Defesa & Geopolítica

Renúncia de primeiro-ministro do Haiti agrava crise política no país

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photo1B-307_203Protestos são realizados quase que diariamente contra adiamento indefinido das eleições; manifestantes pedem até renúncia do presidente Martelly
Caribe

Os protestos realizados no Haiti nas últimas semanas – e intensificados no final de semana – deixaram o saldo de um morto e provocaram a renúncia do primeiro-ministro do país, Laurent Lamothe, que se demitiu neste domingo (14/12). O cenário deteriora ainda mais a crise política vivenciada pelo presidente Michel Martelly, agravada pelo adiamento indefinido das eleições legislativas e municipais previstas para outubro e que tem provocado manifestações quase diárias na capital Porto Príncipe.

No domingo, os manifestantes desconsideraram o caminho previamente acordado com a polícia e seguiram para o palácio do governo, como parte da estratégia de pedir a renúncia de Martelly. Próximo à sede do governo, houve choque com a polícia comandada pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) e os ativistas, como reação ao lançamento de gás de pimenta, atiraram garrafas e pedras contra os policiais e fizeram diversas barricadas na capital Porto Príncipe. Como resultado do conflito, um homem morreu.

A renúncia de Lamothe faz parte das orientações formuladas por um grupo de 11 notáveis haitianos designados por Martelly para tentar resolver a crise política no país. Além da demissão do primeiro-ministro, a comissão recomendou também a saída do Conselho Superior do Poder Judicial e dos membros do Conselho Eleitoral Provisório.

Os manifestantes são contrários às indicações do conselho de notáveis e pedem a renúncia do presidente e a libertação das pessoas detidas em protestos anteriores. Diversos ativistas permanecem encarcerados sob acusações de supostas ações de vandalismo, mas nunca foram julgados, tampouco acusados formalmente.

Eleições

Desde 2010 o país não promove eleições locais e municipais e a votação para o Senado está atrasada desde 2011. A lei eleitoral está bloqueada no Senado, há mais de seis meses por diferenças políticas entre governo e oposição.

Os mandatos de um terço dos senadores expiraram em maio de 2012 e, em janeiro de 2015, um segundo terço dos senadores e deputados ficarão sem cargos. O mandato presidencial se encerra em 2016.

Tanto a ONU (Organização das Nações Unidas), como o governo dos Estados Unidos, têm ressaltado a necessidade de que o processo seja conduzido antes que o Parlamento seja dissolvido, o que acontecerá em janeiro de 2015.

Fonte: UOL via NOTIMP

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