Defesa & Geopolítica

Bruxelas avança para mais sanções contra separatistas ucranianos

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Rússia de fora das novas sanções europeias. Ministros dos Negócios Estrangeiros europeus consideram “ilegais” as eleições realizadas nas regiões controladas por forças pró-russas.

União Europeia vai acrescentar dirigentes separatistas à lista de sanções MAXIM ZEMEYEV / REUTERS

Ainda não são conhecidos nem o nome nem a quantidade de novas figuras a ser adicionadas à lista de sanções, o que deverá acontecer “até ao final do mês”, segundo os diplomatas ouvidos pela AFP. Até agora, as sanções incidem sobre 119 pessoas, entre líderes separatistas e personalidades da política e dos negócios russos, e 23 empresas e bancos que a UE considera responsáveis por colocar em causa a integridade territorial da Ucrânia. A maioria das sanções implica o congelamento de bens no estrangeiro e proibições de viajar no espaço europeu.

A aprovação das novas medidas tendo como alvo dirigentes separatistas pretende funcionar como uma condenação clara por parte do bloco europeu das eleições locais organizadas a 9 de Novembro pelos dirigentes separatistas das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, consideradas “ilegais” e “ilegítimas” pelos 28. As eleições foram marcadas contra o que estava acordado no Memorando de Minsk – assinado pelo Governo de Kiev e por representantes separatistas – que prevê a concessão de um estatuto especial de autonomia às regiões controladas pelos pró-russos.

A UE não parece, porém, ter alcançado um acordo para ir mais longe nas sanções à Rússia, que responsabiliza por apoiar as forças separatistas e acusa de intervir directamente no conflito que desde Abril já matou mais de 4000 pessoas. Na semana passada, a NATO afirmou terem entrado na Ucrânia vários tanques e camiões com equipamento militar proveniente da Rússia – uma acusação que vem sendo reiterada desde o Verão. O Kremlin refutou sempre ter tido qualquer intervenção no conflito.

O cenário de novas sanções à Rússia foi sendo abordado por alguns líderes europeus. Num primeiro momento, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse não esperar que a Europa avançasse com mais medidas destinadas à Rússia. Nas vésperas da reunião do G20, em Brisbane, durante o fim-de-semana, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, voltou a abrir a porta a essa possibilidade.

Uma última tentativa para forçar a mão dos chefes da diplomacia europeia veio do Governo ucraniano, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Pavlo Klimkin. “É tempo de formular uma mensagem clara para Moscovo, dizendo que todas as novas desestabilizações na Ucrânia implicarão medidas suplementares da UE”, disse o ministro esta segunda-feira em Bruxelas, onde foi recebido no Parlamento Europeu. Klimkin disse ainda que espera participar numa reunião de alto nível com responsáveis do Governo russo “esta semana” para discutir a situação no Leste do país.

Prossegue entretanto a degradação das relações entre o Ocidente e a Rússia, depois de uma cimeira do G20 em que foi notória a tensão em torno da questão ucraniana. Desta vez, o confronto jogou-se ao nível da diplomacia polaca e russa. Vários diplomatas russos foram expulsos da embaixada em Varsóvia e Moscovo decidiu responder da mesma forma àquilo que caracterizou como “um passo hostil e infundado”.

As razões para a decisão do Governo polaco não foram comunicadas, mas fontes diplomáticas disseram à Reuters que três adidos militares polacos e um funcionário da secção política da embaixada abandonaram a Rússia no domingo, após uma ordem de expulsão emitida na sexta-feira. As relações entre os dois países atravessam um período de grande tensão, com a Polónia a assumir frequentemente a linha da frente nas críticas europeias ao papel da Rússia no conflito ucraniano.

O Kremlin também confirmou esta segunda-feira a expulsão de um diplomata alemão, igualmente como retaliação por uma decisão idêntica do Governo alemão, referente a um funcionário russo no consulado em Bona.

Fonte:Público

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