Defesa & Geopolítica

A Rússia não perderá as oportunidades de um mundo em transição

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Moscou propõe ao Ocidente retornar à verdadeira parceria. Segundo peritos, a situação não seria tão dramática, se alguns adversários geopolíticos da Rússia pudessem avaliar a realidade sob um prisma mais adequado.

Na recente assembleia do Conselho de Política Externa e Militar, o chanceler russo, Serguei Lavrov, divulgou seus planos no sentido de diminuir a escalada da tensão internacional. Seu discurso atribuiu uma tonalidade à discussão das linhas estratégicas a seguir pela Rússia no futuro próximo e numa perspetiva de médio prazo. No parecer do ministro, a linha da política externa se destaca pela moderação e firmeza, embora tal posicionamento não encontre a compreensão de concorrentes geopolíticos da Rússia.

Conforme anunciou o chefe da diplomacia russa, as relações entre a Rússia e o Ocidente estão se aproximando do “momento da verdade”. Para Lavrov, o Ocidente procura obrigar a Rússia a “engolir em seco” a humilhação a que estão sujeitos os russos e falantes russos na Ucrânia. No essencial, a Europa veio “esmagar” seus próprios princípios da mudança democrática do poder, tendo decido se solidarizar com extremistas ucranianos.

Agora, os lobistas pró-ocidentais do “partido da guerra” tentam impedir o processo de paz, uma vez que uma Ucrânia estável e previsível não interessa aos autores da doutrina de contenção da Rússia. O perito na área de finanças, Konstantin Simonov sustena :

“Se cria uma impressão de que vários países do Ocidente não estão muito interessados na regularização pacífica da crise. Não me refiro à Europa, mas tenho em mente os EUA. Acho que Washington quer que a Ucrânia se transforme num “país tóxico” que gera problemas enormes para a Rússia. Quanto à UE, um único cenário da normalização seria a sua recusa à tutela e à dependência transatlântica. Se a Europa não se tornar autônoma, se continuar seguindo os conselhos ou até as ordens dos EUA, nada irá mudar”.

Serguei Lavrov realçou ainda que os líderes ocidentais estão introduzindo sanções a fim de destruir a economia nacional e provocar, desta forma, largos protestos populares. “O Ocidente quer mudar o regime e ninguém nega este propósito”, assinalou Lavrov.

A situação que se criou tem uma vantagem: tudo se colocou em seus devidos lugares e os cálculos e desígnios reais acabaram por se cristalizar no meio de polémicas e meras declarações sobre a criação de um espaço euro-atlântico comum, “casa europeia comum” e de um ambiente de segurança. Hoje, a tarefa da Rússia será não apenas compreender melhor o passado, mas também traçar um nítido plano de ação para o futuro.

Em opinião do titular da pasta diplomática russa, o mundo está em mudança, como já tinha acontecido mais de uma vez – após um auge da influência e do poderio de um Estado, os seus líderes cansados vão cedendo lugar aos dirigentes mais dinâmicos e eficientes. O Ocidente tem de aprender bem as lições da História, partido da realidade. A correlação entre as ambições dos EUA e as suas capacidades reais também se alterou, constata Serguei Lavrov, salientando que a Rússia tem de aproveitar esse momento oportuno.

Fonte: Voz da Rússia

 

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