Defesa & Geopolítica

Dilma vence eleição mais acirrada desde a redemocratização

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Dilma Vana Rousseff ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o discurso da vitória

Presidente obteve 51,64% dos votos, contra 48,36% de Aécio Neves, e conquista novo mandato de quatro anos. Em discurso da vitória, pede união e diz que reforma política será primeira prioridade.

Na mais acirrada, mais polarizada e também mais emocionante eleição presidencial desde o retorno da democracia, a presidente Dilma Rousseff foi reeleita para o cargo neste domingo (26/10), conquistando um segundo mandato de quatro anos.

Computadas 99,98% das urnas, Dilma obteve 51,64% dos votos, contra 48,36% do oposicionista Aécio Neves, segundo os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença entre eles é de pouco mais de 3,4 milhões de votos. A vitória de Dilma só se tornou irreversível após a apuração de mais de 97% das urnas.

Os números oficiais confirmaram as últimas pesquisas. O resultado é praticamente igual à previsão feita pelo Instituto Datafolha, que apontava vitória da presidente por 52% contra 48% no levantamento divulgado na véspera do segundo turno.

O resultado mostra um país dividido, com Dilma vencendo majoritariamente nos estados do Norte e do Nordeste, e Aécio vencendo principalmente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Talvez ainda mais importante, a sociedade brasileira sai dessa eleição polarizada, dividida entre petistas e antipetistas. Não à toa, Dilma falou em união logo após a divulgação do resultado oficial. Aécio também falou em união ao reconhecer a derrota. “Desejei a ela [Dilma] sucesso na condução de seu próximo governo e ressaltei que a maior das prioridades deve ser unir o Brasil em torno de um projeto honrado.”

Necessidade de reformas

Esta não foi uma eleição comum. Desde o embate de 1989, que opôs os então candidatos Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil não via uma campanha tão disputada e de ânimos tão exaltados. Mais do que o debate de propostas para resolver os problemas do país, predominaram a troca de acusações e os ataques, às vezes pessoais, entre os dois lados, entre petistas e antipetistas.

Esse ambiente polarizado deve permanecer, e vai dificultar o início do segundo governo Dilma. Tarefas não faltam para a presidente. A mais urgente é reestimular a economia, que enfrentou dois trimestres de retrocesso e deve crescer menos de 1% em 2014. Para isso, Dilma precisa do apoio dos empresários e investidores. Mas o clima entre eles e o governo é ruim, e a confiança dos empresários na economia, principalmente no setor industrial, é baixa.

Apesar disso, Dilma citou a reforma política como “a primeira e mais importante” no seu discurso da vitória. “Meu objetivo é deflagrar essa campanha no Congresso e [a reforma] deve ser reportada à sociedade por meio de uma consulta popular. Por meio de um plebiscito, vamos obter as garantias para essa reforma política”, afirmou.

Em relação à economia, ela disse que vai “dar mais recursos à atividade econômica em todos os setores, em especial no setor industrial. Quero a parceria de todos os setores produtivos e financeiros nessa tarefa que é de responsabilidade de cada um de nós”.

Fonte: DW.DE

Imprensa europeia vê “vitória apertada” em “país dividido”

Sites destacam divisão entre “Norte e Nordeste pobres” e “Sul e Sudeste ricos”, comentam que a campanha foi marcada pela troca de acusações e afirmam que Dilma terá a tarefa de unir o país.

A apertada vitória da presidente Dilma Rousseff no segundo turno da eleição presidencial foi manchete nos sites dos principais jornais e revistas europeus neste domingo e segunda-feira (27/10). Na tentativa de explicar a eleição de Dilma, a mídia europeia destacou principalmente o apoio que ela recebeu dos estados menos favorecidos do Norte e Nordeste, em oposição aos do Sul e Sudeste, mais ricos e industrializados.

Ainda no fim da noite de domingo, o jornal italiano Corriere della Sera escreveu que “o quadro eleitoral confirma um país dividido em dois, com Rousseff dominando o Nordeste pobre do Brasil, onde é mais forte o efeito dos programas sociais, enquanto é grande a preocupação nas áreas mais ricas, sobretudo no estado de São Paulo.”

O diário milanês destacou ainda a agressividade da campanha eleitoral: “A tensão da campanha eleitoral, longa e às vezes violenta, teve repercussões também no dia decisivo”. O jornal deu destaque à afirmação do candidato tucano, Aécio Neves, de que a campanha eleitoral “ficará marcada como a mais sórdida já feita”.

“Apelo ao díálogo”

O jornal francês Le Monde enfatizou a apertada vitória de Dilma e o apelo ao diálogo proferido pela presidente em seu primeiro discurso após as eleições. “Este é o resultado mais apertado depois da primeira eleição presidencial direta, organizada em 1989, após a ditadura militar”, escreveu o diário.

“O Nordeste votou em Dilma, São Paulo contra ela”, afirmou o Le Monde: “Os 142,8 milhões de brasileiros convocados a votar, num país onde o voto é obrigatório, estiveram divididos entre os partidários da continuação das conquistas sociais realizadas pelo Partido dos Trabalhadores (…) e aqueles de uma alternância [de poder] para relançar a economia.”

O jornal destacou ainda os desafios que Dilma tem pela frente, dando ênfase à declaração da presidente de que o “diálogo é o primeiro compromisso” do seu novo mandato, como também à sua intenção de promover uma reforma política e combater a corrupção.

Divisão do país

O diário espanhol El País apontou nesta segunda-feira para a estreita margem de vantagem de Dilma sobre o adversário, dando destaque à divisão do país nesta eleição.

“Como se previa, os mais pobres e atrasados estados do Norte e Nordeste, como Bahia ou Pernambuco, votaram em peso em Dilma. Os estados do sul, mais ricos e industrializados e com uma população com mais recursos, como São Paulo, o estado mais populoso, deram preferência a Neves.” O jornal espanhol disse ainda que, “para Rousseff, foi decisivo o apoio do estado de Minas Gerais, local de nascimento de ambos” os candidatos.

O El País afirmou que nunca uma campanha eleitoral dividiu tanto os brasileiros e que a primeira tarefa do vencedor será “fechar a ferida aberta durante as três semanas vertiginosas de uma dura campanha” e que o primeiro discurso de Dilma após ser eleita “apontou para essa direção unificadora”.

Xingamentos, acusações e economia

O primeiro discurso da presidente reeleita também foi manchete no jornal britânico The Guardian: “Em discurso de vitória, uma radiante Rousseff disse esperar que o país possa se unir”. Segundo o diário, os eleitores aparentavam estar divididos e confusos “por uma campanha eleitoral suja, caracterizada por xingamentos, acusações de corrupção, nepotismo e incompetência”.

O The Guardian também destacou as alusões ao regime nazista feitas por ambos os lados durante a campanha eleitoral: “Neves comparou o marqueteiro da campanha do PT, João Santana, ao chefe da propaganda nazista, Joseph Goebbels. Em resposta, Lula da Silva disse que os social-democratas perseguiam o Nordeste pobre do Brasil da mesma forma que os nazistas maltratavam os judeus”.

O jornal britânico deu um especial destaque aos desafios que Dilma tem pela frente, afirmando que “o Brasil entrou em recessão técnica no começo deste ano” e que “uma indicação-chave de como Rousseff, uma economista formada, pretende virar esse quadro será a sua escolha do ministro da Fazenda”.

Tecnocrata com desafios

O jornal alemão Süddeutsche Zeitung também enfatizou os desafios de Dilma para unir o país: “A presidente terá de se esforçar para melhor o mau humor e unir a nação dividida”. O jornal bávaro considerou que faltam à Dilma o “carisma e a popularidade de seu mentor Lula, mas a tecnocrata Rousseff é vista como uma lutadora”.

A notícia da vitória de Dilma e a divisão do país também foram destaque no site da revista alemã Der Spiegel nesta segunda-feira. Em sua página de internet, a principal revista alemã afirmou que “uma rachadura atravessa o Brasil. Ela passa exatamente ao longo da fronteira geográfica entre os pobres Norte e Nordeste e os ricos Sul e Sudeste, mas ela também atravessa a sociedade.”

A Spiegel afirmou ainda que “o Brasil tem quatro anos turbulentos pela frente” e que a “robusta e autoritária Rousseff tem agora a tarefa de reconciliar o país dividido”.

Fonte: DW.DE

Economia é o primeiro desafio de Dilma

Presidente terá que mudar política econômica para impulsionar crescimento. Entre as medidas, cortar gastos, reconquistar a confiança dos empresários e controlar a inflação.

Estimular a economia deverá ser a primeira e principal tarefa a ser encarada pela presidente reeleita Dilma Rousseff. Os primeiros três anos de governo já haviam ficado aquém do esperado, com o Produto Interno Bruto (PIB) avançando 2,7% (2010), 1% (2011) e 2,3% (2012) e com taxas menores que países vizinhos, como Chile e Peru.

Mas 2014 está superando as piores previsões: depois de uma retração de 0,2% no primeiro trimestre, o segundo teve um recuo de 0,6% e levou o país à recessão técnica no primeiro semestre. O crescimento em 2014 deve ficar bem abaixo de 1%.

E isso se refletiu nas urnas: a vitória apertada de Dilma é um sinal de que os brasileiros não estão satisfeitos com o andamento da economia. Além do baixo crescimento, especialistas apontam para o risco de alta da inflação, que está acima do teto da meta, de 6,5%. Apesar de a maioria da população ainda não sentir diretamente os efeitos, isso não deverá tardar a acontecer se nada for feito.

Até agora pouco se sabe sobre o que Dilma pretende fazer. Ela anunciou a demissão do ministro da Economia, Guido Mantega, no meio da campanha eleitoral. E isso foi tudo. Mas é necessário muito mais: especialistas afirmam que, se não houver mudanças, até mesmo as conquistas dos últimos anos, como o aumento da renda e o desemprego baixo, correm risco.

“A presidente vai ter o desafio de recolocar a economia brasileira nos trilhos. A receita do governo não consegue cobrir os gastos, o país está em recessão, e o investimento caiu muito por conta da desconfiança dos empresários”, afirma o economista Evaldo Alves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para Roberto Gondo, professor de comunicação política da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o país está passando por uma crise econômica velada e com a diminuição gradativa dos diversos setores econômicos nacionais. “Para os próximos anos, os desafios são manter as taxas de desemprego controladas e permitir a redução de juros e de impostos para pessoas físicas e jurídicas”, afirma.

Incentivo ao consumo teve efeito curto

Um dos problemas que mais afetam os brasileiros é o endividamento. Economistas calculam que três em cada quatro famílias não estão conseguindo pagar as suas contas e, assim, estão também deixando de consumir. Como o consumo interno era um dos principais combustíveis do crescimento econômico brasileiro, o resultado claro da atual situação é a desaceleração da economia.

Com a crise de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou a política de incentivo ao consumo, o que serviu para estimular a economia e ajudou o país a passar praticamente ileso pela crise. Dilma usou a mesma fórmula, mas foi ao limite para tentar aquecer uma economia debilitada – também por não manter as linhas gerais da política econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso, seguidas por Lula, que era um tripé composto por metas de inflação, superávit fiscal e câmbio flutuante.

“Política de crescimento via consumo tem um efeito de curto prazo. Hoje, o cenário é muito preocupante, pois as famílias estão com um nível elevado de endividamento”, avalia o professor de administração pública José Matias-Pereira, da UnB.

Até mesmo um economista ligado à presidente, como o conselheiro Luiz Gonzaga Belluzo, admitiu em declaração à agência de notícias Reuters que houve um erro de estratégia. “Demorou-se muito para perceber que o consumo estava perdendo força para impulsionar a economia. Não se conseguiu articular a queda do consumo com recuperação do investimento”, avaliou.

Fuga de investidores

Como o “ciclo do consumo” se encerrou, como dizem os economistas, uma das soluções é tentar recuperar a confiança dos empresários e investidores para que eles voltem a investir no país. Nos últimos anos a produção não aumentou, e o investimento privado caiu. O governo, por sua vez, gastou recursos para estimular a economia, mas não em obras de infraestrutura.

A situação é ruim principalmente no setor industrial, onde a insatisfação com o governo é grande, e a confiança na economia é baixa. Mesmo com os incentivos fiscais dados pelo governo federal para diversos setores, como o de construção civil, automotivo e para os usineiros, além do crédito barato de grandes bancos públicos, a economia brasileira não deslanchou.

Um dos motivos também é a baixa demanda por produtos brasileiros, principalmente os do agronegócio, por países como China e outros motores da economia mundial, que crescem de forma mais lenta e não devem, tão cedo, retomar ao nível de compras da época pré-crise.

Economia desacelerou por causa da baixa demanda de produtos do agronegócio por países como China

Uma das apostas da presidente até aqui foi a política de concessões para melhorar a infraestrutura, mas ela ainda não deu o resultado esperado. Alguns aeroportos – como Guarulhos e Viracopos, em São Paulo, o de Brasília e o do Galeão, no Rio de Janeiro –, além de seis lotes de rodovias já foram concedidos à iniciativa privada.

Mas, por outro lado, o leilão das ferrovias e de outros setores ainda não saiu do papel por conta da desconfiança dos investidores. Esse mesmo receio fez com que, no final de 2013, em menos de dez dias o governo federal sofresse dois grandes reveses em seu pacote bilionário de concessão à iniciativa privada – no de ferrovias e exploração de petróleo da camada pré-sal.

Analistas explicam que a intervenção estatal e a incerteza sobre a regulamentação afastam os investidores privados das licitações. Um dos exemplos é a taxa de retorno do projeto de concessão das rodovias, que aumentou no início de maio de 2013 de 5,5% para 7,2%, para tornar mais atrativo os investimentos nas rodovias a serem licitadas.

Para o economista Reginaldo Nogueira, do Ibmec/MG, a indústria está muito fraca e não há investimento privado devido à piora das expectativas com o futuro da economia. “O país precisa rapidamente de uma melhora da agenda econômica para restaurar a confiança no meio empresarial e reerguer o investimento.”

Aumentos vêm aí

Mantega deixará governo. Sucessor ainda não foi anunciado

Na época dos protestos que levaram milhões de brasileiros às ruas, em junho de 2013, Dilma anunciou, entre outras propostas, a responsabilidade fiscal para garantir a estabilidade da economia brasileira diante da crise mundial. Em 2013, a promessa não foi cumprida, já que o país não atingiu a meta de superávit primário – economia para o pagamento de juros da dívida estabelecida para o ano.

O país deveria ter economizado o valor correspondente a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), mas economizou 1,9% – o que corresponde a 91 bilhões de reais. Em entrevista à GloboNews no início de setembro, Mantega afirmou que “neste ano [2014], temos uma situação mais difícil”, quer dizer, que o governo federal não deve alcançar a meta de economizar 2,2% do PIB, o equivalente a 116 bilhões de reais.

Mas, no ano que vem, o governo deverá apertar os cintos. E, além disso, tomar medidas amargas para organizar as contas nacionais, conter a inflação e a baixa produção do país associado à falta de investimento privado. Outro provável ajuste será o aumento do preço da gasolina e da energia elétrica, que são controlados pelo governo e ficaram defasados por conta do ano eleitoral.

“O desafio para retomar o crescimento tem várias frentes”, diz Alves. “O próximo governo deve reorganizar o setor público, cortar gastos, reconquistar a confiança de investidores, controlar a inflação, mas não por meio do aumento de juros básicos, entre outras questões. Não será uma tarefa fácil.”

Fonte: DW.DE

Brasileiros querem mudanças

Mesmo com a vitória de Dilma, o recado das urnas é inequívoco: os brasileiros estão preocupados com o retrocesso da economia e querem mais conquistas, opina o jornalista Alexandre Schossler, da redação brasileira da DW.

Alexandre Schossler é jornalista da redação brasileira

Poucas vezes a expressão “vitória num país dividido” fez tanto sentido quanto nesta eleição presidencial de 2014. Até o fim, era impossível saber de antemão quem seria o vencedor.

Mas o recado das urnas foi claro e pode ser sintetizado numa única palavra: mudança. Dilma Rousseff venceu, mas o resultado foi muito mais apertado do que na eleição anterior.

Isso mostra que, para os eleitores, o que foi feito até aqui já não é mais suficiente: eles querem mais, e vão votar no candidato que considerarem ter, na avaliação deles, melhores condições de oferecer isso. Não importa se desse ou daquele partido.

De certa forma, as urnas repetiram a mensagem dos protestos de junho de 2013: os avanços econômicos alcançados até aqui, como a estabilidade da moeda e o aumento do poder de consumo dos mais pobres, são bons e bem-vindos. Só que, agora, chegou a hora de avançar em áreas sociais, como saúde, educação e segurança. Aí ainda há muito por fazer.

Além disso, a economia não anda mais tão bem como nos anos de Lula, e 2014 está especialmente ruim, com dois recuos consecutivos do PIB, de 0,2% no primeiro trimestre e de 0,6% no segundo. O próprio governo espera um crescimento inferior a 1% neste ano.

O bolso é um dos primeiros a gritar, e as urnas deixaram claro que os eleitores deram ouvidos a esse grito. Muitos viram em Aécio Neves a esperança de uma recuperação, por julgar que ele tem melhor trânsito entre os empresários e investidores e por ser defensor de uma economia mais liberalizada e menos dependente da ação do Estado.

Dilma já sinalizou que entendeu o recado: ela também não está satisfeita com o andamento da economia brasileira. Mas, até agora, a única decisão anunciada por ela foi a demissão do ministro Guido Mantega, em plena campanha eleitoral. Fora isso, ainda não se sabe o que ela pretende fazer para retomar o crescimento econômico e conter a inflação, que ameaça passar do teto da meta este ano.

Em meio a um país dividido, com a oposição fortalecida e num cenário econômico internacional bem mais adverso que o do governo Lula, Dilma terá quatro anos complicados pela frente. Se quiser fazer seu sucessor – ou reeleger seu antecessor – terá de agir logo para melhorar o desempenho econômico, segurar a inflação e ainda oferecer soluções para os problemas sociais do país – que, apesar de avanços, ainda estão longe de terem sido solucionados. Não é pouca coisa. Mas, ou ela faz isso, ou a continuidade do PT no poder corre sérios riscos em 2018, mesmo se o já quase santo Lula concorrer.

Esta pode ter sido a última vez em que o Bolsa Família ganhou uma eleição.

Fonte: DW.DE

Dilma Vana Rousseff

Dilma Vana Rousseff, 66, nascida em Belo Horizonte, é filha de Pedro Rousseff, um búlgaro naturalizado brasileiro, e de Dilma Jane Coimbra Silva.

Tinha 16 anos quando o golpe militar depôs o presidente João Goulart. Aderiu cedo à militância política e integrou grupos de combate à ditadura. Fez parte do Colina (Comando de Libertação Nacional), que se fundiu à VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), dando origem à VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares).

Aos 19 anos, foi presa em São Paulo e levada às dependências da Operação Bandeirante, onde foi torturada. Transferida para Minas Gerais e, depois, para o Rio de Janeiro, cumpriu quase três anos de prisão. Ela foi solta em 1972. Posteriormente, pediu indenização aos três Estados.

Pouco depois de ser libertada, mudou-se para Porto Alegre, onde se formou em economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Fez campanha pela Anistia em 1979 e ajudou a fundar o PDT (Partido Democrático Trabalhista) no Rio Grande do Sul.

Em 1986, virou secretária da Fazenda do então prefeito da capital gaúcha, Alceu Collares. Na primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, em 1989, fez campanha para Leonel Brizola. No segundo turno, apoiou Lula. Dilma presidiu a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul e, em seguida, assumiu a Secretaria de Energia do Estado. Rompeu com o PDT e, em 2001, filiou-se ao PT.

Com a eleição de Lula para a Presidência em 2002, foi chamada para integrar a equipe de transição. Em 2003, assumiu o Ministério de Minas e Energia. Em 2005, quando José Dirceu deixou o Ministério da Casa Civil devido a seu envolvimento com o escândalo do mensalão, Dilma assumiu a pasta.

Em abril de 2009, Dilma anunciou que tinha câncer linfático. A doença foi tratada no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, com sessões de quimioterapia. Em 2010, elegeu-se presidente da República, derrotando o tucano José Serra no segundo turno.

Imagem: Marlene Bergamo -25.jul.2013/Folhapress

Fonte: Folha

 

 

 

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