Defesa & Geopolítica

Discurso de Putin dividiu o mundo em antes e depois

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Foto: RIA Novosti/Mikhail Voskresensky

A imprensa e a mídia dos Estados Unidos e do Ocidente comentaram surpreendentemente pouco o discurso do presidente russo Vladimir Putin na reunião do clube de discussão internacional Valdai. Tal tétano informacional normalmente acontece quando a análise acerta no alvo, e torna-se desconfortável discuti-la. Ela causa tal desgosto que preferem não notá-la.

Este ano, apesar das sanções e dos apelos ao “isolamento” da Rússia, à reunião do clube de discussão internacional Valdai vieram 108 especialistas de 25 países do mundo, incluindo ex-primeiros-ministros e presidentes. A grande maioria dos especialistas em relações internacionais acredita que o discurso do presidente da Rússia já dividiu o mundo em “antes de Valdai” e depois.

“Foi um discurso muito forte”, acredita o editor da revista The National Interest, o conhecido politologista norte-americano Dimitri Simes. “Podemos concordar com ele ou não, mas este é um discurso que chama a atenção e faz as pessoas pensar. Este certamente não é o discurso de um líder encurralado por sanções e tentando encontrar uma saída honrosa para si. Este é o discurso do líder de uma grande potência nuclear a ser reconhecida, gostem disso ou não”.

Em Sochi, Vladimir Putin falou não só e não tanto sobre a Rússia: só alguém cego e surdo poderia “ler” assim o significado de seu discurso. Ele falou de uma grande transformação no mundo, frisa o professor da Academia Russa de Serviço Civil Vladimir Shtol. Ele descreveu fatos extremamente óbvios: o mundo é muito diferente do que era nos últimos 25 anos, após o colapso da URSS. E os Estados Unidos e seus aliados da OTAN, depois de quase completa dominação e unipolaridade, têm dificuldade em perceber isso e não querem largar tal mundo, acredita Vladimir Shtol:

“Hoje renasceu e cresceu muito a China. Pode-se dizer o mesmo sobre a Índia e o Brasil. Naturalmente, também sobre a Rússia. Perceber que você precisa de consultar com alguém, aceitar compromissos, levar em conta opiniões diferentes às vezes é muito difícil não só na política externa, mas também em relações simples. Mas este é um objetivo a ser alcançado, e esta transformação terá que ser tomada em conta. Já não pode ser de outra maneira”.

Segundo o chanceler russo, Serguei Lavrov, no caminho para o diálogo com Washington a Rússia tem um grande obstáculo: a própria Washington. As propostas dos parceiros norte-americanos estão focadas unicamente em seus próprios interesses. E o “padrão de comportamento” em relação à Rússia excede todos os limites da decência, acredita Serguei Lavrov:

“Ora, grosso modo, estão exigindo de nós que mudemos a nossa política. Que mudemos nossas abordagens. Seria uma coisa se nos estivessem propondo procurar algo juntos. Mas o que nos etão dizendo é bem diferente: nós sabemos como agir, e isso é exatamente o que vocês devem fazer”.

Nos Estados Unidos já há algumas décadas estão dominando os chamados neoconservadores, para os quais é difícil falar com alguém em pé de igualdade. E Vladimir Putin estava justamente apelando ao respeito mútuo por outras opiniões, nota o analista do Centro de Estudos Europeus, Vladimir Olenchenko:

“Alguém continua querendo falar a linguagem de ditadura, linguagem imperativa. É uma espécie de “feudalismo internacional”: comandar outros países e dizer-lhes como se comportar em situações internacionais específicas”.

O mais importante é que o presidente russo deixou bem claro a absurdidade de um mundo unipolar. Especialmente no contexto da incapacidade de Washington de gerir sabiamente a influência que recebeu após o fim da “guerra fria”. Quando perguntaram a Putin se seu discurso foi acusatório em relação aos norte-americanos ou conciliatório, ele respondeu simplesmente: “Não foi conciliatório nem acusatório. Foi uma proposta de trabalhar em conjunto”.

Fonte: Voz da Rússia

Putin felicita Dilma Rousseff pela reeleição como presidente do Brasil

 

Foto: RIA Novosti/Alexei Nikolsk – Arquivo

O presidente russo, Vladimir Putin, felicitou a sua homóloga do Brasil, Dilma Rousseff, pela sua reeleição como chefe de Estado, anunciou esta segunda-feira o serviço de imprensa do Kremlin.

“O presidente russo também elogiou a atenção dada ao reforço da parceria estratégica russo-brasileira e confirmou a sua disponibilidade para continuar um diálogo construtivo e colaboração ativa no desenvolvimento de maior cooperação bilateral em todas as áreas, bem como a cooperação no âmbito das Nações Unidas, G20, BRICS e outras estruturas multilaterais”, disse Putin.

Dilma venceu o segundo turno da corrida presidencial no Brasil com 51,64% dos votos (os dados anunciados após a contagem de mais de 99% dos votos).

 

Fonte: Voz da Rússia

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