Defesa & Geopolítica

John Spence, primeiro mergulhador de combate dos EUA, morre aos 95 anos

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John Spence, o primeiro mergulhador de combate dos EUA e figura importante no treinamento de tropas desse tipo, morreu aos 95 anos de idade nessa terça-feira (5) em um hospital em Bend, Oregon. Ele também foi responsável pela criação de uma tropa equivalente aos Navy Seals da Marinha Americana. O que Spence e seus amigos fizeram durante a Segunda Guerra Mundial, sob o comando do Office of Strategic Services, precursor da Central Intelligence Agency permaneceu classificado por anos.

Somente no final da década de 80, o sigilo pode ser rompido e Spence pôde falar para seus amigos e familiares de suas experiências de guerra. Rick Kaiser, diretor executivo do museu dos Navy Seals em Fort Pierce, na Flórida, disse que Spance “lutou pelos EUA, como nada a mais do que uma faca Ka-bar, um pacote de explosivos e um equipamento de mergulho”. “Na época dos ataques aéreos e das comunicações instantâneas globais, é difícil imaginar ele indo para guerra dependendo de nada mais, nada menos que seu treinamento, sua causa e seus companheiros de equipe”, diz Kaiser. John Pitts Spence nasceu em 14 de junho de 1918, em Centerville, Tennessee, onde seu pai era o xerife. Ele ingressou na Marinha em 1936 e foi treinado como um artilheiro e como mergulhador “hardhat”.

Ele serviu no encouraçado USS Idaho (BB-42), cujo porto de origem foi San Pedro. Deixou a Marinha em 1940 e logo em seguida passou a trabalhar para a Lockheed em Los Angeles. Retomou às armas em 1942, pouco depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Embora quisesse ser um artilho de um navio, Spence tinha experiência em mergulho e foi selecionado pelo OSS para formar um grupo de mergulhadores clandestinos sob o comando do lendário major-general William “Wild Bill” Donovan. Spence se tornou o primeiro homem a ser alistar e selecionado para o grupo, que foi treinado secretamente em demolição e combate próximo , com o objetivo de afundar navios inimigos e também explodir barricadas subaquáticas destinadas a impedir o desembarque de tropas de assalto dos EUA.

Durante o período de treinamentos, por causa de uma situação um novo termo militar surgiu, por causa do uniforme verde que Spence vestia. “Alguém me viu à tona um dia e gritou: Ei, homem-rã! O nome pegou todos nós de surpresa”, disse Spence para historiador e cineasta Erick Simmel. Na formação inicial, Spence conheceu um estudante de medicina chamado Chris Lambertsen , que havia desenvolvido um aparelho de respiração subaquático e que Spence testou . O dispositivo não criou bolhas na superfície , o que ajudaria os mergulhadores a abordar o seu alvo sem aviso prévio. “O único som era o da minha respiração”, disse Spence a Simmel.

Dispositivo de respiração de Lambertsen foi construído em sua garagem e se tornou o protótipo do aparelho usado ainda pelo SEALs e outras tropas das Forças Especiais. Enviada para a Inglaterra, a unidade de Spence se preparado para uma missão de ataque a uma base de submarinos alemães na costa francesa . Mas, para espanto de Spence, a missão foi abortada no último momento, pois os americanos tinham medo de que os alemães descobrissem que os preparativos para o Dia D, na Normandia. Spence fez várias incursões na França ocupada junto com os comandos britânicos. Eles resgataram muitos aviadores abatidos pelos alemães. Mas tarde, ele foi designado para um comando nas Bahamas para preparar e treinar futuros mergulhadores para ajudar na Guerra contra o Japão.

Durante a campanha do Pacifico, Spence foi tripulante do destroier Wadsworth. Ele operava uma bateria que fornecia cobertura para o assalto de mergulhadores de combate em Iwo Jima. Durante a batalha de Okinawa, ele combate aviões kamikazes japoneses em uma batalha descrita pela historiadores “artilheiros que queriam ver contra pilotos que queriam morrer”. Após a guerra, Spence permaneceu na Marinha até se aposentar em 1961 como companheiro de um chefe artilheiro mestre. As primeiras equipes SEAL foram organizados em 1962 – uma em Coronado e outra na Virgínia – com o apoio entusiasmado do presidente John F. Kennedy. Depois de deixar a Marinha, Spence voltou à Lockheed Corp como um engenheiro de sistemas de testes. Ele morava em San Fernando Valley e, em seguida, em Oroville no norte da Califórnia. Após a morte de sua segunda esposa, Spence se mudou para Bend, Oregon

Uma vez que o véu do sigilo foi levantado, Spence foi homenageado pelas Forças Especiais do Exército e da pelo Underwater Demolition Team do SEAL. Ele recebeu uma boina verde do Exército e da Marinha, a Trident, a insígnia usada pelos SEALs. Ele também foi homenageado na Academia Naval. A terceira esposa de Spence, Marilyn, morreu em 2002. Ele deixa 4 filhas: Genevieve Ross, Yvonne Romano, Margot Kirkwood e Sharon Ogden, e vários netos e bisnetos.

Fonte: Los Angeles Times

 

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