Defesa & Geopolítica

Merkel leva planos para a Ucrânia a Washington

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Em reunião com Barack Obama, chanceler federal alemã deve voltar a defender a diplomacia como solução para o conflito no leste ucraniano. Alemanha e França opõem-se à proposta dos EUA de fornecer armas a Kiev.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, reúne-se nesta segunda-feira (09/02) em Washington com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, num encontro cuja pauta deve ser dominada pelo conflito no leste da Ucrânia.

Merkel deve reiterar sua oposição à proposta dos EUA de armar os militares ucranianos contra os separatistas pró-Rússia. “Estou convencida de que esse conflito não será resolvido pela via militar”, disse a chefe de governo alemã na Conferência de Segurança de Munique, neste fim de semana.

A visita da chanceler federal acontece dois dias antes de uma reunião de cúpula marcada para quarta-feira em Minsk, capital de Belarus, em que será discutido um novo plano de paz defendido por Merkel e pelo presidente francês, François Hollande. Os dois anunciaram o encontro após se reunirem com líderes da Ucrânia e com o presidente russo, Vladimir Putin, na semana passada.

Em Minsk, Merkel e Hollande sentarão à mesa com Putin e com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, na tentativa de reavivar um plano de paz acordado em setembro e que foi repetidamente violado. Os EUA não participarão da rodada de negociações.

Assim como Merkel, Hollande também se opõe ao fornecimento de armas a Kiev. Ambos insistem que a diplomacia é a única maneira de pôr fim ao conflito, que já deixou mais de 5.300 mortos.

Segundo a Casa Branca, Obama, que inicialmente rejeitou o envio de armamento, está agora considerando essa possibilidade. Críticos afirmam que o fornecimento de armas poderia reavivar uma divisão entre Washington e Moscou nos moldes da Guerra Fria.

“Continuaremos dando assistência à Ucrânia, não para incentivar a guerra, mas para permitir que o país se defenda”, disse o vice-presidente americano, Joe Biden, na Conferência de Munique. Os EUA e a Otan afirmam que os separatistas do leste da Ucrânia estão sendo armados pela Rússia, que também teria tropas lutando em território ucraniano.

Depois do encontro com Obama, Merkel viajará ao Canadá no fim desta segunda-feira, onde se reunirá com o primeiro-ministro Stephen Harper. A viagem à América do Norte havia sido planejada para preparar o terreno para a presidência alemã do G7.

LPF/dpa/ap

Fonte: DW.DE

Crise da Ucrânia expõe divisão no Ocidente

Conferência sobre Segurança em Munique revela que discussão sobre fornecimento de armas para Kiev vem colocando UE e EUA em lados opostos. Enquanto europeus ressaltam riscos, americanos consideram possibilidade.

A mensagem conjunta que os mais altos representantes da diplomacia da Alemanha, da França e dos Estados Unidos tentaram passar durante a Conferência sobre Segurança, em Munique, foi bem clara. No que diz respeito à crise na Ucrânia, Washington, Berlim e Paris caminham juntos.

Os ministros do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, e da França, Laurent Fabius, voltaram a explicar a racionalidade por trás de seus esforços na busca de uma solução negociada para o conflito na Ucrânia e reforçaram a posição contrária de seus países ao fornecimento de armas a Kiev. Nas palavras de Steinmeier, “fornecer armas é não apenas arriscado, como também contraprodutivo”

O secretário americano de Estado, John Kerry, reforçou repetidamente e com veemência não haver um racha entre EUA e Europa com relação ao fornecimento de armas à Ucrânia. “Deixem-me esclarecer a todos: não há divisão, não há racha”, afirmou Kerry. Em suas considerações, o secretário americano tentou evitar ao máximo a questão central que inquieta os líderes globais: afinal, a administração do presidente Barack Obama vai ou não fornecer armas ao governo ucraniano?

Dias atrás, o próprio Kerry afirmou que Obama iria decidir “em breve” sobre um eventual envio de armamento à Ucrânia. Em Munique, porém, ele minimizou a questão e disse apenas que “discussões” sobre o repasse às tropas ucranianas são “táticas, e não estratégicas”.

Tensões profundas

Esta visão, no entanto, é facilmente refutada pelo fato de que a missão Merkel-Hollande busca o fim do conflito por meio de uma negociação de paz. Além disso, ela também não é compartilhada pelo novo presidente do Comitê dos Serviços Armados do Senado americano, John McCain.

Minutos após o discurso de Kerry, McCain deixou claro que não considera o envio de armas à Ucrânia uma questão puramente tática. O senador republicano reiterou que o Ocidente precisa fornecer armas para que Kiev possa se defender e disse considerar Putin um agressor, cujo apetite não vai parar na Ucrânia.

Em seu discurso, desta vez, McCain usou palavras muito mais afáveis do que em um outro dois dias antes, quando fez duras críticas ao governo alemão, o qual acusou de “estupidez”.

Ainda assim, ficou bem claro para muitos que um protagonismo americano neste momento encontra a objeção da Alemanha, da França e, possivelmente, até mesmo do presidente dos EUA. E isso não é exatamente a imagem de uma unidade transatlântica.

“Há tensões muito, muito profundas”, disse Kristian Harpviken, diretor do Instituto de Pesquisa sobre Paz em Oslo, em entrevista à DW. “Temos sentido essas tensões nos últimos anos. Mas a questão é, no caso de os Estados Unidos optarem por um apoio militar direto, se isso irá aprofundar ainda mais essas tensões ou não.”

Se as tensões transatlânticas serão administradas e contidas, ou se elas acabarão levando a uma aberta discordância sobre o curso das ações com relação à Rússia e a Ucrânia, porém, vai depender de duas coisas. Primeiro, do progresso e do resultado da missão Merkel-Hollande. E segundo, da decisão da Casa Branca sobre o envio de armas. E ambos os pontos estão interligados.

“Obama está sob uma incrível pressão para fornecer armas à Ucrânia”, acredita Fiona Hill, diretora do Centro para os Estados Unidos e Europa da Brookings Institutions, em Washington. “Mas até agora, ele não cedeu”, ressaltou, em entrevista à DW. Ainda é incerto, porém, quanto tempo mais ele irá resistir – ou mesmo se ele quer continuar resistindo.

Para Hill, esta é uma situação “extremamente perigosa”. Muitos em Washington querem ação imediata e não entendem a posição da chanceler federal alemã, Angela Merkel. O que faltou, acreditam, foi uma maior estratégia por trás dos pedidos para envio de armas à Ucrânia.

Grande risco

A divisão entre americanos que concordam com o fornecimento de armamentos a Kiev e europeus que se opõem a essa ação acaba levando a um questionamento: será que os parceiros transatlânticos estão mesmo preparados para a aposta de alto risco que a entrega de armas representa? Os europeus não estão. Os americanos republicanos, sim. A administração Obama – como de costume – ainda resiste.

“Se os Estados Unidos decidirem intervir na Ucrânia, isso fará com que as coisas melhorem ou piorem por lá? Essa é a grande questão”, resumiu Sunjoy Joshi, diretor da Observer Research Foundation (ORF), baseada em Déli, questionado pela DW.

Fonte: DW.DE

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