Defesa & Geopolítica

Quem luta contra quem na guerra da Síria

Posted by
AFPImage copyrightAFP
Image captionSegundo a ONU, conflito na Síria matou mais de 200 mil pessoas desde 2011

Desde o início da guerra civil na Síria, em março de 2011, o conflito escalou a ponto de se transformar em uma complexa situação em que todos parecem lutar entre si. Forças leais ao presidente Bashar al-Assad, rebeldes, extremistas muçulmanos e potências estrangeiras são peças de um intrincado jogo que ficou ainda mais complicado com o início dos bombardeios por aviões russos.

Segundo estimativas da ONU, mais de 200 mil pessoas já morreram nos mais de quatro anos de conflito e há pelo menos 4 milhões de pessoas deslocadas internamente, com alguns milhares chegando diariamente à Europa em busca de refúgio.

As tropas leais a Assad lutam contra uma infinidade de grupos rebeldes cujo efetivo total é calculado em 100 mil homens. Muitos destes grupos contam com combatentes islâmicos estrangeiros. Mas há informações de que grupos libaneses e iranianos engrossaram as fileiras do governo.

Leia também: Saga síria: o drama dos refugiados que vivem como sem-teto em SP

No início do ano passado, entrou em cena o “Estado Islâmico”, enfrentando tanto o governo quanto os rebeldes, fossem eles jihadistas ou moderados.

Entre as forças estrangeiras estão os EUA e seus aliados ocidentais, além de forças regionais como Irã, Turquia e países do Golfo Pérsico.

E a este cenário se adiciona a Rússia, que esta semana começou um campanha de bombardeios contra o que o Kremlin classificou como posições do “Estado Islâmico”.

APImage copyrightAP
Image captionVladimir Putin e Barack Obama divergem sobre o regime de Bashar al-Assad

Mas de que lado estão esses atores internacionais? Veja abaixo:

EUA

Opõe-se a Assad e ao “EI” e apoia grupos rebeldes moderados. Em setembro do ano passado, o presidente Barack Obama fez um discurso em que prometeu destruir o grupo radical islâmico.

Leia também: EUA veem indício de fabricação e uso de armas químicas pelo ‘EI’ na Síria e no Iraque

Após vários esforços diplomáticos, foi formada uma coalizão anti-EI, que, liderada pelos EUA, começou uma campanha aérea no Iraque e na Síria. Participam Canadá, Austrália, França, Reino Unido, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Turquia e vários países árabes.

Em pronunciamento recente, Obama defendeu a saída do presidente sírio como medida imprescindível para derrotar o “EI”.

“É necessário um novo líder e um governo inclusivo, que una o povo sírio na luta contra os grupos terroristas”, disse Obama.

Rússia

BBC

Opõe-se ao “EI” e outros rebeldes, mas apoia Assad. O Kremlin tem sido um aliado constante do regime sírio, mesmo antes do início do conflito. Além de um comprador importante para sua indústria bélica, a Rússia tem um interesse estratégico na Síria: mantém a base naval de Tartus, sua única no Mar Mediterrâneo.

A mediação russa foi fundamental para convencer o regime sírio a destruir estoques de armas químicas, no final de 2013. Na época, EUA e França discutiam no Conselho de Segurança da ONU a possibilidade de atacar posições do governo sírio, o que foi vetado pela Rússia.

Os ataques aéreos russos na Síria pegaram de surpresa os países ocidentais envolvidos. E ainda que Moscou insista que seus ataques têm como alvo “os mesmos terroristas” visados pelos americanos, há suspeitas de que os russos também estejam atacando posições rebeldes. Segundo a Casa Branca, os ataques russos tem sido “indiscriminados”.

Leia também: ‘Espetáculo de cadáveres em praias europeias’ era previsto, diz brasileiro da ONU

Irã

ReutersImage copyrightReuters
Image captionO Irã, do Aiatolá Khamenei, é aliado da Síria

Opõe-se ao “Estado Islâmico” e militantes islâmicos de orientação sunita. Apoia o governo de Assad.

Uma das potências da Região, o Irã também tem um histórico de aliança com o regime sírio, a quem já deu apoio militar e financeiro. O Irã tem na Síria um aliado para frear a influência de seu principal rival no Oriente Médio, a Arábia Saudita. Mas o país, que segue a tradição xiita do Islã, tem um inimigo comum com EUA e Rússia: o “EI” na Síria e no Iraque, que veem xiitas como hereges.

Arábia Saudita

Opõe-se a Assad. Apoia os rebeldes sunitas.

ReutersImage copyrightReuters
Image captionO saudita Adel al Jubeir defende intervenção militar na Síria

Grande rival do Irã no Oriente Médio, a Arábia Saudita é parte da coalizão liderada pelos EUA para atacar o “EI”. Em recente encontro de líderes em Nova York, o governo saudita reiterou seu desejo de ver Assad deposto. O ministro das Relações Exteriores, Adel al Jubeir, defendeu uma intervenção militar na Síria ou um armamento mais ostensivo dos rebeldes.

Leia também: EUA gastam US$ 9 milhões ao dia para combater ‘Estado Islâmico’

A Arábia Saudita é um dos principais financiadores de rebeldes de orientação sunita, incluindo alguns mais radicais. Porém, rechaçou acusações do Irã de que também teria dado dinheiro e armas para o “EI”. Autoridades sauditas até expressaram publicamente preocupação com a possibilidade de as atividades do grupo extremista inspirar movimentos rebeldes em solo saudita.

No entanto, diversos sauditas mais ricos já doaram dinheiro à causa jihadista do “EI” e se estima que 2.500 homens do país tenham viajado para Síria e Iraque e se juntado às fileiras do grupo extremista.

ReutersImage copyrightReuters
Image captionO premiê turco, Recep Erdogan

Outros países árabes que fazem parte da coalizão liderada pelos EUA são Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Jordânia.

Turquia

Apoia a coalizão liderada pelos EUA e também grupos rebeldes. Opõe-se ao regime de Assad e a separatistas curdos.

Turquia, país muçulmano também de maioria sunita, é outra potência regional envolvida no conflito sírio. Inicialmente, financiou as atividades do Exército Livre Sírio, o então principal movimento rebelde. O país também deu asilo a ativistas da oposição ao governo de Assad. Também atacou posições curdas na Síria, o que provocou polêmica diante do fato de os curdos estarem lutando contra o “Estado Islâmico”.

Fonte: BBC Brasil

shared on wplocker.com