Defesa & Geopolítica

Ataque terrorista em Paris: “Charlie Hebdo” – Um histórico de provocações ao fundamentalismo islâmico

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Redatores e chargistas do semanário francês não poupam ninguém, de políticos ao papa. Mas eles ganharam fama com as polêmicas charges do profeta Maomé, despertando a ira de radicais.

Publicação semanal de pequena tiragem, impressa em papel de jornal, o Charlie Hebdo é dessas publicações mais conhecidas do que lidas. A fama vem da acidez de seus escritores e cartunistas, que alvejam para todos os lados – principalmente para aquilo que ganha aura de sagrado e institucionalizado, como o bom humor deve fazer.

Presidentes, papas, o politicamente correto em geral são alvos tradicionais do semanário. Mas famoso mesmo ele se tornou por seu retrato sarcástico, irônico e afiado do fundamentalismo islâmico. Em diversos momentos, o Charlie Hebdo publicou charges do profeta Maomé, despertando a ira de radicais islâmicos.

“Maomé não é sagrado para mim. Eu vivo sob lei francesa”, declarou Charb. Ele morreu no atentado

Foi assim em 2006, com a republicação de desenhos publicados originalmente na Dinamarca; em 2011, com uma edição especial chamada Sharia Hebdo, que tinha Maomé como “editor convidado”; em 2012, quando Maomé apareceu nu e em pose pornográfica, e isso em meio ao furor causado por um filme sobre o profeta; e em 2013, numa edição especial de 64 páginas dedicadas ao profeta.

“Somos uma revista de sátira, de política, de desenhos. E somos, sobretudo, uma publicação ateísta: lutamos contra todas as religiões a partir do momento em que elas abandonam o âmbito privado para se ocupar da política e da opinião pública. A religião muçulmana tenta fazer uso da política, por isso ela deve, como todas as outras forças políticas, submeter-se a críticas”, declarou o editor-chefe, Gérard Biard, em entrevista à DW, em 2012.

Em 2011, o Charlie Hebdo foi pela primeira vez alvo da ira dos fundamentalistas. No dia em que a publicação com Maomé na capa chegou às bancas, a redação foi destruída num ataque com bombas. A edição se esgotou em poucas horas, e políticos saíram em defesa da revista e da liberdade de imprensa.

Em 2012, o ministro do Exterior, Laurent Fabius, considerou as charges de Maomé uma provocação e ordenou o fechamento de embaixadas, centros culturais e escolas francesas em cerca de 20 países por causa do temor de uma reação violenta aos desenhos da revista.

“Maomé não é sagrado para mim. Eu vivo sob lei francesa”, declarou então o diretor do semanário, Stephane Charbonier, o Charb, à agência de notícias AP. Ele morreu no atentado desta quarta-feira (07/01) contra a redação, em Paris, quando a equipe participava de uma reunião de planejamento.

Politicamente, o Charlie Hebdo é considerado uma publicação de esquerda na França. A circulação gira em torno dos 50 mil exemplares. Em 2006, com a publicação das charges de Maomé, chegou a quase meio milhão de cópias.

Fonte: DW.DE

Palácio do Eliseu sede do governo francês, reunião emergencial de ministros 

(Horário de Paris)

16:50 – Entre os mortos, está o cartunista George Wolinski, de 80 anos. Ele é considerado o maior nome do quadrinho francês e um dos maiores do mundo.

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16:45 – De luto, o Palácio do Eliseu recolhe a bandeira francesa.

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Resumo: Três homens encapuzados, armados com fuzis kalashnikov, invadiram a sede do semanárioChalie Hebdo, no coração de Paris, e abriram fogo. Doze pessoas morreram, entre elas o diretor da publicação e dois policiais. Outras três ficaram gravemente feridas.

No ataque, os atiradores gritaram “vingamos o profeta” e “Allahu Akbar” (Deus é grande). O semanário tem um histórico de provocações ao islã, como quando publicou charges de Maomé.

Os terroristas conseguiram fugir e estão sendo caçados por mais de 3 mil homens da polícia parisiense. O atentado gerou uma onda de condenações da comunidade internacional, inclusive de lideranças muçulmanas, que destacaram a necessidade de separar o islã do uso da violência.

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16:27 – A segurança foi reforçada ao redor da sede do jornal dinamarquês Jyllands-Posten, que publicou caricaturas do profeta Maomé em setembro de 2005. A direção do jornal diz seguir de perto a situação na França. Os desenhos dinamarqueses foram reproduzidos pelo Charlie Hebdo alguns meses mais tarde. Kurt Westergaard, o autor das caricaturas mais controversas, que escapou a uma tentativa de assassínio na sua casa em 2010, declarou-se hoje chocado com o ataque “assustador e horrível”.

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16:20 – O Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM), que representa os muçulmanos na França, condenou o atentado. “Este ato bárbaro de extrema gravidade é também um ataque à democracia e à liberdade de imprensa.” A comunidade muçulmana da França é a maior da Europa e reúne de 3,5 milhões a 5 milhões de pessoas.

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16:10 – A presidente Dilma Rousseff divulgou nota em que diz ter recebido, com “profundo pesar e indignação”, a notícia do “sangrento e intolerável atentado terrorista” à redação do Charlie Hebdo, nesta quarta-feira. “Esse ato de barbárie, além das lastimáveis perdas humanas, é um inaceitável ataque a um valor fundamental das sociedades democráticas – a liberdade de imprensa”, registra a presidente, que presta condolências aos parentes das vítimas.

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15:42 – A sede do jornal espanhol El País foi evacuada após um pacote suspeito ter sido descoberto. Mais de 300 pessoas trabalham no local.

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15:35 – Um vídeo feito com um celular por um morador da rua onde aconteceu o ataque circula na internet. Ele mostra dois terroristas, encapuzados e armados com fuzis, atirando contra um policial, que é executado com um tiro na cabeça quando já está ferido, no chão.

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15:22 O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, confirmou que três atiradores perpetraram o ataque. Ele diz que os terroristas estão sendo buscados com todos os meios disponíveis pelas autoridades francesas.

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15:20 – Até agora, nenhuma organização terrorista reivindicou o atentado.

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15:10 – A polícia encontrou o carro usado pelos atiradores no 20º Arrondissement de Paris, região com grande população de imigrantes.

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15:05 – A Liga Árabe divulgou um comunicado de repúdio ao atentado em Paris. O Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) classificou o ataque como um ato de barbárie e disse que o islã repudia qualquer tipo de violência.

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14:50 – No Palácio do Eliseu, sede do governo francês, uma reunião emergencial de ministros trata do atentado.

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14:45 – “Há a possibilidade de outros ataques. Estamos fazendo a segurança de outros lugares”, disse o policial Rocco Contento.

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14:35 – Aos poucos, a polícia está identificando os mortos no atentado. Entre eles está Stephane Charbonnier, editor do semanário, e três cartunistas.

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14:27 – A polícia de Paris ainda busca os terroristas. Cerca de 3 mil homens estão mobilizados para tentar encontrar os atiradores, que seriam três.

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14:21 – A chanceler federal alemã, Angela Merkel, qualificou o atentado como um ataque à liberdade de imprensa e expressão. A Casa Branca também condenou o ocorrido.

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14:04 – “Não se trata de provocação”, disse Gérard Biard, editor do semanário, em entrevista à DW em setembro de 2012. Ele afirmou que a publicação exerce o direito da liberdade de expressão ao publicar desenhos de Maomé e não é responsável por eventuais reações violentas.

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13:58 – O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, chamou o ataque de barbárie. “Estou profundamente chocado com esse ataque desumano e brutal. É intolerável.”

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13:50 – A redação do Charlie Hebdo fica no centro de Paris, próxima a pontos turísticos famosos, como a Catedral de Notre-Dame e a Praça da Bastilha.

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13:45 – “Nós recebemos ameaças por e-mail, por telefone, o tempo todo. Mas não levamos muito a sério. Nós nos acostumamos”, disse um funcionário do Charlie Hebdo, que não estava no local do atentado.

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13:41 – Um porta-voz da polícia elevou o número de mortos para 12.

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13:31 – Paris está em estado de alerta máximo. As sedes de jornais e revistas estão sob vigilância policial.

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13:28 – Entre os 11 mortos, dois são policiais. Dos dez feridos, quatro estão em estado grave. Segundo o jornal Le Monde, ao invadirem a redação do semanário, os atiradores gritaram “vingamos o profeta” e “Allahu Akbar” (Deus é grande).

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13:21 – Em janeiro de 2013, o semanário provocou polêmica internacional e despertou a ira da comunidade islâmica com o lançamento de uma história em quadrinhos sobre a vida do profeta islâmico Maomé, em tom satírico.

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13:12 – O primeiro-ministro britânico, David Cameron, condenou o ataque: “Nós estamos com o povo francês na luta contra o terror e em defesa da liberdade de imprensa.”

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13:00 – Hollande confirma os 11 mortos e diz que há outras quatro pessoas em estado crítico. “É um atentado terrorista!”, diz o presidente à imprensa.

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12:55 – Segundo a imprensa francesa, o atentado contra a redação do Charlie Hebdo, semanário satírico baseado em Paris, foi realizado por um grupo armado com fuzis Kalashnikovs e até um lançador de foguete. Foram confirmadas 11 mortes até agora. Os atiradores fugiram.

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12:52 – Hollande diz que ataque foi atentado terrorista. Ele promete encontrar os responsáveis e apela à união nacional.

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12:49 – O nível de alerta em Paris foi elevado para o nível máximo.

 

 

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12:41 – A redação do semanário já havia sido alvo de um ataque à bomba em novembro de 2011, após a publicação de charges do profeta Maomé. Ninguém ficou ferido então.

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12:37 – Uma fonte policial citada pela agência de notícias AP diz que foram pelo menos 11 mortos no tiroteio. O número de atiradores segue incerto.

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12:32 – O presidente François Hollande já anunciou uma reunião de emergência de seu gabinete para tratar do assunto.

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12:30 – As informações sobre vítimas ainda são desencontradas. Segundo o canal de TV iTELE, foram dez mortos. A polícia até aqui confirmou um mortos e três feridos.

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12:25 – A imprensa francesa noticia que pelo menos um homem armado invadiu a sede do semanárioCharlie Hebdo, famoso pelas sátiras de líderes muçulmanos, e abriu fogo contra funcionários.

Fonte: DW.DE

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