi reivindicado pelo grupo jihadista.

Obama prometeu que seu país vai “destruir o Estado Islâmico e qualquer outra organização que queira nos prejudicar”, embora sem ser “arrastado novamente a uma guerra longa e cara no Iraque e na Síria”.

Fonte: ZH Noticias 

2 Comentários

  1. “Não realizamos nenhum bombardeio nesta parte de Deir Ezzor, mas a 55 quilômetros dali…”
    AGM-154 JSOW (bomba planadora)
    Alcance à baixa altitude = 22 km.
    Alcance à alta altitude = 130 km.
    55 seria fichinha. É ou não é? 🙂

  2. O Bashar al-Assad foi criticar os Ingleses nos seus ataques contra o ISIS provavelmente foi uma resposta do Cameron no melhor estilo Inglês.

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