Defesa & Geopolítica

O dia em que a NATO ficou atascada numa praia portuguesa

Posted by
[embedplusvideo height=”395″ width=”650″ editlink=”http://bit.ly/1GwPpoC” standard=”http://www.youtube.com/v/mC3Lh-smsmM?fs=1″ vars=”ytid=mC3Lh-smsmM&width=650&height=395&start=&stop=&rs=w&hd=0&autoplay=0&react=1&chapters=&notes=” id=”ep3034″ /]
Era o maior exercício militar dos últimos vinte anos em Portugal. Um assalto anfíbio que simulava a intervenção num país instável. Mas, em Grândola, marines americanos e fuzileiros portugueses tiveram de enfrentar um duro inimigo: as areias finas da praia da Raposa

Passam trinta minutos do meio-dia quando surgem no horizonte dois pontos quase imperceptíveis. Tratam-se dos hovercraft da Marinha Americana – veículos que se deslocam sobre almofadas de ar por terra e água. Partiram ambos do USS Arlington, um navio polivalente que dá apoio também aos helicópteros CH- 33 que sobrevoam a praia em Grândola. Está em marcha assalto no âmbito do Trident Juncture 2015, um dos maiores exercícios militares feito em Portugal.

Reivindicado em tempos para se realizar junto à fronteira com a Rússia, o exercício é uma demonstração de força da NATO num contexto internacional cada vez mais complexo. Mas na praia da Raposa, onde acabou por se realizar a vertente marítima do exercício, os dois hovercrafts tiveram uma falsa partida: a aproximação ao areal foi feita a baixa velocidade e os aparelhos tiveram de voltar para trás para ganhar balanço.

Fotogaleria. Era o maior exercício militar em solo nacional dos últimos dez anos: um desembarque rápido com Marines e Fuzileiros para mostrar a força e eficácia da NATO. Mas nem tudo correu bem

Sob o comando da STRIKFORNATO – a força marítima de reacção rápida da Aliança Atlântica que junta 500 militares portugueses e norte-americanos, – na praia da Raposa estiveram 140 fuzileiros e 180 marines. O exercício, que teve início a 3 de outubro e que termina a 6 de novembro, tem como cenário a intervenção num país instável e ajuda às forças de segurança locais no sentido de recuperarem a autoridade no terreno, explicaram dois oficiais de operações antes do exercício ter início.

Combinado com três helicópteros e três tanques e um veículo blindado humvee, o assalto descurou um pormenor: a finíssima areia portuguesa. Depois de conseguirem estacionar na praia, os dois hovercrafts começaram o desembarque, mas a acção-relâmpago tornou-se num calvário para os militares no areal. Um a um, todos os veículos ficaram atascados e foi preciso os fuzileiros empurrarem para desbloquear o equipamento.

Vídeo. Realizado em Portugal, Espanha e Itália, o Trident Juncture 2015 junta mais de 36 mil militares de 30 nações. No dia 20 de Outubro, marines americanos e fuzileiros portugueses mostraram como actuam quando há necessidade de uma intervenção por via marítima

“Parece que temos alguns desafios no areal”, diz um militar americano, enquanto passa deliberadamente em frente às câmaras da televisão. Sendo o dia destinado a mostrar a máquina de guerra aos meios de comunicação social, o programa acabou por ser encurtado.  “Vamos avançar para a conferência de imprensa”, diz o militar para os mais de um quinze jornalistas convidados para a demonstração. Estava previsto que, ao longo de duas horas, os dois hovercraft realizassem várias viagens entre o navioUSS Arlington, que estava a oito milhas de terra, e a praia para descarregar mais equipamento, porém os militares apenas conseguiram tirar da areia três tanques.

“Na minha perspectiva, como se tratava de um treino, tudo correu bem (…). Como foi possível ver, existem sempre desafios ao trazer as forças para terra na praia, mas os fuzileiros e os ‘marines’ ultrapassam-nos”, sublinhou o almirante Roy Kitchener, que participou e chefiou as operações, acrescentando que as equipas “estão a aprender e aprenderam muito”.

Também o embaixador dos EUA em Portugal, Robert Sherman, acompanhou de perto o exercício, tendo desembarcado na praia da Raposa a bordo de uma das embarcações. “Considerando que vivemos em tempos perigosos, a habilidade de participar em exercícios como este, que resulta na multiplicação de forças e na capacidade de responder em conjunto é importante”, frisou.

Realizado em Portugal, Espanha e Itália, o ‘Trident Juncture’ 2015 junta mais de 36 mil militares de 30 nações. Até ao final do exercício, Portugal vai receber mais de 10 mil efectivos de 14 países. Além dos militares que participam directamente no exercício (940 integrados na Força de Resposta da NATO e 2.016 e 2.220 nos meios complementares), Portugal disponibiliza ainda mais 3000 militares para funcionarem como forças de apoio, totalizando em cerca de 6.000 os efectivos portugueses envolvidos neste exercício. Questionado sobre o que diria ao inimigo, Roy Kitchener respondeu assim: “a nossa aliança é forte, a relação dos EUA com Portugal é forte, e quando trabalhamos juntos… cuidado, somos muito fortes.”

Fonte: Revista Sábado

shared on wplocker.com