Defesa & Geopolítica

Concentre-se no canteiro de obras do futuro submarino brasileiro

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Tradução e adaptação: E.M.Pinto

Um trabalho titânico  é realizado no Brasil desde 2010 para fazer a partir do zero, um canteiro de obras para submarinos de propulsão convencional e nuclear, bem como a futura base naval que irá apoiá-los.

Durante um período de cinco anos, cerca de 9.000 operários outros 27.000 de postos de empregos indiretos, foram mobilizados para construir estas infra-estruturas.

Em 12 de dezembro de 2014, a presidente Dilma Rousseff abriu oficialmente o salão principal do novo sitio construído em Itaguaí. É lá que será montado o submarino Scorpène encomendado à França em 2009, mas também, servirá de construtor do futuro submarino nuclear de ataque que os brasileiros estão projetando atualmente. Este feito é conhecido como programa PROSUB.

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A presidente Dilma Rousseff, na abertura em 12 de Dezembro  (© DCNS)

Localizado ao longo da Baía de Sepetiba, zona oeste do Rio de Janeiro, as isntalações poderão executar simultaneamente a construção de dois submarinos. Esta construção que está nascendo é realmente uma réplica compacta do estaleiro da DCNS, em Cherbourg.

A familiar semelhança estende-se pelo fato de que o grupo francês foi selecionado pela Marinha do Brasil para ajudar a definir o design, especificações funcionais, organização e conteúdo de ferramentas industriais necessárias para alcançar o funcionamento deste sitio. Mas também uma base naval adjacente, que, na sua concepção, inspirado nas infra-estruturas do porto militar de  de Toulon, fará a hospedagem e manutenção dos submarinos franceses.

Desde a assinatura do contrato, em 2009, a DCNS, portanto, fornece assistência técnica e transferência de tecnologia para a Marinha do Brasil. No local, o grupo francês também está envolvido no acompanhamento do trabalho e aceitação de estruturas e equipamentos industriais.

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O estaleiro e a base naval  em construção em Itaguaí  (© DCNS)

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O futuro local do estaleiro e da base naval  de Itaguaí  (© DCNS)

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O futuro local do estaleiro e da base naval de Itaguaí  (© DCNS)

Operacional em 2016 para um up-stream do SBR-1  em 2017

O construção em si é realizada pelo grupo brasileiro Odebrecht, com o qual a DCNS criou uma joint venture, Itaguaí Construções Navais (59% Odebrecht, 41% DCNS), responsável pela construção dos submarinos futuros.

Por isso, os navios serão montados no grande “salão” localizado à beira-mar. Embora tenha sido inaugurado na semana passada, ele ainda não está operacional. Os trabalhos prosseguirão com vista à entrega em 2016 de toda a construção, ou seja, o complexo base naval  e estaleiro, denominado EBN (Estaleiro e base Naval) para ser concluída no ano seguinte com o lançamento do primeiro submarino Scorpene Brasileiro, (SBR-1).

O Navio terá 76 metros de comprimento por um deslocamento submerso de mais de 2.000 toneladas, estes navios, cuja ordem inicial é de quatro, são, por enquanto, os maiores da família Scorpene, a qual, também foi adotada pelo Chile (2 navios), aMalásia (2) e na Índia (6).

O aumento de tamanho permite que, em particular, aumente-se as reservas de combustíveis e alimentos, para ganhar mais autonomia, condição essencial considerando-se a extensão das águas brasileiras (8.500 km de costa e uma zona econômica exclusiva enorme).

Tripulado por uma tripulação de 45 homens, os S-BR possuem seis tubos de 533 mm para implementar 12 torpedos pesados Black Shark (Arthemis) ​​e mísseis Exocet SM 39. Estes submarinos oceânicos versáteis podem efetuar todos os tipos de missões, incluindo a luta contra navios de superfície, guerra anti-submarina, operações especiais e de coleta de inteligência.

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Futuro S-BR brasileiro  (© DCNS)

O local de produção em serviço desde 2013

O SBR-1  já vê as suas seções feitas e equipadas a poucos quilômetros do EBN. Por trás da colina alta que circunda o local da base naval, foi inaugurada em março 2013 a Unidade de Fabricação Estruturas Metalicas (UFEM). Com 55.000 m² de instalações abrangidas, a UFEM irá produzir as seções dos submarinos futuros. O local é operado pela ICN (Itaguaí Construções Navais) e é projetado para fabricar as estruturas não-resistentes dos navios, em que são montados e integrados diversas sistemas e dispositivos.

Secções dos submarinos também são pré-montados com gruas gigantescas, capazes de içar até 150 toneladas. A UFEM vem trabalhando com a empresa brasileira Nuclep localizada nas proximidades, a qual é responsável pela execução das seções do casco de pressão, o que exige prensas de alta capacidade para a formação dos tipos de aços HLES (High Limit Elasticidade Weldable). A Nuclep fabricou uma seção cuja qualificação em 2012, passou pelo crivo dos engenheiros avaliadores da DCNS e  foi certificada antes de iniciar a realização dos Anéis para o primeiro submarino, construído pela UFEM.

Em pleno funcionamento, a unidade emprega um milhar de pessoas, 30-40 postos, são da DCNS que prestam assistência técnica e transferência de tecnologia de materiais de construção. Depois de trabalhar na proa do SBR-1, a UFEM abordará este ano a popa do navio.

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O primeiro segmento construído em Cherbourg e entregue na Primavera de 2013 (© DCNS)

Primeiros elementos feitos na França para apoiar a transferência de tecnologia

A primeira secção, que pertence à metade dianteira do navio, no entanto, não foi construída no local, mas sim em Cherbourg, nas instalações da DCNS. Com comprimento de 25 metros (12 metros de altura com a vela) e um peso de 220 toneladas, a secção foi enviada parae Itaguaí, na Primavera de 2013.

Esta fase tem assegurado no núcleo duro da França o treinamento das equipes de soldagem compostas por brasileiros que, juntamente com os seus homólogos franceses aprenderam as técnicas necessárias para alcançar os níveis exigidos de padrão para a produção dos cascos dos submarinos e obtenção das qualificações necessárias.

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A formação de soldadores brasileiros em Cherbourg (© DCNS)

De fato, a transferência de tecnologia  é realizada gradualmente com o progresso do primeiro submarino, o qual é a base para o “trabalho prático”. Assim, após o casco e estrutura, os brasileiros aprendem a controlar a montagem e instalação de equipamentos (elétrica, armários, bombas, tubulações, fiação …). O Sitio da DCNS de Cherbourg, nessa perspectiva, após a primeira seção do casco a construção conjunta, com os brasileiros, levou a montagem de um bloco de suspensão, que serão enviados no começo de 2015 para  Itaguaí.

Situado no massivo bloco do navio está o posto central de Navegação e Operação (PCNO), bem como o auxiliar. O conjunto possui 10 metros de comprimento, 5 metros de largura e 5 metros de altura. Seu peso final é de 32 toneladas, inclui 18 instalações. Não menos do que 5500 dispositivos são montados neste bloco para transferir os conhecimentos de DCNS aos brasileiros na montagem dos sistemas.

Enquanto isso, na UFEM, as equipes ICN trabalham especialmente no trecho enviado ao Brasil na primavera de 2013. Eles começaram a incorporar diferentes estruturas: paredes, suportes, blocos dissociados, tubos, caixas, reatores apêndices externos, carpintaria, sistemas de mergulho … Ao todo, o trabalho sobre o S BR-1 representa este ano, cerca de 400.000 horas de trabalho realizados pela UFEM.

Após as seções equipadas, eles serão, portanto, pré-montados e, em seguida, quando o trabalho será suficientemente avançado, todos os itens serão montados no Grande Salão do EBN para a montagem final do submarino. Este pacote enorme vai ser transportado por uma estrada construída para este fim,, com uma viagem de 5km até a baía, passando por um túnel perfurado no morro, o qual para liga a UFEM ao estaleiro e que foi perfurado no verão de 2013.

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A UFEM (© DCNS)

Compartilhar know-how para o equipamento

A transferência de tecnologia está longe de terminar, ela está relacionada a este programa, que é o maior de seu tipo no mundo, e que levou a um contrato de que continuará por vários anos, não só no Brasil, mas também na França.

Desde 2010, mais de 200 engenheiros, técnicos e marinheiros brasileiros vieram a se formar na França. Além de Cherbourg, que trabalhou até 2013 para a concluir a formação de construção e montagem, a DCNS também efetuou trabalho em outros sitio. Este é o caso de Toulon de onde partem os trabalhos nos sistemas de combate dos submarinos e em Lorient, onde uma escola de design foi criada como parte do apoio ,SNA (SN-BR ). As atividades continuarão na França e dezenas de empresas brasileiras serão contratadas pela DCNS e os seus principais fornecedores para aprender a fazer, integrar e manter equipamentos, tais como os tubos de torpedos e os sistemas de manuseio, mastros, elementos de máquinas de propulsão. Em Ruelle, a DCNS trabalha na concepção e implementação de simuladores e, também participa em aspectos relacionados com a condução da plataforma.

Aqui também, a aprendizagem é gradual, uma vez que um grande número de instalações do futuro SBR mediante o contrato assinado, exigem um programa de “nacionalização”. Claramente, as empresas brasileiras, foram treinadas para construir peças e, em seguida, progressivamente, sistemas de montagem, para finalmente serem capazes de gerenciar toda a cadeia de comissionamento e serviços de manutenção. Esta transferência de tecnologia também permitirá que os brasileiros, de acordo com as suas necessidades, façam ajustes e mudanças nos equipamento de seus submarinos.

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A futura base naval (© DCNS)

O projeto do primeiro nuclear brasileiro continua

O último dos quatro SBR deve ser entregue a frota em 2022, porém, o trabalho de design no SN-BR continua a todo o vapor. Este é um dos principais elementos do gigantesco contrato  € 6,7 bilhões reportados em 2009 entre a  DCNS e Odebrecht. O Brasil busca, na verdade à muito tempo desenvolver um submarino de propulsão nuclear.

Os primeiros rascunhos remontam ao início dos anos 80, o objetivo então buscado com afinco ainda 30 anos depois. Muito complexo, este programa, foi ficando defasado, foi então revivido na sequência do acordo assinado há cinco anos com a França.

 A DCNS não está envolvida na parte nuclear do SN-BR, porém todo o programa permitirá ao Brasil criar uma indústria capaz de construir e equipar os submarinos mais modernos. Aprendendo com submarinos convencionais que serão muito valiosos para desenvolver o seu  primeiro SNA.

 Por esta razão, a DCNS foi escolhida por sua a perícia pela Marinha do Brasil na área de design (excluindo peças nucleares). A escola de design (projetos) foi especialmente criada em Lorient, em Setembro de 2010.

 Quarenta oficiais brasileiros formaram-se lá com engenheiros franceses nos campos da arquitetura global e da arquitetura do sistema, instalações, especificações e escolha dos equipamentos. Com esse aprendizado, a Marinha do Brasil inaugurou em no inverno 2012/2013 o seu departamento de pesquisa dedicado a este fim em São Paulo.

 Desde então, a equipe designada para o projeto cresceu, 140 pessoas estão sendo mobilizadas no desenvolvimento do projeto preliminar do SN-BR. Funcionários da DCNS  estão sempre presentes ao lado dos brasileiros, mas eles só vêm em apoio, para fornecer orientação técnica e aconselhamento.

 Na verdade, se DCNS é o arquiteto do SBR, a Marinha do Brasil é a projetista e mentora do futuro submarino nuclear e, como tal, a própria faz as escolhas de projeto, desenvolvendo em paralelo a parte propulsiva em torno de um projeto nacional de caldeira nuclear.

 O equipamento é, naturalmente, dimensionado para o futuro submarino, o qual Brasília espera iniciar a sua construção em 2017 para um comissionamento em 2025.

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O futuro estaleiro  (© DCNS)

Quanto ao Scorpene, a ICN será responsável pela construção do navio em Itaguaí, com equipamento francês feito localmente ou na extensão da transferência de tecnologia feita com o quatro SBR. No entanto, ao contrário dos submarinos convencionais é a Marinha do Brasil quem terá total controle neste momento, uma vez que assumirá o papel do projetista, desenvolvedor e principal contratante industrial, o que também é válido para partes EBN “nuclear”.

 

Fonte: Mer et Marine

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